Tuesday, August 22, 2017

A VIDA APRESENTA INFINITAS PERGUNTAS E QUASE NENHUMA RESPOSTA
A vida apresenta infinitas perguntas e, praticamente, nenhuma resposta conclusiva. Tudo o que somos, vemos, ouvimos, sentimos, pensamos e imaginamos é um monstruosamente grande (provavelmente infinito) enigma. Tenho enfatizado, vezes sem conta, que nem mesmo as três grandes e elementares questões que desafiam o homem, desde que adquiriu a faculdade de pensar, ou seja, o que somos, onde estamos e para onde vamos, foram respondidas. Tem-se “tentado” respondê-las, é verdade, mas nenhuma, rigorosamente nenhuma dessas respostas soa minimamente convincente. E muito menos foi comprovada sem deixar a mais remota sombra de dúvidas. Todas as três questões estão envoltas (ainda) em absoluto mistério. O que sabemos, a propósito, não passa, insisto, de mera especulação, com alguns fragmentos de informações objetivas. E é bom que assim seja. Estas perguntas da vida estimulam nosso cérebro e aumentam nosso nível de percepção e inteligência. Sempre que a ciência obtém alguma resposta, esta vem acompanhada de centenas, de milhares, de milhões, de bilhões, de quintilhões etc. de novas perguntas. Em todas suas conclusões há alguma pontinha (na verdade “pontona”) de dúvida. Há questões que invadem o nebuloso campo da fé. Exigem de nós que acreditemos em meras evidências (não raro nem estas), pela impossibilidade de obter certezas, sem ousar duvidar. Mas essa crença sem restrições contraria a natureza humana. Não creio que alguém a nutra, embora muitos jurem que sim.

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Kyi luta contra opressão apenas com ideias


Pedro J. Bondaczuk

A jovem birmanesa Aung San Suu Ky, de 46 anos de idade, um pouco por causa do nome exótico para nós ocidentais, um pouco do seu país não ser dos maiores frequentadores das manchetes internacionais, é relativamente desconhecida no Ocidente. Pelo menos era, até ontem, quando entrou numa lista de notáveis qur inclui gente como Albert Schweitzer, George Marshall, Dag Hammarkjoeld, Linus Pauling, Martin Luther King, Willy Brandt, Madre Teresa de Calcutá, Lech Walesa, Dalai Lama e Mikhail Gorbachev. E que, por outro lado, omite pessoas do porte de um Mahatma Gandhi, de um Nelson Mandela e de Winston Churchill. A nova personalidade em questão conquistou o Prêmio Nobel da Paz de 1991. Seus conterrâneos, que conhecem sua determinação na busca da liberdade, certamente não estranharam a escolha feita pelo parlamento norueguês. Ao qual compete a tarefa de conferir anualmente esta honraria. O restante do mundo talvez sim.

Seria uma questão de justiça, porém, que toda a comunidade internacional conhecesse também essa mulher determinada, que faz da não violência e da resistência passiva a grande arma contra a ditadura na Birmânia. Kyi teve a quem sair. Seu pai, Aung San é um dos patriarcas da independência birmanesa, embora os métodos de ambos fossem diferentes. Ele não teve dúvidas de lançar mão das armas para que seu povo fosse livre. Ela, por seu turno, prega (e sempre pregou) a luta no terreno daquilo que de mais nobre o ser humano possui: as ideias. A jovem dissidente, embora quase desconhecida no Ocidente, é um verdadeiro símbolo na Ásia para os que buscam se livrar da opressão em todas as formas em que esta se apresenta.

Kyi, todavia, foi influenciada pelos princípios de um dos grandes injustiçados pelo Nobel, senão o maior, o apóstolo da não violência, Mohandas Karamanchand “Mahatma” Gandhi. O ex-presidente norte-americano e comandante em chefe das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, general Dwight David Eisenhower, ressaltou, num célebre discurso: “A conquista da liberdade não pode ser comparada com a vitória em um jogo (…). A liberdade vive nos corações, nas ações, nos espíritos dos homens, por isso ela deve ser conquistada e reanimada a cada novo dia – como uma flor que deve ser cultivada, ou murchará e morrerá”.

As armas nessa “batalha” não podem ser as mesmas dos tiranos, dos verdugos, dos ditadores. Nesse terreno, os déspotas levam vantagem, posto que a violência é o único argumento que conhecem. Por isso, mais tempo, menos tempo, findam por ser, invariavelmente, vencidos. Por mais sofisticados que sejam os armamentos, por mais adestradas que possam ser as forças da brutalidade, sempre acabam encontrando quem os superem em poderio de fogo e em adestramento. Ideias, todavia, desde que fundamentadas na justiça e no direito, são indestrutíveis. Dispensam, inclusive, que seus portadores sejam fisicamente fortes ou bastante famosos. Pelo contrário, a fama, na maior parte dos casos, chega mesmo a atrapalhar, ao subir à cabeça dos líderes.

O poeta T. S. Elliot observou que “a maior parte dos problemas do mundo é provocada por gente desesperada em ser importante”. O que se exige dos autênticos combatentes pela liberdade é convicção em seus princípios, que os torna fortes e fortalece seus liderados. A fama acaba sendo decorrência natural do sucesso dessa luta. Kyi, por exemplo, é uma frágil mulher, que ousou se opor aos truculentos generais birmaneses munida apenas da sua coragem cívica. Enquanto lhe permitiram, saiu em peregrinação pelo país, pregando princípios democráticos. Mesmo estando já sob prisão domiciliar rígida, nas eleições de maio de 1990, a oposição, sob a sua liderança, obteve esmagadora vitória nas urnas. Desde então, o regime tornou mais rigoroso ainda seu confinamento. A obtenção do Prêmio Nobel da Paz tende a atrair as atenções mundiais para a Birmânia, pátria de um dos mais lúcidos secretários gerais que as Nações Unidas já tiveram: U Thant. Doravante, será também conhecida como a pátria dessa corajosa e determinada dissidente política, San Suu Kyi. Mais uma vez as ideias mostram ser mais poderosas do que a truculência.

(Artigo publicado na editoria Internacional do Correio Popular em 13 de outubro de 1991).



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Coração partido


Pedro J. Bondaczuk


O que seria do mundo se não houvesse amor, em suas várias formas de manifestação? Se com ele, já há tanta miséria, egoísmo, injustiças e corrupção, sem ele, provavelmente, nossa espécie já teria se autodestruído, num torvelinho dantesco de violência e de horror.

É o amor que nos dá forças para suportar as intempéries da vida. É ele que nos motiva às grandes realizações. Por ele, desenvolvemos nossas melhores características e sufocamos os mais baixos instintos.

Foi o amor que motivou a construção de cidades, templos e monumentos. Foi ele que inspirou os mais belos poemas, canções, pinturas e esculturas. Ele é que nos faz amar a vida e ter esperanças de um mundo melhor. Até os mais sanguinários bandidos, os mais perversos e cruéis, já experimentaram, um dia, as delícias do amor, o que os impediu de serem ainda piores.

Pouca coisa, porém, é tão dolorosa, tão aflitiva, quanto um amor não-correspondido. As pessoas que já passaram por essa situação (e poucos escaparam dela), sabem o quanto isso dói, que sofrimentos causa, quantas marcas deixa! Os poetas, até, criaram metáfora para esse tipo de frustração: “coração partido”. Hoje, pode-se afirmar, sem nenhum exagero, que essa não-correspondência a tão profundo sentimento pode provocar tantos danos ao centro de dor do cérebro quanto uma ferida física real. E não se trata de poesia.

Tenho em mãos recorte de matéria publicada no jornal Correio Popular de Campinas em 19 de outubro de 2003, a esse propósito. O texto diz que pesquisadores da Califórnia descobriram bases fisiológicas de “dor social”, ao examinarem cérebros de pessoas que pensaram terem sido premeditadamente excluídas de jogos de computador por outros competidores.

“Bobagem!”, dirão alguns. “O que esse tipo de exclusão tem a ver com amor não-correspondido?”, indagarão, certamente, em tom de crítica, senão de deboche, julgando-se judiciosos e sentenciosos. A julgar pelas conclusões da doutora Naomi Eisenberger, cientista da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, autora do estudo, “tem tudo a ver”.

Com base nos dados que coletou, a pesquisadora concluiu que qualquer tipo de exclusão social, sem exceção – como um divórcio, como não ser convidado para uma festa, ou como ser rejeitado em uma conversa ou um encontro – tende a provocar danos à mesma região do cérebro que detecta a dor física. E que um amor não-correspondido “potencializa, em muito, esse efeito”.

Os poetas, portanto, mais uma vez, com base apenas na intuição, se anteciparam à ciência e chegaram antes a essa mesmíssima conclusão, posto que expressa em sua linguagem metafórica e floreada. Em determinadas situações, podemos, de fato, ficar com o “coração partido”. Literalmente... Para quem quiser conferir, na íntegra, o referido estudo, informo que ele foi publicado na edição de outubro de 2003 da revista especializada “Science”.

Um dos maiores desafios que temos, senão o maior, é o de tentar compreender as pessoas. Na maior parte das vezes, sequer nos conhecemos direito, quanto mais os outros. É verdade que todo o ser humano tem um conjunto de emoções e ações básico, como amor, ódio, alegria, tristeza, ganância, violência etc.etc.etc.

Todos nós, em determinadas circunstâncias, amamos, odiamos, nos alegramos, nos entristecemos, somos gananciosos, somos violentos etc.etc.etc. “Onde está, pois, a dificuldade?”, perguntarão os céticos. Está na intensidade desses sentimentos, ações e comportamentos. Está nas nuances, nos detalhes e na constância. Daí a compreensão se tratar do grande desafio que, de fato, é. Claro que quanto mais entendermos os que nos cercam, melhor será nossa convivência com eles.

Nada é mais triste e desolador, mais digno de pena e de lamentações, do que uma vida de solidão, sem a magia do amor. Não ter com quem compartilhar alegrias e tristezas, risos e prantos, sonhos e ideais e os próprios corpos, é a forma mais cruel e desumana de abandono. É uma desgraça! Essa necessidade de partilha, de afeto e de cumplicidade é essencial, não somente para a perpetuação da espécie (no que é imprescindível), mas para uma vida equilibrada, produtiva e feliz.

Podemos nos comparar a uma casa. Se nela houver a chama do amor, ela se mostrará sempre bela, viva, habitável e aquecida, mesmo que envelhecida. Se este fogo não existir, porém, embora se trate de mansão, será como estes castelos fantasmas que a tradição garante que existem (notadamente na Inglaterra e na Escócia): sombrios e decadentes. O poeta finlandês, Risto Rasa, escreve, nos versos deste poema minimalista, intitulado “Sou como uma velha casa”:

“Sou como uma velha casa.
Se deixares de me aquecer,
eu vou cair no abandono”.

Qualquer pessoa normal cairá!

Espero, portanto, nunca ter “partido o coração” de quem quer que seja. O meu, todavia, já sofreu esse tipo de agressão inúmeras vezes (quem manda ser tão romântico e apaixonado! É o preço que se paga por isso) e posso testemunhar que doeu. E muito. Foi uma sensação horrível, não apenas de rejeição, mas se tratou de uma dor literalmente física, posto que difusa e impossível de ser descrita.

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Monday, August 21, 2017

O ESCRITOR É, SIMULTANEAMENTE, “CAÇADOR” E “COMUNICADOR” DE ENIGMAS
O escritor é, mesmo, um sujeito “enxerido”. Quer saber de tudo, mesmo que saiba pouquíssimo. É, pois, nesse aspecto, igual a qualquer outra pessoa. A curiosidade é a característica fundamental do ser humano. Foi ela a principal responsável por tirá-lo da caverna primitiva e fazê-lo evoluir ao estágio em que está. Para muitos, o modo de vida do tal do Homo Sapiens, hoje, é mais um retrocesso do que progresso. Mas essa é uma história para ser debatida em outra ocasião. No que, todavia, o escritor se diferencia das demais pessoas, que não exercem e nem pretendem exercer essa atividade, como notório “caçador de enigmas”? Ele não se contenta em especular, somente para si, a respeito de tudo e de todos. Sente irresistível necessidade de “comunicar” essas especulações para os outros. E quanto mais estes outros forem, melhor. Seu ideal seria que os receptores dessa comunicação fossem “todos”, o que não passa, claro, de sonho, de fantasia. O escritor é, pois, sobretudo, não somente o “caçador”, mas o “comunicador” de enigmas. Temas para que especule é que não lhe faltam. São, literalmente, infinitos. Ele teria que ser eterno para abordar todos. Evidentemente, não é.
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Decisão salomônica do eleitorado

Pedro J. Bondaczuk

Os eleitores franceses tiveram, nas eleições parlamentares de anteontem, uma decisão salomônica em relação ao Partido Socialista. Cassaram, nas urnas, a maioria absoluta que ele tinha na Assembleia Nacional, sem, contudo, derrotá-lo de vez. Individualmente, o PS segue sendo majoritário no Legislativo. Todavia, a soma das forças conservadoras possibilita que a oposição componha um gabinete e indique um primeiro-ministro, fato inédito na França desde o advento da Quinta República, em 1958.

Dessa maneira, apenas será possível existir harmonia no governo mediante negociações. Nem o presidente François Mitterrand poderá tomar qualquer decisão sem a anuência dos partidos centristas e muito menos estes, através de um premier próprio, que conquistaram o direito de indicar , poderão impor unilateralmente seus programas. Sem que os socialistas deem seu aval. Essa situação deverá perdurar pelo menos até 1988, quando ocorrerem as eleições presidenciais.

Os comunistas, por seu turno, tiveram um desastre nas urnas. Perderam nove cadeiras no Parlamento e mesmo que façam as pazes com seus outrora aliados de esquerda, não terão peso político suficiente para alterar o novo quadro. O fiel da balança nestas eleições acabou sendo a ultradireitista Frente Nacional, de Jean Marie Le Pen, que assim repetiu a surpreendente performance de 1984, quando da escolha dos representantes franceses no Parlamento Europeu. E quais foram as teses defendidas por este partido , que impressionaram tanto o eleitorado, a ponto dela obter mais de dois milhões de votos? A primeira foi a da imposição de severas restrições aos trabalhadores estrangeiros, chegando ao extremo de determinar a expulsão daqueles que estiverem desempregados. A outra, é a nossa conhecida e velha exigência por maior policiamento nas ruas das principais cidades francesas, para conter a onda de violência e de criminalidade que também assola a França.

À primeira vista, analisando superficialmente os resultados das eleições, a extrema direita emerge como a grande e óbvia vencedora. Afinal, não tinha qualquer representação parlamentar e, de repente, passa a contar com uma bancada de 33 deputados, influindo, doravante, na vida do país. O segundo ganhador, ao meu ver (ou menos perdedor, como queiram), a despeito de não mais contar com maioria parlamentar, foi o Partido Socialista. É verdade que vê diminuída sua influência no Legislativo e agora está na peculiar posição de ser, ao mesmo tempo, situação e oposição. No primeiro caso, arcando com o ônus (mas também gozando dos bônus) dos erros e dos acertos do presidente François Mitterrand. No segundo, buscando impedir que os conservadores, através do primeiro-ministro que estes têm o direito de indicar, consigam mais projeção do que ele próprio. Mas a maioria dos franceses ainda o apoia isoladamente.

A Reunião para a República e a União para a Democracia Francesa parece que se deixaram empolgar pelas pesquisas de opinião que antecederam as eleições. Não perceberam,, correndo por fora, o crescimento da Frente Nacional. E perderam a chance de obter uma vitória de tais proporções a ponto de tirarem dos socialistas qualquer espaço de manobra. Se conseguissem isso, poderiam, até, provocar a antecipação das eleições presidenciais. Talvez prevendo essa situação, os principais líderes conservadores , em especial o ex-presidente Giscard D’Estaing, e o prefeito de Paris, Jacques Chirac insistiram na tese de “coabitação” com o PS ao longo da campanha. E é exatamente isso que deverá acontecer. Ou ambas facções negociam um programa mínimo comum, que satisfaçam as respectivas plataformas, ou a França ficará, virtualmente, sem nenhum governo, com cada lado procurando bloquear as ações do outro.

Uma análise mais minuciosa do novo quadro político francês poderá ser feita, apenas, quando a poeira baixar. Ou seja, depois que alguma das partes mover suas peças no enorme tabuleiro de xadrez que se tornou, agora, essa coparticipação de forças heterogêneas no poder. O eleitorado, com sua decisão, praticamente balizou os próximos dois anos de governo com aquilo que realmente quer. Ou seja, a desestatização das empresas, pregada pelos centristas e as conquistas de caráter social dos seguidores de Mitterrand. Ou isso vem a ser, doravante, posto em prática, ou a máquina governamental irá emperrar de vez. Não deixa de ser uma perigosa faca de dois gumes.


(Artigo publicado na editoria Internacional do Correio Popular, em 18 de março de 1986).

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Era da superpopulação

Pedro J. Bondaczuk

A humanidade está em uma encrenca monumental e sequer se dá conta (aliás, são tantas que se torna até difícil de nomear qual é a pior). Não me refiro ao chamado efeito estufa, gravíssimo, posto que ignorado solenemente pela opinião pública mundial. Refiro-me a uma de suas causas, se não a principal. Não se trata, também, da crescente e dramática escassez de água potável, que já afeta a, no mínimo, um bilhão de pessoas e que tende a se agravar de ano para ano. Nem das ameaças de uma impensável era de fome generalizada em decorrência dos caprichos do clima. E nem do surgimento de novas doenças, com ameaças de pandemias potencialmente incontroláveis, como é o caso específico da chamada “gripe suína”.

Tudo isso, sem dúvida, é grave e ameaça a espécie humana (quiçá todas as formas de vida do Planeta). Mas para se buscar uma solução que, se não detenha, pelo menos retarde o processo que, certamente, levará a uma catástrofe de dimensões imprevisíveis, é preciso atacar as causas, não as conseqüências. Por mais óbvio que isso pareça, e de fato seja, não é o que vem ocorrendo.

Detesto escrever sobre assuntos desse tipo, já que, até por temperamento, sou um sujeito otimista e bem-humorado, que sempre espera o melhor do futuro. Contudo, não sou alienado. Não posso deixar de pôr a boca no trombone face àquilo que não apenas me ameace como indivíduo, mas o faça, também, em relação aos meus descendentes. É, pois, meu instinto de preservação da espécie que me leva a gritar, gritar e gritar, embora me pareça que todos estejam surdos e se recusem a ouvir, não apenas os meus brados, mas os alertas de especialistas sobre o que vem acontecendo.

E qual é essa enorme encrenca em que a humanidade está metida, maior do que o efeito estufa, a escassez de água potável e de alimentos, as pandemias etc.? É a “bomba populacional”! A população mundial vem se multiplicando de forma assustadora, e justo nos países que não têm a menor estrutura, a mínima condição de alimentar, vestir, educar e dar condições de vida minimamente decente aos enormes contingentes que anualmente se incorporam aos seus já problemáticos e numerosos habitantes. E esse acelerado incremento de pessoas, que parecia preocupar, há algum tempo, planejadores, economistas, líderes políticos e os meios de comunicação, vem sendo deixado de lado, notadamente pelos formadores de opinião. Alguns agem assim por mera alienação. Outros, por comodismo. Outros ainda por pura ignorância. E boa parte se o,ite e lava as mãos pelo fato do assunto não ser “politicamente correto”.

Não se veem, mais, editoriais na imprensa, alertando para o exagero da cegonha em trazer novos passageiros à espaçonave Terra, já superlotada, emporcalhada, com a despensa se esgotando, repleta de lixo e com o ar viciado e difícil de respirar. Não se lêem, mais, declarações de especialistas a respeito. É como se o problema não existisse e se vivêssemos num Éden de eternas delícias. Obviamente, não vivemos.

Atentemos, por exemplo, para o caso do Brasil. Ainda em 1970, éramos em torno de 90 milhões de habitantes. Todos se lembram, certamente, da musiquinha que estimulava a Seleção Brasileira à vitória na Copa do Mundo do México. Ela já começava por declinar a nossa população de então. A letra dizia: “noventa milhões em ação....”

Pois é, e quantos somos hoje? Recentes estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que já somos em torno de 206 milhões de habitantes! E isso, porque a taxa de natalidade brasileira despencou pela metade e se aproxima do índice dos países desenvolvidos. Ou seja, em menos de quatro décadas, praticamente triplicamos o número de pessoas no País. E os recursos, aumentaram nas mesmas proporções? Longe disso! Como se pode, pois, aspirar a um futuro minimamente tranqüilo e civilizado, face a essa realidade? E olhem que sequer somos os piores.

O escritor Aldous Huxley, em meados da década de 50 do século XX, fez uma previsão que soava a profética e que, na verdade, não era mais do que mera extrapolação lógica. Na ocasião, não foi ouvido. Pelo contrário, foi classificado de “neomalthusiano”, de catastrofista e de outras coisas piores. Houvesse, então, sido tomada alguma providência (não me perguntem qual, pois eu não sei), hoje o panorama seria pelo menos não tão sombrio e desolador. Não se tomou nenhuma.

Aldous Huxley escreveu, em 1957, no romance “Volta ao admirável mundo novo”: “O problema dos números, que rapidamente se multiplicam em relação aos recursos naturais, à estabilidade social e ao bem-estar dos indivíduos, é a questão fundamental da humanidade; e permanecerá sendo o problema crucial por outro século e talvez por muitos outros séculos no futuro. Supõe-se que uma nova era se iniciou a 4 de outubro de 1957. Porém, no contexto presente, toda a nossa exuberante conversa pós-Sputnik é irrelevante. Se tomarmos como ponto de referência as massas de humanidade, a era vindoura não será a Era do Espaço e sim a Era da Superpopulação”.

Pois é, e agora, o que vem sendo feito? Nada, nada e nada, absolutamente nada! Há campanhas mundiais, por exemplo, propugnando pela paternidade responsável (o mínimo que se pode fazer a respeito)? Onde? Encabeçada por quem? Apontem-me uma peça publicitária, uma reles e única, com esse teor. E as coisas só não estão piores porque, parodiando Carlos Drummond de Andrade, “no meio do caminho havia uma Aids”. A eclosão da pandemia dessa doença levou muitas pessoas a se preocuparem com o sexo seguro. Não fora isso... Nem é bom pensar!


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Sunday, August 20, 2017

INVENÇÃO DE GUTTENBERG CONTRIBUIU, DE FORMA DECISIVA, PARA REDUZIR DRASTICAMENTE O ANALFABETISMO NO MUNDO

Com base em documentos históricos da época de Johannes Guttenberg, dá para se estimar que 90% da humanidade era composta de analfabetos. Aliás, ler não era considerado importante nem pela realeza. Inúmeros monarcas eram rigorosamente iletrados. E os que sabiam ler e escrever não eram vistos como superiores a ninguém, como às vezes ocorre hoje. O que contava, então, era a perícia no manejo de uma espada, ou a aptidão para montar a cavalo, ou o treinamento na arte de matar, ou seja, para a guerra etc. Queiram ou não, o invento de Guttenberg, de alguma maneira, mudou tudo isso. Hoje, embora alguns países ainda ostentem altas taxas de analfabetismo, pode-se dizer, sem medo de errar, que a maior parte da humanidade sabe ler e escrever (se gosta ou não de fazê-lo ou se o faz bem, é outra história). A rigor, nem na atualidade, nós, escritores, conseguimos com que nossos livros venham a público rigorosamente da forma que os concebemos. É verdade que o computador reduziu a quase zero o número de erros. Temos os corretivos ortográficos, que assinalam em vermelho, por exemplo, quando cometemos falhas de grafias ou de digitação. E marcam em verde os eventuais equívocos de concordância, regência, pontuação etc. Ainda assim... muita coisa escapa, para nosso desespero. Os originais dos nossos livros seguem para as editoras, que contam com equipes de revisores (pelo menos as melhores delas). Estes detectam o que escapou da nossa vista e o advento do e-mail facilitou sobremaneira seu contato com os escritores, para dirimir possíveis dúvidas, em geral estilísticas. Ainda assim... vários erros escapam, para nossa suprema frustração. Imaginem se Guttenberg não houvesse inventado os tipos móveis e estivéssemos, ainda, por conta dos copistas! Seria um Deus nos acuda, não é verdade?!


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Esperança supera o medo



Pedro J. Bondaczuk



O presidente Luís Inácio Lula da Silva, que assume o poder como o terceiro governante eleito pelo voto direto desde o fim da ditadura militar, disse, tão logo tomou conhecimento da sua consagradora vitória nas urnas, ainda na noite de 27 de outubro do ano passado, em discurso que improvisou na Avenida Paulista, em São Paulo –, onde os correligionários festejavam a sua chegada à Presidência da República, após três tentativas anteriores frustradas –, uma frase que caracterizou a caráter não apenas o seu êxito eleitoral, mas todo o transcorrer do surpreendente 2002: “A esperança venceu o medo”.

Claro que sua expressão tinha endereço certo, político, voltado aos adversários, que na reta final da campanha, buscaram atemorizar os eleitores, pintando cenários assustadores, caso ele fosse o escolhido. O recado era voltado, mais especificamente, à atriz Regina Duarte e ao candidato que derrotou, José Serra, que lançou mão desse artifício em desespero de causa, para tentar reverter um quadro que no final das contas provou ser irreversível .

Dias antes, a famosa artista do teatro e da televisão havia expressado (com todas as letras, acentos e pontos), o seu temor diante da possibilidade do fundador do PT, que àquela altura já era iminente, de vencer as eleições (se sincero ou não é impossível de se avaliar, já que aquilo que ela declarou entrava no nebuloso campo dos sentimentos e no das presunções sobre sinceridade ou falta dela). Mas a resposta de Lula valeu, não somente para os adversários, mas para toda a sociedade. E, sobretudo, para caracterizar 2002.

Em todos os campos de atividade, o ano começou entremeado pelo medo e pela esperança, simultaneamente. Em alguns momentos prevalecia um, em outros, o outro. Mas ambos estavam sempre presentes nos pensamentos e nos corações. Por exemplo, a Seleção Brasileira de futebol, que se classificou para a Copa do Mundo (que seria disputada, de forma compartilhada, na Coréia e no Japão), em cima da hora, na chamada “bacia das almas”, estava cercada de unânime descrédito popular.

Era palpável o temor dos torcedores por um àquela altura provável vexame dos nossos craques (então desacreditados, execrados e até ridicularizados) nos campos asiáticos. Mas havia, também, em cada brasileiro, uma tênue “pontinha” de esperança, de que na hora “h”, iria prevalecer a tradição do nosso futebol e ocorrer uma reversão de expectativas, quando não um “milagre”.

E a esperança venceu o medo! Os comandados de Felipão, mesmo jogando somente o trivial, o “feijão com arroz”, superaram todo o descrédito que os acompanhava e conquistaram o quinto título da história para a nossa Seleção. Além disso, ninguém partiu para a Copa mais desacreditado do que Ronaldinho, o “Fenômeno” (que mais do que nunca, justificou, ao longo da competição, esse apelido).

Havia um clamor nacional pela convocação de Romário em seu lugar, com interferência (sutil, é verdade), até do então presidente Fernando Henrique Cardoso nesse sentido. No entanto, o garoto humilde, oriundo do subúrbio de Bento Ribeiro, no Rio, pivô da derrota, quatro anos antes, na França, com o até hoje não explicado episódio das “convulsões”, não somente ajudou a Seleção a ganhar o Mundial como, de quebra, foi o artilheiro dele! Outra vitória, portanto, da esperança sobre o medo.

Dezenas de outros episódios, na política, na economia e na vida, opuseram esses dois sentimentos –, que parecem antagônicos, mas que, no entanto, quase sempre se manifestam de forma simultânea –, no correr de 2002, quer no plano individual, quer coletivamente. Sua menção é até desnecessária. Cada um dos leitores, se forçar um bocadinho só a memória, certamente vai se lembrar de vários casos, pessoais ou coletivos, desse confronto. É certo que a esperança não prevaleceu em todas as circunstâncias. Em algumas, as pessoas deixaram de obter marcantes conquistas, inibidas pelo “medo de tentar”.

A vitória de Lula despertou na população um clima de inusitado otimismo, mesmo com a escalada da inflação, com as incertezas no cenário internacional (econômicas e também políticas, com os rumores sobre a iminência de nova guerra no Golfo Pérsico) e, principalmente, com o alto índice de desemprego no País. Não é por acaso que ele é o presidente eleito com o maior índice de aceitação da História brasileira: 74%, de acordo com o Ibope.

Nota-se um sentimento coletivo diferente, de solidariedade, de abnegação e de consciência social, não apenas por parte das pessoas, mas principalmente das empresas. Inúmeras delas organizaram, no Natal passado, campanhas de coleta de alimentos entre seus funcionários, fornecedores e clientes (e entre estas, que me vêem de imediato à memória, poderia citar a Volkswagen e a Eaton, de Vinhedo), para proporcionar um período de festas sem o “fantasma” da fome” a algumas famílias carentes, que foram beneficiadas.

Que bom seria se “todas” as pessoas necessitadas, por este vasto Brasil, pudessem ser atendidas! No entanto, a abnegada semente, lançada há algum tempo pelo saudoso sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, parece, enfim, ter caído em solo fértil! É, mais uma vez, a esperança vencendo o medo.

Oxalá nos próximos 365 dias, e mais do que isso, nos próximos 365 anos, seja este o resultado desse perpétuo confronto de sentimentos tão díspares no coração humano! Feliz governo, pois, para o operário, para o metalúrgico, para o homem do povo Luiz Inácio Lula da Silva, cujo sucesso vai significar, também, felicidade, progresso e tranqüilidade para todos nós. Não é por acaso que se diz que a profissão por excelência do brasileiro é a esperança. Que Deus o abençoe e ilumine, caro presidente da República! E há de abençoar, estamos certos disso.


(Artigo publicado no Jornal Roteiro, em 27 de dezembro de 2002)


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Os lutadores e os omissos



Pedro J. Bondaczuk


As dificuldades da vida, como a instabilidade política e econômica, a violência urbana, a disseminação da miséria e problemas familiares e existenciais, levam muitas pessoas a se tornarem "catastrofistas". A maioria assume um renitente e amargo pessimismo e chega a perder contato com a realidade, desconfiando de tudo e de todos.

Certos indivíduos perdem seus referenciais, isolam-se, ficam agressivos e cultivam a solidão. Arraigam-se a um individualismo exacerbado, que descamba para o egoísmo. Agem como se apenas eles tivessem problemas e culpam o mundo por suas dificuldades e vulnerabilidades. Não se dão conta, mas estão fechando todas as portas para a felicidade.

O que tais indivíduos não entendem é que são estes obstáculos e desafios que tornam a vida tão fascinante. O mal existe em toda a parte e sempre existiu. Mas este fato não libera ninguém de fazer a sua parte para tornar o mundo melhor. Quando não mediante obras concretas, pelo menos através do exemplo, da autodisciplina, da visão construtiva e da busca do autoconhecimento, para corrigir, e se possível eliminar, as tendências negativas.

Sir Bertrand Russell, filósofo, matemático e ativista de direitos humanos e das teses pacifistas até sua morte, aos 96 anos, constatou: "Talvez eu tenha acreditado que o caminho para um mundo de homens livres e felizes fosse mais curto do que está demonstrando ser, mas não errei ao pensar que tal mundo é possível e que vale a pena viver, enquanto isso, com a intenção de torná-lo mais próximo".

A realidade atual, tal como se nos apresenta, chega, de fato, a ser assustadora. Guerras civis, ou de outra natureza, sucedem-se, como ocorre na Síria e em outras partes do mundo, tão pobres que sequer merecem a atenção da imprensa internacional com todo o desfile de horrores que trazem no seu caudal..

A miséria afeta a dois terços da humanidade, enquanto o um terço restante vive inútil e perdulariamente, aferrado egoisticamente na acumulação e consumo de muito mais bens e recursos do que suas necessidades, conforme tenho afirmado e reiterado, mas isso parece sensibilizar pouquíssimas pessoas, acostumadas com essa injustiça a ponto de considerá-la “normal”. Claro que não é!!!
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Milhares, milhões de jovens se deixam levar pelo consumo de drogas, pela licenciosidade sexual e pela violência (ostensiva ou disfarçada), como se não tivessem perspectivas de um amanhã. Ainda assim, com tanta coisa negativa que nos cerca, se atentarmos bem, perceberemos que o mundo, em alguns aspectos, evoluiu para melhor.

A Guerra Fria, por exemplo, que por cinco décadas manteve a humanidade na perspectiva de destruição, acabou, embora alguns teimem em tentar “ressuscitá-la”. Não podemos deixar que isso aconteça, a despeito de Trump, de Putin e de vários outros líderes com tendências belicosas à revelia de seus liderados. A medicina desenvolveu técnicas e medicamentos para aliviar o sofrimento de milhões, embora esses avanços estejam ao alcance de poucos.
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Mesmo o Brasil, assolado pelo aumento da insegurança pessoal face ao crescimento da criminalidade e por uma profunda crise política, econômica, social e moral, teve alguns progressos, embora não divulgados pelos meios de comunicação, preocupados em botar mais lenha na fogueira da crise, como se esta fosse uma dádiva divina, o que, óbvio, não é . A economia voltou a crescer, embora com riscos de voltar a andar para trás. A inflação – embora temporariamente – está sob relativo controle, mesmo que às custas de juros exorbitantes, que inibem investimentos.


Perspectivas mais alentadoras abrir-se-ão diante dos brasileiros, se souberem detectar ass oportunidades e se respeitarem o contraditório, abrindo mão da “selvageria” que campeia, sobretudo nas redes sociais. Portanto, ainda que o caminho para o "mundo de homens livres e felizes" com que sonhamos seja mais árduo do que pensamos (e, de fato, é), essa obra é factível e vale a pena viver para enfrentar esse desafio. Ora se vale… Eu estou disposto a enfrentá-lo! E você, amável leitor, que me honra com seu prestígio?

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