Thursday, August 25, 2016

ALGUMAS IDEIAS SÓ VINGAM SÉCULOS APÓS SEREM CONCEBIDAS

Algumas idéias vingam somente muitos anos (às vezes até séculos) depois da morte de quem as concebeu. Qual a razão? Em geral, isto se deve ao fato de surgirem fora do seu devido tempo, prematuras, como sementes lançadas em terreno estéril e pedregoso. Exemplo? O caso de Galileu, quando afirmou que o Sol era o centro do nosso sistema, e não a Terra, como ditava dogma, então vigente, determinado pela Igreja. Hoje, qualquer criança que mal aprendeu as primeiras letras sabe, até por simples intuição, que isso é verdade. Os doutos senhores do século XVI, todavia, não sabiam. E, pior, nem queriam saber. Aferravam-se a superstições e retardavam, dessa forma, o progresso das ciências e das artes. Para que essa idéia se impusesse, quanto sacrifício, quanta dor e quanta humilhação, desnecessários, foram impostos aos homens lúcidos e inquiridores, afeitos ao raciocínio! Era a ignorância detendo o avanço da sabedoria. Galileu, no entanto, ainda teve muita sorte, bem mais do que tantos outros, contemporâneos ou não, que tiveram a ousadia de discordar do que era tradição em seu tempo. Este foi o caso, por exemplo, de Giordano Bruno, condenado à morte (e executado) pela “Santa Inquisição”, que de santidade, convenhamos, não tinha nada, pelo mesmo “crime” do eminente pensador italiano.


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Quando o crescimento é utopia


Pedro J. Bondaczuk


Os líderes dos sete países mais industrializados do Ocidente, EUA, Japão, Alemanha Ocidental, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá reúnem-se, a partir desta quinta-feira, em Bonn, para encontrar uma maneira de assegurar a recuperação econômica mundial.

Dois temas, com certeza, vão dominar o encontro dos notáveis da Trilateral: a ação predatória, promovida pelo Japão, no mercado mundial (especialmente no norte-americano) e o crescente desemprego registrado na Europa.

Ambas as questões têm uma certa ligação entre si. A agressividade comercial japonesa vem levando os EUA a adotarem crescentes medidas protecionistas que, no final das contas, acabam afetando as exportações européias e desempregando, por conseqüência, contingentes cada vez maiores de operários no Velho Continente.

As taxas de desemprego continuam batendo sucessivos recordes na Grã-Bretanha, na França e na Alemanha Ocidental. Estima-se que, dos 19 milhões de desempregados existentes nas sete potências industrializadas do Ocidente, dois terços estejam apenas na Europa.

Se as medidas protecionistas já afetam, com tamanha intensidade, as economias de povos tão desenvolvidos, imagine-se o que ocorre no Terceiro Mundo, mais especificamente na endividada América Latina, atolada até o pescoço em débitos com o sistema bancário internacional e sufocada pelos altíssimos serviços a serem pagos a título, apenas, de remuneração a esse capital emprestado!

Afinal, a única maneira desses países, à beira da insolvência, honrarem seus compromissos, é exportando cada vez mais. Entretanto, ironicamente, os mercados potencialmente compradores de seus produtos cerram-se rigidamente, justo agora, buscam jogar os preços cada vez mais para baixo e fixam cotas capazes de enlouquecer até o mais fleumático dos empresários.

Acrescente-se, a esse procedimento, a política recessiva imposta pelo Fundo Monetário Internacional às economias dos infelizes devedores, na tentativa de trazer para níveis suportáveis renitentes taxas inflacionárias estratosféricas, prática essa que é, atualmente, desempregadora, para que se tenha um quadro aterrador, pintado, até, com cores suaves, da grande bomba de tensões sociais montada e que a qualquer momento pode explodir, com conseqüências imprevisíveis.

Na pauta dos trilateralistas, essa questão não consta. Para eles, a recuperação econômica mundial passa, necessariamente, pelo crescimento de suas próprias economias. E, par isso, é quase fatal que deverão ser adotadas medidas que, de uma forma ou de outra, vão afetar as nossas, já combalidas por décadas de exploração predatória alienígena e de má gerência de inconscientes tecnocratas.

Depreende-se, portanto, que o Terceiro Mundo, para cobrir o extorsivo serviço de sua dívida, terá que usar, cada vez mis, de agressividade mercadológica, num mercado crescentemente menos receptivo.

A brutal evasão de capitais, registrada, especialmente, depois de 1982, seguirá evoluindo maquiavelicamente, até que não haja mais nada para transferir aos credores, a título, tão somente, de juros e de comissões. Da forma em que a questão está delineada, atualmente, se conclui que o crescimento, para nós, será cada vez mis uma utopia.

Isto a menos que alguém se disponha, de alguma forma genial, até hoje não encontrada por ninguém, a desarmar essa imensa armadilha, num processo digno de um Harry Houdini, que ficou célebre, no mundo todo, pelas suas façanhas de escapar de qualquer corrente ou algema já criadas pelo homem.

(Artigo publicado na página 17, Internacional, do Correio Popular, em 28 de abril de 1985).


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Úteis e prazerosos



Pedro J. Bondaczuk



Há dois grandes tipos de leitura: os necessários, posto que nem sempre agradáveis, e os prazerosos, que até são dispensáveis, mas com os quais, ainda assim, sempre aprendemos alguma coisa. Há quem não goste de textos longos (a maioria não gosta), com parágrafos massudos e páginas e mais páginas de extensão. Às vezes, porém, estes é que são os melhores, mais claros, mais coloquiais (embora nem sempre).

Não há nenhuma receita pronta para se redigir textos que sejam, simultaneamente, agradáveis e necessários. Ou seja, prazerosos e úteis. Dificilmente alguém conseguirá escrever um livro de filosofia, por exemplo, que seja acessível a todos e atraia leitores dos mais diversos níveis de cultura, desde os apenas parcamente alfabetizados, aos eruditos.

Trata-se de um assunto específico, eivado de jargões que lhe são característicos e que muitas vezes temos necessidade de ler, gostemos ou não, para complementar, por exemplo, o perfil comportamental de algum dos nossos personagens. É leitura necessária, portanto. Mas, salvo raras exceções, não é prazerosa. Poderia ser? Claro, poderia. Aliás, deveria. Mas...

Seja, porém, qual for nossa opção, se por assuntos e formas de expressão agradáveis ou se por temas que raramente dêem prazer, embora pertinentes e necessários, não podemos, jamais, em hipótese alguma, descambar para ambigüidades. O que escrevermos tem que ser, SEMPRE, claro, objetivo e direto, rigorosamente exato em todos os sentidos, sem o menor erro, quer de informação ou conceito, quer, e principalmente, de linguagem (gramatical, semântico etc.etc.etc.).   

Escrevi, há mais ou menos dez anos, meio que em tom de desabafo, que existe pouca coisa no mundo para o escritor que seja mais chata do que a necessidade de justificar o que escreve. Aliás, essa chatice é extensiva a todas as atividades. Perde-se um tempo imenso, e precioso, com justificativas, que não trazem qualquer proveito a ninguém. Para quem escreve, isso se torna ainda mais penoso e aborrecido. Por isso, o escritor tem que prevenir, ou melhor, evitar essa aborrecida situação.

A Literatura é, no que diz respeito à produção, atividade rigorosamente solitária. É feita por uma única pessoa e exclusivamente por ela. Nos momentos de apuro, não tem a quem recorrer. Ou tem “garrafa para vender” ou corre o risco de resvalar para o ridículo. Ela é que tem que “policiar” o que escreve. A ela compete não cometer erros de conceito e muito menos de grafia, de gramática etc.

Por mais que tentemos estabelecer diálogo com o leitor, nossos textos findarão por ser, sempre, sempre e sempre, meros monólogos. Nunca saberemos se o que escrevemos será interpretado exatamente como queremos. Aliás, raramente o é. É um risco que teremos que correr. Daí a necessidade da absoluta clareza e a proibição de ambigüidades.

Escrever é, mais ou menos, o que o escritor Cesare Pavese concluiu acerca da poesia. Ele afirmou, certa ocasião: “Fazer poesia é como fazer amor: nunca se saberá se a própria alegria é compartilhada”. Redigir qualquer texto literário é mais ou menos assim também.

Aceitei, há mais ou menos uma década (e nem sei por que fiz isso) o desafio de virar a Literatura pelo avesso. Ou seja, de dissecá-la e abordá-la em todos (ou quase todos) seus aspectos. Minha intenção inicial era a de fazer dessas tantas considerações mero bate-papo diário entre companheiros que exercem e amam a mesma atividade. Ou seja, era para ser conversa descontraída, como as que temos uma vez ou outra num botequim qualquer, regada, muitas vezes, a cerveja ou a uísque, dependendo do gosto e, principalmente do bolso de cada um. Não visava, pois, pelo menos em princípio, me aprofundar em nenhum aspecto específico da Literatura, até por falta de tempo para a devida pesquisa.

Lá um certo dia, entretanto, tive a infeliz idéia de tentar unir “o útil ao agradável”, pelo menos na minha ótica pessoal. Cismei de abordar assuntos que julgava seriam de grande valia notadamente para os aspirantes a escritores, já que sabia da alta freqüência de estudantes de Letras e de Jornalismo nos espaços que disponho na internet.

Foi a pior besteira que cometi. Antes me limitasse ao bla-bla-blá vazio e sem conteúdo, como a infinidade que há na rede mundial afora, embora “bonitinho” de se ler, valendo-me do mesmo artifício de que muito pseudoliterato se vale. Ou seja, do que costumo classificar de “pirotecnia verbal”. De textos muito bem escritos, sonoros, atraentes, mas absolutamente sem conteúdo.

Prevaleceu, todavia, meu lado de professor, que nunca me abandonou. Sem tempo para pesquisa, baseado, apenas, na experiência pessoal e na memória (que amigos exagerados classificam de “prodigiosa”), meti-me a abordar os mais variados aspectos dessa complexa e decepcionante atividade, da qual sobrevivo, tendo o cuidado de não deixar de comentar nada.

Ora, por mais que haja coisas a escrever sobre Literatura, o tema não é inesgotável (nada é). Mesmo que tivesse tempo para pesquisa (o que, reitero, não tenho), chegaria um momento em que, fatalmente, precisaria me repetir. Para que vocês tenham uma idéia das minhas dificuldades para ser minimamente original (e para que?!), informo que apenas de março para cá, já redigi mais de 300 textos, todos tratando de Literatura. Impressos, eles perfazem por volta de 700 páginas!!!

Apontem-me quem consegue a façanha de escrever tudo isso, e reitero, sem tempo para pesquisar e baseado exclusivamente na memória, sem se tornar, em dado momento, repetitivo! Em que lugar vocês já viram isso? Quem foi o autor de tamanha (e hoje sinto que inútil) empreitada e, ainda mais, tendo que, volta e meia, se explicar?

Continuarei, pois, fazendo como faço ao escrever um conto, um poema, um romance ou uma crônica. Farei tudo da minha maneira, como e quando quiser. E como acontece em relação aos meus livros, também me submeterei ao veredito implacável do leitor. Mas sem me explicar de novo, por nenhum motivo, a quem quer que seja.


Isso não quer dizer que eu não esteja consciente de que nosso desafio é escrever, simultaneamente, algo que as pessoas necessitem saber, mas de forma que o texto seja claro, atrativo, gostoso e, sobretudo, acessível tanto ao físico nuclear, quanto ao engraxate da porta da barbearia, que mal sabe soletrar as palavras que lê. Impossível? Não diria tanto. Difícil? Sem dúvida alguma! Mas continuarei tentando, enquanto contar com sua paciência (e complacência) querido leitor.

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Wednesday, August 24, 2016

PENSAR “NÃO DOI”, AO CONTRÁRIO DO QUE MUITOS ACHAM

Raras são as pessoas que cultivam o salutar hábito de pensar. Não, é claro, de se deter em banalidades, em coisas triviais e inócuas, que não tragam bem algum, a quem quer que seja, e não raro, até, redundem em males para a comunidade. Raramente nos detemos, por exemplo, a considerar os grandes princípios éticos e morais que deveriam nortear a nossa conduta individual e social. Não questionamos, por falta de conhecimento, e por completo desinteresse, as várias correntes filosóficas, ou antropológicas, ou sociológicas, ou comportamentais, ou artísticas, não importa de que natureza sejam, capazes de mudar os rumos dos acontecimentos, tanto de um grupo restrito de indivíduos, quanto da humanidade. Aceitamos, passivamente, sem contestar, dogmas absurdos, ultrapassados, canhestros, por absoluta falta do exercício do raciocínio. Agimos como se pensar fosse um ato doloroso, incômodo, ruim, quando, obviamente, não é. É prazeroso e construtivo. Trata-se do mais legítimo exercício da nossa racionalidade, que é o que nos distingue dos demais animais. Vivemos nos queixando da falta de tempo, para pensar e conseqüentemente para agir de conformidade com esses pensamentos quando, na verdade, o malbaratamos em coisas inúteis e sem nenhum valor.


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Ponta do iceberg


Pedro J. Bondaczuk


O presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em determinada oportunidade, tão logo assumiu a presidência, que o Brasil é um país "viciado em crises". Quando não há uma real, uma fictícia é "inventada" e ganha enormes dimensões, até que o assunto perca o interesse e caia no esquecimento.

Não é, no entanto, o que ocorre em relação ao "escândalo dos precatórios", objeto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, por parte do Congresso. Trata-se de uma questão de extrema gravidade, talvez mais grave até do que a da manipulação do Orçamento da União, que custou a cassação dos "anões", embora muitos dos mencionados como envolvidos escapassem ilesos, por falta de provas.

O caso atual refere-se à negociata com títulos públicos, cuja emissão só é permitida para o pagamento de dívidas do Poder Executivo (no caso dos Estados e municípios) junto à Justiça. Para serem emitidos, tais papéis precisam ter a aprovação do Senado, o que aconteceu. O montante obtido com sua colocação no mercado deve ser utilizado, única e exclusivamente, para o pagamento dos precatórios.

O que ocorreu foi uma brutal desvalorização, quando de sua colocação no mercado, e uma revalorização maior ainda, quando caíram em mãos de determinadas instituições financeiras, que os compraram na baixa e revenderam na alta, com lucros fabulosos. Para eles, lógico. O Poder Público arcou apenas com os prejuízos. Ou seja, o prejudicado, em última instância, foi o contribuinte. O País perdeu.

Esta é uma --- embora a maior --- das irregularidades. A outra, refere-se à utilização do dinheiro obtido com a venda dos referidos títulos. Muitos secretários de Fazenda usaram o dinheiro para "fazer caixa" e saldar outros compromissos das respectivas administrações, que não com os precatórios. Infringiram, por conseqüência, a lei.

No meio de "laranjinhas" e "tubarões", o que veio à tona, se presume, foi apenas a "ponta de um iceberg". Suspeita-se que as implicações e envolvimentos sejam muito mais profundos. A atual CPI vem tendo um comportamento louvável, como outras bem sucedidas, casos específicos das que apuraram o malfadado "esquema PC" e pilharam em infração a "Máfia do Orçamento" da União.

O que causa frustração ao cidadão, especialmente àquele que acredita, de fato, que o Brasil esteja mudando (para melhor), em termos de moralidade pública, é a falta de conseqüência para os infratores. Raros, raríssimos, foram punidos pela Justiça e não se sabe de nenhum que tenha devolvido aos cofres do Estado o dinheiro obtido ilicitamente. Quem sabe desta vez a coisa mude! Já não é sem tempo.

(Texto escrito em 3 de março de 1997, publicado como editorial na Folha do Taquaral).


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Tipos inesquecíveis


Pedro J. Bondaczuk


O professor e pensador japonês Tsunessaburo Makiguti, primeiro presidente da organização budista Sokka Gakai Internacional, escreveu: “No mundo existem basicamente três tipos de pessoas: 1.) Aquelas cuja presença desejamos; 2.) Aquelas cuja presença ou ausência nos é indiferente e 3.) Aquelas cuja presença é prejudicial, problemática ou indesejável”.

É possível que não haja explicação racional para isso. Não, pelo menos, uma que seja absoluta, conclusiva e lógica. Há quem nos agrade, como amigo, logo ao primeiro olhar. E existe, em contrapartida, o pólo oposto.

Alguns indivíduos enchem-nos de satisfação com a simples presença, sem que precisem dizer ou fazer qualquer coisa, sejam parentes ou não. E nem sempre são os que têm afinidades conosco. Muitas vezes agem e pensam de forma muito diferente de nós. E, no entanto, nos são caros. Essa “simpatia” é algo imediato, instintivo, talvez espiritual.

São essas pessoas – entre as que já morreram, evidentemente – que nos vêm, com mais força, à lembrança. Sua influência em nossas vidas foi tão profunda e decisiva, que permanecem vivas, alegres, sábias e sensatas em nossa memória e nossa estima, tal como as conhecemos em vida, quase que a todo instante. Portanto, convém que não sejam lembradas com tristeza, com amargura ou com dor, por mais falta que nos façam. Conquistaram espaço cativo em nossos corações. Manter-se-ão incorruptíveis, saudáveis e íntegras em nós, enquanto vivermos.

A perda da companhia dessas pessoas, porém, deixa-nos um enorme vazio na alma. O poeta Vinícius de Moraes, com sua sensibilidade mágica, expressou bem esse sentimento numa crônica que diz, em determinado trecho:

“Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim. Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus...Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres este sagrado amor. Amai e bebeu uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém. Amai, porque nada melhor para a saúde do que o amor correspondido. Mas sobretudo não morrais, amigos meus!”

Este era o Vinícius: sensível, delicado, inteligente, competente para expressar em palavras nossos mais secretos sentimentos, aqueles que somos impotentes para verbalizar. Apesar do pungente apelo aos amigos, para que não morressem, morreu antes. Não fez o que pregou.

Deixou-nos, há já alguns anos, abrindo uma lacuna, impossível de preencher, na poesia e na música popular brasileira. Mas cumpriu com dignidade e competência o seu papel. Será sempre lembrado por esta e pelas vindouras gerações. Como tantos outros indivíduos especiais, mesmo os que não conhecemos pessoalmente, mas que nos deixaram a marca do seu exemplo ou a excelência de suas obras o serão, como Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Manuel Bandeira, Ayrton Senna, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Burle Marx, apenas para mencionar alguns que me vêm de imediato à lembrança.


Fosse mencionar todos, teria que alinhavar, sem nenhum exagero, algumas centenas de milhares de nomes e ainda assim correria o risco de omitir vários deles. Sem esquecer, logicamente, dois fantásticos jornalistas, quer acabam de “nos deixar”, após cumprirem, com competência e dignidade, sua complicada missão: Geneton Moraes Neto e Goulart de Andrade. Descansem em paz, companheiros de ideal!!!!

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Tuesday, August 23, 2016

HISTÓRIA HUMANA “FOI ESCRITA COM SANGUE”

A História da humanidade, infelizmente, foi escrita com sangue, muito sangue, derramado em nome de ideais supostamente nobres, mas que, na verdade, escondiam interesses inconfessáveis. Daí as contradições do nosso tempo no relacionamento das pessoas. Daí haver tanta cobiça, maldade, violência, ignorância, corrupção e injustiças. E as coisas só não são piores, porque homens generosos e sábios nos legaram (e seguem nos legando) idéias, conceitos e valores eternizados pelo tempo. Os pensadores é que deveriam ser exaltados pelos historiadores, não os tiranos, os generais e os semeadores de morte e de destruição. Destruir pessoas e obras nunca foi heroísmo. Victor Hugo (sempre ele!), escreveu, num dos seus tantos e marcantes textos, o que parece o óbvio aos que têm bom-senso, mas que ainda não convenceu os néscios (a maioria):: “As idéias é o que se deve derramar, em vez de sangue, para fecundar os campos em que germina o futuro dos povos”. Derramemo-las, pois, generosa e profusamente, sem modéstia e sem limites.


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Lucro fica com mercadores de armas


Pedro J. Bondaczuk


O pior conflito regional registrado desde o fim da Segunda Guerra Mundial está chegando ao fim, com o anúncio, feito ontem, em Nova York, de que o cessar-fogo no Golfo Pérsico vai  entrar em vigor no dia 20 próximo. Agora é hora dos dois beligerantes fazerem as suas contas e contabilizarem os imensos prejuízos que tiveram num confronto que, mesmo tendo menor duração, causou um número de vítimas bem superior do que o do Vietnã.

E no Sudeste asiático havia uma superpotência envolvida, os Estados Unidos, contando com armas sofisticadas e realizando bombardeios de saturação contra o território norte-vietnamita como poucas vezes se viu na história.

Ainda assim, essa guerra fez menos vítimas do que a do Golfo. Os dois países somente conseguiram, com a sua intransigência e teimosia (e com a complacência de praticamente toda a comunidade internacional) um saldo raramente visto antes de dor, miséria e devastação.

Essa conflagração foi particularmente perversa por envolver táticas de praticamente todos os conflitos deste século. Por exemplo, o uso de armas químicas, pelos dois lados, que estão proibidas desde a Convenção de Genebra de 1925. A utilização mútua de mísseis, para alvejar populações civis. O intenso ataque das partes às frotas mercantes de países que nada tinham a ver com as hostilidades de iranianos e iraquianos. Os maus-tratos a prisioneiros de guerra, por parte de ambos os lados. E até a utilização de guerrilhas, com os persas explorando a animosidade dos curdos contra o Iraque e este se valendo dos guerrilheiros do Mujaheddin Khalk para atacar a República Islâmica.

Foi apenas por um milagre que outros países, do Golfo ou de fora dele, não entraram na conflagração, principalmente as superpotências. A sorte foi que na fase mais agitada das hostilidades, a União Soviética já estava passando por um processo agudo de transformação, que vem se refletindo, positivamente, por toda a parte, com o término das mais complicadas questões do nosso tempo (como Angola, Camboja e Afeganistão) ou, pelo menos, com um encaminhamento para isso.

Estivesse um Leonid Brezhnev à frente do Cremlin, quando o “USS Stark” foi atacado por mísseis iraquianos, ou quando o Airbus A-300 iraniano foi abatido pelo cruzador “USS Vincennes”, e provavelmente o mundo todo estaria metido num magnífico imbróglio.

O saldo final do conflito revela que ambos os beligerantes, a despeito de saírem com honra da peleja, foram derrotados. Somente os grandes comerciantes internacionais de armas (essas aves de rapina que farejam a morte para se alimentar de dólares) é que saíram ganhando. E muito dinheiro!

Para eles, pouco importam as viúvas, os órfãos e os mutilados iranianos e iraquianos, que cessados os clamores de guerra, esquecidas a propaganda militar e as marchas marciais, vão, certamente, perambular pelas ruas de Teerã e de Bagdá mendigando o seu sustento. Não é isso o que sempre acontece com os combatentes de todos os conflitos?


(Artigo publicado na página 13, Internacional, do Correio Popular, em 9 de agosto de 1988).

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Use, se necessário


Pedro J. Bondaczuk


Um leitor consulta-me, por e-mail, sobre um tema bastante polêmico, que preocupa muitos redatores. Pergunta-me o que “acho” do uso de palavrões em textos literários. Caríssimo amigo, não “acho” nada. Analiso a questão como editor e respondo que, se  sua utilização for oportuna, isto é, se estiver no contexto, e, sobretudo, se der verossimilhança à história narrada, pode e até deve ser usado. Sou contra é ao uso abusivo de xingamentos, apenas para chamar a atenção ou chocar as moçoilas inocentes (se é que elas ainda existem) com expressões escatológicas.

Exemplo? Estou narrando uma história que se passa em um estádio de futebol. O juizão anula um gol legítimo do time do meu personagem principal. Qual o comentário verossímil que este faz? Dirá “sua senhoria, o árbitro, equivocou-se no lance?”. Claro que não! Com certeza dirá “esse f..... da p... prejudicou meu time”, ou algo que o valha, mas ainda mais contundente (preencha os pontinhos à vontade, caro leitor).

Há exemplos e mais exemplos em que o tal do palavrão não só é cabível, como é a única expressão que se impõe, para que a história se pareça com a realidade. Nas peças do Plínio Marcos, por exemplo, há uma infinidade de xingamentos entre os personagens. Nenhum deles, todavia, absolutamente nenhum, é supérfluo, dispensável ou está fora de contexto.

Da minha parte, evito, o quanto posso, o uso de expressões chulas. E não se trata de moralismo, pois arte (assim como o Direito) não tem nada a ver com moral. Muito menos a literatura. Ocorre que nós, escritores, até por definição, somos cultores da estética, ou seja, das belas letras. E não vejo qualquer beleza numa sucessão de expressões infantilmente escatológicas, que denominamos, genericamente, de “palavrões”.

Contudo, nunca forço o texto. Nos contos que escrevo (e no romance, em fase de conclusão), sempre que a situação impõe, mesmo que a contragosto, sapeco um ou outro palavrão. O leitor sequer nota, tamanha é a oportunidade, naquele momento e lugar, do seu uso. Podendo evitar circunstâncias de conflito, em que os palavrões se imponham, evito. Mas, reitero, faço isso apenas em nome do bom-gosto. Não se trata, pois, de nenhum moralismo hipócrita e idiota.

Até porque, a rigor, o palavrão não existe. Não é o que se diz que é ofensivo, mas “como” isso é dito, ou seja, a expressão de raiva e o tom de voz. Escrevi uma crônica a respeito, analisando, um por um, os palavrões tidos e havidos como os mais “cabeludos”. Concluí que são todas palavras inocentes, desde que não usadas com agressividade.

Portanto, escritor amigo, sempre que algum personagem seu precisar xingar alguém (um juiz, um político sacana, um desafeto etc.) deixe-o fazer. Você, porventura, conhece alguém que nunca xingou ninguém? Eu não!

Desconfio que até os que são tidos como santos já desabafaram alguma vez dizendo algum palavrão (persignando-se, provavelmente, a seguir, como manifestação de arrependimento).

Em suma: se tiver necessidade de usar palavrões, use-os. Mas sem exageros. Tudo o que é demais (até virtudes em demasia), aborrece, cansa e se torna ridículo e condenável. Mas, cá para nós:: êta assuntinho difícil de tratar!!!


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