Saturday, February 06, 2016

IMERSOS EM INSONDÁVEL MISTÉRIO

Não estamos num jogo, mas imersos em um insondável mistério. Nossa sobrevivência nem mesmo depende de nós, mas de forças poderosíssimas, alheias a nós, contra as quais nada podemos fazer. Nossos dias e nossas noites, nosso sono e nosso despertar diário estão, somente, nas mãos de Deus (ou chamem como quiserem esse poder sobrenatural que controla o micro e o macrocosmo e impõe leis naturais ao universo. Da minha parte, prefiro a denominação convencional). Piedosamente, não sabemos o que nos irá acontecer no segundo seguinte, quanto mais nos anos vindouros. Se forem grandes alegrias e a realização dos nossos sonhos, a surpresa multiplicará esse bem. Se forem tragédias, desastres ou até a morte, é melhor, mesmo, que sequer saibamos deles, para não sofrermos duplamente. Daí eu ter afirmado que esse não-conhecimento do minuto seguinte é um ato de piedade para conosco.


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Procurando a formiga sem ver o elefante

Pedro J. Bondaczuk

A grande movimentação diplomática que vem se registrando, especialmente nos últimos dois anos, na América do Sul, é um sintoma dos mais animadores. É, como o presidente argentino, Raul Alfonsin, constatou, ontem, ao recepcionar os ministros de Relações Exteriores dos membros da Bacia do Prata, que estão reunidos em Buenos Aires: “A região começou a tomar uma inédita consciência a respeito da necessidade de integrar esforços para novas propostas de ação solidária”. Isso apenas foi possível depois que a democracia renasceu, em meio a dificuldades de toda a sorte, no continente.

Nos quase 170 anos de vida independente dos povos da América do Sul, a prática mais constante, em todos os países, quase sem nenhuma exceção, foi a de ressaltar nossas reduzidas diferenças, fazendo vistas grossas às extraordinárias semelhanças culturais, políticas, históricas, sociais e econômicas que temos. Nós, sul-americanos, nos preocupamos neste tempo todo em procurar uma quase invisível formiguinha perdida no chão e acabamos atropelados pelo elefante de uma monumental crise, que não conseguimos enxergar. Nossos países teriam todas as condições possíveis para a autossuficiência continental. Contam com o petróleo venezuelano, equatoriano e argentino; com o gás e o estanho bolivianos: com o cobre chileno, com os produtos industriais brasileiros e assim por diante. No setor alimentar, Argentina e Uruguai produzem o suficiente para nos alimentar a todos e ainda sobrar para transações com outros mercados. Pouco disso, porém, é usado em nosso proveito.

Ao invés de rompermos estúpidas e incompreensíveis barreiras que nós mesmos criamos através dos anos, temos inventado novas. E dispersos, temos nos revelado bastante fracos  Nos tornamos totalmente dependentes de países em estágios mais avançados de desenvolvimento. Enredados em nossas contradições, temos dado passos para trás, ao invés de evoluirmos. No terreno das intenções, até que a coisa anda relativamente bem. Mas na hora de realizar na prática aquilo que é tão bonito no papel, nos transformamos numa autêntica Babel. Cada um de nós passa a falar uma língua completamente estranha ao outro, como se não tivéssemos origens parecidas.

Tempos atrás, ensaiou-se, no continente, algo parecido com o Mercado Comum Europeu, com a criação da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (Alalc). O nome desse órgão ocupou enormes espaços nos noticiários, chegou a frequentar as manchetes, mas jamais passou do mero terreno das intenções. Até que acabou morrendo, de morte natural. Por um motivo que nenhum de nós conseguiria explicar, começamos a procurar, alhures, em condições bastante desvantajosas, aquilo que está bem nas nossas cercanias, a custos extremamente compensadores. E, com isso, “perdemos o bonde da história”. É verdade que os países mais expressivos do continente viveram um longo período de obscurantismo. Brasil, Argentina, Uruguai, Peru e Bolívia tiveram um demorado e forçado “jejum democrático” a ponte de quase morrerem de inanição, por falta de liberdade. Chile e Paraguai ainda vivem esse estado de coisas, sendo vozes dissonantes na atual realidade continental.

Durante essa longa noite que se abateu sobre aq América do Sul, no plano institucional, Colômbia e Venezuela foram duas honrosas exceções. Mas pouco poderiam fazer para mudar as coisas, já que se constituíam em absoluta minoria. E afundaram juntas, como todos nós. Mas se nossos regimes eram semelhantes, embora muito distantes do ideal, nossas práticas seguiam caminhos opostos, coincidindo, apenas, nos pontos negativos: todos nos endividamos além do que poderíamos pagar, nãso nos preocupamos com investimentos de longo prazo e nos esquecemos que “dona cegonha” nunca espera o tempo que o nosso empirismo precisaria para que, de experiência em experiência, de fracasso em fracasso, achássemos o caminho que nos conduzisse ao harmonioso desenvolvimento.

Nunca, porém, em nossa história as condições foram tão propícias às políticas integracionistas como agora. Há uma longa estrada aberta à nossa frente, o ânimo geral está fortalecido e temperado pela crise e só basta que iniciemos nossa caminhada rumo à criação do Mercado Comum Latino-Americano. Esse é o único caminho que temos para evitar a bancarrota total de nossas sociedades: a união irrestrita de vontades e de esforços.

(Artigo publicado na editoria Internacional, do Correio Popular, em 4 de abril de 1986)

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Quando filosofia resulta num best-seller


Pedro J. Bondaczuk

O que você pensaria, meu caro e fiel leitor, se eu lhe dissesse que um dos livros mais vendidos, nos últimos vinte anos, nas principais praças culturais do mundo, trata, especificamente, de filosofia? É quase certo, se quiser ser gentil e educado (como a maioria que me prestigia com sua leitura é), que você ache que fui afoito, que estou mal informado e que, portanto, me equivoquei. Já aquele sujeito ranheta e mal educado, de bronca com a vida, que critica até vírgula que ache mal colocada em meus textos, mas que ainda assim insiste em acompanhar o que escrevo, provavelmente dirá, em tom irônico, se não raivoso: “Esse cara está maluco!!! Ora, filosofia... Só lê livros a respeito quem tenha formação cultural específica. E estes são pouquíssimos. Será que esse cara não sabe? Não venha, portanto, com esta!”

Pois é, meus preciosos e imprescindíveis leitores – tanto os amigáveis e gentis, quanto os ranhetas, ávidos por me pilharem em equívoco – desta vez não me enganei, embora assim pareça, não estou mal informado e nem estou exagerando. Um dos livros mais vendidos na Europa, nos Estados Unidos e (pasmem) no Brasil, tem, mesmo, como pano de fundo, a Filosofia. Mais especificamente, a história dessa “mãe de todas as ciências”. E não foi o escrito pelo inglês Bertrand Russell, uma espécie de clássico no assunto, cujas vendas, todavia, estão longe de caracterizar sua obra como best-seller. Esse, intitulado “História da filosofia ocidental” também li e, aliás, tenho-o agora em mãos. Considero-o, no entanto, teórico demais para o meu gosto. Está eivado de jargões característicos da “mãe de todas as ciências”, que sempre tive dificuldades para entender e memorizar.

O livro a que me refiro é outro, é de um norueguês. Trata-se de um professor de filosofia – que, todavia, não se considera filósofo – nascido em Oslo, em 8 de agosto de 1952. Seu nome? Jostein Gaarder. Desde que lançou, em 1986, seu primeiro romance, intitulado “O pássaro raro”, tomou gosto pela Literatura. Tanto que largou o magistério para dedicar-se, exclusivamente, em tempo integral, às letras. Não sei se fez bem, mas... pelo visto, tomou a decisão correta. No entanto, o livro com o qual conquistou a fama, no competitivo e complicado cenário editorial internacional, ao qual me refiro, não foi esse que citei antes. Foi “O mundo de Sofia”. Há tanta coisa a ser dita a propósito dessa publicação, tanta, tanta e tanta que precisarei de vários comentários para abordá-lo de forma minimamente decente.

Para o leitor ter uma idéia da aceitação desse livro, escrito em norueguês, mas traduzido para 53 idiomas e lançado na Europa em 1991, informo que, até 2005, já haviam sido vendidos 26 milhões de exemplares. Apenas na Alemanha, mais de três milhões de cópias tinham sido adquiridas. Agora, passados dez anos desse levantamento, tais números são muito maiores. Não sei a quanto andam, mas suponho que sejam o dobro. E pensar que, no fundo, no fundo, é a história da filosofia ocidental!!! Mas tem grande diferença em relação a livros congêneres. O relato é feito através de ficção. E sem os jargões da disciplina, necessários, mas que dificultam a leitura dos leigos e impedem que obras sobre o assunto sejam minimamente populares.

Diz-se que o brasileiro não gosta de ler. E considerando a nossa população e o tanto de livros vendidos anualmente, parece não gostar de fato. Imaginem quando o assunto é filosofia!!! Pois bem, pasmem! “O mundo de Sofia” foi lançado no Brasil (pelo selo jovem “Seguinte”, da Editora Companhia das Letras) em 2005, traduzido, diretamente do norueguês, por Leonardo Pinto Silva. Sabem quantos exemplares já haviam sido vendidos até o início de 2014? Mais de um milhão!!! O volume que tenho em mãos, por exemplo, foi impresso no ano passado. Trata-se (pasmem de novo), da 90ª reimpressão!!! É um livro que não encalha de jeito algum nas prateleiras das livrarias. Vem esgotando edições e mais edições. E tem por foco a filosofia!!! Mais especificamente, a sua história.

Para que o leitor tenha pálida idéia do conteúdo dessa obra, reproduzo o trecho que consta da contracapa, que é o seguinte: “(...) Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo. Os postais são enviados do Líbano, por um major desconhecido, para uma certa Hilde Moller Knag, garota a quem Sofia também não conhecia. O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste romance fascinante, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países onde foi lançado. De capítulo em capítulo, de ‘lição’ em ‘lição’ o leitor é convidado a percorrer toda a história da filosofia ocidental, ao mesmo tempo em que se vê envolvido por um thriller que toma um rumo surpreendente (...)”. É dessa preciosidade literária (e filosófica) que tratarei na sequência.


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Friday, February 05, 2016

A VIDA NÃO É UM JOGO

O controvertido poeta italiano Gabriele D’Anunzio escreveu: “Quem disse que a vida é um sonho? A vida é um jogo”. O leitor concorda com ele? Eu não! Acho que essa foi mais uma das tantas bobagens que disse, escreveu ou que lhe são atribuídas. Raciocinemos. Somos condicionados, desde crianças, a sermos competitivos, é fato, como se a vida, na verdade, fosse um jogo. Insisto, não é! Não raro, testamos nossos limites e tentamos ir além deles, para superar supostos competidores. Colocamos à nossa frente objetivos que, quase sempre, são inalcançáveis, e nos frustramos quando não os atingimos. Queremos ser mais, ter mais, fazer mais do que os outros, quando a vida não é isso. Precisamos é conhecer e desenvolver nossas capacidades e viver, sem nos preocuparmos se o vizinho conquistou ou não mais coisas do que nós. Para rebater a afirmação de D’Annunzio, recorro a outro poeta, a Mário Quintana, que observou, em uma crônica publicada no jornal “Gazeta do Povo” de Porto Alegre: “A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se”. Agindo assim, pode ser que não sejamos os “campeões” que pretendemos ser. Mas alcançaremos um prêmio maior e muito mais cobiçado, sem preço: seremos felizes! Entre os dois poetas, o italiano fanfarrão e amalucado, e o gaúcho, sábio e sereno, claro que fico com o segundo.


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Algumas diferenças em relação ao cruzado

Pedro J. Bondaczuk

O duríssimo plano de austeridade econômica, imposto pelo presidente argentino, Raul Alfonsin, ao seu país, em 14 de julho passado, visando conter um voraz processo hiperinflacionário, começa, a partir de amanhã, a ser suavizado. Muita gente procura comparar o projeto Austral com o Plano Cruzado, posto em prática, na última sexta-feira, pelo presidente José Sarney, no Brasil. Há, de fato, algumas semelhanças entre as duas medidas, embora existam marcantes diferenças, tanto de intensidade, quanto de objetivos.

Enquanto a meta do presidente Alfonsin era apenas conter a inflação argentina, que na ocasião já alcançava um acumulado de doze meses superior a 1.000%, a do governo da Nova República olhou um pouquinho mais à frente. Tem, é claro, também a intenção de derrubar “as muralhas inflacionárias”, depois que as taxas se instalaram comodamente num novo patamar, o de 15% mensais; Mas pretende, acima de tudo, manter o País crescendo e a uma cifra anual mínima de 5%. De que maneira? Desviando as aplicações especulativas, que nenhum lucro traziam para a sociedade, para investimentos produtivos, através da eliminação dessa invenção verde e amarela chamada de “correção monetária”. Incentivando o pequeno poupador a guardar as pequenas migalhas que sobram de seu suado dinheirinho, para que elas cresçam e se multipliquem. E, sobretudo, dando uma sacudidela na país, para que os brasileiros entendam que a partir do instante em que o plano entrou em vigor, só mesmo com trabalho eles poderão conquistar aquilo que antes vinham procurando através de uma desregrada e oficializada jogatina. O fator psicológico das medidas, certamente, é dos mais importantes.

Outro ponto falho no Plano Austral, que no Cruzado foi corrigido, é a sua flexibilidade em relação ao salário. Na Argentina, ao contrário do Brasil, não foi instituída nenhuma escala móvel para proteger os ganhos do trabalhador quando, por qualquer razão, os preços voltassem a subir. Isso, como o presidente Alfonsin já percebeu, é uma bomba de tempo, capaz de detonar a qualquer instante, em greves e mais greves, complicando a recuperação de uma economia convalescente. Tanto notou esse pontop falho, que o está corrigindo. E hoje deverá anunciar ao país a concessão de um reajuste de 1,5 a 2% da inflação nos salários. A paralisação nacional bem-sucedida, promovida pela CGT, e que afetou toda a Argentina no dia 24 passado, abriu os olhos do governo desse país.

Resta saber se a central sindical irá aceitar um reajuste tão pequeno, especialmente quando se sabe que os aumentos de preços de alguns gêneros de consumo popular e de algumas tarifas foram de 11% em média, que já vigoram desde ontem. Por isso, Alfonsin volta a agitar uma outra tese: a do pacto social, que permita que o processo iniciado com o Plano Austral se consolide de vez e mantenha a inflação nos mesmos baixos níveis da época de implantação desse elenco de medidas.

O projeto brasileiro, a meu ver, é mais completo. E menos traumatizante. Um indicador positivo do que pode vir a acontecer entre nós, caso continue a exemplar mobilização popular, visando fazer com que todos respeitem o congelamento, foi o que se verificou ontem nas bolsas de valores. Houve um crescimento explosivo na compra de ações. Esse volume enorme de dinheiro aplicado vai levar oxigênio financeiro às empresas, permitindo que elas façam novos investimentos. Estes, por sua vez, gerarão mais empregos, mais mercadorias, mais vendas internas e externas e mais riquezas para dividir por toda a sociedade. É difícil, sem dúvida, fazer vingar uma mudança tão profunda num país com 135 milhões de habitantes. Mas se as coisas funcionarem a contento (e há grandes condições para isso), imaginem quanta energia haverá para ser liberada na geração de riquezas. O sucesso, portanto, aqui, como na Argentina, do Cruzado e do Austral, respectivamente, depende, apenas, da coesão dos respectivos povos em torno de um objetivo comum.

(Artigo publicado na Editoria Internacional, do Correio Popular, em 5 de março de 1986)

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Conhecimento e sabedoria


Pedro J. Bondaczuk


O conhecimento é obra coletiva, mesmo que sua origem seja individual. Ele, contudo, só permanece, se consolida e se perpetua se transmitido (e não a uma ou duas pessoas, mas ao máximo que se puder). Caso contrário... Perece, vítima de inutilidade (salvo raríssimas exceções). São descobertas que não têm sentido prático e que, por isso, raramente se mantêm. O que sobrevive ao tempo e ao esquecimento é o conhecimento que se torna prático, que é testado e comprovado, e que é aperfeiçoado por terceiros, não raro ao longo de gerações, para suprir necessidades.

São os casos, para exemplificar, das descobertas de como produzir fogo, da invenção da roda, da domesticação de animais para suprir a necessidade humana de leite e de carne, da construção de ferramentas para facilitar o trabalho e de armas para se defender, do cultivo de plantas apropriadas à alimentação etc.etc.etc. E põe milhos de eteceteras nisso!!!! Foram elas que lançaram as bases da civilização e que se constituíram em molas propulsoras da evolução desse animal estranho, cujo poder reside não na capacidade física, na velocidade, na agilidade ou na força muscular, mas no raciocínio. Na capacidade de entendimento. Refiro-me, óbvio, ao homem, que para uns é o Homo Sapiens, para outros o Homo Sapiens Sapiens e para outros ainda, o Homo Demens pelas burrices que perpetra.

Todo o conhecimento que adquirimos só tem lógica e razão de ser se e quando revertido em benefício da preservação e da evolução da espécie. A pessoa apenas se realiza e justifica a existência quando vive em função do próximo, de cuja companhia e ajuda não pode prescindir. Tem, por conseqüência, a obrigação, o supremo dever de retribuir tudo isso, fazendo a sua parte. A cooperação é, pois, o único caminho sensato que nos conduz à realização pessoal, ao progresso, à felicidade e a uma vida melhor. Leon Tolstoi constatou, em “Guerra e Paz”: “Todo conhecimento é apenas adaptação da essência da vida às leis da razão”. O egoísmo, pois, é o maior exercício de burrice e de inutilidade que alguém pode praticar, assim como a ganância e, sobretudo, a omissão.

Somos, amiúde, arrogantes em relação ao conhecimento que adquirimos. Julgamo-nos o supra-sumo da sabedoria e, não raro, até olhamos com desprezo e pouco-caso os que não tiveram a oportunidade de conhecer o que conhecemos. Trata-se, na maioria das vezes, de comportamento até inconsciente e não-deliberado. Esquecemos, porém, que a maior parte do que aprendemos é fruto do trabalho intelectual de milhares, quiçá milhões de antepassados. E mesmo quando descobrimos algo relevante e novo, essa novidade baseia-se em conhecimento anterior, descoberto por pessoas que, não raro, caíram no esquecimento.

Há quem confunda conhecimento com sabedoria, julgando que sejam sinônimas. Não são. Embora pareçam iguais, são conceitos distintos. Ademais, nada do que conhecemos é definitivo e a salvo de mudanças. O que chamamos de “ciência”, nada mais é do que um processo especulativo, empírico, à base de tentativas e erros. Daí ser rigorosamente exata a conclusão do filósofo Bertrand Russell, quando conclui: “Todo conhecimento humano é incerto, inexato e parcial”. A escritora Sandra Carey estabelece uma das diferenças entre ambos ao observar: “Não confunda jamais conhecimento com sabedoria. Um ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida”.   

A poetisa Cora Coralina acrescentou outra distinção, no caso a forma como adquirimos os dois. Escreveu: “O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”. O filósofo e místico chinês Lao-Tsé, figura lendária cujos ensinamentos sobrevivem ao tempo e ao esquecimento e servem-nos de guia passados mais de 2.600 anos, ensinava seus discípulos, por volta do ano 520 antes de Cristo: “Para ganhar conhecimento, adicione coisas todos os dias. Para ganhar sabedoria, elimine coisas todos os dias”. Ou seja, não basta conhecer. É indispensável saber o que fazer com esse conhecimento e distinguir o útil do inútil, distinção que só o verdadeiro sábio faz com correção.    

Os sistemas educacionais de hoje (salvo raríssimas e honrosas exceções) pecam por não saberem distinguir esses dois conceitos. Os responsáveis pelas políticas de educação confundem-na com mera acumulação de conhecimentos. É, “também”, isso, mas “não só isso”. Opta-se pela formação de repetidores de conceitos alheios, de meros papagaios, alguns, verdadeiras enciclopédias vivas, em detrimento dos pensadores. De pessoas capazes de raciocinar e de adotar postura crítica face qualquer informação e, sobretudo, aptas a acrescentar algo de próprio a ela. Desestimula-se, reitero, o raciocínio. Em muitas partes, as escolas têm praticamente o mesmo perfil autoritário e medieval de três, quatro ou mais séculos atrás. Conhecimentos são acumulados hoje de maneira muito mais rápida, eficiente e organizada em memórias de computadores do que no cérebro humano. Ao homem, porém, compete saber “como usar esse acervo para melhorar sua vida e a da comunidade em que se insere”.

Costumamos dizer, amiúde, sobre pessoas com as quais convivemos, que “as conhecemos muito bem”. Seria isso, de fato, possível? Temos condições de conhecer quem quer que seja se nem ao menos temos ciência das nossas próprias reações, impulsos e limitações? Tenho sérias dúvidas. No íntimo acredito que só podemos conhecer, dos outros, o que eles querem que conheçamos. O que sabemos do potencial de cada um, do que sente e o que pensa, realmente, do mundo, da vida e... de nós? Qual nossa avaliação sincera, honesta e objetiva sobre nós mesmos? Conhecemo-nos mesmo ou apenas “achamos” que temos esse conhecimento? Está aí excelente reflexão, que certamente pode mudar, para melhor, nossos relacionamentos.


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Wednesday, February 03, 2016

ETERNO CERZIR DE EMOÇÕES

O amor não é um sentimento isolado, único, mas é um conjunto de sensações e emoções (não raro contraditórias) que nos toma por inteiro e preenche todo o nosso tempo, às vezes nossa vida inteira. Pode até acabar, como vimos (e de morte natural ou provocada por uma ou por ambas as partes), mas sempre haverá de nos deixar profundas marcas, em que se misturam saudade e despeito. Supera as limitações do tempo, não tem passado ou futuro e é eterno presente, mesmo que sobreviva só na recordação. Paradoxal, nos proporciona o máximo do prazer e os mais intensos sofrimentos, conforme as circunstâncias. É a feliz união entre emoção e razão, o concreto e o abstrato, o instintivo e o racional. É, simultaneamente, egoísmo e altruísmo, posse e doação, carne e espírito. O jornalista e escritor Marcello Rollemberg define-o de uma forma pitoresca e ao mesmo tempo, poética. Escreve: “Amar é um eterno cerzir de emoções e busco meus fantasmas para flertar com o passado”.


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Corrida contra o tempo


Pedro J. Bondaczuk


O presidente em exercício, Itamar Franco, vem sendo acossado pelos setores mais diversos da complexa sociedade brasileira, por críticas e cobranças e até cercado de descrédito em alguns círculos, embora sequer tenha completado o segundo mês na Presidência.

Uns acusam-no de ser lerdo na tomada de decisões. Outros, ao contrário, falam que ele é precipitado, principalmente nas declarações que faz. Há, também, os que deblateram acerca de seu suposto “populismo”, como se neste País fosse crime hediondo alguém se preocupar com a calamitosa situação social, com os cerca de 115 milhões de seres humanos vegetando na mais absoluta miséria. Na verdade, ele corre contra o tempo.

Todavia, sem querer fazer o papel de advogado do presidente, até que ele fez muito nestes 55 dias na Presidência se forem levados em conta o estado e as circunstâncias em que assumiu o governo. Ademais, Itamar Franco já declarou a reiterou que quem tiver alguma contribuição a dar ao País, aquele que possuir soluções para problemas tão graves quanto os enfrentados pelos brasileiros deve se juntar a ele.

Trata-se do primeiro chefe do Poder Executivo a aceitar a codivisão das responsabilidades inerentes à sua função com o Legislativo. Age mais como um primeiro-ministro, que tenha que prestar contas ao Parlamento, do que como presidente que é, ao contrário pelo menos dos que o País se acostumou a ter nestes 103 anos de República.

O próprio ministério tem características tipicamente parlamentaristas. Praticamente não há tecnocratas nesse gabinete, integrado, em sua esmagadora maioria, por parlamentares, das mais diversas correntes ideológicas, desde o PPS (ex-Partido Comunista de Roberto Freire), ao conservador PFL.

A pergunta que se impõe é: Itamar estaria realmente sendo lento na tomada de decisões? Nem tanto. Por exemplo, nestes quase dois meses de governo, elaborou e encaminhou ao Congresso um projeto de reforma fiscal que, se não é o ideal, parece, pelo menos, bem melhor do que aquele feito durante o governo do presidente afastado, Fernando Collor.

Além disso, estão em fase adiantada programas atinentes a reajustes das tarifas públicas, de nova política salarial, de defesa dos grupos mais carentes da sociedade contra os efeitos da recessão (no caso, a cesta básica subsidiada para a população mais pobre), além dos planos econômicos de curto e de médio prazo. Se mais ainda não foi feito, é porque a extensão da atual crise na economia é muito mais profunda do que parece à primeira vista.

Não se pode esquecer, igualmente, o fato de Itamar Franco ser presidente apenas interino. Embora em sã consciência ninguém acredite que Fernando Collor possa escapar do afastamento definitivo, tal o volume e a contundência das provas apresentadas contra ele, essa possibilidade, apesar de remotíssima, existe.

Este País costuma Ter uma trajetória absolutamente imprevisível. Em geral, os presidentes que chegaram ao poder cercados de grande credibilidade fracassaram. Tomara que Itamar faça exatamente o contrário. Que seja uma agradável surpresa e faça os dois anos que lhe restam de mandato se transformarem na grande virada com que todos sonhamos.

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 27 de novembro de 1992).


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Grandes epidemias e a Literatura


Pedro J. Bondaczuk

A grande “vedete” do noticiário nacional (e de uns dias para cá, também internacional), rivalizando com as onipresentes notícias políticas –  que polarizam os veículos de comunicação de todo o mundo – e com informações de caráter policial, referem-se ao célere alastramento do zika vírus pelas Américas e que já está chegando à Europa, ameaçando se transformar da epidemia que já é em uma pandemia, de conseqüências imprevisíveis. Tanto isso é real, que a Organização Mundial de Saúde decretou, anteontem, dia 1º de fevereiro de 2016, em sua sede, em Genebra, na Suíça, estado de emergência sanitária, por conta dessa ameaça. Destaque-se que providências radicais, como esta, são adotadas, somente, em casos de extremo risco global, como provavelmente, é mais este grave perigo à população não mais de áreas restritas, mas de todo o Planeta.

Este, que é o maior nível de alerta mundial do organismo vinculado à Organização das Nações Unidas, foi adotado principalmente por causa da provável (embora ainda não confirmada) vinculação entre o zika vírus e a microcefalia. Um leitor solicitou-me que comentasse mais esta ameaça à humanidade e tentarei atendê-lo da melhor maneira possível. Todavia, lembro que, embora tenha inegável fascínio pela Medicina, não sou médico. Meu enfoque, portanto, não pode ser este, até para não escrever bobagens. Ademais, meus conhecimentos de Biologia são, apenas, aqueles que me possibilitaram ser aprovado em Vestibular, há quase meio século. Ou seja, é de leigo, não de especialista. Só posso (e devo), pois, enfocar a questão sob o ponto de vista literário, pois esta é, mesmo que com muitas lacunas, a minha praia.

Entendo que a melhor forma de tratar do tema, sem correr nenhum risco de desinformar os leitores, é a de abordar como escritores de ficção trabalharam o assunto referente a epidemias – reais e fictícias –, tanto em romances, quanto em contos, peças de teatro e roteiros de cinema. Aliás, a literatura a respeito nem mesmo é tão farta. Não me consta que algum ficcionista já tenha tratado do zika vírus, até porque, este agente patogênico é ainda relativamente recente. Mas se ninguém tratou dele, vários já trataram do seu agente contaminador, o teimoso e resistente Aedes Aegypti, transmissor de outras tantas doenças, como a dengue, o chicongunia e... a febre amarela.

Sobre as duas primeiras patologias citadas, não conheço nenhum livro, se é que algum já tenha sido escrito, no que não acredito. Mas, sobre a febre amarela, há vários, e bons, romances, cujo teor e cujos autores abordarei oportunamente, na sequência desta série de comentários. Aliás, uma epidemia dessa doença quase varreu a cidade em que resido, Campinas, do mapa, em finais do século XIX. Reduziu sua população, que na época, se não me engano, era maior do que a de São Paulo, de cerca de 100 mil pessoas, para algo em torno de cinco mil. Quem não fugiu daqui, acabou morrendo de febre amarela, que também grassou no Rio de Janeiro, onde igualmente fez muitas vítimas fatais. Neste caso, cito dois grandes romances, ambos escritos por escritores meus amigos. O primeiro é “A febre amorosa”, do saudoso Eustáquio Gomes (falecido em 2014). Trata-se de magnífico escritor (além de incomparável figura humana), que não foi devidamente valorizado como merecia. Tive o privilégio e a honra de ser não somente seu companheiro de trabalho, na redação do Correio Popular (era jornalista exemplar, modelo para as novas gerações do jornalismo), mas, sobretudo, seu amigo.

O segundo romance tendo por tema a epidemia de febre amarela, que dizimou Campinas e cujo pico ocorreu em 1889, é “O ovo da serpente”. Seu autor é o advogado e ex-procurador da Prefeitura de Campinas, Jorge Alves de Lima, de 75 anos. Além de presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, ele é membro da Academia Campinense de Letras, que tenho orgulho de também integrar e... principalmente (para mim) é meu amigo.

Esse mosquitinho terrível, originário do Egito, transmissor da febre amarela, dengue, chicongunia e zika, bem que merece o nome científico que os biólogos lhe deram. “Aedes”, em grego, significa “odioso”. Pudera! Amoroso é que não poderia ser! Lembro o leitor, o que me sugeriu este assunto, que já tratei dele aqui mesmo, neste espaço, em forma de editorial, intitulado “Epidemias como temas de romances”, publicado em 15 de abril de 2015. O ilustre amigo virtual certamente não leu o referido texto. Não faz mal. Espero que leia a série de comentários que me proponho a escrever doravante, para atender sua solicitação. Desta vez, todavia, proponho-me a estender a abordagem, trazendo novas informações a propósito, o que, espero, virá a ampliar o conhecimento dos que me derem a honra de sua leitura diária, e o meu também, (por que não?) que serei forçado a pesquisar novas fontes, para não escrever bobagens.

Para deixar-lhes um “gostinho de quero mais”, tomo a liberdade de reproduzir o primeiro parágrafo do referido editorial que citei, que foi adaptado e publicado em vários outros espaços da internet ao meu dispor com o mesmo título:

“A maior ameaça à vida humana – das tantas e tantas que podem extinguir nossa frágil espécie – talvez não seja o choque de algum cometa, ou de um meteorito de grande porte com o Planeta (possibilidade que não é nada remota) e nem mesmo uma impensável, porém possível, guerra mundial, com o uso maciço de armas nucleares, como prognosticam os “profetas do apocalipse”. Convenhamos, esses perigos são concretos. São como uma roleta russa para a humanidade. São catástrofes que podem ocorrer sem nenhum aviso, a qualquer momento, e acabar com nossa arrogante espécie. Todavia, para muitos especialistas, o risco maior á nossa sobrevivência talvez venha de seres vivos minúsculos, microscópicos, tão diminutos que são invisíveis a olho nu. Refiro-me a vírus e bactérias sumamente mortais, como os do ebola e de tantas outras doenças letais, muitos sequer não identificados ainda, que podem causar uma pandemia global incontrolável. Esse sempre foi meu temor”. Por enquanto...


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Tuesday, February 02, 2016

O MELHOR DE NÓS PARA QUEM AMAMOS

Faço uma ressalva para os que não me conhecem e estão lendo textos meus pela primeira vez. Detesto temas mórbidos. Raramente escrevo sobre a morte. Sei que este é o destino inexorável de todos os seres vivos, mas não vejo poesia e nenhum encanto nela, ao contrário de uma infinidade de escritores que se compraz em trazer o assunto à baila. Quase todos os poetas tratam desse tema. Eu, todavia, fujo dele. Busco, isto sim, exaltar essa coisa rara e preciosa, que é a vida. Dos mais de mil poemas que compus, em apenas três (notem bem, três) falo da morte, e assim mesmo incidentalmente. O escritor e jornalista Marcelo Rollemberg escreveu que “amar é um eterno cerzir de emoções”. Sem discordar dele, ouso afirmar que é mais seguro não deixar que esse fragílimo tecido afetivo se esgarce e até rasgue, para não ser preciso cerzi-lo. Mas... atentemos para estas observações de Nelson Rodrigues, feitas em seus derradeiros instantes de vida, que concluiu dessa maneira a magnífica crônica “Amor que morre”: “Devemos reservar o melhor de nós mesmos, de nossa delicadeza, de nossa cerimônia, de nosso charme, para a mais secreta intimidade do lar. É menos grave chamar de ‘chato’ um embaixador, um ministro, do que o namorado, a noiva, a esposa, o marido. Se respeitássemos o nosso amor, não seríamos tão solitários e tão malqueridos”. Atentem com toda a atenção para isso!!!!


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“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
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