Saturday, April 30, 2011










É certo que saber não ocupa lugar. Mas precisamos de estímulo para aprender o que quer que seja. A palavra-chave é “motivação”. Temos que nos sentir curiosos a respeito de determinados conhecimentos para que os obtenhamos, sem muito esforço e com total prazer. Edgar Morin afirma: “A educação favorece a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência geral. Este uso total pede o livre exercício da curiosidade, a faculdade expandida e a mais viva durante a infância e a adolescência, que com freqüência a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular ou, caso esteja adormecida, de despertar”. Sejamos, pois, curiosos e despertos, se quisermos ser sábios.

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Soberana saudade

Pedro J. Bondaczuk

Cinco anos,
cinco circunvoluções
da espaçonave Terra
ao redor da fornalha do Sol.
cinco Primaveras... Saudade...

O rio do Tempo (sempre o Tempo)
de águas singulares que fluem
num mesmo leito,
mas que nunca são
as mesmas,
destruiu mundos e vidas,
e cidades e monumentos
e rancores e afetos:
“delenda Cartago”.

A flor azul do nosso afeto,
delicada flor, frágil, fluída
fez-se estéril, sáfara,
mas sobreviveu
a duras penas
sem frutificar.

Milagre improvável:
a frágil flor.
mística flor
estéril e sáfara
fluida e azul
conservou perfume
adocicado e sutil
posto que imperceptível
a olfatos profanos.

O Tempo testemunhou
o nascimento de estrelas
a formação de mundos
explosões de sóis,
o colapso de galáxias
nos vórtices implacáveis
de buracos negros.

Vidas surgiram,
vidas se foram,
civilizações nasceram
civilizações envelheceram
civilizações desmoronaram
e retroagiram à barbárie.
Nada escapa à
corrosão do Tempo.

Mas a frágil flor,
mística flor,
flor azul e fluida,
estéril e sáfara,
sem frutificar
sobreviveu ao caos,
ao colapso
das lembranças

Cinco anos...
Cinco primaveras.
Cinco ciclos universais
e uma só e
soberana saudade...

(Poema composto em Campinas, em 23 de setembro de 1965).


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Quem irá colher?

Pedro J. Bondaczuk


O poeta é, via de regra, um sujeito incompreendido. Suas atitudes, seu modo de ser e sua personalidade diferem do lugar comum. Aos olhos do mundo, é um excêntrico, e não apenas no falar e no escrever, mas nas atitudes e no modo de encarar a vida. Nem todos, claro, parecem ser assim. Mas no fundo, no fundo, são. Há os que dissimulam muito bem, comportam-se em sociedade como “pessoas normais”, seguindo, claro, aquele estereótipo de normalidade que o vulgo confere. Isso, todavia, não passa de máscara, de disfarce, de dissimulação. É isso! O poeta é um dissimulado por excelência. Ademais, o que é ser normal? E o que caracteriza essa tal de anormalidade? Eu diria, como aquele personagem de Shakespeare: “words, words, words...”

Perguntaram-me, dia desses, por que entre meus livros publicados não há nenhum de poesia? Afinal, já ganhei prêmio de âmbito nacional nesse gênero e tenho cinco obras poéticas prontinhas, que poderiam ser impressas já amanhã. Houve, até, interesse de editora em fazê-lo, mesmo sabendo que, no mercado editorial, salvo raríssimas exceções, poesia é prejuízo certo, é sinônimo de encalhe. A resposta pode não satisfazer ninguém, pode parecer artificial ou absolutamente falsa, mas é verdadeira.

Não publico livros de poesia porque, se o fizesse, estes seriam postos à venda, obviamente, até na tentativa de recuperar, pelo menos, os custos de produção. No entanto, não sou cúpido a ponto de “vender sentimentos”. Prefiro dá-los aos que me rodeiam, quer sejam objetos de meu afeto, quer desafetos; quer conhecidos e até íntimos, quer estranhos e rigorosamente desconhecidos. Não mercadejo intimidades. Estranho? Pois é, trata-se de característica nossa, dos contaminados por esse vírus incurável, que nos faz tão diferentes.

O escritor russo, Máximo Gorki, colocou a seguinte afirmação na boca de um de seus personagens, no conto “Konoválov” (que consta do livro “Os melhores contos de Máximo Gorki”, tradução de Leonid Kipman, Boa Leitura Editora): “Com a poesia dá-se o mesmo que acontece com todas as outras coisas: ela perde a singeleza sagrada, tão logo se transforma em profissão”. É isso! O poeta autêntico nunca é “profissional” da poesia. Caso escrevesse com objetivo precípuo de ganhar dinheiro, descaracterizaria sua arte. Seus versos, mesmo que fossem tecnicamente perfeitos, perderiam a espontaneidade, a sinceridade e, por extensão, a credibilidade. A meu ver, nem seriam poesia, mas arremedo bem feito dela. Ser poeta é uma condição de vida, um estado de espírito, um jeito de ser e nunca uma profissão. É assim que entendo as coisas.

Claro que quando eu “ficar encantado” (pois poeta não morre, se encanta), meus herdeiros poderão fazer o que quiserem com meus livros de poesia. Podem, até, publicarem-nos, com intuito comercial, com objetivo de vendas. Obviamente, então, não terei controle sobre o destino da minha produção poética. Ela tanto pode ser totalmente destruída, sem deixar o mais leve vestígio (o que me parece, agora, impossível, pois há poemas meus espalhados internet afora), como ser colocada em leilão, à espera da melhor oferta.

Caso os publique um dia, em vida, o farei com o sentido de oferta, de presente, de dádiva ao mundo. Arcarei, portanto, com os custos e darei, de graça, cada exemplar, às pessoas que sei que apreciam poesia e que, por isso, têm capacidade de lhe dar o devido valor. Loucura minha? Pode ser! Para ganhar dinheiro (e espero, de fato, ganhar), tenho minha obra em prosa. Tenho, notadamente, meus livros de contos, minha especialidade literária. É isso! Gosto de inventar e contar histórias. E essa aptidão eu cobro.

Não estão me entendendo? Sugiro-lhes, então, que leiam estas recomendações de Sérgio Buarque de Holanda, feitas no ensaio “João Cabral de Mello Neto” publicado no jornal “Folha da Manhã”, em 5 de agosto de 1952: “Para bem entender um poeta, com a visão necessariamente relativista que pertence a toda crítica séria, importa procurá-lo, inclusive, fora de sua obra poética e também, se possível, fora de seus escritos. Nada, neste caso, é inteiramente inútil, nada se perderá, para uma interpretação conscienciosa, ainda quando atinente apenas aos dados estéticos”.

Se um dia, pois, quiserem entender minhas atitudes e decisões (as posições que assumo e as idéias que tenho), procurem as respostas fora do âmbito poético. Pesquisem minha biografia. É fácil. Há trinta anos faço diário, sem deixar de registrar o que de mais importante fiz (e que me fizeram) um único dia que seja. Tenho, em minha biblioteca, pilhas e pilhas desses registros. Isso vale para quem se interessar de fato pelos meus textos. Quem não se interessar... que vá pra “Tonga da mironga do cabuletê”. Que sequer leia estas linhas. Seria inútil fazê-lo!!!

Para Iosif Alexandrovitch Brodsky, mais conhecido como Joseph Brodsky, poeta russo que surpreendeu o mundo quando, em 1987, conquistou o Prêmio Nobel de Literatura, “escrever é um acelerador de consciência, de pensamento e de compreensão do Universo. E fica-se dependente disso. Os que caem nesta espécie de dependência da linguagem são, julgo eu, poetas”. Essas palavras ele disse em 9 de dezembro de 1987, em Estocolmo, ao receber a premiação a que fez jus. Eu caí nessa espécie de dependência da linguagem. Mesmo que quisesse deixá-la. é um vício do qual não tenho mais remissão, não consigo mais me livrar. Mas estejam certos: jamais porei à venda meus mais íntimos sentimentos. Prometo, tão logo possa (se é que um dia irei poder), doá-los solenemente ao mundo. Enquanto isso não ocorre, faço a mesma indagação que Clarice Lispector um dia fez: “Quem virá colher os frutos de minha vida???”. Sim, amigos, quem virá???

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Friday, April 29, 2011












A curiosidade é a mãe da sabedoria”, diz conhecido dito popular. Trata-se de verdade óbvia, da qual poucos se dão conta. Quem não é curioso, no bom sentido, não se sente motivado a aprender coisa alguma, por mais que necessite desse aprendizado, mesmo que invista nele todos os recursos de que dispõe. Até aprende, mas com sacrifício, com muito esforço e, não raro, com sofrimento. Este deveria ser, portanto, princípio básico da educação. A criança precisa, desde tenra idade, ter sua curiosidade despertada, espicaçada e estimulada, em relação a tudo o que a cerca, não importa se a coisas concretas ou a idéias abstratas, se a pessoas ou a objetos, se a acontecimentos ou se a princípios. Não é, infelizmente, o que ocorre.

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PERFIL


FRANCISCO CUOCO


Quem não se lembra de novelas como “Redenção”, “Sétimo Sentido”, “Sangue do meu sangue”, “Eu prometo” ou “Selva de Pedra”? Todos se lembram, não é mesmo? E elogiam a grande atuação de Francisco Cuoco. Pois bem, esse ator, antes de entrar para a vida artística, era feirante.
Começou, como a maioria dos grandes astros, pelos palcos, em 1957, portanto, há 27 anos, com a peça “A Madona de Efeso”, seguida de outros trabalhos de menor repercussão. Seu talento foi realmente notado depois de contracenar com nomes já consagrados de então, como Fernanda Montenegro, Sérgio Brito, Carminha Brandão e Ítalo Rossi. Daí para a TV, foi só um pulo. Seu primeiro trabalho em televisão foi integrando o cast do “Grande Teatro Tupi”, autêntica escola prática para atores.
A primeira novela, também na extinta emissora do Sumaré, foi “A morta sem espelho”. A seguir, transferiu-se para a TV Record, onde atuou em “Renúncia” e “Branzo”. Suas performances no canal 7 levaram-no à Excelsior, que estava montando um dos maiores elencos de novelas do País. Foi lá que obteve a consagração definitiva, com seu trabalho em “Redenção”. No saudoso canal 9, fez, ainda, as seguintes novelas: “Marcado para o amor”, “Ainda resta uma esperança”, “Legião dos esquecidos” e “Sangue do meu sangue”.
Na Globo, conseguimos nos lembrar de onze grandes sucessos (alguns devem Ter fugido da memória). São, pela ordem: “Assim na terra como no céu”, “O cafona”, “Selva de pedra”, “O semideus”, “Cuca legal”, “Pecado capital”, “Duas vidas”, “O astro”, “Os gigantes”, “Sétimo sentido” e “Eu prometo”. Por tudo isso, não é nenhum exagero afirmar que a história da novela em TV está intimamente associada à trajetória artística deste extraordinário ator, chamado Francisco Cuoco.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, TV, do Correio Popular, em 16 de agosto de 1984).

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Salvo pelo gongo

Pedro J. Bondaczuk


Levantei, hoje de manhã, com uma preocupação muito grande: o que escrever? Não que me faltem assuntos, longe disso. Na verdade, eles até sobram e se atropelam no cérebro, cada um deles exigindo prioridade. Contudo, dado o fato de estar com a pauta particularmente mais “carregada” do que o normal neste final de semana, tenho que abordar temas sobre os quais não tenha a menor dúvida e que não precisem, portanto, de nenhuma pesquisa.. Se precisarem, estou roubado, já que minha biblioteca é, não somente enorme, mas principalmente caótica. Se tivesse que fazer isso... estaria perdido. A pesquisa me comeria um tempo imenso, que não posso desperdiçar. É o preço de quem assume uma infinidade de compromissos ao mesmo tempo, na base do puro impulso, e que tem que fazer das tripas coração para honrar a todos.
Ainda se precisasse de um único assunto, a indecisão não seria tão grande. Mas precisava de três: dois para crônicas a serem publicadas em sites de grande prestígio neste final de semana e o terceiro, para a sua reflexão, meu fiel leitor. Reitero que os temas se atropelavam em meu cérebro, cada qual querendo prioridade, e eu não conseguia me decidir por onde começar e qual deles escolher. E as horas estavam passando... Pensei no Cazuza e na sua composição “O tempo não pára”. Resolvi buscar socorro com um amigo, a quem recorro, invariavelmente, nas horas de apuro.
Liguei para o seu celular. A ligação caiu na caixa postal. Comecei a entrar em pânico. Respirei fundo e tentei novamente. Ele atendeu. “Caramba, Carlão, o que você estava fazendo que não atendia essa droga de celular?!”. “Estava tomando banho”, respondeu. “Por que essa afobação?”, indagou a seguir, com toda a calma do mundo. Ele é assim, sumamente vagaroso. Não por acaso, seu apelido é Marcha Lenta. É verdade que ele não sabe disso.
“Carlão, preciso que você me sugira três assuntos. Mas não pode demorar, é urgente e já estou atrasadíssimo!”, falei o mais rápido que podia. “Ora, quem diria! O Pedrão sem ter sobre o que escrever!”, respondeu-me daquele seu jeito irritante e mole. “Pô, Carlão, não tenho o dia todo!”, cutuquei o bicho-preguiça, para que se mexesse.
“Por que você não escreve sobre o novo índice de popularidade do Lula? Você sabe que é um fenômeno um presidente em fim do segundo mandato obter 87% de aprovação ao seu governo”, sugeriu. “Não, não quero abordar fato político. Preciso de assunto para duas crônicas, e não para um artigo”, respondi. “Escreva, então, sobre a conferência do clima em Cancun”, o amigo sugeriu. “Também não vai rolar. O teólogo Leonardo Boff, que é muito mais escritor do que eu e que, ademais, esteve presente ao COP-16, escreveu a respeito. E na comparação... claro que sairei perdendo e de goleada”, respondi. “Então se vire meu amigo”, o Carlão falou de jeito malcriado e desligou o telefone na minha cara. Falei um palavrão e decidi me virar. Que jeito?
Ao ligar o computador, resolvi escrever sobre o primeiro assunto que me viesse à cabeça. Deixei as águas rolarem. Fui digitando, digitando e digitando e, quando me dei conta, as duas crônicas estavam prontinhas e revisadas. Ufa! Tomara que os leitores gostem! Quem lida com a escrita sabe que há infinita diferença entre redigir um texto sem preocupação de tempo e fazer a mesma coisa, mas de olho no relógio, em contagem regressiva. É fogo!!! No fim das contas, a naturalidade e a espontaneidade vão pras cucuias. E você ainda tem que se dar por satisfeito se não escapar nenhum desses errinhos bestas e chatos de português, notadamente de concordância ou de regência verbal.
Quando me preparei para redigir estas reflexões, faltava pouco tempo para eu me preparar para o “trabalho”, aquele oficial, que consta em minha carteira profissional e que me garante o “pão nosso de cada dia”. Para quem não sabe, tenho a árdua tarefa de manter a integridade do Diário Oficial do Município de Campinas, por cuja edição sou um dos responsáveis. Não me é permitido errar. Se escapar um reles errinho... Será um deus nos acuda! O céu cairá sobre a minha cabeça.
Fiquei pensando, e pensando e pensando sobre o que escrever neste espaço. E justo aqui, onde muitos leitores esperam de mim nada menos do que a perfeição (como se isso fosse possível!). Vou escrever sobre idéias? Outra vez! Não! Não gosto de repetir assuntos. E depois do que escrevi sobre o livro de Augusto Cury, “O semeador de idéias”, não teria nada de inteligente, ou pertinente, a acrescentar.
Em apuro, recorri a um dos meus poetas favoritos, Mauro Sampaio. Abri o livro “Poemas para meditar”, e os assuntos foram brotando um a um, em atropelo, aos borbotões, como pulgas no dorso de um cachorro pulguento. Um tema, todavia, se mostrou recorrente na inspiração do saudoso amigo: vida. É isso aí! Por que não abordar essa aventura maravilhosa e única, cheia de perigos e de surpresas?
No poema “A vida”, Mauro definiu-a da seguinte forma: “A vida, meus amigos,/é quase nada!/É sempre uma anedota, mal contada,/o princípio feliz de uma gargalhada,/e depois, uma festa final da bicharada!”. Pura verdade! Mas, credo, que mórbido!
Li o poema seguinte, “A vida é isto”, que está mais de acordo com o que penso: “A vida é isto:/ser torto por dentro/desde que os olhos dos outros não enxerguem./Ser brutal e desumano,/sujo e ríspido, e ríspido e sujo,/se os sentidos dos outros não sentem,/ou se sentem,/não têm sentido nem vontade de ver!//A vida é isto!/Isto sim, no seu significado por inteiro!/É isto!/Um amontoado de “istos”/que me fazem isto que sou!”. Lindo, não é mesmo?!! O que mais eu poderia acrescentar que não arruinasse ainda mais este texto já de per si mambembe? Mas fui salvo pelo gongo.

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Thursday, April 28, 2011










Hoje restaram apenas alguns poucos bosques, onde antes floresceram matas enormes, no continente europeu. E mesmo estes estão constantemente sujeitos ao fenômeno das “chuvas ácidas”, provocado pela intensa poluição industrial. Nos Estados Unidos, não ocorreu coisa muito diferente. Portanto, se a chamada “comunidade internacional” (expressão vaga demais para ser sequer considerada) não soube zelar por esse patrimônio terrestre, por que saberia cuidar da Amazônia, sobre a qual lança, indisfarçavelmente, seus “olhos gordos”? Por que justamente dessa região, cheia de armadilhas e doenças, que costuma punir duramente quem não a conhece, onde os europeus ou os norte-americanos dificilmente iriam se adaptar? E quem iria fazer essa fiscalização, numa área tão extensa?

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Disc-Notas


*** - O cantor José Augusto, um dos campeões nacionais de vendas de discos, já está com novo LP na praça. Trata-se de “Sem Preconceito”, onde o artista mostra um novo repertório, arranjos mais ousados, a cargo de Luiz Avelar e Jota Moraes, e um novo estilo de interpretação. Sugerimos atenção especial para duas faixas: “Me vira no avesso” e “Nos seus olhos”.

*** - Roberto Carlos, que está nas paradas de sucesso em várias capitais da América Latina, com “Concavo y convexo” e “El amor y la moda”, será uma das grandes novidades do próximo LP da Turma do Balão Mágico. Ele vai interpretar, ao lado de Simony, uma das faixas do disco, composição de Edgard B. Poças.

*** - Dois cobras brasileiros no disco, com passagens internacionais. Um deles é Alceu Valença, que com sua banda, está gravando seu próximo LP na Holanda, pela Polygram daquele país. O outro é Ivan Lins, que além de ganhar um especial em novembro, na Globo, teve a participação de dois músicos norte-americanos no seu novo disco, “Juntos”. Na faixa que dá título ao LP, há a guitarra mágica de George Benson. E a “Daquilo que eu sei” foi gravada pelas cantora norte-americana Patty Austin, em inglês.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, “TEVÊ”, do Correio Popular, em 17 de agosto de 1984).

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Semeador de idéias


Pedro J. Bondaczuk

Se você tivesse que vender um produto abstrato, qual desses dois venderia: sonhos ou idéias? E se fosse comprar, qual compraria? Se possível, e se eu tivesse disponibilidade de recursos, adquiriria ambos. Os dois são poderosos combustíveis da alma humana e nos impulsionam a grandes realizações. Digamos, porém, que por algum motivo (falta de dinheiro seria o mais comum), você fosse instado a optar por apenas um deles, por qual desses “produtos” abstratos você optaria? Querem saber qual seria minha escolha? Até por questão de temperamento, por ser pragmático e cartesiano (mas, paradoxalmente, poeta), minha opção recairia sobre as idéias. São elas que movem o mundo. Foram elas que tiraram o homem das cavernas e o levaram a erigir a atual civilização.
Digamos, no entanto, que você fosse um sujeito idealista, dos que entendem que nascemos com determinada missão que nos cabe cumprir para justificar nossa existência. Suponhamos que, por isso, ache que algo tão nobre, como idéias, ficaria sumamente desvalorizado caso transformado em produto “vendável”. Nessas circunstâncias, em vez de vendedor, você optaria pelo papel de semeador. E o que você semearia, idéias ou sonhos?
Ambos tendem a render preciosos frutos, caso suas sementes caiam em solo fértil. Precisamos das duas coisas para nos sentirmos humanos e nos distinguirmos dos outros animais, adquirindo a nobreza de semi-deuses, em vez de nos limitarmos a ostentar a precariedade plebéia de mera fera. Aliás, a maior parte das idéias provém de sonhos, de fantasias, da imaginação. E quem afirma isso nem sou eu. Quem fez essa afirmativa, com a veemência dos que têm convicção do que dizem, foi um dos cientistas mais ousados e geniais que o mundo teve o privilégio de abrigar: Albert Einstein. Mas, no nosso caso, quer sejamos vendedores, quer assumamos a nobreza do semeador, o produto abstrato que poderemos vender, ou a semente que poderemos lançar ao solo, terá que ser um dos dois. E sua escolha recairá em qual deles. nos sonhos ou nas idéias?
Da minha parte, manteria a postura anterior. Mas apenas por questão de temperamento, por ter recebido educação racional ao extremo, sumamente lógica e, reitero, cartesiana. Ou seja, optaria quer por vender, quer por semear, mas sempre idéias. E é isso o que o médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor paulista, natural da cidade de Colina, Augusto Jorge Cury, vem fazendo há já bom tempo. Mas ele consegue cumprir o duplo papel: o de vendedor e o de semeador.
No primeiro caso, é mister destacar que os 28 livros que já publicou venderam, apenas no Brasil (país de que nos queixamos tanto de que a população odeia leitura), a “bagatela” de 12 milhões de exemplares!! Trata-se, pois, de fenômeno editorial sobre o qual há muito eu queria falar, nem que fosse só de passagem, como o presente texto. Ademais, ganhou o mundo e sua obra inteligente e provocante já chegou a 50 países. Sou fascinado por pessoas geniais. E Augusto Cury, certamente, o é.
Seu livro mais recente, cujo título é, justamente, o destas considerações, “O semeador de idéias”, mantém trajetória vitoriosa no mercado editorial. Pudera! Tem conteúdo! Não se limita a mero bla-bla-bla, como tantas obras, badaladas pela crítica, mas apenas retóricas e, pior, ocas. Claro que não farei sequer um resumo desse ótimo lançamento, para não me tornar estraga prazer e não privar você, fiel (e paciente) leitor da satisfação da descoberta do seu texto (se ainda não o leu) ou do reencontro com ele (caso já tenha lido algo desse escritor).
Mas se me omito de traçar resenha de “O semeador de idéias”, pelas razões expostas, não preciso me omitir também de falar do seu autor. Esse médico do corpo, da mente e da alma lida com o que temos de mais nobre: a razão. E, por extensão, lida com sua principal aptidão, ou seja, com a capacidade de entender o que vê, ouve e sente, denominada, genericamente, de inteligência. Daí ser semeador (ou vendedor?) desse produto abstrato, que gera, no entanto, tudo o que é concreto: idéias. E as idéias, quando originais, têm vasta aceitação, sim senhores. Tanto que pesquisa do jornal Folha de S. Paulo comprova que Augusto Cury foi o escritor mais lido da década. E isso num país tido e havido como avesso aos livros!
Outra façanha sua é o desenvolvimento da “Teoria da Inteligência Multifocal”. Mediante essa doutrina, explica o funcionamento da mente no processo de construção do pensamento e, por conseqüência, na formação dos pensadores. Suas idéias a respeito são fascinantes. Não sou, evidentemente, o mais habilitado a explicá-las e, a bem da verdade, este nem seria o espaço apropriado para isso.
Levantei a hipótese de Augusto Cury ser vendedor de idéias, mas devo retratar-me, o que faço com humildade e satisfação. Apesar de seus livros serem “vendidos”, não “doados” ele é, mesmo, semeador, e dos mais prolíficos e diligentes. Basta citar a Academia da Inteligência, instituto que ajudou a fundar e que dirige há bom tempo . Trata-se de instituição ímpar, que promove o treinamento de psicólogos, educadores e outros profissionais voltados a assegurar a sanidade mental das pessoas. Ademais, sua ação ultrapassa fronteiras. Tanto que, em 2006, foi fundado o Instituto Augusto Cury, em Portugal, mais especificamente na cidade do Porto, para semear, Europa afora, suas idéias. Minha reverência, pois, ao abnegado semeador.

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Wednesday, April 27, 2011












O caminho da preservação do chamado “pulmão do mundo” não passa por sua internacionalização. A melhor estratégia seria, sem dúvida, a da conscientização acerca da importância da mata amazônica para o equilíbrio climático do Planeta. Nesse aspecto, a campanha, movida pela imprensa mundial, até que é válida. Mas que não se mostre, apenas, a devastação das nossas matas. Que se exiba, por exemplo, o que aconteceu na China, na Malásia, na Tailândia e em outras partes da Ásia. Que se divulgue que são as corporações do chamado Primeiro Mundo (exatamente o que está insinuando a tese da internacionalização da Amazônia) que estimularam, e vêm estimulando, a exploração irracional das reservas verdes para alimentar suas indústrias. Se o assunto é a proteção do meio ambiente, que se diga a verdade por inteiro e não pela metade, pois meia-verdade é muito mais danosa do que a mentira completa!

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Antonio Maria de volta

Pedro J. Bondaczuk


A novela “Antonio Maria”, de Geraldo Vietri, que em 1968 constituiu um verdadeiro fenômeno de audiência nacional na extinta TV Tupi, está voltando aos nossos vídeos, passados 17 anos da apresentação original.
Evidentemente, ganha, agora, nova roupagem, com mais recursos técnicos à disposição da equipe responsável por sua produção e, principalmente, com algo que naquele tempo era apenas um sonho e hoje é a coisa mais corriqueira: a cor.
Se ganha em visual, todavia, certamente não deve superar, em termos de elenco, ao de quase duas décadas atrás, quando a figura que conquistou o Brasil, a do motorista português, foi interpretada por um profissional que hoje é autêntica lenda nos meios artísticos: o ator Sérgio Cardoso.
Mesmo assim, não há como negar, foi muito feliz e oportuna a escolha da Rede Manchete desse trabalho para promover o lançamento do seu núcleo de novelas. Para a televisão, para os envolvidos nesse tipo de trabalho e, principalmente, para o telespectador, esse é um acontecimento que merece, sem dúvida, um registro destacado.
Desde quando a Bandeirantes desistiu das telenovelas, a Globo tornou-se absoluta nessa espécie de produção. Mesmo tendo a concorrência (esforçada, é verdade) da TVS que, em termos de potencial de investimentos está, ainda, muitos furos distante da grande líder nacional de audiência, a emissora do Jardim Botânico teve uma espécie de acomodação.
É certo que produziu alguns trabalhos de altíssima qualidade nesse período. E fez isso até por um motivo pragmático, pensando em colocar essas novelas no mercado internacional. Mas ninguém pode negar que muita história sonolenta e mal acabada também foi para o ar. E quem perdeu com isso, foi o telespectador que, sem opção melhor para preencher o horário, teve que acompanhar algumas telelágrimas sensaboronas e maçantes.
Não queremos, com isso, afirmar que a entrada da Rede Manchete na produção de novelas possa vir a assustar a Globo. Mas, certamente, forçará a emissora a pelo menos manter seu inegável padrão de qualidade, como, aliás, ocorreu quanto às minisséries, onde do duelo entre os dois canais, todos nós lucramos, com trabalhos como “Anarquistas Graças a Deus”, “A Marquesa de Santos”, “Rabo de Saia” e “Santa Marta Fabril”, competindo pelo interesse do telespectador.
O enredo de “Antonio Maria”, embora os mais antigos conheçam de sobejo, sempre será novidade em nosso País. Aborda a presença dos imigrantes portugueses, pelos quais temos tanto carinho e admiração (não fossem eles nossos legítimos irmãos de sangue). Mostra a conduta judiciosa e esforçada de um motorista particular, empregado na casa do dono de uma rede de supermercados de São Paulo, o Dr. Adalberto.
Essa novela, no segundo semestre de 1968, foi, inclusive, pivô de uma enorme controvérsia na colônia lusitana. Enquanto algumas pessoas mostravam irritação com o personagem, classificando-o como um estereótipo, a maioria absoluta literalmente “apaixonava-se” por essa figura simples, humana e boa.
Para que o leitor avalie até que ponto ia a audiência da novela naquele tempo, basta dizer que as emissoras concorrentes (entre as quais a Globo) mudavam os horários de seus melhores programas para não coincidirem com o de “Antonio Maria”.
As programações jornalísticas, que então eram, em geral, insípidas e mal editadas, eram quase todas apresentadas após as 22 horas em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Apenas o “Repórter Esso”, da Tupi do Rio, ia ao ar mais cedo. E por motivo óbvio. Sendo da mesma emissora em que era apresentada a novela, não precisava, logicamente, temer sua concorrência. Além de ter, frise-se, na sua apresentação, a figura competente e tarimbada de Gontijo Teodoro, então imbatível quanto à aceitação por parte do telespectador.
Passados esses 17 anos, provavelmente a história de Geraldo Vietri não vai causar mais o mesmo impacto de 1968. Não que o pessoal envolvido nessa nova versão seja inferior, repetimos. É que as condições atuais são bastante diversas das daquele tempo.
A Tupi, onde “Antonio Maria” era apresentada, disputava, então, os primeiros lugares na preferência do público, como a emissora mais antiga do País, por ser a pioneira. A Manchete está, justamente, no pólo oposto. É o canal mais jovem dos que estão em atividade, praticamente em fase de consolidação.
A Rede Globo, por outro lado, que naqueles tempos ainda estava engatinhando, hoje é uma potência, não apenas nacional, mas até em termos mundiais. Conta com recursos de toda a espécie muito maiores do que as concorrentes da Tupi dispunham em 1968.
É evidente, portanto, que se sentir perigar sua liderança de audiência (o que nos parece uma possibilidade bastante remota), é óbvio que vai reagir para manter, ou até mesmo para aumentar, a sua supremacia. Mas que a competição vai ser algo saudável (e quando ela se dá em alto nível, sempre é), disso não temos a mínima dúvida.
Até porque, certamente prevenindo o lançamento de “Antonio Maria”, a Globo antecipou-se e lançou, por seu turno, uma novela, em seu horário mais nobre, de uma autêntica fera em termos de sucesso: Dias Gomes, com o seu “Roque Santeiro”.

(Artigo publicado na coluna semanal “Vídeo”, na página 20, “Arte e Variedades” do Correio Popular, em 5 de julho de 1985).

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O medo de perder

Pedro J. Bondaczuk

O ciúme é, ao lado do amor (ao qual está associado), um dos sentimentos mais explorados em literatura, quer em ficção, quer em estudos psicológicos e/ou comportamentais. Não há, por exemplo, romance, novela, conto ou peça teatral em que não haja a presença dessa reação instintiva de quem teme perder o que considera precioso. Se moderado, é inequívoca demonstração de afeto. Mas quando passa do ponto... tende a destruir um amor, por mais arraigado e profundo que seja. Não raro transforma-o em ódio feroz e é causa de milhões de tragédias mundo afora e a cada dia.
Li poemas magníficos que tratam, com sensibilidade e perícia, de ciúmes. Não daquele louco e homicida, do qual devemos nos livrar o mais rápido que pudermos, caso já esteja instalado em nossa mente, ou nos prevenirmos, se ele ainda não se instalou. Os psicólogos asseguram que se trata de um dos instintos básicos do “bicho homem”. A enciclopédia eletrônica Wikipédia traz uma definição desse sentimento, dada pelos especialistas israelenses Ayala Pines e Elliot Aronson, que é a seguinte: “Reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade”.
Observe-se, portanto, que o ciúme pode se fazer presente (e invariavelmente se faz), não somente em relacionamentos amorosos, mas em amizades, em locais de trabalho, e em todos os tipos de competição, quando intuímos (ou somente desconfiamos) que nosso competidor tem algo que não temos e que queremos ou que é melhor do que nós em algum aspecto, ou em tudo.
Convivemos com o ciúme desde tenra idade. Filhos primogênitos, por exemplo, sentem-no o tempo todo, tão logo a família seja aumentada e apareçam outros irmãos. Sentem que o afeto dos pais, por não ser mais exclusivo, de alguma forma será menor, mesmo que não o seja. A tradição bíblica deixa claro que o primeiro homicídio que teria ocorrido no mundo seria causado por esse tão complexo sentimento. Trata-se da narrativa do assassinato cometido por Caim contra seu irmão Abel. Mesmo que se trate de mera alegoria, é um dos textos que mais deveriam ser refletidos, para nos fazer admirar e até imitar atitudes positivas e virtudes dos outros, em vez de reagirmos a elas com ira e com violência.
Claro que não pretendo esgotar o assunto, que tem variáveis mil que poderiam ser abordadas. Contudo, por tratar-se de tema onipresente em literatura, é inteligente e saudável pensarmos no assunto e, sobretudo, útil, para quando formos engendrar algum enredo de romance, conto, novela ou peça de teatro e compor o perfil dos respectivos personagens.
A psicóloga clínica Mariagrazia Marini destaca que o ciúme é quase sempre marcado pelo medo (real ou irreal) e/ou vergonha de se perder o amor da pessoa amada. Todos sabem, por exemplo, como o vulgo trata de traições conjugais. Pitorescamente, a vítima é execrada e alvo de chacotas, enquanto o agente da traição é poupado. Trata-se de estranha (e burra) inversão de valores. Termos como “corno” e “chifrudo” são comuníssimos, usados para depreciar o traído, deixando implícito que isso se deu por sua incompetência. Na verdade, quase nunca é.
O ciúme envolve, sempre, três ou mais pessoas. Temos, em primeiro lugar, um sujeito ativo, ou seja, o que o sente. A lógica diz que necessariamente deve haver pelo menos um outro personagem, o central, “de quem se tem ciúme”. Por fim, entram em cena os últimos agentes essenciais (pode ser um ou podem ser vários): o (ou os) que desperta (ou que despertam) esse primitivo e instintivo sentimento, ou seja quem “ameaça” o ciumento. Essa reação pode ser motivada, concreta, real (quando há risco real de se perder pessoa, coisa ou situação que se valoriza) ou sem nenhum motivo (cujo risco exista, claro, apenas na cabeça do ciumento).
Estou evitando de citar livros e autores que exploraram com perícia esse tema, por serem sobejamente conhecidos dos amantes de literatura. Estou certo que cada um de vocês será capaz de citar, no mínimo, dez livros, quer do mesmo autor, quer de autores diferentes, em que o tema é abordado. Só não posso deixar de mencionar o mais conhecido deles, a peça “O mercador de Veneza”, de William Shakespeare, e seu personagem emblemático, Otelo, que no final das contas esgana Desdemona, cego de rancor e de ciúmes.
Posso citar, todavia, algumas frases de escritores célebres a respeito. Stendhal, por exemplo, escreveu: “Para certas mulheres altivas e donas de si, o ciúme do homem amado pode se apresentar como maneira especial de mostrar o valor que essas mulheres possuem”. Já para o sisudo ensaísta Michel de Montaigne, “de todas as enfermidades que acometem o espírito, o ciúme é aquela à qual tudo serve de alimento e nada serve de remédio”. E não está certo o ilustre escritor francês? Claro que sim.
François de Rochefoucauld, por seu turno, escreveu a propósito: “O ciúme, o receio de deixar, o medo de ser deixado são as dores inseparáveis do declínio do amor”. E o italiano Paolo Mantegazza desabafa: “Que vida de inferno é a vida do ciumento! Antes não amar, do que amar desse modo”.
Prefiro, todavia, esta exclamação, quase que em forma de prece, de William Shakespeare: “Meu Senhor, livrai-me do ciúme! É um monstro de olhos verdes que escarnece do próprio pasto que o alimenta. Quão felizardo é o enganado que, cônscio de o ser, não ama a sua infiel! Mas que torturas infernais padece o homem que, amando, duvida, e, suspeitando, adora”. E não é?!

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Tuesday, April 26, 2011










É um fato que milhares e milhares de hectares de árvores têm sido devastados, insensatamente, praticamente todos os dias, para projetos que, no final das contas, se revelam inviáveis. No ano passado, por exemplo, não apenas na Amazônia, mas em diversas outras reservas florestais brasileiras, as chamas devoraram, em horas, aquilo que a natureza, em alguns casos, levou milhões de anos para produzir. Mas, o que dizer das florestas tropicais africanas, dizimadas, quase que por completo, para atender à “fome” por madeira (para fabricar móveis e principalmente papel) das nações industrializadas? O que falar das selvas asiáticas, praticamente desaparecidas e transformadas em cinzas? E, virtualmente, por nada. Das reservas florestais européias nem há o que mencionar. Simplesmente inexistem!

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O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). –
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BOCA QUENTE

A
equipe de esportes da Rede Globo foi, provavelmente, a maior freqüentadora do ano deste espaço, que aponta as bobagens ditas no ar pela TV. Fernando Sasso, por exemplo, chamou o uruguaio Rodolfo Rodriguez, atleta do Santos, de Rodolfo Martinez, durante o jogo Brasil e Uruguai, disputado em Curitiba. O goleiro Sérgio, da Ponte Preta, que teve uma atuação histórica, frente ao Palmeiras, em São Paulo, teve seu nome trocado para Wilson. E até o resultado do dérbi do segundo turno foi dado errado, no "Gols do Fantástico". O Bugre venceu por 3 a 1, mas constou como tendo vencido por 2 a 0.

A mais recente mancada foi dada há dois domingos, por Fernando Vanucci. Após mostrar a derrota do Internacional de Porto Alegre, em pleno Beira Rio, para o Brasil de Pelotas, o locutor sapecou: "Terminado o jogo, meio 'sem-jeitos', os jogadores do Inter, mesmo derrotados, comemoram o título". Depois, para reforçar o erro, demonstrando que ele não foi motivado pela pressa, arrematou: "'Sem jeitos', mas campeões gaúchos, né?"

Com mais essa para encerrar o ano, a equipe esportiva da Globo obtém, dessa maneira, o título de maior freqüentadora do "Boca Quente" neste 1984. E olhem que não foram levadas em conta as várias escorregadelas dadas durante as transmissões dos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Um pouquinho mais de atenção , até que não faria mal algum...O telespectador bem que merece.

(Coluna escrita por mim, não assinada, publicada na página 22, de TV, do Correio Popular, em 19 de dezembro de 1984)

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Tempus fugit

Pedro J. Bondaczuk


Acordei, nesta manhã de terça-feira, com uma expressão latina me “verrumando” o cérebro, perfurando-o, corroendo-o e não me saiu do pensamento um só instante, até agora: “tempus fugit”. Por que penso tão insistentemente nisso? Não sei! Sei que o poeta romano Virgílio utilizou essa expressão em suas “Geórgicas”. Mas faz um bom tempo que não releio este maravilhoso livro. Mas decorei várias de suas passagens. Seria Virgílio, no além, me instando a não esquecê-lo? Se for... Ora, ora, ora, venerado mestre, é desnecessária sua exortação. Como eu poderia esquecer o guardião e guia de Dante Aligheri pelos caminhos do Inferno, do Purgatório e do Céu, em sua “Divina Comédia”?!
Não, decididamente, não é o espírito de Virgílio me cobrando mais atenção para seus inspirados versos. Até porque, ele não se expressou, nas Geórgicas, com apenas essas duas palavras. O verso em que elas aparecem é, literalmente, este: “Sed fugit interea fugit irreparabile tempus” que, numa tradução mais ou menos livre (ainda não me esqueci das aulas de latim da adolescência), quer dizer: “Mas ele foge; irreversivelmente o tempo foge”. E foge mesmo! E como foge! Haveria alguma forma de detê-lo? Seria possível fazer a Terra parar de girar, mesmo que por fração de segundos? Não! Não mesmo! Claro que não!
Se não é por causa de Virgílio, por que essa expressãozinha pernóstica continua me amofinando, como o tic-tac do relógio de parede que está bem à minha frente no meu gabinete de trabalho? E a coisa continua ritmada em meu cérebro. Posso até ouvir uma voz, embora eu esteja rigorosamente sozinho, seguindo o ritmo dos ponteiros: tempus (tic) fugit (tac). Ainda se fosse alguma melodia que ressoasse nas abóbodas do cerebelo, eu entenderia. Volta e meia, desperto com uma canção diferente no ouvido, que teima em me fazer cantarolá-la o dia todo.
Com você, leitor amigo, não ocorre, às vezes, a mesma coisa? Você não desperta, em determinado dia, com uma palavrinha que ouviu não sabe onde (e certamente a ouviu e seu cérebro registrou, se não, não a estaria repetindo e com tamanha insistência)? Não negue! Claro que isso já aconteceu com você. Acontece com todo o mundo. Talvez você não esteja prestando atenção (não pelo menos a devida) ao o que ocorre em seu interior.
Caso quisesse escrever a respeito da expressão latina, poderia redigir até um tratado. O tempo é, certamente, se não o tema que mais explorei em minha literatura, um dos que mais vezes abordei. Mesmo não sendo nada concreto... Não passa de metáfora, de mera convenção humana, embora possamos senti-lo, sofrer seus efeitos, quase apalpá-lo até. Tempus (tic), fugit (tac), continua a expressãozinha, como um mantra, como os sons de um tambor, ou de um carrilhão repercutindo no cérebro.
Ah, mestre Virgílio, prometo lê-lo tão logo consiga pôr ponto final nestas divagações (ou seriam elucubrações?) e, dessa forma, retornar ao meu normal. Mas... o que é normalidade? O que é sanidade? O que é loucura? Em certa medida, somos todos um tanto destemperados, meio que malucos. Como na história do “Alienista”, do me3stre Machado de Assis, estamos fora da Casa Verde, é verdade. Todavia, os que lá estão, tidos e havidos como malucos, é que são os lúcidos. Loucos somos nós, que estamos fora dela.
Que o tempo foge, sem a mais remota possibilidade de retenção, é óbvio! Num átimo de segundo dou-me conta, por exemplo, que logo, logo será Natal. E eu que ainda não “digeri” na mente os acontecimentos do Natal anterior, que me parece ter sido ontem. Ou há poucas horas, sei lá.
De repente, dou-me conta que já se passaram seis meses da inauguração do meu novo e funcional gabinete de trabalho, com o qual vinha sonhando há anos, e que, finalmente, pude montar. E do jeitinho que planejei, com equipamentos informáticos novinhos em folha, de primeiríssima qualidade (computador de última geração, impressora, copiadora, scanner e toda a parafernália moderna que facilita sobremaneira nossa vida, de intelectuais do século XXI). Parece que foi ontem que eu vivia a expectativa de estrear as novas máquinas, o novo espaço, o novo mundo restrito e particular que construí para mim. Se bobear... a esta altura todo o equipamento já pode estar defasado, tão rápidas são as inovações nesse campo tecnológico.
Pois é, tempus fugit. Mais um aniversário meu está às portas, lembrando-me dessa verdade. Não sei se por delicadeza (acredito que sim), todos os que me cercam asseguram que o tempo não me modificou em nada (como esse pessoal é mentiroso!). “Caramba, Pedrão, o que você anda tomando?! Está sem cabelos brancos e nem tem rugas no rosto”, exclamou, outro dia (ou seria no ano passado?) um amigo que não sai aqui de casa. Sei lá! Ademais, nem sempre cabelos grisalhos são o melhor termômetro para medir a passagem do tempo. É questão de nível adequado de melanina. Se você o tiver, sua cabeleira permanecerá na cor natural, livrando-o do vexame de ter que pintá-la. Caso contrário... Conheço muito garotão com os cabelos totalmente grisalhos. Como explicar?
Eureka!!!! Descobri porque a tal expressão latina não me sai da memória desde que acordei. A explicação está no relógio de parede, bem à frente da minha escrivaninha. É óbvio!!! Trata-se de uma peça “antígona”, posto que muitíssimo bem-conservada, como se houvesse saído da fábrica ontem. Acima do mostrador dos ponteiros, em algarismos romanos, há uma águia estilizada em pleno vôo, carregando nas garras uma faixa com alguns dizeres. E sabem o que está escrito nela? Pois é... está escrito, exatamente, “tempus fugit”. Nada mau para suscitar reflexão, não é mesmo?!




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Monday, April 25, 2011










O clima terrestre está mudando dramaticamente, disto pouca gente, agora, ousa ter mais dúvidas. As razões dessas alterações, no entanto, são objetos de controvérsias. E, mais uma vez, como não ocorreu no passado, vários setores internacionais atribuem à exploração irracional da Amazônia a causa principal desse descontrole climático. Isso não deixa de ser um pouco de cinismo, por parte de determinados grupos, que nunca esconderam seu desejo de se apropriar dessa vasta área de floresta, a maior reserva verde do Planeta, mas não para que sirva de patrimônio da humanidade, conforme apregoam, mas certamente para o seu próprio proveito. É preciso cautela quanto a isso.

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Anote e Confira


JOGOS OLÍMPICOS

Sem dúvida nenhuma, a programação que desperta o interesse do telespectador, não apenas no dia de hoje, mas até 12 de agosto, é a das competições dos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Além das partidas de vôlei masculino Itália x China e Brasil x Argentina, você terá, como opção, as provas de natação, com a promessa de várias quebras de recordes.

Quanto à emissora, fica por conta do seu gosto, pois cada uma tem algo de bom para oferecer: a Globo, com câmeras exclusivas, mostra a melhor imagem; a Manchete, com sua "equipe de ouro", tem mais informações; a Record, muita descontração e alegria e a Bandeirantes, com Luciano do Valle, traz o entusiasmo e a vibração até o seu lar. Para não cometer nenhuma injustiça, não destacamos nenhum canal, pois todos estão fazendo uma cobertura de primeira linha.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria de TEVÊ, do Correio Popular, em 31 de julho de 1984).

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O livro mais caro


Pedro J. Bondaczuk

Você sabe, caro leitor, qual é o livro mais caro do mundo? Adianto que não se trata de nenhuma obra de Balzac, ou de Hugo, ou de Dostoievski, ou mesmo de Shakespeare, ou de qualquer outro escritor consagrado, ou ganhador de Nobel. Aliás, nem mesmo versa sobre literatura. Não que nós, literatos, não sejamos tão valorizados (embora a maioria não seja mesmo). O livro que alcançou a astronômica cifra de 7.321.250 libras esterlinas (ou, convertido na moeda da moda, o euro, custou ao seu novo proprietário a “bagatela” de 8.696.119,85 euros) é sobre ornitologia. Seu título? “Birds of America”. Seu autor? John James Audubon.
Claro que ele não foi vendido em livraria convencional e quem o comprou não o fez pela internet. E muito menos em um sebo. O comprador foi um marchand europeu, não identificado, que o arrematou, em um leilão realizado na noite de 7 de dezembro de 2010, em Londres, na afamada casa de leilões Sothesby’s. É muito capricho de quem o adquiriu! Como se trata, todavia, de negociante de obras de arte, certamente o ousado comprador espera ganhar muito mais do que gastou – quem sabe o dobro ou até mesmo o triplo – com sua revenda no futuro. Isso é muito comum com pinturas e esculturas dos mestres do gênero. Com livros, porém, nem tanto.
É verdade que no mesmo leilão se fez história novamente, e desta vez com obra de um gênio da literatura mundial, William Shakespeare. Uma primeira edição de suas obras (incluindo, principalmente, seus poemas), datada de 1623, custou ao seu arrematador a nem um pouco desprezível cifra de 2.360.584 libras esterlinas! Uma fábula, convenhamos. Mas seu preço foi três vezes inferior ao valor pago por “Birds of America”. Este sim tornou-se, de longe, o livro impresso mais caro do mundo em todos os tempos.
Quem o comprou não se trata, porém, como já destaquei, de nenhum obsessivo bibliófilo, desses capazes de fazer qualquer loucura para serem proprietários de alguma obra rara e ao mesmo tempo essencial à cultura. Eu, caso fosse milionário e tivesse dinheiro vazando pelo ladrão, como acontece com o precioso líquido numa caixa d’água quando a bóia não funciona, era capaz, sim, desse tipo de maluquice. Mas com uma condição: desde que se tratasse, por exemplo, de algum texto de Johan Wolfgang Göethe, ou quem sabe de Schiller, ou de outro qualquer dos meus tantos escritores favoritos. Como não sou... Cabe-me ficar babando e sonhando com algo que, objetivamente, nunca irá acontecer.
Bem, o fator raridade contou nesse caso (como conta demais em quaisquer leilões de arte). Os quatro volumes de “Birds of America” são da primeira edição. Deles restam somente onze cópias em mãos de particulares e estes, ao que parece, não abrem mão delas por dinheiro algum. Pelo menos é o que dizem. O bibliófilo que os pôs à venda, o segundo lorde Hesketh, também dizia a mesma coisa. Contudo, em pleno século XXI, os membros da nobreza européia têm, hoje em dia, mais pose do que valores. Comem mortadela e arrotam peru. Na hora em que a coisa aperta... são capazes de vender a própria mãe em praça pública. Exagero meu? Não! As evidências mostram que não.
Lorde Hesketh, por exemplo, havia comprado “Birds of America” igualmente em um leilão, em julho de 1951, só que em Nova York, na não menos famosa casa de leilões Christie’s. Pelo menos mostrou ter faro para negócios. Pagou, na época, apenas 7 mil libras esterlinas pelos quatro volumes! E vendeu por 7 milhões!!! Que baita negócio que fez!
Existem, é verdade, outros 108 exemplares dessa primeira edição da obra de Audubon, mas todas pertencentes a museus, bibliotecas públicas e universidades, que não admitem a mais remota cogitação de venda. Depois desse negócio fechado na Sothesby’s, no entanto, duvido que manterão a mesma empáfia, arrogância ou intransigência. Enfim...
E quem foi esse tal de Audubon? Bem, não reproduzirei sua biografia, super-aventurosa, mas citarei, para o leitor ter uma pálida idéia, sua importância como ornitólogo. Foi um dos personagens mais importantes da história natural. Além de pesquisador, tinha um talento inigualável para o desenho. E na primeira metade do século XIX, percorreu os Estados Unidos de ponta a ponta, catalogando, detalhando e desenhando todos os pássaros que encontrava nesse país. Catalogou e desenhou centenas de milhares.
Seu trabalho foi tão importante, que impressionou Charles Darwin, o pai da teoria da evolução, que o citou por três vezes em sua obra seminal “A origem das espécies”. A dúvida que me fica é: o que foi feito com o restante dos exemplares da primeira edição, já que, comprovadamente, dela restam apenas 119 unidades (onze em mãos de particulares e 108 nas de instituições)? Afinal, foram impressos mais de dois mil volumes!!! O que seus proprietários fizeram com eles? Usaram as páginas para acender a lareira nas noites de inverno? Forraram a casinha do cachorro ou a gaiola dos seus passarinhos? Fizeram aviõezinhos de papel? Sabe-se-lá.
Quem sabe, caro colega escritor, algum livro seu, aquele que atualmente lhe dê dor de cabeça por estar encalhado e não vender nem a pau, num futuro que pode ser até próximo ou talvez remotíssimo, algum excêntrico colecionador, digamos, do ano de 2100, ou algum marchand com faro de negócios, o arremate em leilão e por quantia tão exorbitante ou até mesmo maior! Nunca se sabe! Vai me enganar que John James Audubon, mesmo que em seu mais absurdo delírio, sequer sonhou que um único exemplar em quatro volumes de seu “Birds of America” custaria a bagatela de 7 milhões de libras esterlinas!!!

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Sunday, April 24, 2011













Não seria possível produzir mais, sem poluir? Não há uma maneira racional de se explorar o que a natureza nos legou sem destruir? Os recursos terrestres não são como a mitológica "cornucópia da abundância", ou seja, inesgotáveis. O escritor Ulrich Schipke fez uma advertência, num de seus livros, que deveria ser tema de profunda reflexão por parte dos que têm capacidade de decisão: "Encontram-se em evolução cinco processos que ameaçam a existência da nave espacial Terra: explosão demográfica, industrialização descuidada, progressiva carência de alimentos, diminuição das reservas de matérias-primas e poluição do ambiente. Qualquer destes processos pode transformar a Terra num astro tão morto como a Lua". E, infelizmente, isto não é ficção científica.

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Potências têm dívida moral com povo da Etiópia


Pedro J. Bondaczuk


A queda de Addis Abeba em poder dos rebeldes etíopes, ocorrida na madrugada da terça-feira, pôs fim a 17 anos de regime marxista, imposto a ferro e fogo no país, em setembro de 1974, com o golpe de Estado liderado pelo general Aman Michael Andon, que destronou o imperador Hailé Sellassié, denominado o “Leão de Judá” e acabou com a monarquia.
Na oportunidade, este fato foi considerado uma grande conquista para a União Soviética, então em plena fase de exportação da Revolução. A intentona militar seria muito oportuna para Moscou, cinco anos mais tarde, que com a mudança de rumo político do hoje deposto presidente da Somália, Mohammed Siad Barre – derrubado, também, por guerrilheiros em janeiro passado – perderia importantes bases navais no Mar Vermelho, no chamado Chifre da África.
A Etiópia, país de 51 milhões de habitantes, no qual mais de 50% da população são cristãos coptas, serviu de uma espécie de joguete, de peão no tabuleiro de xadrez estratégico de várias potências, em especial neste século.
Em 1896, o imperador Menelik I, por exemplo, conseguiu derrotar um forte exército italiano e dessa maneira evitar o triste destino de colônia de alguma nação européia, que pretendiam lhe reservar. Mas sua vitória não foi total. Perdeu a província da Eritréia para os invasores.
Quarenta anos depois, um de seus sucessores, Rãs Tafari Makonnen, que após ascender ao trono mudaria seu nome para Hailé Selassié – cujo significado é “O Poder da Trindade” – teria menos sorte no confronto com a Itália. Em 1935, tropas do ditador fascista Benito Mussolini invadiram a Etiópia e, depois de quase um ano de desesperada resistência, os etíopes renderam-se em 1936. Seu monarca fugiu para a Europa, onde empreendeu incansável campanha de propaganda para recuperar a autonomia nacional.
E esta viria cinco anos depois, em plena Segunda Guerra Mundial. Durante a campanha na África, contingentes aliados, liderados pelos britânicos, mas contando com muitos e bravos soldados da Etiópia, expulsaram os italianos dali e Selassié regressou em triunfo para reassumir o trono.
Mas as complicações estavam longe de acabar. A Eritréia permanecia desmembrada do restante do seu território. Ela apenas foi reintegrada em 1952, mediante uma resolução das Nações Unidas, que determinou que a província formasse uma federação com a Etiópia.
O imperador, todavia, simplesmente reabsorveu a região, sem lhe conceder a devida autonomia. Em 1961, os eritreus se rebelaram e pegaram em armas, dando início à atual guerra civil, cujo número de mortos foi tão grande a ponto de se tornar impossível de se contabilizar.
A economia etíope, que já era frágil, se deteriorou de vez. Hoje o país conta com uma das menores rendas per capita do mundo. Cada cidadão da Etiópia recebe, em média, US$ 147 por ano. Isto equivale a cerca de Cr$ 44.100,00 anuais ou Cr$ 3.675,00 por mês.
A agricultura virtualmente desapareceu como atividade econômica, por causa de sucessivas secas e, principalmente, porque a prolongada guerra civil ocupou a maioria dos braços válidos, para extinguir vidas, ao invés de garantir seu sustento.
Caso o país não receba uma urgente ajuda financeira e humanitária do exterior, as promessas dos rebeldes, que puseram fim à ditadura marxista de 17 anos, de construir uma sociedade plenamente democrática, não passarão de meras palavras ao vento. O mundo tem uma dívida moral imensa com a Etiópia.

(Artigo publicado na página 16, Internacional, do Correio Popular, em 30 de maio de 1991)

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Aldeia e mundo

Pedro J. Bondaczuk

Agora que me vou é que me deixo/ficar perdidamente nesta estrada:/vou numa roda viva, mas sem eixo,/numa coisa futura, mas passada.//Vou e não vou e assim se vai compondo/o que me está aos poucos dividindo:/não a zoada azul de um marimbondo,/mas a certeza de um amor tão lindo.//Alguma coisa vai ficando, além do/tempo em que me dou e me reparto:/ficou meu coração, ficou batendo,/batendo na penumbra de algum quarto.//Ficou o que mais quero e vai comigo:/molharam nalgum curso os seus cabelos/para compor as novas semifusas/dos meus silêncios, dos meus atropelos.//Mas no curso dos dias que há por dentro/de cada um de nós, na nossa história,/alguém por certo encontrará o centro/de tudo que ficou na trajetória.//E o que ficou, ficou: raiz noctuma/enterrada nas ruas, nos quintais;/vento varrendo o pó de alguma furna,/chuvas de pedra, alguns trovões, Goiás”.

Vocês conhecem o autor deste magnífico poema? Caso a resposta seja negativa, não sabem o que estão perdendo. Estes versos, intitulados “No curso do dia”, são do poeta, ensaísta e crítico literário goiano Gilberto Mendonça Teles, 79 anos de idade e 50 de (boa) literatura. O poema que reproduzi está no livro “Saciologia goiana” (é “sa” mesmo e não “so”; vem de saciedade e não de sociologia). Com mais de meio século de atividade, este escritor erudito, mestre de literatura, tem que ser lido e estudado por todos os que freqüentam este complicado, mas fascinante mundo das letras. E há uma profusão de livros dele para ler. Só dos que consegui catalogar, são 23 de poesias e mais 14 de ensaios. Provavelmente, a quantidade é muito maior. Mesmo que não seja, todavia, convenhamos, trata-se de uma obra das mais consideráveis (e notáveis).

Neste país de dimensões continentais, via de regra, escritores que não residem e/ou não atuem no eixo Rio/São/Paulo/Belo Horizonte tendem a ser pouco divulgados, a despeito da qualidade de sua produção. É uma pena que isso ocorra. Não sei se este é o caso de Gilberto Mendonça Teles. Espero que não. Ocorre que li poucas referências, quase nenhuma, a seu respeito nas seções de literatura dos grandes jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Atribuo o fato à desinformação dos editores. Afinal, Gilberto Mendonça Teles, membro da Academia Goiana de Letras, é o escritor goiano mais conhecido no mundo, com livros traduzidos para diversos idiomas e publicados nos principais países da Europa. Convenhamos, não é pouca coisa.

Nacionalmente, também firmou prestígio nos meios literários, quer por sua erudição, quer pela criatividade. Entre suas inúmeras conquistas, tem um feito que raríssimos escritores já conseguiram: recebeu o Prêmio Machado de Assis, considerado a maior premiação literária brasileira (uma espécie de “Nobel tupiniquim”), outorgado pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Como vêem, não exagero quando afirmo que quem não conhece sequer uma obra deste escritor conta com contundente lacuna em sua cultura.

Fiquei conhecendo os magníficos textos de Gilberto Mendonça Teles quase que por acaso. Em 1984, meu amigo dileto e companheiro de redação no Correio Popular de Campinas, o poeta e jornalista mineiro, natural de Ouro Fino, Maurício de Moraes (já falecido), deu-me de presente um livro, com a capa bastante machucada e com páginas grifadas com lápis vermelho do início ao fim e recomendou-me que lesse com atenção e que não me limitasse a ler, mas o estudasse, como ele já havia feito (daí o estado lamentável do volume). Como sou um sujeito enjoado com essa questão de ordem, mandei o exemplar para a encadernadora, antes mesmo de ler. E ele voltou com aspecto de novo, pelo menos por fora, já que os grifos não havia como apagar. Mas estes até que me ajudaram na leitura.

E querem saber qual foi esse livro? Foi “Drummond, a estilística da repetição”, justamente de Gilberto Mendonça Teles, lançado pela Livraria José Olympio Editora, em 1970, em comemoração ao jubileu de esmeralda do poeta de Itabira. O lançamento integrou a magnífica coleção “Documentos Brasileiros”. Oportunamente, prometo analisar em detalhes essa obra.

E por que o Maurício me deu especificamente este livro, de tanta estimação sua e que lhe fora tão útil, e não outro qualquer, de sua autoria, por exemplo? Por saber da minha apreciação (diria veneração) por Carlos Drummond de Andrade, a quem não tive, é verdade, o privilégio de conhecer pessoalmente, mas com o qual troquei algumas cartas (naquele tempo, nem se sonhava com a existência dos e-mails, recorde-se). Gilberto Mendonça Teles detectou, no estilo drummondiano, uma característica que, num poeta inábil ou sem tanta habilidade, seria desastroso, mas que no menestrel de Itabira é uma virtude, um charme a mais, uma façanha acessível a poucos: a repetição de palavras.

Li o extenso e detalhado ensaio, em forma de livro, primeiro num só sopro. Depois, como se faz com aquelas comidas deliciosas que não comemos cotidianamente, mas apenas em raras ocasiões especiais, fui “degustando”, por um tempo cuja extensão nem sei determinar, parágrafo a parágrafo, meditando sobre o que lia, voltando atrás quando algum conceito um pouco mais complexo não ficava bem “digerido” e, com isso, pude perceber a toda a extensão da genialidade de Carlos Drummond de Andrade.

Ler sobre o poeta de Itabira, para mim, é imensa satisfação, quase um delírio. Lê-lo, então, é um êxtase. E não me canso de escrever a seu respeito, o que sua vasta obra me propicia sem cessar. Quanto mais escrevo sobre ela, mais tenho a escrever. Mas, confesso, passei a ver seus poemas com outro enfoque, sob outro prisma, dando-lhes ainda maior valor, desde que li o livro de Gilberto Mendonça Teles (que parece que foi reeditado em 2005). E isso há já 26 longos anos! Voltarei, certamente, a tratar, oportunamente, destes dois magníficos poetas.

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Saturday, April 23, 2011










O que está acontecendo com as pessoas neste início de século XXI? Será que deu um ataque coletivo de burrice? O que a preservação do meio ambiente tem a ver com o sistema político “x”, “y” ou “z”? Estes “puristas ideológicos” serão capazes de conter a expansão do buraco na camada de ozônio? Farão chover nos locais que enfrentam devastadoras secas, salvando as suas safras? Evitarão os máximos de frio e de calor, que se alternam, mundo afora? Claro que não! A preservação do meio ambiente, portanto, não é uma questão ideológica, mas de bom-senso e até de sobrevivência.

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O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). –
Preço: R$ 23,90.

Lance fatal
(contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. –
Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

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