Monday, August 03, 2015

O amor – essa ardente chama, espontânea e mística identidade de ideais, objetivos e sentimentos, recíproca partilha de corações, corpos e mentes – é muito mais do que mero artifício da natureza para assegurar a perpetuação da espécie. Já ouvi muita gente sisuda afirmar, com arrogância e empáfia, essa bobagem, com ares de superioridade, gestos sapienciais, de nariz empinado, como se fossem donos da verdade. Certamente, nunca amaram, embora julguem que sim. A bem da verdade, até certo ponto, os que afirmam isso estão certos, ou quase certos. Mas o amor não é “apenas” isso, embora “também” o seja. Se fosse só isso, todos os irracionais, e até mesmo vegetais, teriam a faculdade de amar. Não têm.  É até redundante afirmar, mas mesmo assim incorro na redundância e afirmo que o amor é a maior dádiva já concedida ao ser humano, abaixo, apenas, do privilégio da vida, da qual, aliás, é veículo, mas que lhe confere, de quebra, encantamento, finalidade e beleza e a justifica. Aplaca a solidão e dá transcendência e grandeza a este animal que pensa e que ri. Aproxima-o da divindade.


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Presente do Dia dos Pais

Dê ao seu amigão o melhor dos presentes neste Dia dos Pais: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas nessa data. Mas em todos ops dias do ano, por anos e anos a fio.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.

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Qualquer resultado será lucro


Pedro J. Bondaczuk


As esperanças do mundo todo estarão, a partir de segunda-feira, voltadas para Washington, onde os dois homens mais poderosos do Planeta vão estar discutindo o destino da humanidade ao redor de uma mesa.

O desejo geral, como se poderia esperar, é o de que esses dois senhores, cercados pelos respectivos séquitos de assessores, venham a concordar em praticamente tudo o que tiverem agendado para o encontro, em especial no que se refere à destruição, cada vez mais ampla e abrangente, dos superdimensionados arsenais nucleares que seus respectivos países possuem.

Afinal, pela primeira vez na história, o homem tem condições de destruir este frágil planeta do Sistema Solar, que ele não construiu, mas que insensatamente tende a arrasar. Pode acabar com uma maravilhosa estrutura, que forças extraordinárias, além da sua capacidade de entendimento, forjaram ao longo de um período desconhecido, mas certamente bastante extenso de tempo.

Todavia, entre a projeção dos desejos gerais (ou pelo menos de expressiva maioria) e a realidade, vai uma distância imensa. A própria hegemonia que as duas superpotências detêm, na atualidade, as torna antagônicas. Esse fenômeno, aliás, nem é novo.

No correr da história das civilizações, isso se verificou sempre que existiram duas sociedades evoluídas e fortes, que invariavelmente acabaram se confrontando pela preponderância de uma sobre a outra. Isto ocorreu, por exemplo, entre Egito e Mesopotâmia. Repetiu-se entre a Babilônia e a Medo-Pérsia. Tornou a acontecer entra esta e a Grécia. E, sucessivamente, um após outro, os impérios hegemônicos foram surgindo e desaparecendo.

Afinal, todos eles eram obras de seres mortais e efêmeros e, como seus construtores, nasceram, se desenvolveram e morreram. Foram passageiros, como tudo o que diz respeito ao homem, de quem apenas as idéias têm a possibilidade de sobreviver.

Mesmo que a União Soviética e os Estados Unidos não liderassem ideologias tão antagônicas, como são o comunismo e o capitalismo, por qualquer outro motivo, fatalmente, seria adversários. É a própria grandeza desses países que lhes traça esse destino.
Isso não quer dizer que, necessariamente, as duas superpotências devam ir à guerra. A simples existência das armas nucleares, que impede que haja algum vencedor, caso se confrontem militarmente, é um freio poderoso a esse confronto.

É possível que em muitos temas, sobre os quais hoje divergem, ambos acabem por se entender. Mas sempre haverá desconfiança entre as duas. A mesma, ainda que mal comparando, que existe, por exemplo, entre dois touros de idêntica força na disputa por uma novilha. Um dos dois terá que ceder, para que ambos não morram. Mas qual cederá?

Por isso, qualquer resultado que surgir da reunião de cúpula de segunda-feira, por mínimo que seja, será um êxito. E mesmo que não se obtenha nenhum entendimento, o simples fato do encontro se realizar já é uma vitória, que deve ser festejada pelos amantes da paz.

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 4 de dezembro de 1987).


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Epidemias como temas de romances

Pedro J. Bondaczuk

A maior ameaça à vida humana – das tantas e tantas que podem extinguir nossa frágil espécie – talvez não seja o choque de algum cometa, ou de um meteorito de grande porte com o Planeta (possibilidade que não é nada remota) e nem mesmo uma impensável, porém possível, guerra mundial, com o uso maciço de armas nucleares, como prognosticam os “profetas do apocalipse”. Convenhamos, esses perigos são concretos. São como uma roleta russa para a humanidade. São catástrofes que podem ocorrer sem nenhum aviso, a qualquer momento, e acabar com nossa arrogante espécie. Todavia, para muitos especialistas, o risco maior á nossa sobrevivência talvez venha de seres vivos minúsculos, microscópicos, tão diminutos que são invisíveis a olho nu. Refiro-me a vírus e bactérias sumamente mortais, como os do ebola e de tantas outras doenças letais, muitos sequer não identificados ainda, que podem causar uma pandemia global incontrolável. Esse sempre foi meu temor.

Até aqui, as várias epidemias registradas mundo afora, bem ou mal, foram, ao fim e ao cabo, controladas, muitas delas somente após deixarem pavoroso rastro de mortes, como foi o caso, por exemplo, da gripe espanhola, que dizimou pelo menos vinte milhões de pessoas (matou, inclusive, um presidente eleito brasileiro, Rodrigues Alves, que nem chegou a tomar posse para seu segundo mandato). Isso sem falar na peste negra, que no século XIV chacinou um quarto da humanidade conhecida de então (um terço da população da Europa). É verdade que a Medicina evoluiu muito, notadamente após a década de 30 do século XX, com o advento dos antibióticos, além da produção de vacinas e das respectivas vacinações em massa. Mas...

Bem, perguntará, com certeza, o leitor: “O que tudo isso tem a ver com Literatura?” Tudo no mundo tem alguma relação com essa fascinante atividade, que trata da vida como ela é e como poderia, mas não deveria ser. Grandes romances, enfocando perigosas epidemias, foram escritos e alguns se tornaram best-sellers. Hollywood, volta e meia, explora o tema, em filmes dramáticos, em que, invariavelmente, emergem heróis que, de um jeito ou de outro, controlam a situação. Cito como exemplo um livro recentíssimo, “Caixa de pássaros – Não abra os olhos” – romance de estréia de Josh Malerman, lançado em 2014 no Brasil pela Editora Intrínseca,  em que um agente estranho provoca loucura nas pessoas, dizimando quase toda a humanidade. Poderia citar vários outros, nacionais e estrangeiros, recentes ou bastante antigos, mas não o farei.

Lembro, apenas, de “O véu pintado”, de William Somerset Maughan, que trata de uma epidemia de cólera na China, adaptado para o cinema com o título de “O despertar de uma paixão”. Prefiro, todavia, trazer à baila outro romance, este de um brasileiro, “A febre amorosa”, de Eustáquio Gomes, por uma série de razões. Uma delas é o fato do agente transmissor da doença de que ele trata no seu livro, a febre amarela, que quase varreu a cidade de Campinas do mapa em fins do século XIX, ser o mesmo que vem causando inquietação e medo na população do Estado de São Paulo. Refiro-me ao mosquitinho, tinhoso e resistente, conhecido como Aedes aegypti, responsável por milhares de casos de dengue no País, notadamente em território paulista.         

São as péssimas condições sanitárias e de higiene das grandes cidades brasileiras que propiciam a rápida proliferação desse resistente vetor da moléstia. É verdade que o mosquito se reproduz em água limpa, parada, mas esta só se acumula em decorrência do relaxo da população em relação a recipientes imprestáveis. Ou seja, ao lixo. É inconcebível que isso aconteça em pleno século XXI, quando as pessoas “arrotam” uma tal de modernidade que, nesse aspecto, no da higiene pública, é pior do que foi num passado já remoto. Essa doença tropical era desconhecida entre nós até 1988. Não digo que não existisse. Talvez até mesmo já tenha matado muita gente antes, mas não havia sido identificada.

E por que destaquei “A febre amorosa”, do saudoso Eustáquio Gomes (falecido no ano passado), entre tantos romances tendo por tema epidemias? Primeiro, por tratar-se de magnífico escritor (além de incomparável figura humana), que não foi devidamente valorizado como merecia. Tive o privilégio e a honra de ser não somente seu companheiro de trabalho, na redação do Correio Popular (era jornalista exemplar, modelo para as novas gerações do jornalismo), mas, sobretudo, seu amigo. Segundo, pelo fato do livro merecer, por sua qualidade literária e oportunidade do tema, ser lido por muitíssimas mais pessoas do que o foi. É verdade que, desde seu lançamento, em 1984, tornou-se uma espécie de clássico da literatura “underground”. Recomendo-lhes que o adquiram, mesmo que em algum sebo, e o leiam atentamente. É um livro imperdível. Mas não fez o sucesso que merecia fazer.

Mas o terceiro motivo é o principal. Ou seja, é o fato do transmissor da febre amarela, tratada no livro de Eustáquio, reitero, ser exatamente o mesmo da dengue: o perverso e assustador mosquitinho aedes aegypti. A história se passa em 1889, em um momento de crise política no País (como ocorre agora), nos estertores da monarquia, O cenário é uma cidade que foi cogitada para ser a capital do Estado, e que recusou essa cogitação, a Campinas dos poderosos barões do café, ferrenhamente republicanos (apesar de ser, pitorescamente, uma das localidades brasileiras preferidas do imperador Dom Pedro II). Foi nessa hoje vibrante metrópole, que a febre amarela por pouco riscou no mapa – reduzindo sua população de uns cinqüenta mil habitantes de então para algo em torno de menos de cinco mil, equivalente a quase uma pequena vila – que meu saudoso amigo escritor situou o escandaloso affaire amoroso entre a baronesa Angélica, casada com um velho e fanático monarquista, e o médico Alvim, apaixonado combatente da monarquia.         

Não sei se já existe algum livro tratando desse atualíssimo tema (presumo que não), mas está aí um bom assunto para ser explorado por algum bom ficcionista atual. Quem se habilita? Não se trata, como muitos podem pensar, de oportunismo, mas do cumprimento de uma missão. Afinal, nós, escritores, somos testemunhas do tempo em que vivemos. Somos uma espécie de cronistas da atualidade. Compete-nos registrar tudo o que de principal ocorra, em ficção ou não. E a epidemia de dengue que grassa em território paulista (mas não só nele) é algo digno de ser registrado. Nem espero que o eventual livro sobre o assunto tenha estilo pelo menos “parecido” com o de Eustáquio que, de acordo com um crítico (não me recordo qual) disse que meu amigo escritor se valeu de “uma linguagem veloz e elíptica, que lembra Machado de Assis”. E não houve nenhum exagero nessa constatação, posso lhes assegurar. Mas... se tiver essa qualidade... tanto melhor.


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Sunday, August 02, 2015

Quando se comete alguma injustiça com alguma pessoa humilde, não importa qual, é toda a espécie humana que é agredida em sua humanidade. Quando alguém é segregado –, por sua condição econômica, pela cor da sua pele, por suas convicções ideológicas, políticas ou religiosas etc. – todos nós somos marginalizados, nos tornamos vítimas de hediondo “apartheid”, por permitirmos o avanço do erro e do mal, que mais dia menos dia findam por nos atingir também (embora achemos que não). Pior do que a audácia dos maus é a passividade dos bons que a permitem e viabilizam. O pintor Pablo Picasso disse, em uma entrevista há algum tempo, o que deveria ser o lema de todo idealista (e todos nós deveríamos nos mobilizar, de fato, pelo ideal de igualdade, fraternidade e solidariedade): “Concordo com Dom Quixote: o meu repouso é a batalha”. Ou seja, deveríamos fazer da ação, concreta e positiva, uma rotina e jamais fortuita exceção.


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Campanha equivocada

Pedro J. Bondaczuk

A propaganda política para o plebiscito de 21 de abril, que começou a ser veiculada na sexta-feira passada, foi decepcionante, mesmo se for levado em conta o fato dela entrar no ar em plena época de carnaval, quando as atenções do brasileiro, obviamente, estão voltadas para outros assuntos, nada sérios.

Ainda assim, esperava-se um enfoque didático sobre as diferenças dos regimes monárquico e republicano e dos sistemas de governo, presidencialista e parlamentarista. Ficou clara, contudo, a tônica que as campanhas vão ter. E a briga, não tenham dúvidas, será acirrada.

Os parlamentaristas vão contar, com certeza, com um forte aliado entre os monarquistas. Até porque, mesmo os defensores mais ferrenhos desse regime não concebem uma monarquia absoluta, onde a palavra do rei tenha força de lei. O monarca, entre nós, teria o papel de Juan Carlos, na Espanha. Atuaria como Poder Moderador, para dirimir pendências surgidas no gabinete de ministros. Seria, portanto, chefe de Estado.

Os presidencialistas, já ficou claro, vão direcionar todas as suas baterias nas eleições diretas para presidente da República. Ocorre que o governo que emergir do Parlamento estará longe de ser ilegítimo ou indireto, posto que o primeiro-ministro será o líder do partido que obtiver maioria nas urnas.

O cargo será ocupado, portanto, por um político eleito pela maioria dos brasileiros. A Presidência da República é que será uma função quase decorativa, protocolar – se prevalecer o sistema alemão, a nosso ver o mais adequado para o País.

Caso nosso parlamentarismo seja como o francês, aí sim haverá enorme confusão. As crises de gabinete, certamente, irão se suceder. Na França, o presidente e o primeiro-ministro dividem o poder. Quando ambos são do mesmo partido, tudo funciona a contento. Mas quem acompanha a política internacional deve estar lembrado do que ocorreu em meados da década de 80, quando o socialista François Mitterrand precisou compartilhar o governo com o direitista Jacques Chirac, que acumulou a função com a de prefeito de Paris. Foi o que se convencionou chamar de “coabitação”.

As trombadas entre o primeiro-ministro e o presidente da República foram constantes. O país tinha uma crise atrás de outra e, em certos momentos, parecia estar acéfalo, a despeito de ter duas cabeças para tomar decisões. Fosse outro o ocupante da presidência, que não o experiente Mitterrand, e os rumos políticos franceses poderiam ser bem piores do que foram naquela oportunidade.

Nossos parlamentaristas estão empunhando esta bandeira na campanha para o plebiscito. Ou seja, parece que a malfadada experiência da França não está sendo levada em conta, ou por desinformação, ou até por demagogia (para que possam apregoar eleições diretas para a Presidência, fato que no regime parlamentarista é absolutamente irrelevante).

Com esta postura, o máximo que vão conseguir é arrebanhar adeptos para a monarquia, cujos representantes estão deixando clara a função do rei, de chefe de Estado, e não de governo, com a tarefa sobressalente do exercício do Poder Moderador.

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 27 de fevereiro de 1993).


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Isto também passará...

Pedro J. Bondaczuk

A Literatura é fascinante por todo e qualquer motivo que se considere. O livro é um mestre onipresente, o tempo todo à nossa disposição, pronto para nos ensinar, orientar, emocionar etc.etc.etc. e, sobretudo, para nos fazer refletir. Basta, somente, que estejamos dispostos a empreender este aprendizado, essa deliciosa aventura da inteligência, do saber e do espírito e que não o tenhamos, apenas, como objeto decorativo, como muitos fazem. Manda o bom senso que façamos dele companheiro constante e indispensável. Tenho pena de quem se priva, ou que seja privado, do privilégio da leitura.

Até mesmo o livro mais mal escrito do mundo, vazio de conteúdo, ou com mensagens notoriamente destrutivas, tende a ser útil de alguma maneira. Como? Isso apenas será possível se tivermos critério ao lê-lo. Ou seja, se soubermos separar o joio do trigo, filtrar o que possa nos acrescentar e enriquecer do que não possa, distinguir o útil do inútil, o construtivo do destrutivo, o transcendental do trivial, e nos desfazermos do que seja negativo e ostensivamente ruim. Convenhamos, não é difícil fazer essa distinção. “Neste caso, no da obra ruim, qual seria sua utilidade?”, perguntaria, com pertinência, o atento leitor, já propenso a discordar. Ela poderia constituir-se num parâmetro do que não devemos pensar, nem sentir e muito menos como não agir. Seria, portanto, útil, por vias transversas. Isso, claro, desde que fôssemos (ou sejamos) criteriosos na avaliação do seu mau conteúdo.

A Literatura (aí incluindo não somente livros, mas textos esparsos, de caráter literário, publicados em revistas, jornais e ultimamente em blogs da internet), tende a nos engrandecer não apenas na condição de leitores, mas também na de escritores, de redatores de textos. Aliás, esta atividade não pode prescindir da leitura. Só escreve bem, com qualidade, correção e conteúdo, quem for leitor atento, constante e até compulsivo. Escrever implica sempre em imensa responsabilidade. Responsabilidade para com o próximo, ao qual podemos induzir ao erro, mesmo que não seja nossa intenção. E também responsabilidade conosco mesmos, no sentido de construirmos boa imagem e de preservá-la. No meu caso, medito muito antes de redigir qualquer texto (literário ou não), ponderando se o que pretendo criar será útil ou inútil, verdadeiro ou falso, enfim, se será construtivo ou destrutivo.

Se for obra de ficção (conto, novela ou mesmo romance), planejo cada detalhe dos personagens que me proponho a criar, para que sejam rigorosamente verossímeis, mas tomando o máximo cuidado para não tornar os vilões convincentes em demasia, para não induzir incautos a maus pensamentos, a sentimentos negativos e, principalmente, a más ações. Afinal, nunca sei em que mãos meus textos irão parar. Antes, durante e até depois desse planejamento, medito, medito muito para compor um perfil psicológico adequado aos meus personagens, de sorte a não caricaturá-los nesse e em nenhum outro aspecto. É certo que cada escritor tem seu próprio método na redação de um livro, notadamente de ficção. E ele será válido, caso redunde nos resultados pretendidos. Nem sempre redundam. Mas... essa já é outra questão.

Meu objetivo é o de conferir à obra que pretenda produzir certo caráter de permanência. Aliás, essa condição suscita infindas considerações. Por mais que pretendamos e nos empenhemos, nada no mundo é permanente. Vou mais longe: nada no universo é. Tudo está em permanente mudança. Estrelas nascem, estrelas se extinguem, estrelas explodem, ou seja, mudam. Novas galáxias surgem,  velhas galáxias desaparecem, muitas galáxias se fundem e vai por aí adiante. Tudo muda o tempo todo. Nós mudamos, de um dia para o outro, sem que nos apercebamos. Heráclito de Éfeso já havia chegado a essa conclusão, a da inflexível mutabilidade das pessoas e das coisas, por volta do ano 500 antes de Cristo. O lúcido filósofo escreveu a propósito: “A permanência é uma ilusão. Somente a mudança é real”. E ilustrou sua tese com a célebre afirmação: “É impossível pisar duas vezes no mesmo rio”. E não é? A calha pode até permanecer a mesma (posto que só por algum tempo, e quanto não importa), mas as águas que correm nela evidentemente, jamais serão.

Por isso, manda a prudência que os escritores acompanhem atentamente as mudanças em sua atividade, que fatalmente acontecem, tendo o cuidado, óbvio, de não mudarem para pior. Que estudem, se informem, se reciclem em todos os sentidos, mas que tenham a consciência que suas obras, mais cedo ou mais tarde, também passarão. Eles irão passar e talvez não deixem o menor vestígio de que ao menos existiram. Mas enquanto não passarem, que façam o melhor possível para se aproximarem, o mais que puderem, da perfeição.

A esse propósito, lembro-me de uma lenda sufi, que li alhures. Refere-se a um rei, inquieto com o futuro do seu reino, sem poder explicar a razão de sua inquietação. Aflito e no afã de acalmar sua aflição, consultou os sábios da corte que, por seu turno, recorreram a um homem santo, por não saberem o que aconselhar. Este, após ouvir a exposição dos consulentes, deu-lhes um anel, recomendando que fosse entregue ao poderoso soberano, sem mais explicações. Um dia, o reino foi atacado por poderosas forças inimigas, superiores em número e em armamento ao do referido rei. Este, apavorado, cismou de abrir o engaste do anel, trazido pelos sábios, no afã de encontrar ali alguma resposta de como agir. No fundo da jóia havia apenas esta inscrição: “ISTO TAMBÉM PASSARÁ”. Subitamente o monarca se aquietou. Inesperadamente, recebeu o auxílio de um aliado e, com isso, os invasores foram vencidos e repelidos. Passado algum tempo, o mesmo rei vivia um período de plena felicidade. O reino progredia, as colheitas eram fartas, os cofres estavam repletos de dinheiro, as pessoas estavam felizes e ele exultava com tamanho sucesso. Todavia, lembrou-se da inscrição do anel: “ISTO TAMBÉM PASSARÁ”. Moderou, pois, a euforia, certo de que aquela situação benigna e sumamente favorável não seria duradoura. Nada é. Esta é mais uma das tantas lições que aprendi nos livros e que partilho com vocês: ISTO TAMBÉM PASSARÁ!!!


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Saturday, August 01, 2015

Os jovens idealistas são, como Dom Quixote foi, tidos como loucos. Não são sequer levados a sério, nem pelos adversários. E quando o são, terminam em cárceres imundos, vítimas de asquerosos tiranos, presos e torturados por suas idéias por torturadores que, não raro, assumem até a postura de “democratas” (que, evidentemente, não são), sem que nenhuma voz se erga em sua defesa. Admiro, porém, esses “cavaleiros andantes” contemporâneos (e, em certa medida, sou um deles). O que combatem, evidentemente, não são moinhos de vento, com feições de gigantes maldosos, como fazia Dom Quixote, mas os próprios monstruosos inimigos. Ou seja, denunciam sucessivas violações dos mais sagrados direitos humanos, a vergonhosa exploração do homem pelo homem, o egoísmo exacerbado que leva pessoas a acumularem fortunas monumentais em detrimento de multidões de famintos e deserdados e as tantas e tantas outras mazelas, que todos conhecemos, mas que comodamente observamos à distância, por não nos afetarem diretamente. Ou, pelo menos, por acharmos que não nos afetem.


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Pesadelo que já dura 14 anos


Pedro J. Bondaczuk


A capital libanesa, a outrora aprazível e pacata Beirute, viveu, ontem, outro dia de horror, na interminável guerra civil que afeta esse país e que já vai completar 14 anos no próximo mês, sem que ninguém atine com uma solução para restabelecer o equilíbrio que outrora existiu nessa comunidade nacional.

O Exército, comandado por oficiais cristãos, combateu, durante o dia todo, com milícias muçulmanas, afetando uma grande quantidade de bairros residenciais dos dois setores da cidade, divididos pela chamada “Linha Verde”. Como todos os confrontos que ali se verificam, ninguém sabe, com certeza, como este se originou. E nem se atina, muito menos, como irá acabar.

O tempo passa, outros conflitos sangrentos vão sendo solucionados, nas várias partes do mundo, mas o drama do Líbano permanece, como uma maldição sobre esse povo bom e generoso, que subitamente foi atacado pelo vírus do ódio e da vingança.

Já houve de tudo o que se possa imaginar em matéria de terror nesse país. Seqüestros, capturas de aviões, carros-bombas, ataques-suicidas a quartéis e embaixadas e outros tipos de violências, característicos de guerras civis. Há terroristas libaneses julgados e condenados na França, na Itália, na Alemanha Ocidental, na Suíça e nos Estados Unidos.

Alianças, ali, são mais frágeis do que o cristal e se rompem com uma facilidade incrível. Cristãos combatem cristãos, como ocorreu há poucos dias. Xiitas pró-sírios – milícia Amal – lutam contra xiitas pró-iranianos – do grupo Hezbollah. Desde setembro de 1988, o Líbano possui dois governos e ninguém obedece a nenhum deles. Não se sabe qual é o legítimo e ambos querem impor sua legitimidade, não obtida por qualquer meio democrático, a poder da força.

Um deles, sediado na parte ocidental de Beirute, é muçulmano e liderado pelo primeiro-ministro, que acumula o cargo de presidente, Selim Hoss. O outro é chefiado pelo general cristão, Michel Aoun, imposto pelo ex-mandatário Amin Gemayel, quando o Parlamento, que há muito não se reúne, não conseguiu se entender para eleger um sucessor à Presidência.

Esse clima todo de desordem e de caos somente é propício para traficantes de drogas – e há muitos atuando hoje no país – malfeitores que vivem de resgates cobrados a familiares de comerciantes seqüestrados, terroristas perversos que sequer sabem a razão porque cometem seus atos extremistas e fanáticos tresloucados, que conseguem ver “santidade” nos horrores da guerra. Fala-se tanto na estabilidade do Oriente Médio, na situação dos territórios ocupados por Israel, mas o Líbano permanece esquecido, entregue à sua triste sorte. Até quando?

(Artigo publicado na página 12, Internacional, do Correio Popular, em 15 de março de 1989).

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Ancestral e pioneiro meio de comunicação

Pedro J. Bondaczuk

O teatro é uma das expressões artísticas mais completas, e mais antigas, já inventadas pelo bicho homem. Supõe-se que tenha surgido nos primórdios da civilização, na Idade da Pedra Lascada, ou quase,  quando mal o Homo Sapiens havia tomado consciência de si e do mundo em que estava e começado a tentar entender tudo que o rodeava, até por questão de sobrevivência. Dizer, evidentemente, que foi assim ou assado, ou que não foi, é rigorosamente impossível, por razões óbvias. Não há a menor prova concreta de como, onde e, principalmente de quando o teatro surgiu. E nem poderia haver. Afinal, não havia sequer linguagem escrita para registrar tudo isso. Os alfabetos surgiram milênios (quantos?) após essa arte já ter plena existência. Por isso, os historiadores são unânimes em situar sua origem mais proximamente de nós: na Grécia Antiga e no século IV antes de Cristo (ou por volta dele).

E por que podemos especular com razoável margem de probabilidade sobre a origem do teatro (e sobre tantas e tantas outras coisas atinentes a nosso remotíssimo passado)? Por intuição. Pelo que o sociólogo francês, Maurice Halbwachs (que cunhou o termo) denominou de “memória coletiva”. Ele observou (e seu conterrâneo David Émile Durkheim havia pensado nisso antes dele) “que as representações coletivas do mundo, incluindo as do passado, tinham suas origens na interação de entidades coletivas desde o início. E que não poderiam ser reduzidas a contribuições de indivíduos. Eventos e experiências lembrados são raramente constituídos por indivíduos à parte de outros ou de seu grupo social”. Como não sou especializado na obra de Halbwachs (embora conheça alguma coisa dela), colhi essa informação específica na sempre providencial enciclopédia eletrônica Wikipédia.

Essa nossa “intuição” sobre fatos e comportamentos datados de milênios anteriores ao nosso nascimento cabe direitinho no conceito de “inconsciente coletivo”, do psicanalista suíço Carl Gustav Jung. Bem, por esse critério pode-se “intuir” que o teatro surgiu quase que simultaneamente com a primitiva pintura. Só fica a dúvida se ambas as manifestações nasceram juntas ou se uma antecedeu a outra. Pouco importa. O que importa é que as duas teriam (e neste caso o correto é sempre usar os verbos no condicional) finalidades mágicas. As figuras de animais desenhadas nas paredes das cavernas teriam a função de prender suas almas e torná-las presas fáceis dos caçadores. Já o teatro serviria como uma espécie de rito, ora de celebração e agradecimento aos deuses pelo sucesso da caça, ora de pedido às divindades antropomórficas para que favorecessem as atividades destinadas à obtenção de alimentos.

As primitivas manifestações teatrais teriam se caracterizado por danças coletivas. Na sequência, teriam evoluído para a arte da representação. Ou seja, para a suposta “incorporação” dos deuses que nossos remotos ancestrais adoravam, pelos primitivíssimos “atores” de então. Já na fase mais evoluída, a da Grécia Antiga, o teatro viria a dar origem (aí sim é dispensável o condicional)  ao que viria a se constituir, muitos séculos depois, na Literatura de ficção, como a conhecemos. Ou seja, no romance, no conto, na novela e, mais recentemente, nos roteiros de cinema.

Os ficcionistas primitivos não inventavam suas histórias, como fazemos hoje. Davam suas versões a notícias de que tomavam conhecimento, claro, dando livre curso às próprias fantasias. Seus enredos baseavam-se no que achavam serem “fatos reais” (que talvez nem fossem, mas que tinham convicção de que eram). O teatro, pois, de certa forma, também pode ser considerado o embrião do jornalismo, em uma época em que as notícias levavam não dias, semanas ou meses para chegar de uma parte a outra, mas anos, quando não décadas. Óbvio que chegavam distorcidas, diria, “poluídas”. Afinal, ontem e sempre o clichê que diz que “quem conta um conto, aumenta um ponto”, era e ainda é mais do que nunca válido. Por isso, as “informações” eram adaptadas (pela visão dos que as adaptavam) para serem representadas por atores em um palco, para atentas e interativas platéias.

O teatro passou por inúmeras transformações ao longo do tempo, mas não perdeu sua característica básica: a do contato direto de quem transmite uma mensagem ou “concretiza” uma história (fictícia, na imensa maioria dos casos, ou não) e seu destinatário, o público. Foram muitas as ocasiões em que se previu sua extinção, em vista de surgimento de outros meios, mais modernos, ágeis e considerados mais “racionais”, como o cinema e mais recentemente a televisão, para transmitir a mesma coisa que ele transmitia (e transmite, óbvio). Todavia, embora em constante crise de uns tempos para cá, sobreviveu e segue sobrevivendo, contra todos os prognósticos pessimistas. Pois é, em sua essência, o mais genuíno modo de comunicação entre quem cria e transmite sua criação de forma concreta, com a ação de atores, e quem é o destinatário dessa criação.


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Friday, July 31, 2015

Miguel de Cervantes, ao criar o Dom Quixote, seu emblemático personagem, certamente não pretendeu lhe emprestar o significado que ganhou ao longo do tempo. Sua intenção foi a de satirizar a figura dos cavaleiros andantes de então, que incendiavam a imaginação dos moços, pela coragem, hombridade, cortesia e vasto elenco de outras virtudes que, parece, estão cada vez mais escassas. E claro que conseguiu. Na verdade, foi além: criou um símbolo, um paradigma ou, quem sabe, um estereótipo de quem nutre algum ideal. Tanto que já existem palavras derivadas de Quixote, como “quixotear”, “quixotesco” e vai por aí afora.  Todo moço saudável, com boa formação ética e intelectual, nascido em lar que merece esse nome e que não seja (como infelizmente é a maioria no mundo) autêntica sucursal do inferno, tende a ser idealista, antes de se confrontar com a realidade. Sonha, por exemplo, com as três virtudes mais raras e escassas na sociedade: igualdade, solidariedade e fraternidade. Abraça causas que, aparentemente, têm essas bandeiras (nem sempre têm) e muitos jovens pagam com a vida por tamanha ousadia. Todavia, o tempo se encarrega de, em princípio, atenuar esse fogo interior e, finalmente, de apagá-lo. À medida que amadurecem, esses moços ousados e que se sentem invulneráveis, réplicas do Dom Quixote, cedem à realidade. Enquadram-se no “sistema”, assumem o “status quo” reinante e muitos deles chegam, até mesmo, ao extremo de combater com maior vigor o que um dia os mobilizou à luta.


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Presente do Dia dos Pais

Dê ao seu amigão o melhor dos presentes neste Dia dos Pais: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas nessa data. Mas em todos ops dias do ano, por anos e anos a fio.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária” José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.

Com o que presentear:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internetWWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.
Em livraria – Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.        

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ONU só autoriza libertar Kuwait


Pedro J. Bondaczuk


O saudoso jornalista David Nasser afirmou, certa feita, num de seus comentários na extinta revista “O Cruzeiro” que “é difícil alguém saber se uma guerra é ou não necessária. Mas sabemos que todas as guerras são desnecessárias”.

A que está sendo travada no Golfo Pérsico, por conseqüência, também poderia (e deveria) ser evitada pela sua desnecessidade. As conseqüências desse conflito se farão sentir por muitos e muitos anos. A destruição do Iraque, por exemplo, tenderá a trazer desequilíbrios muito mais perigosos para a região do que as atuais ambições hegemônicas de Saddam Hussein. Isto, porém, é omitido.

Além disso, sob o pretexto de “estratégia de combate”, a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que autorizou o uso de força para libertar o Kuwait vem sendo usada de maneira distorcida pela coalizão anti-Bagdá, sem que o organismo se manifeste a respeito.

O desabafo feito por uma cidadã iraquiana, na semana passada, cujas palavras foram veiculadas para o mundo todo através da cadeia de televisão a cabo CNN, dos Estados Unidos, será uma das imagens marcantes desta guerra quando ela terminar.

Mostra que, ao contrário daquilo que ocorria tempos atrás, só mesmo os alienados, aqueles que se encontram na contramão da história, ainda acham que o recurso às armas solucione qualquer coisa. Hoje em dia fica cada vez mais difícil os propagandistas da “pax romana”, a dos cemitérios, convencerem quem quer que seja da justiça de suas teses.

Sua defesa do uso dos avanços tecnológicos financiados com os esforços de tantos para destruir cidades, extirpar vidas, impor situações, são como uma patética mensagem de um demente, um confuso discurso de algum paranóico, tão carente de lógica e sentido ela se mostra ser.

A referida cidadã iraquiana alertou para um fato que tem fugido da atenção dos “analistas”, engajados numa causa que não é a de defesa do ser humano (que é  concreto), mas de sistemas e de ideologias (que não passam de abstrações). Disse que a ONU autorizou a expulsão das tropas iraquianas do Kuwait e não a destruição de Bagdá e outras cidades do Iraque. E esta é a pura verdade.

Os políticos mostraram, no correr deste século, especialmente agora quando as notícias chegam aos lares das pessoas praticamente no instante em que os fatos ocorrem – quando se permite o trabalho abnegado dos que as reportam – sua absoluta incompetência.

A Alemanha conseguiu sua reunificação muito mais em virtude dos alemães orientais terem saído às ruas das grandes cidades para dar um basta ao comunismo, do que por decisões de estadistas do Oriente e do Ocidente. Os checos reconquistaram sua autonomia através da “Revolução de Veludo”, movida por seus cidadãos e não por seus parlamentares ou militares.

David Nasser foi extremamente oportuno quando ressaltou: “A única forma de manter o mundo de liberdade em que vivemos não será o silêncio mas o grito. Nós vamos ganhar a batalha democrática no grito”. Serão pessoas, e não sistemas, que irão implantar uma nova ordem mundial, em que as guerras serão consideradas o que de fato são: crimes contra a humanidade.

(Artigo publicado na página 15, “A Guerra no Golfo”, do Correio Popular, em 5 de fevereiro de 1991).
  

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A crítica que vale a pena

Pedro J. Bondaczuk

A crítica, seja lá a o que e a quem for – a uma pessoa, uma ideologia, uma situação qualquer, uma pintura, um livro etc.etc.etc. – é, antes e acima de tudo, ato de coragem. Sobretudo se quem critica o faz assiduamente. Ou seja, se a torna atividade profissional. Quem faz essa opção tem que ter nervos e estômago fortes. Deve estar consciente (e geralmente está) que fará muitos desafetos (para não dizer, inconciliáveis inimigos). No fundo, no fundo, ninguém gosta de ser criticado, mesmo que diga o contrário ou que tenha plena consciência de que o mereça (o que, certamente, não revela a ninguém). Mais complicado ainda é criticar artistas de qualquer arte, cuja característica principal (salvo raríssimas exceções) é a vaidade, posto que em graus de intensidade dos mais variáveis. Alguns são vaidosos ao extremo. Outros nem tanto. Mas todos, em certa medida, o são.

É errado ter orgulho do que se é ou do que se faz? Depende! Se não se incorrer em exagero, entendo que não. Defendo a postura do indivíduo que raciocina da seguinte maneira: “Fulano, Sicrano e Beltrano são bons, mas também sou”. Claro, se for de fato. Isso é mais do que mera vaidade. É autoconfiança. Em contrapartida condeno quem se ache o suprassumo da excelência, aquele que considere que ninguém pode sequer igualá-lo, quanto mais superá-lo. Há muita gente assim e, por estranho que pareça, quase sempre são pessoas que podem ser tudo, menos excelentes. Não são sequer competentes. Dá para se prever no que essa vaidade exacerbada irá resultar, não é mesmo? Mais cedo ou mais tarde, as circunstâncias acabarão esfregando no nariz desses vaidosos extremados a verdade nua e crua. A decepção será tão grande, que provavelmente irão recorrer ao álcool e/ou às drogas na tentativa vã de minorar o que poderia ser evitado com um tiquinho só de autocrítica honesta e sensata.

Não se pode colocar todo e qualquer tipo de crítica num mesmo e único balaio. Depende, por exemplo, de quem critica e de a o que tem restrições. E, principalmente, de como o faz. O pressuposto mínimo que o bom senso exige é o de que o crítico tenha conhecimento de causa do que se propõe a criticar. Se não tiver... ficará claro que sua intenção é a de somente ofender. Correrá, todavia, o risco de cair em ridículo (e dificilmente escapará disso), caso quem ou o que critique não seja criticável. Outra condição é que fundamente sua avaliação. Não deve, pois, criticar tendo por parâmetro exclusivamente o gosto pessoal, na base do “não gostei”, ou do “gostei”. E no caso de não gostar daquilo que está criticando (e nem toda a crítica que se preze é, ou tem que ser necessariamente negativa), aponte as razões objetivas para desgostar ou para gostar. Que mostre as falhas ostensivas, se for o caso de fazer restrições, até para que o autor da obra criticada repare o erro (caso ainda for possível a reparação).

Atendidos esses pressupostos, vem a parte mais importante de tudo: o “como” criticar. Qual a linguagem a ser utilizada? Se você tiver restrições a fazer a uma obra (ou a uma ideologia, uma causa, uma pessoa etc. não importa), e se for instado a emitir opinião a propósito, profissionalmente ou não (muitas vezes nem é), não precisa, por isso, recorrer a termos ofensivos, chulos, e muito menos a ostensivos xingamentos. Sua crítica terá muito mais força e credibilidade se feita de forma educada, respeitosa, ponderada e inteligente. A menos que você queira desafiar o criticado para uma briga, o que será outra coisa e terá que arcar com as consequências.

Alguns recorrem à ironia, achando que não irão ofender o criticado. Depende. Este não é recurso para “amadores”. Exige talento de quem o utiliza, pois é muito fácil, facílimo, descambar-se para a mordacidade e o deboche, que equivalem a dizer ou a escrever impropérios, posto que não dos “cabeludos”, já que em linguagem supostamente “elegante”. No caso de críticos literários, pouquíssimos foram acatados pelos escritores cujos livros criticaram. Não digo que não tenham existido. Existiram e ainda existem. Mas... são relativamente poucos.

Eu, por exemplo, acataria de muito bom grado (e me sentiria honrado) críticas aos meus livros ou textos esparsos vindas de Machado de Assis, caso isso fosse possível. Claro que não é! Embora não tenha firmado reputação nesse gênero, nosso maior escritor foi um dos primeiros (muitos asseguram que foi o primeiro) a exercitar essa (convenhamos, antipática) atividade. Preenchia todos os requisitos de uma crítica literária honesta, inteligente, isenta, competente e, sobretudo, construtiva. Ainda assim... granjeou uma grande legião de desafetos. Pena que tenha se constituído em rara exceção.


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