Friday, July 03, 2015

O que se entende por “sucesso”?. É ganhar muito dinheiro com o que se faz? Para muitos (diria que para a maioria) é. Há, porém, quem se sinta bem-sucedido com o mero reconhecimento da perfeição do que faz, mesmo que tardio e não representado necessariamente por vantagens materiais. Há muitos idealistas que pensam dessa maneira. Para estes, “sucesso” é a convicção íntima de que aquilo que fizeram foi bom, foi útil, foi bem feito e trouxe benefícios à coletividade, a milhares, quiçá a milhões de pessoas gerações afora. A esse propósito, recorro a uma observação que li há algum tempo no livro “A prayer for Owen Meany”, a sétima novela do escritor norte-americano John Irving, que afirmou:  “Se você tiver a sorte de encontrar um meio de vida de que goste, precisará ter a coragem para vivê-la”. Nem todos (diria que raros) têm. Não é fácil você jogar tudo para o alto, abrir mão de uma atividade que lhe proporcione estabilidade financeira, prestígio e/ou “status” social, mas de que não goste, para correr atrás de simples sonho, por mais grandioso que este seja. Mas há quem faça isso. Os que fazem essa opção se sentem realizados e felizes? Sei lá! Talvez sim, talvez não. O que você acha?


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O melhor da espécie humana


Pedro J. Bondaczuk


A partir do próximo dia 19, portanto em menos de duas semanas, milhares de pessoas de todo o mundo estarão congregadas na cidade norte-americana de Atlanta --- e mais de um bilhão de outras vão se fazer presentes pela imagem da televisão --- para uma "guerra" diferente, sem mortos, feridos e sem destruição. Pelo contrário, será dado um exemplo de como o homem pode viver de forma harmoniosa e cooperativa, sem deixar de ser competitivo.

Vai começar o festival de graça, beleza, saúde, força e competência que se repete, a cada quatro anos (à exceção do período das duas guerras mundiais), há já um século. São os Jogos Olímpicos, ou Olimpíadas, revivendo o congraçamento que ocorria aos pés do Monte Olimpo na Grécia Antiga, há quase três milênios.

Se fosse possível reunir em um só homem (ou uma só mulher) as melhores características dos atletas ganhadores das medalhas de ouro em cada modalidade --- alguém que corresse 100 metros em menos de 10 segundos, nadasse a mesma distância em menos de 50, saltasse com vara mais de 6,10 metros, sem ela quase 9 metros, ou em três saltos ultrapassasse os 18 metros, ou em um só arranque levantasse mais de 500 quilos) --- esse seria um ser humano fisicamente perfeito.

Recordes que pareciam impossíveis de serem quebrados foram há muito superados. Outras dezenas deles, certamente, vão cair ainda em Atlanta. É o homem em busca dos seus limites. São a garra, a lealdade, a disciplina, o "fairplay", a graça, a beleza, a força e a competência em exibição. Durante duas semanas, estarão reunidos na capital da Geórgia os melhores exemplares físicos da humanidade, daquilo que todos os homens e mulheres deveriam ser, mas não são.

De duas décadas para cá, os jogos mudaram, assim como o mundo. Embora muitos países ainda façam da competição (ou tentem fazer) uma propaganda de ideologias e sistemas políticos, o que conta de fato é o talento dos atletas. São o seu coração, a sua garra, o seu treinamento, o seu autodomínio e a sua capacidade de superação dos próprios limites.

Com a profissionalização verificada de 1980 para cá, através de patrocínios oficiais ou privados, os participantes desse desafio esportivo quadrienal aproximam-se da perfeição nas respectivas modalidades. Dedicam-se exclusivamente ao esporte e com isso aniquilam recordes e mais recordes, aparentemente impossíveis de quebrar, mas que continuam caindo.

As Olimpíadas na Grécia Antiga tinham um fundo também cultural. Entre as competições, havia disputas de canto e composição. Claudius Aenobarbus, que se tornaria imperador romano com o nome de Nero, foi, na juventude, campeão olímpico.

Os Jogos da era moderna, principalmente desde Moscou, são caracterizados por espetáculos notáveis de música e coreografia, na abertura e no encerramento das competições. É possível que as Olimpíadas do futuro --- quem sabe nas de 2096 --- abram espaço para os "atletas do intelecto e da sensibilidade". Se isso acontecer, a juventude sadia e bonita do Planeta irá compor, de forma coletiva, o perfil do homem ideal: mente sã, num corpo absolutamente sadio.


(Artigo publicado no caderno de Esportes do Correio Popular, em 3 de julho de 1996)

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Pensamento político de Machado de Assis

Pedro J. Bondaczuk

O advogado e “imortal” da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça, publicou, em 17 de julho de 2007, no tradicional jornal “Diário de Pernambuco”, esclarecedor artigo, intitulado “Machado de Assis e a política”, em que apresenta (e comenta) algumas opiniões e posturas do nosso maior escritor a propósito desse tema. E estas foram em quantidade impressionante, não apenas em artigos e crônicas na imprensa, mas também em romances e contos. Localizei esse bem fundamentado (e otimamente redigido) texto no arquivo digital da ABL. Recomendo-o ao leitor que queira mais (e abalizadas) informações a esse respeito.

Em determinado trecho, o ilustre articulista observa: “Não se deixam de anotar muitas amostragens do interesse de Machado pela política, não na militância das ruas, mas na consideração do seu papel catalisador”. Interessava-se, pois, e muito, pelo assunto. E tratava-o nos seus mais variados aspectos –  quer factuais, com os personagens e ocorrências do Parlamento do Império, quer doutrinários, no que demonstrava surpreendente conhecimento de causa, levando em conta que nunca frequentara nenhuma escola superior – e tanto nacional, quanto (e diria principalmente) no complexíssimo cenário internacional. O fato de Machado não ser, propriamente, militante político, não quer dizer que não tivesse sua crença, sua ideologia, seu “projeto nacional”. Tinha-os e deixou-os claros!!

Era, por exemplo, liberal convicto, com idéias bastante avançadas para o tempo em que viveu, todavia, sem jamais perder o senso crítico que expressava, todavia, com elegância e graça, não raro com ironia, quando cabível. Foi defensor da República, sem nunca esconder, porém, seu respeito e estima pelo imperador Dom Pedro II. Todavia, embora fosse um dos assuntos de que mais tratou, jornalística e literariamente, não se pode afirmar que a política tenha sido, mesmo que remotamente, sua paixão. Tinha, por sinal, certa repulsa por ela, notadamente por vários vícios e distorções dos políticos brasileiros (principalmente a corrupção, comportamento vicioso que nunca deixou de permear a vida brasileira). Mostrava-se, até, cético quanto á eficácia das ações políticas, embora admitindo sua necessidade.

Marcos Vilaça lembra, citando, na sequência, o saudoso crítico literário e historiador Brito Broca: “Brito Broca chama a atenção para o fato de Brás Cubas ter sido deputado. E diz: ‘Se temos, pois, em Brás Cubas, uma sublimação do secreto ideal político de Machado de Assis, teremos no sentido satírico desse episódio o reverso do mesmo ideal. No discurso do herói, Machado, segundo o seu método de compensação psicológica, destrói a possível inveja que lhe causariam aqueles que subiam, um dia, os degraus da tribuna parlamentar. O Brás Cubas da barretina reflete toda a descrença e toda a malícia de um Machado de Assis deputado’".

E o articulista acrescenta, na sequência:  “O desfile de perfis políticos está mesmo nas crônicas de ‘A Semana’, entre elas o texto clássico ‘O Velho Senado’, mas há nos romances políticos como Lobo Neves, supersticioso e fátuo; Camacho, cabo eleitoral típico; Teófilo, ansioso por se tornar ministro; Brotero, o das aventuras amorosas e não podemos esquecer o brasileiro Tristão, a naturalizar-se português para se eleger deputado por lá. Também o deputado Clodovil a viajar pela Europa. O entorno de amigos de Machado estava farto de políticos: Alencar, Francisco Otaviano, Bocaiúva, Joaquim Serra e o maior deles: Joaquim Nabuco”.

Pincei, um tanto quanto a esmo, na obra machadiana, algumas opiniões dele sobre o tema. O escritor manifestou, por exemplo, inegável simpatia pela classe trabalhadora (numa época em que pensar dessa forma era até heresia, quando não subversão), ao escrever, na crônica “O espelho” (publicada na “Gazeta de Notícias” em 11 de setembro de 1859: “Graças a Deus, se há alguma coisa a esperar é das inteligências proletárias, das classes ínfimas; das superiores, não”.

A respeito das liberdades dos cidadãos expressou, em outro artigo: “Aqui vai agora como eu separo as liberdades teóricas das liberdades práticas. A liberdade pode ser comparada às calças que usamos. Virtualmente existe em cada corte de casimira um par de calças, se o compramos, as calças são nossas. Mas é mister talhá-las, alinhavá-las, prová-las, cosê-las, e passá-las a ferro, antes de se vestir. Ainda assim há tais que podem sair mais estreitas do que a moda e a graça requerem. Daí esse paralelismo da liberdade do voto e da limitação dos criados e das bestas. É a liberdade alinhavada. Não se viola nenhum direito; trabalha-se na oficina. Prontas as calças, é só vesti-las e ir passear”.

Ao expressar sua opinião sobre o então super-polêmico tema do voto feminino, direito que seria facultado às mulheres brasileiras somente em 1932, Machado de Assis aproveitou para fazer, até, certa graça (perfeitamente cabível no caso). Escreveu, em “Histórias de 15 dias” (texto publicado, pasmem, em 1º de abril de 1877): "Venha, venha o voto feminino; eu o desejo, não somente porque é idéia de publicistas notáveis, mas porque é um elemento estético nas eleições, onde não há estética".

Mas não foi só. Por exemplo, sobre a resistência que então havia em relação às reformas (tema que permeia a vida política brasileira desde a independência e que nunca saiu das manchetes da imprensa até os dias de hoje), Machado de Assis explicou por que, no seu entender, isso ocorria (explicação que cabe como uma luva na atualidade). Escreveu, na coluna “Notas semanais” do jornal “Gazeta de Notícias”, na edição de 7 de julho de 1878: “Nenhuma reforma se faz útil e definitiva sem padecer, primeiro, as resistências da tradição, a coligação da rotina, da preguiça e da incapacidade. É o batismo das boas idéias; é ao mesmo tempo seu purgatório”.

Opinou, ainda, a propósito de “soberania nacional”, tema bastante em voga na sua época, em decorrência de vários e vários movimentes separatistas que pipocavam, de Norte a Sul, pelo vasto território brasileiro. Foi um “milagre”, convenhamos, o fato do País conservar sua coesão, sua unidade territorial. E o perigo da desagregação, por sinal, persiste. Ainda hoje há focos secessionistas, aqui e ali, mesmo que inexpressivos e até ridículos, ditados, sobretudo, pelo preconceito social de determinadas esferas de nossa ainda pífia e atrasada elite social. Machado de Assis escreveu a respeito na coluna “História de quinze dias”, publicada na “Gazeta de Notícias” de 15 de outubro de 1875: “A soberania nacional é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional. Se não tiver essas duas coisas, deixa de ser o que é para ser uma coisa semelhante aos Três Sultões, de Wagner”. Essa referência é à ópera do mesmo nome do gênio alemão da música clássica, cada qual entendendo o conceito de soberania de acordo com seus interesses pessoais.

Finalmente, é oportuníssimo este alerta que Machado de Assis fez, no romance “Quincas Borba”, aos políticos do seu tempo, que serve a caráter para nossos governantes de hoje das várias esferas de poder e aos parlamentares dos parlamentos municipais, estaduais e federais: "Ouça-me este conselho: em política, não se perdoa nem se esquece nada". Ao que eu aduziria: e não se pode e nem se deve perdoar ou esquecer jamais!!!!


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Thursday, July 02, 2015

A questão de “vocação” para determinada atividade é muito comentada, mas quase nunca bem entendida. É certo que temos capacidade para aprender, e executar bem, muitas coisas, das mais diversas naturezas: manuais, artísticas, intelectuais etc. Mas há algumas que, por razões não bem explicadas (ou talvez inexplicáveis) aprendemos e executamos melhor do que outras. É a isso, a essa facilidade, originada pelo gosto, pelo interesse e pela consequente aplicação, que chamam, genericamente, de “vocação”. A experiência me mostrou que nem tudo o que gostamos temos a capacidade de fazer bem. Por exemplo, gosto muito de música, mas sou rigorosamente incapaz de tocar qualquer instrumento, mesmo o mais simples deles. No outro extremo, também aprendi que muita coisa que não apreciamos e que, até mesmo, detestamos, quando premidos pelas circunstâncias, sobretudo pela necessidade, somos capazes de fazer de forma mais do que adequada: excelente. Não raro fracassamos no que gostamos de fazer e que, por causa desse gosto, nos aprimoramos para executar bem. Muitas vezes, os resultados finais das nossas ações se mostram pífios, quando não desastrosos. Por uma série de motivos ou circunstâncias, como falta de persistência ou, até mesmo, por incompetência para tal atividade, fracassamos no que julgávamos ter inequívoca vocação. Gostar de algo não significa, automaticamente, ser competente para sua execução.


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Controle de inflação


Pedro J. Bondaczuk


O presidente Itamar Franco pode ser até uma pessoa muito bem intencionada, mas quando faz declarações de cunho econômico, é um desastre. Especialmente quando o assunto enfocado refere-se à inflação. Como muita gente, confunde causa com efeito. Ou seja, a disparada dos preços, com a desvalorização do desmoralizadíssimo cruzeiro --- nesta sexta-feira, pasmem, entra em circulação a cédula de Cr$ 500 mil.

Não faz muito, quem fosse possuidor de Cr$ 1 milhão gozava de um "status" especial. Integrava o seleto grupo dos "milionários". E hoje? Essa importância está abaixo do menor salário do País!

A sociedade não tem condições, mesmo que pretendesse, num arroubo suicida, de gerar inflação. Sofre, isto sim, as conseqüências da emissão tresloucada de moeda sem lastro na produção. E quem tem autoridade para emitir cruzeiros? Os empresários? Os supermercados? Os bancos?

Não! Apenas a Casa da Moeda, instituição do governo, tem este poder! E por que o faz? Para cobrir os contumazes déficits governamentais. Havendo maior volume de moeda no mercado --- incluindo papéis depositados em bancos --- os preços tenderão a disparar.

Quaisquer medidas de caráter artificial para a contenção dessa disparada, tipo controle, ou congelamento ou "acordos de cavalheiros", estarão, invariavelmente, fadadas ao fracasso. As experiências tentadas em anos recentes comprovaram isto. O ministro da Fazenda, Paulo Haddad, sabe disso. Provavelmente, o presidente também.

Todavia, a impressão que dá é que Itamar Franco se sente obrigado a dar explicações à sociedade cada vez que os índices inflacionários dão pinotes como agora em janeiro, quando se espera que cresçam em torno de dois pontos percentuais ou mais em relação a dezembro.

Caso não houvesse moeda em excesso na economia --- e o Banco Central tem condições para retirar esse excedente do mercado --- de nada valeria indústrias, farmácias, supermercados, etc., elevarem os preços de seus produtos e serviços. Tais estabelecimentos permaneceriam literalmente às moscas.

Ninguém, ou quase ninguém, teria condições de pagar. A maquininha que imprime cédulas é mais perversa do que aquela que remarca preços. Quando o governo conseguir controlar suas contas, gastar rigorosamente dentro do montante que arrecada, sem precisar de empréstimos, tomados da sociedade mediante a emissão de títulos a juros tentadores, ou, o que é pior, da forma mais desastrosa que existe, emitindo moeda sem lastro --- uma espécie de cheque sem fundo --- a inflação poderá, num primeiro instante, ser detida, para a seguir ser controlada ou até mesmo vencida.

Entrevistas desastradas, como a que o presidente deu na segunda-feira, insinuando que pode haver pacote após o Carnaval --- o que precisou de uma nota de esclarecimento para evitar interpretações de que um novo choque estaria sendo preparado --- não trazem nenhum efeito benéfico para a já tão combalida economia.

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 27 de janeiro de 1993).


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Machado de Assis e o jornalismo


Pedro J. Bondaczuk

A vida e, principalmente, a obra de Machado de Assis são tão ricas e fascinantes que comportam toda uma biblioteca, de grossos e alentados volumes para relatá-las e, ainda assim... muitas coisas, certamente, restarão omitidas, sem serem abordadas. Sempre sobrará um episódio específico, um ângulo determinado, um texto esquecido para quem detectar essas omissões abordar caso queira. O prolífico escritor foi uma das personalidades públicas brasileiras sobre a qual mais se escreveu (e se continua escrevendo). Só dos títulos que consegui levantar, de autores das mais diversas tendências e estilos, pude apurar uma bibliografia de mais de três centenas de livros, cada qual abordando algum aspecto curioso ou essencial de sua vida e de sua obra. E é como ele mesmo observou, no conto “As primas de Sapucaia”: “Palavra puxa palavra, uma idéia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, uma revolução; alguns dizem mesmo que é assim que a natureza compõe suas espécies”. No seu caso, assim se fez e assim se faz uma biblioteca específica sobre Machado de Assis.

Exagero? Longe disso. Vejam o meu caso. Fui pautado por leitores a escrever sobre ele. Cogitava redigir cinco, no máximo (exagerando muito) dez textos a propósito. E o que ocorreu? Já escrevi VINTE E OITO (este é o vigésimo nono) comentários e não abordei sequer dez por cento, se tanto, do mínimo que se deva abordar para fazer uma resenha minimamente decente do que foi, do que fez, do que pensou e, sobretudo, para lhe fazer justiça. Quando penso interromper a série a passar para outro assunto, eis que vem à mente outro ângulo, e mais outro, e mais outro, que deva, necessariamente, ser abordado. E lá vou eu debruçar-me sobre as fontes para formar opinião, já que estes “rabiscos” não são nem biografia, nem crítica literária, mas talvez, forçando a barra, possam ser classificados como ensaios, se tanto.

Uma das questões que os leitores mais me cobram refere-se à forma como Machado de Assis encarava a política e, por extensão, os políticos. Recorde-se que, antes mesmo de publicar qualquer texto literário (em prosa, já que publicara um ou outro poema, sobretudo na “A Marmota Fluminense”)  ele já escrevia candentes artigos para jornais abordando o panorama institucional da época. Considerava-se (e era considerado, pois de fato era) jornalista. Quando Machado iniciara-se nas lides jornalísticas, com vinte e um anos (ou em torno disso, mas tomemos essa idade por base), em 1860, o jornalismo brasileiro mal “engatinhava. O primeiro jornal genuinamente nacional, “A Gazeta do Rio de Janeiro”, começara a circular em 10 de setembro de 1808, seis meses após a chegada da família real portuguesa à cidade, que ocorreu em março daquele ano.

Quando Machado de Assis engajou-se ao jornalismo, portanto, essa atividade tinha cinqüenta e dois anos de existência no País. Ou seja, um quase nada, em termos históricos. Pode-se dizer, portanto, que de certa forma ele foi um dos pioneiros do jornalismo brasileiro. E o que ele pensava desse veículo tão novo para a realidade nacional? Machado de Assis escreveu a propósito: “O jornal é a verdadeira forma de república do pensamento. É a locomotiva intelectual em viagem para mundos desconhecidos; é a literatura comum, universal, democrática, reproduzida todos os dias, levando em si a frescura das idéias e o jogo de convicções”. E não é?!!! Por também pensar dessa forma, embora sem a mesma competência para expressá-la, é que fiz do jornalismo mais do que mera profissão, simples meio de assegurar meu sustento e o de minha família. Fiz dele missão de vida.

Aos 21 anos, Machado de Assis foi convidado por ninguém menos do que Quintino Bocaiuva para atuar no “Diário do Rio de Janeiro”, onde trabalhou por um período de sete anos, de 1860 a 1867. Supervisionado pelo mito do jornalismo de então, Saldanha Marinha, atuou intensamente na empresa. Fez um pouco de tudo. Foi repórter, articulista e até revisor de textos. Nessa época, o jovem jornalista escrevia pequenas peças e panfletos para o teatro. Quintino Bocaiuva apreciava esses textos, embora os considerasse interessantes apenas para leitura, e não para encenação. Mas o jovem ganhava destaque como articulista político. Seus artigos eram tão vibrantes e idealistas, que ele chegou a ter o nome anunciado como candidato a deputado pelo Partido Liberal do Império.

Aquele foi um momento de decisão para Machado de Assis. Cabia-lhe definir se queria seguir carreira política ou não. Poderia ter sido excelente parlamentar? Quem sabe? Optou, todavia, pela retirada da candidatura, sob o pretexto de que pretendia comprometer toda sua vida exclusivamente com as letras (e não somente como escritor, mas também como jornalista). Literatura e política, no entanto, não eram (e nem são), a rigor, atividades incompatíveis. Afinal, seu grande amigo José de Alencar exercia-as simultaneamente, sem que uma comprometesse a outra. Era senador, sem deixar de ser o romancista que inscreveu seu nome na história da Literatura Brasileira, sobretudo pela temática indigenista que adotou e que desenvolveu com maestria. Aliás, foi com ele que Machado aperfeiçoou seu inglês.         


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Wednesday, July 01, 2015

Nas famílias com maior poder aquisitivo, e bem estruturadas, quase sempre a escolha da futura profissão dos jovens fica por conta dos pais, às vezes sem nem mesmo consultarem os filhos, os principais interessados no caso. Nessas ocasiões e, principalmente, se vieram de camadas mais humildes da sociedade e se venceram, graças a ingentes esforços e múltiplos sacrifícios, eles sonham alto e buscam realizar em seus pimpolhos o que não conseguiram por si próprios. Aspiram carreiras de grande prestígio e boa remuneração para seus herdeiros, como as de médicos, engenheiros, administradores de empresas, advogados etc.. Mas sequer analisam se os filhos têm condições ou não de exercer bem essas profissões. Ou seja, se têm vocação para elas. Não medem sacrifícios para custear os estudos dos filhos, nas carreiras que eles, pais, escolheram, e não os que deveriam de fato escolher. Não raro, porém, essas pessoas não têm a menor aptidão para a atividade que a família lhes determinou. E, via de regra, fracassam nela. Tornam-se amargas, infelizes e frustradas. Pudera! E mesmo quando obtêm relativo sucesso, no íntimo, no fundo da mente, sentem, mesmo que não admitam e até neguem, que não é o que gostariam de fazer e que, supostamente, fariam bem. Pensem nisso!


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Decisão equivocada de Kohl


Pedro J. Bondaczuk


O chanceler alemão-ocidental Helmut Kohl, muito a contragosto, anunciou, ontem, no Parlamento do seu país, aquilo que já havia deixado filtrar para a imprensa internacional na semana passada. Ou seja, que Bonn aceita a retirada de mísseis de curto e médio alcance da Europa, à exceção de 72 Pershings 1-A, para pequenas distâncias.

O pronunciamento foi bastante festejado pelo presidente norte-americano, Ronald Reagan, que está em Veneza, à espera do início da reunião de cúpula dos sete países mais industrializados do mundo ocidental, e por outros círculos políticos e principalmente militares ligados ao Ocidente.

Entretanto, a decisão de Kohl, ao contrário de resolver, vai, na verdade, complicar a chamada “Opção Duplo Zero”, que prevê a eliminação de todos os mísseis das superpotências (exceto os intercontinentais) do solo europeu.

O Cremlin já havia anunciado, através de seus negociadores em Genebra, que a proposta do líder Mikhail Gorbachev, feita em março passado ao secretário de Estado norte-americano George Shultz, quando da ida deste a Moscou, que não admitia exclusões. Portanto, o anúncio de ontem, do chanceler alemão-ocidental, se não foi de todo decepcionante, também não foi caso de ser muito festejado.

Dessa maneira, ao que tudo indica, um acordo de desarmamento nuclear, entre a União Soviética e os Estados Unidos, se vier a ser obtido, ficará restrito, somente, a mísseis de médio alcance. Ou seja, àquilo que ficou mais ou menos estabelecido entre Washington e Moscou após a reunião de cúpula informal entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev, levada a efeito em 10 e 11 de outubro de 1986, em Reykjavik.

É verdade que há balísticos de pequena distância em menor número na Europa do que os de alcance intermediário. O estranho, em tudo isso, é que nesse tipo de arma, o Ocidente leva nítida desvantagem em relação ao Leste Europeu, na proporção de cinco por um.

O chanceler alemão-ocidental, ao comentar sua exigência, mencionou a superioridade soviética em termos de forças convencionais na Europa. Ora, considerando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte está perdendo nesse quesito, nos parece um duplo equívoco da Alemanha Ocidental de exigir a permanência dos 72 Pershings. Dessa forma, o poderio do Pacto de Varsóvia não ficará diminuído. Ao contrário, vai ficar ainda maior.

O bloco soviético continuará detendo a hegemonia em armas não nucleares e terá um arsenal de mísseis de pequeno alcance capaz de assustar a maioria dos países europeus. Não seria, pois, mais sensato impor ao Cremlin outro tipo de condição? Ao invés de querer um enganador guarda-chuva atômico, que os alemães-ocidentais têm consciência que de nada lhes adiantará em caso de uma guerra nuclear, Kohl agiria com maior prudência se negociasse a equiparação de armas e de tropas entre as duas alianças militares antagônicas.
Aliás, já que se está abordando esse assunto, envolvendo a segurança continental, o ideal, mesmo, seria acabar de vez com os dois pactos, que mal podem dissimular seu ranço de odiosos produtos dos penosos tempos de guerra fria.

O líder soviético, Mikhail Gorbachev, insinuou, em várias ocasiões, que está disposto a dissolver a aliança militar comunista, se o Ocidente fizesse o mesmo em relação à Otan. No complexo mundo atual, onde tudo se interrelaciona, se interpenetra, quando foguetes russos estão na iminência de colocar satélites de empresas norte-americanas em órbita, em que o comércio entre as duas superpotências fica a cada dia mais intenso, esse tipo de organização se mostra um grande, cro e inútil anacronismo.

A dissolução, tanto do Pacto de Varsóvia, quanto da Otan, resolveria uma série de problemas, desde econômicos até os atinentes a desarmamento nuclear, além de ter o efeito psicológico de desarmar, também, os espíritos.

Quem sabe, na evolução dos acontecimentos, isso não venha ainda a acontecer?! Por enquanto, a decisão alemã-ocidental só conseguiu introduzir uma variável complicadora numa questão que estava próxima de ser resolvida.

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 5 de junho de 1987).

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Mulheres e não estereótipos

Pedro J. Bondaczuk

A grande dificuldade dos ficcionistas masculinos, não importa qual seja sua experiência ou cultura, é a criação de personagens femininas verossímeis. O desafio, no caso, não é o de descrevê-las fisicamente. Nesse aspecto, a imensa maioria é aprovada com louvor. Salvo se for algum principiante, desatento e atrasado que as descreva como gostaria, ou como não gostaria que fosse, os demais não pecam por excessos. Ou, pelo menos, não muito. O problema todo está em retratar o perfil psicológico das mulheres que “criam”. Ou seja, o que pensam, do que gostam, o que sonham etc.etc.etc. e as respectivas motivações de tudo isso. A tendência, nesse aspecto, é a de estereotipar personagens femininas. É a de, ora “divinizá-las”, ora “demonizá-las”, ou seja, a de criar figuras caricatas e irreais, mesmo que “bonitinhas” (ou horrorosas).

Nesse aspecto, Machado de Assis foi exceção a essa regra. Poucos escritores criaram tantas personagens femininas marcantes, dessas que nunca esquecemos, por “cruzarmos” com elas no nosso dia a dia, que são, agem e pensam como elas, quanto ele. E não me refiro, apenas, a Capitu, obra-prima de criação literária, que 116 anos após ser apresentada ao público, ainda segue causando admiração (diria “frisson”) no público e intrigando leitores, na dúvida jamais esclarecida se essa mulher enigmática traiu ou não traiu Bentinho. Antes e depois dela, o Bruxo do Cosme Velho havia criado, e criou, personagens femininos tão ou mais fascinantes que esta tão especial, quer em seus nove romances, quer em seus mais de duzentos contos (sem falar nos poemas que escreveu). Não “divinizou” e nem “demonizou” nenhuma delas. Não as estereotipou. Criou-as exatamente como as mulheres de seu tempo eram (e como as de hoje são). Também neste aspecto, portanto, foi um fenômeno.

A Literatura Brasileira está repleta de personagens femininas marcantes. De Jorge Amado, por exemplo, podemos citar Gabriela, Dona Flor, Tieta e tantas e tantas outras. Érico Veríssimo, por seu turno, criou Ana Terra e outras tantas mulheres fortes e corajosas, dessas que ficam retidas na memória e que não esquecemos jamais. Não podemos esquecer, também, de Diadorim, de João Guimarães Rosa, em “Grande Sertão, Veredas”, que se traja e age como homem, mas que, ao fim e ao cabo, cede aos instintos femininos. Poderia citar, ainda, dezenas, centenas, quiçá milhares de escritores e personagens que ficaram, justamente, marcados na literatura nacional. Não se afirma, pois, que Machado de Assis seja o único a criar personagens femininas minimamente verossímeis. Mas, com todo o respeito a esses autores – tanto aos que citei quanto aos que somente cogitei – nenhum deles, mas nenhum mesmo, sequer se aproximou, quer em quantidade e quer em exatidão, do festejado autor de “Dom Casmurro”.

Capitu, por exemplo, é imbatível em qualquer aspecto que se considere. Literalmente ganha vida na pena de seu criador. Tem personalidade e mantém dignidade, mesmo sob suspeita de adultério, que até hoje ninguém tem certeza se foi ou não culpada. É original, é ímpar, é única em Literatura, posto que na vida real pode ser encontrada aos milhões, quiçá aos bilhões de mulheres do seu e do nosso tempo. Maria Lúcia Silveira Rangel escreveu, em texto publicado no nº 17 da “Revista Literária Brasileira” que Capitu é a “personagem mais discutida, a mais famosa, e seria repetição falar sobre a grande dúvida em que o escritor deixa o leitor sobre o adultério da esposa de Bentinho – o romance abre-se num leque com opções a favor ou contra o fato". E não é?!!

Sofia Alves, em texto em que opina na excelente enquete do site Homo Literatus sobre “catorze personagens femininos inesquecíveis” da Literatura mundial,  escreve o seguinte sobre a protagonista de “Dom Casmurro”: “Nele (no romance de Machado de Assis) encontramos a envolvente e dependente história de amor entre a grande mulher e Bentinho, que se conhecem desde a infância e que, com o passar do tempo, descobrem o mundo e a si mesmos em uma relação de constante desconfiança e possessividade. A notabilidade de Capitu, enquanto mulher, é observada desde muito cedo na narração, o que mostra quão avassaladora a personagem esculpida por Machado é. Seus olhos de ressaca que afogaram Escobar e Bentinho são marca na história da Literatura e fazem perfeita metáfora com seu ser: basta imergir-se naquele mar esverdeado por muito tempo para esquecer de si até tornar-se inconsciente e nada mais ser. Moderna para uma figura surgida em 1899, Machado personificou em Capitu valores absurdos à época, tais como o adultério e a exploração da sensualidade feminina”.

Mas Capitu não é a única mulher marcante, entre as personagens do Bruxo do Cosme Velho, com sua infinidade de “bruxarias”. Podemos citar, por exemplo, Fidélia e Carmo, de “Memorial de Ayres”. Ou Flora, de “Esaú e Jacó”. Ou Virgília e Marcela, de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Ou Guiomar, de “A mão e a luva”. Ou Lívia, de “Ressurreição”. Ou, como acentua Miriam Fajardo, no blog “Tribo da Leitura”, “a profusão das protagonistas de inúmeros contos — como ‘Missa do galo’, ‘Capítulo dos chapéus’, ‘Singular ocorrência’, ‘Uma senhora’, ‘Trina e uma’, ‘Primas de Sapucaia’, ‘Noite de almirante’, ‘A senhora do Galvão’, ‘Uns braços’, ‘D. Paula’, Rita, em ‘A Cartomante’, que encenam vários tipos femininos e situações com as quais as mulheres se defrontam na vida comum, podendo mesmo ser classificados como Estudo sobre o feminino, ao demonstrarem a sensibilidade de Machado no trato de questões que envolvem moral, ética, preconceito social, autoritarismo, amor, ciúme e adultério”.


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Tuesday, June 30, 2015

A escolha de uma atividade profissional para, não somente assegurar o sustento pessoal e o da família, mas para deixar sua marca no mundo, é um dos momentos cruciais na vida de milhões de pessoas mundo afora. Poucos, infelizmente, se dão conta disso. E mais raros, ainda, são os que têm oportunidade para escolher o que fazer na vida, sem sufocar a vocação. Na maioria dos casos, o jovem, em busca de um trabalho a exercer, é forçado pelas circunstâncias a aceitar o primeiro emprego que lhe aparecer. E isso quando aparece. Não raro, é levado a exercer atividades perigosas, repetitivas, cansativas, chatas e de baixa remuneração. O leitor, talvez num primeiro momento, sequer concorde com minha colocação. Mas, se refletir só um pouquinho, concluirá que tenho razão. São raros os que podem escolher, com tranqüilidade, a profissão que melhor se adeque à sua personalidade e ao seu talento.


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Presente do Dia dos Pais

Dê ao seu amigão o melhor dos presentes neste Dia dos Pais: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas nessa data. Mas em todos ops dias do ano, por anos e anos a fio.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.

Com o que presentear:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internetWWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.
Em livraria – Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.        

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Imagens de um país contraditório



Pedro J. Bondaczuk


O Brasil é um país (parodiando o título de um livro famoso de Euclides da Cunha), de “contrastes e confrontos”. Trata-se de uma cultura ainda em formação, cujo processo está em franca “fermentação”, com aspectos comportamentais sumamente positivos misturados a outros bastante inquietadores.

As imagens do noticiário de TV do último feriado ressaltam, de maneira nítida e cristalina, essa contradição. Quem tenha assistido somente parte das notícias veiculadas pela televisão, no Dia da Criança, tende a tirar conclusões diametralmente opostas, dependendo daquilo que viu.

Se o telespectador pôde acompanhar, apenas, a guerra entre gangues rivais de funkeiros, de quatro horas de duração, nas praias de Ipanema, Copacabana, no Arpoador, e em Icaraí, Niterói, acompanhada dos já tristemente célebres arrastões, certamente deve ter balançado a cabeça, em desalento, e repetido aquilo que se tornou uma espécie de clichê: “este país não tem mais jeito!”

Porém, se viu as imagens do magnífico espetáculo de fé, em Aparecida do Norte, com mais de 150 mil fiéis rendendo homenagens, fazendo pedidos e pagando promessas à padroeira do Brasil, terá impressão muito diversa do caráter do brasileiro e das esperanças que ele ainda tem de construir uma sociedade justa, equilibrada e solidária.

Quem pôde presenciar somente a reportagem enfocando a festa do Dia da Criança, com especial destaque à ocorrida no Parque do Ibirapuera, talvez esquecido do enorme contingente de menores abandonados, nas ruas das grandes cidades, certamente não se furtou de uma visão mais otimista acerca do nosso futuro. Tenderá a fazer vistas grossas a uma das maiores (senão a maior) tragédias nacionais, a da miserabilidade e da exclusão de milhões de brasileiros do seu direito à cidadania.

Mas as imagens do feriado não se restringiram a, apenas, essas três cenas. Houve a do relax do paulistano de classe média nas praias dos litorais norte e sul do Estado, e os costumeiros engarrafamentos nas estradas que conduzem à orla marítima, quando do retorno à Capital.

Houve toda uma rodada do Campeonato Brasileiro, com razoável afluência de público aos estádios. Para quem viu somente essas matérias, ficará a impressão de um Brasil cheio de problemas, é verdade, no auge de uma crise, mas na trilha do desenvolvimento. A de um povo alegre e descontraído, que ri das próprias dificuldades.

Como se observa, são aspectos de um único e mesmo país, mas que, de tão diferentes e contraditórios, parecem ser de vários. Para fazer uma leitura correta dos conflitos sociais que nos afetam, é necessária, e indispensável, uma visão de conjunto. Os pessimistas e derrotistas apegam-se, apenas, às imagens negativas e deprimentes, como a das praias cariocas.

Os otimistas e alienados, detêm-se nas positivas, esquecidos de que elas são a realidade de uma minoria de brasileiros. Não se pode deixar de dar razão ao antropólogo Roberto da Matta, quando conclui: “Não se entende o Brasil através de dualismos, pois o que caracteriza o sistema brasileiro é uma espécie de ambigüidade, indecisão entre a perspectiva da casa e da rua, entre o modelo oficial e o comportamento concreto, entre leis e costumes. O Brasil é o país do número três, do mediador, entre o preto e o branco tem o mulato; entre o céu e o inferno, tem o purgatório, entre esquerda e direita, tem o centro”.

Por isso, afirmamos, e seguidamente reiteramos, que está em andamento, por aqui, uma revolução cultural profunda, cujos resultados vão depender muito dos rumos que viermos a dar às nossas ações, como resultado de uma interpretação correta da nossa realidade.   

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 15 de outubro de 1993)


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