Saturday, September 24, 2016

NUNCA SE SABE QUEM COPIA QUEM

A natureza se encarrega de estabelecer a identidade, pelo menos no que se refere à “aparência” exterior de cada pessoa. No comportamento, nas idéias e nas ações, porém... Tudo se mistura, se padroniza e se massifica. E nunca se sabe quem copia quem e por que. Não raro sou tentado a achar que as idéias que trago a debate, neste espaço, por exemplo, são exclusivamente minhas e absolutamente originais. Rigorosamente, não são. Colhi-as, aqui, ali e acolá, em leituras, conversas, no rádio, na TV, no cinema ou sabe-se lá de que forma, sem que me desse conta. Dei-lhes, é verdade, algumas “espanadas” para tirar o pó do tempo. Passei-lhes uma camada superficial de “verniz” da minha personalidade. Expressei-as conforme meu estilo de escrever. Mas nunca poderei me apropriar delas e afirmar que são minhas, saídas do nada, como num passe de mágica. A rigor, ninguém pode. Ninguém é original. É provável, por exemplo, que alguém, no Burundi, no Cazaquistão, nas Ilhas Salomão ou em qualquer recanto remoto e ignorado do Planeta, pense, exatamente, a mesmíssima coisa que eu e que também se julgue o “único” a pensar dessa forma. E, claro, como eu, igualmente não é.


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Cremlin substitui diálogo por ameaças


Pedro J. Bondaczuk


O presidente Mikhail Gorbachev, que em geral se mostrou coerente ao longo da sua vida pública, parece agora descambar para a incoerência. Suas últimas atitudes e declarações refletem temor, desconfiança, insegurança. Dão a entender que a crescente oposição que vem encontrando para a implantação de suas reformas o assusta.

Ele demonstra não confiar em seu próprio povo, na medida em que não encontrou nele o apoio que esperava para a execução da perestroika. Gorbachev, a partir de 1987, estimulou o liberalismo. Procurou despertar a consciência adormecida dos soviéticos para seus próprios problemas. Incentivou que as principais questões nacionais, os grandes focos de descontentamento popular, não fossem mais murmurados aos cochichos pelos cantos, com receio da onipresente KGB, mas trazidos à luz da opinião pública.

Subitamente, não se sabe por que, o presidente passou a perseguir veladamente os liberais, assustado com as dimensões adquiridas pelos movimentos nacionalistas. Começou a ver neles não os aliados naturais que são, mas adversários.

Tivesse Gorbachev utilizado a estratégia original, a do amplo debate de idéias, ao invés da repressão, da intimidação e da coação, talvez, já haveria superado amplamente os separatistas, com seus argumentos, pois é um exímio argumentador.

Provavelmente os secessionistas teriam caído em ridículo e ele poderia atacar de vez o verdadeiro problema soviético, que não é o separatismo, dada a relativa expressão das Repúblicas que querem se separar da URSS, mas a queda na produção, a má qualidade dos produtos, o sucateamento industrial, o despreparo da mão de obra, as ilhas de miséria tão grandes quanto continentes existentes em sua sociedade, enfim, as péssimas condições de vida do seu povo.

Seu apelo por uma moratória nas greves e manifestações públicas reflete até uma pontinha de pânico pela possibilidade da ocorrência de uma guerra civil. Esta, se tiver de acontecer, ocorrerá de qualquer forma e não será por culpa de Gorbachev. Ele se transformou somente no alvo concreto dos descontentamentos populares, acumulados há décadas.

Seu ex-chanceler, durante muito tempo tido como um dos melhores amigos pessoais, Eduard Shevardnadze, que surpreendentemente renunciou ao cargo em 20 de dezembro de 1990, após alertar que havia sintomas de iminência de uma nova ditadura no país, expressou, em entrevista pela televisão em 31 de março passado, a perplexidade, que é geral, com a atitude incoerente assumida nos últimos tempos pelo presidente.

"Não compreendo a atual campanha do governo contra os liberais. Foi a própria política de Gorbachev que permitiu que eles surgissem e crescessem", expressou na oportunidade. "Não vejo nada de terrível na luta dos democratas pelo poder. Afinal, nós mesmos permitimos a formação dos movimentos democráticos no país e deveríamos estar psicológica e moralmente preparados para essa situação que, gostaríamos de enfatizar, é absolutamente normal", acrescentou.

O mesmo Gorbachev, que em 17 de maio de 1990 dizia "quando o povo começa a repetir 'caos, caos, desintegração, desintegração' estou certo de que Lenin, como observador, diria que esse caos cristalizará uma nova forma de vida", agora adverte: "Hoje temos de agir. Agir juntos, não separadamente. Mas com unidade e com todas as forças vivas. Temos de agir para não deixarmos que o país caia numa catástrofe".

Como se observa, o presidente acabou contaminado pelo catastrofismo que sempre vinha condenando. Certamente, Gorbachev tem sido mal assessorado nos últimos tempos. Muitos dos reformistas de primeiro momento se bandearam para a oposição, ao primeiro sinal de perigo do "barco naufragar", deixando-o entregue às feras conservadoras.

(Artigo publicado na página 14, Internacional, do Correio Popular, em 11 de abril de 1991).


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Humanização da poesia


Pedro J. Bondaczuk


A vida é feita de ações. Claro, o desejável é que estas venham sempre acompanhadas da devida reflexão. Todavia, se formos confrontados entre o agir e o refletir, a opção tem que ser, sempre, a primeira: a ação, mesmo que estejamos sujeitos a erros. Temos que ser ousados. Precisamos deixar para trás o porto seguro, que não raro é uma desculpa para nada fazer, e explorar todas as possibilidades que a vida oferece.

Devemos sonhar, tentar, ousar e descobrir. Quem não agir dessa forma, certamente se arrependerá um dia. Mas, então... poderá ser tarde, muito tarde para recuperar o tempo perdido. O que ouvimos, lemos e testemunhamos no cotidiano tende a ferir nossa sensibilidade e impedir que vejamos o lado belo, nobre e sublime da vida.

Alguns se revoltam de tal sorte que chegam a culpar Deus pelo que de mal acontece. É um tremendo erro de avaliação. Devemos criar nossas próprias circunstâncias, à revelia do que nos cerca. Para isso é que fomos dotados de livre-arbítrio. Não se conformar, porém, não implica, só, em se revoltar, mas em agir, para transformar a realidade para melhor.

A forma de ação do artista, notadamente do poeta, é a sua obra. Trata-se de maneira válida e poderosa não somente de denúncia das mazelas sociais, mas, sobretudo, de cobrança de providências a quem de direito. Muitos torcem o nariz diante da chamada “arte engajada”. Acham que ao poeta compete, somente, descrever o sublime e o belo. Que é tarefa do jornalista tratar das distorções e aberrações políticas e sociais que caracterizam o mundo.

Entendo, todavia, que a arte e, principalmente a poesia, se trata de uma arma magnífica, posto que nem sempre eficaz, de denúncia de injustiças e misérias, em especial das que envolvam os humildes, os marginalizados, os oprimidos, as vítimas do vil apartheid social, aqueles que não têm visibilidade, voz e nem vez. O sociólogo Rodrigo de Carvalho denomina essa forma de ação de “humanização da poesia”, que “transforma a carne e o osso em versos”.

No seu ensaio “Walt Whitman: o poeta camarada”, observa: “Sem deixar os sentimentos de lado, (os poetas rebeldes do século XIX) foram buscar a realidade em suas voltas, retratar, a partir da poesia, as dificuldades do povo. O proletariado em franca ascensão se transformou na grande esperança da mudança do mundo em polvorosa”.

Contudo, entre os pensamentos, sentimentos e emoções que temos e sua expressão há um abismo tão grande quanto o diâmetro da Via Láctea. Palavras são frágeis, fragílimas, precárias para expressar a grandeza e a intensidade do que pensamos e sentimos. Atos, nesses casos, são mais eficazes, mas dependem de interpretações alheias, que quase nunca são corretas e justas.

Há pessoas que têm o dom da palavra e conseguem manifestar, posto que de forma tosca, pálidos “reflexos” do que sentem e pensam. A maioria, porém, frustra-se diante da impotência de se exprimir de forma inteligível e sem ambigüidades. Por isso, omite-se. A omissão, porém, é a maior das imoralidades, a máxima das covardias. Compete aos talentosos persistir e persistir e persistir em sua faina para modificar o mundo para melhor. Utopia? Sem dúvida! Mas deve ser a bandeira que empolgue quem aspire a ostentar com honra o título de “homem”, no seu sentido mais grandioso e verdadeiro.

O poeta tem a capacidade de antever o futuro, não raro com maior nitidez e precisão do que o profeta. Foi o que fizeram, por exemplo, Arthur Rimbaud, Walt Whitman, Guillaume Apolinaire, Antonin Artaud, Federico Garcia Llorca, Wladimir Mayakowski, William Burroughs, Jack Kerouac e Allen Ginsberg, entre tantos e tantos e tantos outros. Mudaram o mundo? Não! Mas não se omitiram. Tornaram-se arautos das mudanças, algumas das quais (pouquíssimas) aconteceram e outras tantas estão à espera ainda de acontecer (de preferência por vias pacíficas, mas que tudo indica ocorrerão, um dia, por meios traumáticos).

Allen Ginsberg nos legou precioso texto em que justifica sua postura e a de seus companheiros da chamada “geração beat”, de rebeldia face ao sistema, notadamente das chamadas sociedades de Primeiro Mundo. O cerne da sua obra é o livro “Howl”, lançado em 1956, lançado no Brasil com o título de “Uivo”, baseado em poema do mesmo nome (considerado obsceno e pornográfico). Escreve o poeta rebelde: “Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa”.

E arremata, com essas fortes palavras, que sensibilizam até os mais empedernidos e insensíveis dos leitores: “Que esfinge de cimento e alumínio arrombou seus crânios e devorou seus cérebros e imaginação? Moloch (referência a um deus que se alimenta de sacrifícios humanos)! Solidão! Sujeira! Fealdade! Latas de lixo e dólares inatingíveis! Crianças berrando sob as escadarias! Garotos soluçando nos exércitos! Velhos chorando nos parques!”.    

Atribui-se o exercício da imaginação, que é nobre (raiz de todas as artes e ciências) aos poetas, mas encarados de forma pejorativa. E, por extensão, aos ficcionistas, que "inventam" histórias que nunca aconteceram, mas com tanta verossimilhança, que são como se fossem fatos. Trata-se de um talento. É um dom. Representa uma virtude, que só pode ser desenvolvida (ou melhorada) pelo constante exercício.

Os pseudo-racionalistas, atados ao seu feroz materialismo, consideram que dar asas à imaginação não se trate de atitude científica, prática, construtiva. "É coisa de desocupado", afirmam, do alto de sua arrogância (ou ignorância). Estão enganados. Tais pessoas são dignas de piedade por desconhecerem o verdadeiro sentido da solidariedade, da justiça, da piedade e principalmente da beleza. Esta, observe-se, pode existir (e existe) nas coisas e lugares mais horrendos e tétricos. Basta que se saiba colher esse lírio de absoluta pureza no mais podre e infecto dos pântanos: o coração humano. E nisto os poetas são exímios!..


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Friday, September 23, 2016

CADA SER HUMANO É UM ESPÉCIME RIGOROSAMENTE ÚNICO

Em termos de mentalidade, o ser humano, enquanto espécie, não evoluiu praticamente nada em relação ao ancestral das cavernas, embora, individualmente, alguns indivíduos beirem a compreensão do óbvio. A esmagadora maioria dos mais de 7 bilhões de pessoas, porém, permanece doce e ilusoriamente alienada, a despeito dos sofisticados meios de informação existentes. Há os que buscam estabelecer a identidade mediante a aparência: na indumentária que usam, no corte de cabelo, na barba (deixando-a comprida ou raspando-a), tatuando o corpo etc. Não tarda, porém, para que tudo isso vire moda e se massifique. E lá se vai a tal da identidade física para o espaço. Isso, quando a pessoa que se julga original, por esse comportamento, não imita, até inconscientemente, alguém (o que é mais provável), um cantor de rock, um ator de cinema ou um astro do esporte, sem que se dê conta. E aqui surge outro paradoxo: não há, no mundo todo (e, provavelmente nunca houve), dois seres humanos rigorosamente iguais no aspecto morfológico. Há, é certo, semelhanças. Igualdade? Jamais! Ela não existe nem entre gêmeos univitelinos, aparentemente “cópias” um do outro.


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Seca e eleições


Pedro J. Bondaczuk


A seca no Nordeste, tendo por conseqüência o doloroso drama da fome, que afeta a quase cinco milhões de sertanejos na região, vem sendo amplamente explorada por políticos --- governistas e da oposição --- como tema de campanha, com vistas às eleições de outubro próximo. Em vez de tomarem as providências cabíveis, para minorar o sofrimento desses brasileiros, pessoas inescrupulosas buscam tirar vantagens, objetivando conseguir os votos dos despreparados ou mal informados (infelizmente ainda a maioria) que os manterão encastelados no poder. Exageram os erros uns dos outros, (e não o problema, que por si só é gravíssimo) com a evidente finalidade de manipular a opinião pública.

A oposição, por exemplo, acusa o governo de nada ter feito para prevenir o drama, já que em setembro do ano passado sabia que haveria seca na região, em conseqüência do fenômeno climático El Niño. A acusação, no entanto, não é de todo procedente. É certo que faltou presteza no atendimento dos flagelados, provavelmente em decorrência do excesso de burocracia, este mal que tanto azucrina a vida pública brasileira. Não se agiu, como se deveria, em sentido preventivo, mesmo existindo recursos para isso.

Os governistas, por seu turno, exageram a participação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra nos saques ocorridos em armazéns e supermercados, insuflando os desesperados flagelados a cometerem esse delito. O MST não é integrado por "santos", é óbvio. Tem, evidentemente, explorado politicamente o problema, como fazem seus adversários. É culpado por esse desrespeito ao patrimônio alheio e, portanto, cúmplice, quando não agente direto, do crime. Mas longe das proporções apontadas.

Relatório da Polícia Militar no Nordeste, divulgado no dia 26 pelo jornal Folha de São Paulo, dá conta de que, em apenas nove dos 46 saques ocorridos na região, houve a interferência dos sem-terra. Claro que se trata de questão de princípio, de respeito à lei, e não de números. Mas é evidente a exploração política desses episódios, para jogar a opinião pública contra determinado candidato à Presidência, no caso o petista Luís Inácio Lula da Silva, que por sinal se opõe a essa atitude.

Melhor fariam as duas partes se agissem como vêm fazendo milhares de pessoas e entidades, a maioria anônimos, promovendo campanhas de arrecadação de alimentos e medicamentos para socorrer os irmãos nordestinos. E não se trata de caridade, conforme alguns insinuam. É genuíno, espontâneo e louvável ato de solidariedade humana.

É até redundante dizer da necessidade de uma solução definitiva para o problema da seca. Este poderia ter sido equacionado, ou pelo menos reduzido, há tempos, desde o início do século, caso não houvesse quem se beneficiasse da desgraça alheia.

Gerações e mais gerações de brasileiros têm ouvido falar desse flagelo, sem que nada de eficaz tenha sido feito a respeito. Cria-se, aqui ou ali, uma ou outra frente de trabalho, sabidamente ineficaz. Distribuem-se minguadas rações de comida, que mal dão para manter uma pessoa viva por um mês. E, muitas vezes, nem isso é feito, deixando o sertanejo relegado ao próprio destino. Planos contra a seca existem em profusão, como o de perfuração de poços artesianos nas zonas mais críticas, o do desvio do Rio São Francisco para essas áreas e tantos outros projetos factíveis, relativamente baratos, mas que nunca saem do papel.

Políticos cínicos temem perder seu "cabo eleitoral" preferido. Sem sermos pessimistas, todos temos a íntima convicção de que outras tantas secas virão, trazendo as mesmíssimas conseqüências sociais da atual, sem que nada de eficaz e competente seja feito em favor da sofrida e valente população nordestina. Espertalhões inescrupulosos continuarão explorando, sem nenhuma cerimônia, essa tremenda tragédia humana, convencendo os inocentes úteis a lhe darem seus votos, e estes darão, os mantendo na vida pública por anos a fio, quando deveriam banir essa corja, que não tem censo cívico, responsabilidade ou a mínima consideração pelo sofrimento alheio.

(Texto escrito em 26 de maio de 1998 e publicado como editorial na Folha do Taquaral).

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A Rua dos Cataventos

Pedro J. Bondaczuk

A poesia de Mário Quintana encanta, por todos os motivos imagináveis, até quem não aprecie o gênero. Tem musicalidade, ritmo, harmonia, metáforas originais e sumamente criativas e até rimas, quando oportunas. Não lhe falta nada, portanto, nem mesmo variedade de temas e de formas, alternando estilos de uma produção para outra com a mesma agilidade e suprema criatividade. Não é, pois, como determinados poetas que produzem um ou outro poema excelente, próximo da perfeição, sendo o restante de sua obra uma mesmice de irritar até estátuas.

Contudo, a característica que personaliza a poesia de Quintana, o que a marca e a torna singular, é o tom coloquial que adota. Isto faz do leitor mais do que mero “consumidor” de versos: torna-o cúmplice. Há, em cada poema seu, indisfarçável toque de ironia, mas na medida certa e não daquela ironia ácida e mal-humorada, que implica, tacitamente, em crítica, mas a repleta de bom-humor e de pungente ternura.

Quintana amava a tudo e a todos, sobretudo a Porto Alegre, cidade que adotou como sua que, a exemplo da Alegrete natal, traz a palavra “alegria” no nome. E esse amor respinga em toda a sua poesia, sem nenhuma exceção, porém sem pieguice e nem pedantismo. Aliás, é apenas insinuado, nunca (ou quase nunca) explicitamente declarado. Captamo-lo, todavia, ao ler qualquer dos seus versos.

Na minha relação de poetas brasileiros favoritos (e são tantos!), cinco se destacam e dos quais me considero “cúmplice”, sendo um gaúcho, um carioca, uma fluminense (não é a mesma coisa), um mineiro e um pernambucano. O leitor atento e bem-informado com certeza já identificou quais são. Em todo o caso... nomeio-os, de maneira explícita. São, respectivamente: Mário Quintana, Vinicius de Moraes, Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Que time! Todos merecedores de um Prêmio Nobel, que nunca receberam.

Desse quinteto, todavia (não consigo esconder) tenho ligeira predileção pelo meu conterrâneo, embora os outros quatro tenham características um tanto semelhantes e me encantem e deliciem da mesma maneira. Todos os cinco são responsáveis pela minha visão peculiar de vida: pela valorização do que é belo, alegre e nobre.

Sou capaz de recitar, todavia, num sopro, sem precisar ler, pelo menos quatro dezenas de poemas marcantes do meu conterrâneo. E não se trata de ter boa memória (que de fato tenho), mas de identidade espiritual com o poeta. Recito-os de olhos fechados e vejo-o, nitidamente, à minha frente. E mais, ouço o próprio Quintana (que se materializa diante de mim) dizer seus versos, com um brilho maroto e terno no olhar e com aquela sua inflexão de voz peculiar e aquele delicioso sotaque dos Pampas, que para mim é música dos anjos. (Ele tinha uma forma característica de sorrir. Sorria não somente pelos lábios, mas também pelos olhos). Nenhum outro poeta, por mais que admire sua poesia, me produz esse mesmo efeito.

Até quando trata da morte, Quintana não deixa de retratá-la de forma irreverente e brincalhona, com humor e picardia, sem a solenidade e o toque de horror de outros colegas. Prova? Cito, sem pestanejar, este soneto intitulado “A Rua dos Cataventos”, que nos meus momentos de desânimo e irritação, recito, em voz alta (causando, não raro, espanto, nos que cruzam comigo, preocupados com minha sanidade mental):

“Da primeira vez que me assassinaram,
perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meus cadáveres eu sou
o mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de vela amarelada,
como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da noite! Aves de horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
a luz de um morto não se apaga nunca!”.

De fato, nunca se extingue. A de Quintana brilha na escuridão das almas dos que têm o privilégio de se deliciar com seus versos, iluminando-as e guiando-as nas trevas.

A exemplo do poeta meu conterrâneo, também tenho a minha Rua dos Cataventos. Não tem esse nome, claro. E não fica em Porto Alegre, mas nesta Campinas que tanto amo (e que um dia acolherá, para sempre, meus restos), mas também está repleta de poesia. Sobretudo à noite, quando aquele bêbado solitário passa, trocando as pernas, pela calçada bem em frente à janela do meu gabinete de trabalho, dialogando com a lua, discutindo com as estrelas, fazendo coro com os mochos e os cães, embriagado de sonhos e fantasias.

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Thursday, September 22, 2016

O HOMEM POUCO EVOLUIU EM TERMOS DE CONSCIÊNCIA

O homem, no atual estágio de desenvolvimento, a despeito dos avanços científicos e tecnológicos que obteve, em termos de consciência, ainda é aquele mesmo ser selvagem e rude que habitava as cavernas primitivas, com a mente cheia de fantasias, terrores e mitos e, notadamente, de superstições. O processo de evolução está, ainda, em pleno andamento e em seu estágio inicial. Leva milhares, senão milhões de anos, para que mudanças físicas, psicológicas ou comportamentais sejam perceptíveis. E a espécie, em termos de comparação com o universo e com este planetazinho do Sistema Solar, é recém-nascida, com alguns parcos milênios de existência. Para que desenvolva o “eu”, o homem precisa ser educado a reconhecer que sequer sobreviverá se não compreender e não aceitar o “tu”. Trata-se de longo e penoso processo de educação, que ainda sequer começou e que, ademais, não oferece nenhuma garantia de sucesso.

***

SEQUER APRENDEMOS A DOMINAR NOSSOS INSTINTOS DE FERA

O homem, por enquanto, nem mesmo aprendeu, ainda, a dominar seus instintos de fera (como o impulso sexual, por exemplo, do qual se utiliza de forma irresponsável e cuja conseqüência imediata é a indesejável superpopulação) colocando-os sob a rígida administração da razão. Não se conscientizou, sequer, do que os animais irracionais já praticam, instintivamente, desde o surgimento da vida na Terra. Ou seja, a preservação do seu espaço vital, se multiplicando de forma muito mais racional do que o suposto Homo Sapiens. O homem não se deu conta que é impossível transgredir quaisquer leis da natureza sem que haja futura consequência, inexorável e inevitável, por essa transgressão.


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Camaradagem entre desiguais


Pedro J. Bondaczuk


O líder soviético, Mikhail Gorbachev, disse, anteontem, em discurso que pronunciou no jardim da Casa Branca, em Washington, quando chegou a esse local para o primeiro encontro oficial com o presidente norte-americano, Ronald Reagan, uma frase muito marcante, por refletir a realidade que o mundo vive há 42 anos, com o antagonismo existente entre as superpotências.

Afirmou: “Nos acontecimentos mundiais, muita coisa irá depender da opção que fizermos e do que acabará triunfando: se os receios e preconceitos herdados da guerra fria, e que levaram ao confronto, ou se o bom senso, que requer ação para assegurar a sobrevivência da civilização”.

A julgar pelo clima do presente encontro, parece que a escolha recaiu sobre o segundo ponto. Aos poucos, ambos os dirigentes, conscientes de que estão escrevendo a história do final deste milênio de violências, foram deixando de lado a formalidade, se esquecendo dos estereótipos com que sempre encararam um ao outro e perceberam que, paradoxalmente, embora dirijam sistemas políticos, econômicos, filosóficos e ideológicos tão díspares, são mais parecidos do que poderiam acreditar.

Estabeleceu-se um visível elo de cordialidade, até mesmo de camaradagem, entre eles, o que os torna predispostos a serem maleáveis nos pontos em que divergem. Ficou mais claro do que nunca, a todos, que não importam a origem, a nacionalidade, a cultura, os conceitos e os preconceitos que tenham. Os homens são muito parecidos naquilo que constitui a essência da sua humanidade. Parecem-se nas suas fraquezas e virtudes. As tibiezas manifestam-se mediante a sede de poder, a justificação dos meios pelos fins e a inegável ambição de domínio. As fortalezas, por seu turno, refletem-se nos sentimentos de simpatia, de tolerância e, principalmente, de capacidade de conciliação.

O entendimento verificado entre Reagan e Gorbachev não quer dizer que, automaticamente, 42 anos de antagonismos serão esquecidos. Não significa que uma esponja será passada em todos os atritos e que tudo vai começar da estaca zero, em termos de mútuo relacionamento.
Certamente haverá momentos em que as superpotências irão se confrontar em campos opostos e até chegar, como já aconteceu em inúmeras vezes, à beira do Apocalipse. Por mais poder que os dois dirigentes detenham, eles não são os Estados Unidos e a União Soviética.

Neste mesmo instante em que estão se entendendo sobre vários pontos, grupos poderosos se movimentam, em Moscou e em Washington, para pôr tudo a perder. Há interesses imensos e inconfessáveis em jogo. E tão grandes, ao ponto de se sacrificar a paz mundial e a própria sobrevivência humana.

Mas a camaradagem estabelecida entre cordiais inimigos é uma prova de que nem tudo pode estar perdido para os homens. Que em um rasgo de generosidade, o Planeta pode acabar ganhando nova perspectiva de futuro, melhor do que a atual. Depois...Basta que seja ampliada...

(Artigo publicado na página 14, Internacional, do Correio Popular, em 10 de dezembro de 1987).


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Quem foi o homem Sócrates?


Pedro J. Bondaczuk

Há séculos que homens de cultura, historiadores, professores de Filosofia, filósofos e pessoas cultas, as que se interessam por fatos e não meramente por lendas, tentam saber, em vão, quem foi, realmente, o grego Sócrates. Não o mito, mas o homem.  Fontes para tal até que não faltam, mas todas, por um motivo ou outro, não são confiáveis, por serem “poluídas”. Uns dos que o conheceram destacam de tal forma suas supostas virtudes, que chegam, praticamente, a divinizá-lo. Outros tantos por enfatizarem apenas seus vícios, idiossincrasias e comportamentos considerados “anormais”, ao fim e ao cabo, “demonizam-no”.

Como, pois, chegarmos ao verdadeiro Sócrates, ao homem, com seus méritos e deméritos? Entendo que isso jamais será possível, até pela distância no tempo que nos separa desse personagem. Há, até, quem acredite que ele nem mesmo existiu. Que se trate de personagem fictício, criado tanto pelos que só dizem coisas boas a seu respeito, quanto pelos seus detratores. Tolice, claro. Para mim, isso é um grande disparate. Documentos da antiga Atenas, que chegaram até nós, comprovam, fartamente, sem sombra de dúvidas, que Sócrates, pelo menos, “existiu”.

Mas... quem foi ele, sem os excessos cometidos tanto por seus fidelíssimos seguidores, e portanto defensores, quanto por seus inimigos acérrimos, ferozes detratores? O único jeito é darmos crédito a uns ou a outros. Ou a tirarmos uma “média” do que escreveram os que o defenderam e os que o atacaram. Não há outra maneira.  Observe-se que detalhes sobre a vida de Sócrates derivam de três fontes contemporâneas dele: os diálogos de Platão e  de Xenofonte (ambos seus discípulos) e as peças de Aristófanes.

Certamente, outros tantos escreveram sobre ele, defendendo-o ou atacando-o. Mas quem foram eles? Se existiram (e creio que sim), seus textos se perderam no tempo e não chegaram até nós. Ademais, não há evidências de que Sócrates tenha, ele mesmo, publicado alguma obra. Provavelmente não publicou. Alguns autores defendem que ele não deixou nada escrito pois, além de na sua época a transmissão do saber ser feita, essencialmente, pela via oral, ele assumia-se como alguém que “sabe que nada sabe”. Assim, para Sócrates, a escrita fecharia o conhecimento, deixando-o de forma acabada, amarrando o seu autor ao estrito contexto de afirmações inamovíveis. Se essas afirmações contemplassem o erro, a escrita não só o perpetuaria como garantiria sua transmissão.

A imagem que o dramaturgo ateniense, Aristófanes, traça do mítico filósofo é feroz e implacavelmente negativa. É certo que seu objetivo era o de fazer humor. Todavia, o que conseguiu traçar, em vez de um perfil, mesmo que aproximado, de seu desafeto, foi uma caricatura inverossímil e ostensivamente maldosa. Não dá, portanto, para levá-lo a sério. Nenhum imbecil maluco, como Aristófanes caricatura Sócrates, arrebanharia, por exemplo, tantos, tão ilustres e tão respeitáveis discípulos como ele o fez. É verdade que o comportamento do filósofo era, para dizer o mínimo, “exótico”, o que Platão e Xenofonte até admitem. Por exemplo, ele andava descalço, com o peito nu e vestindo andrajos, que o faziam parecer um mendigo. Além do que, detestava tomar banho. Aristófanes pintou-o como um sujeito amalucado, desses chatos que abordam estranhos nos momentos mais inoportunos, bombardeando-os com perguntas absurdas e incabíveis.

Escreveu, ainda, que em certas ocasiões, Sócrates parava o que quer que estivesse fazendo, ficando imóvel por horas, meditando sobre algum problema. Platão também cita isso, mas considera essa uma característica positiva de seu mestre. Narra, inclusive, em um de seus diálogos, que certa vez seu mestre fez isso descalço sobre a neve, o que, no seu entender, demonstrava  o caráter de autodisciplina de seu mentor. Aristófanes zombou do filósofo, sobretudo na peça “As nuvens”, ao narrar: “Quando Sócrates observava a lua para estudar o curso e as evoluções dela, no momento em que ele olhava de boca aberta para o céu, do alto do teto uma lagartixa noturna, dessas pintadas, defecou na boca dele”. E o tonto achava que essa citação escatológica era engraçada. Talvez o fosse para imbecis, como ele.   

Em outra narrativa, Aristófanes descreve Sócrates pendurado numa cesta, observando os ares e contemplando o sol. E diz que o filósofo justificou isso “pela necessidade de elevar seu espírito e elevar seu pensamento sutil com o ar igualmente sutil”. Claro que só pode ser brincadeira, e de péssimo gosto. Pior é que há quem acredite nessa sua maldosa versão. Em “As nuvens”, o dramaturgo põe esta justificativa na boca de Sócrates, para fazê-lo parecer um estúpido completo: “Se eu tivesse ficado na terra para observar de baixo as regiões superiores, jamais teria descoberto coisa alguma, pois a terra atrai inevitavelmente para si mesma a seiva do pensamento. É exatamente isso que acontece com o agrião”; Ora, ora, ora...

Prefiro crer nas versões de Xenofonte e, sobretudo, de Platão (que me proponho a comentar oportunamente). Mesmo dando o devido desconto ao entusiasmo de ambos. Queiram ou não seus detratores, sobretudo o feroz Aristófanes, foi o pensamento socrático que mais marcou o nascimento da filosofia clássica. Sua maior contribuição foi o método que criou para se chegar às grandes verdades. Sócrates foi tão incisivo, e tão didático em seus ensinamentos que influenciou duas gerações de sábios, continuadores de suas revolucionárias idéias. Foram os casos, claro, de seu fiel pupilo, Platão e, sobretudo, o do discípulo deste, Aristóteles.


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