Sunday, July 15, 2018

Reflexão do dia


PARA O QUÊ SERVE A ARTE?

A arte, essa manifestação de criatividade, capacidade de observação, perícia e habilidade do espírito humano se esgota por si só ou tem alguma finalidade maior, mais relevante, nobre e profunda do que em geral lhe atribuímos? Serve, apenas, para satisfazer os sentidos ou atua como catalisadora de reflexões e emoções? Tem limites precisos e definidos, ou seu campo potencial de atuação é o infinito e o eterno? Vocês já imaginaram o mundo sem artes? Eu já! Seria, certamente, muito mais feio, prosaico e sem sentido do que já é. Por mais trivial que a música, por exemplo, possa ser, fico sempre pasmo face à capacidade dos compositores de reunir sons dispersos e que, isoladamente, são até desagradáveis, em sinfonias e canções melodiosas, com harmonia e beleza, que me despertam reflexões e incontida admiração. Espanta-me a capacidade dos intérpretes de reproduzirem, exatamente como os autores conceberam, e quantas vezes lhes der na veneta, essas composições. Penso, sempre que ouço alguma canção bem-feita e magistralmente interpretada por terceiros: “como eles (os autores e intérpretes dessas façanhas) conseguem?”.

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PESCA EM ÁGUAS TURVAS

Prosseguindo em minha tentativa de “pesca em águas turvas”, tenho uma nova proposta a fazer às editoras. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que venho tentando, há algum tempo, conferir. Tenho mais um livro, absolutamente inédito, a oferecer. Seu título é: “Dimensões infinitas”, que reúne 30 ensaios sobre temas dos mais variados e instigantes. Abordo, em linguagem acessível a todos, num estilo coloquial, assuntos tais como as dimensões do universo (tanto do macro quanto do microcosmo), o fenômeno da genialidade, a fragilidade dos atuais aparatos de justiça, o mito da caverna de Platão, a secular busca pelo lendário Eldorado, o surgimento das religiões, as tentativas de previsão do futuro e as indagações dos filósofos de todos os tempos sobre nossa origem, finalidade e destino, entre outros temas. É um livro não somente para ser lido, mas, sobretudo, para ser refletido. Meu desafio continua sendo o mesmo de quando iniciei esta tentativa de “pesca em águas turvas”. Ou seja, é o de motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, mas apenas pela internet, e sem que eu precise bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa todos os dias, sem limite de tempo. Para fecharmos negócio, basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. Quem se habilita?


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CITAÇÃO DO DIA:


Presença invisível

O artista deve estar na sua obra como Deus na criação: presente porém invisível.

(Gustave Flaubert).



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DIRETO DO ARQUIVO - Estatais precisam mudar


Estatais precisam mudar



Pedro J. Bondaczuk


As empresas estatais no Brasil, salvo raras e honrosas exceções, atuam por critérios próprios, onde eficiência, qualidade e racionalidade administrativa não são levadas em consideração, como nos empreendimentos privados. Seus diretores agem com uma independência anormal em relação ao Poder Executivo, ao qual caberia prestar contas.

Muitas vezes, nem mesmo seus acionistas são devidamente considerados. Além disso (ou por causa disso) raramente prestam informações quando estas são requisitadas por órgãos do governo. O lucro, ao contrário da iniciativa privada, onde é fundamental, não é meta prioritária dessas empresas.

Quando elas operam no vermelho, e algumas ostentam essa situação desde quando foram instituídas, nada lhes acontece. Seus déficits são invariavelmente cobertos pelo Tesouro, mediante o suado dinheirinho de de todos os cidadãos que pagam impostos.

Os eventuais superávits, em contrapartida, são rateados entre seus trabalhadores, como se esses empreendimentos pertencessem apenas a eles. Mas não pertencem. São, ao menos conceitualmente, de todos os brasileiros, que arcam com a sua manutenção.

Vários governos tentaram, sem nenhum êxito, controlar as estatais, o que mostra o grau de autonomia que elas gozam. Daí haver no mundo todo uma onda de privatizações que vai da China à Rússia, da Grã-Bretanha à França, da Itália ao Chile.

No Brasil, o processo de desestatização, a despeito de alguns avanços, segue ainda a passo de tartaruga, enfrentando autêntica comoção, com distúrbios, agressões e intermináveis batalhas jurídicas, a cada novo leilão. O curioso é que os defensores da manutenção do status dessas empresas são os que mais se prejudicam com a sua até proverbial ineficiência.

Caso haja sensibilidade por parte dos congressistas, contudo, este quadro pode mudar. O presidente Itamar Franco acaba de enviar ao Congresso um projeto que prevê a possibilidade de falência das estatais e penas de prisão para os responsáveis por casos fraudulentos, cujas denúncias, estranhamente, quase nunca chegam a ser devidamente apuradas e, principalmente, punidas.

Espera-se que o bom-senso prevaleça e que desta vez a proposta seja aprovada. No ano passado, medida semelhante acabou sendo esvaziada, sem que a razão ficasse pelo menos clara. O País não está nadando em dinheiro para que escassos e preciosos recursos sejam desperdiçados ou cinicamente embolsados por aqueles que veem no patrimônio público mera extensão de seus próprios bens.

(Editorial publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 28 de dezembro de 1993).


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CRÔNICA DO DIA - Biógrafa checa de Kafka


Biógrafa checa de Kafka

Pedro J. Bondaczuk

A gentil e oportuna manifestação da premiada escritora (e advogada) Jeanette Rozsas – diretora da União Brasileira de Escritores – a propósito da primeira biografia de Franz Kafka, escrita por um escritor checo, lançada em Praga há oito ou nove anos (não tenho certeza), faz com que eu traga à baila, mais uma vez, essa figura carismática e pitoresca, cuja vida foi tão interessante (e intrigante) quanto sua obra.

Apaixonada pela vida e obra do escritor checo (que pesquisou por anos), ela escreveu uma biografia “diferente” a seu respeito. Sem fugir, em momento algum, dos fatos – quer os documentados, quer os testemunhados por seus contemporâneos –, reproduziu sua trajetória em detalhes, mas em forma de romance, como se fosse ficção. Obviamente, não é. Refiro-me ao livro “Kafka e a marca do corvo”, lançado no Brasil em 2009 pela Geração Editorial.

Rozsas pesquisou arduamente, como ressalta a sinopse da editora, “a linguagem” utilizada pelo escritor checo, “seus contos fantásticos e romances claustrofóbicos, suas cartas e diários”. Está aí, pois, um livro que recomendo, com gosto. Jeanette, por sinal, tem, em seu currículo de escritora, outros sucessos editoriais, como “Feito em silêncio” (contos, Editora Vertente) e “Autobiografia de um crápula”, para citar apenas dois.

Já que voltei ao assunto sobre a vida e a obra do festejado autor de “O processo”, “A metamorfose”, “O castelo” e “Na colônia penal”, que abordei diversas vezes, entendo como oportuna a reprodução de mais um trecho do ensaio que publiquei a seu respeito no “Correio Popular” de Campinas, em 15 de abril de 1988, que contém informações que certamente serão úteis (quando não novidades) para muitos leitores.

Franz Kafka deu o ‘grito de liberdade’ do pai dominador por volta de 1922, quando conheceu Dora Dyamant. Antes de conhecê-la, todavia, manteve profunda ligação sentimental, provavelmente platônica, com outra mulher, de rara inteligência, chamada Milena, com quem trocou vasta correspondência, que ascendeu a cerca de 300 cartas. Nelas, o escritor ‘abriu’ a alma e expôs, com clareza e precisão, o que o atormentava. Hoje, essas mensagens são consideradas documentos muito valiosos, reveladores da estranha e atormentada personalidade de Kafka.

Essas cartas foram publicadas, em forma de livro, após a morte do escritor. Aliás, foi Milena que traduziu seus textos para o idioma checo. Apesar de se tratar de figura marcante em sua vida, o relacionamento amoroso entre ambos não prosperou.

O romance com Dora, no entanto, foi duradouro e explosivo. Ocorreu quando Kafka já estava tuberculoso e a doença avançava com grande rapidez. Esta musa dos últimos dias do escritor era filha de proletários judeus poloneses. Para viver com Dora, Franz deixou Praga, com todas as suas lembranças e tristezas, e mudou-se para Berlim.

A tuberculose avançava e Kafka não se conformava com essa ironia do destino. Trabalhava furiosa e desesperadamente e queria, mais do que nunca, viver. Desejava, ardentemente, dar todo o amor que represara a vida toda para Dora. Mas sua situação, tanto a de saúde, quanto a financeira e política, não era nada favorável.

Na Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial e submetida pelos vencedores a humilhantes e vexatórias condições, já se manifestavam os primeiros sinais de intolerância e de ódio racial, que iriam dar margem ao surgimento do nazismo e aos acontecimentos que levariam o país à ruína e a Europa à catástrofe e que se conhecem de sobejo. O inverno de 1923 para 1924 foi dos mais rigorosos dos últimos anos.

Franz Kafka chegou a passar fome e frio nesse período, o que só agravou seu estado de saúde, que já era dos mais precários. Seu tio, ao fazer-lhe uma visita, decidiu levá-lo de volta a Praga, mesmo contra sua vontade, internando-o num sanatório de Kierling. Tarde demais.

Em 3 de junho de 1924, após expulsar do quarto a enfermeira e pedir morfina a um amigo, para aplacar o sofrimento, o escritor mais solitário e angustiado do século passado expirou, sem ter logrado vencer sua solidão...Tornou-se, em contrapartida, porta-voz do inconformismo, ácido crítico do absurdo do sistema que nos submete e nos tritura”.



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Saturday, July 14, 2018

Reflexão do dia


BONS EXEMPLOS SÃO ESSENCIAIS NA EDUCAÇÃO

Uma das queixas recorrentes de pais e de educadores refere-se à dificuldade crescente de se incutir nos adolescentes o sentimento de respeito ao próximo. Entendo que o defeito não está, propriamente, ou não de todo, no jovem, mas na estratégia adotada para esse fim. Discursos, neste caso, por mais convincentes que sejam ou pareçam ser, não surtem efeito se não vierem acompanhados de exemplos práticos. E estes são cada vez mais escassos e raros, dada a forma generalizada de agir da sociedade contemporânea, nesta era da globalização. O eminente estudioso do comportamento, o austríaco Konrad Lorenz, ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia;Medicina de 1973, trouxe a questão à baila, ao indagar: “Como despertar num adolescente o sentimento de respeito, se tudo o que ele vê ao seu redor é obra humana, feia e banal?”. Sim, repico a pergunta, como? Abundam discursos e escasseiam exemplos. Sobejam violências, injustiças e corrupção e faltam atos de nobreza, beleza e solidariedade. Daí as dificuldades de se incutir nos adolescentes a necessidade e as vantagens do sentimento de respeito ao próximo.


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PESCA EM ÁGUAS TURVAS

Prosseguindo em minha tentativa de “pesca em águas turvas”, tenho uma nova proposta a fazer às editoras. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que venho tentando, há algum tempo, conferir. Tenho mais um livro, absolutamente inédito, a oferecer. Seu título é: “Dimensões infinitas”, que reúne 30 ensaios sobre temas dos mais variados e instigantes. Abordo, em linguagem acessível a todos, num estilo coloquial, assuntos tais como as dimensões do universo (tanto do macro quanto do microcosmo), o fenômeno da genialidade, a fragilidade dos atuais aparatos de justiça, o mito da caverna de Platão, a secular busca pelo lendário Eldorado, o surgimento das religiões, as tentativas de previsão do futuro e as indagações dos filósofos de todos os tempos sobre nossa origem, finalidade e destino, entre outros temas. É um livro não somente para ser lido, mas, sobretudo, para ser refletido. Meu desafio continua sendo o mesmo de quando iniciei esta tentativa de “pesca em águas turvas”. Ou seja, é o de motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, mas apenas pela internet, e sem que eu precise bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa todos os dias, sem limite de tempo. Para fecharmos negócio, basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. Quem se habilita?


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CITAÇÃO DO DIA:


Beleza é convulsiva 

A beleza será convulsiva, ou não será.

(André Breton).


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DIRETO DO ARQUIVO - Aplainar arestas


Aplainar arestas


Pedro J. Bondaczuk


A Trigésima Nona Exposição de Animais e Produtos Derivados do Vale do Rio Grande, com realização na cidade de Barretos, vem de ser cancelada. Como nos anos anteriores, também neste mês de abril seriam apresentados nesse certame cerca de 450 exemplares das raças gir e nelore, além de 250 equinos de qualidade apurada. Aliás, as exposições levadas a efeito em Barretos desfrutaram sempre de conceito nacional, despertando as atenções e os interesses de centenas de criadores. Entretanto, no corrente ano, diante das implicações ocasionadas pelo funcionamento do Plano Collor ou Brasil Novo, como queiram, a exposição programada deixará de ser realizada. O dinheiro arrecadado através de leilões pela comissão organizadora estava aplicado junto à rede bancária. Como aconteceu com todos os poupadores ou investidores, naquela tarde de 16 de março último, também o numerário necessário às despesas da trigésima nona exposição ficou bloqueado, à disposição do Banco Central. E sem dinheiro vivo, como se diz em linguagem comum, nada feito.

Ao tomar posse recentemente no cargo de ministro da Agricultura, o pecuarista Antônio Cabrera Mano Filho anunciou a abertura de nova fase às atividades do campo, prometendo inclusive a liberação de créditos no total de Cr$ 14 bilhões, isto para atendimento a diversos setores da agricultura. Por sinal, logo após a divulgação desse informe, as lideranças rurais de todas as regiões do País passaram a locomover-se rumo a Brasília, evidentemente com o propósito de abocanhar uma fatia desse bolo apetitoso. E o movimento foi tão intenso nos últimos dias no gabinete do ministro, obrigando o serviço de copa a suspender até o oferecimento do tradicional cafezinho.

Certamente, o cancelamento daquela promoção de animais em Barretos, de uma forma ou de outra, significará na prática um acúmulo acentuado de perdas. De fato, os expositores deixarão de vender os seus produtos, enquanto muitos criadores ficarão impedidos também de aprimorar a raça de determinadas espécies. E acima de tudo, no fundo, quem perderá ainda mais com o cancelamento da exposição será a cidade de Barretos, frustrando-se assim as expectativas de bons negócios.

A verdade é que, se de um lado o Plano Collor estancou o processo inflacionário ameaçando o Brasil todo, de outro, acabou provocando também uma série de sequelas, como é o caso por exemplo do cancelamento da exposição de Barretos. Caberá pois ao novo ministro da Agricultura a tarefa um tanto árdua de aplainar as arestas destoantes assinaladas nesse importante setor da vida brasileira, face à aplicação do conjunto de medidas editadas pelo atual governo. Sem dúvida alguma, outros eventos no gênero precisam contar com o apoio e a colaboração daquela pasta. Do contrário, sejamos francos, todo aquele anúncio de autêntica revolução na agricultura ficará circunscrito apenas ao simples uso da retórica, tão conhecido já pelos homens do campo.

(Editorial publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 19 de abril de 1990)



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CRÔNICA DO DIA - Parabéns, Campinas "do meu andar"...


Parabéns, Campinas “do meu andar”…

Pedro J. Bondaczuk

Campinas, ao completar, neste julho de 2018, 244 anos de fundação, é uma cidade “jovem”, podemos assim dizer. Se compararmos sua idade à de localidades multimilenares, como Jericó, Damasco, Biblos e Beirute, entre outras – todas com mais de 10 mil anos de existência – seria “um bebê”. O que é notável, porém, é o fato de que, em tão pouco tempo, ela tenha se tornado essa metrópole gigante, progressista e vibrante, modelo de desenvolvimento inclusive para povos tidos e havidos como mais desenvolvidos do que nós. E tudo isso foi construído por pouco mais do que três gerações de campineiros!! É admirável!!!

Pensem nisso. Pensem quantas etapas tiveram que ser queimadas para que Campinas superasse, em todos os parâmetros possíveis, cidades já nem digo multimilenares, mas multicentenárias, tanto do Brasil quanto de várias partes do mundo. Isso diz muito da operosidade do campineiro. Além do que, a cidade teve que “renascer das cinzas”, em decorrência da epidemia (na verdade foram seis epidemias em nove anos) de febre amarela, que em fins do século XIX quase apagou Campinas do mapa. Mais de três mil campineiros morreram na oportunidade! E essa cifra só não foi maior, porque muitos dos mais de vinte mil moradores, que puderam sair daqui, saíram para outras localidades, reduzindo a população a algo em torno de cinco mil habitantes, se tanto.

Muitos, porém, decidiram aqui permanecer, na tentativa de salvar a cidade da extinção. Entre estes, destacam-se os que se tornaram mártires dessa empreitada, como Ângelo Simões, José Paulino, Costa Aguiar e Irmã Serafina, entre um punhado de tantos outros. Dentre estes, merece especial destaque o sanitarista (fundador do Instituto Butantã) Emílio Ribas, natural de Pindamonhangaba, pelo seu desprendimento e suas peritas ações.

O historiador Jorge Alves de Lima trata desse episódio dramático (e heroico) de Campinas em seu livro “O ovo da serpente”. Destaca, por exemplo, as duras condições que o sanitarista enfrentou no combate à doença, ao constatar: “Emílio Ribas tinha dificuldades de trazer pacientes, porque o hospital era muito perto do cemitério”. Houve momento em que os mortos eram tantos, que não se dava conta de sepultá-los. A ação desse médico tem que ser destacada, embora muitos outros se destacaram no combate à febre amarela, por um motivo principal. Ele tinha a convicção, por exemplo, de que o transmissor da doença era o mosquito “Aedes Aegypti”, embora houvesse ceticismo a respeito. Para provar sua tese, deixou-se picar por um inseto contaminado. E… ficou doente.

Jorge Alves de Lima resume assim a ousada atuação de Emílio Ribas: “Ele enfrentou de maneira destemida, corajosa, foi valente, não abandonou a cidade, contraiu a febre amarela, escapou e voltou e salvou Campinas”. E a cidade hoje ai está, vibrante, dinâmica e progressista. Como a mitológica fênix, portanto, “renasceu das próprias cinzas”.

Caminhando, hoje, por suas ruas, praças e avenidas, sinto a presença dos pioneiros fundadores, como o bandeirante Barreto Leme. E dos tantos heróis que a cidade produziu. Dos que projetaram (e projetam) Campinas nas artes (como por exemplo Carlos Gomes, José Pancetti e Guilherme de Almeida, entre tantos outros), nas ciências, nos esportes, na política, na economia, enfim, na cultura em geral. Sinto a força, a energia e o espírito de luta que emanam do seu povo. E faço minhas as palavras do poeta gaúcho Mário Quintana, que escreveu (para Porto Alegre), estes versos, que cabem como uma luva para o que sinto em relação a Campinas que tanto amo, ao ensejo de seu 244º aniversário:

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...”


PARABÉNS, CAMPINAS, MEU AMOR!!!!!

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Friday, July 13, 2018

Reflexão do dia


NÃO DEVEMOS NOS CONFORMAR COM ERROS E 

INJUSTIÇAS

Não devemos nos conformar, jamais, com erros e injustiças, mesmo os que estiverem estatuídos e fizerem parte dos usos e costumes do nosso povo e de nossas instituições. E estes, convenhamos, não faltam. Pelo contrário, existem em profusão. Claro que há várias formas civilizadas de mostrarmos nosso inconformismo, sem nos colocarmos à margem da sociedade por burlar alguma lei. Nem toda legislação existente é justa e boa. Todavia, se nos recusarmos a nos submeter a elas, estaremos sujeitos às punições por elas previstas. Prevalece o célebre axioma romano: “DURA LEX SED LEX”. As leis são elaboradas por homens como nós, sujeitos a erros e contradições e não raro consagram interesses que não são os da maioria. Devemos denunciá-las, apontar suas falhas e lutar por sua modificação ou revogação, sem, no entanto, burlá-las enquanto estiverem em vigor. Isso não quer dizer que devamos nos conformar com elas. Orson Welles lembra que “os santos e os artistas não se evidenciam na história pelo seu conformismo e é um fato evidente, mas esquecido, de que não existe arte ou artista domado, dominado ou posto de quatro”. O inconformismo sadio e inteligente, portanto, é a melhor forma de contribuirmos construtivamente com a sociedade e com a civilização.


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PESCA EM ÁGUAS TURVAS

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CITAÇÃO DO DIA:


Negação do estereótipo 

A cisão entre a cultura e a “mass culture” é o que define a obra de homens como Joyce, Kafka, que fizeram desta cisão uma poética. Disseram que o artista é aquele que nega o estereótipo da cultura de massa. Assim, a palavra hermética seria a única defesa contra a manipulação. O artista é o único que resiste, com sua linguagem que vai se aproximando mais e mais do silêncio. É uma posição suicida e ao mesmo tempo importantíssima. 

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Êxito é o problema 

Welles foi sacrificado porque sabia fazer bem demais. Mas isso é raro agora. Hoje não é quase possível ser um pintor fracassado. Porque vão buscar o fracassado e o comercializam como pintor fracassado. O problema do artista hoje é o êxito.

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Sucesso pernicioso 

Os melhores romancistas dos últimos 30 anos não conseguiram sobreviver ao êxito do primeiro romance. Exemplos: Salinger ou Mailer, que para manter o marketing teve de virar até boxeador e tentar matar a mulher.

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Fracasso parcial 

O êxito legítimo não existe. O artista vive sempre um fracasso parcial. Se ele pensa que triunfou, fracassa. A lógica da arte é de que o melhor virá depois.

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Cabe ao artista 

Por mais que o capitalismo queira mostrar que as coisas vão bem, cabe aos artistas deixar claro que as coisas não vão tão bem assim. O artista mostra o que não vai bem.

(Ricardo Piglia, escritor argentino).


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DIRETO DO ARQUIVO - Desindexação à vista


Desindexação à vista



Pedro J. Bondaczuk


O presidente Fernando Henrique Cardoso está determinado a desindexar a economia brasileira até o próximo dia 1°, primeiro aniversário do Real, com algumas exceções, como os tributos e a caderneta de poupança. O processo de desindexação vai começar pelo lado mais fácil, pelo menos em termos operacionais, ou seja, pelos salários. São sempre eles!

Caso prevaleça a vontade do governo, os reajustes deverão ocorrer, doravante, mediante livre negociação entre as partes: os sindicatos representativos dos trabalhadores de cada categoria e as correspondentes entidades sindicais patronais.

Os setores melhor organizados da sociedade aprovam e aplaudem a medida, confiantes em sua força. Estes não têm (ou presumem não ter) o que temer e nada a perder. Outros, no entanto, certamente vão sair prejudicados.

Sindicatos nanicos dificilmente vão conseguir qualquer coisa perante os patrões. Não contam com nenhum poder de barganha, especialmente os que representam aquelas categorias cujas funções não exigem qualquer especialização. Estes setores contam com fartura de estoque de mão de obra. Pela lei natural da oferta e da procura, seus salários jamais conseguirão subir a um patamar além do mínimo.

É muito difícil qualquer brasileiro, pelo menos desta geração, fazer uma previsão sobre se a desindexação total da economia vai ser boa ou ruim. Ninguém tem experiência suficiente que o credencie a afirmar se vai funcionar ou não.

Desde 1965, mecanismos indexadores vários têm funcionado no Brasil, atrelando a correção monetária ora aos vários índices de inflação (e ultimamente há muitos, dos mais variados institutos de pesquisa) ora a outras taxas quaisquer, das tantas que existem por aí. Poucos conhecem, portanto, como é a economia desindexada.

Outra dúvida que persiste é se os agentes econômicos vão respeitar, de fato, a desindexação. O mais provável é que ela continue, embora de forma informal, por haver se incorporado à nossa cultura. Até porque, o próprio governo dá mau exemplo, mantendo a cobrança de tributos indexada (à Unidade Fiscal de Referência, Ufir, em termos federais, e a outros índices estaduais e municipais).

A rigor, a correção monetária, como vigorou no Brasil, é uma criação absolutamente nossa, tupiniquim, e não existe em lugar algum do mundo. Suas consequências foram a permanente realimentação inflacionária, fato que o governo pretende evitar a partir de agora. Se vai conseguir ou não é coisa para ser conferida futuramente.

(Editorial publicado na Folha do Taquaral em 17 de junho de 1995)


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CRÔNICA DO DIA - Fantasiar é preciso


Fantasiar é preciso

Pedro J. Bondaczuk

A fantasia, ou seja, o ato de imaginar pessoas, mundos, coisas e situações que não existem, que são criadas exclusivamente pela nossa mente, se bem dosada (afinal, tudo o que é em excesso tende a ser nocivo) nos é sumamente útil. Diria, com a ressalva que fiz (quanto à dosagem), que chega a ser essencial e imprescindível. Queiram ou não, trata-se, entre outras coisas, de matéria-prima dos escritores, notadamente dos de ficção, embora seja, igualmente, explorada ad nausea pelos poetas.

Claro que é indispensável que tenhamos tirocínio para distinguir fantasia de realidade. Ou seja, compete-nos ter sempre em mente o que não passa de mero sonho, ou simples idealização, do que de fato acontece ou aconteceu a nós ou que testemunhamos ou ouvimos. Somos treinados, desde muito novos, para o exercício da fantasia. Afinal, o que são os brinquedos de criança se não isso? O que são as histórias infantis, que nos marcam a infância e influenciam até nossa conduta vida afora? Portanto, não sou contrário (e nem poderia ser) às fantasias. Mas, reitero, com as devidas ressalvas. Com a consciência de que aquilo que fantasiamos não existe, de fato, embora algumas dessas “projeções” possam, eventualmente, vir a existir. Nunca se sabe.

O mundo da fantasia, aquele do faz de conta, o dos nossos sonhos, tem as dimensões exatas dos nossos desejos. Difere – e me perdoem se estou sendo repetitivo – em muito, quando não em tudo, do real, onde temos que lutar pela sobrevivência, sem muito espaço (às vezes até sem nenhum) para correr atrás de abstrações. Preocupações imediatas nos desafiam, como conseguir um teto para nos cobrir a cabeça, o alimento que nos mantenha as forças, o acesso à educação e à cultura para que conservemos nosso tênue verniz de "civilização", o usufruto das conquistas da medicina para manter nossa saúde e prolongar nossa vida etc.

O que desejamos pode ser tanto a mola que nos impulsione às grandes realizações, quanto a fonte de toda a nossa infelicidade. E é muito difícil, senão impossível, filtrar o factível, o concretizável e o realizável do somente desejável. Alguns desejos exigem cumplicidade para que se realizem. Jamais uma única pessoa, de forma isolada, teria condições de realizá-los, dadas sua abrangência e complexidade.

Todavia, precisamos da fantasia para sobreviver enquanto seres pensantes. Necessitamos, mais do que admitimos, daquela que é a matéria-prima das artes e a consoladora mor dos homens. Ninguém resiste à realidade absoluta. É como olhar diretamente para o Sol. Ela nos cega e até nos mata. Há um poema de Raul Leoni que não me canso de citar em minhas crônicas, que diz, em determinado trecho:

"O homem desperta e sai, cada alvorada,
para o acaso das coisas...E, à saída,
leva uma crença vaga, indefinida,
de achar o Ideal em alguma encruzilhada…"

Alguns conseguem e abraçam-no ferozmente, para que não mais escape. Outros prosseguem nessa busca incansável, dia após dia, ano após ano, em vão. Mas a simples procura já lhes preenche a vida.

Por que o futuro sempre nos parece tão promissor, mesmo que nosso presente seja sombrio e repleto de dificuldades? Afinal, trata-se de uma contradição. Objetivamente, vivemos, a conta-gotas, cada hoje, que é o tempo em que temos condições de agir. O ontem é somente lembrança e não pode ser modificado e o amanhã, queiram ou não, é imensa incógnita.

Ocorre que o futuro é sempre movido a esperança. E não somente por ela, mas por considerável dose de fantasia. Contamos que, nele, as circunstâncias eventualmente desfavoráveis atuais, haverão de se reverter e se modificar para melhor, mesmo que pareça (e seja) improvável. O que fazemos, na verdade, é dar asas à fantasia que, como sabemos, tudo pode, mas (infelizmente) apenas no plano abstrato. No terreno do concreto... Todavia, ela é nossa grande consoladora. Alimenta nossas esperanças. É antídoto para o desespero. Na dose certa, portanto, é benigna, quando não essencial. O antropólogo italiano Paulo Mantegazza explica a razão desse comportamento, ao escrever: “O futuro é sempre belo, porque viaja na barquinha da esperança, cujas velas dilata aquela brisa inebriante, que é a fantasia”. E como ela inebria!

Podemos distinguir, nitidamente, no mundo, dois grandes grupos de pessoas, com suas múltiplas, quiçá infinitas variantes: o dos que se dizem "realistas" e o daqueles que se consideram "idealistas". Ambos os conceitos, destaque-se, são ambíguos. Ninguém se enquadra, de forma rigorosa e absoluta, em nenhuma das duas classificações. Todos temos, em proporções diversas, uma mescla de idealismo e de realismo.

Afinal, como perguntei inúmeras vezes nestas reflexões diárias, o que é a realidade? O que é fantasia? As coisas são, mesmo, o que aparentam ser? Não somos iludidos pela precariedade dos nossos sentidos e pela nossa pequenez, em um universo de dimensões aparentemente infinitas? Certamente que sim! O poeta T. S. Elliot chega a afirmar que "o gênero humano são suporta a realidade" (supondo, é claro, que seja mesmo possível chegar a ela). Precisamos de sonhos, de fantasias, de ideais para dar sentido e razão à nossa vida.

Auguste Kekulé, o célebre químico e professor alemão, recomendou, em 1890, aos seus alunos: “Vocês devem aprender a sonhar. Então, talvez descubram a verdade”. Ou seja, recomendou-lhes que recorressem, amiúde, à fantasia. E isto, ou seja, explorar o mundo dos sonhos e expressar o que “viram”, na linguagem mágica dos anjos, os poetas sabem, e de sobejo. Por isso, antecipam o futuro. E o fazem com mais graça e mais beleza (e, claro, com maior verdade), do que furibundos e enlouquecidos profetas, a nos ameaçarem com as mais terríveis desgraças e provações. Já os poetas abrem-nos as portas do Paraíso para que, pelo menos em sonho, possamos usufruir das suas delícias. Por isso...reinventam a vida..., uma vida com charme, graça e glamour.

Como todo sujeito normal, tenho, também, muitas, diversas, inúmeras, possivelmente infinitas fantasias. Sonho e sonho demais. Sonho com um mundo de harmonia, paz e felicidade, em que haja absoluta igualdade de direitos e deveres entre as pessoas. Sonho com um paraíso na Terra em que as contradições que nos dividem e desumanizam hajam sido superadas. Sonho com o dia em que não existam mais excluídos e nem os que excluem, oprimidos e opressores, poderosos e humildes. Sonho com um mundo que prescinda de leis, governos, exércitos e tribunais, em que todos conheçam suas obrigações, sem necessidade de serem fiscalizados.

Meus sonhos avançam na proporção das minhas fantasias. Sonho com um mundo em que o amor sem limites seja a única Constituição dos povos, irmanados em um só ideal, sem fronteiras e separações. Sonho com uma sociedade irmanada e una em que estes versos do poeta Thiago de Mello, no poema “Os Estatutos do Homem”, sejam mais do que mera poesia:

“O homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem
que o homem confiará no homem
como a palavra confia no vento
como o vento confia no mar
como o ar confia no campo azul do céu...”


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