Friday, November 20, 2015

Homem polui sua última fronteira de alimentação

Pedro J. Bondaczuk

Os mares já foram apontados por muitos renomados cientistas como a última fronteira alimentar do Planeta. Poderiam ser. Até não faz muito, era comum aparecer na Imprensa alguma previsão, ou mais do que isso, detalhado estudo nesse sentido. Vários escritores de ficção científica imaginaram florescentes civilizações submarinas, com imensas cidades submersas, modelos de progresso e de convivência comunitária. Isso apenas em suas fantasias, é claro.

Na verdade, o que vemos, são os oceanos cada vez mais inseguros e poluídos. A insegurança fica por conta de atos de sabotagem, iniciados pela CIA norte-americana em portos da Nicarágua e imediatamente imitados (as coisas ruins quase sempre são copiadas) por terroristas do Oriente Médio, através da até aqui inexplicada minagem das águas do Canal de Suez e do Mar Vermelho. E, principalmente, da chamada “Guerra dos Petroleiros”, no conturbado Golfo Pérsico, onde Irã e Iraque disputam um louco campeonato de insensatez, envolvendo patrimônio de outros países em seu conflito de mútuo desgaste, que no próximo dia 19 de setembro completa 4 anos. A poluição deve-se a imprudências de toda a sorte, que vão desde gigantescos derrames de petróleo nas águas, ao uso dos oceanos como depósitos de lixo atômico.

A cada nova agressão contra esse meio natural, que representa dois terços da superfície da Terra, vêm os desmentidos (que soam a ostensivas inverdades), e  palavras tranqüilizadoras, tipo “essa substância x derramada nas águas não representa nenhum perigo para o meio ambiente”, ou “80% do óleo derramado foi neutralizado com solvente” e coisas semelhantes. Mentiras, claro. O que se vê, na verdade, é uma agressão crescente à natureza, cada vez mais judiada pelo seu principal beneficiado: o ho,em.

Rios são transformados em esgotos a céu aberto, lagos têm morte decretada por irresponsáveis, que os entopem de detritos, mananciais são irreversivelmente comprometidos. Todo esse vandalismo é praticado em nome de uma palavra fluida, ambígua, chamada “progresso”, que esses agressores do meio ambiente sabem sequer definir. O desbragado e voraz consumismo, a sociedade do prêt-á-porter, do descartável, do desperdício, seria a noção correta da evolução? Isso seria o tal progresso?!

É hora (mais do que isso, já estamos atrasados décadas nesse mister) de todos se conscientizarem que nada é mais importante do que a preservação da nossa fonte de vida: o ar, a água e o solo, para que não venha a ocorrer a irônica situação de estarmos todos preocupados com o holocausto nuclear e acabarmos mortos por um envenenamento planetário causado por nós mesmos. Estamos na situação daquele condenado à morte que tem colocada diante de si, por seus executores, a absurda alternativa: “Você prefere morrer fuzilado ou envenenado?”. É claro que sua preferência será não morrer. Assim como a de todos nós.


(Artigo publicado na Editoria Internacional do Correio Popular em 28 de agosto de 1984).

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