Friday, May 27, 2016

AMIZADE É MAL COMPREENDIDA

A amizade é um fenômeno mal-compreendido e, por isso, gera inúmeros equívocos e decepções. Muitos, por exemplo, que acham que têm “um milhão de amigos”, não raro não têm nenhum. Outros tantos, que julgam não contar com nenhum, os têm em profusão. Esse sentimento benigno é, e deve ser sempre, absolutamente espontâneo. Não se prende a qualquer compromisso, regra ou obrigação. Nasce à nossa revelia, como o sol num dia de céu azul de primavera, como as chuvas de verão, como as quatro estações do ano e assim por diante. E quando acaba, o faz da mesma forma. Ou seja, espontaneamente, de mansinho, sem nenhum alarde ou drama e sem deixar ressentimentos no seu rastro. Não somos amigos de alguém porque o escolhemos ou porque desejemos isso. E a recíproca, claro, é verdadeira. Não se trata de ato de vontade, de escolha, de apuração, em outra pessoa, de virtudes que julguemos que ela possua (e que raramente, de fato, tem).


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Repúdio é da maioria


Pedro J. Bondaczuk


O episódio da liberação do excesso de bagagem da delegação brasileira, que voltou dos Estados Unidos trazendo o tetra, na Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio, sem o pagamento dos impostos devidos, embora tenha em si um fato negativo, apresenta, também, um lado bom.

As reações, por parte de vários setores da sociedade, de repúdio a essa atitude e de aplausos à coragem e ao brio do secretário da Receita Federal, Osíris Lopes Filho, são fatos que não se pode desprezar. Na sexta-feira, o "DataFolha" divulgou uma pesquisa dando conta de que em torno de 79% dos paulistanos condenaram a isenção de tributos aos jogadores, responsável por um prejuízo de US$ 1 milhão aos cofres públicos.

Esse fato mostra que os tempos mudaram e que o brasileiro sabe distinguir muito bem as coisas. Acertaram os analistas que previram que, desta vez, ao contrário do que aconteceu em Copas anteriores, a população, em sua grande maioria, não se deixaria levar pela euforia para ser manipulada de novo pelos políticos e por demagogos.

Tudo bem, o Brasil conquistou o tetracampeonato, tão sonhado e ambicionado. Mas esse feito não coloca seus autores acima da lei. Até porque, não foi apenas o futebol que se encheu de glórias. O saudoso piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna, conquistou três campeonatos, mas nunca se soube que tenha tentado entrar com contrabando no País. E muito menos que haja feito chantagem, para que as autoridades fizessem vistas grossas a este tipo de irregularidade ou a outro qualquer.

O mesmo vale para Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi, no automobilismo, ou para a seleção de vôlei masculino, medalha de ouro nas Olimpíadas e campeã da Liga Mundial, ou para o basquete feminino, que antes da Copa dos Estados Unidos havia obtido, brilhantemente, um título inédito e heróico na Austrália.

Em situações como esta, é preciso "dar nome aos bois", como diz o povo. Osíris, em entrevista dada na sexta-feira (22 de julho de 1994), responsabilizou diretamente o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, pelo desembaraço ilegal da bagagem.

Péssimo exemplo para quem aspira à presidência da Fifa, em 1998, em substituição ao sogro. O ex-secretário garante que "os jogadores foram usados pelos cartolas para fazer entrar no Brasil produtos importados sem passar pela Alfândega".

Até concordamos que tenha ocorrido isso. Mas faltou personalidade ao grupo. Não foram eles que disseram, ainda em Los Angeles, que as autoridades não deveriam usar essa conquista para camuflar os problemas brasileiros, como a fome, a violência e o desemprego?

Faltou um líder entre os craques que tomasse a frente dos demais e desse o exemplo, pagando o imposto devido. Osíris ressaltou que, como todo brasileiro, estava feliz com o tetra. Mas que a mesma lei, que valia para os "mortais comuns", foi feita para os "deuses" (mesmo que com pés de barro, acrescentaríamos).

O excesso de bagagem deveria pertencer, mesmo, à comitiva, pois como argumentou o secretário, "a maioria dos jogadores mora no Exterior e não teria necessidade de fazer compras". Será que nos países onde jogam conseguiriam essa liberação "por baixo do pano"? Afinal, alguns deles são campeões nacionais pelos clubes que defendem. Por que haveria o Brasil de permitir?

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 25 de julho de 1994).


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Quando catástrofes revelam quem as pessoas de fato são

Pedro J. Bondaczuk

O escritor dinamarquês Jens Peter Jacobsen faz impressionante relato de como, no seu entender, se comportam as pessoas de determinada comunidade se atingida por súbita catástrofe de causas desconhecidas, que faça, sucessivamente, quantidade imensa de vítimas, sem que ninguém tenha solução minimamente viável para deter suas conseqüências. Aborda, no romance “A peste em Bergamo”, uma hipotética epidemia dessa doença, incontrolável e selvagem, causando pânico entre os habitantes da localidade. E traz à baila três tipos principais de reações.

De um lado, apresenta os místicos, os crédulos, os verdadeiros fieis, que acreditam, sem titubear, que a mortal doença seja “castigo divino”, por causa dos pecados e da corrupção dos moradores da cidade, mas que crêem que o arrependimento seja o caminho sensato a seguir. Estes entendem que a reconciliação com Deus seja a única maneira de conter a evolução da peste bubônica, mediante rezas, jejuns, promessas, sacrifícios e até mesmo autoflagelação, entre outros rituais religiosos.

Jacobsen aponta um segundo grupo, que também acredita que a causa se trate de castigo, mas que não enxerga nenhuma saída, não vislumbra a mais remota possibilidade do perdão divino. Por isso, em vez de arrepender-se, rebela-se contra o que entende ser “vingança injusta” e despropositada da divindade. Seus integrantes, renunciando a fé, concluem serem inúteis todos os rituais indicados pelas autoridades eclesiásticas. E, em vez de se arrependerem, se voltam contra tudo o que lembre religião, por julgarem ser inútil. Sem vislumbrar nenhuma saída que o livre da fatalidade, esse grupo entrega-se à violência e a ações ditadas exclusivamente pelos mais primitivos instintos, incapazes de raciocinar com um mínimo de bom senso, tomado pelo pânico.

Finalmente, Jacobsen apresenta uma terceira facção, a absolutamente cética, que não acredita e jamais acreditou (antes mesmo do surgimento da epidemia) sequer na existência de Deus. Sem vislumbrar qualquer possibilidade de ser poupada da morte, busca satisfazer todas as fantasias, vícios e desejos, mesmo os mais secretos e condenáveis, enquanto pode, sem freios de quaisquer espécies e sem medir conseqüências. Essas pessoas sentem-se condenadas, sem chances de escapar e, portanto, entendem que não há pior punição do que a morte, e que esta, estão convictas, ser certa. Vai daí... O enredo imaginado por Jacobsen suscita, principalmente, reflexões sobre a fragilidade das convicções de determinadas pessoas e sobre como catástrofes tendem a revelar seu verdadeiro caráter. Tais indivíduos, observe-se, em condições normais, quase sempre aparentam ser sóbrios e equilibrados, dotados de sólidos princípios éticos e morais e de bom senso, mas, em face do perigo, mostram sua real natureza corrupta.

O escritor dinamarquês escreve, à certa altura: “(...) Um dia, quando já não se sabia o que fazer, do balcão da Prefeitura, em meio aos sons das trombetas e das buzinas, a Santa Virgem foi proclamada prefeita da cidade, agora e para sempre. Mas isso não serviu para nada. Não havia coisa alguma que pudesse servir naquelas circunstâncias. E quando as pessoas se deram conta e quando cresceu a crença de que o céu não queria ou não podia ajudá-las, elas abaixaram os braços que haviam erguido para saudar a Virgem, dizendo ‘deixemos chegar o que tem que chegar’. Pareceu que o pecado coletivo brotou de repente de um mal estar secreto e clandestino, até converter-se numa horrorosa, raivosa praga espiritual que, paralela ao contágio físico, matava a alma, enquanto a doença devastava o corpo, tão incríveis eram suas ações e enorme a sua depravação (...)”.

Como se vê, a fé dessa gente era somente formal. Diluía-se com a rapidez de um raio, com incrível facilidade, tão logo posta à prova. E Jacobsen prossegue em sua dramática descrição de como imaginava que seria na prática uma situação como a que propôs em sua novela: “(...) O ar encheu-se de blasfêmias e de impiedade, com os gemidos dos glutões e os uivos dos embriagados. A noite mais selvagem não escondia maior corrupção que a praticada em plena luz do dia (...)”.


Por que Jens Peter Jacobsen escolheu especificamente Bergamo, cidadezinha medieval italiana, a cerca de 50 minutos de carro de Milão, para cenário da sua história? Provavelmente porque ela foi palco, entre os anos de 1629 e 1630, de grave epidemia de peste bubônica e ele sabia disso. “Mas sua população reagiu da forma como o escritor dinamarquês descreveu?”, perguntaria o leitor. Alguns, provavelmente, sim. Talvez – e isso é suposição minha, sem nenhuma base em qualquer fonte – o que motivou o autor dinamarquês a optar por essa cidadezinha italiana pode ter sido o fato da população local haver escolhido, por unanimidade, a Virgem Maria como sua prefeita perpétua para protegê-la da peste. Como não a protegeu... Bergamo conta, até os dias de hoje, entre seus preciosos monumentos históricos, com uma suntuosa catedral em homenagem à sua padroeira: a Basílica de Santa Maria Maggiore, ponto turístico que atrai, anualmente, visitantes do mundo todo.

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Thursday, May 26, 2016

TEMOR PELO JULGAMENTO DA POSTERIDADE

Platão escreveu, em determinado trecho do livro “Fedro”: “As obras de um pintor mostram-se a nós como se estivessem vivas; mas, se as questionarmos, elas mantêm o mais altivo silêncio. O mesmo se dá com as palavras escritas: parecem falar conosco como se fossem inteligentes, mas, se lhes perguntamos qualquer coisa com respeito ao que dizem, por desejarmos ser instruídos, elas continuam para sempre a nos dizer exatamente a mesma coisa”. Você já pensou nisso alguma vez? Não?! Eu sim! Penso, e me aflijo, a todo o momento com os possíveis efeitos e com o destino do que escrevo. Até porque, fiz desse ato, de extrema responsabilidade, mais do que trivial forma de comunicação, mas profissão, ofício, empreendimento e minha forma de ganhar o pão nosso de cada dia. Temo, no entanto, pelo julgamento, por parte da posteridade, do que escrevo, principalmente quando não estiver mais entre os vivos para me explicar, justificar ou retificar o que escrevi, quando for o caso.

***

EM QUE MÃOS NOSSOS TEXTOS PODEM CAIR?

Platão escreveu: “Uma vez que algo foi escrito, a composição, seja qual for, espalha-se por toda a parte, caindo em mãos não só dos que a compreendem, mas também dos que não têm relação alguma com ela; não sabe como se dirigir às pessoas certas e não se dirigir às erradas. E, quando é maltratada ou injustamente ultrajada, precisa sempre que o seu pai lhe venha em socorro, sendo incapaz de se defender ou de cuidar de si própria”. Entenderam as colocações de Platão? Têm certeza de que ele, de fato, escreveu o que vocês entenderam? Pois o cuidado que o filósofo teve, ao expor suas idéias (aliás, neste caso, as do seu mestre Sócrates) com tamanha clareza e simplicidade, é o mesmo que devemos ter na redação de um romance, um conto, uma crônica, uma reportagem ou, até mesmo, um reles bilhete. Por que? Porque não temos a mínima certeza sobre em que mãos esses textos irão cair. Se houver algum equívoco, ou dubiedade, ou imprecisão, ou impropriedade, não haverá nenhuma forma, por mínima que seja, de se defender ou de se explicar. Porquanto a palavra, a despeito de todo o seu tremendo poder, pelo menos neste caso, é absolutamente indefesa.


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Irã recupera parte da influência


Pedro J. Bondaczuk


O resultado da guerra do Golfo Pérsico, com a esmagadora derrota iraquiana, mas com a permanência de Saddam Hussein no poder, no Iraque, fechou um ciclo nessa região, iniciado com a queda do regime do xá Rheza Pahlevi, no Irã. Ao cabo desses 12 anos, de fevereiro de 1979 a fevereiro de 1991, repletos de violência numa zona tão importante quanto essa, tida e havida como a veia jugular do Ocidente, em termos de abastecimento de petróleo, os iranianos, baixada a poeira de sua ruidosa e assustadora revolução, recuperaram, pelo menos parte, de sua antiga projeção.

Hoje, evidentemente, já não há mais o aiatolá Ruhollah Khomeini, prometendo incendiar a área e o mundo com o seu radicalismo, que se provou ser mais retórico do que prático. O Irã, evidentemente, está longe de exercer o papel que lhe coube até 1978, de "gendarme do Golfo Pérsico".

Mas a postura adotada pelo presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, desde a invasão iraquiana ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, até o fim da operação "Tempestade no Deserto", e os acontecimentos supervenientes, restituíram a Teerã muito do seu peso anterior, na equilíbrio da região.

Há, agora, o risco da balança pender excessivamente a seu favor, caso os xiitas do Iraque --- que são maioria nesse país, embora o poder tenha sido sempre dos sunitas --- logrem sucesso na rebelião que estão esboçando no sul iraquiano, mais notadamente na cidade de Basra (conhecida secularmente com o nome árabe de Bassora) e seu líder, Mohammed Al-Hakim, venha a substituir Saddam Hussein.

Caso este venha a ser o novo quadro político do pós-guerra, estará configurada mais uma ironia histórica. Durante os oito anos do conflito anterior, registrado no Golfo Pérsico, o Ocidente empenhou-se pelo enfraquecimento das duas únicas Repúblicas da área que ameaçavam as seis monarquias regionais.

Ostensivamente ou nos bastidores, as principais potências ocidentais armaram ambos os lados para que eles se destruíssem mutuamente. Inclusive os Estados Unidos agiram assim.

Recorde-se o rumoroso escândalo "Irã-contras", de fornecimento de armas norte-americanas ao regime dos aiatolás, quando isto estava proibido por lei do Congresso. A tática falhou.

Por mais estranho que pareça, Washington, Londres, Paris e outros governos que têm interesse nessa zona tão sensível, ficarão agora muito melhor servidos com um Saddam Hussein enfraquecido governando o Iraque --- que não tem dinheiro sequer para iniciar sua reconstrução --- do que com a ascensão de Hakim. Esse dirigente xiita está asilado há tempos em Teerã e comunga dos mesmos objetivos dos aiatolás iranianos.

Uma dessas metas é certamente a derrubada das monarquias do Golfo. Ao guerra, ao invés de reequilibrar a balança regional, desequilibrou-a por completo. Será preciso muito tato e muita visão de futuro dos diplomatas para que a jugular do petróleo ocidental não seja envenenada por fanatismos inconseqüentes através da exportação de revoluções.

(Artigo publicado na página 16, Internacional, do Correio Popular, em 5 de março de 1991).


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Renúncia da fé por causa de epidemia


Pedro J. Bondaczuk

O escritor dinamarquês do século XIX, Jens Peter Jacobsen (nascido em 7 de abril de 1847 na cidade de Thisted), traz à baila, no livro “A peste em Bergamo”, um aspecto totalmente diferente de outros tantos autores que escreveram sobre as várias epidemias dessa doença que atingiram, em diversas ocasiões, múltiplas regiões do mundo (praticamente todos os continentes, à exceção da Oceania). Tratou da questão sob o aspecto da renúncia da fé por parte de parcela expressiva da população da localidade atingida (no seu caso, a citada cidade italiana). Esse abandono da religião se dá, segundo ele, quando as pessoas constatam que “o céu” não quer (ou não pode) fazer nada para livrá-las de uma morte praticamente certa, em meio a horríveis sofrimentos. Observe-se que no tempo em que o escritor escreveu essa obra, a verdadeira causa do flagelo era absolutamente desconhecida. Havia quase que consenso de que o mal era “castigo divino” pelos “pecados” dos indivíduos ameaçados e, sobretudo, atingidos.

O livro de Jacobsen foi escrito em 1881. Portanto, treze anos antes que o bacteriologista francês, Alexander Yersin, identificasse e isolasse o bacilo causador da peste bubônica. Observe-se que a epidemia de que ele trata nunca aconteceu. Sua obra é absolutamente de ficção, posto que baseada em pesquisas de casos reais. É possível (e mais, eu diria que não somente é provável, mas até mesmo que é certo) que aquilo que Jacobsen tratou ficcionalmente, ocorreu de fato, e em mais de um lugar. A reação das pessoas em pânico, sobretudo em desespero, são razoavelmente previsíveis. Por exemplo, como o leitor acha que pelo menos parte considerável dos habitantes da Terra reagiria caso soubesse que o Planeta seria destruído por algum cataclismo cósmico no dia seguinte, que eliminaria todo e qualquer vestígio de vida neste nosso lar cósmico?

Muitos (é impossível de estimar quantos), provavelmente recorreriam, de fato, às suas crenças religiosas, tentando garantir uma “vida futura”, posto que espiritual, que suas crenças apregoam que exista para os crentes. Mas duvido que “todos” agiriam assim. Questiono, até, se esta seria a reação da maioria. Muitos, com toda a certeza, descrentes empedernidos da existência de uma “vida após a morte”, tentariam aproveitar ao máximo o tempo que lhes restasse, buscando satisfazer suas fantasias e desejos, brindando os sentidos com muita comida, muita bebida, sexo á vontade etc.etc.etc. enquanto estivessem vivos. Este é o cenário que Jens Peter Jacobsen pinta em “A peste em Bergamo”, assolada por hipotética epidemia. O escritor retrata multidões tomadas pelo que classifica de “peste interior”, ou seja, de um ceticismo absoluto e das rupturas de todos os laços éticos e morais r religiosos que eventualmente tivessem.

Ao constatarem que não receberiam nenhuma ajuda divina, seus personagens descrêem na existência de um deus. E dão livre curso a todos os seus vícios e aberrações. Blasfemam, entregam-se a prazeres proibidos, à magia negra, ao egoísmo sem limites, na base do “cada um por si” e à incontrolável violência. Uma das primeiras atitudes que adotam  é a de zombar dos penitentes, dos crentes com suas procissões, súplicas, promessas, jejuns e autoflagelações.

Jacobsen, embora pouco conhecido no Brasil, é um escritor consagradíssimo na Europa, e não somente em sua Dinamarca natal (mas principalmente nela). Foi um sujeito de vida curta (morreu em 30 de abril de 1885), aos 38 anos de idade, vítima de tuberculose. Todavia, é considerado, até hoje, o precursor da literatura realista dinamarquesa. Sua influência foi enorme não somente nas letras do seu país, mas principalmente nas de língua germânica. Para que o leitor tenha uma idéia de sua importância, basta citar que influenciou escritores do porte de Thomas Mann e de Rainer-Marie Rilke.

Outro dos seus feitos foi a tradução, para o dinamarquês, de “A origem das espécies” e da “Seleção em relação ao sexo”, as duas obras fundamentais do naturalista inglês Charles Darwin. Além de escritor, Jacobsen foi eminente botânico, premiado com a medalha de ouro pela Academia Dinamarquesa de Ciências. Uma de suas teses mais polêmicas foi a da defesa da liberdade sexual feminina, numa época em que isso soava a heresia. Era ateu convicto. Contraiu a tuberculose por volta de 1870 e passou os quinze últimos anos de vida, quase metade do tempo que viveu portanto, lutando contra a doença que, todavia, não o impediu de trabalhar. Sua obra literária é escassa, posto que de conteúdo relevante. Consiste, além de dois romances, de algumas narrativas breves e de centenas de poemas.          


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Tuesday, May 24, 2016

PALAVRA ESCRITA COMPORTA AVALIAÇÕES À NOSSA REVELIA


Alguém pode lhe assegurar que – a menos que sua redação seja rasgada e incinerada na sua frente – ela não vá cair, digamos, daqui a duzentos anos, em mãos “profanas”, ou de alguma especialista em literatura, que a analisará meticulosamente como se fosse uma peça literária e concluirá que suas palavras são paupérrimas, piegas, tolas e sem sentido? Claro que não! E você, que as escreveu, não terá a menor condição de se defender e nem de se explicar. Ou, pensando do lado positivo, há quem lhe possa assegurar que essa hipotética erudita em Letras citada não encontrará, no que você escreveu, a genialidade, a clareza, a correção e a perícia que as pessoas da sua geração (que eventualmente leram seu texto) não encontraram e que sequer era sua intenção de manifestar? Todas essas considerações, embora pareçam novidades a muitos, não são novas. Sequer são minhas e nem mesmo são originais. Foram feitas na Grécia Antiga, séculos antes do nascimento de Cristo (e mais de três milênios antes de eu nascer), por ninguém menos do que Platão. Ficou surpreso, meu fiel e paciente leitor? Pois é.

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Reagan assume responsabilidade por escândalo



Pedro J. Bondaczuk


O presidente norte-americano Ronald Reagan, no discurso que pronunciou ontem, no Salão Oval da Casa Branca, em que abordou o escândalo Irã-contras, tentou passar uma borracha nesse lamentável episódio, se dizendo o único responsável pelos eventuais erros de seus subordinados, perante a população do país. Deu a entender que tanto os congressistas, quanto a opinião pública, devem esquecer casos passados, mesmo os que, como este, comprometeram a segurança nacional, para voltarem as vistas somente para o futuro. Ou seja, para os 17 meses que ainda restam da sua administração.

O presidente fez um “mea culpa” bastante político, atribuindo a sua omissão dobre venda de armas ao Irã e a transferência dos fundos assim obtidos para os “contras” da Nicarágua (quando essa ajuda estava expressamente proibida por lei) ao excesso de zelo dos seus auxiliares.

Certamente, Reagan não convenceu ninguém com o pronunciamento. É bem possível que o escândalo, dentro de mais alguns dias, passe, de fato, para o esquecimento, superado que será, com certeza, por novos acontecimentos e de maior relevância. Mas a mancha em sua gestão permanecerá. Ficará, sempre, a dúvida sobre se o presidente disse ou não a verdade (ou, pelo menos, toda ela) sobre esse episódio.

Dentro de cinco meses, Reagan passará a ser figura secundária na política norte-americana. Não porque sua administração não tenha sido das melhores (e nem se afirma que foi), mas por causa do início da corrida sucessória, da qual não irá participar, de forma direta, pois não pode se reeleger para um terceiro mandato, o que a Constituição lhe veda.  

O que os partidários do presidente temem é que as circunstâncias e a sua atuação no chamado “Irangate” venham a desgastar o Partido Republicano e prejudicar o candidato que este escolher, qualquer que seja o seu perfil ideológico ou o seu programa, para concorrer à sua sucessão.

O eleitor costuma, via de regra, fazer esse tipo de associação. Agiu assim, por exemplo, em relação a Gerald Ford, prejudicado, na sua competição com Jimmy Carter, em 1976, pelo escândalo Watergate, protagonizado pelo republicano Richard Nixon. Repetiu a dose com Walter Mondale, estigmatizado pela péssima administração do último presidente democrata.

A menos que Reagan tenha algum eventual coelho para tirar da cartola, é bem provável que venha a afetar, negativamente, o Partido Republicano, que corre o risco de ter que amargar o ostracismo temporário de, no mínimo, quatro anos.     

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 13 de agosto de 1987)


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A peste bubônica é doença do passado?


Pedro J. Bondaczuk

A peste bubônica é, disparadamente a doença que mais mortes causou ao longo de milênios (não se sabe quantos) e cujo agente causador sempre esteve e (ainda) está presente em todos os continentes da Terra, à exceção da Oceania, Todavia, infelizmente, não pode e nem deve ser considerada coisa do passado. Isso, a despeito de toda a evolução da Medicina e das ciências correlatas (Biologia, Citologia, Virologia etc.etc.etc.) verificadas neste início do século XXI.

Por que afirmo isso com tamanha convicção, quando se sabe que há, inclusive, vacinas “quase” 100% eficientes para prevenir sua ocorrência? Por uma série de razões. Uma delas, talvez a principal, é o fato de existirem cepas resistentes a todas as formas de prevenção e de tratamento  conhecidas. Por conseqüência, nesses casos, os imunizantes são absolutamente ineficazes. O jeito é cuidar de evitar a proliferação de ratos negros, portadores da pulga transmissora da bactéria que causa a peste. E esta não é tarefa fácil, como possa parecer aos desavisados.

Embora a imprensa não divulgue, quem acompanha o noticiário da Organização Mundial de Saúde pode constatar que esse órgão da ONU registra milhares e milhares de novos casos da doença a cada ano. É certo que a mortalidade não é nem de longe parecida com o que ocorria até o finzinho do século XIX quando se deram duas descobertas fundamentais para evitar as sucessivas epidemias e até mortais e avassaladoras pandemias.

O primeiro grande feito da ciência, no que se refere à doença, se deu em 1894. A façanha coube ao bacteriologista francês, Alexander Yersin. Foi ele que descobriu o bacilo causador da peste negra, que logrou isolar. Esse agente patogênico foi “batizado” com o nome de “Yersinia Pestis” em homenagem ao sdeu descobridor.

Tratou-se, sem dúvida, de um passo importante para combater o flagelo que tanto mal causou à nossa espécie, mas não era, ainda, sequer a solução parcial do problema. Faltava determinar o principal: como essa bactéria era transmitida ao homem. Era pelo ar? Era pela água? Era por algum alimento? Não se sabia. Isso só ficou claro quatro anos depois, em 1898.     Foi quando outro francês, Paul-Louis Simond, demonstrou que a bactéria causadora da peste era transmitida às pessoas pela pulga que infesta, que parasita ratos negros, cuja taxa de natalidade é simplesmente explosiva, sobretudo em regiões com fartura de bambus (notadamente em vastas regiões da Ásia, mas não só nelas) de cujas raízes os assustadoramente prolíficos roedores se alimentam.

O conhecimento do seu agente patogênico e do vetor responsável por sua transmissão não é nenhuma garantia de que a humanidade, finalmente, ficou livre desse flagelo. Se assim fosse, o Brasil não estaria encarando a epidemia, por exemplo, da dengue, que já dura mais de vinte anos, com manifestação crescente de ano para ano. Afinal, conhecem-se os vírus que produzem tanto essa doença, quanto a chikongunia e o zika. Sabe-se que todos eles são transmitidos pelo mosquito Aedes Aegypti (tão prolífico quanto o rato negro). Mas, até aqui, os agentes sanitários têm se mostrado absolutamente impotentes para acabar, ou pelo menos para controlar em níveis bastante baixos, esses males. O mesmo ocorre, posto que pouco divulgado, com a peste, através do mundo. Se não forem seguidas estritas normas de higiene, essa doença (e também, claro, a dengue, a chikongunia e o zika) continuarão a ameaçar a humanidade. Exagero? Antes fosse!!!

A OMS não cansa de alertar que os casos de peste bubônica, que quase eliminou nossa espécie da face da Terra em 1347, seguem aumentando teimosamente, de ano para ano. E isso, em pleno século XXI, com tantas, tamanhas e tão acessíveis maravilhas tecnológicas em todos os campos de atividade (sobretudo, no da Medicina).


Recomendo, a quem tenha dúvidas a respeito e ache que estou sendo alarmista, que leia o livro “Pourquoi la peste? Le rat, la puce et le bubon” (“Por que a peste? O rato, a pulga e o bubão”), da dupla francesa Jacqueline Brossollet e Henri Mollaret. Não sei se a obra já foi publicada em português. Desconfio que não. O que, porém, preocupa, e muito, é esta conclusão dos autores: “Longe de ser uma doença da velha Europa da Idade Média, infelizmente, talvez a peste seja a doença do futuro”. Só não será, acrescento, se a população de ratos negros e das pulgas que parasitam esses roedores for controlada e, talvez, eliminada. Mas... como?!!!

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Monday, May 23, 2016

A PALAVRA ESCRITA É INDEFESA

A palavra escrita, ao contrário daquela que proferimos em nossa comunicação trivial, cotidiana, é indefesa. O que se escreve, diferentemente do que se diz, tem o caráter da permanência. Um texto pode sobreviver a anos, séculos e milênios e cair, gerações e mais gerações adiante, em mãos que fogem ao nosso controle. Ou seja, tanto pode chegar ao néscio, ao bronco, ao analfabeto funcional, que mesmo o lendo, não apreende seu significado, quanto do erudito, do culto, do amante da leitura, que absorve os conceitos, informações e/ou idéias emitidos e agrega ao seu patrimônio cultural. Por causa dessa ambigüidade, a palavra escrita tem que ser a mais precisa possível e, sobretudo, clara. Deve ser entendida pelo sábio e pelo néscio, pelo filósofo e pelo vendedor ambulante, pelo físico nuclear e pelo gari que varre as ruas das cidades etc.etc.etc.

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A PALAVRA ESCRITA NÃO SE PERDE NO AR


O que falamos – ou em conversas informais, ou em palestras, discursos e conferências –  é voltado, via de regra, para um público específico. É verdade que quem não estava programado para ouvir o que dissermos, pode, eventualmente, fazê-lo. Mas, a menos que nossa palavra seja proferida diante de um microfone, quer de rádio, quer de televisão, seus ouvintes serão restritos. Ademais, o ouvido não suscita a mesma capacidade de apreensão do cérebro que os olhos. Por mais atento que seja o espectador, boa parte do que se diz é quase que de imediato esquecida. O mesmo já não ocorre com a palavra escrita. Mesmo quando destinada a uma pessoa específica – ou a várias delas quando for o caso, mas predeterminadas por nós – não temos nenhuma garantia de que essa particularidade será mantida e respeitada.

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Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer” – Fernando Yanmar Narciso.  

O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).Preço: R$ 23,90.

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