Thursday, March 23, 2017

PROJETO ALGUM SE CONCRETIZA, ÓBVIO, SEM QUE AJAMOS PARA TAL

A mera preocupação com esse tal futuro, sem prévia ação, no sentido de “construí-lo” (ele é, antes de tudo, abstração, pois concretamente “ainda” não existe) achando que as coisas irão se concretizar por si sós, à nossa revelia, é uma estupidez sem tamanho. Se quisermos que nossos projetos se concretizem (e isso se os tivermos) temos que agir nesse sentido. E jamais teremos certeza de sucesso. Precisamos estudar, trabalhar e nos preparar com método, organização e aplicação, dia a dia, anos a fio para termos alguma chance, posto que remota. Ainda assim, não há segurança nenhuma de êxito (nunca há e para ninguém). Reitero o que já escrevi inúmeras vezes: não temos sequer certeza de que amanheceremos vivos amanhã, quanto mais sobre os resultados dos nossos esforços num remoto e nebuloso futuro. Como “prever”, ou seja, como “ver previamente”, com antecedência não importa se de segundos ou décadas, isso que ainda não aconteceu, e acertar? Caso venhamos a nos preparar adequadamente, se aprendermos todo o conhecimento a que tivermos acesso, nossas possibilidades de sucesso “talvez” cresçam, e exponencialmente. O êxito será, pelo menos potencialmente (mas talvez minimamente), viável.  


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Pigmalião ameaçado


Pedro J. Bondaczuk


O Parlamento da República da Rússia fez, ontem, sério desafio ao poder central, ao aprovar uma medida considerando as leis russas superiores às nacionais dentro de seu território. É evidente que a decisão representou o primeiro passo para a reivindicação da soberania completa em relação à União Soviética.

Foi isso o que fizeram, por exemplo, os legisladores dos Estados bálticos, Lituânia, Letônia e Estônia, antes de declararem, unilateralmente, sua independência de Moscou. Quanto a essas unidades federativas, embora o presidente Mikhail Gorbachev tentem fazer com que revoguem as medidas secessionistas (por contrariarem a Constituição da URSS), o dirigente até admite que elas venham, a médio prazo, a se separar da Federação.

Mas e a Rússia? É possível, viável ou plausível sua separação? Caso esta República venha a tomar essa atitude, será o fim da União Soviética! Se isso acontecer, o maior império já formado no mundo em todos os tempos estará desfeito, ou, pelo menos, desfigurado.

Restarão à União republiquetas miseráveis, problemáticas, onde vivem etnias que nutrem histórico rancor umas pelas outras. Mikhail Gorbachev não terá para quem implantar a sua perestroika. Afinal, a Rússia tem dois terços do território da atual superpotência do Leste, detém muito mais da metade da sua riqueza e abriga 52% dos 285 milhões de habitantes do país.

Pode-se dizer, sem menosprezo aos demais Estados, que ela, virtualmente, é a União Soviética. As outras 14 Repúblicas não passam de meros apêndices. Para complicar ainda mais as coisas, a segunda República em importância da Federação, a Ucrânia, que já chegou a ser um país independente (posto que por pouco tempo, logo após a assinatura do Tratado de Brest-Litovsk, de 1918) não esconde de ninguém as suas aspirações autonomistas.

Isto sem contar a Geórgia, a Moldávia (que os romenos reivindicam) e o Azerbaijão (que sonha em se fundir com a sua outra parte, a pertencente ao Irã). Pode parecer uma dolorosa ironia, mas foi o próprio presidente Mikhail Gorbachev, com a sua larga visão de futuro, que propiciou essa situação, ao lançar a glasnost e a perestroika.

Evidentemente, sua intenção não foi esta, mas a de fortalecer a União e tornar a URSS também superpotência econômica, já que militarmente ela o é. Todavia teve, ou está tendo (ou pelo menos caminha para ter) o mesmo destino do mítico Pigmalião  Erigiu uma estátua tão perfeita, que esta adquiriu vida. Apaixonou-se perdidamente por sua obra, por essa verdadeira Galatéia política. Só que a criatura conquistou personalidade própria e agora está na iminência de destruir o criador..     

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 9 de junho de 1990).


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Hora da verdade


Pedro J. Bondaczuk


O ensaísta francês Stendhal (e para quem não se lembra, ou não sabe, este era o pseudônimo de Marie Henri Beyle, nascido em Grenoble, autor de um dos grandes clássicos da literatura mundial, “O Vermelho e o Negro”), constatou que muitas pessoas – eu diria a maioria – se deixam enterrar vivas, por jamais dizerem a que vieram ao mundo. Não trabalham e, quando o fazem, se contentam com tarefas rotineiras, mecânicas, automáticas e nada criativas, como as executadas pelo célebre Carlitos no filme “Tempos Modernos”. Ou não estudam e, quando o fazem, não se empenham a fundo para, de fato, aprender. Limitam-se a ficar de olho somente no diploma, como se este fosse a sua redenção. Enfim, não fazem nada que preste aos outros, nem às próprias famílias. Vegetam, vida afora, como se fossem meros passageiros da espaçonave Terra. Não são! Ninguém é, pois esta não os comporta. Todos, indistintamente, fazendo ou não nossa parte, somos tripulantes dessa nave frágil e misteriosa, que singra o espaço com destino que ignoramos qual seja.

O mais estranho de tudo é que muitas dessas pessoas são privilegiadas pela natureza, dotadas de rara inteligência, ou de força descomunal, ou de energia fora do comum,  ou de talentos que poucos têm, mas parecem sequer se dar conta disso. Ou, quando se dão, desperdiçam esses dotes em atividades inúteis, vazias, sem sentido. Alguns, por exemplo, aplicam sua excepcional inteligência na tarefa inócua da acumulação de bens. Passam por cima de tudo e de todos na ânsia de “ter”. Mas não o suficiente para a sobrevivência ou a manutenção da família, o que, até, seria admissível. De forma obsessiva, doentia, avarenta e mesquinha, ajuntam mais, muito mais do que o necessário para viver e a própria capacidade de gastar.

Há os que, na hora da verdade, diante da iminência da morte, se dão conta da tolice que cometeram. Só que, na maioria dos casos, essa descoberta se revela tardia. Descobrem que desperdiçaram a vida por nada. Estes sempre estiveram enterrados vivos e nunca perceberam. Muitos, contudo, nem nesse momento extremo admitem, ou concluem, que cometeram esse fatal erro de avaliação.

Há, por outro lado, os que usam a força física com que foram dotados (e que um dia também decresce até se extinguir), ou a beleza (ilusória e que tem tempo contado) ou a energia (que igualmente se esgota) para oprimir, humilhar, agredir, dominar e se sobrepor aos que foram menos dotados pela natureza e que requerem sua ajuda e proteção e não sua arrogância e prepotência. Em geral, essas pessoas, ao ficarem velhas (quando ficam), são as que mais sofrem. Afinal, só lamenta uma grande perda quem teve o que perder.

Há muitas e muitas outras situações em que os envolvidos se enterram vivos. Enterram corações. Enterram cérebros. Enterram emoções. Enterram inteligências. Enterram talentos. Enterram todo o seu potencial e não conseguem, com sua atitude, mais do que rancores, ou ressentimentos, ou a ira alheia ou, quando muito, a piedade dos que os cercam. São perdedores, embora tivessem tudo para vencer.

Os vencedores, por seu turno, às vezes não são tão inteligentes, ou tão fortes, ou tão belos, ou tão enérgicos. São dotados, todavia, entre outras virtudes, de uma característica insuperável: o entusiasmo. São os que muitas vezes tardam a estabelecer objetivos, mas que, quando o fazem, nomeiam aqueles que sejam compatíveis com a sua capacidade e, sobretudo, factíveis. Além disso não se limitam a meramente querer que eles se concretizem: se empenham, a fundo, com cérebro, corpo e alma, na sua busca. E esbanjam, sobretudo, três palavrinhas, muito curtas, porém fundamentais: sim, não e oba.

A primeira, é de aceitação de tudo o que seja positivo, construtivo e sadio. A segunda, é de recusa dos maus sentimentos, más emoções e maus comportamentos, próprios e/ou alheios. E, finalmente, a terceira, utilizam para exprimir o encantamento, a alegria e o entusiasmo pelas vitórias conquistadas, por menores que sejam.

Os vencedores também experimentam inúmeros fracassos no meio caminho. Estão muito longe da perfeição e têm plena consciência disso. Mas fazem das próprias vulnerabilidades, fraquezas e deficiências armas poderosas para o sucesso. Honoré de Balzac, por exemplo, era uma pessoa extremamente perdulária. Vivia atolado em dívidas e, não raro, os credores entravam em sua casa e retiravam todos os seus móveis, em troca de suas dívidas. Por causa desse fator, no entanto, premido pelas circunstâncias, colocou o máximo de empenho no que sabia fazer de melhor: escrever. Endividado até a alma, escreveu, escreveu e escreveu furiosamente, com vigor e entusiasmo. E nos legou, entre tantas obras, os 35 volumes da “Comédia Humana”.

Fedor Dostoievski, por seu turno, era um jogador inveterado. Não podia ter dinheiro nas mãos que logo se dirigia a Montecarlo e lá deixava tudo o que havia ganhado com imenso sacrifício. Mas nunca usou sua desgraça e nem suas desventuras e defeitos pessoais como desculpas para não fazer nada. Recusou-se a se deixar enterrar vivo (mesmo quando foi enviado para um campo de trabalhos forçados na Sibéria). Com isso, legou à humanidade obras marcantes como “Crime e Castigo”, “Irmãos Karamazov” e “Recordação da Casa dos Mortos”, entre outras. Estes, e tantos outros, souberam vencer seus vícios, fraquezas e, principalmente, o desânimo (e a conseqüente tentação da apatia), com a poderosa, quase invencível arma do entusiasmo. E se eles puderam...

         

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Wednesday, March 22, 2017

O FICCIONISTA, SIM, PODE “PREVER” O QUE QUISER

A previsão é campo fértil para nós, escritores, sobretudo para os que lidam com ficção. Nós, sim, podemos “prever” o que quisermos, pois não temos compromisso algum com a “verdade” e nem com a “realidade”. Buscamos, ao urdir nossas histórias, a verossimilhança. Esta, todavia, sequer é fundamental em nossa atividade. É desejável, porém não indispensável. Essa questão do futuro, ou seja, do segundo seguinte ao que estamos vivendo, sempre foi, é e será tema fascinante para reflexões. Por exemplo, esse tempo que ainda não chegou é sempre projetado por nós, em nossa mente, como potencialmente melhor do que o presente. Essas projeções, porém, são ditadas, apenas, por nossos desejos e pela fantasia. Raramente se baseiam em fatos e sequer levamos em conta os imprevistos.

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SEJAMOS REALISTAS: O FUTURO TENDE A SER SEMPRE PIOR DO QUE O HOJE

Não se trata de ser pessimista, mas baseados na pura lógica, se pode afirmar que o futuro, pelo menos o mais remoto (não o imediato), caso venha a existir para nós (podemos, óbvio, morrer antes) sempre tende a ser pior do que o presente. Por que? Porque nele há imensa probabilidade de perdermos entes que amamos, de pagarmos duro preço pelas oportunidades que desperdiçarmos, de termos que conviver com frustrações e decepções que acumularmos e da certeza de que envelheceremos, nossas forças e entusiasmo declinarão, o mundo estará mais povoado e, por isso, mais poluído, depredado e tenso e os problemas pessoais e sociais haverão de se multiplicar. E, sobretudo, nele estará o nosso fim. É preciso mais argumento?


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Vidros e diamantes



Pedro J. Bondaczuk


O mesmo povo que consagrou o presidente afastado Fernando Collor, nas urnas, em 1989, conferindo ao ex-governador de Alagoas, no segundo turno eleitoral, mais de 35 milhões de votos, o tirou do poder, mediante irresistível pressão sobre os congressistas, depois que veio à tona o chamado “Escândalo PC Farias”.

É claro que os políticos tentaram polarizar o fato em seu favor. Ao votarem o impeachment, porém, não fizeram mais do que a sua obrigação. São pagos para isso e para muito mais, como elaborar leis justas, racionais e necessárias.

Os acontecimentos dos últimos meses trouxeram à baila de novo as alegações já tão conhecidas de que o brasileiro não sabe votar. Enganos com homens públicos não ocorrem, todavia, só por aqui. Nos Estados Unidos, por exemplo, Richard Nixon teve que renunciar no início do seu segundo mandato para não passar pela humilhação do impeachment.

Uma ligeira pesquisa mostrará equívocos tão grandes, ou maiores, do eleitorado em países como o Japão, a França, a Alemanha e vai por aí afora. Adolf Hitler, por exemplo, conseguiu consagradora vitória nas urnas. E não é preciso reportar que tipo de político ele foi.

A respeito de enganos bem-intencionados, o padre Antônio Vieira tem um trecho de sermão que é lapidar. Diz: “Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamante estima e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama e não defeitos. Cuidai que amais diamantes de firmeza e amais vidros de fragilidade; cuidais que amais perfeições angélicas e amais imperfeições humanas. Logo, os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue que amam o que verdadeiramente não há; porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam; e o que se imagina, e não é, não o há no mundo”.

O Collor, que o brasileiro elegeu como diamante, era, na verdade, vidro. O “caçador de marajás” tão apregoado durante a campanha, com tanta convicção que convenceu mais de 35 milhões de pessoas, era o “protetor” dessas figuras cínicas.

O povo não votou, pelo menos na intenção, em alguém que investiu em seu jardim particular dinheiro suficiente para construir centenas de escolas bem-equipadas. Deu seu voto, de boa fé, a quem posava como paradigma da modernidade e da moralidade.

Admitindo-se, porém, que o brasileiro, de fato, ainda não saiba votar, a legislação eleitoral também é inadequada, por permitir candidaturas de quem não satisfaz a mínima exigência ética para estar na vida pública. Um cheque sem fundos, tão logo é recebido, a priori não traz estampado, logicamente, que é “frio”.

Quem o recebe só vai perceber o engodo em que caiu no momento de sacar. O que ocorreu com o eleitorado foi exatamente isso: um monumental estelionato eleitoral. A população, para usar uma linguagem bem popular, “comprou gato por lebre”.

Amando diamantes, projetou esse amor em vidros. Buscando escolher a probidade, a firmeza, a austeridade, acabou por optar pelo oposto. Daí ser legítima a sua ira e justa a sua exigência de que os votos dados tão generosamente de boa-fé fossem cassados e através de meios legais, ou seja, mediante os seus representantes no Congresso.     

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 3 de outubro de 1992)


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Admirável artista

Pedro J. Bondaczuk

Os critérios que nos levam a nos apaixonarmos por alguém são, via de regra, equivocados, ou pelo menos imperfeitos. Daí nos decepcionarmos, tão amiúde, no amor. A maioria ama pela beleza física de certas pessoas, artifício de que a natureza nos dotou para assegurar a perpetuação da espécie, sem atentar para outras virtudes delas. Só que o tempo não perdoa ninguém.

Um dia a amada perde o viço da juventude e não se torna mais tão atrativa aos olhos. Caso não haja o ingrediente da amizade, da camaradagem e da cumplicidade entre o casal, sobrevém a mútua frustração. E não tarda para o relacionamento se desfazer.

Há quem se apaixone por ter admiração por alguém, sem atentar para os seus defeitos. Quando os descobre... É aquela tragédia! O leitor já reparou que o amor, pelo menos em sua fase inicial, aquela que mais nos marca e que nos deixa lembranças preciosas e inesquecíveis, mesmo quando se acaba, é uma espécie de perpétua infância?

Retomamos aquela ingenuidade inicial de meninos que com o tempo deixamos pelos caminhos da vida. Até as expressões que utilizamos durante o namoro são inocentes, carinhosas e um tanto quanto infantis, quando não piegas. Contudo, não nos importamos com isso e sequer notamos.

Não por acaso, o amor é representado pela figura de uma criança, Eros (ou Cupido), garoto brincalhão que se diverte a lançar flechas nos corações dos incautos. E como as lança! Como brinca com os sentimentos humanos!

Pena que, com o tempo, essa inocência seja substituída por outras características, nem sempre as mais desejáveis, que às vezes maculam e até destroem os relacionamentos amorosos. O poeta romano Propércio, nascido em 47 AC, na cidade de Assis, constatou a propósito: “Aquele que primeiro representou o amor nas feições de uma criança, esse foi admirável artista, porque foi também o primeiro a sentir que a vida dos amantes é infância perpétua”. E não é?

O amor é um sentimento misterioso. Nunca vem sozinho, mas traz, consigo, outras tantas emoções contraditórias, como euforia e depressão, êxtase e sofrimento, exaltação e ciúmes, tudo isso simultaneamente e ao mesmo tempo. Proporciona-nos o máximo de satisfações e pungentes sofrimentos quando distantes da pessoa amada.

Há quem o compare à febre, à perda de autocontrole e, principalmente, ao delírio. Doce delírio! E, ainda assim, é a mais desejável e sublime experiência que podemos ter. O escritor francês, Guy de Maupassant, no conto “A morta”, assim se expressou a propósito desse sentimento: “Por que amamos? É realmente estranho ver no mundo apenas um ser, ter no espírito um único pensamento, no coração um único desejo e na boca um único nome: um nome que ascende ininterruptamente, que sobe das profundezas da alma como a água de uma fonte, que ascende aos lábios, e que dizemos, repetimos, murmuramos o tempo todo, por toda parte, como uma prece”.

Não é assim que os amantes se sentem quando distantes um do outro? Gosto de escrever sobre o amor, ainda que não tenha nada de novo, ou sequer minimamente inteligente para dizer. Sou amante compulsivo e não me importo em pagar o devido preço por isso. Não reluto em pôr as mãos nos emaranhados de espinhos, que as ferem sem dó e nem contemplação, para colher rubras rosas de afetos. A colheita compensa qualquer dor, a despeito das flores terem vida tão efêmera, como a desse delicado sentimento. 

Perguntam-me, amiúde, se eu conheço alguma receita infalível para assegurar a profundidade e, principalmente, a perpetuidade do amor e se existir, qual é. Não sou, diga-se de passagem, a pessoa mais indicada para dar esse tipo de conselho. Afinal, sou um rematado trapalhão em assuntos que dizem respeito a sentimentos. Há, contudo, inúmeras recomendações óbvias que podem ser dadas e que, se não asseguram a “eternidade” desse sentimento, o tornam sublime e profundo, pelo menos enquanto dura. 

A melhor receita de amor, entre tantas de que tomei conhecimento, é esta, no meu entender, dada por Madre Teresa de Calcutá, figura humana ímpar, que dispensa apresentações: “Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação”. E pode? Claro que não! Busque, sobretudo, preservar sua eterna inocência, aquela que tínhamos na mais remota infância. Simples assim...

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Tuesday, March 21, 2017

A CONTRADITÓRIA PALAVRA “PREVISÃO”

O que o futuro nos reserva? Esta é uma pergunta que fazemos a nós mesmos, e aos outros, a todo o momento, sem que encontremos uma resposta convincente, lógica ou pelo menos razoável. Há alguém que possa responder essa questão com 100% de acerto? Obviamente que não! E com 90%? Também não! E com 50%? Idem! E com 10%? Ainda não! E com 1%? Talvez, mas a probabilidade de errar ainda é altíssima. Exagero meu? Longe disso! Raciocinem comigo. Como vocês podem dar a mínima garantia, a que mais se aproxime da exatidão, sobre o que ainda não aconteceu e que não há a mais remota certeza que acontecerá? “Bem, pode-se prever isso, e com alguma chance de acerto”, dirá o leitor. Se pode mesmo? A própria palavra “previsão” é um tremendo paradoxo, imensa contradição. Significa, em sentido lato, “ver previamente”. Ou seja, enxergar o que ainda não aconteceu e que, portanto, não existe. Se não existe... não podemos ver. Podemos, somente, imaginar. Não há, por conseguinte, nenhuma previsão de fato. Ninguém vê o abstrato, o imaginário, o que não existe, concordam? O que há é imaginação, adivinhação ou seja lá o que for.


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Vendedores de armas



Pedro J. Bondaczuk


A guerra entre Irã e Iraque vai completar, no dia 22 do próximo mês, o quinto ano consecutivo de duração e não há a mínima perspectiva de que o conflito – que os analistas previram, no início, como de rápido desfecho – esteja próximo do fim.

Estima-se que a intransigência do iraquiano Saddam Hussein e do líder iraniano, aiatolá Ruhollah Khomeini, já tenha custado, no mínimo, um milhão de vítimas fatais e mais uma quantidade indeterminada (várias vezes maior do que a dos mortos) de feridos, em ambos os lados.

Muita gente pergunta como o Irã conseguiu o milagre de recuperar um terço do seu território que havia sido tomado pelo inimigo nos primeiros meses de guerra, se está, desde 1980, sob um formal boicote imposto pelos principais fornecedores internacionais de armas. Onde o regime dos fundamentalistas desse país tem se abastecido de equipamentos bélicos, alguns relativamente sofisticados, como o míssil de médio alcance soviético Scud, com que Teerã atacou, por diversas vezes, Bagdá?

Dos EUA, oficialmente, os iranianos não conseguem importar sequer uma reles agulha, já que os dois países não mantêm, há tempos, qualquer espécie de relacionamento. Quanto à União Soviética, Khomeini abomina o seu regime e procura distância de Moscou, ao menos para consumo externo. Os países europeus, teoricamente, mantêm sanções contra o Irã, em apoio aos norte-americanos. Como Teerã faz para se municiar?

Bem, para quem tem dinheiro para pagar à vista, nunca faltarão vendedores de canhões, tanques, granadas e até caças e mísseis. E o governo iraniano, graças ao petróleo farto que o país possui, ainda está longe da falência. Portanto, não tem a mínima dificuldade de adquirir equipamento bélico e peças de reposição, tanto no mercado marginal e clandestino, responsável por armar guerrilhas de vários países, em diversos continentes, quanto, até, no oficial, o dos grandes países, mediante operações triangulares.

O armamento soviético, por exemplo, é fornecido ao Irã através da Coréia do Norte, da Líbia e da Síria. E na quantidade que os iranianos quiserem, desde que tenham o dinheiro para pagar. O norte-americano envolve uma operação mais complicada um pouquinho, mas nem por isso tão dramática. É vendido através dos chamados freelancers.

Às vezes acontece do grupo que opera a venda ser descoberto, como no caso que envolveu o tenente-coronel Wayne Gillespie, detido, anteontem, pelo FBI, por tentar remeter 1.200 mísseis para Teerã. Quantos outros foguetes, porém, já não terão sido enviados por esse meio, sem que as autoridades suspeitassem (ou fizessem vistas grossas)? Não se pode afirmar com certeza que isso já tenha sido feito. Mas negar peremptoriamente, também não.

Uma coisa fica patente até para o leigo. No mercado de armamentos, a ideologia do comprador é o que menos conta. O que importa é se o cliente tem ou não condições de pagar o preço exigido. Onde, quando e como ele vai usar esse equipamento simplesmente não interessa a esses grupos, que se alimentam de conflitos e desavenças, de ambições desmedidas de tiranos e de utópicos sonhos de fanáticos.

Eles não querem saber se essas armas vão conservar no poder endoidecidos ditadores, que não têm o mínimo escrúpulo de mandar para os campos de batalha crianças de dez anos ou menos. Ou se vão manter em seus cargos homens que têm insensatas ambições hegemônicas.

Por isso, a guerra do Golfo Pérsico tem tudo para emplacar não apenas um lustro, mas até mesmo uma década, ou mais. Principalmente, depois que o Ocidente percebeu que, ao contrário do que temia a princípio, ela não põe, absolutamente, em risco o seu fornecimento de petróleo.

(Artigo publicado na página 9, Internacional, do Correio Popular, em 2 de agosto de 1985)


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