Monday, July 21, 2014

Há pessoas que empacam no tempo e tentam reproduzir o que consideram “bons momentos” que tiveram, nos mínimos detalhes, como se isso fosse possível. Alguns chegam ao exagero de fazer dessa tentativa uma obsessão. Melhor seria se continuassem a jornada pela vida, colhendo novas vitórias, sofrendo algumas derrotas (que apesar de amargas, são didáticas, por isso necessárias), múltiplas experiências e, ao cabo, a desejável sabedoria. É impossível reproduzir com exatidão o que passou. Afinal, os cenários, as pessoas, o tempo e as circunstâncias são diferentes e a reprodução, quando acontece (há ocasiões em que isso parece acontecer) não passa de triste e ridícula caricatura do original. O poeta Mauro Sampaio nos diz isso, com graça e beleza, nos versos do poema “Realidade”:

“O tempo diz: espera!
Sento-me no último degrau da vida
e procuro outros sonhos
que me levem a outros destinos.

Entretanto

é inútil chamar os ventos que passaram”

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Presente do Dia dos Pais

Dê ao seu amigão o melhor dos presentes neste Dia dos Pais: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas nessa data. Mas em todos ops dias do ano, por anos e anos a fio.

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Primeiro passo para a paz


Pedro J. Bondaczuk


O antagonismo entre as facções em luta no Líbano está sendo muito difícil de ser contido. Afinal, são dez anos de hostilidades, que não se apagam da noite para o dia, como se meramente não tivessem existido.

Mas o gabinete formado pelo experiente político Rashid Karami, anunciado ontem, após exaustivas reuniões com o presidente Amin Gemayel, mesmo em meio a duros combates junto à linha que divide em dois setores (como se fossem duas comunidades urbanas distintas) o leste e o oeste de Beirute, dá uma certa esperança. Principalmente porque, além de contar com representantes de praticamente todos os grupos em luta, é composto por políticos experientes, muitos dos quais ex-primeiros-ministros, capacitados, portanto, a conduzirem o barco libanês nesse momento decisivo da sua história.

Há, é claro, questões críticas, em que a discordância é a principal característica. Não se pode negar, também, que o governo de coalizão corre o risco de se esfacelar, mesmo antes de tomar em suas mãos as rédeas da nação. Principalmente porque, muitos políticos escolhidos ainda não foram sequer consultados, não dando, portanto, o seu sim.

Mas apenas o fato de terem os seus nomes lembrados para a composição do gabinete já é um sintoma alentador. Representa o início do desarmamento de espíritos, que pode (e deve) evoluir para o passo seguinte de qualquer negociação, ou seja, a predisposição para a mútua colaboração.

Todos os homens de boa vontade no mundo (e, acreditem, embora em pequeno número, eles ainda existem), cruzam os dedos, na expectativa de que os libaneses, finalmente, tenham encontrado o caminho da concórdia. E que, ao invés de disparos de metralhadoras, de mísseis e de obuses, os líderes desse país sofrido, semidestruído e, atualmente, com poucas perspectivas futuras, troquem apenas idéias, que possam conduzir essa comunidade nacional à paz.

(Artigo publicado na página 13, Internacional, do Correio Popular, em 1º de maio de 1984)


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Amizades que nunca acabam

Pedro J. Bondaczuk

O conceito de amizade nem sempre é devidamente entendido em toda sua extensão. Quando se pensa em amigos, vem-nos, de imediato, à memória aquela pessoa a quem confidenciamos até nossas mais secretas (e talvez escabrosas) idéias, fazemos desabafos que não temos coragem de fazer a mais ninguém, estimamos sem reservas e nem restrições, que freqüenta nossa casa e em cujas mãos depositamos nossa própria vida. Além do que, somos capazes de morrer, (se necessário), por ele (ou ela, quando é o caso), tamanha e irrestrita é a estima que lhe devotamos.

O problema não é considerar quem está nessa condição como “irmão espiritual”. Essa, convenhamos, é boa descrição da figura do amigo. O que é um equívoco, além de enorme injustiça, no entanto, é não considerar de idêntica maneira quem não conviva e nunca tenha convivido conosco. Quem não prive em momento algum da nossa companhia física. Quem sequer conheçamos pessoalmente, principalmente porque já tenha morrido muitos anos antes do nosso nascimento, mas que tenha profunda influência em nossa vida. De quem conheçamos praticamente tudo e a quem estimemos como se estivesse a todo o momento conosco, pronto a nos socorrer em qualquer circunstância ou situação, no que podemos declarar “para o quer der e vier”. Refiro-me, neste caso, a escritores. Sim, eles são nossos amigos. Sim, eles merecem toda nossa consideração e, sobretudo, irrestrita gratidão. Sim, sentimos demais quando morrem, como se tivéssemos perdido algum muito amado parente.

Todavia, ao contrário do que ocorre com os “amigos presenciais”, de cuja companhia privamos no dia a dia,  ou seja, que é constante e permanente, quando “partem para o além”, a amizade não se encerra, como ocorre via de regra . Pelo contrário, na maioria dos casos, até se amplia, se consolida e se torna ainda mais onipresente. Os livros que nos legaram, e que tanta influência tiveram em nossa vida, retêm sua alma, sem perder ínfima fração do seu vigor e intensidade originais. Servem-nos, mais do que nunca, de guias nas mais diversas circunstâncias e variados momentos.

Isso acaba de ocorrer comigo. E em dose dupla, com as mortes de João Ubaldo Ribeiro e de Rubem Alves. Foi um choque duplo, portanto. Foi uma perda multiplicada. Destarte, meu lamento, óbvio, é na mesma proporção. Tenho, todavia, um consolo, que outros tantos, que privaram do seu convívio, talvez não tenham. Tenho boa parte dos tantos livros que escreveram, que mudaram certos conceitos que eu tinha e consolidaram outros tantos, me tornando uma pessoa um pouquinho melhor. Aliás, muitíssimo melhor.

O impacto dessas duas mortes, porém, é tão grande, que eu, que ganho o “pão nosso de cada dia” com o manejo de palavras, não encontro as que sejam adequadas para expressar minha dor e o impreenchível vazio que as duas perdas me deixam agora no espírito. Peço licença, pois, ao compreensivo leitor, para reproduzir uma crônica que escrevi em 12 de abril de 2012, intitulada “amizades espirituais”, que expressam a caráter o que João Ubaldo Ribeiro e Rubem Alves significaram e vão significar sempre para mim, enquanto eu viver.     

“Vocês já atentaram para o fato de que consideramos determinados escritores – pela identidade que temos com suas idéias, por ideais pelos quais lutam e por sua postura face à vida – amigos, mesmo que jamais tenhamos nos visto, conversado e que sequer eles saibam, ou mesmo desconfiem, da nossa existência? Familiarizamo-nos de tal sorte com eles, que é como se freqüentassem nossa casa, conhecessem nossos gostos e pensamentos, soubessem de nossos problemas e ambições, nos aconselhassem quando conselhos se fizessem necessários, nos repreendessem (com doçura) quando tivéssemos que ser repreendidos e satisfizessem, enfim, todas as necessidades psicológicas, tudo o que esperamos de uma legítima, sólida e intimíssima amizade.

Com base nesse parâmetro, posso afirmar, com rigorosa segurança, que tenho mais, bem mais de um milhar de amigos desse tipo. E a cada dia, acrescento mais e mais escritores a esse círculo de amizade, sem abrir mão de um único dos que já tenho. É um processo de permanente acréscimo no qual toda a vantagem é minha. Enriqueço minha vida, torno-me um pouco (ou muito, sei lá) mais sábio, sem que retribua esses ganhos em idêntica medida. Esse raciocínio vale, observo, não apenas para escritores. Tenho essas ‘amizades espirituais’ também com atletas, cantores, músicos, artistas plásticos ou, simplesmente, com correspondentes da internet. Pena que não haja reciprocidade. Ou seja, que todo esse pessoal não me considere, também, amigo (embora haja, posto que raras, exceções).

Em muitos casos (talvez na maioria), essas amizades nem poderiam contar com a devida correspondência? Por que? Porque essas pessoas que consideramos amigas (e ainda por cima, íntimas) já morreram. E esse sentimento de intimidade e fraternidade é tão intenso e profundo, que nem a morte é empecilho para que essas amizades se preservem e se mantenham tão sólidas como quando começaram.. Ela é intemporal. E independe de qualquer fator objetivo. Ou seja, permanece intacta além da vida.

Mesmo depois de falecidos, esses escritores (que, no meu caso, constituem a imensa maioria desses ‘amigos espirituais’) permanecessem vivos, vivíssimos em nossa memória e em nossas emoções. Seus espíritos ficam retidos nas páginas dos livros que escreveram, nas entrevistas que deram a jornais e revistas e, ultimamente, nos textos que, em vida, postaram na internet, em múltiplos sites e/ou blogs.

Essa chama de genialidade nos acompanha, como anjos da guarda, como espíritos tutelares, ao longo da nossa jornada pelo mundo. É possível, se não provável, que se um dia cruzarmos com um desses nossos ídolos intelectuais vivos, que tanto prezamos, em uma rua qualquer de alguma cidade, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Recife ou, no meu caso, Campinas, passemos, um pelo outro, com absoluta indiferença. Talvez nem nos reconheçamos. Não descarto que isso já tenha ocorrido algum dia comigo. É possível e até provável. Nossa identidade, reitero, não é física. É intelectual. Vou mais longe: é espiritual.

Conhecemo-los bem (mesmo que não haja reciprocidade), talvez melhor, até, do que seus mais chegados parentes. Consideramo-los ‘amigos’, no sentido mais estrito de amizade, mesmo que jamais, por alguma razão, não nos refiramos a eles dessa maneira. Afinal, o que vem a ser amizade? Não é a identidade de idéias, sentimentos e emoções? Não é a existência de interesses comuns? Pois então, todos esses escritores que tanto aprecio e venero são, rigorosamente, amigos, mesmo que não nos conheçamos pessoalmente e que não haja reciprocidade da parte deles. Desconfio que se as circunstâncias nos aproximassem, e possibilitassem convivência física, material, constante, tête-a-tête, esse sentimento seria recíproco.

É tudo isso que expus, com tamanha emoção (até visceralmente), mas pouca razão, o que sinto pelo mexicano Octávio Paz (e acrescento hoje, a essa crônica escrita há já certo tempo, as figuras de João Ubaldo Ribeiro e de Rubem Alves). (...) Refletindo, hoje de manhã, sobre o que escrever neste espaço, subitamente me dei conta de uma imensa ‘mancada’ minha em relação a estes meus ídolos.

Abordei, neste espaço (e vocês são testemunhas), a obra, e em muitos casos a vida, de pelo menos um milhar de escritores que fazem parte do meu imenso círculo de ‘amizades espirituais’. Todavia... nunca, nunca mesmo redigi um só texto abordando, especificamente, estes meus ‘amigões’. Não se trata, óbvio, de menosprezo por eles. Talvez tenha me faltado oportunidade para essa abordagem. Sim, talvez. Citei-os, é verdade, em algumas ocasiões, posto que apenas de passagem. Prometo, no entanto, (a vocês e a mim mesmo) corrigir, doravante, essa imperdoável omissão. Afinal, eles continuam vivos, vivíssimos (e mais do que nunca) nos magníficos livros que nos legaram”.


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Sunday, July 20, 2014

Preocupamo-nos, em demasia, com a aparência, que muda ao sabor do tempo, sem que possamos fazer nada para evitar. Ficamos aflitos se, a cada manhã, ao nos olharmos no espelho, encontrarmos um fio de cabelo branco que não tínhamos ontem, uma ruga nova a nos sulcar o rosto, uma espinha, uma olheira etc. Claro que devemos cuidar com zelo e capricho do nosso corpo, fortalecê-lo, asseá-lo, higienizá-lo e mantê-lo o mais saudável possível pelo tempo que der. Mas a aparência que deve nos preocupar não é a física, mas a espiritual. O tempo costuma fazer uma troca conosco: nos envelhece, mas, em contrapartida, nos dá vivência, lembranças, experiência. Por mais que busquemos evitar, o espelho nos deixa, diariamente, recados que não gostamos de saber. Em vez de consultá-lo, tão amiúde, todavia, por que não consultamos nosso coração para sabermos a quantas andam nossos sentimentos? O poeta Mauro Sampaio faz a seguinte confissão, neste poema “No espelho”

“Todos os dias encontro,
no silêncio do meu espelho,
um recado que não quero”.


Deixemos, pois, o espelho de lado e consultemos, apenas, nossa memória.

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Presente do Dia dos Pais

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Irã, mais uma vez, sob suspeita geral


Pedro J. Bondaczuk


As suspeitas sobre o Irã, de que o país teria algo a ver com o seqüestro do Boeing 747 da Kuwait Airways, ocorrido no dia 5 passado, estão se avolumando, à medida em que o tempo passa e o caso continua sem nenhuma solução.

É verdade que os acusadores são um tanto parciais em suas acusações. Afinal, todos os que levantaram essa hipótese (sem a apresentação de qualquer indício confirmando a possibilidade), são adversários da República Islâmica. O primeiro a falar disso foi Yasser Arafat, o líder da Organização para a Libertação da Palestina, na terça-feira.

Outro que abordou a questão, e bateu na mesma tecla, foi o chefe da guerrilha antiiraniana, anteontem. Este chegou, inclusive, a responsabilizar o presidente do Parlamento persa, Akbar Hashemi Rafsanjani, como sendo o planejador do ato de pirataria aérea.

Quando da ocorrência do seqüestro nós afirmamos, neste mesmo espaço, que o Irã tinha, com ele, uma oportunidade e um risco. A primeira era a de limpar o seu nome, já que o país é freqüentemente apontado como um Estado patrocinador do terror. O segundo se prendia ao fato de, caso Teerã não resolvesse o impasse enquanto o avião estivesse estacionado no aeroporto de Mashhad, em seu território, tais suspeitas iriam se avolumar. Afinal, a República Islâmica, justa ou injustamente, já tem essa fama perante a opinião pública internacional. E é o que está acontecendo.

Prender-se somente à não-solução do seqüestro, no entanto, para acusar o regime dos aiatolás, é uma atitude injusta e preconceituosa. O governo de Chipre também não conseguiu acabar com ele e nem por isso as autoridades cipriotas estão sob suspeição de cumplicidade com os terroristas.

O mesmo vem acontecendo com a Argélia, país que já possui tradição mediadora, já que foi aquele que ajudou a resolver o caso mais longo e intrincado do tipo. Ou seja, o da tomada da embaixada norte-americana em Teerã e da manutenção de 52 reféns por exaustivos, tensos e angustiantes 444 dias. As autoridades argelinas, por mais que tentem, vêm esbarrando na intransigência dos fanáticos que ocupam a aeronave.

Agora, a única forma dos iranianos ficarem livres das acusações que se sucedem é os seqüestradores serem presos e relatarem os detalhes da sua louca operação. Mesmo assim, é capaz de aparecer alguém pondo em dúvida o que os terroristas (que estão zangados com a imprensa por ela estar usando tal designação para eles) disserem. O que fazer? Certas famas, além de incômodas, são difíceis, senão impossíveis de serem exterminadas. Bem diz um político mineiro: "A reputação é como a virgindade. Uma vez perdida...”


(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 16 de abril de 1988).


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Crer ou não crer em milagres

Pedro J. Bondaczuk

As leis da natureza são fixas e imutáveis. Ocorre que o homem, por mais que tenha avançado na compreensão do universo, está longe, sumamente distante, de saber de tudo. Desconfio que seu conhecimento, embora pareça enorme e assombroso, ainda seja ínfimo, incipiente, pífio diante do que há por conhecer. Boa parte do que “achamos” que sabemos, baseia-se, apenas, em hipóteses, que podem, ou não, ser confirmadas ou derrubadas, mediante comprovação (quando esta é possível), a qualquer momento. Um exemplo prático disso é o que se refere à existência ou não de buracos negros.

Tempos atrás, o físico inglês, Stephen Hawking, trouxe à baila a possibilidade de haver uma formação cósmica  com força de gravidade tão poderosa, que nada, nas suas proximidades, escaparia de sua atração: planetas, estrelas, galáxias e nem mesmo a luz. Daí o seu nome. Escreveu, se não me engano, dois livros a respeito, que se tornaram best-sellers. A teoria foi debatida por muito tempo, nas mais renomadas  esferas científicas, até que fosse aceita como algo mais do que mera hipótese. Tornou-se praticamente uma “verdade” para físicos do mundo todo.

Porém... o próprio criador dessa teoria, ou seja, Stephen Hawking, surpreendeu o mundo científico, ai9nda muito recentemente, em fins de janeiro de 2014, ao publicar, na revista “Nature” extenso artigo... negando exatamente a existência dos buracos negros, os mesmos que tempos atrás afirmou peremptoriamente existirem e que argumentou a respeito com tamanha convicção e credibilidade, que convenceu a gregos e troianos. Viram como hipóteses, mesmo as transformadas em dogmas, podem ser derrubadas num piscar de olhos?  

Da minha parte depreendo que o conhecimento humano a propósito das leis que regem a natureza ainda é, reitero, ínfimo, incipiente e pífio, embora muitos entendam que o homem já domine os mistérios da mecânica que rege o universo. Óbvio que não domina. Porém, todas as vezes em que determinada reação não condiz com a ação que a provocou, a tendência humana é a de “explicar” o supostamente inexplicável mediante um conceito que entendo vago e inconclusivo. Diz-se que, no caso, ocorreu um “milagre”. Essa palavra, a rigor, tem vários significados e sua aplicação depende da devida contextualização. Significa determinada coisa para uns e outra, não raro diametralmente oposta, para outros. Esse é outro tema que me fascina e me induz à constante reflexão, sem que até aqui tenha chegado a qualquer conclusão. Talvez ela não exista ou seja impossível, sabe-´se lá.

O Dicionário Michaelis de Língua Portuguesa (online) traz as seguintes conotações para “milagre”: “sm (lat miraculu) 1 Fato que se atribui a uma causa sobrenatural. 2 Teol Algo de difícil e insólito, que ultrapassa o poder da natureza e a previsão dos espectadores (Santo Tomás). 3 Coisa admirável pela sua grandeza ou perfeição; maravilha. 4 Fato que, pela raridade, causa grande admiração. 5 Intervenção sobrenatural. 6 Efeito cuja causa escapa à razão humana. 7 pop Figura em madeira ou cera, oferecida aos santos, em cumprimento de um voto”.

Como se vê, a existência ou não desse fenômeno, dessa “abolição” de alguma lei da natureza, depende do contexto que estivermos tratando. Para o genial escritor alemão, Johann Wolfgang Goethe, “o milagre é fruto predileto da fé”. Ou seja, existe, a despeito de explicações científicas, para quem crê que exista. Já para o cético... Mas o poeta germânico, em outro dos seus inspirados textos, contesta sua relevância ao escrever que “as pessoas felizes não acreditam em milagres”. Por que? Porque não precisam deles para viver da forma que lhes satisfaça e conserve seu estado de felicidade. O escritor austríaco, Erich-Marie Remarque, indiretamente justifica a opinião de Goethe ao escrever: “No desespero e no perigo, as pessoas aprendem a acreditar no milagre”. Ou seja, crêem, mas somente quando no auge da infelicidade.

Anatole France, por seu turno, atribui essa crença à falta de entendimento das leis que regem a natureza, com o que concordo. Escreve: “Definem-nos o milagre como abolição das leis da natureza. Não as conhecemos. Como saberíamos então que um fato as abole?" Sim, como saberíamos? Os que não creem em milagres, para mim, são céticos, apenas, porque não atentam para a natureza. A cada fração de segundo, a vida se renova, de forma fantástica e miraculosa, e se manifesta onde jamais supúnhamos fosse possível. Basta atentar para o que ocorre ao nosso redor. A própria existência da Terra, com a distância ideal do Sol – nem próxima demais para ser tórrida, como Mercúrio e Vênus, e nem distante em demasia, para ser gélida, como ocorre com Marte – é magnífico milagre. Ou não é? E mais ainda, a existência da Lua, rigorosamente onde ela está – nem mais próxima e nem mais distante – igualmente é milagrosa.

Entendo milagre, pois, não como algo sobrenatural, mas como a própria lei, inflexível e imutável, que rege a natureza. Para mim, isso é muito mais miraculoso do que a transformação de água em vinho ou do que a súbita cura de alguém julgado incurável. Nesses dois casos, existem explicações lógicas, basta que sejam devidamente procuradas. Mas as leis da natureza... são o milagre dos milagres. O poeta italiano, Salvatore Quasimodo, diz isso com graça e beleza, neste poema “Águas e terras”:

“E eis que do tronco
rompem-se os brotos:
um verde mais novo da relva
que o coração acalma:
o tronco parecia já morto,
vergado no barranco.
E tudo me sabe a milagres,
e eu sou aquela água de nuvens
que hoje reflete nas poças
mais azul seu pedaço de céu,
aquele verde que se racha da casca
e que tampouco ontem à noite existia”.


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Saturday, July 19, 2014

Qual será o legado que deixaremos aos que nos sobreviverem, aos jovens de amanhã, à posteridade, enfim, à humanidade? Um livro? Uma pintura? Um retrato? Ou uma saudade? Bom seria se legássemos tudo isso e muito mais. Se deixássemos nosso sorriso de simpatia e otimismo para uns; um exemplo de bondade e de solidariedade para outros; um ensinamento valioso para terceiros e vai por aí afora. Um dia deixaremos de ser personagens dessa magnífica e às vezes perigosa aventura que é a vida. Retornaremos para o seio generoso da terra e voltaremos a ser o que sempre fomos – salvo num curtíssimo período em que amamos, odiamos, gozamos, sofremos, rimos e choramos – ou seja, “pó das estrelas”. Mauro Sampaio tratou desse tema com sensibilidade e beleza, nestes versos do poema “Prólogo”:

“Ficarei em meu sorriso
em outra boca que sequer saberá meu nome.
Meu coração estará com outro coração.

Alguém terá os meus passos
e caminhará inexoravelmente para a mesma terra
pátria minha agora”.


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Problemas que inibem produção em alta escala


Pedro J. Bondaczuk


A indústria de informática no Brasil, a despeito de dificuldades – algumas gerais, inerentes a vários outros setores (como a incerteza gerada pelo Plano Verão), e outras setoriais –, está avançando. É verdade que ainda falta muito para o computador, em especial o micro, ser um produto popularizado, ao alcance de qualquer cidadão médio.

Uma das dificuldades para isso é o seu preço. Nós mesmos, analisando isto, recentemente, atribuímos o fato à ausência de uma produção em escala. Todavia, um informe da Associação Brasileira da Indústria de Computadores e Periféricos, divulgado recentemente, mostra que a questão não é tão simples quanto se possa supor a princípio.

A Abicom revelou que está procedendo a um levantamento sobre custos, tendo já chegado a algumas conclusões. Uma delas é que os impostos chegam a representar quase 50% do seu faturamento. Ou seja, o governo acaba sendo o principal “sócio” das empresas.

Em 1988, por exemplo, de US$ 2,4 bilhões faturados, mais de US$ 1 bilhão foram destinados aos tributos. Assim não dá mesmo para tornar os produtos acessíveis a todos. Por outro lado, dois terços do custo da indústria de informática são provenientes da área eletrônica. Esta, aliás, sob o pretexto da promoção do desenvolvimento regional, está concentrada, em boa parte, na Zona Franca de Manaus.

Com isso, seus produtos acabam saindo caro, dado o fator transportes. Os componentes eletrônicos para computadores, por exemplo, chegam a custar de duas a oito vezes mais do que aquilo que é cobrado no mercado internacional.

Produzir em escala, nessas circunstâncias, chega a ser não somente uma grande dificuldade, mas até uma impossibilidade. Detectado o problema (pelo menos parte dele) é indispensável que se procurem soluções. Caso contrário, os produtos de informática “made in Brazil” jamais serão competitivos no Exterior, e nem internamente, assim que a lei de reserva de mercado for revogada (e um dia, fatalmente, ela será).

(Artigo meu, publicado sob pseudônimo na página 11, Editoria de Informática do Correio Popular, em 7 de abril de 1989).


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Persistência e teimosia

Pedro J. Bondaczuk

A observação atenta do comportamento das pessoas é excelente exercício, útil, se não indispensável, ao escritor, notadamente ao que se dedica a obras de ficção. É precioso subsídio na elaboração de personagens autênticos, verossímeis, de carne e osso e não de figuras caricatas e falsas, exageradas na prática do bem ou do mal, como muito ficcionista preguiçoso, ou desatento, faz. Um colega, com o qual comentei isso, disse que se sente constrangido em agir dessa maneira, com receio de ser interpretado como “bisbilhoteiro”. Mas, afinal, o que somos nós, escritores, se não mestres em bisbilhotices? Isso mesmo! Claro que nossas observações, por questão até de prudência, não precisam ser escandalosas, ostensivas e escancaradas. O melhor é que sejam discretas, até por razões práticas. Assim poderemos flagrar as pessoas que estivermos observando em seu natural, sem que dissimulem nada e não representem o que não são.

Confesso – e se isso for errado, incorro nesse erro o tempo todo, embora não entenda que seja assim e até recomende esse exercício a quem se propõe atuar nesse campo tão delicado e complicado que é a literatura – que observo tudo e todos. E não me limito a observar. Anoto o que me chama a atenção pelo inusitado e utilizo esse conhecimento, não apenas em contos, gênero de minha predileção, mas em textos de não ficção, notadamente em crônicas e ensaios. Afinal de contas, o que somos nós, escritores?  Não passamos de pessoas que escrevem sobre pessoas para outras pessoas lerem. Ou não é assim?

Entre as características que admiro, quando detecto em alguém, destaco a persistência. Há que se distinguir, todavia, esse comportamento – que é uma virtude – de outro bastante similar, mas que é um defeito até bastante comum: a teimosia. Muitos consideram essas duas palavras como sinônimas. Discordo. Não são! Persistente é o sujeito que trilha um caminho difícil, se propõe a alcançar um objetivo aparentemente superior às suas forças, que ele tem certeza de ser o correto e positivo e, por isso, nunca desiste, sejam quais forem os obstáculos que tem que superar, principalmente face circunstâncias desfavoráveis. “Teimosia não é também isso?!, perguntará, atônito, o leitor desavisado. Quase. Parece, mas não é. A diferença está no fato do teimoso persistir em determinada prática que sabe ser ruim para si ou para terceiros, mas que ainda assim não desiste. E teima sem nenhuma razão racional e objetiva. Como se vê, a diferença é sumamente sutil, mas os resultados tendem a ser gritantemente diferentes.

Já criei personagens dos dois tipos, ou seja, persistentes e teimosos. E por mais que forçasse, foi impossível criar para o segundo um desfecho positivo, alguma vitória marcante, enfim, um “happy end”. Soaria ilógico se o fizesse. E seria. Victor Hugo escreveu: "Todo o segredo dos grandes corações está nesta palavra: 'perseverar'. A constância diz que espécie de homem há dentro de nós, qual é a nossa personalidade e a dimensão da nossa coragem. Os constantes são os sublimes. Quem é apenas bravo tem só um assomo, quem é apenas valente tem só um temperamento, quem é apenas corajoso tem só uma virtude; o tenaz, porém, tem a grandeza".

Tenacidade, apresso-me a esclarecer, é sinônimo de persistência. Só ela conduz ao verdadeiro heroísmo. E este consiste em vencermos nossas deficiências (o que não ocorre com o teimoso) e em conquistarmos os nossos sonhos... Persistir, persistir e persistir. Este é o segredo dos vencedores. Nunca devemos desistir do que tenhamos plena convicção que signifique evolução, notadamente a espiritual. Poucos, pouquíssimos, ostentam essa virtude. Já a teimosia... Brota por aí como praga, como tiririca em um gramado nobre. Bravura, valentia e coragem de nada valem sem a tenacidade, sem a capacidade de nunca desistir enquanto houver remota chance de sucesso em algum de nossos tantos empreendimentos. Já a teimosia...

O reverendo norte-americano Norman Vincent Peale, de tantas e positivas mensagens em seus inúmeros livros e sermões, observou: "Uma das coisas mais simples sobre a arte de viver é que para chegar aonde desejamos é preciso persistir na persistência".  Notem que não recomendou que persistamos na teimosia. A poetisa norte-americana Ella Wheeler Wilcox, por seu turno, acentua: "O homem é o que ele pensa. Não o que diz, lê ou ouve. Mediante persistente pensar podemos desfazer qualquer condição que exista. Podemos libertar-nos de quaisquer cadeias, quer da pobreza, quer do pecado, da doença, da infelicidade ou do medo". E Michael Drury vai mais longe: "Podemos não ter os dotes necessários para construir uma ponte, compor um poema, ou descobrir uma nova estrela; mas se quisermos viver nossa vida com profundidade e espírito criador, precisamos trabalhar incessantemente para expressar o nosso próprio conceito do que significa estar vivo". Temos, em suma, que "persistir na persistência".

Sempre que trago o tema à baila, vem-me à lembrança a “Parábola do semeador”, que Jesus Cristo utilizou para ilustrar o valor da persistência em espalhar mensagens sadias e construtivas. De acordo com a alegoria do Bom Rabi, determinado lavrador lançou, primeiro, sua semente por entre as pedras. Mesmo tendo germinado, a planta embrionária não tinha como fixar raízes, dada a rigidez do solo. Não havia humus. Inexistia a umidade. Faltavam, portanto, o alimento e a água. Dessa forma, ou os pássaros devoraram o que foi semeado, ou o sol crestou a semente, a inutilizando. A segunda foi lançada sobre a areia, em meio a urzes. Germinou, fixou raízes, mas estas não tinham firmeza. Um simples vento arrancou a planta em formação, matando-a ou as ervas daninhas sufocaram-na. A terceira semente, no entanto, caiu em terra fértil. Germinou, radicou-se, desenvolveu-se, cresceu e frutificou.

Assim são as mensagens espalhadas pelos idealistas (e pelos escritores). Têm que ser múltiplas e semeadas incansavelmente. Mesmo assim há riscos de nenhuma delas vingar. Compete ao semeador tentar, tentar e tentar indefinidamente, enquanto viver. Ou seja, persistir na persistência. É o que faço e que pretendo fazer enquanto tiver força, lucidez e vida. Em alguma hora a semente haverá de cair em terra fértil e propiciar generosa colheita. Isso é persistência. Sou interpretado, amiúde, como teimoso, até mesmo como turrão. O que faço, no entanto, não se trata de teimosia: é persistência. Mera questão semântica, simples sofisma ou filigrana vocabular? Para alguns, sim. Para mim, não.


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Friday, July 18, 2014

A sabedoria é inata, como a inteligência, ou adquirida, como a cultura? Creio que a resposta óbvia é a segunda alternativa. Ou seja, ninguém nasce sábio, mas pode se tornar um, com esforço, dedicação e persistência. E existe algum caminho para se atingir essa tão desejável condição? Sim, existe, e não somente um. Concordo com Confúcio (e nem poderia ser diferente, não é mesmo?), que aponta três formas de se adquirir sabedoria. Contudo, como tudo na vida, sempre há um caminho que é mais fácil, confortável e seguro, e outro que é complicado, penoso e cheio de acidentes. A tendência humana, via de regra, é a de sempre optar pelo que é mais difícil. O sábio chinês, quando indagado por seus discípulos a propósito, respondeu: “Há três métodos para ganhar a sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo”. E vocês, queridos amigos, qual destes três caminhos pretendem trilhar?

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Presente do Dia dos Pais

Dê ao seu amigão o melhor dos presentes neste Dia dos Pais: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas nessa data. Mas em todos ops dias do ano, por anos e anos a fio.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.

Com o que presentear:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internetWWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.
Em livraria – Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.        

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Complexo caldeirão étnico


Pedro J. Bondaczuk


A Índia é um complexo caldeirão de etnias (mais de mil), línguas, costumes, religiões e comportamentos, de tal sorte que causa pasmo ao observador distante dos acontecimentos que um país tão complexo e heterogêneo se sustente unido. A ex-Iugoslávia, com cinco ou seis grupos étnicos desagregou-se dramaticamente, em um dantesco banho de sangue. A Rússia, com 10% da diversidade indiana em termos de povos, está submetida a constantes tensões e confrontos desde que a União Soviética se desfez. Na África, países que abrigam apenas duas ou três etnias diversas são verdadeiros caldeirões ferventes de violência.

A Índia, contudo, embora esteja longe de ser um mar de tranqüilidade (tem conflito aberto em Cachemira-Jammu e latente no Punjab, onde os sikhs sempre sonharam em criar um Estado independente), bem ou mal se sustenta. Pelo menos nunca se viu tentada a recorrer a ditaduras. Periodicamente promove (mesmo que muitas vezes fraudadas e sempre violentas) eleições para a renovação do seu Parlamento, de proporções inacreditáveis. Basta dizer que apenas o número de seus eleitores, cerca de 600 milhões, perfaz mais do que o dobro de toda a população dos Estados Unidos e quatro vezes a do Brasil.

Tudo ali é superlativo, em termos de problemas. Há desde riquíssimos marajás, com suntuosos palácios dignos das "Mil e Uma Noites", às castas mais miseráveis do Planeta. Em alguns aspectos o país já se encontra em pleno século XXI --- como na tecnologia de computadores, na exploração do átomo (para a paz e para a guerra) e até nas pesquisas espaciais --- e em outros, beira a barbárie da Idade da Pedra. Conta com homens dotados de extrema doçura e sabedoria e com guerreiros cruéis (os gurkas), exímios na arte de matar. Foi o berço de Mohandas Karamanchand Gandhi (o "Mahatma", ou Grande Alma), mas dois dos seus governantes (Indira e seu filho Rajiv) deixaram o poder em um caixão e o próprio "pai" da sua independência, "apóstolo" da não-violência, foi brutalmente assassinado em 20 de janeiro de 1948.

Apesar de tudo isso, ou por causa disso, é um país para ser levado a sério. Quase um sexto da humanidade (estima-se que sua população seja atualmente de um bilhão de habitantes) vive ali. Além disso, já testou com êxito uma bomba nuclear e estima-se que tenha entre 10 e 20 artefatos desse tipo em seu arsenal. Faz parte, portanto, do seleto "clube atômico", que reúne as cinco maiores potências militares do mundo. É essa Índia que acaba de cair em mãos de nacionalistas retrógrados. É esse país dos superlativos que abriu mão do passado conhecido (no caso o Partido do Congresso, de 111 anos de existência), mergulhando de cabeça no incógnito. O que virá dessa mudança? Quem pode prever? Tanto pode ser uma forma inovadora de governar quanto...o caos.

(Artigo publicado em 11 de maio de 1997 no Correio Popular).

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