Tuesday, January 17, 2017

“O IMPORTANTE É SONHAR E SER SINCERO COM O SONHO...”

Jorge Luiz Borges escreveu: “Há escritores que pensam que, à força de variar os adjetivos, de dizer as metáforas eternas de um modo novo, podem obter algum escrito. Isto é falso. O importante é sonhar e ser sincero com o sonho quando se escreve. Ou seja, somente contar fábulas nas quais se acredita. Isto viria a ser a sinceridade literária e o único dever do escritor: ser fiel aos seus sonhos, não às meras e cambiantes circunstâncias”. Mais claro do que isso é impossível! É certo que quem pretenda se aventurar neste complicado, pantanoso e não raro frustrante campo de atividade, que é a Literatura, tem que contar com sólida cultura. Precisa, sobretudo, saber manejar com perícia as ferramentas do seu ofício, ou seja, as palavras. Deve ser bastante informado, ter disposição para o trabalho, ser paciente e autodisciplinado e, sobretudo, observador. Mas nada disso terá valor se não souber fantasiar, elucubrar, dar asas à imaginação. Porquanto, para o escritor, o importante mesmo é sonhar! O resto? São detalhes!

@@@@@@@@

Livros que recomendo:

“Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbert Oliveira” (Fortuna crítica)Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com  
“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Águas de presságio” Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br
“Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.
“A sétima caverna” Harry Wiese – Contato:  wiese@ibnet.com.br
“Rosa Amarela” – Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br
“Acariciando esperanças” – Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br    

O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internetWWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.

Em livraria:

Edição impressa:
1. Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.
2. Livraria Saraiva.
3. Cia. Dos Livros.
4. Amazon

Edição em e-book:
1.     Editora Barauna
2.     Buscapé
3.     Extra
4.     Travessa
5.     Folhashop
6.     Shopping uol       

Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk 


É hora de votar


Pedro J. Bondaczuk


A campanha para o segundo turno das eleições municipais está chegando ao fim, sem que o eleitor se mostre empolgado em relação a uma votação que é decisiva para os seus interesses. Afinal, o eleito vai influir, através da administração que fizer, diretamente na valorização ou não do seu patrimônio pessoal e no da comunidade a que pertence.

A conservação da sua rua, a coleta do lixo, o transporte que o levará ao trabalho, o posto de saúde em seu bairro ou em local próximo a ele, a escola, etc., vão valorizar ou desvalorizar seu imóvel, dependendo de existirem ou não. Ou de serem eficientes ou ineficientes.

A escolha de um prefeito, em certa medida, é muito mais importante para o cidadão do que a do presidente da República. Trata-se de alguém muito mais próximo a cada um de nós e com ações, portanto, mais visíveis do que as de qualquer outro que ocupe cargo no Poder Executivo.

As campanhas --- tanto pelo rádio e televisão, quanto nas ruas, através de comícios e de contatos pessoais   --- se pecaram por falta de melhores idéias ou de soluções, pelo menos mantiveram relativa sobriedade, com respeito mútuo entre os candidatos.

Raros foram os ataques de caráter pessoal e assim mesmo os que ocorreram foram bastante sutis para serem notados. Portanto, nesse aspecto, os postulantes ao Palácio dos Jequitibás estão de parabéns.

Quanto ao desinteresse público em relação aos políticos e à política, não é um fenômeno só dos campineiros, dos paulistas ou dos brasileiros. É uma tendência mundial. Basta atentar para o que ocorreu nas eleições presidenciais dos Estados Unidos desta semana, que registraram a maior abstenção já ocorrida nesse país desde 1924. Mesmo sendo a campanha mais cara de todos os tempos e lugares!

Apenas 49% dos mais de 190 milhões de norte-americanos habilitados compareceram para votar. Lá, o voto não é obrigatório, mas um direito que o cidadão exerce ou não, a seu critério. Entre nós --- embora defendamos que também deva ser assim --- se o comparecimento fosse facultativo quantos votariam? É possível que sequer houvesse eleição.

Mas não é através da omissão que se irá melhorar a qualidade dos nossos políticos. Os seguidos erros de escolha do eleitor devem-se mais à falta de prática democrática (da qual o voto é a expressão maior) do que à sua incapacidade de discernimento.

A democracia, já dizia um antigo "cacique", é como uma flor: requer cuidados diários, constantes, permanentes, para permanecer bela e viçosa. Na próxima sexta-feira o eleitor campineiro terá mais uma oportunidade para mantê-la saudável. Precisa fazê-lo.

Deve conscientizar-se que, se votar errado (ou, o que é pior, se se omitir do voto), não adiantará reclamar quando a sua cidade não estiver sendo administrada da maneira como esperava e que poderia e deveria ser. Por isso, tem o dever de fazer a melhor das escolhas.



(Artigo publicado em 8 de novembro de 1996 na Folha do Taquaral)

Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk

Criatividade do ostracismo



Pedro J. Bondaczuk


"A literatura brasileira, a exemplo do próprio país, passa por uma crise de criatividade", afirma-se, amiúde, com ares doutorais, em determinados círculos. Comenta-se, não apenas acerca das letras, mas também das artes plásticas, da música erudita e até da popular, que há hoje um vazio de qualidade.

Mas estaria de fato ocorrendo esta generalizada ausência de talento ou os críticos é que não estão conseguindo enxergar os bons trabalhos que se produzem por aí? Prefiro acreditar na segunda hipótese, diante da quantidade de originais de livros que me são encaminhados para apreciação e que acabam inéditos.

Há um preconceito indisfarçável contra o escritor novo. Ou contra aquele que se recusa a engessar seu talento com os modismos em voga entre pseudo-intelectuais.

Fala-se, freqüentemente, em modernidade, sem que ninguém defina com precisão o que venha a ser isto. A arte, todavia, quando autêntica, quando boa, quando praticada por artistas e não empulhadores, não é antiga e nem moderna. É atemporal. Adquire foros de eternidade.

As obras de William Shakespeare, por exemplo, mesmo se forem levados em conta a linguagem e o estilo de sua época, são lidas, relidas, pesquisadas e interpretadas todos os dias em várias partes do mundo. Caso fosse encarada pelo enfoque dos modismos, seria considerada absolutamente "demodé". Mas qual o intelectualóide que se atreveria a tanto?!

Dos originais que temos lido, em vários gêneros, como poesia, conto, novela e ensaio, a maioria é constituída por textos muito bons. Causa pasmo saber que os seus autores não conseguem editar esses trabalhos após estafantes e  frustradoras peregrinações pelas editoras.

Que não se diga, portanto, que a literatura e as artes em geral estejam em crise. Talvez esteja havendo, isto sim, excesso de arrogância por parte daqueles que são incumbidos de decidir se essas obras devem ou não vir a público. A argumentação para o veto da publicação de escritores jovens é sempre a mesma: o fator econômico.

Dizem os editores que, em virtude da crise e dos custos de produção, os lançamentos precisam ser muito criteriosos e que ninguém quer correr o risco de encalhes em prateleiras de livrarias. O argumento pode até ser válido. O que é inconsistente é a afirmação de "críticos" de que o País se encontra em um vácuo de criatividade.

Há, isto sim, autênticas "igrejinhas", fazendo com que as obras sejam selecionadas para publicação ou não por critérios que absolutamente fogem à sua qualidade artística.

Neste aspecto, os que mais sofrem são os poetas. É claro que no meio dos muito bons há os apenas razoáveis e uma infinidade de maus, senão péssimos "versejadores". Por isso, pesa uma espécie de anátema sobre a poesia contemporânea brasileira como um todo. Em geral, quem faz esse gênero de literatura e quer ver os trabalhos publicados, ou arca com os custos proibitivos de uma edição --- absolutamente inacessíveis para a maioria --- ou se contenta em mostrar seus versos em rodinhas de botequins.

Raros, raríssimos, conseguem furar a barreira das editoras para esbarrar mais adiante no preconceito dos críticos. Mesmo aqueles que, como Fedor Dostoievsky, entendem que "a missão da poesia é a de queimar com o verbo os corações".

(Crônica publicada na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 19 de novembro de 1992).


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk         

Monday, January 16, 2017

GUERRA DE TROIA, REPORTADA POR HOMERO NA ILÍADA, DE FATO ACONTECEU

A guerra de Tróia, reportada por Homero na “Ilíada”, de fato aconteceu. Arqueólogos desenterraram essa cidade e há inúmeras provas da existência dela e de que foi destruída por um incêndio. Hoje, as pessoas bem-informadas não têm porque duvidar dessa realidade. Mas os heróis descritos pelo poeta não foram tão heróicos assim. E nem manipulados, como meros marionetes, por deuses do Olimpo que eram, em seus comportamentos e paixões, mais humanos do que os homens. Essa imortal epopéia, portanto, é fruto do talento e, sobretudo, do sonho de Homero. E como sonhou! O mesmo, provavelmente, se possa dizer da “Odisséia”. Ulisses, acredito eu, deve, de fato, ter existido. Mas as aventuras que enfrentou, para regressar ao lar, certamente são criações da mente de Homero. Ou seja, são frutos de seus “sonhos”. E tenho idêntica convicção em relação à “Eneida”, de Virgílio e seu personagem Enéias, ao deixar a destruída Troia, rumo ao desconhecido. 


@@@@@@@

Livros que recomendo:

“Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbert Oliveira” (Fortuna crítica)Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com  
“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Águas de presságio” Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br
“Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.
“A sétima caverna”Harry Wiese – Contato:  wiese@ibnet.com.br
“Rosa Amarela” – Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br
“Acariciando esperanças” – Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br    

O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internetWWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.

Em livraria:

Edição impressa:
1. Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.
2. Livraria Saraiva.
3. Cia. Dos Livros.
4. Amazon

Edição em e-book:
1.     Editora Barauna
2.     Buscapé
3.     Extra
4.     Travessa
5.     Folhashop
6.     Shopping uol       

Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk  

Guerra está quebrando recordes


Pedro J. Bondaczuk


A guerra do Golfo Pérsico, em apenas 17 dias de duração, já apresenta uma série de recordes e detalhes escabrosos, que deverão alimentar os comentários políticos do mundo todo por muitos anos, cada qual buscando destacar as virtudes – como se na irracionalidade ela pudesse existir – do lado a que pertence e o barbarismo do adversário, que certamente irá ser carregado fortemente com as cores do exagero.

Sempre foi assim e agora não será diferente. A batalha de Bagdá, por exemplo, que deu início de fato ao conflito, foi a maior, de caráter aéreo, de toda a história. Em 17 dias de lutas, foram efetuados mais ataques com bombas contra várias cidades do Iraque do que nos derradeiros meses da Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha nazista.

O potencial de explosivos lançados equivale a cerca de 15 bombas atômicas como a que destruiu a cidade japonesa de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945. Com tudo isso, as fontes ocidentais de informação querem passar ao mundo a impressão de que as forças multinacionais estão atingindo somente as tropas de um ditador, no caso Saddam Hussein, que teria cometido perversidades de toda a sorte no Kuwait ocupado, a quem classificam de simples “terrorista”.

Negam, de todas as formas, que tenham atacado indiscriminadamente civis inocentes (no Vietnã também negavam, assim como Hitler negava o Holocausto) vítimas indefesas da insensibilidade e estupidez dos políticos, que apregoam uma nova ordem mundial, mas mostram o quão horrível e escravizante ela pode ser.

Outro aspecto a destacar nesta guerra é a duríssima agressão à natureza propiciada por três imensos derramamentos de petróleo nas águas do Golfo Pérsico. A verdadeira responsabilidade – ou irresponsabilidade que seria o termo mais correto – por essa depredação da “espaçonave” Terra, jamais será apurada com exatidão.

Como confiar em informações manipuladas, em versões pré-fabricadas, em testemunhos carregados de meias verdades? O pior de tudo foi o fato do conflito acontecer num momento em que se buscava passar para a opinião pública internacional a impressão da iminência de um vasto período de paz e progresso para a humanidade.

Esta, todavia, continuará sendo uma impossibilidade enquanto o forte prosseguir invadindo e ocupando a casa do mais fraco. Enquanto o mais poderoso ainda se dispuser a assumir o papel de policial, cometendo crimes muito maiores do que aqueles que alega estar punindo. Enquanto a indústria da destruição seguir investindo US$ 1,3 trilhão em armamentos anualmente, privando de preciosos recursos dois terços da população do Planeta, que vivem à beira da fome. Esta, e somente esta,  é a face razoavelmente verídica da guerra, onde não há heroísmos, mas somente bestialidade levada ao seu grau mais elevado.

(Artigo publicado na página 22, “A Guerra no Golfo”, do Correio Popular, em 3 de fevereiro de 1991).


 Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk    
Um poeta que emociona e faz pensar


Pedro J. Bondaczuk

O filósofo norte-americano Will Durant escreveu, em determinado trecho do seu clássico “Filosofia da vida”, que “todas as verdades são velhas e só os poetas e loucos podem ser originais”. A muitos pode parecer mera frase de efeito, mas não é. Afinal, trata-se da constatação de um pensador realista, com os pés no chão, que se caracterizou pela precisão e objetividade. Portanto, se você, leitor, estiver à procura de novas verdades (ou mesmo de velhas, mas sob novas roupagens), não as encontrará em tratados de Filosofia, em romances, em contos ou novelas. Achará, somente, na poesia. Ou nos delírios dos loucos, que muitas vezes são até mais lúcidos e sensatos do que os tratados de renomados mestres do pensamento racional.

O bom poeta é aquele que reúne, simultaneamente, um vasto conjunto de virtudes. Sabe expressar emoções de sorte a tornar seus leitores cúmplices de cada uma, ou melhor, de todas elas. É o que emociona, convence, machuca, sara as feridas, mas que, ao mesmo tempo em que atinge nossa sensibilidade, tem o poder de nos suscitar profundas reflexões, mesmo á nossa revelia. Ao mesmo tempo em que chega, de mansinho, ao nosso coração, invade, de supetão, sem nenhuma cerimônia, nossa inteligência, forçando-nos a raciocinar. É certo que poetas assim são relativamente raros. Wilbett Oliveira é um deles.

Tenho em mãos um livro inteiro, de 315 páginas, que comprova essa característica deste autor, “metade mineiro e metade capixaba”. Refiro-me a “Poestiagem – Poesia e Metafísica em Wilbett Oliveira”, coletânea de análises críticas organizada por Abrahão Costa Andrade, lançado há cerca de um ano pela Editora Opção. O livro contém nove capítulos, reunindo críticos literários, ensaístas e filósofos de reconhecido saber nos mais variados campos do conhecimento, esmiuçando a poesia wilbetteana sob diversos ângulos a que ela se presta. Tive o privilégio e a honra de participar dessa coletânea, apropriadamente caracterizada como “Fortuna crítica”, na companhia de oito “sumidades” das artes e da cultura.

O primeiro capítulo, intitulado “Poesia e metafísica: um mosaicum para Wilbett Oliveira”, é de autoria do organizador dessa oportuna coletânea, Abrahão Costa Andrade. Trata-se de um intelectual com brilhante e vasto currículo. Ele é, entre outras tantas coisas, poeta, ensaísta, mestre e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Além de professor, é autor de cinco livros, entre os quais “Educação do esquecimento”.  O capítulo seguinte, intitulado “A poesia sob o olhar gris de Wilbett Oliveira”, coube à brilhante poetisa, mestre e doutoranda em Letras, Karina de Resende Tavares Fleury, autora, também, do prefácio e do texto da contracapa. Ela tem em seu currículo quatro livros publicados.

O terceiro capítulo, “Dizeres filosóficos nada poesia de Wilbett Oliveira” é de autoria do filósofo Joelson Pereira de Souza, mestre em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu. A análise seguinte, “Peripécias de um camaleão: sobre a poesia de Wilbett Oliveira”, coube ao eminente escritor Rodrigo da Costa Araújo, doutorando em Literatura Comparada e mestre em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense. O próximo capítulo, “A poesia nossa de cada dia na precariedade do existir: o universo poético de Wilbett Oliveira” é de autoria Pós-Doutor em Artes (Literatura e Cinema), Joel Cardoso, Doutor em Letras, Literatura Brasileira e Intersemiótica.

O sexto capítulo, “Garimpando a poética wilbetteana” é de Ester Abreu Vieira de Oliveira, poetisa, ensaísta e mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Tive o privilégio de redigir o sétimo capítulo. Nele abordei “O credo poético de Wilbett Oliveira”. O penúltimo capítulo foi escrito pela professora Levinélia Barbosa. Ela é graduada em Literatura Brasileira e leciona essa matéria, além de Língua Portuguesa, há 18 anos. A ilustre mestra abordou o tema “Trilogia da consagração: sobre os livros ‘Sêmen’, ‘Salignalinguagem’ e ‘Gris’, de Wilbett Oliveira”. Quem, finalmente, encerra esta valiosa (e imperdível) coletânea é a escritora e filósofa Geyme Lechner Mannes, que analisa “O sal na linguagem poética de Wilbett Oliveira”.

Conheci esse poeta há mais ou menos três anos, quase que por acaso. Vi um de seus livros na prateleira de uma livraria, cujo título chamou-me a atenção. Decidi adquiri-lo. Li-o, praticamente num único “sopro” e decidi relê-lo. Reli-o, todavia, não só uma, mas diversas vezes. Desde então, tive acesso a outros tantos livros de Wilbett Oliveira, alguns adquiridos em livrarias e outros presenteados pelo próprio poeta, enriquecidos, neste último caso, por gentis dedicatórias dele. A cada leitura, minha admiração por seu talento e sabedoria só crescia. Pudera! Trata-se de uma poesia como tanto gosto, que satisfaz todas minhas expectativas, pois, além de me emocionar, me induz à reflexão. Partilho com você, prezado leitor, amante das Musas, estes versos do poema “Salmodiar”, apenas para deixá-lo “com água na boca”, com aquele gostinho de “quero mais”:

“entre a mão e a voz
o amor suplanta a fratura
de realidades esfaceladas
entre o incerto e o atroz”                 


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk 

Sunday, January 15, 2017

A FICÇÃO PERDE, DE LONGE, EM LOUCURA E ABSURDO, PARA A REALIDADE

Acontecem coisas no cotidiano, em nosso dia a dia, ao nosso redor e mundo afora, que nem o mais imaginoso dos escritores, nem a mente mais fértil e criativa, conseguiria imaginar. Basta acompanhar os noticiários, cada vez mais fartos e detalhados, nesta era dita da “comunicação total”. Convenhamos que, no que se refere a sonhos, quem sonha mais é o poeta. E reveste-os de metáforas, de signos, de símbolos de toda a sorte, compondo versos que pretende sejam imortais. Tanto que Fernando Pessoa constatou, com muita perspicácia, que os bons poemas de amor são exatamente os que se referem a amadas fictícias, meramente idealizadas ou “conceituais”. Via de regra, quando tentamos fazer poesia tendo por personagem a pessoa que de fato amamos, as palavras soam ocas, vazias, superficiais, inverossímeis. É certo que poetas tidos e havidos como imortais (refiro-me, óbvio, àquela “imortalidade” que caracteriza Homero, Virgílio, Píndaro, Horácio e tantos outros. Ou seja, não a física, que é impossível, mas a das obras), não raro calcaram suas obras em fatos. Mas fantasiaram tanto esses acontecimentos, que chegamos a duvidar que tenham, mesmo, ocorrido.


@@@@@@@@

Livros que recomendo:

“Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbert Oliveira” (Fortuna crítica) Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com  
“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Águas de presságio” Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br
“Um dia como outro qualquer” Fernando Yanmar Narciso.
“A sétima caverna”Harry Wiese – Contato:  wiese@ibnet.com.br
“Rosa Amarela” – Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br
“Acariciando esperanças” – Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br    

O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internetWWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.

Em livraria:

Edição impressa:
1. Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.
2. Livraria Saraiva.
3. Cia. Dos Livros.
4. Amazon

Edição em e-book:
1.     Editora Barauna
2.     Buscapé
3.     Extra
4.     Travessa
5.     Folhashop
6.     Shopping uol       

Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk  
Voto e democracia


Pedro J. Bondaczuk


O sistema presidencialista de maior sucesso na história prepara-se para repetir, no início de novembro, um ritual que nunca deixou de ser exercitado desde 1776. A cada quatro anos, sejam quais forem as circunstâncias políticas, econômicas e sociais vigentes, milhões de cidadãos têm acorrido às urnas para a escolha de seu presidente.

O notável é que nestes 216 anos circunstância alguma conseguiu interromper, ou mesmo adiar, esta prática. É claro que nos referimos às eleições presidenciais dos Estados Unidos. Elas são aquilo que mais se aproxima do conceito de "democracia" no mundo contemporâneo. Aliás, trata-se do único país com este sistema de governo --- pelo menos que vem de imediato à mente --- onde essa escolha ocorreu com exemplar regularidade.

Seria esta, todavia, a democracia ideal? Os Estados Unidos constituem uma sociedade absolutamente vencedora, paradigma para os demais povos do mundo? Na ausência de outra prática melhor, não deixa de ser caso para imitação. No entanto, está longe, muito distante de se constituir num regime perfeito, que confira igualdade de oportunidades a todos. Há enormes bolsões de miséria em meio à opulência. Existe uma carga de preconceitos, especialmente raciais, intolerável entre os norte-americanos. As comunidades afetadas são, sobretudo, a negra e a hispânica.

O país mais rico e poderoso do mundo atravessa um período de crise. A exemplo do que ocorre no resto do Planeta, não se trata apenas de uma questão econômica. É algo mais profundo, mais preocupante, mais perigoso. Entra nos terrenos moral, político e estrutural.

É o próprio capitalismo do "laissez faire" que passa por um severo questionamento, agora que seu pólo oposto, seu antípoda, se revelou inadequado e até desastroso como opção. A pergunta que se faz, amiúde, desde a espetacular debacle do comunismo no Leste europeu, é se o sistema norte-americano, com toda a sua excelência, é o substituto ideal para aqueles povos, que equilibre esses países e os coloque na trilha do desenvolvimento sustentado, com justiça social.

O cientista político italiano, Norberto Bobbio, assinala: "A democracia, admitamos, superou o desafio do comunismo histórico. Mas que meios e que ideais ela tem para confrontar aqueles mesmos problemas dos quais nasceu o desafio comunista?"

Está aí o grande repto para os defensores do liberalismo autêntico, não o de fachada. Não daquilo que se convencionou chamar de "capitalismo selvagem", que se preocupa unicamente com a geração e acumulação de riquezas, sem levar em conta o objetivo básico dessa prática, que seria o da distribuição equitativa do que for gerado, para proporcionar conforto, bem estar, saúde e evolução mental, se não a todos, pelo menos à maioria dos homens.

Fica, para reflexão, a observação do ensaísta Alan Ryan, quando constata: "Para utilizar o jargão atual, não é preciso um cientista nuclear, muito menos um marxista sofisticado, para perceber que existe algo de seriamente errado na sugestão de que o capitalismo do 'laissez faire' triunfou sobre a alternativa socialista. Por acaso triunfou?!

(Artigo publicado na página 3, Opinião, do Correio Popular, em 13 de setembro de 1992).


Acompanhe-me pelo twitter: @bondaczuk