Tuesday, May 22, 2018

Reflexão do dia


O IMPORTANTE MESMO PARA O ESCRITOR É SONHAR E BATALHAR POR SEUS SONHOS

É certo que quem pretenda se aventurar no complicado, cambiante, pantanoso e não raro frustrante campo de atividade que é a Literatura, tem que contar com sólida cultura. Precisa, sobretudo, saber manejar com perícia as ferramentas do seu ofício, ou seja, as palavras. Deve ser bastante informado, ter disposição para o trabalho, ser paciente e autodisciplinado e, sobretudo, observador. Mas nada disso terá valor se não souber fantasiar, elucubrar, dar asas à imaginação. Ou seja, se não tiver talento para as letras. E se não tiver paixão pelo que faz. Porquanto, para o escritor, o importante mesmo é sonhar (mas batalhar, incansavelmente, pela concretização dos seus sonhos)! O resto? Bem, o resto ele dá um jeito.


@@@



DESAFIO E PROPOSTA

Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!


@@@

CITAÇÃO DO DIA:


Alma inconsciente 

O artista é um homem coletivo que exprime a alma inconsciente e ativa da humanidade.

(Carl Gustav Jung).



Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

DIRETO DO ARQUIVO - A clonagem humana


A Clonagem Humana


Pedro J. Bondaczuk


As declarações do cientista norte-americano Richard Seed, em entrevista dada a uma pequena emissora de rádio do Estado de Illinois, nos Estados Unidos, afirmando que fará um clone humano em no máximo um ano e meio, causaram furor no mundo. Em pouco tempo, suas palavras chegaram aos principais veículos de comunicação, Planeta afora, gerando imediatas reações e alguma inquietação.

Alguns mostraram-se descrentes da possibilidade. Outros apontaram a inutilidade das experiências. Outros, ainda, ressaltaram seus óbvios riscos. O que se temia, quando da clonagem da ovelha Dolly, em 1996, por parte da equipe dos laboratórios escoceses "PPL Therapeutics" --- e que vários governos e a própria ONU tentaram evitar, mediante aprovação de resoluções e de legislação restritiva --- está portanto prestes a acontecer. Ou pelo menos de ser tentado.

Os debates em torno da questão desenrolaram-se no correr de todo o ano passado, envolvendo médicos, biólogos, técnicos em engenharia genética, juristas e legisladores. Na opinião da maioria, tal prática, envolvendo seres humanos, deveria ser absolutamente proibida, por apresentar, além de questões éticas absolutamente inaceitáveis, riscos de mutações, entre outros.

É desnecessário repetir os argumentos em contrário, do ponto de vista moral, apresentados desde então. Aliás, especialistas renomados na área duvidam que Richard Seed, que afirma ter obtido doutorado de Física na Universidade de Harvard e que, portanto, sequer é biólogo, reúna conhecimentos técnicos suficientes para empreender a experiência.

Os pesquisadores do instituto PPL tiveram frustradas pelo menos 277 tentativas, antes que Dolly pudesse ser "produzida". De qualquer forma, a própria intuição "nos cochicha" que um dia, em algum lugar, com respaldo legal ou sem ele, e por mais hediondo, perigoso e desnecessário que seja esse procedimento, alguém vai tentar (se é que já não se tentou) e terá êxito, produzindo "replicantes" humanos. É a vida copiando a ficção, como no caso do submarino nuclear Nautilus, preconizado por Júlio Verne e de tantos outros inventos, que concretizaram a imaginação de escritores.

A esse propósito, o biólogo Jean Rostand já havia previsto --- e a previsão consta no "The People's Almanac", de David Wallace e Irving Wallace, publicado em 1973 nos Estados Unidos --- a possibilidade de clonagem, inclusive de pessoas.

"A partenogênese, reprodução por meio de um gameta não fecundado, será algum dia possível. Poderemos então ter tantas cópias exatas de um homem excepcional quantas desejarmos", afirmou o cientista na ocasião. Na época, ou foi ignorado pela maioria, ou não foi levado a sério.

Lamenta-se que preciosos recursos, que deveriam ser destinados a pesquisas mais relevantes e urgentes de maneiras de curar doenças e de acabar com a fome e a miséria, sejam desperdiçados para que alguns "brinquem" de ser Deus. O maior problema no mundo contemporâneo, aliás, não é o da falta de pessoas. É exatamente o contrário: o da superpopulação. E nos países mais miseráveis e injustos do Terceiro Mundo. E isto com os nascimentos ocorrendo pelos processos naturais!
Aliás, a "pretensão à divindade" foi explicitada por Richard Seed para justificar sua tentativa de clonar seres humanos. "Seguimos o caminho de nos tornarmos Deus. Vamos ter quase tanto conhecimento e poder quanto Deus", afirmou. É esse tipo de mentalidade que chega a ser arrepiante quando se lida com o maior mistério da natureza: o da vida.

(Editorial número um, publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 9 de janeiro de 1998).


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

CRÔNICA DO DIA - O remédio é acreditar


O remédio é acreditar

Pedro J. Bondaczuk

A grandeza do universo me embevece, assusta, não raro até me aterroriza, mas fascina. Como ser racional, procuro entendê-lo. Em vão! Como escritor, tento racionalizá-lo e explicá-lo. Outro fracasso. Na impossibilidade natural de entendê-lo, limito-me a acreditar que as aparências sejam, de fato, o que aparentam ser. E as explicações que tento dar têm como alicerce essa crença. Neste caso, entre o “saber” e o “crer”, sou forçado a me curvar a este último verbo. Por exemplo, acredito que o homem simula, em sua constituição orgânica, o próprio universo. Tudo leva-me a crer nisso. Comprovar? De que jeito? Resta-me acreditar, posto que com um mínimo de lógica.

O homem, em sua constituição orgânica, é regido pelas mesmas leis e princípios naturais que regem tudo o que há: satélites, planetas, estrelas, constelações, galáxias, buracos negros etc.etc.etc. Só que, ao contrário destes, tem, em suas células, bilhões e bilhões de vidas independentes. É constituído por sistemas vivos que nascem, crescem, reproduzem-se e morrem constantemente. Leva, pois, vantagens, sobre todos esses astros, que são mera matéria, no meu entender.

Já escrevi inúmeras vezes, mas não custa reiterar que, “a cada dia somos outros e no entanto somos os mesmos”. Continuamos vivendo. Esse quê de imaterial que caracteriza a vida passa das células moribundas para as recém-nascidas, num processo que só termina quando o indivíduo (no caso, nós), como um todo, morre. E para onde vai de fato essa chama que nos anima após a falência total e irreversível do organismo?

Saber, mas saber mesmo, ninguém sabe. E nem explica. Especulações, teorias e doutrinas há muitas, todas carentes de comprovação. Na ausência de explicação racional e incontestável, multidões recorrem ao expediente da fé. E eu também. Não se trata de crença cega, dogmática, que nunca contesta. Não a minha, pelo menos. Duvido, contesto, discuto e ponho em dúvida esses princípios a todo o momento. Nem por isso deixo de ter fé. Embora não “saiba” se eles são mesmo assim, mesmo que minimamente, creio que sejam.

A fé é a “irmã gêmea” da esperança. É a irresistível mola propulsora das grandes realizações. É a crença absoluta e irrestrita no que, aparentemente, é impossível, ilógico, irracional e irrealizável. Essa confiança sem limites, de que vamos atingir determinada meta, que a razão nos diz ser inatingível, mobiliza poderosas forças em nosso interior, que sequer desconfiamos que temos.

Chega a ser redundante a afirmação de que “a fé remove montanhas”, já que a experiência nos mostra que remove mesmo. Muitas já foram removidas e outras tantas ainda o serão. Se você não acredita no sucesso de alguma empreitada – a de escrever um livro, por exemplo – nem a comece. Se começar, redundará, quase que com certeza, em fracasso.

A fé, todavia, é muito mais poderosa do que a esperança pois, enquanto esta é passiva, e se caracteriza – como a própria raiz da palavra indica – pela “espera”, tem como característica a ação. O fiel acredita que, agindo, chegará ao sucesso que tanto busca. E chega mesmo. Rabindranath Tagore observou: “A fé é ave que canta quando o sol ainda não raiou”. Ou seja, é a certeza de que, haja o que houver, ele irá, de fato, raiar, daí a antecipação em saudá-lo.

Por isso, quem tem fé, nunca dá batalhas por perdidas, por mais que pareça que não haja mais salvação. Por mais escura que seja a noite, acredita que logo haverá muita luz para guiar seus passos, com segurança e firmeza, rumo aos seus objetivos. Quando tudo parece irremediavelmente perdido, crê, sem titubear um só instante, numa reversão de expectativas e não duvida, em momento algum, do sucesso.

E, por acreditar de forma tão absoluta na superação dos obstáculos, via de regra quem é munido de fé tende a reverter situações aparentemente irreversíveis e a alcançar, de fato, a pretendida vitória. Com fé, tudo podemos, até mesmo conseguimos remover montanhas de angústias e de incertezas. O seu oposto é a dúvida permanente e irremissível.
O ceticismo – ou seja, total descrença em tudo e em todos – ao lado da solidão, é uma das características marcantes deste início de milênio. Conheço muitos e muitos céticos que, embora neguem que o sejam, suas atitudes os desmentem e delatam. Em paralelo, claro, há os que têm fé irrestrita, mística, extremada até, em tudo o que entendem que seja a “sua” verdade, não importa sua natureza, se religiosa, social, ideológica ou qualquer outra.

Como os extremos se tocam, ambas as atitudes, levadas ao ponto máximo, são equivocadas. O ceticismo extremado conduz as pessoas ao desencanto, à desconfiança patológica e às neuroses. A fé cega, sem questionamentos ou base minimamente lógica, leva, via de regra, quem age dessa maneira, à estreiteza mental, ao dogmatismo, ao fanatismo e ao erro. A atitude sensata (e sábia), é cultivar valores testados e aprovados ao longo tempo, é estudá-los em profundidade, para dar-lhes sólida fundamentação e é buscar disseminá-los na sociedade, não os impondo, contudo, a ninguém.

John Updike, no romance “O Encontro”, constata que “não há bondade sem fé”. E prossegue: “Sem fé, todos os atos são apenas ocupações. E se não teve fé, no fim da vida saberá então que enterrou todas as suas possibilidades no solo deste mundo e que já nada lhe resta para levar para o outro”. Isto, se acreditar em um outro, no que os céticos não creem. Por isso, não contam com base para a esperança.

Suas vidas são áridas, vazias, sem sentido. Mas o argumento mais sólido para que acreditemos em alguém, ou em algo (mesmo que de forma instintiva), é dado por Will Durant, em seu clássico “Filosofia da Vida”. Num determinado trecho, o filósofo analisa a “naturalidade” e a falta dela das duas posturas. E conclui: “A crença é um fenômeno natural. Vem diretamente das nossas necessidades emotivas – da fome de autoconservação, da sede de recompensa, de companhia, de segurança e até do pendor pela submissão”.

Uma das melhores definições que já li sobre fé, curiosamente, não foi feita por nenhum teólogo nem qualquer filósofo. Foi a do romancista australiano Morris West, sobre o qual escrevi recentemente. No seu livro “O Advogado do Diabo”, o escritor indaga: “Que é a fé?”. E a seguir responde: “ É um ato inspirado de vontade que constitui a nossa única resposta ao terrível mistério de se saber de onde viemos e para onde vamos”. Fé é exatamente isso: acreditar, sem restrições, no incrível. O mais não passa de filosofia barata, de tentativa vã de explicar o inexplicável.


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

Monday, May 21, 2018

Reflexão do dia


O ÚNICO DEVER DO ESCRITOR É SER FIEL AOS SEUS SONHOS E ÀS SUAS CONVICÇÕES

A guerra de Troia, reportada por Homero na “Ilíada”, de fato aconteceu. Arqueólogos desenterraram essa cidade e há inúmeras provas da existência dela e de que foi destruída por um incêndio. Hoje, as pessoas bem informadas não têm porque duvidar dessa realidade. Mas os heróis descritos pelo poeta não foram tão heroicos assim. E nem manipulados, como meros marionetes, por deuses que eram, em seus comportamentos e paixões, mais humanos do que os homens. Essa imortal epopeia, portanto, é fruto do talento e, sobretudo, do sonho de Homero. E como sonhou! Para resumir, recorro (como sempre faço quando me vejo encalacrado para definir questões que envolvam literatura), ao meu constante guru, Jorge Luiz Borges, que escreveu: “Há escritores que pensam que, à força de variar os adjetivos, de dizer as metáforas eternas de um modo novo, podem obter algum escrito. Isto é falso. O importante é sonhar e ser sincero com o sonho quando se escreve. Ou seja, somente contar fábulas nas quais se acredita. Isto viria a ser a sinceridade literária e o único dever do escritor: ser fiel aos seus sonhos e às suas convicções e não às meras e cambiantes circunstâncias”.



@@@


DESAFIO E PROPOSTA

Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!


@@@

CITAÇÃO DO DIA:


O que é belo 

Uma coisa bela é algo que dá eterna alegria.

(John Keats).



Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

DIRETO DO ARQUIVO - Voto de confiança


Voto de confiança


Pedro J. Bondaczuk


A administração de Izalene Tiene à frente da Prefeitura de Campinas, que ainda nem completou noventa dias, vem sofrendo sucessivas críticas, tanto por parte de algumas alas do Partido dos Trabalhadores, quanto, e principalmente, da oposição. Boatos sobre reformulação do seu secretariado têm circulado amiúde, por aí, como se mudanças desse tipo fossem uma heresia (evidentemente não são), tumultuando o seu planejamento e atrapalhando o seu trabalho.

A prefeita, porém, merece voto de confiança dos campineiros, já que o tempo em que está no comando dos destinos da cidade é, ainda, muito curto. Nesses setenta e sete dias no cargo, buscou, sobretudo, o indispensável apoio político na Câmara Municipal, sem o qual é impossível de governar, já que não conta com maioria absoluta no Legislativo.

Apesar de ser a vice do já saudoso Antonio da Costa Santos, o "Toninho do PT", os estilos de ambos são muito diferentes, e isso deve ser respeitado. É muito cedo, portanto, para se cobrar alguma coisa de Izalene, já que tudo indica que ela ainda está tomando pé da situação. Mas não pode demorar nessa tarefa. Os problemas que afetam a cidade, muitos e graves, não podem esperar, sob pena de se multiplicarem e de se agravarem.

Quanto às mudanças no secretariado, como a fusão da Secretaria de Governo e do Gabinete da prefeita num só órgão, e a consequente troca dos seus titulares, respectivamente Durval de Carvalho e Gerardo de Mello, por Lauro Câmara Marcondes, é um fato normal em qualquer governo, não sendo motivo para tanto barulho. São cargos de confiança e é compreensível que Izalene queira ter ao seu lado funcionários da mais estrita confiança, com os quais melhor se afine.

A saída de Péricles Caramaschi, da secretaria de Assuntos de Segurança, substituído pela diretora da Guarda Municipal, Maria Cristina Von Zuben, bastante enfatizada nos últimos dias, não se constituiu, na verdade, em nenhuma novidade. Há muito que se esperava essa troca.

Antonio da Costa Santos foi assassinado em um momento em que se preparava para pôr em execução alguns dos seus mais ousados projetos. Sua morte, lamentável em todos os aspectos, representou solução de continuidade de uma administração que começava a deslanchar.

Espera-se que Izalene Tiene consiga administrar as tensões e contradições internas do PT e passe a se preocupar, de vez, com os problemas da cidade, e não com os do partido. Que seus projetos, bem como os de Toninho, deslanchem de vez. Campinas espera muito dela. Que a prefeita não se perca, portanto, em tolas "briguinhas de comadre".

(Editorial publicado na página 2, Opinião, do jornal Campinas Hoje, em 28 de setembro de 2001).


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

CRÔNICA DO DIA - Na própria carne


Na própria carne


Pedro J. Bondaczuk


O sofrimento – físico, mental, moral, psicológico, afetivo ou seja lá de qual natureza for – é o que há de pior para qualquer ser vivo e, lógica e especificamente, para o homem. Infelizmente, no entanto, é o que mais existe mundo afora. Todos, rigorosamente todos, passamos, em algum momento de nossas vidas, por essas dolorosas experiências. O que varia é a constância, e não somente ela, mas a causa, a duração, a natureza e a intensidade dessa coisa ruim que, não raro, após cessar, produz traumas muitas vezes incuráveis. Ou seja, mais sofrimentos, posto que de natureza diversa.

Não há uma única pessoa considerada “normal” (embora o conceito de normalidade seja muito elástico, vago e indefinido) que não busque fugir de todas as formas dos sofrimentos. Certo? Creio que isso chega a ser até redundante, de tão óbvio que é.

Aquele chato, que põe reparo em tudo e dá pitaco em qualquer assunto só para contrariar e contradizer, pode afirmar (e certamente afirmará): “Há os que, não somente não fogem do sofrimento, como até se deliciam com ele e o procuram”. É verdade. A referência, aqui, claro, é aos masoquistas. Estes, todavia, não são normais (no senso comum de normalidade). Padecem de um desvio, de uma tara, de ostensiva anormalidade, que contraria, até, um dos instintos básicos dos seres vivos: o de autopreservação.

O normal é que as pessoas evitem o sofrimento. E quando não é possível evitar, busquem diminuir e curar logo as causas para eliminá-lo. A única função da medicina, por exemplo, é a de curar doenças e, dessa forma, acabar com os sofrimentos orgânicos.

A indústria farmacêutica desenvolveu uma série de analgésicos, que muitas vezes, se usados inadequadamente, atacam os sintomas sem atacar as causas, especificamente para livrar as pessoas da dor. Ou seja, do sofrimento. Mascaram, dessa forma, as doenças (mas não quero e nem vou generalizar).

Para intervenções mais radicais, as cirúrgicas, foram desenvolvidos os anestésicos, tremendo avanço para cirurgias mais humanas e seguras, para que não sejam tão dolorosas (e perigosas pois podem levar os pacientes até ao estado de choque) como eram até antes da sua invenção.

Em resumo, nosso empenho cotidiano, individual ou coletivo, é no sentido de evitar o sofrimento, de acabar com ele depois de instalado ou de, quando isso não for possível, diminuí-lo e torná-lo suportável. As pessoas mais sensíveis sofrem não apenas com seus problemas individuais, mas com os coletivos também. E os idealistas veem o mundo como um lugar de sofrimento, um “vale de lágrimas”, e por isso se empenham na utopia de construir realidades ideais, nas quais ninguém sofra, por nenhum motivo. Claro que é impossível. Daí o termo “utopia” para suas projeções.

Relendo, porém, por estes dias, um livro de Anatole France (pseudônimo do escritor francês Anatole François Thibault, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1921, pelo conjunto de sua obra), se não me engano o romance “O manequim de vime”, li, surpreso, a seguinte declaração que anotei: “O sofrimento! Que divino desconhecido! Devemos-lhe tudo o que é bom em nós, tudo o que dá valor à vida; devemos-lhe a compaixão, devemos-lhe a coragem, devemos-lhe todas as virtudes. A terra não passa de um grão de areia no deserto infinito dos mundos. Mas se o sofrimento se limita à terra, ela é maior que o resto do universo”.

Fiquei pasmo! Nunca antes havia lido algo que me soasse a uma apologia do sofrimento, como esse trecho me parece ser. Quando se lê coisas desse tipo, notadamente em obras de ficção, é preciso muito cuidado. É necessário, antes de tudo, contextualizar a declaração.

Muitas vezes um escritor coloca na boca de um personagem conceitos diametralmente opostos aos seus. Portanto, fico sem saber se, no caso, esse era o verdadeiro pensamento de Anatole France ou não. Provavelmente não era. E justo ele, que era um sujeito realista, com ideais de esquerda, cético e não dado a misticismos (os místicos é que pregam a purificação da alma mediante penitências e autoflagelações, ou seja, sofrimento físico)!

Sem nenhuma certeza, fico com a desconfiança de que essa era a opinião do “personagem” e não do seu inventor. Não posso garantir nem uma coisa e nem outra. Eu, se fosse o autor da afirmação, de alguma forma, esclareceria, na sequência, que não penso dessa forma. Mas... cada escritor tem sua maneira de proceder.

É verdade que o sofrimento enseja o surgimento de preciosas virtudes, como a compaixão e a coragem, como ressalta o personagem de Anatole France. . Mas, da mesma forma que analisei os que “gostam” de sofrer, ou seja os masoquistas, devo citar o outro extremo, o dos que entram em êxtase, em delírio, em estado de supremo gozo quando infligem sofrimentos aos outros, no caso, os sádicos.

Estes têm compaixão? Ora, ora, ora. Para quem tem essa tara, quanto mais os outros sofrem, mais se deliciam. E sequer importa para eles se esse sofrimento é causado por eles, ou por outros ou por qualquer causa alheia à ação humana.

Quanto à coragem... Nem todos (e nem sempre) encaram o sofrimento de forma corajosa e confiante. Há os que são mais sensíveis. Há os que se acovardam e findam por sofrer com a simples ideia da possibilidade de passarem por um ou por vários sofrimentos. Conheço inúmeras pessoas assim e, provavelmente, o leitor também conhece.

Anatole France, portanto, (ou seu personagem, como convencionei que iria considerar), declarou uma tremenda bobagem, que serve mais para justificação da tara de um renitente masoquista, do que para expressar a ideia de uma pessoa normal (reitero, no senso comum de normalidade). Da minha parte, detesto sofrimentos (não importa de que tipo e intensidade) e, sempre que está ao meu alcance, procuro minorar, e jamais infligi-lo aos outros. E você, paciente leitor?


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

Sunday, May 20, 2018

Reflexão do dia


O POETA REVESTE SONHOS DE METÁFORAS, SIGNOS E IDEALIZAÇÕES

Acontecem coisas no cotidiano, em nosso dia a dia, ao nosso redor e mundo afora, que nem o mais imaginoso dos escritores, nem a mente mais fértil e criativa, conseguiria imaginar. Basta acompanhar os noticiários, cada vez mais fartos e detalhados, nesta era dita da “comunicação total”. Convenhamos que, no que se refere a sonhos, quem sonha mais é o poeta. E reveste-os de metáforas, de signos, de símbolos de toda a sorte, compondo versos que pretende sejam imortais. Tanto que Fernando Pessoa constatou, com muita perspicácia, que os bons poemas de amor são exatamente os que se referem a amadas fictícias, meramente idealizadas ou “conceituais”. Via de regra, quando tentamos fazer poesia tendo por personagem a pessoa que de fato amamos, as palavras soam ocas, vazias, superficiais, inverossímeis. É certo que poetas tidos e havidos como imortais (refiro-me, óbvio, àquela “imortalidade” que caracteriza Homero, Virgílio, Píndaro, Horácio e tantos outros. Ou seja, não a física, que é impossível, mas a das obras), não raro calcaram suas obras em fatos. Mas fantasiaram tanto esses acontecimentos, que chegamos a duvidar que tenham, mesmo, ocorrido.



@@@


DESAFIO E PROPOSTA

Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!


@@@

CITAÇÃO DO DIA:


Ciência e arte

Ciência: brinquedo dos homens graves; arte: ciência dos homens crianças.

(Paulo Mendes Campos, crônica "Palavras e frases", publicada na Revista Manchete, em 18 de março de 1967).



Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

DIRETO DO ARQUIVO - Voto de confiança


Voto de confiança



Pedro J. Bondaczuk


O prefeito eleito de Campinas, Antonio da Costa Santos, começa, nos próximos dias, a tomar pé da real situação do Município, através da sua equipe de transição, composta, certamente, por técnicos da maior competência, seriedade e envergadura, com vistas à sua posse em 1º de janeiro de 2001. Simultaneamente, negocia com a atual Câmara Municipal a aprovação de um orçamento que não seja muito restritivo, pelo menos não tão apertado quanto se propala que virá a ser.

É certo que os primeiros dias da nova administração não serão um "mar de rosas". E nem poderiam ser, dadas as circunstâncias e o atual momento que a cidade vive. Por maior sucesso que o novo administrador venha a ter em suas negociações com os vereadores, é possível afirmar, com alta dose de segurança, que o seu primeiro ano de mandato vai ser repleto de obstáculos, de tensões, de descontentamentos e de cobranças.

Principalmente se for levada em conta a enorme dívida do Município, acumulada nas últimas três ou quatro administrações e que, bem ou mal, vem sendo "rolada", embora não paga, o que limita demais a capacidade de investimento do Poder Executivo. É preciso, também, ter em mente a vigência da nova Lei de Responsabilidade Fiscal, que condiciona (em boa hora) toda e qualquer despesa feita pelo prefeito à existência de recursos para a cobertura desses gastos. Trata-se de novidade, em termos de gestão pública, em nosso País, à qual os administradores recém eleitos vão ter que se submeter e se adaptar.

Ademais, há muito mais necessidades do que verbas para a sua satisfação, o que é do conhecimento de todas as pessoas razoavelmente bem informadas. E isso ocorre não apenas em Campinas, mas em qualquer cidade do mundo, do porte da nossa, destaque-se. Compete ao administrador consciente e responsável, portanto, definir prioridades e fazer o dinheiro disponível render o máximo possível, seja qual for o seu montante.

É necessária, por isso, grande dose de paciência e de compreensão, por parte da população, que não pode, e nem deve, sair por aí exigindo grandes coisas do novo prefeito, tão logo ele assuma o cargo, como se fosse possível, num toque de mágica, resolver todas as questões do Município de uma só vez. Milagres até que existem, mas são extremamente raros e não fazem parte de nenhuma cartilha política.

Há que se considerar, por exemplo, que o novo secretariado, a ser empossado junto com Antonio da Costa Santos --- cuja composição, até aqui, vem sendo mantida no mais absoluto sigilo ---, vai precisar, como o próprio prefeito, de um certo tempo, para que cada titular das várias secretarias possa tomar pé da situação e ficar completamente inteirado das suas atribuições e dos instrumentos de que vai dispor para pôr em prática os seus planos de governo. A equipe vai necessitar de entrosamento. Precisará cercar-se de auxiliares confiáveis, competentes e operosos, para depois traçar toda uma estratégia de trabalho. Convenhamos, isto não se faz da noite para o dia.

Espera-se, sim, do novo prefeito, trabalho, trabalho e trabalho. E uma grande, uma imensa, uma inesgotável capacidade de diálogo com os mais variados setores da sociedade. Além disso, é desejável que faça uma administração absolutamente límpida e transparente e, sobretudo, de olhos voltados tão só e exclusivamente para os legítimos interesses da cidade, sem privilegiar (ou prejudicar) "a", "b" ou "c", por quaisquer motivos. Que saiba separar, no exato limite da prudência, partido de governo. Ele é o chefe do Poder Executivo e não o PT. Compete-lhe, portanto, "sempre" a última palavra em toda e qualquer decisão.

Além disso, precisa ter sempre em mente que a campanha eleitoral já acabou. E que não vai (e não deve) governar somente para os que lhe garantiram a consagradora vitória nas urnas. Tem que buscar, permanente e incansavelmente, a conciliação, dentro dos limites do possível, dos interesses de "todos" os campineiros, mesmo daqueles que optaram nas urnas pelo nome do seu adversário direto no Segundo Turno, ou dos cerca de 6% dos eleitores que se omitiram, ou anulando seus votos, ou votando em branco ou sequer comparecendo para votar.

Os cidadãos de Campinas têm pela frente uma possibilidade, fascinante, de participar efetivamente nas decisões de governo, definindo as prioridades da nova administração, através da elaboração do próximo orçamento, que se propõe a ser "participativo". Ou seja, aquele que será votado pelos vereadores no final de 2001, para ter efeitos em 2002. Trata-se de uma experiência nova, estimulante e altamente positiva para o campineiro, da qual se espera que não venha a se omitir.

À oposição, por seu turno, cabe papel dos mais relevantes e fundamentais numa democracia que se preze. Compete-lhe, sim, fiscalizar "com lupa" a nova administração. Mas sem ranços de sectarismos e sem espírito destrutivo e de vingança. É seu dever detectar todos os problemas possíveis, de qualquer natureza, é certo. Porém é, também, sua obrigação apontar as possíveis soluções. Deve opor-se a tudo o que, de fato, julgar errado. Mas agindo sempre com honestidade de propósitos, com sinceridade, com ética e com um sentido absolutamente construtivo. Caso contrário, estará se opondo não ao novo prefeito, nem ao PT e muito menos ao seu programa de governo, mas aos legítimos interesses da cidade, o que é inconcebível para quem tem o dever e a responsabilidade de representar determinado segmento da população.


(Editorial da Folha do Taquaral de 14 de dezembro de 2000).


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

CRÔNICA DO DIA - Caminhos e caminhantes


Caminhos e caminhantes

Pedro J. Bondaczuk

Gostaria que todas as pessoas fossem iguais, pelo menos no que considero essencial, ou seja, em posses, direitos e aptidões. Evidentemente, não são. Há desníveis profundíssimos e absurdos entre a minoria privilegiada (e nunca consegui entender a razão desse privilégio) e a maioria que vegeta na miséria, sem ter, nem ao menos, o que comer. “É a realidade”, dizem os cínicos e os omissos, do alto da sua arrogância e burrice.

Há, é verdade, uma niveladora implacável que, mais cedo ou mais tarde, iguala a todos no mesmíssimo destino: a morte. Tentam, porém, estabelecer diferenças até aí. Os que gozaram de todas as regalias possíveis e imagináveis são sepultados com pompas e circunstâncias, em mausoléus caríssimos, que são verdadeiros palácios para os indigentes.

Já estes... Não raro, não têm sequer sepultura. Às vezes têm os corpos doados para estudos em faculdades de Medicina. Ou quando são enterrados, o são em alguma gaveta provisória nos cemitérios que as têm ou em covas rasas, logo esquecidas onde ficam e de quem são. Todavia, não importa. Tanto os milionários quanto os mendigos cumprem o derradeiro ritual da natureza: “és pó e ao pó retornarás”.

Levamos vidas tão desiguais que nem parecemos espécimes da mesma espécie. Até não faz muito, era perigoso tocar nesse assunto. Logo lhe sapecavam a pecha de “comunista” e davam a essa palavra conotação de horror, como se quem defendesse a isonomia de direitos e deveres entre as pessoas fosse um monstro sanguinário e vil, uma aberração, um mal a ser combatido e extirpado. Ou estou exagerando?

O pitoresco é que justamente os que seriam os maiores beneficiados com a implantação de um comunismo genuíno (não me refiro àquela caricatura que havia na extinta União Soviética e que ainda há na China, em Cuba e na Coréia do Norte), eram os que mais o combatiam. Os miseráveis da Terra vegetam em tamanha indigência, que aquilo que mais querem é pelo menos um prato de comida por dia, um abrigo seguro e alguma diversão. Sequer cogitam em qualquer tipo de igualdade de direitos e deveres.

Embora muitos achassem que eu fosse comunista, nunca o fui. E não por temor de represálias, de prisão, torturas e até mesmo da morte. Informado como sou e conhecedor da natureza humana, sempre tive plena convicção da impraticabilidade dessa utopia. Em teoria é, sem dúvida, ideal tentador e maravilhoso. Na prática, porém, não resistiria a um único dia, após se tentar implantá-la, sem que fosse, de imediato, corrompida e descaracterizada.

Escrevo esta crônica ainda sob o impacto daquelas imagens dantescas que presenciei, em noite recente, à saída do trabalho: a de um andrajoso indigente revirando o lixo de um famoso restaurante aqui de Campinas, em busca do que comer.

E o que me abalou ainda mais foi o fato de milhares de pessoas transitarem pela calçada, passando pelo pobre infeliz como se fosse menos até do que um animal doméstico, um cachorro ou um gato, mas simples objeto inanimado, um poste talvez, ou, quem sabe, um muro.

Tentei parar meu carro para ajudar o infeliz, meu irmão de espécie, mas quem diz que consegui? Um coro de irritantes buzinas (mesmo sendo à noite) alertou-me que burgueses omissos e inconscientes queriam passar para seguir suas vidinhas medíocres, inúteis e inconscientes. Não sei, portanto, que fim levou aquele pobre infeliz que “garimpava” seu jantar em infecta lata de lixo. Não duvido nada que tenha sido preso, por “perturbação da ordem pública”.

Sempre que toco no assunto, sou, invariavelmente, confrontado com o questionamento, feito em tom arrogante e agressivo: “você partilharia seus bens com algum indigente”? Sinceramente? A resposta é sim, mas sob uma condição. A de que todos, absolutamente todos, não importa onde morem, o cargo que ocupem ou a fortuna que tenham, fizessem o mesmo. Por que? Porque se defendo igualdade de direitos, deveres e aptidões para “todos”, seria incoerente se apenas eu recebesse tratamento diferenciado.

O fato é que essas vidas tão desiguais continuarão dessa mesma forma que estão agora, década após década, século após século, milênio após milênio, isso se a humanidade não for extinta antes, ou se não se extinguir por sua própria ação, em encarniçada e furiosa batalha entre os que têm tudo e querem muito mais e os que são tratados de modo inferior, até, que cachorros e gatos. Por isso, amargurado, tenho que admitir que Johann Wolfgang von Goethe estava cobertíssimo de razão quando constatou:“Nem todos os caminhos são para todos os caminhantes”. Só aduziria um sincero “infelizmente”.


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

Saturday, May 19, 2018

Reflexão do dia


NADA PARECE SER MAIS IRREAL DO QUE A REALIDADE

Não compete ao escritor reproduzir acontecimentos exatamente como ocorreram. Afinal, não foi treinado, como o jornalista, para essa tarefa. É por isso que suas histórias são de ficção. Ou seja, nunca aconteceram (embora pudessem ter acontecido). E quanto mais realista for sua descrição, melhor. Só que, contos, novelas, romances e peças teatrais são “mentiras” consentidas e bem contadas (quando o são, óbvio). São frutos do “sonho”, da fantasia, da criatividade dos seus autores e não das circunstâncias ou do acaso. O desafio do escritor é tornar sua narrativa a mais próxima possível do real. Por isso, não raro, invade, também, e sem nenhum escrúpulo, o campo que teoricamente seria restrito ao filósofo: o das ideias. Mas não as detalha e nem busca explicar sua origem e motivos. E o fantástico, o fantasioso, o aparentemente inverossímil, estão interditos ao escritor? Claro que não! Esses fatores, aliás, integram o que denomino de “sonhos”. São, portanto, a matéria-prima por excelência de romancistas, contistas, novelistas e autores teatrais. Até porque, nada tem maior aparência de irreal do que a realidade, por paradoxal que isso possa parecer.

@@@



DESAFIO E PROPOSTA

Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!


@@@

CITAÇÃO DO DIA:


Arquitetura é vida 

...Mais do que qualquer outra arte, a arquitetura é vida. Suas formas precisam ser tão plásticas que não sejam nunca perfeitas. Precisam poder desdobrar-se noutras formas, quer em sentido horizontal, quer no vertical, para atenderem a novas solicitações de vida, de crescimento, de ampliação ou de intensificação de funções. Do contrário, tornam-se, por mais belas, por mais grandiosas, por mais suntuosas, expressões de arte quase fúnebre. Formas de edifícios feitos mais para mortos do que para vivos.

(Gilberto Freyre, artigo "A arquitetura da Universidade de Sussex", publicado na revista "O Cruzeiro", em 25 de setembro de 1965).



Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

DIRETO DO ARQUIVO - Vocação para a grandeza


Vocação para a grandeza

Pedro J. Bondaczuk

A inauguração, no dia 19 passado, do Parque Dom Pedro Shopping, o maior centro de compras, lazer e entretenimento da América Latina, recoloca Campinas no noticiário nacional, agora no seu lugar de direito: no de uma das mais progressistas e laboriosas comunidades urbanas nacionais.

Responsável pela geração de 10% do Produto Interno Bruto do País, sua importância não pode e nem deve jamais ser esquecida (e muito menos desprezada), como parece estar ocorrendo, por parte de alguns políticos despreparados e administradores incompetentes, tanto da esfera estadual, quanto, e principalmente, da federal.

A cidade faz por merecer – por sua localização estratégica, sua magnífica malha viária, suas requisitadas universidades e seus eficazes institutos de pesquisa (além do seu polo de alta tecnologia, da produtividade e criatividade do seu povo e do efeito multiplicador de ações que aqui são deflagradas) –, tratamento diferenciado, que a rigor não vem recebendo nos últimos anos, por meras picuinhas políticas. Todos perdem com isso. Perde, sobretudo, o País.

A aceitação, por parte do público, do moderno e funcional novo centro de compras e de lazer, atesta o acerto dos seus empreendedores, ao escolherem Campinas para investimento de tamanho porte. É uma aposta ousada, mas que tem tudo para ser bem sucedida. O magnífico fluxo de pessoas (cerca de 300 mil) no primeiro fim de semana de funcionamento do novo megashopping, supera a todas e mais otimistas expectativas. Pode-se afirmar, por consequência, sem receio de precipitação ou de excesso de otimismo, que o empreendimento já é um sucesso. E isto reflete, melhor do que qualquer coisa, o que Campinas de fato é.

O campineiro é um cidadão criativo e operoso (e sobretudo generoso, acolhendo pessoas de todas as partes e de todas as classes sociais) e que tem contribuído, ao longo dos quase 228 anos de existência desta dinâmica comunidade, de forma marcante e contínua, para o desenvolvimento político, econômico, social, artístico, esportivo e cultural do Brasil. Seria até redundante citar os feitos de seus ilustres filhos, nos mais diversos campos de atividade, tantos e tamanhos eles são.

Ultimamente, porém, essa importância tem sido ofuscada (quando não esquecida) por acontecimentos que todos gostariam de esquecer, mas que ainda não podem. Entre estes destaca-se, evidentemente, a trágica morte do seu jovem e idealista prefeito, Antônio da Costa Santos, assassinado em circunstâncias ainda não devidamente esclarecidas, há quase oito meses. Ganham relevo, também, os 613 casos de homicídio registrados em 2001, além dos sequestros, roubos de cargas e de veículos, assaltos, etc., etc., etc.

A criminalidade na cidade, por omissão daqueles aos quais compete garantir a segurança da população, atingiu níveis absolutamente intoleráveis. O campineiro, porém, que tem revelado enorme capacidade de mobilização na defesa dos seus direitos, continua trabalhando, produzindo, criando e participando do desafio de ajudar a desenvolver este País, com um mínimo de justiça social.

Por isso, por causa dessa sadia e construtiva forma de reação, aos poucos começa a deixar de ser refém de criminosos. De uns tempos a esta parte (não sem motivos, infelizmente), Campinas vem sendo tratada como uma espécie de “capital do crime organizado” no Estado de São Paulo.

As realizações do seu povo e a sua contribuição para economia do Estado e do País, atestadas por inúmeras estatísticas, cederam lugar, nos noticiários dos meios de comunicação, a informações diárias, quase que exclusivas, sobre quadrilhas de bandidos que praticam as mais diversas e variadas modalidades de delito. Os índices de violência, em especial de homicídios, explodiram na cidade, superando, em termos proporcionais, os de 25 das 27 capitais estaduais.

Campinas, evidentemente, não é, e nunca foi, isso. Não haverá de ser agora! Tem dificuldades, é inegável, como tantas outras cidades do seu porte (ou até menores), no que diz respeito à segurança. Mas seus moradores não estão dispostos a entregar, de “mão beijada”, o que conquistaram com tantos sacrifícios.

A instalação do maior centro de compras da América Latina em Campinas é, sem dúvida, mais um passo no sentido da recuperação do verdadeiro e privilegiado status da cidade. É inequívoca manifestação de confiança, por parte dos seus empreendedores, no inegável potencial e na enorme capacidade de geração de riquezas do campineiro. Outros empreendimentos, do mesmo porte, certamente virão. Há espaço e potencial para absorvê-los.

E os resultados positivos, com certeza, não tardarão a aparecer. Não somente no campo econômico, que é a vantagem mais óbvia desse tipo de investimento, mas (e sobretudo) no social, representado pela geração de milhares de novos empregos, o que vai contribuir para solucionar um dos problemas mais graves da atualidade (no País e em várias partes do mundo) nestes tempos de globalização: o de desemprego. Iniciativas como esta, ao lado da educação, constituem-se no melhor caminho (talvez no único) para pôr fim à violência que nos atormenta e apavora. Tudo o mais não passa de “perfumaria”...


(Editorial da Folha do Taquaral de 25 de março de 2002)



Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk