Tuesday, July 31, 2012

É necessário que se busque, sempre e incansavelmente, o sentido da vida, porquanto esta possui um, com certeza. É preciso que se faça um permanente exame de consciência, um exercício de racionalidade. Requer-se, sobretudo, ação, positiva, incansável, para modificar uma realidade adversa. Não importa se não conseguirmos mudar o mundo para melhor. O que ninguém tem o direito é de se omitir, de se esconder, de parar de tentar. Pois, como ressaltou o pensador norte-americano, William James, “é somente nos arriscando hora após hora que conseguimos viver completamente”.

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Nasce uma nação

Pedro J. Bondaczuk

Os países, já afirmamos diversas vezes, em outras oportunidades, seguem um ciclo como o das pessoas que os constituem. Ou seja, nascem, crescem, se desenvolvem e, depois de um certo tempo, em razão de determinadas circunstâncias, também morrem. Ontem, a África viu começar a nascer uma nova nação.

Trata-se da Namíbia, a última colônia existente nesse sofrido continente (que por mais de um século foi submetido à servidão pelos europeus) – depois do malfadado Congresso de Berlim, de 1886 – que a pretexto de levarem para lá o que chamavam de “civilização”, na verdade sugaram a sua seiva vital. Extraíram quanta riqueza puderam, para engrandecer o Velho Mundo. E que, assim que sentiram não precisar mais lançar mão desse expediente, abandonaram esses povos à própria desdita.

Dezenas de milhares de namíbios conheceram, pela primeira vez, a doce sensação de liberdade, fazendo extensas filas junto aos postos eleitorais para escolher 72 representantes que ficarão inscritos na história. A esses cidadãos caberá a árdua tarefa de elaborar o documento constitutivo da própria nacionalidade, as normas básicas que vão nortear os rumos dessa sociedade doravante: a sua Constituição.

O que se espera, neste momento de tamanha importância para 1,3 milhão de pessoas, é que, a exemplo de qualquer recém-nascido, haja um apoio que garanta a sua caminhada segura rumo ao desenvolvimento. Que a Namíbia não tenha o destino amargo de tantos outros países criados recentemente – como Bangladesh, por exemplo, constituído em 1971 e que hoje, com seus 106 milhões de habitantes, é uma das comunidades internacionais mais carentes do mundo – e nem de outros mais antigos, como foi o Tibete, absorvidos pela prepotência de vizinhos mais fortes.

Foi uma árdua luta, de 72 anos, até que chegasse esse momento. A independência, no entanto, será declarada formalmente a partir de 1 de abril de 1990, quando a nova Constituição estiver promulgada. Ou seja, nessa oportunidade, vai ser lavrada apenas a “certidão de nascimento” da nova comunidade nacional.

Seu surgimento de fato está ocorrendo nestes cinco históricos dias, em que os habitantes locais estão tomando contato com algo que deveria se tornar até um “vício” doravante. Ou seja, o democrático e imprescindível ato de votar.

O que se pode desejar aos namíbios é todo o sucesso do mundo na empreitada que eles ora iniciam rumo ao desenvolvimento. Que dentro de alguns anos, possamos olhar para suas estatísticas econômicas e sociais e para seu retrospecto político e verificar que se trata de um país viável. E, mais do que isso, que é uma sociedade harmoniosa, justa e portanto feliz.

(Artigo publicado na página 13, Internacional, do Correio Popular, em 8 de novembro de 1989).

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Lúcida visão política

Pedro J. Bondaczuk

O poeta e ensaísta mexicano Octávio Paz destacou-se, na vida pública, não apenas como escritor, e dos mais criativos e competentes, amplamente reconhecido nos círculos literários mundiais, reconhecimento este que culminou com o Prêmio Nobel de Literatura de 1990. Formado em Direito pela Universidade Nacional Autônoma do México, ingressou, em 1945, no serviço diplomático do seu país, o que lhe possibilitou conhecer de perto outros povos, outras culturas, outros costumes e formar sólida consciência política, acima de tudo prática, muito além da mera teoria ou do dogmatismo ideológico.

Essa experiência ele trouxe para a literatura, pois fundamentou a maior parte dos seus ensaios, lúcidos, originais e notáveis, posto que polêmicos. Ao contrário de muitos intelectuais, mundo afora, Octávio Paz não se refugiou em uma “torre de marfim”, alheio à realidade política e social do seu (e do nosso) tempo. Muito pelo contrário. Tornou-se voz respeitável, ouvida pelos políticos dos mais diversos matizes ideológicos, mesmo que não acatada. Mas... esta é uma outra história. Foi, sobretudo, um democrata convicto e até visceral. Mas, ao contrário de muitos teóricos, considerava liberdade e democracia, se não sinônimas, condições equivalentes e intimamente vinculadas. Entendia que uma jamais pode existir sem a outra. E pode? Claro que não! Todavia há muita gente que entende que sim.

Para Octávio Paz a democracia é o único caminho para acabar com as desigualdades econômicas e sociais na América Latina, marcada, na maior parte da sua história, pelo caudilhismo, por ditaduras cruéis e sangrentas que apenas mascararam suas injustiças e aprofundaram o já profundo abismo entre as classes, acentuando e perpetuando contradições e, sobretudo, atraso. Em um ensaio, publicado, se não me falha a memória, em fins dos anos 80 pelo “Jornal da Tarde” de São Paulo, expressou seu entusiasmo e otimismo em relação ao que ocorria em nossa região. Naquela oportunidade, apenas três países latino-americanos contavam, ainda, com governos não escolhidos pelo povo: Cuba, Panamá e Haiti.

Os demais, ou estavam plenamente redemocratizados ou seus processos de redemocratização estavam em pleno andamento, fato raro em nossa região. Octávio Paz escreveu a propósito: “Vivemos, na América Latina, a hora da alvorada. Amanhece em nossas terras algo que vale mais do que o poder, a riqueza ou a glória: algo que a nossa história, salvo em momentos isolados, nos negou cruelmente: a convivência pacífica na liberdade”. O escritor e diplomata só via um caminho, um único para o mundo ser um lugar minimamente habitável, e não este inferno de violência, dores, injustiças, corrupção etc.: “Se não erigirmos, ou recuperarmos, ou mantivermos uma sociedade democrática, o mundo se tornará, realmente, inabitável”.

Antes, em 1984, havia acentuado, em lúcido texto publicado no livro “Ensaios sobre arte e literatura”: “Se a liberdade e a democracia não são termos equivalentes, são complementares. Sem liberdade, a democracia é despotismo, a democracia sem liberdade é uma ilusão”. Octávio Paz, ao contrário de muitos intelectuais, não fantasiava o futuro e nem pregava um otimismo alienado e alienante. Punha-o na devida perspectiva e encarava-o mais com preocupação do que com esperança. Sabia que ele só existiria – para as pessoas e, por extensão, para a humanidade –, se fosse “construído”. Ou seja, mediante ações positivas e construtivas, baseadas na justiça e na solidariedade.

Entendia que, se o homem dominar seus demônios interiores, neutralizar o instinto de destruição e usar adequadamente o magnífico potencial do cérebro para construir uma sociedade justa e solidária, poderá, de fato, concretizar as tão sonhadas utopias, a Idade de Ouro tão idealizada no curso da história. Em caso contrário... Octávio Paz advertiu a esse propósito: “O futuro que nos aguarda pode muito bem não ser o lugar de uma perfeição almejada por nós, mas sim a eclosão de catástrofes: a explosão populacional, a poluição, as catástrofes políticas, a física moderna com seu arsenal nuclear, a destruição antiecológica de todos os recursos da Terra que permitam a vida nela. A sociedade, diante da hecatombe atômica, não pode crer muito no futuro”. E pode?

Por isso, Octávio Paz recomenda que mantenhamos sempre os pés no chão em relação às projeções para o amanhã: “Cada civilização se distingue pela sua visão do tempo. Nas civilizações passadas se identifica qualquer tempo passado como melhor do que o atual. Ele é a Idade de Ouro que perdemos. A Idade Moderna, ao contrário, decidiu baixar o céu até a terra e instaurou o futuro como algo melhor, o progresso como uma coisa superior, o hoje como melhor que o ontem etc. Mas o futuro é inabitável, porque nos é inacessível”.

Por isso, recomenda que estejamos atentos principalmente ao aqui e agora, aos nossos atos de hoje que certamente trarão conseqüências no amanhã. O presente é real, concreto, palpável e não feito de sonhos, desejos e fantasias (embora nada impeça que os tenhamos também). “Saber que somos mortais, nos leva a indagar: que futuro melhor nos espera? A ameaça da aniquilação do mundo deu novo e redobrado valor à hora presente. A presença é um novo erotismo fundado, não na eternidade, mas no aqui e no agora”. Pessimista? Não! Apenas nua e cruamente realista.

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Monday, July 30, 2012

As pessoas que esperam que os outros resolvam os seus problemas, sem sequer tentar melhorar, com os próprios recursos, a sua situação, são vulneráveis à influência de falsos líderes, de profetas de polichinelo, de caricatos e risíveis “gurus”, que quanto mais estapafúrdios se mostram, mais ingênuos seguidores conseguem arrebanhar. Tais indivíduos, porém, são dignos de piedade e atenção e não de reprimendas. Constituem-se em vítimas indefesas de malucos triunfalistas, de celerados oportunistas e de megalomaníacos que se julgam divindades. São o lado frágil da espécie humana que precisa ser protegido.

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Por dentro da TV

"ABELHA RAINHA" JÁ TEM ELENCO

A novela das 18 horas da Globo, "Abelha Rainha", de Walter Negrão, que deverá entrar no ar aí pelos meados de setembro, já tem o seu elenco definido (embora possam ocorrer mudanças). Como sempre, é gente do mais alto gabarito, querem ver? Então confiram: Luís Gustavo, Carla Camuratti, Renèe de Vielmond, Natália Thimberg, Bia Sedl, Carlos Augusto Strazzer, Élida L'Astorina, Cássio Gabus Mendes, Regina Dourado, Elias Gleiser (ex-Bandeirantes), Abrão Farc, Laura Cardoso, Oswaldo Campozana e Thaís de Campos. A direção será da dupla Wolf Maia e Fred Confaloniéri. Vem coisa boa por aí...

SEPARAÇÃO DE TORLONI E MASCARENHAS

Os rumores divulgados, dias atrás, por um jornal carioca, sobre a separação da atriz Christiane Torloni e do psicanalista Eduardo Mascarenhas, confirmaram-se plenamente. Embora nenhum dos dois queira falar sobre o delicado assunto, ambos admitiram o fato. Agora, o que anda surgindo de versão para o caso, por aí, não está em gibi nenhum! Larga do pé, turma!

FLÁVIO QUER NOVIDADES

O apresentador Flávio Cavalcanti quer agitar um pouco mais o seu programa. Por essa razão está pedindo, a sua produção, mais novidades. Dizem, até, que para tanto realizou uma reunião de "brain storming", ou seja, aquela "tempestade cerebral" que ocorre quando há diversas cabeças pensando junto. Entre outros méritos, um dos principais que o Flávio tem é o de jamais se descuidar da qualidade do seu programa. E é isso que o faz ficar em evidência, ano após ano.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 21 de julho de 1984).

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Prolífico e profundo

Pedro J. Bondaczuk

A obra literária do escritor Octávio Paz é não somente prolífica (publicou mais de vinte livros apenas de poesia, além de outros 25 de ensaios, sem contar a infinidade de textos publicados em jornais e revistas mundo afora), mas, sobretudo, profunda e até transcendente. Creiam-me, não exagero. Sua importância para a literatura mundial é incomensurável. Analisá-la requer tempo (pela quantidade) e perícia para dar o devido valor não só ao seu estilo claro e fluente, mas, e principalmente, à relevância das idéias que abordou. Esse segundo fator, aliás, requer do analista erudição e nível de informação que talvez eu não tenha. Tentarei, no entanto, apontar alguns dos seus pontos mais fortes, em princípio no que costumo chamar de “arte de poetar”, posto que resumidamente.

Embora eu seja apaixonado pelo seu texto, tanto em verso quanto em prosa, Octávio Paz se notabilizou, mesmo, pelo trabalho prático (e também teórico) no campo da poesia moderna e de vanguarda. Por isso, não vejo nenhum exagero por parte dos que o consideram um dos maiores escritores do século XX. E vou mais longe, não apenas desse período, mas de todos os tempos. Exagero? Não! Exagerado (e injusto) seria não lhe conceder esse reconhecimento. Octávio Paz é considerado um dos grandes poetas hispânicos de todos os tempos. Sua influência em toda uma geração de poetas ainda está por ser catalogada, tamanha que foi (e que é). Mas, certamente, foi imensa e permanente.

É verdade que Octávio Paz teve seus méritos literários reconhecidos. Recebeu, em 1990, a que é considerada a maior premiação que existe para escritores: o Prêmio Nobel de Literatura. Mas tardou para isso acontecer. Por anos a fio, foi considerado candidato natural e constante à honraria. E quando tudo levava a crer que seria mais um dos integrantes da extensa (extensíssima) galeria dos injustiçados do Nobel – ao lado de escritores como Jorge Luiz Borges, Carlos Drummond de Andrade, Juan Rulfo, Júlio Cortazar, Manuel Puig e Jorge Amado, entre tantos e tantos e tantos outros merecedores do cobiçado prêmio – a academia sueca finalmente se rendeu à lógica (principalmente, à qualidade) e, ao menos nesse caso, se redimiu.

Essa “redenção” deu um passo a mais em 2010, quando o júri responsável pela atribuição dessa premiação finalmente premiou o peruano Mário Vargas Llosa. Todavia, como o Nobel não é póstumo e é atribuído, apenas, a escritores vivos e em atividade, a maioria dos injustiçados permanecerá para sempre nessa condição. Há erros que não se corrigem. E este, da Academia Sueca, é um deles. Felizmente, seus membros evitaram vexame ainda maior, premiando Octávio Paz, seis anos antes da sua morte.

Escrever sobre poetas, sem reproduzir alguns de seus poemas, esvazia o texto, por melhor e mais fundamentado que seja. Nada é mais enfático e representativo, a propósito de um escritor, do que aquilo que ele escreveu. Trata-se de avaliação prática, tarefa que deve ser entregue (sempre) ao supremo árbitro da literatura, o leitor, sem, portanto, o vezo teórico e não raro incompreensível ao leigo dos especialistas.

Todavia, no caso de Octávio Paz, é justamente aí que reside a grande dificuldade. Como eleger um, ou cinco, ou dez de seus melhores poemas, se ele escreveu tantos? Afinal, só de poesia, ele publicou mais de vinte livros!! Sem contar os textos esparsos, publicados somente em jornais e revistas. Minha escolha, portanto, foi aleatória. Não me preocupei se este é melhor do que aquele e vice-versa. Até porque, esse tipo de avaliação é rigorosamente subjetivo. Selecionei os poemas a esmo. Posso ter sido feliz na seleção como posso, também (o que é o mais provável) ter deixado de lado versos magistrais. Paciência! Culpa deste redator.

O objetivo foi única e exclusivamente o de exemplificar, sem análises ou avaliações. Reitero que a escolha foi aleatória, embora eu tenha lido centenas de seus poemas antes de separar os quatro que trago à sua apreciação. Talvez o subconsciente tenha determinado o que escolher. Talvez... O primeiro desses poemas é o que reproduzo abaixo:

Irmandade

“Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Mas olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
Também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra”.

Genial, vocês não acham? Simples, direto, fluente e coloquial e, ainda assim, de imensa profundidade, expressa nas entrelinhas. É o típico poema não somente para meditar, mas, principalmente, para ser “sentido”. É visceral! O segundo que selecionei não é menos genial. Destaca-se pela riqueza e originalidade das metáforas. Diz:

Teus Olhos

“Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima,
silêncio que fala,
tempestades sem vento, mar sem ondas,
pássaros presos, douradas feras adormecidas,
topázios ímpios como a verdade,
outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro
duma árvore e são pássaros todas as folhas,
praia que a manhã encontra constelada de olhos,
cesta de frutos de fogo,
mentira que alimenta,
espelhos deste mundo, portas do além,
pulsação tranquila do mar ao meio-dia,
universo que estremece,
paisagem solitária”.

É, como se vê, um poema forte, vibrante, desses de tirarem o fôlego quando lidos em voz alta, com a devida entonação. E não se trata de composição isolada. Octávio Paz compôs centenas e centenas de outros com idêntica qualidade e grandeza, se não superiores até. Exemplo? Este poema seguinte que trago à sua apreciação:

Silêncio

“Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem”.

Valorizo o silêncio, assim como Octávio Paz, porquanto, não raro, ele é mais eloqüente do que grandiosos discursos, compostos por bombásticas palavras. E é silenciosamente que absorvo esses versos modelares, que dispensam comentários. Encerro estas reflexões em grande estilo, calando-me e deixando que um gênio da poesia fale por mim:

Destino do poeta

“Palavras? Sim. De ar
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde”.

Voltarei a tratar, como prometi, de Octávio Paz, posto que não com a postura do crítico, ou do teórico de Literatura, mas com a do fã, do tiete, do admirador incondicional, do “amigo espiritual”, que é como considero este magnífico e imortal poeta mexicano.

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Sunday, July 29, 2012

Somos seres racionais, com liberdade para escolher entre vários caminhos. O que temos é que exercer plenamente essa racionalidade e optar entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, entre a sublimidade e o horror. Ninguém deve, ou pode, fazer isso por nós. A maioria das pessoas assusta-se com a complexidade dos relacionamentos humanos. Algumas, apavoram-se diante da vida e recolhem-se a uma covarde alienação. Aceitam passivamente a realidade e, quando muito, gastam seu tempo em queixas sobre a maldade imperante, sobre as injustiças e velhacarias e sobre tudo o que as desagrade ou que não entendam. Mas não fazem nada para modificar o mundo para melhor. Ou pelo menos para influir positivamente no círculo ao seu redor, no ambiente em que vivem. Contentam-se com o papel de “caudas”, ao invés de serem cabeças. Temem expor-se ao ridículo e acabam se tornando ridículas ao seguir os outros.

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Quem é superior a quem e por que?

Pedro J. Bondaczuk

A discriminação, qualquer que seja a forma em que ela se apresente, é sempre uma atitude estúpida, irracional e, sobretudo, perigosa. Não existe um parâmetro para medir os seres humanos, em sua importância, a não ser sua mortalidade. E nesse aspecto, todos se igualam: reis, príncipes, presidentes, generais, milionários e mendigos. Ainda não apareceu esse que conseguisse sobreviver ao tempo e aos desgastes naturais dos anos. E muito menos à morte.

Entretanto, e em especial em culturas mais antigas, como a européia, existem focos, que se reacendem de quando em vez, dessa infecção do espírito. Pessoas passam, então, a ser discriminadas, ou pela cor de sua pele, ou pelo seu país de origem, ou pelo credo que professam, ou pelos costumes que adotam, ou até por algum eventual defeito físico que possam ostentar, à revelia de sua vontade ou de seu muito ou pouco cuidado.

Essas erupções discriminatórias já foram causas de inúmeras desgraças no mundo. Os judeus sofreram mais com essas periódicas manifestações, até que lograssem reaver a sua própria pátria e reconquistassem seu orgulho nacional. Afinal, eles foram vítimas de um dos maiores genocídios de que se tem notícia na história contemporânea.

Mas não foram (ou não são) somente eles que passaram (ou passam) por esse dissabor. Os armênios, por exemplo, sofreram, no início do século XX, um massacre inesquecível (e raras vezes mencionado) pelos turcos, que os julgavam pretensamente inferiores. Os negros sul-africanos pagaram um duro preço, apenas porque um bando de insensatos julgou a sua personalidade baseado somente na cor da sua pele. Chegaram ao cúmulo de serem considerados estrangeiros até na terra em que nasceram e seu país possuía, até mesmo, "dois deuses" diferentes, a julgar pelo fato de que existia segregação até mesmo nas igrejas, locais pretensamente de congraçamento e de fraternidade.

A Europa, por todas as informações que vêm desse berço da civilização do Ocidente, está passando por um novo surto de racismo. E este vem, geralmente, acompanhado de odiosos sistemas que no passado deram guarida a tais malucas fantasias, como são os casos do fascismo e do nazismo, que renascem de tempos em tempos com vigor redobrado, como costuma acontecer com as ervas daninhas.

A discriminação européia atual não se volta mais contra os judeus, ou não exclusivamente contra eles. É contra povos que têm usos e costumes julgados inferiores pelos habitantes desse continente, que se esquecem que há menos de um século, eles ainda chafurdavam em idêntico atraso e indigência que hoje buscam ridicularizar.

A Paris de 150 anos atrás, por exemplo, tinha ruas que ficavam intransitáveis em época de chuva e não lembrava em nada o atual fastígio de "Cidade Luz". Londres tinha as suas principais avenidas com esgoto a céu aberto. E não era por acaso que pestes periódicas assolavam o continente, dizimando milhões de pessoas.

Hoje, por exemplo, os orgulhosos alemães (é evidente que nos referimos àqueles que fazem da discriminação uma prática diária) consideram os trabalhadores turcos como inferiores. A eles cabem, invariavelmente, as tarefas mais ingratas e sujas, que ninguém mais deseja fazer. Ou as perigosas, que põem em risco a sua integridade orgânica.

O mesmo ocorre na Grã-Bretanha, em relação aos asiáticos, na França, com os originários do Norte da África, na Noruega, com os persas e poderíamos ir desfiando um rosário sem fim de povos que agem (de maneira até inconsciente) com um ranço detestável de preconceito vazio e sem sentido.

Por qualquer parâmetro que se meça, não há um único fato que permita se classificar uma etnia como superior a outra, naquilo que as pessoas têm de fundamental: a sua capacidade de pensar. E essa verdade tão simples, cristalina e óbvia, parece ser de grande complexidade para cidadãos que se julgam muito inteligentes. Afinal, quem é superior a quem e por que?

(Artigo publicado na página 9, Internacional, do Correio Popular, em 9 de julho de 1986)

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Limites do homem

Pedro J. Bondaczuk

O permanente desafio da habilidade física do homem, que começou a se configurar, em 776 AC em Olímpia, lugarejo da Grécia considerado um bosque sagrado, na margem direita do Rio Alfeu, na antiga Élida, tem, desde anteontem, 27 de julho de 2012, seu momento de consagração. Trata-se da abertura oficial, com toda a pompa e circunstância que o evento merece, dos 30ºs. Jogos Olímpicos da Era Moderna, que começam a ser disputados em Londres, na Inglaterra, pátria de grandes artistas, cientistas e escritores, como William Shakespeare, John Milton, Charles Dickens, Charles Darwin, Isaac Newton, e milhares e milhares de tantos outros. E também, por que não, a terra dos Beatles.

Milhares de pessoas de todo o Planeta estão congregadas nessa moderna (e tradicional) cidade da Europa, a única a promover o evento em três oportunidades – e mais de quatro bilhões de outras vão se fazer presentes pelas imagens da televisão – para uma "guerra" diferente, sem mortos, feridos e sem destruição, através da mística do esporte. Começaram ontem as competições, o festival de graça, beleza, saúde, força e competência, que se repete a cada quatro anos (à exceção do período das duas guerras mundiais), há já mais de um século, representado pelo triplo desafio à habilidade do único animal racional da natureza: "mais alto, mais forte e mais rápido".

É a quarta Olimpíada de um milênio caracterizado por crises, incertezas, temores, mas também pela esperança de um mundo melhor e de resolução de problemas e contradições que em muitos momentos ameaçaram o Planeta, e por conseqüência a vida (toda ela, humana ou não), de extinção. O evento revive, embora com características próprias, o congraçamento que ocorria aos pés do Monte Olimpo, na Grécia Antiga, há mais de 1.600 anos.

As modalidades esportivas em disputa, é verdade, são outras, bem diversas das Olimpíadas originais. A motivação também é bastante diferente, assim como a abrangência da competição. Trata-se de uma outra realidade, em novos tempos, com objetivos e motivações característicos da nossa era. O que não mudou, no entanto, foi o ideal: competir com lealdade, honra e respeito ao adversário, sem jamais considerá-lo inimigo.

Se fosse possível reunir em um único homem (ou numa única mulher) as melhores habilidades dos atletas ganhadores das medalhas de ouro em cada modalidade dos dias de hoje – alguém que corresse 100 metros em menos de 9 segundos, nadasse a mesma distância em menos de 45, saltasse com vara mais de 6,10 metros, sem ela quase 3 metros, ou em três saltos ultrapassasse os 20 metros, ou em um só arranque levantasse mais de 500 quilos – esse seria um ser humano fisicamente perfeito.

Recordes que pareciam impossíveis de serem quebrados, foram há muito superados. Outras dezenas deles, certamente, vão cair nos próximos dias em Londres. É o homem sempre em busca dos seus limites. São a garra, a lealdade, a disciplina, o "fairplay", a graça, a beleza, a força e a competência em exibição. De três décadas para cá, os Jogos mudaram, assim como o mundo. Embora muitos países ainda façam da competição (ou tentem fazer) veículo de propaganda de ideologias e sistemas políticos, o que conta, de fato, é o talento dos atletas. São o seu coração, a sua garra, o seu treinamento, o seu autodomínio e a sua capacidade de superação dos próprios limites. E os interesses em jogo mudaram.

As Olimpíadas perderam sua característica original, de mera competição esportiva. Tornaram-se, sobretudo, grande negócio, com as "bênçãos" dos novos e sofisticados meios de comunicação, como a televisão comercial, a TV a cabo e a Internet. E nem são mais os países que agora são defendidos pelos atletas. São as grandes corporações e os fabricantes de materiais esportivos (Nike, Olympikus, Diadora, Addidas etc.) que os patrocinam.

Com a profissionalização, verificada de 1980 para cá, através de patrocínios oficiais ou privados, os participantes desse desafio esportivo quadrienal aproximam-se da perfeição, nas respectivas modalidades. Dedicam-se exclusivamente ao esporte e com isso aniquilam recordes e mais recordes, aparentemente impossíveis de quebrar, mas que continuam caindo.

Os Jogos da era moderna, principalmente desde Moscou, são caracterizados por espetáculos notáveis de música e coreografia, na abertura e no encerramento das competições. E ontem, em Londres, não foi diferente, como espero que daqui a quatro anos, em 2016, o show seja aina mais deslumbrante e surpreendente. É possível que as Olimpíadas do futuro – quem sabe nas de 2096 – abram espaço para os "atletas do intelecto e da sensibilidade". Se isso acontecer, a juventude sadia e bonita do Planeta irá compor, de forma coletiva, o perfil do homem ideal: mente sã, num corpo absolutamente sadio.

Há distorções e burlas, evidentemente. São muitos, por exemplo, os que se valem de expedientes ilícitos, como o doping, sem medir conseqüências, no afã de vencer a qualquer custo. Quem sabe um dia seja instituída a Olimpíada da Solidariedade, reunindo não apenas um grupo de indivíduos fisicamente excepcionais, mas toda a humanidade, em que a força e a destreza sejam substituídas ou complementadas (o que será ideal) por virtudes infinitamente mais nobres e raras: bondade e fraternidade. Só então poderemos afirmar, com segurança, que esse animal fascinante e contraditório afinal aprendeu a domar seus instintos de fera e é, de fato, racional, civilizado, "Homo Sapiens".Quem sabe isso comece a se configurar já em 2016 na sempre maravilhosa Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro. Até então...

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Saturday, July 28, 2012

Ser útil a alguém é muito mais simples do que pode parecer. E mais gratificante. Confere, a quem se dispõe a sê-lo, uma dimensão de grandeza, impossível de dimensionar. Em geral, quem ajuda o próximo acaba mais gratificado, interiormente, do que quem é ajudado. O poeta alemão, Johann Wolfgang Göethe, constatou que “uma vida inútil é uma morte prematura”. Daí a importância de se compartilhar grandeza de sentimentos e de se praticar ações abnegadas, para diminuir nossa própria pequenez.

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Presente do Dia dos Pais

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Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. – Preço: R$ 20,90.

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Milagre da rosa

Pedro J. Bondaczuk

Num poema vivo de beleza,
encanto ímpar, mistério sem fim,
vi desabrochar, no meu jardim,
frágil em sua delicadeza

uma rosa, de fulgor intenso,
como mística fonte de luz,
foco hipnótico que me seduz
a rever o que sinto e o que penso.

Era fato natural, bem sei,
ainda assim, mistério, ideal,
fantasia de luz e de cor.

Nesta via, de fel e de cal,
ali, contemplando aquela flor,
revi tudo o que fui...e que amei...



(Soneto composto em 8 de dezembro de 1963, em São Caetano do Sul).


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Amizades espirituais

Pedro J. Bondaczuk

Vocês já atentaram para o fato de que consideramos determinados escritores – pela identidade que temos com suas idéias, por ideais pelos quais lutam e por sua postura face à vida – amigos, mesmo que jamais tenhamos nos visto, conversado e que sequer eles saibam, ou mesmo desconfiem, da nossa existência? Familiarizamo-nos de tal sorte com eles, que é como se freqüentassem nossa casa, conhecessem nossos gostos e pensamentos, soubessem de nossos problemas e ambições, nos aconselhassem quando conselhos se fizessem necessários, nos repreendessem (com doçura) quando tivéssemos que ser repreendidos e satisfizessem, enfim, todas as necessidades psicológicas, tudo o que esperamos de uma legítima, sólida e intimíssima amizade.

Com base nesse parâmetro, posso afirmar, com rigorosa segurança, que tenho mais, bem mais de um milhar de amigos desse tipo. E a cada dia, acrescento mais e mais escritores a esse círculo de amizade, sem abrir mão de um único dos que já tenho. É um processo de permanente acréscimo no qual toda a vantagem é minha. Enriqueço minha vida, torno-me um pouco (ou muito, sei lá) mais sábio, sem que retribua esses ganhos em idêntica medida. Esse raciocínio vale, observo, não apenas para escritores. Tenho essas “amizades espirituais” também com atletas, cantores, músicos, artistas plásticos ou, simplesmente, com correspondentes da internet. Pena que não haja reciprocidade. Ou seja, que todo esse pessoal não me considere, também, amigo (embora haja, posto que raras, exceções).

Em muitos casos (talvez na maioria), essas amizades nem poderiam contar com a devida correspondência? Por que? Porque essas pessoas que consideramos amigas (e ainda por cima, íntimas) já morreram. E esse sentimento de intimidade e fraternidade é tão intenso e profundo, que nem a morte é empecilho para que essas amizades se preservem e se mantenham tão sólidas como quando começaram.. Ela é intemporal. E independe de qualquer fator objetivo. Ou seja, permanece intacta além da vida.

Mesmo depois de falecidos, esses escritores (que, no meu caso, constituem a imensa maioria desses “amigos espirituais”) permanecessem vivos, vivíssimos em nossa memória e em nossas emoções. Seus espíritos ficam retidos nas páginas dos livros que escreveram, nas entrevistas que deram a jornais e revistas e, ultimamente, nos textos que, em vida, postaram na internet, em múltiplos sites e/ou blogs.

Essa chama de genialidade nos acompanha, como anjos da guarda, como espíritos tutelares, ao longo da nossa jornada pelo mundo. É possível, se não provável, que se um dia cruzarmos com um desses nossos ídolos intelectuais vivos, que tanto prezamos, em uma rua qualquer de alguma cidade, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Recife ou, no meu caso, Campinas, passemos, um pelo outro, com absoluta indiferença. Talvez nem nos reconheçamos. Não descarto que isso já tenha ocorrido algum dia comigo. É possível e até provável. Nossa identidade, reitero, não é física. É intelectual. Vou mais longe: é espiritual.

Conhecemo-los bem (mesmo que não haja reciprocidade), talvez melhor, até, do que seus mais chegados parentes. Consideramo-los “amigos”, no sentido mais estrito de amizade, mesmo que jamais, por alguma razão, não nos refiramos a eles dessa maneira. Afinal, o que vem a ser amizade? Não é a identidade de idéias, sentimentos e emoções? Não é a existência de interesses comuns? Pois então, todos esses escritores que tanto aprecio e venero são, rigorosamente, amigos, mesmo que não nos conheçamos pessoalmente e que não haja reciprocidade da parte deles. Desconfio que se as circunstâncias nos aproximassem, e possibilitassem convivência física, material, constante, tête-a-tête, esse sentimento seria recíproco.

É tudo isso que expus, com tamanha emoção (até visceralmente), mas pouca razão, o que sinto pelo mexicano Octávio Paz. Claro que jamais o vi cara a cara, mesmo que ele tenha estado em inúmeras ocasiões no Brasil. Oportunidades para esse encontro não faltaram e ele só não ocorreu em decorrência das circunstâncias. Sempre elas... E jamais ocorrerá, já que este poeta, ensaísta, diplomata e tradutor, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1990, morreu, e há um bom tempo, em 19 de abril de 1998. Sua morte, todavia, não alterou para pior nem um reles milímetro do meu sentimento de “amizade espiritual” por ele. Desconfio que até o aprofundou.

Refletindo, hoje de manhã, sobre o que escrever neste espaço, subitamente me dei conta de uma imensa “mancada” minha em relação a este meu ídolo. Abordei, neste espaço (e vocês são testemunhas), a obra, e em muitos casos a vida, de pelo menos um milhar de escritores que fazem parte do meu imenso círculo de “amizades espirituais”. Todavia... nunca, nunca mesmo redigi um só texto abordando, especificamente, este meu “amigão”. Não se trata, óbvio, de menosprezo por ele. Talvez tenha me faltado oportunidade para essa abordagem. Sim, talvez. Citei-o, é verdade, em algumas ocasiões, posto que apenas de passagem. Prometo, no entanto, (a vocês e a mim mesmo) corrigir, doravante, essa imperdoável omissão. Aguardem.

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Friday, July 27, 2012

O medo é um mecanismo de proteção contra o perigo de que a natureza nos dotou. Mas é passível de controle. Temos que aprender a dosar essa espécie de escudo contra os riscos que sejam evitáveis. Excessivo, transforma-se em pânico, que é paralisante, doentio, pernicioso. Se inexistente, não percebemos os perigos à nossa integridade física e podemos ser gravemente feridos e até mortos por causa disso, por imprudência, por não fugirmos, quando devemos, do que nos ameace, em tempo hábil. Requer, portanto, uma dosagem exata. O romancista Robert Louis Stevenson aconselhou sobre o medo: “Guarde seus temores para você mesmo, mas compartilhe sua coragem com os outros”. E não é somente isso que devemos compartilhar. Também nosso otimismo, nossas conquistas e nossos sonhos de um mundo melhor podem e devem ser compartilhados. E até nossos bens materiais, claro.

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Histórias que se confundem

Pedro J. Bondaczuk

A história contemporânea de Moçambique, um dos três países mais pobres do mundo, ignorado pela comunidade internacional (quer no Leste europeu, quer no Ocidente), confunde-se com a de seu líder, o presidente Samora Moisés Machel, que morreu, ontem à noite, em um acidente aéreo.

Foi uma longa e penosa trajetória de ambos, marcada por pequenos avanços e monumentais recuos. O leitor haverá de convir que dirigir um país com carência de tudo, principalmente de pessoas preparadas para assumir tarefas de fundamental importância, é uma façanha imensa e, na maioria das vezes, irrealizável. Foi o que aconteceu com esse sonhador, que aspirava construir, do nada, uma sociedade justa e igualitária, em que não houvesse miseráveis e nem privilegiados.

Moçambique, descoberto em 1498 por Vasco da Gama, quando de sua histórica viagem às Índias, é um território que até apresenta um subsolo repleto de riquezas. Em seus 799.380 quilômetros quadrados, existem inúmeros minérios que, se explorados, poderiam significar a redenção econômica do seu povo. Mas não são.

Seus mais de 14 milhões de habitantes, no entanto, não contam com os recursos necessários para explorar o que a natureza escondeu. Esse país, recorde-se, foi um dos mais afetados pela fome que se abateu sobre 33 sociedades nacionais africanas, há dois anos, ocasião em que mais de 100 mil camponeses morreram por absoluta falta de comida.

A imprensa ocidental, na oportunidade, preferiu concentrar as atenções sobre o que ocorria na Etiópia e, como sempre, mais uma vez, Moçambique ficou esquecido e entregue à própria sorte. Com um Produto Interno Bruto de US$ 1,8 bilhão, todo ele penhorado por causa de uma dívida externa que, evidentemente, os moçambicanos jamais terão condições de pagar, a renda per capita anual de cada habitante local é de irrisórios US$ 140. Isso mesmo, por ano!!! Ou seja, o equivalente a pouco menos de três meses de salário-mínimo brasileiro que é, reconhecidamente, um dos mais baixos do mundo!

Com tudo isso como obstáculo, Samora Machel até que vinha tentando fazer o possível (e o impossível) para, pelo menos, minorar tamanha carência, buscando ajuda (migalhas, diga-se de passagem), aqui, ali e acolá, onde encontrasse alguém disposto a lhe dar ouvidos e confiar no espírito de luta e operosidade do seu povo.

No começo desta década, o presidente moçambicano pôde sentir, na própria carne, os males de uma economia concentrada nas mãos do Estado. E, homem pragmático que era, não titubeou: abriu espaços para a atuação da iniciativa privada, sem dar ouvidos às críticas e reprimendas dos ideólogos de plantão, quer locais, quer do exterior.

Para complicar um quadro, já por si só desolador, de um país que obteve a independência, sem contar com a menor infra-estrutura para encarar os desafios de uma vida independente, Samora Machel enfrentou, desde o primeiro dia da autonomia política nacional, uma luta sem tréguas com a guerrilha de direita. Esta, sim, contando com farto apoio externo – por defender teses convenientes ao Ocidente – era bem-armada, bem-alimentada e treinada pelos melhores especialistas militares da região.

A principal fonte de financiamento dos guerrilheiros foi o regime racista da África do Sul, que via sério perigo no fato de existir um governo marxista bem na sua fronteira setentrional. Tudo o que sempre se construiu, em Moçambique, num dia, em termos de rodovias, ferrovias ou hidrelétricas, foi, sistematicamente, destruído nos dias seguintes pelos rebeldes.

Com o objetivo de obter uma trégua, que lhe desse algum fôlego para governar e desenvolver o país, Samora Machel se convenceu da necessidade premente da assinatura de um acordo com o regime sul-africano do apartheid. Em troca da proibição da instalação de bases do Congresso Nacional Africano em seu território, a África do Sul comprometeu-se a suspender toda a ajuda à direitista Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).

De início, tudo caminhou a contento. Contudo, acuado pela intensificação da luta interna, o governo racista sul-africano violou o acordo e não cumpriu, dessa forma, a sua parte no trato. É, inclusive, por essa razão que pairam fortes suspeitas de que o regime da África do Sul tenha algo a ver com esse estranhíssimo e mal-explicado acidente aéreo, que ceifou a vida de um líder que o incomodava tanto.

O que será desse país, daqui para a frente, sem o comando e a liderança do seu herói nacional, do pai da sua independência? É uma grande incógnita, um maiúsculo ponto de interrogação que paira no ar. Endividado, faminto e sem pessoas preparadas para tirá-lo desse atoleiro, Moçambique corre, ainda, o risco de se tornar outro campo de confronto ideológico e, pior do que isso, militar, do Leste e Oeste, em sua estúpida e interminável guerra fria.

O bloco marxista, liderado pela URSS, evidentemente, vai buscar, de todas as formas, conservar esse país (ao qual jamais socorreu economicamente), ao qual enviou, apenas, toneladas e mais toneladas de armas, em sua órbita de influência. O Ocidente, por seu turno, tendo à frente os Estados Unidos e seu preposto, a racista África do Sul, irá se empenhar a fundo, tendo como ponta-de-lança a direitista Renamo, mesmo que negue, para implantar uma espécie de neo-colonialismo, tão nocivo para os moçambicanos quanto aquele que vigiu em seu território antes que Moçambique obtivesse a independência de Portugal.

Dias muito amargos e tormentosos, portanto, parecem ameaçar esses nossos irmãos de comunidade de língua portuguesa da África. Tomara que eles se livrem da influência desses dois blocos e saibam traçar os seus próprios caminhos. Sem Samora Machel, todavia, esse é um desafio como nunca antes a população de Moçambique enfrentou.

(Artigo publicado na página 13, Internacional, do Correio Popular, em 21 de outubro de 1986).

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