Friday, November 21, 2014

Intrinsecamente, somos, até por instinto, bons e virtuosos. O mal, por seu turno, precisa, a todo o momento, ser ressuscitado, quando não reinventado. Novos vícios, por exemplo, surgem de quando em quando, para substituir outros, caídos em desuso. Por exemplo, o tabagismo era desconhecido do Ocidente até o século XVI, embora atualmente faça tantas vítimas mundo afora com seus malefícios. Já a virtude é, rigorosamente, a mesma desde que o homem aprendeu a pensar e a se relacionar com o próximo. Nada de novo surgiu, nos últimos milênios, no que se refere à moral e aos bons-costumes. As pessoas conhecem-nos de sobejo e se não os praticam, não é por ignorância, mas por preguiça ou coisa que o valha. Será que o homem, algum dia, conseguirá extirpar o mal da sua mente e, por conseqüência, do mundo? Somente se (ou quando) conseguir sucesso nesse empreendimento, poderá se considerar regenerado e detentor da verdadeira sabedoria. Enquanto isso... não passará de fera com capacidade de raciocínio.     


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Presente de Natal

Dê às pessoas que ama e admira o melhor dos presentes neste Natal: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas o ano todo, mas por toda a vida.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: nenem138@gmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.

Com o que presentear:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.Preço: R$ 20,90.

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Pacto terá efeito apenas psicológico



Pedro J. Bondaczuk


As atuais negociações desarmamentistas entre as superpotências, que certamente deverão desembocar no primeiro acordo entre elas para a eliminação de um ou de vários tipos de armas nucleares, vão produzir resultados que na prática não terão grande significado. Não, pelo menos, no âmbito mundial.

O fim dos mísseis de médio e curto alcance no território europeu, quando muito, vai beneficiar os governos desse próprio continente, que ficarão livres de imensos movimentos pacifistas, com manifestantes cercando continuamente as bases onde esses armamentos estão estocados. Uma guerra total, caso venha a acontecer, não dependerá desses foguetes, chamados de “teatro”, por terem sua ação circunscrita a um eventual campo de batalha na Europa.

Ocorre que as superpotências dispõem, hoje, de uma ogiva nuclear para cada grupo de 50 mil habitantes. Portanto, cidades como Campinas, com uma população de 1,1 milhão, teriam ao seu dispor a “bagatela” de 22 bombas nucleares, centenas de vezes mais potentes do que aquela que arrasou Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945, nos estertores da Segunda Guerra Mundial.

Então o leitor perguntará:  “Por que tamanho barulho em torno dessas negociações se o resultado final será tão inexpressivo?”. Afinal, a eliminação dos mísseis de curto e médio alcance vai significar o fim de menos de 3 mil ogivas! Ou seja, um quase nada diante da enormidade das que estão guardadas nos arsenais das superpotências!

Esse eventual acordo, no entanto, embora em termos práticos represente algo em torno de 3% a menos de perigo e nada mais, será sumamente importante no caso de ser efetivado. Terá um caráter pioneiro. Será a primeira vez na história desses artefatos de morte que os silos serão esvaziados, ao invés de serem abarrotados com novas unidades.

O efeito psicológico pode ser fabuloso!  O acordo criará um clima de entendimento inédito no mundo nos últimos cinco séculos, marcados por profundas convulsões armadas, que nem é necessário que sejam mencionadas, por serem sobejamente sabidas por qualquer estudante com conhecimento mediano de História Universal.

Os dois gigantes da era moderna irão entender que é possível um consenso entre eles. Dessa pequena abertura, poderão surgir novos pactos, de maior profundidade e alcance e quem sabe o entendimento de que é possível a convivência pacífica mesmo entre desiguais.

É claro que nisso vai uma carga imensa de esperança e de utopia. Mas o frio desencanto também não deixa de ser utópico. Pior do que isso: omisso. As pressões sobre os líderes políticos deverão prosseguir e se possível aumentar, para forçar novos passos em direção a uma desnuclearização total.

Afinal, eles não são deuses do Olimpo. Não são, em absoluto, imortais. São frágeis, perecíveis e falhos, como qualquer um de nós. Por isso, não tem cabimento que lhes entreguemos, cegamente, o nosso destino, sem tentar fazer nada para evitar o pior.

Não lhes compete decidir, ao seu único alvitre, quem e até quando deve viver ou não. E a omissão, em última análise, significa isso. É o mesmo que se sentar nos trilhos de um trem expresso, numa curva, onde o maquinista não possa ver o incauto que estiver agindo assim, e depois querer justificar para si próprio que não se tratou de uma tentativa de suicídio, por não envolver nenhuma ação contra a própria integridade física. Por isso, por pequeno que seja, que venha esse benfazejo acordo entre as superpotências, antes que seja tarde demais.

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 23 de abril de 1987).


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Divagando sobre o amor

Pedro J. Bondaczuk

O amor, como tema literário, é o maior desafio para qualquer escritor que se preze, embora seja, disparado, o assunto sobre o qual mais já se escreveu, se escreve e provavelmente se escreverá enquanto houver seres humanos na face da Terra.. Não é fácil (muitíssimo pelo contrário) ser original ao se escrever algo sobre tema tão batido. O maior risco, do qual poucos escritores escapam (sobretudo poetas) é o de errar na dose e resvalar para a pieguice. Ainda assim... as abordagens piegas terão lá seus leitores (a menos que sejam ridículas em demasia) e mesmo seguidores. A imensa maioria dos textos produzidos versando, de uma forma ou de outra, sobre esse sentimento tão simples e simultaneamente tão complexo (que tremendo paradoxo!), não passa de mera variação em torno dele. E, ainda assim... Mudam-se palavras, variam-se metáforas, alteram-se situações, criam-se novos personagens, trocam-se estilos, todavia, no fundo, no fundo, são ditas, escritas (e lidas) sempre e sempre as mesmissimas coisas a propósito.

São raros os livros – talvez apenas os técnicos e os didáticos, se tanto – e não importa de que gênero, que não tratem de amor. A literatura de ficção tem nesse tema seu foco preferencial. Mesmo em enredos de aventura, que esbanjem violência e vilania, os autores dão um jeito, não raro até inconscientemente, de encaixar esse assunto. E tanto faz que seja de amores bem-sucedidos ou dos frustrados, que deixam na alma o amargo travo da rejeição ou, pior, da traição. Em poesia, então, nem é preciso destacar. O gênero praticamente existe em função do amor.

Crônicas a propósito, então, existem aos milhões. Eu mesmo já escrevi infinidade delas, por volta de um milhar (mesmo que nunca tenha contado quantas), embora admitindo que em nenhuma fui minimamente original (é possível isso?) ou mesmo que com elas tenha logrado fazer sequer arremedo de boa literatura. Bem, julgamentos a esse propósito não me cabem, porquanto jamais seria imparcial. Ou carregaria nas tintas das críticas, no afã de alcançar  impossível perfeição, ou me deixaria levar por tola pirotecnia verbal, que a vaidade impediria de detectar ou mesmo de admitir. Em suma, não farei nenhuma autocrítica. Não, pelo menos, aqui e agora. Deixo a tarefa para meus incógnitos leitores. 

Li, nos últimos três dias, várias crônicas tendo por tema o amor. Fiz esse (delicioso) exercício até como uma espécie de antídoto, para neutralizar e depurar o veneno do pessimismo que, à minha revelia, se apossou do meu espírito ao tratar de temas penosos, como o do aquecimento global, que me deixaram mais do que preocupado: desesperado. A realidade, nua e crua, no entanto (posto que, neste e em tantos outros casos necessária), nos desanima, preocupa, aflige e até mesmo causa alarme. E a vida (felizmente) não é constituída somente de insanidade, violência, cobiça, maldade etc.etc. etc., enfim de tudo o que torna o mundo muito pior do que poderia e deveria ser. Há, nela, espaço para a alegria, o riso, o bom-humor e até para um tantinho (quem sabe um tantão) de felicidade.

Das várias crônicas que li, separei trechos de duas, ambas, escritas por poetas, que partilho, gostosamente, com vocês. A primeira é de Mário Quintana e intitula-se “Felicidade realista”. Nela, o sublime escritor dos Pampas observa, em determinado parágrafo:

“E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito”. E Quintana não está certo? Pelo menos eu quero, sempre e sempre, contar com um amor assim...

A outra crônica que me chamou, em particular, a atenção, foi escrita pelo também poeta Affonso Romano de San’Anna”. Seu título é “Aprendendo a amar” e dela separei dois trechos, em particular, para partilhar com vocês. No primeiro, o autor escreve: 

“Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando o que deixou de ter”. Que tal agir dessa maneira?
           
O segundo trecho da crônica “Aprendendo a amar”, de Affonso Romano de Sant’Anna, porém, fornece-me o “gancho” ideal para encerrar estas descompromissadas e super-espontâneas reflexões. Nele, o autor escreve: “Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos): não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora”. É isso! Nós, escritores, temos a incorrigível mania de teorizar sobre tudo e sobre todos. Até sobre o que não comporta teorias. Se tivermos vontade de escrever sobre o amor, escrevamos, se é o que nos satisfaz. Mas não nos limitemos a escrever. Afinal, esse sentimento existe não para ser teorizado, virado no avesso e dissecado, como o cadáver de algum animal raro que desejemos empalhar e guardar como troféu, como se fôssemos frios taxidermistas. Está aí, solto, no ar, ao nosso alcance (suponho) para ser sentido, e em toda a sua glória, posto que com todos os riscos que o ato de amar implica, mas que valem a pena correr. E como valem, concordam?


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Thursday, November 20, 2014

A ciência humana vem tentando explicar como surgiu a vida, sem levar em conta a interferência divina. Pesquisou, descobriu e explicou, por exemplo, quantas, quais e como funcionam todas as células do corpo humano. Não conseguiu, porém, desvendar o mistério maior (e creio que jamais conseguirá). Ou seja, o que se refere a como essa essência imaterial (que os filósofos gregos denominavam de alma) é transmitida durante a reprodução celular? No que ela consiste? Enfim, o que faz as células viverem e, por conseqüência, o homem e os demais seres viventes, tanto animais, quanto vegetais? Esse é, somente, um exemplo das tantas questões que nos desafiam e haverão de desafiar até o fim dos tempos. A ciência humana, portanto, é ridícula diante da onipotência e onisciência divinas. Pobre e arrogante homem! Fernando Pessoa constatou, a propósito: “Todas as frases do livro da vida, se lidas até ao fim, terminam numa interrogação”. E não terminam?  


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Presente de Natal

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Desprezo é como bumerangue


Pedro J. Bondaczuk


Os aposentados, depois de toda uma vida de trabalho e sacrifícios, dando sua inestimável contribuição para o desenvolvimento do País, até hoje, estranhamente, são prejudicados, ao invés de premiados pelo seu esforço e perseverança, assim que se afastam do trabalho.

O tratamento que lhes tem sido dispensado é não somente injusto, como, sobretudo, desumano. A edição, nesta semana, pelo presidente Collor de Mello, de medida provisória alterando o sistema de aposentadoria, pensões e contribuições da Previdência Social, corrige, em parte, essa distorção. Mas ainda está muito distante do ideal.

Aliás, não somente em relação aos aposentados, mas aos idosos em geral, o tratamento que lhes é dispensado pelo homem contemporâneo é estranho e insensato. Comportamentos cristalizam-se através dos tempos e se tornam até mecânicos, automáticos, inconscientes.

O pouco-caso com que as pessoas mais velhas são tratadas pelas mais jovens é, sobretudo, uma armadilha para quem age assim. A juventude eterna não passa de um sonho, de um mito, de um ideal, de uma aspiração. Evidentemente, não existe.

O mesmo tratamento que o cidadão de menor idade dispensar hoje aos anciões voltará para ele próprio, como um bumerangue, quando envelhecer. Afinal, embora óbvio (mas ninguém procura se conscientizar disso, por se tratar de uma idéia assustadora), o envelhecimento é uma fatalidade biológica. Ninguém consegue fugir dele.

As pessoas idosas perdem, evidentemente, com o tempo, o vigor físico. Mas a natureza, em sua sabedoria, confere-lhes algo muito mais precioso, que apenas os anos podem dar: a experiência. Portanto, julgar que alguém, somente pelo fato de ter mais de 65 anos, se tornou inútil; tratar esse ser humano como se ele fosse um estorvo; agir com impaciência em relação a ele é, não somente um ato de desumanidade, mas, sobretudo, de burrice.

É jogar fora um potencial produtivo imenso e que na atual sociedade consumista do “prêt-à-porter”, onde nada ganha durabilidade e permanência, é uma atitude comum. A escritora Margareth Mead escreveu a esse respeito: “Os que negligenciam os velhos, os segregam, são aqueles que morrem de medo de envelhecer – e que viverão dominados pelo pavor da idade e do amadurecimento...Mas será preciso perguntar: se os velhos se repetem, não será por que ninguém os ouve? Se os velhos ficam diante da televisão (a maneira mais rápida e mais tétrica de envelhecer), não será por que ninguém fala com eles?” O importante é que, a menos que tenhamos velhos com que possamos nos identificar positivamente, vamos passar a vida com medo da idade.   


(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 22 de setembro de 1990)

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Beira da catástrofe

Pedro J. Bondaczuk

A depredação e poluição do Planeta, que atingiu o seu auge, ou está prestes a atingi-lo nesta geração, não começou com ela. É um processo que vem de longuíssima data, desde o princípio do que entendemos por “civilização”. É certo que passou a se acelerar em meados do século XVIII, com a tal da Revolução Industrial e, a partir de então, jamais deu  trégua. Nunca se desacelerou, pelo contrário, teve aceleração em progressão geométrica, de década para década e, recentemente, de mês paras mês e quiçá já de dia para dia.

Era lógico que isso acontecesse, até por causa da multiplicação da população mundial. Esta levou dezenas de milênios para atingir o primeiro bilhão. Todavia, para chegar ao sétimo... bastaram cinqüenta anos ou menos, apesar das guerras, sobretudo das duas mundiais, que redundaram, somadas, em pelo menos 50 milhões de mortes. Mais pessoas, claro, resultam em mais consumo, em mais utilização de matérias-primas não renováveis (petróleo, carvão etc.etc.etc.) e... mais poluição. Não é preciso ser nenhum especialista para chegar a essa óbvia conclusão. É puríssima questão de lógica, daquela tão evidente que pode ser classificada, sem exagero, de “acaciana”.

O sociólogo e ambientalista norte-americano Alan Durning informou, em ensaio que publicou, se não me falha a memória nos primeiros meses de 2000: “No início dos anos 90, os americanos médios consumiam, direta ou indiretamente, 52 quilos de materiais básicos por dia: 18 quilos de petróleo e carvão, 13 de outros minerais, 12 de produtos agrícolas e 9 de produtos florestais. O consumo diário nesses níveis traduz-se em impactos globais que se equiparam às forças da natureza. Em 1990, as minas que exploram a crosta terrestre para suprir a classe consumista moveram mais terra e rocha do que todos os rios do mundo juntos. A indústria química produziu milhões de toneladas de substâncias sintéticas, mais de 70 mil variedades, muitas das quais mostraram-se impossíveis de serem isoladas do ambiente natural. Os cientistas que estudam a neve da Antártida, os peixes de mares profundos e as águas subterrâneas encontraram resíduos químicos feitos pelo homem”.

Essas cifras, hoje, sem a menor sombra de dúvida, são muito maiores. Para atualizá-las, devemos acrescentar, sem exagero, 50% de aumento. E isso se quisermos ser conservadores. Não é de se estranhar, pois, que o aquecimento global esteja se acelerando e, talvez, já seja irreversível. Para o bem da humanidade, e não apenas para nós e nossa geração, mas para nossa descendência, tomara que ainda haja alguma possibilidade de reversão. Mas, se houver e para que ocorra, nosso padrão de consumo, de desperdício e de depredação do meio ambiente tem que mudar já e radicalmente. Nada, no entanto, indica que isso vá acontecer. A conseqüência, lógica, nem precisa ser explicitada: é a pior possível. E vai além, muito além da mais delirante e catastrofista imaginação.

O editor-chefe da revista “Skeptik”, Michael Shermer, em entrevista publicada no suplemento “Mais!” do jornal “Folha de S. Paulo” em 14 de setembro de 2001, alertou:. “Se queremos entender e salvar nosso ambiente, precisamos entender que todos os humanos destroem seu ambiente. As evidências hoje mais contundentes são de que todas as megaextinções que aconteceram nos últimos 50 mil anos foram causadas ou disparadas por humanos. Na invasão da América do Norte pelos nativos americanos, havia pelo menos uma dúzia de grupos de mamíferos que foram caçados até a extinção. Você pode detectar isso na Papua-Nova Guiné, na Nova Zelândia e na Austrália também. O perigo é pensar que alguns grupos vivem em harmonia e que talvez, se adotássemos seu estilo de vida, estaríamos melhor. Todos os humanos são egoístas e inconseqüentes. Precisamos estar atentos e cautelosos sobre as conseqüências de nossas ações”. Mas não estamos.

Esse alerta foi feito há treze anos, quando os efeitos do aquecimento global já se manifestavam, posto que com muito menor intensidade e velocidade. De lá para cá, o que foi feito para racionalizar o consumo, deter o desperdício e, sobretudo, conter as agressões e depredações à natureza? Nada! Rigorosamente nada! Perdeu-se, praticamente, uma década e meia que, mesmo que aproveitada, esse aproveitamento já seria tardio. E a omissão não pode e não deve ser atribuída à falta de advertências pelos que entendem do assunto e que cansaram de tentar alertar as autoridades mundiais para o que estava acontecendo. Em vão!

Querem um exemplo? No início da década de 50 do século XX, o eminente físico russo Lew Kowarski, um dos sábios cujos trabalhos com Joliot-Curie abriram caminho para a “era nuclear” e que faleceu em 1979, alertou, em um artigo em uma determinada revista científica: “Não quero ser profeta. Mas uma coisa é certa: no ritmo atual, as reservas de combustíveis naturais, carvão, petróleo, gás, se esgotarão rapidamente, tal a industrialização dos países subdesenvolvidos, a necessidade cada vez maior dos países industrializados e o crescimento da população mundial. Alfred Sauvy diz que no ano 2000 a Terra terá seis bilhões de habitantes. E tudo isso é consumo”.

E olhem que seu enfoque concentrou-se nas reservas de combustíveis fósseis, sem os quais o mundo atual tende a parar. Mas não deixou de mencionar a questão da poluição e suas catastróficas conseqüências ditadas pelo aquecimento global causado pela excessiva emissão de gases, notadamente do dióxido de carbono. Afirmou, a respeito: “Até mesmo as medidas ecológicas preventivas consomem energia. A limitação das emissões nocivas de gás  nos carros americanos teve como resultado o aumento do consumo de gasolina. Sem falar da poluição. Los Angeles é uma cidade morta, do ponto de vista atmosférico. Quando ali se instalou a indústria cinematográfica, o céu era sempre claro, ótimo para fotografia. Hoje é o reino do smog. E o mesmo está sucedendo com as outras cidades americanas. Caso se pretenda cobrir todas as necessidades futuras de energia com os combustíveis naturais, a poluição se tornará insuportável. Já há certa inquietação com a possível diminuição do teor de oxigênio da atmosfera”.

Essas advertências foram feitas há praticamente sete décadas, espaço de uma geração inteira. Quem lhe deu ouvidos? Ninguém! O “lobby” das petrolíferas impediu o desenvolvimento de pesquisas no sentido de se estabelecer nova matriz energética, pelo menos não tão poluente ou, quem sabe, nem um pouco poluente. Nesses setenta anos, a atmosfera terrestre não parou, um único dia, um reles minuto, de ser agredida por toneladas e toneladas de gases nocivos, ameaçadores à vida, e não somente a humana. A natureza, que agora reage de forma ameaçadora, foi, convenhamos, sumamente benigna com o homem, dando-lhe oportunidades imensas de cair em  si e parar de agredi-la e de emporcalhá-la. Em vão! Como ser minimamente otimista face esta realidade sombria, literalmente à beira da catástrofe?    


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Wednesday, November 19, 2014

Caso não haja outro tipo de vida, além-túmulo, somos, então, sentenciados com a mais cruel e dura das sentenças. Viemos para um universo estranhíssimo, cercados de perigos por todos os lados, submetidos a obrigações de toda a sorte, com raros e fugazes momentos de prazer. Podemos ter alguma doença incurável, em meio a atrozes sofrimentos Podemos ser decapitados por algum fanático, ou mortos por alguma fera selvagem que fuja de um circo, ou assassinados por algum maluco, ladrão ou policial que nos confunda com algum bandido, ou atropelados por algum automóvel etc. E mesmo que escapemos dessas tragédias, e levemos vidas razoavelmente alegres e felizes, podemos ser surpreendidos, a qualquer momento, pela paranóia de algum imbecil submisso, que atenda a uma ordem suicida, de algum idiota detentor do poder, e lance algum dos milhares de artefatos nucleares que há por aí sobre nossa cidade e nos destrua. Trágico, não é mesmo? Prefiro crer noutra vida melhor. E você?

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Presente de Natal

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SOS zona central


Pedro J. Bondaczuk


As cidades são como as pessoas que nelas vivem. Têm personalidade, caprichos, peculiaridades, mas também envelhecem, e ficam decadentes, caso não sejam cuidadas. Em especial, em suas áreas centrais isso acontece com mais freqüência. Esse fenômeno ocorreu, por exemplo, com São Paulo, onde o centro antigo se transformou numa espécie de gueto, de favela vertical, perdendo a nobreza e a importância que ostentou em seus tempos áureos.

O mesmo se verifica com outras metrópoles mundiais, como Nova York, Paris, Londres, Amsterdam etc. Campinas está ameaçada de passar por idêntico processo, o que seria uma pena. Afinal, não há porque não considerar todos os espaços de uma cidade como sendo importantes, nobres, dignos de total atenção.

Com o objetivo de encontrar formas e caminhos para a revitalização da área central campineira, o Centro Cultural Victória está promovendo um ciclo de debates, com extensa e variada pauta, em quatro segundas-feiras, sendo que os primeiros foram realizados nos dias 17 e 24 passados, com a conclusão prevista para 7 de junho. Participam das discussões profissionais de relevo da cidade, como engenheiros, arquitetos, professores e lojistas, além de vários secretários municipais.

São os casos, por exemplo, de Luiz Roberto Liza Curi, da Secretaria de Cultura, que no dia 17 enfocou o tema “Papel do Condepacc na Revitalização do Centro”. Ou de Ulisses Cidade Semeghini, titular da pasta de Planejamento, que abordou, nesta segunda-feira, o papel de sua secretaria no processo revitalizador da zona central. O mesmo ocorreu com Eduardo José Pereira Coelho, de Obras e Serviços Públicos, e Eduardo Homem de Melo, cada qual apresentando a sua contribuição.

Como se observa, trata-se de um esforço concentrado, envolvendo o Pode Público e iniciativa privada, para não apenas impedir uma possível decadência do Centro, como ainda revitalizar a área. Poucas regiões da cidade são tão completas e agradáveis quanto essa. E não nos referimos apenas ao aspecto comércio, mas também aos seus centros culturais, suas praças e seus locais de lazer.

Tem sido dada, nos últimos tempos, grande ênfase à questão da violência na área central. É um problema real, concreto, que não se pode ignorar. Todavia, a partir do momento em que a população voltar a fazer da região um ponto de encontro comunitário, como ocorria há pouquíssimo tempo, certamente as autoridades serão sensíveis às cobranças de segurança dos cidadãos.

O principal objetivo do ciclo é o de conscientizar o campineiro para a necessidade de não deixar que esse importante patrimônio histórico e cultural venha a se degradar, como tem ocorrido em outras grandes metrópoles. As condições ambientais do Centro somente serão melhoradas se todos trabalharem em conjunto, num esforço concentrado.

A tentativa, principalmente, é a de preservar a arquitetura da zona central, que sempre foi um cartão de visita de Campinas. Entre outras coisas que estão sendo debatidas, nesse ciclo, destaca-se a preocupação com a poluição visual. Para que a vista da cidade não se descaracterize ainda mais do que já ocorreu nos últimos anos, estão sendo reprogramadas, inclusive, as colocações de placas comercias nas fachadas dos edifícios.

Incluimo-nos entre aqueles que defendem a necessidade da preservação da personalidade dessa zona que, a despeito de alguns descuidos ao longo dos tempos, é o coração e a alma de uma das mais belas e aconchegantes metrópoles brasileiras. É tarefa de todos os que amam Campinas revitalizar a sua área central.      

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 26 de maio de 1993)


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Muito além das evidências

Pedro J. Bondaczuk

O aquecimento global constitui uma crescente ameaça à saúde, às perspectivas econômicas e aos recursos hídricos e alimentares de bilhões de pessoas”. Esta foi a conclusão, em tom de alerta, e até de alarma, de um relatório, divulgado em março de 2014, pelo “Painel Intergovernamental para a Mudança Climática”. O documento, bastante detalhado, foi emitido ao término de reunião do órgão das Nações Unidas, que congrega os maiores especialistas mundiais em clima, realizada em Yokohama, no Japão. Em vários pronunciamentos e entrevistas, durante e após o encontro, os cientistas não conseguiram esconder sua estupefação não apenas com a velocidade do aquecimento do Planeta, mas, sobretudo, com o fato de praticamente ninguém se preocupar com ele (muitos até o negam enfaticamente, como se tudo não passasse de mera peça de ficção. Obvio que não é).

O relatório enfatiza, entre tantos e tantos aspectos, que os efeitos desse perigosíssimo desequilíbrio, potencialmente letal, já “estão sendo sentidos em todo lugar, contribuindo para possíveis crises de escassez alimentar, desastres naturais e guerras”. E já estão mesmo. Ou vocês acham que a inusitada atual seca na região Sudeste do Brasil não se deve a esta causa? Se acham, perdoem-me a franqueza: vocês são o suprassumo da alienação. No Estado de São Paulo, por exemplo, onde a escassez de chuvas já é a maior pelo menos dos últimos 84 anos, a situação pode ficar ainda pior caso não chova já a partir de fins de setembro. Milhões de habitantes da terceira metrópole mais populosa do mundo correm o risco de ficarem privados do abastecimento de água, pois o imenso reservatório que a abastece do indispensável líquido, o da Cantareira, virtualmente secou. E agora? Boa pergunta.

Há provas mais do que suficientes para demonstrar que o aquecimento global não só é real, como, para piorar, vem se acelerando já não mais de ano para ano, mas de mês para mês e, quiçá, de dia para dia. Não se trata de alarmismo e nem de um psicótico surto de catastrofismo da minha parte. Quem me conhece, sabe que sou otimista e que penso e espero sempre o melhor. Mas... neste caso... Trata-se de atentar para a realidade nua e crua, para fatos e não mais para meras evidências, que não devem e não podem ser ignorados e que requerem providências urgentes, urgentíssimas e inadiáveis para deter o processo, caso isso ainda seja possível.

Geleiras extensíssimas e multimilenares, notadamente na região do Ártico, incluindo o Pólo Norte – mas também no pólo oposto, ou seja, na área da Antártida – estão derretendo a uma alucinante velocidade e virtualmente desaparecendo. Milhões de quilômetros quadrados de permafrost estão deixando de ser “permanentes”, possibilitando que bilhões de metros cúbicos de metano e de gás carbônico, retidos no subsolo por dezenas de milênios, vazem para a atmosfera, realimentando e acelerando o processo de aquecimento. E não é mais sequer possível alegar ignorância a propósito. Afinal, nesta era de comunicação instantânea e total, caracterizada, sobretudo, pelo culto às imagens, há vídeos e mais vídeos a propósito, disponíveis na internet, de facílimo acesso a qualquer pessoa, bastando um simples clic no mouse do computador.

Para ressaltar, por exemplo, a ameaça do fim do permafrost, a professora Katey Walter Anthony, da Universidade do Alasca em Fairbanks, divulgou, mundialmente, uma fotografia tirada no campus da referida instituição superior, ilustrando uma experiência que fez. A imagem mostra-a ateando fogo numa fresta de vazamento de metano em uma lagoa congelada que ali existe. As chamas se elevam até um ponto bem acima de sua cabeça. Katey enfatizou, tão logo concluiu a experiência: “Lugares com vazamentos como esse estão em toda parte. Estamos atingindo carbono antigo, que ficou armazenado no solo por 30 mil ou 40 mil anos”. Trágico, não é verdade? E há, ainda, quem negue que esteja em andamento um acelerado processo de aquecimento global!!! Não entendo como! O que mais é preciso para que as pessoas se convençam e se compenetrem que ele é real e talvez já irreversível?!!!

Mantendo-se o atual ritmo de emissões, entretanto, interromper o processo de retroalimentação já será bastante difícil. Todavia, se não for interrompido, e imediatamente, será, simplesmente, impossível. É questão de lógica. A alternativa mais viável para amenizar a ameaça do permafrost, de acordo com o professor Edward Schuur, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, “é controlar as emissões originárias de combustíveis fósseis e reduzir o desmatamento” – duas atitudes que a humanidade ainda reluta muito em tomar, não é verdade?


Encerro estas sombrias reflexões de hoje (pois o tema assim o impõe), com a lúcida, mas igualmente inquietadora constatação da escritora sul-africana Nadine Gordimer, ganhadora de um Prêmio Nobel de Literatura. Ela escreveu, em certo trecho, do instigante ensaio “A face humana da globalização”, incluído no livro “Cartas para as futuras gerações”, lançado pela Unesco: “O consumo descontrolado no mundo desenvolvido erodiu os recursos renováveis, a exemplo dos combustíveis fósseis, florestas e áreas de pesca, poluiu o ambiente local e global e se curvou à promoção da necessidade de exibir conspicuamente o que se tem, em lugar de atender às necessidades legítimas da vida. Enquanto aqueles de nós que fizeram parte dessas imensas gerações de consumidores precisam consumir menos, para mais de um bilhão de pessoas consumir mais é uma questão de vida ou morte e um direito básico – o direito de libertar-se da carência”. Pensem nisso!

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Tuesday, November 18, 2014

A dúvida não é, como muitos (erroneamente) pensam, o oposto de fé. Duvidar não é, necessariamente, descrer liminarmente. Posso acreditar em alguma coisa e, ainda assim, encontrar vários pontos obscuros, duvidosos, que requeiram pleno esclarecimento. A dúvida é, sobretudo, uma necessidade que as pessoas têm (ou deveriam ter) de ser convencidas de que determinadas idéias e conceitos são verdadeiros, mesmo que não comprováveis. Há coisas que não se podem demonstrar e que, ainda assim, estamos convictos de serem corretas, apenas por intuição. Trata-se, sobretudo, da atitude que se requer do cientista e do filósofo (e do artista, por que não?). Blaisé Pascal propõe, como premissa do seu método para chegar ao conhecimento e à verdade, a negação apriorística de tudo, até da própria existência. Feito isso, reflete e chega à conclusão original, que lhe serve de ponto de partida para todas as demais: “Cogito, ergo sum”. Ou seja, “penso, logo existo”. Este é o caminho para a sabedoria e não a crença cega e sem fundamento, confundida, não raro, com a fé.


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Presente de Natal

Dê às pessoas que ama e admira o melhor dos presentes neste Natal: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas o ano todo, mas por toda a vida.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: nenem138@gmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.

Com o que presentear:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internetWWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.
Em livrariaEm qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.

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Adversários inconciliáveis



Pedro J. Bondaczuk


A China reiterou, ontem, através de seu primeiro-ministro, Zhao Ziyang, uma decisão que assumiu desde meados de 1969, quando por causa de conflitos de fronteira, rompeu seus laços com a União Soviética, com quem estava alinhada desde 1949, após a instalação do regime marxista no país.

Os chineses asseguraram, de novo, a neutralidade no conflito que opõe o Leste e o Oeste mundiais. Na ocasião em que ocorreu o reatamento das relações de Pequim com os EUA, em 1972, muitos analistas, um tanto afoitamente, previram a possibilidade de uma aliança sino-americana para fazer face a Moscou.

Mas em momento algum os chineses alimentaram essas especulações, embora o relacionamento atual seja mais amplo, quase cordial,  com Washington do que com o Cremlin. Entretanto, há um muro, muito maior do que as lendárias muralhas da China, separando esse povo, enigmático e surpreendente, do Ocidente.

São questões que vão desde a diversidade de ideologias, até aos objetivos nacionais, obviamente incompatíveis com a postura de “policiais do mundo” assumida pela superpotência ocidental. Com os russos, as diferenças são ainda maiores.

Apesar de uma certa identidade ideológica, que a cada dia fica mais diferente, há séculos de rapinagem e expansionismo do poderoso vizinho do Norte separando os dois países, ambos garantindo professar os ideais de Karl Marx. São questões até mesmo inconciliáveis, que servem como barreiras impermeáveis a um contato mais estreito entre essas populosas e tão heterogêneas sociedades nacionais.

Essa neutralidade da China no conflito que opõe as superpotências garante, no mínimo, que quase um quarto da humanidade, representado pelos mais de 1 bilhão de chineses, repudia o profundo antagonismo existente entre dois pólos ideológicos opostos, que praticamente fazem com que soviéticos e norte-americanos, povos tão semelhantes nas características básicas dos seres humanos, sejam, um para o outro, tão heterogêneos, como se fossem animais de espécies diferentes.

Ambas as sociedades, certamente, perseguem objetivos idênticos. Procuram um nível melhor de vida para os que as integram. Mas os caminhos dessa busca são tão diferentes como água e fogo. Num caso desses, é prudente que haja sempre uma “parede” separando elementos tão conflitantes. E é isso que a China, com a sabedoria típica dos orientais, se apressa em se tornar.

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 20 de novembro de 1984).


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