Thursday, July 28, 2016

QUAL É O “ELIXIR DA JUVENTUDE”? É O AMOR!!!

Antes de se espalharem as lendas sobre a fonte da juventude, falava-se, e há muito tempo, de um hipotético elixir da juventude, boato que ninguém sabe onde, quando e nem com quem surgiu, mas que passou de pai para filho, por milhares de gerações, até chegar aos nossos dias. Para os alquimistas (aqueles que juravam saber como transformar chumbo em ouro), esse supostamente mágico líquido encontrava-se no “ouro potável”. Suas propriedades curariam qualquer doença e regenerariam organismos envelhecidos, prolongando a vida. O miraculoso elixir tinha, também, o nome de “águas dos filósofos”. Muito charlatão deve ter ficado milionário vendendo este suposto produto mágico a uma infinidade de trouxas. Responda-me na bucha: você quer manter o espírito sempre jovem (pois o corpo não tem jeito)? Ame. Ame sempre, muito e profundamente. Ame sem peias e sem reservas. Ame física, mental e psicologicamente. Ame da manhã até a noite. Ame na infância, juventude, maturidade e velhice. Nunca se canse da amar. Asseguro-lhes, pacientes leitores, que não há processos de envelhecimento, por mais severos que sejam, que resistam a esse potentíssimo elixir da juventude chamado de “Amor”!


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Presente do Dia dos Pais

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Finalmente um avanço para o entendimento



Pedro J. Bondaczuk


As superpotências estão mais próximas do que nunca estiveram de um acordo simplesmente histórico, que se concretizado, vai deixar o continente europeu livre das indesejáveis armas nucleares. Estados Unidos e União Soviética parecem, finalmente, falar a mesma linguagem no que diz respeito a mísseis de alcance intermediário.

Mas esse entendimento, se obtido, terá um significado muito mais amplo do que possa parecer àqueles que estejam analisando a questão apenas na sua superfície. Significará o primeiro pacto, desde que foram desenvolvidas as armas atômicas, para a redução de algum dos tantos tipos desses armamentos.

Os dois acordos Salts firmados anteriormente, um na década de 60 e outro na de 70, foram somente limitatórios. Isto é, não desmontaram nenhum dos mísseis existentes. Apenas limitaram a fabricação de novos que tenham o caráter estratégico.

A mesma coisa aconteceu com o pacto de antibalísticos. No entanto, desta vez, a coisa é mais radical e isso não deixa de ser motivo para intensa torcida daqueles que aspiram a um porvir para a espécie humana no sentido de que tudo dê certo e uma razão de comemoração, caso as negociações cheguem a bom termo.

Talvez seja muito cedo para afirmar algo tão definitivo, mas tudo leva a crer (e esta opinião já vem sendo esposada, embora ainda timidamente, por vários líderes da Europa Ocidental), que a ascensão de Mikhail Gorbachev à liderança do Cremlin foi uma bênção para a humanidade.

Ele faz parte de uma outra geração soviética, descomprometida com um passado policialesco e com a guerra fria. É flexível, cordato, esclarecido. E, principalmente, transmite uma aura de confiança e de seriedade.

Note o leitor que, até abril de 1985, quando ele sucedeu a Konstantin Chernenko, a União Soviética se recusava a negociar qualquer limitação das armas nucleares. Os russos haviam até mesmo se retirado da mesa de negociações, em Genebra, em 1982. Por essa razão, a “corrida para a morte” atingiu níveis paroxísticos. Armas e mais armas passaram a ser fabricadas aos borbotões diariamente, dos dois lados, cada uma mais certeira e arrasadora do que a outra.

Gorbachev, assim que ascendeu ao poder, acertou de imediato com os norte-americanos a volta do seu país às negociações em torno do desarmamento. Reuniu-se duas vezes com Reagan, em Genebra e em Reykjavik, a segunda das quais, por pouco, não consegue um acordo espetacular para simplesmente extinguir com as armas nucleares do Planeta até o ano 2000 (o que ainda pode ser conseguido no correr das conversações que certamente se farão).

E agora, está prestes a salvar o pescoço de Reagan. A tira-lo do atoleiro em que ele se meteu com o escândalo da venda de material bélico para o Irã, para o projetar, em definitivo, na história. Está muito perto de marcar uma terceira reunião de cúpula com o presidente norte-americano, fazendo com que ele seja protagonista de um fato inédito, pelo menos no último quarto de século, em seu país.

Mas a atuação desse estadista não tem sido elogiável somente na questão armamentista. Ele vem realizando uma abertura, em âmbito interno que, se para os ocidentais é tímida e lenta, em termos de União Soviética é a mais revolucionária que a superpotência oriental já teve em toda a sua história.

Mandou soltar, por exemplo, todos os dissidentes famosos das prisões. Processou um agente da KGB por abuso de poder, pela prisão ilegal de um jornalista, fato inconcebível há somente dois anos. Vem insistindo num acordo para retirar suas tropas do Afeganistão (onde ele não as colocou). E para culminar, mostrou uma flexibilidade que não faz parte do comportamento russo dos últimos setenta anos, ao desvincular a questão dos mísseis de médio alcance na Europa da “guerra nas estrelas”.

Finalmente uma pálida luz de esperança começa a brilhar numa noite de loucura, que caracterizou todo este século. Oxalá ela se amplie e se torne num brilhante sol. Até que enfim a humanidade está prestes a dar um passo à frente, após centenas deles dados à marcha a ré...


(Artigo publicado na página 9, Internacional, do Correio Popular, em 7 de março de 1987)

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O que importa


Pedro J. Bondaczuk


Shakespeare constatava, há já alguns séculos (precisamente quatro), que “nada importa tanto ao homem quanto o próprio homem”. A citação não é literal, mas seu sentido é exatamente este. O que se passa na alma das pessoas e motiva suas ações e reações foi, é e continuará sendo, sempre, o fulcro dos melhores textos já produzidos por escritores de todas as partes e todos os tempos, não importa o gênero que utilizem.

Até o século XIX, os conhecimentos relativos aos pensamentos e sentimentos humanos eram escassos. Romancistas e contistas guiavam-se pela intuição para explicar determinados comportamentos e reações de seus personagens. E criaram obras imorredouras, que até hoje nos encantam e, certamente, irão encantar ainda várias gerações de leitores.

Hoje, nesse aspecto, as coisas estão, paradoxalmente, mais fáceis e mais difíceis. A facilidade está no conhecimento cada vez maior dos pensamentos e sentimentos que movem o homem, dado o avanço de disciplinas como Psicologia, Psiquiatria e Ciência do Comportamento (ou Etologia), além da Antropologia e da Sociologia.

A dificuldade, por seu turno, está, também, justamente nisso. Ou seja, o escritor que não quiser escrever bobagem e pretender criar personagens pelo menos verossímeis, deve ter nem que sejam pálidas noções dessas disciplinas. E parecem, de fato, ter, dada a boa qualidade de inúmeros contos e romances, que parecem mais extensas reportagens, tão reais que são os “atores” dos dramas, tragédias e comédias que inventam e a que dão vida, do que ficção.

Como se vê, o que continua importando, e importará cada vez mais, ao homem é o próprio homem, com sua complexidade, grandeza e, paradoxalmente, vulnerabilidade, pequenez e efemeridade. Não por acaso, os livros classificados como de “auto-ajuda” fazem tamanho sucesso. As pessoas buscam, neles, soluções para seus próprios problemas e contradições. Algumas, talvez encontrem. Outras...

Um tema virtualmente inesgotável, mas nem sempre bem explorado como e quanto deveria ser pelos escritores mundo afora, é o que se refere aos riscos para o Planeta advindos da depredação do meio ambiente feita pelo homem. O mesmo, todavia, não se pode dizer sobre o perigo nuclear. Há uma profusão de ótimos livros a respeito, tanto de ficção quanto de não-ficção e, portanto, quem não está bem informado a propósito não pode culpar a falta de informações, mas a própria ausência de vontade de se informar. Não mencionarei nenhum, especificamente, porque isso se tornaria até redundante.

Em 16 de julho de 1945, às 5 horas, 29 minutos e 45 segundos da manhã, uma bola de fogo gigantesca iluminou os céus de Trinity, localidade desértica do Novo México, erguendo para o espaço um cogumelo de milhares de metros de altura. Os seres humanos, naquele instante fatídico, acabavam de abrir autêntica “Caixa de Pandora”, aquele recipiente que na mitologia antiga guardava, em seu interior, todos os bens e todos os males da Terra. Só que neste caso, havia, somente, malefícios. Em 16 de julho de 1945 era testada, com sucesso, a primeira bomba atômica.

De então a esta parte, muita água rolou por baixo da ponte. Duas cidades foram destruídas em segundos com o uso dessas armas, na maior carnificina já registrada na história contra populações civis. O mundo já esteve “n” vezes na iminência da destruição total, sendo a mais conhecida a do caso dos mísseis soviéticos em Cuba. Há quem jure que naquela oportunidade escapamos da destruição total por míseros dois minutos de reflexão dos presidentes John Kennedy e Nikita Kruschev. A maioria das pessoas, todavia, sequer se deu conta disso.

E hoje, as coisas estão melhores? Absolutamente não! Estão muitíssimo piores e a imprensa silencia a respeito. Por que? Mistério. A possibilidade de uma bomba atômica cair em mãos de grupos terroristas, por exemplo, que não faz muito era considerada remota e até mesmo impossível, hoje em dia é cada vez mais provável. E a causa disso é muito simples. É a proliferação de armamentos nucleares, ou da tecnologia apropriada para a sua fabricação, em países instáveis, localizados no explosivo e problemático Terceiro Mundo.

Quando existia a União Soviética, embora as tensões ideológicas fossem ameaças permanentes à sobrevivência humana, pelo menos era possível de se saber em que mãos estavam as milhares de ogivas, de ambos os lados. Com o fim do império comunista, não se tem mais certeza de nada. Quem herdou o arsenal nuclear da antiga superpotência euro-asiática? Foi a Rússia? As armas foram divididas em outras Repúblicas, onde estavam baseadas? Em caso afirmativo, o responsável (ou responsáveis) por sua guarda merece (ou merecem) confiança?

A verdade é que o que restou da URSS virou, hoje em dia,  autêntico “supermercado” de armas nucleares. Quem chegar a uma dessas Repúblicas com dinheiro vivo na mão, leva. E não pensem que terroristas que eventualmente adquirirem esses artefatos não os utilizarão.

Vocês acham, por exemplo, que pessoas do tipo das que amarram bombas ao próprio corpo para praticarem atentados terroristas relutariam em explodir uma arma nuclear? Claro que não! Tipos como os que seqüestram aviões repletos de passageiros e os lançam contra prédios da cidade mais populosa do mundo pensariam duas vezes para explodir o mundo? Não, não e não.

Portanto, a despeito do silêncio omisso e comprometedor da imprensa a esse propósito, os riscos de ataques nucleares, mesmo que limitados, hoje em dia, são muitíssimos maiores do que no período que ficou conhecido como o de “guerra fria”.

Ademais, mesmo a energia nuclear utilizada para fins pacíficos, tida e havida como inesgotável manancial de progresso e de poder para quem a detém, para a geração de eletricidade, apresenta uma série de problemas de difícil solução, o que parece estar sendo desprezado, em vez de resolvido.

O da destinação dos dejetos não é, entre eles, o de menores proporções. Os diversos países que utilizam, intensivamente, essa fonte energética, como o Japão, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha, a China e a Rússia, entre outros, não sabem o que fazer com esse lixo tão peculiar.

A maioria costuma guardar os resíduos em minas de sal abandonadas. Há quem os coloque em cavernas, que são, posteriormente, hermeticamente lacradas para impedir a radiação. Alguns, ainda, colocam o plutônio, o cobalto, o amerício e sabe-se mais o quê, resultante das diversas reações nucleares, em tambores de chumbo, vedados com grossas camadas de concreto, que são jogados no fundo dos oceanos.

A grande dificuldade apresentada por esses dejetos, todavia, é o período de sua atividade e, portanto, periculosidade. Alguns têm sobrevida ativa de 500 anos, ou seja, meio milênio. E à medida que os reatores atômicos para a geração de eletricidade aumentam no mundo (na França, a energia gerada por usinas desse tipo já representa 63% do total), mais lixo é produzido. E maior fica sendo o problema do que fazer com ele.

A eliminação, pura e simples, como se faz com outros produtos inúteis, é impossível. Ademais, o número de minas de sal abandonadas, ou de cavernas subterrâneas inacessíveis, não é tão grande a ponto de poder comportar uma acumulação indefinida dos resíduos.

Eis, portanto, a verdadeira “Caixa de Pandora”, aberta pelos homens na primeira metade do século passado, que tem causado mais problemas do que vantagens para a humanidade (além daqueles fartamente conhecidos, representados pelas armas nucleares).

É necessário, pois, que se dê atenção aos escritores, que se debruçam com afinco e assiduidade sobre este tema que, por mais que seja explorado, sempre apresenta novos ângulos a explorar, já que a imprensa faz de conta que o perigo sequer existe, quanto mais que é iminente, como de fato é.


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Wednesday, July 27, 2016

LENDAS EXÓTICAS SOBRE A FONTE DA JUVENTUDE

Há uma lenda que diz que a fonte da juventude se encontra (vejam só!) no Ártico. Suas águas misturaram-se às do oceano sem perderem seu poder. Essa versão diz que a pessoa que se banhar nua, em noites de lua cheia, nas águas mornas da parte do Ártico mais próxima do Pólo Norte, se tornará imortal e eternamente jovem. Aviso aos navegantes: a temperatura, ali, pode passar dos 50 graus centígrados abaixo de zero. Você se habilitaria a tomar banho, nu, lá, mesmo assim? Eu é que não! Uma outra versão diz que a fonte da juventude está no oceano (mas não identifica em qual), e numa ilha que não consta em nenhum mapa. Essa outra lenda garante que quem beber a sua água será teletransportado ao passado, ao tempo em que era bebê, retomando a vida desde o princípio. Quando começar a envelhecer, basta tomar novamente o miraculoso líquido para iniciar tudo de novo, quantas vezes quiser. Creiam-me, leitores, não estou brincando com vocês, há pessoas que acreditam em tudo isso!


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Esvaziar a CPI, não



Pedro J. Bondaczuk


As divergências surgidas nos últimos dias na Comissão Parlamentar de Inquérito, que investiga as ações da máfia existente no Congresso para manipular o Orçamento da União, deixaram a opinião pública apreensiva quanto aos resultados dos trabalhos desenvolvidos pelos seus membros.

Embora vários congressistas neguem, o espírito corporativo tende a predominar, tornando inócuas as investigações. Caso isso se confirme, tanto o País quanto o Legislativo perderão preciosa oportunidade para uma fundamental mudança nos viciosos hábitos políticos – consagrados pelo uso virtualmente desde a nossa independência – lesivos ao bem comum.

À CPI, esclareça-se, não cabe papel punitivo, mas simplesmente de apuração dos fatos. Compete reunir provas – documentais e testemunhais (quando for o caso) – que permitam a abertura dos competentes processos. Os deputados e senadores envolvidos nas fraudes somente poderão ser levados à Justiça caso sejam cassados, já que gozam da prerrogativa da imunidade parlamentar.

Aliás, esse dispositivo protetor nos parece amplo em demasia no Brasil. Deverias servir, somente, como garantia de livre expressão dos pensamentos dos congressistas e não parta acobertar, como agora, crimes comuns, consagrando, salvo em raras ocasiões, a impunidade, que é o maior incentivo à impunidade.

Qualquer eventual cassação de mandato, se vier a ocorrer, irá demandar muito tempo. Acontecerá, numa previsão otimista, por volta de abril ou maio, quando as atenções da opinião pública estiverem voltadas para os lançamentos das candidaturas às eleições de 3 de outubro do ano que vem.

Por isso, convém que a imprensa permaneça atenta, crítica e atuante, cobrando sem tréguas não apenas um esclarecimento, mas, sobretudo, uma exemplar punição aos responsáveis por mais esta bandalheira. A instalação dessa CPI, ocorrida com tanto estardalhaço e tamanha divulgação na mídia, apenas será justificada se cumprir os dois objetivos primordiais que lhe são atribuídos: a apuração completa dos fatos, sem nenhuma espécie de vedetismo, protecionismo ou prejulgamento, e a geração de provas, que permitam não apenas punir os culpados, mas, sobretudo, restituir aos cofres públicos os recursos que foram surrupiados por aqueles que colocaram seus mesquinhos e criminosos interesses pessoais acima dos daqueles que lhes conferiram a procuração do voto.    

 (Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 10 de dezembro de 1993)


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Ficção fundamentada na mais estrita realidade

Pedro J. Bondaczuk

Os mistérios de Marselha” é considerado, por boa parte da crítica especializada, como um “livro menor” na monumental obra de Emile Zola. Entendo que é preciso muito cuidado nesse tipo de avaliação. Se a comparação for feita com tudo o que o escritor produziu na sequência, isso faz até certo sentido. Neste caso, estaremos comparando ele com ele mesmo. Porém se compararmos esse livro com obras similares de outros autores, essa classificação é não somente injusta, como denota falta de critério de quem o compara. Li o romance (na edição espanhola, pois não encontrei em lugar algum uma edição em português, que desconfio que nem haja) e fiquei empolgado com ele. Portanto, em qualidade literária, ele não fica nada a dever a nenhum outro.

“Os mistérios de Marselha” foi publicado em 1867, quando Zola tinha 27 anos de idade. Não foi seu primeiro livro. Foi o quinto. Antes dele, o escritor já havia publicado: “Contes à Ninon” (1864), “La confession de Claude” (1865), “Madeleine Férat” (1868) e “Le vœu d'une morte” (1866). Nessa obra, ignorada por tantos que criticam o que sequer conhecem, observe-se, já aparecem todas as virtudes, todas as características que viriam a pautar a carreira literária do “pai do Naturalismo”, sobretudo seu rigor histórico, embora escrevendo ficção. A História se faz presente no citado romance (que muita gente classifica como novela) em duas ocasiões. A primeira é quando Zola se refere à Revolução de 1848. A segunda, ao tratar especificamente da epidemia do cólera que assolou Marselha no ano seguinte, 1849.

Impressiona, reitero, o rigor histórico do escritor, já que ele não testemunhou nenhum dos dois eventos (e nem poderia). Quando da ocorrência do primeiro, por exemplo, Zola tinha apenas oito anos de idade (nasceu em 2 de abril de 1840) e quando aconteceu o segundo, óbvio, tinha um ano a mais. Ademais, não morava em Marselha, mas em Paris. Teve, pois, o cuidado de pesquisar meticulosamente, para que nenhum dado fosse diferente do que realmente aconteceu. Essa se tornou, aliás, característica marcante de seu tão apreciado estilo. O escritor trata da epidemia apenas nos capítulos finais do livro. Ressalta, sobretudo, o comportamento da população marselhesa diante do flagelo. Descreve uma cidade praticamente abandonada por seus habitantes, fugindo dos focos da enfermidade visando se livrar do contágio. Traça, porém, a diferença dessas “fugas”, de acordo com as respectivas classes sociais.

Zola enfatiza que os pobres iam para os campos, onde permaneciam em abrigos improvisados, precários e insalubres ou nem isso, pois que na maioria dos casos tinham por teto somente “as estrelas”. Já os ricos seguiam para luxuosas mansões de veraneio, onde não faltava nada e onde chegavam até a esquecer que Marselha enfrentava devastadora epidemia. Na cidade, propriamente dita, só ficavam os doentes e algumas almas caridosas (poucas) que se encarregavam de tratá-los na tentativa de salvar suas vidas ou para que os moribundos não tivessem mortes mais sofridas do que já teriam, relegados ao abandono. Estavam, nesses casos, muitos médicos (cujo heroísmo Zola destaca) e alguns funcionários públicos, fieis à missão de servir, fossem quais fossem as circunstâncias. Esses aspectos são os que mais me chamaram a atenção nesse livro que merecia muito mais destaque do que o que teve.

Transcrevo este pequeno trecho (com minha tradução que, admito, é um tanto canhestra), que resume o comentário acima. Zola escreve: “(...) Pouco a pouco, Marselha se tornou vazia e desolada. Só ficaram pessoas de valor que combatiam e desprezavam a epidemia. Ficaram elas e os pobres diabos, obrigados a permanecer em seus postos, apesar dos seus temores. Se houve atos de covardia, fugas bruscas de médicos e de funcionários, também houve atos de energia e de dedicação. Desde o princípio, organizações de socorro haviam sido instaladas nos bairros mais afetados e ali homens se dedicavam, dia e noite, em aliviar o sofrimento da população convulsa, morta de medo, que não tinha como fugir da cidade e muito menos para onde ir (...)”.

Ressalta, sobretudo, em “Os mistérios de Marselha” a verossimilhança dos relatos, que batem, rigorosamente, com os registros históricos feitos por historiadores. Afinal, não se pode perder de vista o fato de que o livro é uma obra de ficção, na qual o autor poderia criar o que e como bem quisesse. O fulcro do enredo é uma bela história de amor que, no fim da narrativa, descobrimos que, a despeito do empenho dos personagens, se mostrou “impossível” de ter um final feliz. Mas não farei uma sinopse, uma resenha que seja desse empolgante romance (ou novela, como queiram), pois este não é meu objetivo. Ademais, se o livro vier a ser lançado no Brasil (o que espero que aconteça) não quero ser estraga prazeres e arruinar a surpresa do seu desfecho. Pelo exposto, portanto, contesto a classificação que alguns críticos dão a essa excelente narrativa como sendo “obra menor” de Emile Zola. Quem duvidar do que afirmo, que leia “Os mistérios de Marselha” e tire as próprias conclusões.



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Tuesday, July 26, 2016

LENDA DÁ CONTA DE “ROUBO” DA FONTE DA JUVENTUDE

Uma das narrativas que dão conta da existência da tal da fonte da juventude – a tal que Ponce de Leon nunca descobriu – diz que ela teria sido descoberta na Península Arábica, pelos árabes, obviamente, e, no entanto teria sido roubada por bárbaros (não no sentido que os jovens empregam esta palavra, ou seja, de magnífico, mas no de quem pratica barbáries). Os ladrões desse preciosíssimo bem foram, claro, amaldiçoados. Ninguém abençoa quem nos suprima o que é precioso. Quem os amaldiçoou? Foi o líder da aldeia em que a fonte da juventude havia sido descoberta. Deve ter sido uma maldição daquelas! Os ladrões fugiram de barco, levando esse manancial com eles (só não entendo como alguém poderia transportar uma fonte. Mas como se trata de lenda... tudo é possível). Em alto mar, como conseqüência da maldição (maldiçãozona!), a embarcação afundou, matando os fugitivos. Desde então, há quem acredite que esse miraculoso manancial, por não ser natural e conter águas muito puras, não foi contaminado pelo mar. Flutua no oceano e um dia irá bater em alguma praia (se é que ainda não bateu). Sequer me admiro que haja quem acredite em absurdo como este. Afinal, se acreditam em Papai Noel, coelhinho da Páscoa e nos políticos de Brasília, por que não haveriam de acreditar nisso também?!


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Mar de muitos perigos


Pedro J. Bondaczuk


O ataque realizado na noite de domingo, por parte de aviões de guerra do Iraque, contra uma fragata norte-americana, embora não fosse um fato desejado por ninguém, era há muito esperado. A União Soviética já foi atingida por duas vezes na região do Golfo Pérsico nos últimos dez dias, embora não tenha se manifestado a respeito, preferindo se fechar num enigmático mutismo, bem ao feitio do Cremlin.

Outros países tiveram até menos sorte. Perderam uma grande quantidade de superpetroleiros, que não é das embarcações mais baratas (todos sabem), mas não reagiram militarmente (foram 240 as embarcações atacadas), por não serem superpotências.

A situação, neste aspecto, ficou de tal sorte insustentável, desde 1984, quando os dois inimigos da região começaram a adotar essa prática contra o patrimônio alheio, que o Kuwait foi obrigado a recorrer à União Soviética e aos Estados Unidos, simultaneamente, para pôr um paradeiro nisso.

Aos russos, o líder desse país pediu escolta militar para seus barcos que navegam nessas traiçoeiras águas, que se não estão infestadas de tubarões, têm algo pior: lanchas portadoras de mísseis e caças ultramodernos, dotados dos eficientíssimos Exocets, de fabricação francesa, cuja eficácia havia ficado sobejamente demonstrada durante a guerra das Malvinas, de 1982.

Aos norte-americanos, a solicitação foi até mais ampla e abrangente. Solicitou-se que Tio Sam adotasse, sob sua bandeira, a totalidade da frota mercante kuwaitiana, constituída por 21 embarcações. Como se vê, o conflito do Golfo, que até pouco tempo atrás era insuflado pelas superpotências, enquanto se encontrava na mera fase de desgaste mútuo, hoje as atinge diretamente: na condição de guardiãs das monarquias moderadas da região, que são um fator de equilíbrio numa zona tão tensa e importante do ponto de vista estratégico, por ser a veia jugular energética do Ocidente. E, agora, com os últimos acontecimentos, podendo envolver, militarmente, os dois lados na confrontação.

Muita gente acredita, equivocadamente, que as posições e interesses de soviéticos e norte-americanos no Golfo Pérsico sejam convergentes. O ex-secretário de Estado Henry Kissinger, no entanto, num artigo publicado na revista “Le Point”, intitulado “Os Riscos de uma Vitória” (reproduzido na íntegra pelo jornal “O Estado de São Paulo” em sua edição de 13 de março de 1985), assinalou, com meridiana clareza, ponde reside a diferença de objetivos entre cada uma das superpotências.

Aos russos, interessa uma vitória iraquiana por duplo motivo. O primeiro é que o Partido Baath, no poder, ao qual pertence o presidente do Iraque, general Saddam Hussein (de idêntica ideologia que o seu homônimo da Síria, embora Damasco e Bagdá estejam, atualmente, às turras), é de linha marxista, afinado com Moscou.

O segundo é que, com um Irã desarrumado e caótico, ficam mais viáveis as pretensões do Cremlin de conseguir realizar um sonho acalentado desde o tempo dos czares: o acesso aos mares quentes do Sul. Além do que, o regime dos aiatolás iranianos é um dos grandes mantenedores da guerrilha afegã. Vai daí...

Já os interesses dos Estados Unidos e, por conseqüência, dos países ocidentais, foram definidos numa só frase do mencionado artigo de Kissinger: “O objetivo do Ocidente deve ser o de impedir a derrota do Iraque, mas evitando que o Irã saia da guerra exaurido e desorganizado”.

Certamente por causa desse objetivo Reagan deve ter aceitado vender armas à República Islâmica, para que esta pudesse reequilibrar as ações que lhe eram desfavoráveis. Só que, no entender de muitos estrategistas, a Casa Branca errou na dose. E ao invés de restabelecer o equilíbrio na guerra, fez os pratos da balança penderem para o lado de Teerã.

Doravante, com o conflito saindo totalmente da linha, é possível que as superpotências façam valer, finalmente, a sua força. E que acabem, no grito, com essa guerra cruel, estúpida e imoral, como, aliás, são todas as conflagrações dessa espécie, ocorram onde ocorrerem.

(Artigo publicado na página 14, Internacional, do Correio Popular, em 19 de maio de 1987).


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Escritor que sacrificou a vida pela justiça


Pedro J. Bondasczuk

Emile Zola é uma das figuras maiúsculas da Literatura, e não somente a francesa, mas mundial. Faz jus a essa avaliação principalmente por seu talento (óbvio), mas também por sua generosidade e seu senso de solidariedade (que levou ás últimas conseqüências). Afinal, raras celebridades arriscam seu prestígio (não importa de que tamanho e conquistado por qual razão) como ele fez em relação ao capitão de origem judia, Alfred Dreyfus, expulso do Exército francês e enviado à terrível prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, acusado de traição, por supostamente haver espionado em favor da Alemanha. Mas não espionou. Todo o processo contra esse até então obscuro oficial foi uma baita armação – com testemunhos falsos, “provas” plantadas e outras tantas mutretas – motivada pelo mais escrachado e vil preconceito. Todos, na França, se calaram diante dessa tremenda injustiça. Aliás, todos não. Emile Zola não se calou.

Ele bem que poderia ter ficado à margem do debate sobre a suposta culpabilidade de Dreyfus, que não era seu parente e nem mesmo amigo. Não tinha, portanto, nenhuma espécie de vínculo com o militar e muito menos qualquer interesse pessoal. Ninguém o condenaria caso não se metesse na questão, que não lhe dizia respeito. Mas a injustiça cometida causava-lhe náusea. E Zola não conseguiu conter sua indignação. Batalhou, com as armas que tinha – a precisão do seu texto e a clara exposição de argumentos inatacáveis – para que a verdade viesse á tona e o absurdo erro judiciário fosse reparado. Em 1898, escreveu, e publicou em jornais e revistas, uma série de artigos, com fatos sonegados da justiça e com argumentação sólida e inquestionável, comprovando, por a + b, a inocência do infeliz condenado. O mais, contundente e detalhado foi o famoso “J’acuse”, com o subtítulo “Carta a Felix Faure” (o então presidente da França), publicado no jornal literário “Aurore”.

Esse texto era tão incisivo que provocou uma reviravolta completa no caso e levou à revisão do processo, dando-lhe nova dimensão, resultando não só na libertação de Alfred Dreyfus, mas, sobretudo, anos depois, em 1906, quando Zola já estava morto, na completa reabilitação do oficial. Já o escritor... teve uma série de contratempos por sua ousadia e generosidade. Após a publicação de J'accuse, por exemplo, foi processado por difamação e condenado a um ano de prisão. É certo que não foi parar atrás das grades. Ao saber da condenação, Zola, prudentemente, partiu para o exílio na Inglaterra. Após seu regresso, quando já não corria o risco de ser preso dada a evolução positiva do processo, publicou, no "La Vérité en marche", vários artigos sobre o caso.

Mas tudo indica que pagou com a própria vida por seu amor à justiça e por sua ousadia em desafiar os poderosos e defender com paixão suas convicções. Há fartos indícios de que foi assassinado, embora as investigações sobre sua morte não tenham chegado a nenhuma conclusão. Em 29 de Setembro de 1902, Emile Zola morreu misteriosamente em seu apartamento da rue de Bruxelles. Causa da morte: inalação de uma quantidade letal de monóxido de carbono proveniente de uma chaminé defeituosa. Ora, ora, ora... Não lhe parece, astuto leitor, uma “armação”, digna de figurar em alguma das tantas histórias de espionagem, quando grupos e pessoas poderosos querem se livrar de adversários incômodos, sem deixar vestígios? Ninguém me convence que a morte de Zola foi acidental. Estou, isto sim, convencidíssimo, mesmo sem nenhuma prova concreta, que o escritor foi assassinado por poderosos inimigos políticos que desafiou, e de certa forma humilhou, sobretudo a alta cúpula militar.

Apesar do seu apaixonado e vigoroso ativismo político, sou admirador, principalmente, da sua intensa, competente e sumamente criativa ação literária. Emile Zola é um dos meus paradigmas, dos meus referenciais, dos modelos que tento humildemente seguir, desde que, há cinquenta e tantos anos, li seu primeiro romance. E não deixei de lê-lo nunca mais. Deliciei-me, e aprendi demais, em especial com a série “Os Rougon-Macquart”, constituída de vinte novelas, que considero um clássico da literatura de todos os tempos. Fascinam-me, em especial, aquelas que considero suas principais características (literárias e de personalidade): indignação com as injustiças, críticas acerbas às diferenças entre as várias classes sociais e a utilização da História como pano de fundo para seus enredos, muitos dos quais belos casos de amor.

Anos atrás, escrevi um ensaio sobre Emile Zola em que destaquei o fato dele utilizar recursos jornalísticos para escrever ficção, o que parece paradoxal e incompatível, mas que o escritor naturalista (é considerado o “pai do Naturalismo”) conseguiu, habilmente, viabilizar. Essa façanha impressionou-me tanto, que intitulei o referido texto de “O repórter do imaginário”. Li, praticamente, tudo o que escreveu (muitos de sua quase centena de livros li no original, em francês, por não haverem sido publicados no Brasil) e não há um único que eu não tenha gostado ou feito qualquer restrição. Zola também tratou de uma epidemia, de cólera, no seu pouco conhecido livro “Os mistérios de Marselha”, obra que escreveu na juventude e que foi uma espécie de ensaio para a monumental produção que viria a empreender anos depois. Tratarei, no entanto, desse romance nos próximos comentários.


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