Monday, May 22, 2017

O QUE É MAIS FORTE? A ÁGUA OU A ROCHA?
Cometemos, não raro, grave equívoco ao avaliar determinada causa, que identificamos a priori como nobre e até sagrada. Milan Kundera escreveu a propósito, no “O livro do riso e do esquecimento”: “Basta tão pouco, uma ínfima corrente de ar para que as coisas se movam imperceptivelmente, e aquilo por que ainda teríamos dado a vida um segundo antes aparece de repente como um contra-senso no qual não há nada”. Mas não se envergonhe se (ou quando) cometer esse tipo de equívoco. Todos os cometemos. O que não se pode é persistir no erro, tão logo seja identificado. Aí... já é burrice extrema! Hermann Hesse coloca, na boca de um dos seus personagens, esta verdade, que contradiz as aparências: “O macio é mais forte do que o duro. A água mais forte do que a rocha. O amor mais forte que a violência”. E essa força maior, dos elementos citados, não é apenas figura de linguagem, mas pura realidade. Analisemos: o macio verga, mas não quebra, ao contrário do que é duro, que se rompe facilmente. A água é a que gera a maior parte da energia elétrica que se consome mundo afora, e não a rocha. Já a violência, destrói, não raro, não apenas a vítima dela, mas também o seu agente. O amor, porém, redime a ambos. Por isso, não nos deixemos levar, jamais, por meras aparências. E muito menos por achar que quem se traja com elegância e apuro é, apenas por isso, alguma eventual sumidade científica, literária, filosófica ou seja lá do que for.

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Risco iminente


Pedro J. Bondaczuk


A surpreendente renúncia do ministro de Relações Exteriores da União Soviética, Eduard Shevardnadze, é um fato altamente preocupante, não pelo afastamento em si, mas pelas razões que levaram o chanceler a agir dessa maneira.

O presidente Mikhail Gorbachev, pressionado por todos os lados, e incapaz de administrar o processo que deflagrou, pode ser a próxima baixa da crise política e3 econômica que toma conta da superpotência do Leste europeu. Está cada vez mais isolado, tendo que enfrentar a revanche da linha-dura, contando, somente, com a sua boa estrela, que o livrou de situações aparentemente insustentáveis no passado.

O círculo de aliados fica a cada dia mais restrito e, a menos que os resultados positivos comecem a aparecer, um golpe militar na União Soviética é somente questão de tempo. Aliás, Shevardnadze ressaltou, com bastante clareza, esse aspecto, no emocionado discurso que pronunciou, anteontem, no Congresso dos Deputados do Povo.

Disse que os democratas estão se omitindo, os reformistas ficam em cima do muro, deixando espaço livre para que a chamada linha-dura, os corruptos, os alienados e os oportunistas atuem. Os políticos que deveriam ver em Gorbachev um aliado, o têm como adversário, numa falta de visão que chega a chocar os observadores que acompanham à distância o drama soviético e que por isso analisam os fatos sem paixões. Afinal, não fosse o presidente, com as suas “glasnost” e “perestroika”, e certamente agora os panoramas nacional e internacional seriam muito diferentes.

Os nacionalistas e os reformistas de vários matizes, certamente, estariam abarrotando os campos de trabalhos forçados ou os manicômios do país. Os soldados soviéticos estariam sendo dizimados no Afeganistão. A corrida armamentista nuclear, se é que não saísse a guerra do fim do mundo, alcançaria o paroxismo. As Alemanhas não estariam reunificadas e intervenções militares se sucederiam por todo o Leste europeu.

A democracia pressupõe a existência de controvérsias, que apenas nela subsistem. Ditadores e ditaduras nunca permitem discordâncias, mas impõem o consenso pela violência e pelo terror. Tais conflitos, surgidos num sistema democrático, produzem uma forma inimaginável. Caso esta seja orientada em sentido positivo, tende a produzir uma explosão de progresso. Se descontrolada, mata a democracia e é capaz de causar a própria desagregação nacional, que é o risco mais iminente da atualidade na União Soviética.

O pior é que os democratas autênticos estão empenhados numa luta fratricida, num nacionalismo irrealista e insensato. A URSS jamais irá se desagregar. Os soviéticos só têm uma escolha: Gorbachev ou uma ditadura. E até aqui, por inexperiência democrática, estão optando, exatamente, pela morte da democracia.

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 22 de dezembro de 1990).



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Diversão ou reflexão?

Pedro J. Bondaczuk

O filósofo Blaisé Pascal condena o divertimento, que classifica de “maior das nossas misérias”. Destaca que o tempo perdido com distrações fúteis e vazias poderia (e deveria) ser utilizado para reflexão, notadamente sobre nossas dúvidas, medos, anseios e projetos pessoais. Discordo do ilustre pensador. Entendo que, desde que moderado, o divertimento (aquele que realmente diverte e não o que aborrece ou degrada) é não somente válido, como, até, absolutamente necessário.

Trata-se de uma pausa em nossa luta cotidiana para construir uma vida exemplar e produtiva, que justifique, principalmente, nossa existência e nos marque na memória da nossa e das futuras gerações. Não é o que acontece, porém, com a maioria esmagadora das pessoas, forçada a trabalhar no que lhe aparece para garantir o “pão nosso de cada dia” e não no que gosta e sabe fazer melhor.

Tempo nós perdemos, por exemplo, em algum desses tantos empregos (a maioria) em que nos são designadas tarefas opressivas, monótonas e repetitivas, dessas de enlouquecer qualquer indivíduo que tenha pelo menos mais do que dois neurônios. Isso quando não são insalubres e até perigosas para nossa integridade física e/ou mental.

E fazemos isso por que? Para nossa evolução espiritual ou material? Não, não e não!!! Envelhecemos precocemente; nos sentimos perdidos, infelizes e desamparados; remoemos ressentimentos; suportamos cansaços e dores; engolimos desaforos de chefetes estúpidos e irracionais, enfim, submetemo-nos a tantos vexames e tamanhos riscos apenas, e tão somente, para obtermos “migalhas” que nos sustentem.

Os mais resistentes, ou mais inconscientes, ou mais dóceis talvez (ou tudo isso junto), conseguem a façanha de permanecer trinta e cinco anos ininterruptos no mesmíssimo emprego. E o que lhes dão como “prêmio” por tamanha constância e assiduidade?

Essas pessoas conseguem (e quando conseguem) uma aposentadoria ridícula e perversa, cujo valor é insuficiente para pelo menos cobrir os custos dos remédios que precisam tomar para atenuar as doenças que contraem em decorrência não somente do esforço, mas, principalmente, das privações pelas quais tiveram que passar por quase quatro décadas e só. Estou fora dessa!

Alguns (raríssimos) obtêm suposto reconhecimento dos patrões, que lhes dão (quando dão) de lembrança, por tantos e tantos anos de sacrifícios, lutas, desespero e frustrações, um reles cartão de prata, com palavras pomposas, mas hipócritas, por serem meramente formais e uma caneta dourada, ou algo parecido, objetos, convenhamos, sem nenhuma serventia.

Sei que essa minha constatação é, digamos, subversiva ou, no mínimo, “politicamente incorreta”. Mas é a puríssima realidade, que quase todos sabem que é assim, mas pouquíssimos têm a coragem de denunciar. Classifico esse tipo de trabalho de “escravidão remunerada”. Temos alternativas? Cada qual que responda por si. Eu encontrei a minha.

Despendemos esforço demais para vantagens de menos. Quem acaba lucrando com nosso desdobramento muscular (ou intelectual, não importa) é, invariavelmente, aquele que nos contrata e que valoriza tão pouco (ou quase nada) a nossa capacidade produtiva. E surge, de novo, a pergunta: temos alternativas? E reitero, a título de resposta: cada qual que responda por si.

Isso sim é perda de tempo (pior, é desperdício de vida) e não os divertimentos. Há, é claro, os que exageram na maneira de se divertir. Despendem todo o tempo de que dispõem em diversões muitas vezes tolas e que sequer divertem tanto assim, em detrimento da evolução material, mental e, sobretudo espiritual. Argumentam que, se não agirem assim, suas vidas serão um interminável tédio.

O eminente filósofo francês, porém, argumentou que o tédio, nesses casos, é necessário. Garantiu que, para nos livrarmos dele, procuraremos um meio inteligente e sólido como alternativa e, com isso, evoluiremos, se não materialmente (e até essa possibilidade ele prevê), pelo menos espiritualmente. Pascal não deixa de ter razão. Mas... apenas parcialmente.

Suas palavras exatas, que constam do livro “Pensamentos”, são as seguintes: “A única coisa que nos consola das nossas misérias é o divertimento, e, contudo, é a maior das nossas misérias. Porque é isto que nos impede, principalmente, de pensar em nós, e que nos faz perder, insensivelmente. Sem isso, estaríamos no tédio, e este tédio nos levaria a procurar um meio mais sólido de sair dele. Mas o divertimento distrai-nos e faz-nos chegar, insensivelmente, à morte”.

Convenhamos, reitero, que o filósofo não deixa de ter razão. Mas... apenas parcialmente. O que nos distrai, mais do que tudo, e nos faz chegar “insensivelmente à morte” é a “escravidão remunerada”, que nos incutem na cabeça, desde criancinhas, que se trata de preciosa virtude quando, na verdade, não passa de abjeta e suicida submissão, que nos custa muito caro. Tem um preço proibitivo.


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Sunday, May 21, 2017

NEM SEMPRE O QUE PARECE SER DE FATO É
Nem sempre o que parece de fato é o que aparenta (reitero, porém, que às vezes é). E isso vale tanto para o aspecto material do mundo, quanto para o lado espiritual das pessoas. Tanto para aferir a sinceridade e probidade de alguém, quanto a sua idade. Tanto para julgar a correção e validade de uma causa que nos pareça nobre e justa, quanto para concluir sobre a projeção social de alguém. Confúcio perguntou, certa feita, a um discípulo: “Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos tem?”. O pupilo matutou, matutou, pensou bastante, mas não soube responder. Eu também não saberia. É um bom tema para se pensar. Há pessoas beirando os oitenta anos que aparentam não mais do que cinqüenta. Cuidam-se, têm hábitos saudáveis, alimentam-se corretamente nos horários certos e só ingerem comidas comprovadamente sadias, exercitam-se na devida medida, dormem na quantidade e na hora certas, não cometem nenhuma espécie de exagero, nem para mais, nem para menos e, dessa maneira, retardam o envelhecimento. Conheço outras, no entanto, que ou por descuido do próprio corpo (o que é o mais comum), ou em decorrência de circunstâncias adversas que fogem ao seu controle, como miséria, doenças, excesso de preocupações e vai por aí afora, aparentam oitenta anos, quando não têm mais do que quarenta e cinco. Tentar adivinhar, portanto, a idade de alguém, baseado apenas na aparência, é o caminho mais curto para o engano.


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A dança dos números



Pedro J. Bondaczuk



A mais recente pesquisa do Instituto Vox Populi revela que o presidente Fernando Henrique Cardoso teria "desempatado" o jogo eleitoral com seu principal concorrente, Luís Inácio Lula da Silva, e reassumido as preferências do eleitorado, no caminho da reeleição. Estaria agora com 36 pontos, contra 29 do seu adversário petista.

Daqui até 4 de outubro pode-se esperar essa espécie de "gangorra", ao sabor das declarações desastradas, ou no mínimo inoportunas, de um ou outro candidato. E pesquisa avalia "intenções", que podem ou não se traduzir no ato de votar neste ou naquele postulante. Não decidem eleições. Caso decidissem, seria inútil e desnecessário o comparecimento dos eleitores às urnas.

A menos que algum dos concorrentes cometa uma gafe monumental, o panorama, até 4 de outubro, será este. Ora um estará na frente, ora será a vez do outro e ora se registrará empate técnico. Tudo leva a crer que haverá segundo turno e tentar apontar agora um vencedor é um exercício inútil, senão irresponsável, de "futurologia". Será eleito aquele que souber convencer melhor o eleitorado e que fizer as melhores alianças.

A tarefa de Fernando Henrique, o primeiro presidente a tentar uma reeleição em toda a história do Brasil, é muito mais complicada do que pode parecer ou que certos setores da mídia querem dar a entender. Pelo cargo que ocupa, por mais que tente partir para a ofensiva, ele é a "vidraça" e não a "pedra". Todo seu mandato estará em julgamento e por mais governista que seja um eventual analista, não há como negar falhas, omissões, gafes e sérios problemas nestes seus quatro anos de gestão. Serão, certamente, explorados pela oposição escândalos como o do Sivam, como o Proer, como as mortes de idosos na Clínica Santa Genoveva do Rio ou dos pacientes de hemodiálise de Caruaru, para citar apenas alguns. Pouco vai importar para o cidadão comum se o governo tem ou não culpa nesses casos.

A estabilização da economia --- conquista de todo o povo brasileiro, destaque-se --- já  não será o "cabo eleitoral" capaz de decidir a eleição em favor de FHC. Estarão em julgamento, isto sim, o desemprego, a falência nos setores de Saúde e Educação (embora determinados setores da mídia dêem a entender que neste campo o País já se aproxima do nível de excelência, o que é absurdo), da falta de segurança, da inexistência de um programa coerente e funcional de habitação, etc. etc. etc.

A propaganda dos cinco dedos espalmados, que foram o símbolo das prioridades do candidato de 1994, se for utilizada, tenderá a espantar e não a arregimentar eleitores. O governo fracassou em todos esses pontos. Não é necessária qualquer pesquisa para medir o alto grau de descontentamento do brasileiro com o presidente. Basta sair às ruas. Ou acompanhar a seção de cartas dos jornais e revistas. Críticas e condenações acumulam-se.

Isto quer dizer que Fernando Henrique não será reeleito? Não! Amplos setores da sociedade brasileira ainda "diabolizam" Lula e temem sua eventual chegada ao poder. A reeleição, portanto, pode ocorrer principalmente por causa desse fator. Mas se as taxas de desemprego permanecerem nos intoleráveis patamares atuais (e não importam os motivos), se o presidente continuar fazendo declarações infelizes como aquela em que chamou de "vagabundos" os brasileiros que se aposentam antes dos 50 anos e se a violência urbana não for contida, com ou sem medo do candidato petista, FHC pode ter a pior surpresa de sua carreira política.


(Texto escrito em 23 de junho de 1998 e publicado como editorial na Folha do Taquaral)





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Comunicação exige bom-senso



Pedro J. Bondaczuk


O profissional de comunicação, seja qual for a área em que atue, tem um compromisso e uma responsabilidade muito grandes para com o público que pretende atingir. O compromisso é o de adotar postura voltada para a prestação de serviços à comunidade, esclarecendo-a, orientando-a e atuando como o seu porta-voz. A responsabilidade, por sua vez, decorre exatamente do item anterior.

Quanto maior for a amplitude do meio que o comunicador utilizar, mais responsável ele terá que ser quanto ao que disser ou que escrever. Precisará, claro, ter muito critério e muita competência sempre. Deverá ser guiado por um elenco de pressupostos que vão desde o interesse à qualidade do que veicula; da técnica usada à utilidade da comunicação, passando, por aí, o bom gosto, a inteligência e outras coisas mais, que o jornalista e/ou o radialista conhecem, ou deveriam conhecer de sobejo.

Quem não aceitar isso, espontaneamente, sem imposição ou pressões, estará, evidentemente, em profissão errada. A mensagem que o profissional de comunicação passar, embora possa ser endereçada a um determinado público, bastante específico, terá influências as mais variadas sobre tantas outras faixas da população. Tem que atentar, sempre, para o que, como, com que objetivo e a quem comunicar.

Um comunicador irresponsável pode, até mesmo, provocar sublevação popular, de conseqüências imprevisíveis, sem que sequer se dê conta e mesmo que não seja essa a sua intenção (quase nunca é). Veja-se, por exemplo, o que ocorreu há algum tempo nos países muçulmanos em decorrência da publicação, por parte de um jornal dinamarquês, da caricatura do profeta Maomé.

Que benefício, e a quem, essa divulgação (no fundo, no fundo, preconceituosa) trouxe? Qual a necessidade de se mexer com as crenças e convicções alheias, mesmo as que consideremos ridículas e frutos do atraso (não é o caso), utilizando, como pretexto, o direito da liberdade de expressão? Convém ressaltar e sempre reiterar que um comunicador tem a possibilidade concreta de influenciar idéias, costumes, comportamentos e ações em uma sociedade. Quanto mais liberdade tiver, portanto, maior será, em contrapartida, a sua responsabilidade.

Estas considerações vêm a propósito do desvirtuamento que se vem fazendo, em determinados canais de televisão (e isso não é de hoje) e em alguns horários nem sempre apropriados, da arte do erotismo. Seu limite, em relação à pornografia, é sutil, sutilíssimo e nem todos os expectadores têm critério ou maturidade suficientes para fazer a distinção.

Não defendo, evidentemente, nenhum tipo de censura. A própria Constituição brasileira a proíbe. O que é necessário é que o próprio comunicador, autor de novela, roteirista de filme ou mesmo escritor de romances tenha autocrítica. Que pergunte, a si mesmo, se tem algo inteligente, proveitoso, interessante e construtivo a dizer (ou a escrever, claro). Se a resposta for positiva, que o diga. Caso contrário...

Para se destruir algo ou alguém, seja lá o que ou quem for, não é preciso ser criativo, dispor de muita técnica ou ter um pouquinho a mais de massa cinzenta que os mortais comuns. Construir, porém, é tarefa de gigantes, de pessoas especiais, talentosas e de grande visão. Será que é válido, por uma certa importância em dinheiro (e não importa quanto), um intelectual se expor ao ridículo e alterar (para pior) o comportamento de pessoas mais simples e menos dotadas de capacidade de análise?

A pornografia barata apenas alimenta uma tara, uma doença comportamental, e nada acrescenta a quem quer que seja. Há, evidentemente, quem goste dela. Essas pessoas estão no seu direito – afinal, como preceitua a doutrina, nem tudo o que é legal é moral e vice-versa – mas elas que procurem veículos adequados para satisfazer sua compulsão: um pornoshop, por exemplo, ou fitas de vídeo (que existem, por aí, em profusão) ou outro meio que não seja de livre acesso ao público, em especial às crianças.

Há, infelizmente, hoje em dia, toda uma indústria voltada à pornografia. Exibir bobagens publicamente, todavia, sob o rótulo de arte, é, antes de tudo, uma fraude. E das mais grotescas e grosseiras. Trata-se de enorme tapeação a quem espera do comunicador mensagens criativas, originais e, sobretudo, construtivas. Além, é claro, de informações precisas, exatas e isentas, pressupostos básicos de um jornalismo que se preza.


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Saturday, May 20, 2017

A SIMPLES APARÊNCIA PODE NOS INDUZIR A JUÍZOS SUMAMENTE EQUIVOCADOS
Medimos a capacidade, e até a “respeitabilidade” (quando não a projeção profissional e/ou social) de uma pessoa, só pela forma como ela se veste. Fazemos, por conseqüência, juízos apressados (quando não ridículos), baseando-nos, somente, no aspecto exterior de alguém, naquilo que é passivo de ser disfarçado, fantasiado ou imitado. Há, inclusive, quem faça desse comportamento uma espécie de regra (e não são poucos). E, claro, cometem equívocos monumentais. E como se enganam! Mas como avaliar a alma, as convicções, os pensamentos, os sentimentos, o caráter, em suma, a essência de alguém? Existe algum método, algum meio de aferição, algum parâmetro a ser seguido para isso? E, caso exista, é infalível? Presumo que não, para as duas questões. Todavia não deixa de ser verdadeiro o fato de que, quem se deixa levar apenas pelas aparências, não raro comete equívocos monumentais, e, pior, que não têm remédio.


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Pomadinha antiinflacionária



Pedro J. Bondaczuk



O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, na tentativa de levar uma mensagem otimista à sociedade, num período de tanto descrédito e pessimismo, tem feito pronunciamentos usando figuras de linguagem até pitorescas. Na semana passada, ao criticar os que pressionam o governo para que imponha um congelamento de preços e de salários, afirmou que o brasileiro é “esquizofrênico”.

Nesta segunda-feira, resolveu imitar o ex-ministro do Trabalho, Antonio Rogério Magri, e criou um neologismo. Disse que “a inflação brasileira não é mais convivível, virou uma urticária e é preciso parar de coçar e acabar com ela”.

Realmente, não há na História recente nenhum povo que tenha convivido por tantos anos consecutivos com este flagelo, e em níveis tão elevados, como ocorre com nossa população. Fernando Henrique ressaltou bem, no discurso que pronunciou para 300 banqueiros e seguradores, no Rio, durante a entrega do prêmio “Bem-Sucedidos no Mercado de Capitais”, que há por aí “pomadinhas” para acalmar essa coceira (e como coça!), que não são suficientes para solucionar o problema.

A luta contra a inflação, de forma consistente, passa, necessariamente, pela independência do Banco Central. Ele deve ser absolutamente livre para definir, sem qualquer espécie de interferência, a política monetária do País. Não será eficaz, por outro lado, a estratégia que não cortar as despesas do Estado a um mínimo indispensável. E essa cirurgia deve ir muito além das gorduras, que sequer deveriam existir.

Precisa aprofundar-se até mesmo na carne, ou mais fundo, em alguns órgãos chegando até o osso ou mesmo à amputação. Nesse contexto, torna-se imprescindível o enxugamento da máquina estatal, de forma a que ela não absorva em salários os eventuais aumentos de arrecadação, como vem ocorrendo até agora, fato admitido pelo próprio ministro.

O processo de privatização, com toda a celeuma que gera, dada a exploração demagógica feita em torno dele por pessoas leigas em economia, mas especializadas em retórica bombástica, mas vazia, tem, não somente que continuar, mas sobretudo se aprofundar, ser mais rápido, mais eficiente, mais competente para se tornar, por conseqüência, menos polêmico. Requer absoluta transparência e regras consensuais, claramente definidas.

O Estado brasileiro, finalmente, deve se conscientizar de que não lhe cabe o papel de empresário, mas uma função muito mais nobre e indispensável. Cumpridos esses pressupostos, a sociedade, certamente, vestirá a camisa na luta contra a inflação.

Uma das tarefas que os agentes econômicos poderiam, e deveriam fazer, era a de aumentar a produção. De investir na economia de escala, o que se refletiria na redução de preços, no aumento do faturamento e, conseqüentemente, de arrecadação.

Para tanto, porém, seria necessário que o governo gozasse de credibilidade, o que não ocorre por uma série de razões sobejamente conhecidas por todos. Outro fator indispensável para que esta inteligente estratégia de combate inflacionário desse certo seria o aumento do poder de compra dos salários.

E aí surge uma questão semelhante à pergunta “quem surgiu antes, o ovo ou a galinha?”. Ou seja, o que deve ser feito em primeiro lugar: deter a inflação ou valorizar a renda da população? Enfim, há uma série de caminhos alternativos para vencer esta disfunção econômica que não seja o do desgastado expediente do choque, do congelamento ou do confisco monetário, que são as “pomadinhas” aludidas por Fernando Henrique Cardoso.


(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 18 de agosto de 1993).

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Sublime modelagem


Pedro J. Bondaczuk


A escultura, de todas as artes, é a que mais me fascina. Fico pasmo com o talento de determinadas pessoas de transformar pedra bruta, mármore, madeira, aço ou seja lá o material que for, em figuras. Algumas esculturas são tão perfeitas nos detalhes, que não me surpreenderia se saíssem andando e falando e acabassem por se transformar em gente como a gente.

Não acho nada exagerada, portanto, a exclamação de Michelangelo Buonarroti diante do Moisés, que acabara de esculpir. Gritou, no auge do entusiasmo, ciente de que havia produzido uma obra-prima: “Parla Moses!”. Eu teria feito o mesmo. Ou talvez teria sido, até mesmo, bem mais exagerado, diante de um feito artístico desse porte.

Notem a perfeição, por exemplo, do “O Pensador”, de Auguste Rodin. E não somente dele, mas de outras tantas esculturas, de milhares e milhares de artistas, desde a Grécia Antiga até os tempos atuais. Poderia passar horas citando escultores e mais escultores notáveis, do passado e do presente, e suas mágicas produções. Claro que se o fizesse, jamais deixaria de enfatizar o talento do nosso Aleijadinho, que trabalhou em condições físicas para lá de precárias e nos legou maravilhas, como os 12 profetas de Congonhas do Campo.

Conta a lenda (na verdade, a mitologia grega) que um desses artistas excepcionais esculpiu uma estátua tão perfeita, que esta findou por ganhar vida e ele se casou com tal criatura, que até lhe gerou um filho. Refiro-me, claro, a Pigmalião. Para quem não se lembra, ou não sabe (afinal, ninguém é obrigado a saber de tudo), esclareço que esse personagem lendário, além de exímio escultor, era rei: da ilha de Chipre.

Já havia produzido inúmeras obras, que se destacavam pela perfeição e riqueza de detalhes. Contudo, num certo dia, excedeu-se em perícia. Esculpiu a estátua do que considerava a “mulher ideal”, notadamente no aspecto estético. Era belíssima, toda simétrica, de beleza inigualável, como jamais fora vista naqueles tempos remotos. E ocorreu o que nem Pigmalião esperava: ele se apaixonou pela sua obra. Mas não se tratou de mera paixão de artista, mas de macho por uma fêmea ideal que na verdade não passava de mera imagem de pedra.

Esclareça-se que o rei de Chipre havia optado pelo celibato. Sua decisão, na verdade, era enfática crítica à atitude das mulheres da ilha, que o monarca considerava libertinas e malsãs e, portanto, condenáveis. A solidão, porém, começou a doer-lhe literalmente na carne. Ardia de desejos e não tinha como os saciar. Ademais, sem mulher, não tinha como gerar um herdeiro que lhe sucedesse no trono. Sua maior vontade, a que lhe tirava o sono e a alegria de viver, era a de que a figura que havia esculpido e que era, no seu parecer, o protótipo da companheira ideal, adquirisse vida.

Naqueles tempos, homens e deuses conviviam e não raro até se opunham uns aos outros, travando batalhas sem fim. Não foi o caso de Pigmalião. A deusa Afrodite, penalizada com a situação do monarca-escultor, resolveu fazer-lhe uma surpresa. E que surpresa! Deu vida à escultura, que recebeu o nome de Galatéia, com a qual ele se casou e que lhe gerou o tão sonhado herdeiro: Pafos. Em ficção é sempre assim. Invariavelmente, há um “happy end”. Todavia na vida...

O poeta romano Ovídio narrou, também, esse mito, que havia ouvido de um escravo grego, em versos marcantes, no livro “Metamorfoses”. O escritor e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1922, trouxe a história para os tempos modernos, com a peça “My Fair Lady”, adaptada como tema de vários musicais da Broadway, de Hollywood e de outros tantos centros teatrais mundo afora (inclusive, claro, no Brasil).

Em Psicologia, há, também, o chamado Efeito Pigmalião. Trata-se do ato de interpretar a realidade não como ela é, mas de acordo com as nossas expectativas e desejos. É, pois, uma forma, até bastante comum e corriqueira, de alienação.

Se admiro e invejo a maneira literal de esculpir objetos e seres, tenho maior admiração e inveja, ainda, da figurada. O escritor Victor Hugo – poeta notável e romancista de primeiríssima linha – expressa, com maior precisão, o que quero dizer. Escreveu, em certa ocasião: “Modelar uma estátua e dar-lhe vida é belo; modelar uma inteligência e dar-lhe verdade é sublime”. E não é?!

Prometo, oportunamente, voltar ao tema e tratar dessa fundamental modelagem. O educador, paciente e sábio, é, de fato, exímio escultor. Mais do que isso, é sublime. Esculpe não figuras de pedra, madeira ou aço, inanimadas e frias, mas molda personalidades, talentos e vidas. A ele, pois, rendo a minha admiração, meu agradecimento e minha eterna e humilde reverência.




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