Thursday, November 23, 2017

NEM TODA OPINIÃO EXPRESSA UMA VERDADE. TODAS REQUEREM ANÁLISES


Muitas vezes, o que se nos afigura rigorosamente verdadeiro, com um estudo mais aprofundado e com discussão séria, feita com argumentos sólidos e irretorquíveis e espírito aberto, se comprova ser mera falsidade. O que temos, a respeito da maioria dos temas que influenciam nossas vidas, são meras opiniões. É importante tê-las. Mais importante, porém, é impedir que se petrifiquem e não possam ser mudadas, se alguém comprovar que estão erradas. Os que têm alguma coisa útil a dizer ambicionam ser ouvidos (ou lidos), com respeito e com atenção. Poucos, todavia, têm esse privilégio. Meu ensaísta predileto, Henry David Thoreau, fez essa constatação no ensaio “A vida sem princípio”, publicada em seu livro “Desobedecendo”. Para quem não o conhece, foi um anarquista (no sentido lato do termo, ou seja, do que defende a preponderância do indivíduo sobre governos e organizações) cujos textos são estudados em todas as escolas dos EUA. Chegou a ser preso, por se opor à interferência do governo do seu país em sua vida pessoal. Thoreau, inspirador de Gandhi, escreveu: “Nunca me senti tão lisonjeado quanto no dia em que alguém pediu a minha opinião e prestou atenção ao que eu disse... pois é uma forma rara de fazer uso de minha pessoa; é como estar acostumado a usar uma ferramenta”. Portanto, é questão de humanidade e de justiça prestarmos atenção, sempre, nas opiniões alheias, mesmo que contrariem as nossas. Todavia, nem por isso tais opiniões devem ser acatadas liminarmente, como suprassumos da verdade. Torno a recomendar: muito cuidado com essa palavrinha. E tenham cautela para não estabelecer (e para não se submeter a) dogmas. Esse é o maior veneno para o avanço intelectual (e moral e até material) de qualquer pessoa.

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Crimes ambientais


Pedro J. Bondaczuk


O Ministério da Justiça está preparando um projeto, para ser apresentado ao presidente Fernando Henrique Cardoso até março próximo, que trata de crimes contra o meio ambiente. Dependendo da avaliação presidencial, a proposta deve ser encaminhada, nesse mesmo mês, ao Congresso.

Isto não quer dizer, no entanto, que o País vá ser dotado de imediato de uma legislação ambiental eficiente, a curto prazo. A tramitação de qualquer projeto no Legislativo, seja relevante ou não, é uma incógnita. Pode demorar alguns meses, como até oito anos ou mais, como são os casos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e do Código Nacional de Trânsito.

Para a elaboração desse projeto, o ministério está recebendo, até meados de fevereiro, sugestões de todos os que podem dar alguma contribuição. A ideia inicial é a de que delitos contra a natureza considerados "leves", cujas penas sejam de até dois anos de prisão, impliquem em prestação de serviços à comunidade por parte dos infratores.

Resta saber qual será o critério de "gravidade" que vai se adotar e a quem irá caber a definição. Entre as agressões ao meio ambiente que vão constar do projeto, tipificadas como crimes, estão a poluição do ar, da água ou sonora e questões que envolvam caça, exploração mineral e de madeira e queimadas.

Não basta, todavia, existirem leis, se estas ficarem restritas à "letra morta". É preciso que sejam aplicadas e indistintamente, tanto ao pequeno infrator, quanto ao "graúdo".


(Editorial número dois, publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 4 de janeiro de 1997).


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Talento que rompeu barreiras

Pedro J. Bondaczuk

O poeta catarinense João Cruz e Sousa é, se não o meu preferido (aprecio, de igual maneira, todos os grandes talentos literários a cujas obras tenha acesso, sejam quais forem e de onde forem), um dos que mais marcaram a minha trajetória artística, intelectual e até mesmo moral. Seguramente, seu estonteante (de tão belo) livro “Broquéis”, foi o primeiro, de poesia, que li. Tinha, na ocasião, nove anos de idade, se tanto.

Tive que recorrer, claro, seguidamente ao dicionário para entender as mensagens que o escritor pretendia transmitir. E que mensagens! Na ocasião, eu já estava ensaiando meus primeiros (e por isso, toscos) versos. Vislumbrei ali um modelo a seguir. Tentei imitar Cruz e Sousa (em vão, claro), compondo sonetos com a mesma solenidade e riqueza vocabular. Faltavam-me, porém, maturidade e, principalmente, seu talento. Para escrever melhor, passei a ler, sôfrega e desesperadamente, tudo o que me caía em mãos.

Foi com esse poeta fantástico, cujo talento rompeu todas as barreiras possíveis e imagináveis, que aprendi, intuitivamente, a metrificar, a fazer rimas “ricas” e a dar ritmo aos meus versos. Pena que nas idas e vindas da vida, perdi o caderno em que registrei aqueles toscos e literariamente pobres sonetos, mas riquíssimos de emoção e de encantamento. Esse é o principal motivo da veneração que sinto por Cruz e Sousa (posto que muito longe de ser o único ou sequer um dos únicos).

Não somente a obra, como, principalmente, a vida desse homem foram admiráveis. Tratou-se de um poeta negro. E cito a cor da sua pele não para depreciá-lo (muitíssimo pelo contrário, até porque isso não é nenhum motivo de depreciação), mas para exaltá-lo e valorizar ainda mais sua vitoriosa trajetória (pela vida e pelas letras).

É impossível escrever sobre Cruz e Sousa em uma única e solitária crônica. Possivelmente, nem mesmo em um só livro alguém possa transmitir, com fidelidade, por maior que seja sua capacidade de síntese, o tamanho da suas façanha, como poeta e como homem.

Por isso, estejam certos, ainda escreverei muito sobre ele. Talvez me limite a mais algumas crônicas (não faço ideia de quantas). Talvez escreva um ensaio a seu respeito. Talvez, até, me atreva a me aventurar a escrever um livro todo, de caráter biográfico, sobre esse poeta que foi, justamente, apelidado pela posteridade de “Dante Negro”, em referência óbvia ao autor da “Divina Comédia”, Dante Alighieri, tamanho é o fascínio que tenho por ele.

Conhecendo nossa sociedade, como conhecemos, e sabendo de quão preconceituosa ela ainda é, imaginem como era seu comportamento na segunda metade do século XIX! A escravidão, essa vergonha nacional que jamais se apagará da nossa história, ainda não havia sido abolida. Se Machado de Assis era encarado em alguns círculos com reservas, pelo fato de ser mulato, imaginem o que faziam em relação a Cruz e Sousa!

As pessoas negras eram consideradas, e tratadas, não como seres humanos, mas pior até do que os animais domésticos: como objetos, como propriedades de quem as “comprasse”. Respeito intelectual por elas, portanto, não havia nenhum. E seu valor social, portanto, era (desgraçadamente) zero.

Naquela época, em que a instrução, mesmo a mais rudimentar, era um privilégio para pouquíssimos, e que arte e cultura eram tidos e havidos como “luxo” para poucos, escrever um livro era uma façanha considerável. Publicá-lo, então, era um feito magnífico, mesmo para pessoas oriundas das elites. Vendê-lo era equivalente ao que foi, no século XX, a viagem do homem à lua. E firmar-se no firmamento literário nacional era algo raríssimo, destinado a gênios.

Pois bem, Cruz e Sousa passou por cima de tudo isso. Escreveu não somente um livro, mas seis! Lembrem-se, nasceu escravo e, embora alforriado, era encarado como “aberração” por seus contemporâneos. E não apenas escreveu, como os publicou. E não só os publicou, como estes venderam. E não apenas seus livros venderam, como foi o precursor de um dos movimentos literários de maior expressão, pouco anterior ao Modernismo, que foi o Simbolismo (até hoje a escola da minha predileção).

E olhem que sequer toquei em nenhum dos aspectos da sua vida! Se algum escritor pode ser considerado vencedor em sua atividade, esse, sem dúvida, é Cruz e Sousa. No entanto... o reconhecimento da sua genialidade veio tardiamente, décadas após a sua morte. É sempre assim!

Tanto que, quando morreu, vítima de tuberculose, numa localidade mineira conhecida como Estação do Sítio, distrito da cidade de Antonio Carlos, para onde foi enviado pelos amigos por causa do clima supostamente favorável ao seu tratamento, seus restos mortais foram trasladados para o Rio de Janeiro em um vagão próprio para o transporte de cavalos! Como é imbecil uma sociedade contaminada pelo vírus do preconceito!



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Wednesday, November 22, 2017

“A PAIXÃO – TANTO QUANTO A FÉ – REMOVE MONTANHAS”

Inúmeros escritores e filósofos já escreveram sobre o amor e outros tantos, certamente, irão escrever, mundo e tempo afora. Foram tantos que já o fizeram, que é rigorosamente impossível sequer estimar, com razoável índice de acerto, a quantos ascendem. E todos abordaram o mesmíssimo assunto. Os ângulos de abordagem, todavia, foram os mais diversos, o que confirma minha tese de que, por mais que se escreva sobre o amor, jamais se conseguirá esgotar o tema ou chegar a relativo consenso. Por isso é um assunto simultaneamente fácil de se abordar e sumamente difícil, embora isso configure um paradoxo. Reproduzo, aqui, a citação do escritor e psicanalista Hélio Pellegrino, em uma de suas crônicas (a intitulada “Apologia da dor de dente”, publicada na Folha de S. Paulo em 26 de junho de 1983), que considero genial, em que diz: “Ao apaixonado, costuma-se conferir folgada autonomia, com respeito às inúmeras contingências que limitam a condição humana. Ao sopro da paixão, viaja ele pelos espaços infinitos, "capaz de ouvir e de entender as estrelas" e demais substantivos celestes. A paixão – tanto quanto a fé – remove montanhas. Ela é capaz de operar milagres e, nesta medida, testemunha, de maneira irrefutável, da existência deles. A paixão é a derrota da burocracia, o subjugamento da mesmice, a superação da rotina. Ela é vôo, liberdade, transporte, êxtase”. E não é?!!!


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Como tornar a travessia de 1986 mais suave




Pedro J. Bondaczuk



As previsões pessimistas, feitas durante todo dezembro de 1984, relativas ao comportamento da economia brasileira neste ano, felizmente não se concretizaram. É verdade que o País chegou a um novo recorde histórico na inflação acumulada, mas esteve muito longe das taxas catastróficas previstas. Com uma atenuante: houve crescimento da riqueza nacional e reabsorção de mão de obra. Um milhão e meio de trabalhadores, que haviam encerrado 1984 desempregados, hoje estão de novo incorporados em atividades produtivas.

Todavia, as circunstâncias para o ano que se inicia dentro de apenas dois dias são tão, ou quem sabe mais, sombrias do que a do período anterior. A natureza, por exemplo, não foi pródiga com os brasileiros, especialmente os do Sul do País, logo após o registro de uma safra recorde de grãos.

Uma longa e renitente estiagem ameaça todos os planos feitos pelas autoridades para evitar explosão inflacionária, arrasando lavouras inteiras e abrindo a incômoda perspectiva do governo ter que importar comida para satisfazer o abastecimento interno.

Será um gasto a mais para uma sociedade que precisa economizar o quanto possa para saldar seus inúmeros compromissos. Externos, representados por uma dívida monumental. E internos, com a necessidade de um amplo programa social, capaz de assistir a milhões de brasileiros carentes. Como consolo, porém, há o reverso da medalha, o crescimento das cotações de nossos principais produtos primários no mercado internacional, resultante de idêntico motivo que vai determinar nossas dificuldades de abastecimento: a seca.

É possível que no balanço final de lucros e perdas, na apuração definitiva das contas, o Brasil ainda saia ganhando com essa anomalia da natureza. Isso é uma coisa para se conferir no próximo ano. Atua, ainda, em nosso favor, outro inverno rigoroso nos Estados Unidos, que ameaça, de novo, a produção de laranjas do Estado da Flórida. Se geadas tão severas quanto as de 1984 se repetirem, é bem provável que as exportações brasileiras de suco superem a todos os recordes possíveis.

Outra perspectiva favorável que se desenha no horizonte econômico nacional é a guerra de preços de petróleo que se esboça para os próximos dias, entre os países integrantes da Opep e os produtores independentes, como México, Grã-Bretanha e Noruega.

As autoridades do setor de Minas e Energia estimam que esse confronto trará uma economia mínima ao Brasil da ordem de US$ 800 milhões nas importações do produto. E ela pode ser até muito maior, se levarmos em conta as nossas crescentes reduções da demanda externa, consequências tanto do aumento da produção nacional, quanto da superprodução de álcool.

Como se vê, “o diabo não é tão feio quanto estão pintando”. Resta somente que fatores negativos novos não venham se somar aos resultados da seca, para que a travessia de 1986 também seja tranquila e, quem sabe, surpreendentemente melhor do que a de 1985.

As medidas fiscais aprovadas pelo Congresso neste mês deverão coibir, sobretudo, que o País continue sendo um grande cassino, onde a especulação financeira seja mais atrativa do que investimentos em atividades produtivas. Se o heroico empresário brasileiro acreditar na sua força, perceber que há um mercado imenso, ávido por produtos e praticamente virgem, não haverá catástrofe capaz de deter o crescimento econômico do Brasil. Milhares de empregos novos serão gerados.

Numa entrevista concedida ao “Jornal da Globo” de anteontem, Antonio Ermírio de Moraes, com a sua clarividência, disse uma verdade que, de tão óbvia, tem passado despercebida através de todos esses anos. A única maneira de se conter e até de reduzir a inflação é se produzindo mais.

O mercado tem as suas próprias regras naturais, que se sobressaem a qualquer providência, de que caráter for, do governo. Uma delas é a da oferta e da procura. Se houver muito mais produtos à disposição dos consumidores do que a sua capacidade de consumo, os preços unitários, evidentemente, irão cair. Mesmo que se esconda essas mercadorias para gerar carências artificiosas, como costumeiramente se faz, se a produção for crescente, não haverá armazém suficiente que consiga estocar tamanho volume.

A chave, portanto, para abrir a porta do sucesso para a economia brasileira está nas mãos da própria sociedade. Em sua vontade de trabalhar, de gerar riquezas e de competir por uma posição melhor na comunidade internacional. Nós seremos tudo aquilo que realmente quisermos, desde que nos empenhemos para isso e acreditemos nessa possibilidade.

Se houver uma mobilização geral, se cada um fizer a sua função sem deslizes e sem trapaças, seremos um país viável. Não haverá dívida externa e nem conjuntura negativa que nos segure. Mas é necessário que se queira de fato. Que não se fique esperando que alguém venha nos oferecer de graça a solução para os nossos problemas.

Precisamos acabar com os vícios ditados por seculares práticas paternalistas. De cabeça erguida, conciliando as nossas contradições e desenvolvendo o nosso potencial produtivo, seremos uma grande Nação. A despeito de governos, regimes, sistemas, ideologias...

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 29 de dezembro de 1985).



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Conquista do que é negado

Pedro J. Bondaczuk

A vida nos enche de promessas, ao nascermos, mas na hora de cumprir o prometido... Salvo raras exceções, nos frustra, deprime, decepciona e nos deixa na mão. Quantos jovens brilhantes, que se destacam na escola pela facilidade de aprender, pela sociabilidade e popularidade, por habilidades esportivas, que tinham tudo para vencer nas profissões que escolheram, não ficam pelo caminho?!

Encontramo-los anos depois da formatura esperando ver profissionais realizados e bem-sucedidos, mas o que vemos, de fato, são indivíduos vazios, fracassados, deprimidos, quando não vítimas do alcoolismo e das drogas. Inúmeras, milhares, milhões, provavelmente bilhões de pessoas enquadram-se nesse perfil.. É, a vida tem mesmo o hábito de não cumprir as promessas que faz. Os fracassados enredam-se em suas circunstâncias e se mostram inábeis em, se não modificá-las, pelo menos contorná-las.

Nós mesmos, aos nascermos, nos constituímos em promessas para nossas famílias. É verdade que alguns mais e outro menos. Depende de onde nascemos e das circunstâncias desse nascimento. A maioria, porém, ao cabo dos anos, decepciona os que esperavam muito dela e a si própria, principalmente.

Mesmo os filhos indesejados, que ao nascerem – às vezes acidentalmente, frutos de uma relação fortuita e que são encarados como “pesos” pelo casal, como uma boca a mais para alimentar – se constituem em alguma parcela, mesmo que ínfima, de esperança. Ou seja, a de se tornarem, de alguma maneira, tábuas de salvação para pais desesperados e miseráveis. Mesmo que eles não admitam, e até manifestem o contrário, no fundo, no fundo, os encaram, no mínimo, como boas promessas da vida.

Todavia, com o passar dos anos, a maioria, reitero, frustra as expectativas. Pessoas que os pais esperavam que fossem médicos, advogados, engenheiros etc., por exemplo, não revelam pendor para os estudos, ou não sabem aproveitar as raras oportunidades que lhes surgem, e fracassam fragorosamente. Não raro, não dão em nada, quando não se transformam em pesos mortos para a família e a sociedade, ou se marginalizam e se tornam bandidos, inimigos inconciliáveis da própria espécie.

Mas a vida nos outorga uma varinha mágica, que opera milagres e realiza (ou pelo menos traz a ilusão de realizar) o irrealizável. Compete-nos encontrá-la, a tempo, e utilizá-la ou não. A escolha é nossa. Qual é ela? Como é? Onde está?

O poeta alemão, Johann Wolfgang von Goethe, nos revela qual é esta varinha mágica, que nos propicia certa satisfação pessoal, posto que sempre ilusória: “Só a arte permite a realização de tudo o que na realidade a vida recusa ao homem”.

Todos temos algum pendor artístico, mesmo que sequer desconfiemos. Uns, têm o talento de pintar, outros de esculpir, outros de compor música, outros ainda de executá-la, outros de escrever e vai por aí afora. Compete-nos descobrir nossa aptidão, desenvolvê-la, aperfeiçoá-la e, claro, utilizá-la. Talento algum se impõe por si só e muito menos nos vem completo e acabado.

A arte permite, por exemplo, que o doente transforme a doença em saúde e vigor; que o fracassado no amor torne esse fracasso no êxtase e delírio do sucesso e que o humilhado e ofendido tenha a ilusão da glória e do poder. Todos eles realizam-se nas obras que produzem que, dependendo da qualidade e das circunstâncias, os imortalizam e até os glorificam.

Não raro pintores (ou escultores) doentes, ou portadores de graves deficiências físicas, sublimam essas características limitantes e pintam (ou esculpem) figuras que recendem a fortaleza e vigor, protótipos da perfeição orgânica com que sonham, Apolos, Davis, Dianas etc., retratos de corpo inteiro das suas aspirações.

É comum escritores (poetas ou não), fracassados no amor, por idealizarem amadas com perfeição inacessível a humanos (como a Beatriz de Dante), criarem personagens divinos, não somente felizes, mas que espalham felicidade e encantamento ao seu redor, que se existissem em carne e osso realizariam os mais impossíveis e delirantes sonhos de qualquer mortal.

O artista e o sábio são, via de regra, rejeitados por suas musas. Claro que há exceções, como tudo na vida. Mas a regra parece ser esta. É, pois, uma das promessas da vida que ela menos cumpre e mais nos frustra. Machado de Assis chegou a escrever instigante texto (se não me falha a memória, uma crônica) a respeito, destacando a estranha propensão das mulheres pelos tolos. Na arte, porém, essas amadas perfeitas existem e se imortalizam. E imortalizam, evidentemente, seus “criadores”.

A arte é, pois, em certa medida, a realização de fato do que a vida nos promete, mas depois nos nega. Talvez não no plano material (embora também possa ser). Mas num terreno muito menos concreto, por isso movediço, que é o dos sentimentos. Mas cá para nós, tanto uma quanto a outra, não passam, na verdade, de duas grandes ilusões! Ou não são?


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Tuesday, November 21, 2017

“SE A SABEDORIA FOSSE MOÇA, ELA AMARIA O AMOR...”

O também sacerdote (era jesuíta) francês, que faleceu em 1965, Pierre Teilhard de Chardin, previu: “Algum dia, quando tivermos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade... utilizaremos as energias do amor. Então, pela segunda vez na história do mundo, o homem descobrirá o fogo”. Será? Tenho lá minhas dúvidas. Já a norte-americana Pearl S. Buck advertiu, no romance “Carta de Pequim”: “Não há nada mais explosivo no mundo do que o amor rejeitado”. Não há mesmo! As páginas policiais dos jornais do mundo todo estão repletas de casos dando conta dessa explosividade. Embora jamais se possa generalizar. quando se trata desse sentimento. Cada pessoa é uma pessoa, ou seja, age de acordo com sua formação, experiência, constituição mental, psicológica e afetiva, convicções e, sobretudo, circunstâncias. O filósofo norte-americano Will Durant, em seu clássico “Filosofia da Vida”, assim se expressa a propósito: “Se a sabedoria fosse moça, ela amaria o amor, nutri-lo-ia com a devoção, aprofundá-lo-ia com o sacrifício, vitalizá-lo-ia com a reprodução e a ele subordinaria tudo, desde o começo até o fim”. Será?!


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Amazônia loteada

Pedro J. Bondaczuk

A Amazônia, que já nasceu cercada por lendas e mitos de todas as espécies --- o próprio rio que lhe dá denominação e, por extensão, a toda a região, tem o nome de guerreiras mitológicas --- está, na verdade, envolvida por uma aura de grande desinformação.

Muito do que se diz ou se escreve a seu respeito não passa de fantasia. Mas uma coisa é real: essa magnífica reserva biológica tem que ser preservada. Não porque seja o pulmão da Terra, como se apregoa, pois a maior parte da renovação do oxigênio na biosfera se dá através do mar. Nem que seja potencialmente um celeiro agrícola do Brasil e do mundo, já que se sabe que seu solo não prima pela fertilidade e que esta existe apenas em algumas "manchas" amazônicas.

Temos de preservar a Amazônia pelo mesmo motivo que precisamos resguardar da destruição tantas outras reservas biológicas, do Brasil ou de qualquer lugar do Planeta. Para evitar um desequilíbrio no preciso mecanismo da natureza. Porque se destruirmos nosso lar no espaço, nossa astronave, da qual somos tripulantes, estaremos, fatalmente, destinados à extinção. Não importa que estratégia adotemos para evitar a devastação crescente dos recursos naturais planetários, desde que funcione.

Uma das formas mais estranhas de preservacionismo, todavia, é a adotada por uma fundação norte-americana denominada "Rain Forest Foundation". Essa organização publicou, na revista "Premiere" dos Estados Unidos, anúncio oferecendo lotes de terra na Amazônia, para que pudessem ser preservados de destruição.

Nacionalismo à parte, tal procedimento causa estranheza, por várias razões. A primeira é a da legitimidade. Como posso vender aquilo que não me pertence, sem com isso caracterizar o delito de estelionato? Ou será que a entidade adquiriu de alguém a região e não estamos sabendo? De quem?

A segunda questão que se impõe é a da garantia de que os objetivos propostos serão de fato respeitados. Se eu compro uma propriedade, posso fazer com ela o que quiser, desde que a ação seja legal. E nesta terra do "jeitinho", mesmo as ilegais acabam sendo praticadas, mediante dribles na lei.

A intenção da "Rain Forest Foundation" pode ser das melhores, não se discute esse aspecto. O que nos parece, contudo, é que a estratégia escolhida não é das mais felizes, por se constituir numa autêntica armadilha. Pressupõe sinceridade da parte dos adquirentes, o que é, cada vez mais, uma virtude rara no mundo contemporâneo, tão cheio de meias verdades, que são piores do que a mentira completa, por apresentarem verossimilhança.

(Editorial publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 28 de novembro de 1990).



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Peso inútil

Pedro J. Bondaczuk

O homem carrega, ao longo da sua curta vida, um peso inútil, que o impede de alçar amplos voos espirituais e de evoluir no sentido de se tornar, de fato, racional. Hoje ele ainda é, digamos, apenas semirracional (e isso, com muita boa vontade). Tem lampejos de racionalidade, é certo, mas em cerca de 50% de suas atitudes (ou até mais), age movido exclusivamente por instinto. Aproxima-se, pois, muito mais do animal que é, do que da “imagem e semelhança de Deus”, que poderia ser.

E qual é essa carga sobressalente, esse peso descartável, que tolhe seu crescimento espiritual? É a ambição pelo que convencionou considerar “bens materiais”, que na verdade só têm alguma utilidade (quando têm e na medida exata das necessidades) enquanto viver. Sua posse, todavia, tem tamanho valor para o homem, ao ponto de influenciar até a maneira como os designa. Tanto que um dos dogmas tido como inquestionável, na maioria das sociedades, é o da “propriedade privada”.

Ninguém se refere a dinheiro, ouro, terras, casas, carros e tantas e tantas quinquilharias que despertam a ambição desenfreada da maioria como “males materiais” (que, na verdade, são). Todos os designam como “bens”. Ou seja, como coisas piedosas e benignas.

Desde criança (e já me encaminho celeremente para oito décadas de vida), nunca consegui entender o obsessivo apego das pessoas por isso que rotulam de “riquezas”. Jamais, nenhum anjo, ou qualquer outro ser superior que eventualmente exista, apareceu-me em sonhos, ou durante a vigília, para me exibir algum documento de partilha do Planeta, em que sejam outorgadas extensas áreas de terra a determinadas pessoas e sua descendência, em detrimento da maioria.

Os bens da Terra, todos eles, houvesse um mínimo de lógica no comportamento humano que justificasse sua classificação como “animal racional”, deveriam ser patrimônios comuns. Pertenceriam a todos os homens, indiscriminadamente. Claro que não são. Jamais serão! E quem defende essa tese, a lógica das lógicas, recebe inúmeros rótulos e epítetos, todos, claro, pejorativos.

É estereotipado, considerado “comunista”, perseguido, encarcerado, não raro torturado e morto ou tido e havido como “alienado”, ou louco (que é praticamente a mesma coisa) e segregado do convívio geral. É uma inversão brutal e catastrófica de valores. Ou seja, o são é tido por demente e vice-versa.
A distorção chega a tal ponto, que os méritos de um indivíduo são definidos (de maneira praticamente consensual) não pelo que ele é, em termos de sabedoria e virtudes, mas pelo que tem, mesmo que se trate de rematado canalha, de incorrigível corrupto, de ladrão convicto, que amealha posses às custas das desgraças alheias.

Erich Fromm escreveu um livro a esse propósito, “Ter e Ser”, cujas teses sequer é necessário repetir. São óbvias demais. Intuitivamente, as pessoas sabem que são corretas, mas se age sempre em sentido contrário. Ou seja, invertem-se os valores: o correto é apontado como errado e vice-versa.

Há poucas, escassíssimas, ínfimas esperanças de mudança desse comportamento. Se acontecer (e se o homem não destruir, antes, seu tão judiado, depredado e poluído domo cósmico), talvez ocorra em um milênio ou mais. Não acredito, todavia, nessa revolução da racionalidade.

Nas presentes gerações, não há o menor indício de que esse súbito ataque de sabedoria e bom-senso venha a ocorrer. A probabilidade parece ser exatamente a contrária. Ou seja, que o homem se torne crescentemente mais ensandecido e obcecado pelo seu avassalador egoísmo e que sua porcentagem de animalidade cresça vertiginosamente, com a consequente redução, na mesma proporção, de sua já tão escassa “imagem e semelhança com Deus”.

Quem tem, busca, obsessivamente, não apenas conservar o que já juntou, mas juntar mais, e mais, e mais. Quem não tem... empenha-se em se apossar, pela astúcia (às vezes) ou pela força (na maior parte dos casos) do que os possuidores se empenham em proteger, não raro com as próprias vidas. O homem não confia no homem e tem, no semelhante, a visão de um antagonista, um rival, quando não um inconciliável inimigo ao qual se propõe a destruir, em vez de ver nele um parceiro. E as coisas pioram, nesse sentido, não mais de século para século, mas de dia para dia.

Já vão longe os tempos, por exemplo, em que você podia se sentir seguro em sua casa, mantendo as portas sempre abertas, escancaradas até, cerrando-as apenas à noite, para evitar a entrada de animais. Hoje, há trancas por toda a parte. Há muros e grades imensos, sofisticados sistemas de alarme, vigilância contínua por câmeras, cercas elétricas etc. protegendo os seus “bens” do assédio dos despossuídos. E estes, quando eventualmente saem dessa condição, e se tornam proprietários (tremenda raridade), repetem, exatamente, os mesmos procedimentos dos que antes condenavam. Não são, pois, nada melhores do que eles.

Rabindranath Tagore, com a sensibilidade e a intuição dos poetas, que, salvo exceções, enxergam além das aparências, escreveu estes versos memoráveis, em um de seus tantos poemas, que ilustram a caráter estas considerações: “Coloque uma carga de ouro nas asas de um pássaro e ele nunca mais voará pelo céu”. Imagine o homem, que já normalmente não voa (a não ser com as engenhocas que criou)! Como voará na amplidão infinita da racionalidade com tamanho peso descartável (do qual teima em não se desfazer) nas costas?!

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