Monday, February 29, 2016

INTELIGÊNCIA PRECISA DO “AUXÍLIO” DAS EMOÇÕES

Não podemos nos fiar, apenas, na inteligência. Nem mesmo para tentarmos concretizar nossos sonhos e projetos estritamente pessoais. Para essa concretização não dependemos, apenas, dos nossos recursos, mas de uma infinidade de pessoas que nos cercam e com as quais, de alguma forma, convivemos. Reitero que a inteligência ajuda,  e muito, mas sozinha é inerme e não nos leva a lugar algum. Precisa do auxílio de uma série de sentimentos e virtudes que a impulsionem e a façam efetiva. Por exemplo, precisamos ter fé em nossas possibilidades. Se iniciarmos algum empreendimento, sem acreditarmos no seu sucesso, é melhor que sequer venhamos a despender energias. Ele estará, liminarmente, fadado ao fracasso, a despeito do nosso privilegiado QI. Outra emoção valiosa é a esperança (tema de que tratei em recente reflexão), desde que, observo, respaldada por ações. Se nada esperarmos da vida, senão seu complemento, a morte, já estaremos espiritualmente mortos, mesmo que isso não nos seja aparente.


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Treze países decidem por todos


Pedro J. Bondaczuk


A estratégia da Europa Ocidental e dos Estados Unidos em relação aos Estados ditos terroristas do mundo árabe, no caso Líbia, Síria e Irã, é a de isolar esses países, tanto econômica, quanto diplomaticamente. O objetivo, apregoado pelos europeus, é tornar seu continente livre de atentados e dar mais segurança a seus cidadãos na área do Mar Mediterrâneo. Dessa maneira, nos últimos dias vimos uma sucessão de expulsões de diplomatas, de estudantes e até de empresários, especialmente líbios, da Itália, da França e da Espanha, com a correspondente represália do governo de Tripoli.

Desde sábado, a Síria entrou nessa "ciranda maluca", diferente de tudo o que já se viu em tempos de paz. Em relação ao Irã, desde 1979, quando do incidente da ocupação da embaixada norte-americana em Teerã, esse país tem sido considerado "non grato" à dita civilização ocidental.

Essas medidas, ao nosso ver, são contraproducentes e até certo ponto perigosas. É verdade que a curto prazo podem inibir o terrorismo. Isso, se os Estados acusados de serem seus patrocinadores realmente forem aquilo que deles se diz. Pelo menos enquanto o assunto ainda ocupa as manchetes e outro fato não esteja desviando as atenções internacionais, eles não podem nem treinar, nem dar apoio logístico e nem sequer esconder grupos terroristas. Se o fizerem, correm o risco de ter seus interesses econômicos ainda mais comprometidos e, em caso extremo, até de sofrer represálias armadas.

Como medidas de emergência, para frear as ações terroristas, pode ser um expediente válido, ainda que contestável. Mas as providências, para serem duradouras, precisarão ter um caráter mais amplo. Ser mais discutidas, envolver maior número de parceiros (se possível, toda a comunidade mundial) e não podem, portanto, ficar restritas apenas aos "treze" cardeais do mundo moderno.

Há várias hipóteses a considerar quanto à questão, mas duas se destacam de imediato. A primeira admite que os segregados são, realmente, Estados terroristas. Neste caso, com o isolamento (que certamente será compensado por uma aproximação maior com a União Soviética), eles terão condições de formar de fato os "esquadrões-suicidas" de que tanto o líder líbio Muammar Khadafy vem falando, nos últimos tempos, sem que sejam molestados por ninguém.

Nessas circunstâncias, os futuros atentados seriam cometidos sem que se deixasse nenhuma pista ligando os extremistas a seus patrocinadores. Isso não é muito difícil e os europeus sabem que não é. A segunda hipótese, considera que os Estados ora isolados nada têm a ver com o terror. Em tal circunstância, além das ações extremistas não diminuírem em tempo algum, os diversos grupos passarão a contar com a simpatia dos que foram acusados sem dever. Nesse caso, nem mesmo um ataque nuclear limitado conseguirá conter a violência, que então explodirá e tenderá a se generalizar.

Essa história de um país punir a outro já trouxe muita dor de cabeça no presente século a toda a comunidade mundial. Chegou, até, a causar duas guerras mundiais, cujas conseqüências ninguém mais do que o europeu conhece tão bem. Mesmo assim, o expediente volta a ser usado, somente aumentando ainda mais as tensões e consolidando antagonismos. E a Organização das Nações Unidas, para o que serve? E o Conselho de Segurança? E a Corte Internacional de Justiça de Haia? O mundo, acaso, tornou-se feudo exclusivo da poderosíssima "Trilateral"? Tudo leva a crer que sim!

(Artigo publicado na página 12, Internacional, do Correio Popular, em 13 de maio de 1986)


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Formigamento de prazer


Pedro J. Bondaczuk

O escritor português, Eugênio Andrade, escreveu, em “Rosto precário”, que “as palavras são nossa condenação”. Bem, depende de quais usamos e em que circunstâncias. E a quem destinamos, óbvio. Elas podem, também, todavia, ser nossa redenção, por que não? Eugênio justifica sua declaração: “Com palavras se ama, com palavras se odeia. E, suprema irrisão, ama-se e odeia-se com as mesmas palavras”. Todavia, como nos comunicaríamos se elas não existissem? Por gestos? Pelo olhar? Pelo toque? Ora, ora, ora, se com palavras há tantos equívocos e más interpretações, imaginem sem elas! Seria o caos. Não haveria nenhum tipo de relacionamento entre as pessoas, nem mesmo o instintivo, ditado pela natureza, entre o homem e a mulher.

Da minha parte, “amo” as palavras, mesmo as que expressem sentimentos e atitudes negativas. Elas são a matéria-prima do que faço, a forma de expressar meus sonhos, pensamentos e sentimentos, mesmo correndo o risco de equívocos se as utilizar de maneira inadequada. Responda-me, caríssimo leitor, você já estremeceu ao ler um texto bem escrito que o tenha tocado profundamente e emocionado às lágrimas, por sua beleza e verdade? Eu sim. E Fernando Pessoa também. É o que ele dá a entender neste trecho do seu “Livro do Desassossego”, escrito sob o heterônimo de Bernardo Soares: “Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho –  transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo”.

Cabe, aqui, uma explicação para situar o leitor a propósito dos autores citados por Pessoa. O Fialho, a que ele se refere, é seu conterrâneo José Valentim Fialho de Almeida, jornalista e escritor pós-romântico, muito popular em fins do século XIX, mas que andou por anos e anos esquecido, sobretudo depois que foi para Cuba, onde fixou residência e onde morreu em 4 de março de 1911. Recentemente, sua memória e sua obra foram resgatadas por Manuel Fonseca, Que publicou uma antologia de seus melhores contos e mais expressivas crônicas. De seus nove livros, destaco “O país das uvas”, datado de 1893, que tenho agora em mãos. Oportunamente, tratarei desse escritor cujas páginas fizeram Fernando Pessoa “estremecer”.

O outro autor citado no “Livro do Desassossego” dispensa comentários. François-Rene Auguste de Chateaubriand é uma espécie de clássico da literatura francesa. É citado, inclusive, em um texto de Victor Hugo, pela “força de sua imaginação e brilho de seu estilo, unindo eloqüência e colorido nas descrições que faz” em seus tantos textos. Tomei contato pela primeira vez com sua escrita no livro de francês da segunda série ginasial, no tempo em que esse idioma integrava o currículo do antigo ginásio. Encantei-me com ele, mas não tanto quanto Pessoa.

O genial “poli-escritor” dos heterônimos acrescentou, no texto citado: “Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintática, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida. Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas, criança menina ao colo delas. São frases sem sentido, decorrendo mórbidas, numa fluidez de água sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se misturam e indefinem, tornando-se sempre outras, sucedendo a si mesmas. Assim as ideias, as imagens, trêmulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar de ideia bruxuleia, malhado e confuso”.

Meu sentimento, todavia, é, rigorosamente, como o expresso por Pablo Neruda, neste monumental poema, publicado em seu livro autobiográfico “Confesso que vivi”:

“Sim senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam.
Prosterno-me diante delas.
Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as.
Amo tanto as palavras.
As inesperadas.
As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem.
Vocábulos amados.
Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho.
Persigo algumas palavras.
São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema.
Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas.
E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as.
Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda.
Tudo está na palavra.
Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que lhe obedeceu.
Têm sombras, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes.
São antiquíssimas e recentíssimas.
Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada.
Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos.
Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo.
Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas.
Por onde passavam a terra ficava arrasada.
Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui, resplandecentes... o idioma.
Saímos perdendo.
Saímos ganhando.
Levaram o ouro e nos deixaram o ouro.
Levaram tudo e nos deixaram tudo.
Deixaram-nos as palavras”.


Face poemas, como este, “estremeço”. E, a exemplo de Fernando Pessoa, travestido de Bernardo Soares, essas palavras de tamanha sonoridade e beleza, “fazem formigar toda a minha vida em todas as veias”. Dá para permanecer impassível?! Para mim, é impossível!!!!

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Sunday, February 28, 2016

CONSCIÊNCIA E VONTADE SÃO IMPRESCINDÍVEIS

A inteligência – termo que, por definição, expressa a capacidade de entendimento de situações e idéias – é, sem dúvida, fator importante para o sucesso, notadamente em atividades que dependam do raciocínio. Mas é fundamental? Entendo que não. Facilita, sem dúvida, as coisas, mas não é nenhuma garantia que a pessoa que seja privilegiada, nesse aspecto, com um QI fenomenal, terá êxito no que quer que seja, apenas por isso. Requer-se, também, consciência e, sobretudo, vontade. Posso, por exemplo, entender melhor do que a maioria o que me cerca e, por isso, “cortar caminho” para que determinado empreendimento chegue a bom termo. Todavia, esse entendimento excepcional pouco, ou nada me valerá se eu não estiver consciente do que precisarei fazer para que o resultado almejado seja obtido. E, principalmente, se não tiver vontade de agir para sua colimação, se me omitir e se deixar para terceiros tarefas que são exclusivamente minhas. Há pessoas inteligentíssimas, mas que agem assim. Vivem como parasitas e, além de inúteis, são perniciosas. 


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Respeito aos idosos


Pedro J. Bondaczuk


Os povos antigos, que lançaram os fundamentos da civilização, concediam um status todo especial aos seus cidadãos de maior idade. Na Grécia, por exemplo, o Legislativo de Atenas, composto por 400 membros, era vedado a quem tivesse menos de 30 anos. Tratava-se da "Bulé", cuja tradução seria "A Razão".

Em Roma, havia o culto dos antepassados, os "deuses lares", para os quais eram erguidos altares no interior das casas, as tão conhecidas "lareiras", que hoje têm função de apenas aquecer as moradias nos países mais frios e de mera decoração no Brasil.

Na China, a Assembléia dos Anciãos dava sempre a última palavra, antes de uma decisão dos imperadores, o mesmo ocorrendo no Japão e entre outros povos. A Rússia, nos seus primórdios, tinha uma câmara semelhante: a dos boiardos.

E o que ocorre no Brasil contemporâneo? Total e absoluto desrespeito pelos mais idosos. A partir dos 30 anos, por exemplo, quando o indivíduo atinge o seu apogeu em termos de razão, já é considerado ultrapassado por aqui e enfrenta dificuldades para arranjar emprego.

Parte considerável dos cidadãos mais velhos passa a ser encarada como um trambolho, um estorvo e sofre toda a espécie de agressões à sua dignidade humana, principalmente por parte dos parentes. Há milhares de asilos espalhados por este País, muitos dos quais autênticos depósitos onde os que lá vivem são tratados como sombras, como zumbis, como tudo, menos como gente.

Agora, a controvérsia em torno do reajuste de 147% nos minguadíssimos ganhos dos pensionistas e aposentados traz à tona, para que todos vejam e se critiquem, a forma covarde, absurda, ignóbil e sem sentido com que os construtores do pouco progresso que o Brasil obteve são tratados, agora que deveriam gozar, pelos méritos que reuniram, seu "ócius cum dignitate". Seu descanso digno.

Além de espoliados por um sistema mal administrado e apodrecido nas bases, de verem seu patrimônio comum, a Previdência Social, que ajudaram a formar com suas contribuições, ser dilapidado por marajás e fraudadores, também são agredidos fisicamente quando se dispõem a exercer a cidadania a que têm direito.

As agressões praticadas por alguns policiais que exorbitaram de suas funções e praticaram o crime de "abuso de autoridade" --- previsto no Código Penal --- na Ponte Colombo Salles, que liga Florianópolis ao continente, foram um dos fatos mais indignos e revoltantes que os brasileiros puderam tomar conhecimento nos últimos tempos, através das imagens da televisão.

Velhinhos frágeis e indefesos, que nada mais faziam do que reivindicar aquilo que a própria Justiça vem reconhecendo ser seu, foram tratados como marginais, como perigosos agitadores, dispersados a poder de cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo.

Dificilmente quem ainda tem capacidade de raciocínio e de discernimento deixou de projetar na cena bárbara e grotesca mostrada pela TV seu pai ou seu avô encarnados na pele, por exemplo, do aposentado Quintino Cechinel, de 70 anos, que teve o queixo fraturado na infeliz e incompetente intervenção daqueles aos quais competia restabelecer a ordem e que somente souberam exibir brutalidade.

Mais do que nunca o sofrido cidadão, portanto, se conscientiza de que é sumamente verdadeira a afirmação de que o homem contemporâneo não passa de um pigmeu que somente aparenta ser grande porque está de pé nos ombros dos antepassados.

Um país que não respeita e nem protege seus verdadeiros heróis --- em geral anônimos --- ou seja, aqueles que o construíram, não pode aspirar a nenhum futuro. Não tem memória, não tem tradições, não tem história.

(Artigo publicado na página 3, Opinião, do Correio Popular, em 2 de fevereiro de 1992).


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Histórias que trazem a noite

Pedro J. Bondaczuk

Os chamados “contos de fadas” são as primeiras lições práticas de Literatura que temos – em uma época em que sequer intuímos no que consiste essa atividade – mesmo que elementares e incipientes. Refiro-me, claro, aos que têm e tiveram infâncias “normais”, em lares bem estruturados, em que prevalecessem o respeito mútuo e o amor entre seus integrantes. Desconfio, todavia, que sete entre dez crianças no mundo, na atualidade, não privem desse “privilégio”, que deveria ser norma, mas não é. Há milhões, quiçá bilhões delas que sobrevivem por puro instinto, geradas de forma irresponsável e largadas nas ruas e que, claro, jamais terão sequer ligeira noção do que é amor. Bem, o assunto que trago à baila não é bem este. Não me refiro, pois, a estes meninos e meninas que, desconfio, sejam hoje maioria, num mundo perverso e superpovoado, de mais de 7 bilhões de habitantes (estimativas dão conta que a população mundial já passa dos 7,3 bilhões, e segue aumentando, à razão de cinco nascimentos por minuto).

Meu primeiro contato com lições de moral, com o eterno conflito entre o bem e o mal, se deu, justamente, ouvindo  os tais “contos de fadas”. E não somente os tradicionais, de Hans Christian Andersen e dos Irmãos Grimm, mas os nossos, brasileiros. Afinal, a obra infantil de Monteiro Lobato não é mais do que imenso conjunto de “contos de fadas”, mesmo que o escritor de Taubaté não haja recorrido a nenhuma delas. Ademais nem todas as histórias do gênero conheci através da leitura de livros, feitas pelos adultos. Muitas foram apenas “contadas” – com os devidos acréscimos, adaptações e supressões feitos pelos respectivos narradores, justificando o dito popular do “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Hoje concluo que esses momentos mágicos, em que pude dar livre curso à imaginação, nas asas da fantasia, são algumas das melhores coisas que me aconteceram. Nem sempre essas histórias eram contadas pelos adultos. Quando era por eles, em geral tais narrativas ocorriam na hora de dormir e embalavam meus sonhos infantis com visões de príncipes, princesas, castelos, bruxas, fadas, gigantes, anões, heróis e vilões e vai por aí afora.

Quando estive internado em colégio interno, por volta dos dez anos de idade, entre os vários colegas de internato, havia alguns que conheciam, de cor e salteado, esses tantos contos. E na hora de nos recolhermos para dormir, narravam-nos, na sua versão pessoal, e aos cochichos para não atrair a atenção dos monitores, até que narrador e ouvintes pegássemos no sono. Jamais esqueci e nem esquecerei esses momentos sublimes enquanto viver. Essas lembranças (preciosas) vieram à tona, hoje, ao ler esta declaração da escritora e psicanalista analítica norte-americana Clarissa Pinkola Estés, que escreveu: “Sempre que se conta um conto de fadas, a noite vem”. Claro que eles podem ser contados em pleno dia. Ouvi, por exemplo, muitas dessas histórias, principalmente as ligadas às tradições de nossos indígenas, em sala de aula, na voz das saudosas professorinhas Dona Helena e Dona Esther Freeman. No meu tempo, as mestras não eram, ainda, chamadas de “tias”, como hoje.

E quem é essa Clarissa Pinkola Estés, que me impressionou tanto, e que suscitou tantas lembranças? Bem, é uma escritora de fato impressionante, de 70 anos (fará 71 em 27 de janeiro de 2016), de ascendência mexicana, descendente, todavia, de refugiados suábios. Muito do que escreveu tem nítida influência de suas origens familiares europeias, já que a imensa maioria dos contos de fadas procede do Velho Continente, alguns antigos, muito antigos, antiqüíssimos, de cinco, seis ou mais séculos ou sabe-se lá quantos. Seus livros mais conhecidos, ambos traduzidos para o português e lançados no Brasil, são: “O jardineiro que tinha fé: uma fábula que não pode morrer nunca mais” e “Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”. Recomendo ambos aos meus pacientes e interessados leitores.

Há quem condene que se contem tais histórias às crianças, argumentando que elas as “alienam”, por tratarem de um mundo de fantasias que não existe. Tolice! É coisa de quem não sabe o que diz e que se mete a dar “lições de conduta”, mas que desconhece o que é melhor para ele, quanto mais para os outros. A estes, Clarissa responde, em um de seus livros: “Contar histórias é trazer à baila, trazer à tona. Não é uma atividade inútil. Embora haja o intercâmbio de histórias, quando duas pessoas trocam histórias, como presentes mútuos, na maior parte dos casos elas chegaram a se conhecer bem. Desenvolveram um relacionamento de parentesco, se ele já não existia. E é assim mesmo que deve ser”. E ela, convenhamos, sabe o que diz. Afinal, trata-se de uma psicanalista, cujo “campo de trabalho” é a complexa mente humana.

Por isso, paciente e sábio leitor, não prive seus filhos, ou netos, ou sobrinhos, ou quaisquer crianças com as quais conviva, dessas antiqüíssimas aulas práticas de moral, sem o ranço que esta costuma ter, mediante histórias tão singelas e puras, em que o bem finda invariavelmente por triunfar sobre o mal, mesmo que na prática cotidiana não seja o que ocorra usualmente. Não permita que os dias dos pequeninos se prolonguem indefinidamente, sem trégua para retemperarem forças e para o benigno descanso físico e mental. Porquanto, como Clarissa Pinkola Estés assegura, do alto de sua sapiência, “sempre que se conta um conto de fadas, a noite vem”.


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Saturday, February 27, 2016

MANTENHAMOS O PÁSSARO QUE TIVERMOS NAS MÃOS

Em geral, só damos o devido valor a uma pessoa, coisa ou qualquer outro bem, quando os perdemos. Aí, já é muito tarde. Há quem viva, por exemplo, anos e anos ao lado de alguém, que lhe devota respeito, afeição, lealdade e veneração, e sequer se dá conta. É incapaz do mais simples gesto, de uma única palavra que seja de reconhecimento e de gratidão. Contudo, quando perde essa pessoa – por morte, separação ou qualquer outro motivo – fica inconsolável, julgando-se o mais infeliz dos viventes, lamentando a tola indiferença que manifestou. Por isso, em vez de corrermos atrás de sombras e ilusões, o mais sábio é valorizarmos a substância ao nosso alcance. Ou seja, é mais prudente mantermos o pássaro que tivermos nas mãos do que corrermos, loucamente, atrás dos que estiverem voando. E devemos, sobretudo, amar, amar e amar, sem restrições ou limites, a nossa cara metade, os nossos filhos e netos, os nossos pais, os nossos amigos e, o que é o máximo da abnegação, não somente o nosso próximo, mas a humanidade. O amor é a única coisa que aumenta na mesma proporção que o damos. Sejamos, pois, pródigos e perdulários na sua doação!


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Dívida é tema secundário



Pedro J. Bondaczuk


A reunião de cúpula dos países considerados as maiores democracias industriais do Planeta (à exceção da União Soviética), que começa amanhã, em Tóquio, teve que mudar, na véspera do seu início, por duas vezes, o principal assunto de sua pauta deste ano, tal foi a velocidade dos acontecimentos do mês de abril. A princípio, o foco do temário deveria concentrar-se na economia (teoricamente, o motivo central desses encontros anuais dos principais aliados norte-americanos).

Mas nessa área, apesar de persistirem algumas dificuldades de relacionamento entre os membros desse ultra-seleto clube dos ricos, que a rigor dita a política a ser seguida pelo restante do mundo, o panorama, no geral, é dos melhores. Para eles, evidentemente...Raramente a fase esteve tão propícia aos Estados Unidos, Japão, Alemanha Ocidental, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá quanto agora, diante da queda dos preços internacionais do petróleo.

Contudo, no plano político, as coisas não parecem tão tranqüilas assim. E será esse o aspecto predominante nas conversações dos sete grandes. Em princípio, o terrorismo estava previsto para ocupar o topo da pauta, especialmente após o bombardeio norte-americano do dia 15 de abril passado, às cidades líbias de Tripoli e Benghazi, operação que causou um indisfarçável mal-estar em muitos parceiros de Washington nesse seleto clube. Afinal, as decantadas provas que a Casa Branca apregoou aos quatro ventos possuir, sobre o patrocínio do líder da Líbia, coronel Muammar Khadafy, a diversas entidades terroristas, jamais foram exibidas para ninguém.

O que se fez foi apresentar em público uma série de generalidades e de suspeitos testemunhos a respeito, gerando uma fortíssima oposição na opinião pública internacional, quanto a essa perigosa "diplomacia dos mísseis" inaugurada por Ronald Reagan.

Entretanto, quando parecia perfeitamente definido que esse seria o assunto dominante na reunião de cúpula, eis que um acidente gravíssimo, cujas proporções ainda estão muito distantes de terem sido delimitadas, ocorreu na União Soviética. Mais do que o desastre, a atitude do Cremlin, omitindo a ocorrência, procurando esconder o fato com uma cortina de meias-verdades e de ostensivas mentiras, impedindo que seus vizinhos tomassem medidas acauteladoras contra uma nuvem radiativa procedente de Chernobyl, tirou o sono desses seletos comparsas. Por isso, a catástrofe verificada na Ucrânia certamente ganhará as honras de transformar-se em "vedete" dos debates. Isso se até amanhã alco de pior não acontecer. Nunca se sabe.

Em todos os onze anos anteriores desses encontros de cúpula, os acontecimentos do mês de abril têm sido os determinantes do seu temário político. Em 1980, o cativeiro dos diplomatas norte-americanos no Irã e a invasão soviética ao Afeganistão foram os assuntos predominantes. Foi certamente da reunião dos ricos de então que emergiu a decisão, tomada a contragosto pela maioria dos aliados, de boicote ao Irã.

No ano seguinte, os sandinistas foram pela primeira vez os vilões. Em 1982, foi a vez dos argentinos ficarem na "berlinda", por causa da invasão às Ilhas Malvinas. O assunto "apavorante" de 1983 foi a ameaça dos endividados de darem um calote nos grandes agiotas internacionais, acabando com uma cômoda fonte de renda deles.

No ano seguinte, o terror ocupou lugar de destaque. Afinal, poucos dias antes Margaret Thatcher havia escapado por autêntico milagre de uma bomba dos extremistas da Irlanda do Norte. O ano passado foi dedicado a "espinafrar" Daniel Ortega e os sandinistas que na véspera haviam sido punidos com sanções econômicas norte-americanas.

Se persistir a lógica, da reunião que começa amanhã, e se completa segunda e terça-feira, certamente sairá um documento exigindo que os países dotados de usinas nucleares firmem um tratado obrigando a comunicação imediata aos vizinhos quando da ocorrência de acidentes como o verificado em Chernobyl. Pode, também, ser definido um boicote mais severo contra Khadafy, a exemplo do assumido contra o Irã em 1980. E finalmente, a respeito da dívida externa do Terceiro Mundo, originalmente o assunto mais importante do temário inicial, é possível que uma ou outra medida de alívio, meramente paliativa, (como já virou costume), seja tomada. Mas na essência, a questão deverá ficar como está, pelo menos até que numa oportunidade mais calma possa merecer a atenção que sempre deveria ter. Até lá...

(Artigo publicado na página 10, Internacional, do Correio Popular, em 3 de maio de 1986)


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Convite para próprias reflexões



Pedro J. Bondaczuk

O livro “O mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder, é tão instigante, do ponto de vista intelectual, que se me dispusesse a comentá-lo do primeiro ao último capítulo – ou se qualquer outra pessoa se propusesse a isso – teria assunto não apenas para algumas semanas, ou mesmo meses. Precisaria escrever, continuamente, todos os dias sem exceção, por anos a fio e, ainda assim, não diria tudo o que pode ser dito. Minha tentação é a de seguir esse fio condutor, comentando, por conseqüência, a História da Filosofia, pois nesse processo, além de ampliar meus próprios conhecimentos, poderia contribuir para trazer preciosas informações aos que me dão a honra da sua leitura. Embora tenha prometido fazê-lo, e apesar de muitos dos que me acompanham terem insistido para que eu o fizesse, não o farei. E por várias razões.

O principal motivo para encerrar esta série de comentários é em respeito ao autor. Quem quiser saber mais sobre Filosofia e sopbre tudo o que ela enseja, em termos de reflexão, deve adquirir (e ler, e meditar) o livro de Jostein Gaarder. Até porque, cada qual extrairá dessa obra lições diferentes das que meus comentários sugiram, ou talvez “induzam”, de acordo com sua personalidade e seu grau de conhecimento. Ao citar isso, lembro-me do que Friedrich Nietzsche afirmou, certa feita, a esse propósito. O polêmico (posto que genial) filósofo alemão escreveu: “Os leitores extraem dos livros, consoante o seu caráter, a exemplo da abelha ou da aranha que, do suco das flores retiram, uma, o mel, a outra, o veneno”. Não quero, pois, interferir na natureza da extração de cada qual do conteúdo dessa bem-sucedida obra do escritor norueguês. Até porque não sei em que mãos meus modestos e imperfeitos comentários irão parar: se nas de “abelhas” ou se nas “de aranhas”.

 O outro motivo para mudar de assunto é que tenho  extensíssima pauta de temas a desenvolver, de livros a comentar, de autores a apresentar. O mundo da Literatura (felizmente) é dinâmico e, ademais, não sou do tipo que se atém a uma espécie de “samba de uma nota só”, parodiando a famosa composição de João Gilberto. Ou seja, de um único assunto, por mais relevante que pareça ou de fato seja. Sou culturalmente inquieto e ávido por novidades, como boa parte dos que me honram com sua leitura. Reitero, porém, a recomendação: leiam “O mundo de Sofia”. Adquiram o livro (se puderem). Caso não possam, por alguma razão, comprá-lo, procurem-no em alguma boa biblioteca. Leiam-no. Estudem-no. Meditem sobre suas mensagens. Sejam, também, um pouco “filósofos”, exercendo o que o homem tem de mais precioso e nobre: a racionalidade.

Não se preocupem com a imensa quantidade de perguntas que a reflexão filosófica possa (certamente vai, e infinitas) suscitar. Afinal, como afirmou o filósofo português Agostinho Silva, “Filosofia é provocação e dúvida, jamais certeza e ensino”. Ela “ensina”, sim, mas “a agir, não a falar”, como concluiu o romano Seneca. Esse exercício de reflexão os tornará, com certeza, melhores e contribuirá, quem sabe (dependendo do espírito prático de cada um) para tornar o mundo um pouquinho (ou bastante) melhor.

Para não deixá-los na mão, caríssimos e preciosos leitores, sinto-me obrigado a fazer importante revelação sobre esta obra, para o que recorro à enciclopédia eletrônica Wikipédia, que a faz com meridiana clareza: “Por ser um livro baseado em filosofia... promete (e cumpre) explicar tudo no final, quando Sofia e Alberto Knox escapam de Albert Knag. A explicação é que Albert Knag é o autor de um livro chamado ‘O Mundo de Sofia’, onde Sofia e Alberto são dois meros personagens. Ele dá esse livro a Hilde como presente de aniversário. O autor faz com que seus personagens tomem consciência de sua condição e baseados em conhecimentos filosóficos Sofia e Alberto são capazes de transcender a própria realidade do ‘autor’. ‘O mundo de Sofia’ é um exemplo de espontaneadade. O livro retrata épocas e momentos diferentes da realidade que Sofia vive. Quando tudo parece real e concreto, o que nos parece ser normal de uma hora para outra, transforma-se em uma utopia. Quando Sofia descobre que não é real e que não passa de personagem de uma história, história essa que muda sua vida, o enredo do livro muda definitivamente e a realidade empírica mostra-se evidente”. Genial, não é mesmo?


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