Friday, November 28, 2014

Se houvesse a mínima possibilidade de renascer, mas exatamente como sou, e de viver de novo, posto que sob circunstâncias diversas, o tanto que já vivi, mas sem perder os conhecimentos e a experiência que já tenho, eu daria, antes de tudo, maior valor aos relacionamentos: às amizades e, sobretudo, ao amor. Em contrapartida, não me preocuparia tanto com realizações pessoais, preocupação que, às vezes, até se torna obsessão. Buscaria amar, mais e mais, a vida, em cada uma das suas manifestações, e não perderia tanto tempo com vaidades, ostentações, futilidades e picuinhas.. Provavelmente, viveria como o poeta norte-americano Philip Levine descreve, nestes magníficos versos:

“Deixe-me recomeçar como um grãozinho
de poeira apanhado nos ventos noturnos
deslizando para o mar...
Uma pequenina criança sábia que desta vez vai amar
sua vida, porque ela é diferente de todas as outras”.


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Presente de Natal

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Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.

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Sucateamento é questão política


Pedro J. Bondaczuk


O "3º Conai", realizado no Palácio das Convenções do Parque do Anhembi, em São Paulo, que se encerra hoje, comprovou, mais uma vez, que se o parque industrial brasileiro está enfrentando um risco de sucateamento, isto não se deve, em absoluto, à falta de oferta de bens e serviços do setor de automação. A questão prende-se a um modelo econômico equivocado, que privilegia as atividades especulativas, que enriquecem apenas uns poucos que nada têm a oferecer à sociedade, em detrimento das categorias produtivas. Nos últimos cinco anos, o que se verificou no Brasil foi um "desenvestimento", com muitas unidades sendo fechadas ou desativadas, para que o produto arrecadado pudesse ser investido no "open" ou em outras aplicações.

Nossa indústria não se modernizou, portanto, não por falta de oferta de tecnologia. Os produtos mostrados no "Conai" comprovam isso. Quem quiser conferir melhor, basta que dê uma simples olhada no catálogo da Associação Brasileira de Processos de Automação Industrial de 1987. Ali, vai constatar a existência de pelo menos 100 empresas produzindo praticamente todo o espectro de máquinas para a modernização da indústria. Tais companhias geram mais de 10 mil empregos diretos, sendo 30% de nível superior. Efetuaram, no ano passado, vendas da ordem de US$ 300 milhões. Com isso, passaram a controlar os processos de investimentos industriais de US$ 6 bilhões, que acabaram não sendo feitos. O "open" não deixou.

A correção desse desvio econômico no Brasil terá que seguir duas vertentes. Uma é a conscientização de que a especulação não é um "moto perpétuo". É auto-esgotável. Haverá de chegar o momento em que não existirá com o que especular, se a sociedade andar para trás e se empobrecer. A outra é a adoção de uma política privilegiando os competentes, os eficientes e os produtivos, dando-lhes condições para lucros crescentes.

Como ressaltou o editorial do boletim da ABCPAI, numa de suas edições recentes: "Automação é ferramenta, é meio. E como meio de produzir ela é cultura. E cultura não se importa ou se compra. Se adquire através de processos educacionais e de aprendizado necessariamente lentos e penosos. Daí o valor do nosso mercado e de nosso parque industrial". E está falado.

(Artigo publicado na página 14, Informática, do Correio Popular, sob o pseudônimo de Alex H. Bentley, em 23 de setembro de 1988)


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Tradição e modernidade

Pedro J. Bondaczuk

O cientista social Walter Benjamin definiu da seguinte forma a tarefa dos intelectuais do seu século, o XIX (aí incluídos, claro, os escritores): “Desbravar regiões, nas quais até agora vicejava a loucura. Avançar com o machado afiado da razão, sem olhar para a direita e nem para a esquerda, para não ser vítima do horror que atrai do fundo da mata virgem. Todo chão teve que ser desbravado alguma vez pela razão. Limpo do emaranhado, da ilusão e do mito. Esta é a nossa tarefa para o chão do século XIX”.

E a nossa tarefa, neste século XXI, é diferente? Afinal, qual é? O século XX foi, como destacou o escritor russo Aleksandr Soljenytsin, caracterizado pela busca frenética do “novo”. Não importou muito se para instalar as novidades, valores eternos tiveram que ser postos de lado. A procura por mudanças foi, e ainda é, maníaca. Transformou-se em obsessão!

Através dos tempos, as várias civilizações sempre procuraram encontrar a dosagem ideal entre tradição e modernidade para nortear seu rumo. A dose podia variar, mas os dois conceitos sempre estavam presentes, quer na vida cultural, quer no procedimento político e social.

Hoje, a coisa já não é bem assim, embora não se possa (e nem se deva) generalizar. O pseudomodernismo domina a maior parte das cabeças pensantes. Surgiram a metalinguagem, o concretismo, o surrealismo e outros tantos rótulos para designar coisas que são, na verdade, velhas, muito velhas. Velhíssimas!

Depois de 13 mil anos de civilização, é virtualmente impossível alguém ser original, em termos de idéias e de ações. Tudo o que pensamos ou fazemos, alguém já pensou ou fez, embora a linguagem utilizada e a mensagem transmitida tivessem aspectos diferentes, nuances próprias. Isso mesmo, apenas nuances!

O cineasta Hector Babenco acentuou, certa feita, em entrevista: “Querer ser moderno já é uma atitude velha”. Aquilo que hoje recebe esse rótulo, amanhã, certamente, estará envelhecido, defasado, ultrapassado, se o fator tradição se fizer ausente.

O filósofo francês, Jean Baudrillard, observou: “A idéia de universalização do mundo está esgotada. O Planeta está tomado, então, por uma tendência ao revisionismo, por uma renúncia às formas da modernidade, por um arrependimento. Não é por acaso que os conflitos étnicos, as guerras religiosas, a fragmentação estão retornando. A modernidade se torna insuportável. Mas nada disso é solução”.

A tarefa dos intelectuais (e, por conseqüência, dos escritores)  para este século, portanto, será redobrada. Eles terão que reconstruir, primeiro, o que foi destruído, com o abandono da tradição. Depois, retomar o que Walter Benjamin previa para o seu tempo e para a sua geração. Ou seja, “desbravar regiões, nas quais até agora a loucura viceja”.

Baudrillard sustenta: “Para mim, o mundo, a natureza, o cosmos, não importa como você preferir chamar, está em metamorfose, em regulação. Mas essa regulação não é jurídica, contratual, abstrata. Há elementos irredutíveis na natureza que não podem ser simbolizados em contrato. É uma paranóia achar que o homem vai ajudar o mundo a sobreviver. O homem destruiu, mas não sabe, nem pode, reconstruir”. Poderíamos, pelo menos, preservar as conquistas da arte e da cultura, notadamente das letras, em nossa cidade? É um desafio que se impõe a todos nós.

A cultura é, em geral, mal-interpretada, até pelos que se alimentam e vivem dela. Trata-se do conjunto de criações, vivências e conhecimentos, em todas as áreas de atividades,  frutos da experiência e da racionalidade, precioso patrimônio dos povos, que se acumula, e é aumentado, com o passar dos anos, através das sucessivas gerações. É a herança maior que recebemos dos antepassados, ampliamos (ou temos o dever moral de ampliar), dando a nossa contribuição para o avanço da civilização, e transmitimos aos nossos descendentes, que por sua parte deverão agir de idêntica forma.

O escritor George Simenon, em carta escrita em 9 de novembro de 1976 ao cineasta italiano Federico Fellini (reproduzida no caderno "Mais!" do jornal "Folha de S. Paulo" em 14 de fevereiro de 1999), constatou: "Nós somos um pouco como as esponjas que sugam a vida sem o saber e a devolvem em seguida, transformada, sem conhecer o trabalho de alquimia que se produziu em nós".

A cultura, portanto, é o "suco", a essência, a alma, a parte nobre da vida. Daí a importância da ação de pessoas e/ou instituições que atuem no sentido da sua ampliação ou, na pior das hipóteses, da sua preservação. Por isso, a relevância e o significado da ação das várias academias, de letras, de ciências, de cinema, etc.etc.etc. Elas são (ou deveriam ser) as legítimas guardiãs da tradição das respectivas atividades.

O poeta português Fernando Pessoa, em lúcido texto publicado na década de 1920, intitulado "Presença da cultura grega", assim se manifestou: "Tem duas formas, ou modos, o que chamamos cultura. Não é a cultura senão o aperfeiçoamento subjetivo da vida. Esse aperfeiçoamento é direto ou indireto. Ao primeiro se chama arte, ciência ao segundo. Pela arte nos aperfeiçoamos a nós, pela ciência aperfeiçoamos em nós o conceito ou ilusão do mundo". E as academias, reitero, são lídimas guardiãs das tradições das suas respectivas atividades.

Porém, se temos por missão sermos tradicionais, em termos de idéias e preservação daqueles valores testados e aprovados pelo tempo, podemos e devemos ser ousados quanto aos meios empregados para a consecução dos nossos objetivos. O objetivo, óbvio, de todo escritor é o de ser lido e pelo número máximo de pessoas que o seu texto possa atingir. E, por conseqüência, o nosso, claro, também é este. Mas temos o dever de oferecer-lhes o melhor, da forma mais acessível e universal possível. Pense nisso. Voltarei ao tema.


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Thursday, November 27, 2014

Conversei com vários marginais – tidos e havidos como bandidos irrecuperáveis, sanguinárias e impiedosas feras humanas – e senti, em todos eles, sem nenhuma exceção (posto que em intensidades diversas) que seu sonho na vida (para eles fantasioso e irrealizável) era o de serem amados e admirados por alguém (não importa quem), embora nenhum admitisse culpa por seus atos horrendos e criminosos. John Steinbeck escreveu: “Na incerteza, estou convencido de que, por baixo de suas camadas superiores de fragilidade, os homens querem ser bons e querem ser amados. Na verdade, a maioria dos vícios é uma tentativa de atalho para o amor. Quando um homem morre, não importa qual tenha sido seu talento, influência e gênio, sua vida foi um fracasso se morreu sem amor; sua morte é um frio horror”. Também estou convicto disso, pelas observações que pude fazer. São exatas? Não tenho a menor condição de assegurar, pois minhas conclusões baseiam-se só na intuição.


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Presente de Natal

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Sucessor de Gandhi tem boas chances


Pedro J. Bondaczuk


O Partido do Congresso, que governou a Índia por 40 dos 44 anos de vida independente do país, está voltando ao poder, depois de um breve hiato de 18 meses, numa situação muito mais difícil do que em ocasiões anteriores. Esta será a primeira vez que terá de governar um Estado complexo, populoso, pobre e sumamente violento, contando com minoria no Parlamento.

Ademais, seu novo líder, que substituiu o assassinado ex-primeiro-ministro Rajiv Gandhi, Narasimha Rao, não tem, evidentemente, o carisma, a ascendência partidária e a projeção internacional dos membros do clã de Jawaharlal Nehru. Trata-se de um político negociador, ideal para governar interinamente, enquanto as paixões ainda estão à flor da pele, após a mais sangrenta campanha eleitoral da história contemporânea indiana. Mas não para exercer um mandato integral de cinco anos.

O Partido do Congresso precisa urgentemente passar por uma profunda reciclagem diante dessa nova realidade. Sua tarefa fundamental será a de conter os movimentos separatistas que se disseminam pela Índia, mas não através da violência, pois se agir dessa maneira, fatalmente irá mergulhar a nação num banho de sangue, porquanto os ânimos ficam cada vez mais exaltados, à medida em que o tempo passa e os atentados, seqüestros e distúrbios étnicos e religiosos se sucedem no Punjab, em Tamil Nadu, em Uttar Pradesh, na Cachemira e em Assam, que são os Estados mais tensos e problemáticos.

Nos últimos tempos, os membros da agremiação não têm sido muito felizes em pacificar os indianos. A mais recente gafe política que o grupo cometeu, ainda durante a gestão de Rajiv, foi a tentativa de oficializar o hindi como idioma único, num país com mais de mil etnias diferentes, com línguas ou dialetos próprios.

Um parlamentar "iluminado", na falta de um projeto melhor a apresentar, pretendeu acabar com o inglês como o recurso alternativo, inclusive como elo de união entre os mais variados povos que compõem essa colcha de retalhos de 850 milhões de seres humanos.

Aliás, esta foi uma das razões do partido não ter conseguido a maioria absoluta no Parlamento, tendo lhe faltado 15 míseras cadeiras para não depender de ninguém na formação de um governo verdadeiramente estável. Nota-se, portanto, que a agremiação carece de um melhor senso de pragmatismo, de objetivos menos pueris.

Quanto a Rao, um dos obstáculos para uma boa e longa gestão é a sua precária saúde. Aos 69 anos de idade, ele já se submeteu a uma cirurgia para a implantação de ponte de safena e sequer concorreu no pleito recém findo. Por isso, cumprindo a exigência constitucional, terá de se submeter, dentro de seis meses, a uma votação suplementar.

Seu perfil político, todavia, é favorável. O novo líder do Partido do Congresso sempre teve estreitas ligações com a família Gandhi, à qual serviu em dois gabinetes --- como ministro de Relações Exteriores de Indira e como assessor de seu filho, Rajiv, após o brutal assassinato da ex-primeira-ministra em 1984 --- revelando-se um leal servidor.

Outro ponto a seu favor é o fato de virtualmente não contar com inimigos, o que lhe confere livre trânsito em parte considerável da oposição. Se sua saúde resistir, portanto, Narasimha Rao tem tudo para fazer um bom governo, mesmo tendo em vista a dramática deterioração da economia indiana e o conseqüente agravamento das tensões sociais. E, principalmente, tendo de andar numa instável corda-bamba, que é o fato de não contar com maioria parlamentar para a aprovação de seus projetos.

(Artigo publicado na página 12, Internacional, do Correio Popular, em 22 de junho de 1991).


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É preciso paixão e responsabilidade

Pedro J. Bondaczuk

Exercer o jornalismo com paixão implica em disponibilidade, entusiasmo, desprendimento pessoal e garra. É colocar o interesse público acima de qualquer coisa. É nunca esperar nenhum tipo de vantagem do exercício dessa perigosa profissão (dezenas de jornalistas são assassinados, anualmente, no mundo todo, a mando de poderosos que se julgam prejudicados pelo seu trabalho), nem financeiro e nem de prestígio pessoal. É fazer as coisas porque elas precisam ser feitas.  É estar disposto, se necessário, a sacrificar descanso, lazer, família, amizades, posição social  e, em alguns casos, até a vida (“remember” Tim Lopes), no exercício dessa sagrada missão. 

Não se interprete, portanto, o termo "paixão" no sentido negativo que os dicionaristas também  lhe atribuem. Ou seja, o do sectarismo exacerbado, que leve a pessoa a se aferrar, cegamente, a determinada ideologia ou crença, seja de que natureza for, e ficar tão obcecada, a ponto de perder o senso crítico e a noção básica e elementar do certo e do errado, ou que a faça distorcer, posto que inconscientemente, os fatos com os quais trabalha.

Parodiando o pensador Jaime Balmés, o jornalista apaixonado pelo que faz, e verdadeiramente vocacionado, é aquele que tem "cabeça de gelo, coração de fogo e braços de ferro". Possui frieza no julgamento, paixão na concepção das matérias e força e audácia na sua concretização. É dotado de um amor ardente, irrestrito e incontido pelo que faz. Tem o mais vivo entusiasmo pela profissão, sequer encarando-a como tal, mas como missão de vida, como realização pessoal, como sacerdócio.    

A ação – fundamentada na disciplina, no conhecimento de causa e na perseverança – é o maior, senão o único antídoto contra as crises que assolam pessoas ou povos. Só se caminha para frente quando há disposição e coragem e quando se persiste na persistência. É mais fácil, embora improdutivo, cruzar os braços diante das dificuldades e limitar-se a criticar ou a lamentar.

Difícil, posto que necessário, é acreditar, é construir, é manter, é curar, é ensinar, é alegrar, é conservar, é transmitir e é sobretudo agir. "Só é útil o conhecimento que nos faz melhores", teria dito Sócrates, de acordo com o testemunho de seu discípulo Platão. Esta é a filosofia que norteia o jornalista que acredita no que faz.

É trazer ao público o "outro lado" da realidade, que por incompreensível distorção de alguns meios de comunicação, é quase sempre relegado ao esquecimento ou a um plano secundário. Ou seja, o dos que constroem, que sustentam, que criam, que curam, que ensinam, que legislam, que garantem segurança, que ministram a justiça e que mantêm o mundo funcionando dentro da normalidade. Muitos editores garantem que notícias positivas não vendem jornais e revistas. Estão errados! São derrotistas! São sensacionalistas! Fazem antijornalismo! A realidade tem múltiplas faces. Enfatizar para o público apenas um desses lados, o negativo e escabroso, é também uma forma de alienação. É desonestidade profissional. É desinformação!

O jornalista honesto e apaixonado pela profissão, ao mesmo tempo em que retrata as distorções e aberrações do convívio social, focaliza a ação e a motivação, por exemplo, do médico, do gari, do professor, do caminhoneiro, do comerciante, do jardineiro, do pesquisador, do feirante, do ator, do operário, do engenheiro, do músico, do próprio jornalista, da enfermeira, do físico nuclear, do pedreiro, do político etc. Enfatiza a atuação daqueles profissionais (não importa o status de que gozem), cuja presença quase nunca é notada, tamanha a assiduidade da sua ação, mas sem os quais a vida se tornaria difícil, senão impossível. É isento, justo, correto, preciso e determinado. Exerce, sobretudo, "o jornalismo que crê".

Ellen Hume, diretora do Centro de Mídia e Sociedade da Universidade de Massachusetts, em Boston, escreveu, no artigo “Liberdade de Imprensa”: “Informação é poder. Para uma nação desfrutar das vantagens políticas e econômicas oferecidas pelo Estado de Direito, as instituições que detêm poder devem ser abertas ao escrutínio da população. Para que a tecnologia e a ciência avancem, as idéias devem ser compartilhadas abertamente”.

A mídia independente desempenha quatro papéis vitais em uma democracia. Primeiro, vigia os poderosos, fazendo com que prestem contas dos seus atos à população. Segundo, dá destaque às questões que pedem atenção e que, se não forem levantadas em público, tendem a cair no esquecimento e deixarem de ser resolvidas. Terceiro, informa os cidadãos, para que eles possam fazer escolhas políticas. E, finalmente, quanto, conecta as pessoas, ajudando a criar a “cola” social que une a sociedade civil.

O saudoso papa João Paulo II, em discurso que proferiu em 25 de setembro de 1980, na abertura do XII Congresso Mundial da União Católica de Imprensa, em Roma, observou: “Graças à imprensa, e cada vez mais, não são apenas as elites reduzidas, mas grupos cada vez mais extensos, na maior parte dos países, os que vêem aparecer novas formas de conhecimento da realidade, relações de um tipo novo entre os indivíduos e as sociedades, por meio deste instrumento que, de algum modo, prolonga o pensar e o sentimento de cada um”.

Já David Hoffman, fundador da Internews, agência internacional não-governamental que ajuda na capacitação e no desenvolvimento da mídia independente em 50 países, advertiu: “Liberdade de expressão e troca de informações não são apenas luxos, são a moeda da qual o comércio, a política e a cultura globais dependem cada vez mais”.

Prova de que ele está certo é a conclusão do Banco Mundial, no seu “Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 2002”, que analisou o que ocorria em 97 países e concluiu que os que tinham meios de comunicação privados e independentes apresentavam níveis de educação e saúde mais altos, menor índice de corrupção e economias transparentes.

Thomas Jefferson, principal redator da Declaração de Independência dos Estados Unidos, escreveu, em 1787: “Se me fosse dado decidir se deveríamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento sequer em preferir o último”. Por nutrir essa convicção, foi ele que insistiu que fossem incluídos na Constituição norte-americana os direitos da sociedade civil de reunião, liberdade de expressão e liberdade de imprensa. 

O que os jornalistas precisam é “surpreender” os leitores (ou ouvintes ou telespectadores). Mas com surpresas positivas, através de matérias bem levantadas, rigorosamente exatas, zelosamente checadas, sem que o repórter tome qualquer partido, mas se limite a exercer seu papel: o de “reportar”. Ou seja, o de ser uma espécie de “gravador humano”, que registre tudo o que vê e que ouve e reproduza tudo isso com absoluta fidelidade, “com todos os pingos nos is e todos os tils”.

Além disso, é indispensável que todas as partes envolvidas no acontecimento noticiado sejam sempre ouvidas. Só assim os fatos relatados se transformarão em documentos rigorosamente corretos, verídicos e imparciais. Nisso, os jornais e revistas poderão levar nítida vantagem sobre o rádio e a televisão, exatamente por disporem do tempo que os veículos eletrônicos não têm.  Outro ponto que poderão explorar é a opinião.

Mas não a de pseudogurus, que se colocam na condição de “sabe tudo”, de donos da verdade, quando na maioria das vezes sabem até menos do que o mais bronco dos leitores e não passam de intelectuais bitolados e dogmáticos. É necessário que os jornais se tornem cada vez mais interativos, abrindo espaços crescentes para a manifestação popular. E que acatem, com o devido respeito, estas opiniões, principalmente quando conflitarem com as da direção da empresa. A isso se chama de “democracia”. Afinal, o jornal dispõe de local próprio para marcar sua posição: os editoriais.

Desse debate sadio de idéias (que hoje, virtualmente, não existe em lugar algum), certamente, surgirão soluções efetivas e práticas para os mais graves problemas, sejam políticos, econômicos, sociais ou comportamentais.  O julgamento sobre quem está certo ou errado,  nos assuntos controversos, deve caber sempre, e unicamente, àqueles sem os quais  nenhum órgão de comunicação teria razão de existir: os leitores (ou ouvintes, ou telespectadores ou os que navegam na Internet).
    
O mesmo meio com o qual se pode despertar a consciência das pessoas, se mal empregado, tende a alienar os cidadãos, principalmente quando se trata da televisão. Esse veículo, pela sua instantaneidade, é virtualmente imbatível em termos de ser o primeiro a dar a notícia. Se mal utilizado, porém, tende a causar males enormes, quiçá irreversíveis.


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Wednesday, November 26, 2014

Mandam a prudência e a sabedoria que aproveitemos, ao máximo, o momento presente (que é certeza), sem deixar o gozo das coisas boas que a vida nos proporciona para um amanhã incerto e assustador. Amores, amizades, projetos, realizações e, principalmente, a felicidade são (e sempre devem ser) urgentes, prioritários e, sobretudo, inadiáveis. Fernando Pessoa foi à raiz desse comportamento, para explicar a razão de adiarmos sempre o que deve ser imediato, ao escrever, em um de seus ensaios: “O futuro é sempre belo, porque ele viaja na barquinha da esperança, cujas velas dilata aquela brisa inebriante, que é a fantasia”. Só que a realidade é implacável, dura, cruel, feita, apenas, de concretude. Sejamos, portanto, sábios e prudentes. Vivamos plenamente o aqui e o agora, sem adiar nossas satisfações e projetos para algum remoto e incerto amanhã, que sequer sabemos se de fato teremos. Pois a vida (pelo menos esta, material), não comporta reprises.         


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Presente de Natal

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Pior ainda está para vir



Pedro J. Bondaczuk


A entrevista exclusiva concedida, anteontem, pelo presidente iraquiano, Saddam Hussein, ao repórter Peter Arnett, da rede norte-americana de TV “Cable News Network” (CNN) e o pronunciamento feito por George Bush a líderes religiosos do seu país deixaram no público uma certeza: a guerra do Golfo Pérsico está muito longe sequer de um cessar-fogo.

Além de tudo, ficou implícito que todo o dano já causado pelo conflito ao meio ambiente e às populações civis é ínfimo diante do que ambos os lados pretendem fazer. Diante de tanta irresponsabilidade e estupidez, no entanto, a opinião pública mundial parece anestesiada.

O mundo assiste, atônito, um desastre ecológico medonho, como o ocorrido no Golfo Pérsico, e quase não faz nada para conter tamanha insensatez.

Na entrevista de ontem, Saddam deixou claro que pretende usar, no momento em que julgar oportuno, armas não convencionais, eufemismo para designar gases tóxicos, ogivas bacteriológicas contendo vírus de doenças absolutamente letais e bombas nucleares de campo de batalha.

É claro que os aliados não ficarão passivos e, contando com um poder de fogo muitíssimo superior, irão revidar com a máxima dureza. Nesta altura a cândida declaração de Bush de anteontem, perante os líderes religiosos dos Estados Unidos, de que não pretende destruir o Iraque, certamente deverá soar como outra anedota, das tantas e trágicas que já foram ditas desde 2 de agosto de 1990, quando os políticos e os diplomatas de ambos os lados e dos países que se propuseram a mediar na questão passaram a si próprios o maior dos atestados de incompetência.

Com certeza essa gente deve pensar que uma guerra é aquele desfile esterilizado de heroísmo que há nos filmes, próprios para abelhas de tão açucarados que são, onde tudo termina bem, o mocinho sobrevive, casa com a mocinha e se instaura um período de paz e felicidade gerais.

Ocorre que a realidade costuma ser mais fantástica do que a mais febril das fantasias. E em casos de confrontos armados, tende a descambar para o lado da tragédia, do macabro, do horror. Afirmar que em mais de 25 mil ações aéreas contra o Iraque a população civil sofreu poucos danos é duvidar da inteligência dos que ouvem tais declarações.

Dizer que a tecnologia da morte é competente para executar “operações cirúrgicas”, de caráter estritamente militar, é superestimar a capacidade de domínio dessa fera que é o homem. E os pilotos, salvo provas em contrário, são humanos.

Se a maioria esmagadora da humanidade , que saó deseja paz para poder equacionar seus problemas pessoais, não fizer alguma coisa para deter os piromaníacos com complexo de Napoleão, o Planeta jamais voltará a ser o mesmo lugar razoavelmente propício de se viver, se é que os efeitos da catástrofe ecológica ocorrida em apenas 13 dias de guerra no Golfo Pérsico já não tornou isso uma realidade irreversível.


(Artigo publicado na página 15, “A Guerra no Golfo”, do Correio Popular, em 30 de janeiro de 1991).

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Escritor “moderno” nascido há 450 anos

Pedro J. Bondaczuk

O meu corpo é um jardim, a minha vontade um jardineiro (...) A dúvida prudente é considerada o farol do sábio (...) A esperança, muitas vezes, é um cão de caça sem pistas (...) O mundo é uma história contada por um idiota, desprovida de senso e significado e cheia de barulho e fúria (...) Ao peso deste triste tempo devemos obedecer, falar o que sentimos, não que devemos dizer (...) “À medida que a imaginação dá corpo às formas das coisas desconhecidas, a pena do poeta empresta-lhe contornos, dando ao vazio e ao nada uma casa, um sentido e um nome (...) A arte dá vida ao que está morto”.

Estas são apenas algumas poucas opiniões, pinçadas a esmo, na obra de um escritor de suma modernidade e de evidente e incontestável talento, tanto no conteúdo do que escreveu, quanto na forma de expressar idéias, o que se comprova de imediato, sem nenhuma dificuldade, á simples primeira leitura, mesmo que apressada e sem saber de quem se trata. É possível, sem nenhum exagero, compor todo um livro apenas com citações esparsas, desse tipo, extraídas de seus textos, simultaneamente filosóficos e poéticos, realistas, mas sem perder cunho idealístico. Essa é façanha de gênio, convenhamos. Você já identificou o autor? Pense em todos os escritores modernos que conhece e, ainda assim, dificilmente acertará.

E se eu lhe disser que o autor dessas pérolas de sabedoria e sensibilidade, de tamanha atualidade e modernidade, nasceu há 450 anos (mais especificamente, em 23 de abril de 1564), você acreditaria? Não, amigo leitor, não estou brincando. Viveu mesmo em tempo tão remoto e muitos chegam a duvidar que existiu (pelo menos com o nome e a personalidade com que o conhecemos). Há quem especule que foi membro da realeza britânica (nasceu na Grã-Bretanha). Alguns chegam ao extremo de especular que se trata da própria rainha Elizabeth I. Se a sua identidade é controversa, o que dizer da sua biografia, cheia de furos e de polêmicas?

Há maldosos, desses que vêem malícia em todos e tudo, que procuram, apenas, o “lado obscuro” na vida dos gênios (qualquer escândalo ou deslize que desmereça sua grandeza), que insinuem que nosso personagem tenha sido bissexual. Bem, se o fosse, se houvesse o mínimo documento comprobatório, observe-se, não haveria nada de mais. Cada qual é dono de suas preferências, pelas quais devem responder. São questões que só cabe a eles e a mais ninguém. Mas muitos fazem essa maliciosa (e covarde) insinuação com base, somente, em alguns de seus sonetos e peças – o escritor em questão era, além de poeta, autor teatral e chegou a atuar nos palcos como ator – como se fosse possível chegar a uma conclusão como essa apenas por uma linha ou outra de algum de seus textos, tomado, evidentemente, fora do devido contexto.

Já deu para o leitor identificar o “gênio da modernidade” a que me refiro, apenas pelas escassas indicações que trouxe à baila? Confesso que, há anos, desde minha juventude, que já vai tão distante, eu planejava escrever a seu respeito, mas não encontrava “gancho” adequado para tal. Em 23 de abril de 2014, quando este apareceu, as circunstâncias me “atropelaram”. Outros temas desviaram-me a atenção e a data passou batida. Todavia, eu não poderia deixar o ano acabar sem abordar, posto que sem nenhuma conotação biográfica, mas meramente testemunhal, esse escritor que conseguiu permanecer moderno e atual por inacreditáveis 398 anos após sua morte (morreu em 23 de abril de 1616, no exato dia de seu 52º aniversário).

E daí? Já identificaram quem é este personagem, objeto obrigatório de estudo em praticamente todos os países de língua inglesa? E se eu lhe disser que se trata do autor de peças que há quatro séculos jamais perderam a atualidade, como “Hamlet”, “Rei Lear”, “Sonho de uma noite de verão”, “Medida por medida”, “O rapto de Lucrécia”, “Noite de reis”, “Marco Antonio e Cleópatra”, além de uma infinidade de poemas, na maioria sonetos, facilita? Creio que o leitor já matou a charada. E para arrematar, cito sua peça mais famosa, que até quem nunca leu um único livro na vida ou jamais assistiu a uma representação teatral, pelo menos ouviu dizer: “Romeu e Julieta”. Sim, amigos, esse gênio da modernidade, embora nascido há 450 anos, na cidadezinha inglesa de Stratford-upon-Avon, no condado de Warwickshire, filho de Johannes Shakespeare, é WILLIAM SHAKESPEARE.

E qual o segredo desse gênio para escrever com tamanha perícia, a ponto de sua obra permanecer rigorosamente moderna em quase meio milênio?  A professora de língua inglesa e literatura, da Universidade de Oxford, Laurie Maguire, tem tese plausível a respeito, que considero, até, bastante provável. Essa especialista na obra de Shakespeare escreveu, no livro “Onde há uma vontade, há um caminho”: “O autor do século XVI reflete sobre questões universais, que afligem a sociedade ainda hoje. Shakespeare é uma espécie de ‘guru’ para a geração contemporânea”.  E que guru! É paradigma digno de ser tomado como modelo por quem pretenda legar à posteridade obra sólida, profunda, útil e que nunca perca a atualidade.


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Tuesday, November 25, 2014

Muita gente é mais conhecida por apelidos – que recebe na escola, no trabalho, no clube ou seja onde for – do que da forma como foi registrada em cartório. Quando não são ofensivos, estes demonstram afeição e intimidade por parte dos que os impõem. Não raro, contudo, a intenção é mesmo a de constranger, quando não humilhar, o apelidado, tornando-o motivo de riso e zombaria dos basbaques. E quanto mais este se rebela, mais o apelido pega. Se, porém, uma pessoa é mais conhecida por um apelido, do que pelo nome, é porque, em geral, este é inadequado. Não condiz com a personalidade e o jeito de ser e de se comportar do nomeado. John Steibeck escreveu, a respeito, no romance “A Leste do Éden”: “Os nomes são um grande mistério. Jamais pude saber se o nome é moldado pela criança ou se a criança muda para se ajustar ao nome. Mas uma coisa se pode ter certeza: sempre que um ser humano tem um apelido, é prova de que o nome que lhe deram estava errado”.


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Presente de Natal

Dê às pessoas que ama e admira o melhor dos presentes neste Natal: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas o ano todo, mas por toda a vida.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: nenem138@gmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.

Com o que presentear:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internetWWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.
Em livrariaEm qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.

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A visita de Clinton


Pedro J. Bondaczuk


O País, depois de ter recebido o papa João Paulo II, no início do mês, no Rio, recepciona agora o presidente norte-americano Bill Clinton, o que lhe dá acesso novamente à mídia internacional, com notícias que pelo menos não são desabonadoras, ao contrário do que ocorre em condições normais.

Houve críticas, é verdade (algumas justas, outras fruto de mera "patriotada"), quanto às exigências feitas pelos organizadores desse giro pela América do Sul do governante mais poderoso do Planeta. Brasil e Estado Unidos, além disso, têm divergências comerciais de longa data, mas nada sério a ponto de comprometer a tradicional amizade que une os dois povos.

A principal controvérsia gira em torno da chamada "Área de Livre Comércio das Américas", a Alca. Clinton quer implantá-la ainda em seu mandato, enquanto Fernando Henrique Cardoso investe antes na consolidação do Mercado do Cone Sul (Mercosul), para que a indústria brasileira tenha tempo de desenvolver a competitividade necessária para enfrentar outras dotadas de alta tecnologia, para só então determinar a abertura total do nosso mercado.

No plano político, Brasil e Estados Unidos raramente estiveram tão "afinados". Melhoramos a nossa imagem no Exterior, no que diz respeito aos direitos humanos, embora seja preciso admitir que ainda há muito o que fazer nesse campo. Ademais, o País está firmemente determinado a cooperar com o gigante do norte no combate a esse flagelo da era moderna, que é o narcotráfico.

Não se pode, porém, como alguns pretendem, comparar as visitas do Papa e de Clinton, tanto nos seus objetivos, quanto na sua natureza. A primeira foi de caráter pastoral, religioso, espiritual, embora João Paulo II (com muita justiça e equilíbrio) tenha criticado nossos desajustes sociais. Afinal, eles contribuem diretamente para a desagregação da família, tema que o trouxe ao Rio e de que tratou com enorme tirocínio.

A viagem de Clinton, por sua vez, é de caráter eminentemente político. Tanto que não foi firmado qualquer acordo comercial entre os dois países. Mas serviu para que os norte-americanos vissem "in loco" a recuperação econômica brasileira, em um clima de absoluta liberdade e democracia. Apesar de alguns desacertos, estamos no caminho certo: o da prosperidade e da responsabilidade internacional. Foi o que o visitante pôde constatar.

O presidente norte-americano deixou claro, no discurso que proferiu na terça-feira, no Palácio do Planalto, que este aspecto, em vez de desagradar os Estados Unidos, é um ponto favorável à superpotência. E nem poderia ser diferente. Afinal, só um povo próspero tem condições de adquirir, em grande quantidade, os produtos fabricados por "Tio Sam". E o gigante do norte está, mais do que nunca, de olho nesse promissor mercado consumidor.

(Texto escrito em 13 de outubro de 1997 e publicado como editorial na Folha do Taquaral).


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