Thursday, November 30, 2017

NÃO DEVEMOS ESPERAR A PERFEIÇÃO DE NADA E DE NINGUÉM

Não devemos esperar a perfeição de nada e de ninguém. William Saroyan adverte: “Sempre haverá dor nas coisas”. Contudo, pondera: “Mas não é por saber disso que um homem deve se desesperar. O homem bom procurará tirar a dor das coisas. O homem tolo nem mesmo a notará, a não ser em si próprio. E o homem mau aumentará a dor nas coisas e a espalhará aonde quer que vá”. Saroyan, para quem não se lembra (ou não o conhece), se consagrou como exímio contista. Filho de imigrantes armênios, nasceu em Fresno, na Califórnia, em 31 de agosto de 1908. Se estivesse vivo, portanto, teria completado cem anos de idade em agosto de 2008. Valia-se da experiência pessoal para fundamentar suas narrativas, boa parte das quais de caráter autobiográfico. É verdade que esse escritor, tido e havido como marco da moderna literatura norte-americana, se notabilizou mesmo por peças teatrais, como “O tempo de sua vida”, com a qual conquistou o Prêmio Pulitzer de 1939, e, sobretudo, pelo romance “Comédia Humana”, adaptado para o cinema, com o qual obteve um Oscar de melhor enredo da Academia de Cinema de Hollywood.


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Presente de Natal

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Reeleição e Apitogate


Pedro J. Bondaczuk



O país dos escândalos vê-se envolvido em mais duas novas ocorrências criminosas de uma só vez: a confissão do deputado Ronivon Santiago (PFL-AC) de que ele e mais quatro colegas votaram na emenda da reeleição porque receberam R$ 200 mil cada um para isso e o suborno praticado pelo presidente da Comissão Nacional dos Árbitros de Futebol (Conaf), Ivens Mendes, para obter dinheiro destinado a financiar sua campanha eleitoral.

São novos casos que vêm se somar a vários outros episódios nada abonadores, tanto antigos, quanto mais recentes, como os dos precatórios e os das agressões de policiais militares contra a população em Diadema, na Grande São Paulo e na Cidade de Deus, no Rio, para citar os que estão mais em evidência. Isto para não falar da onda de incêndios de pessoas que se verifica em várias cidades do Brasil --- Campinas entre elas --- cujo episódio de maior repercussão foi a morte do índio pataxó em Brasília.

Portanto, não é apenas a cena política que está apodrecida e nem é só o aparato de segurança pública que se vê corrompido. Toda a sociedade está doente e precisa repensar, com urgência, seus atos e valores.

Outro fato escandaloso, digno de registro (jamais de imitação), foi o ocorrido na semana passada no Congresso, com o chamado "apitaço", seguido de cenas de pugilato entre os deputados. O eleitor (e sobretudo contribuinte), fica se perguntando se vota e, principalmente, se paga tantos impostos para sustentar essa "molecagem".

Para complicar, além de país dos escândalos, o Brasil também se tornou o paraíso da impunidade. No caso dos precatórios, que frequentou por tanto tempo as manchetes, não há evidências de que alguém virá a ser punido. Talvez ocorram punições de dois ou três "laranjas" e tudo tende a terminar como começou. Ou seja, como diz o apresentador do TJ Brasil do SBT, Bóris Casoy: "numa enorme pizza, com sobremesa de marmelada".

A mesma coisa vale em relação à venda de votos dos cinco deputados e ao que já está sendo chamado de "Apitogate". Talvez os corruptos que se deixaram pilhar recebam alguma espécie de punição, embora branda e desproporcional ao crime que cometeram. Mas, e os corruptores? E os que subornaram? E os que fizeram vistas grossas às agressões? E os que lucraram direta ou indiretamente com os escândalos?

O que se defende não é nenhuma "caça tresloucada às bruxas", mas um mínimo de lisura e ética na vida pública brasileira, seja no Congresso, seja no campo financeiro, seja naquilo que é a paixão deste povo: o futebol. Daí ser tão importante o papel da imprensa, denunciando, cobrando, exigindo e fiscalizando. Só assim, quem sabe, seremos aquela sociedade com que todos sonhamos, o que, por enquanto, beira à mais delirante das utopias.

(Texto escrito em 12 de maio de 1997 e publicado como editorial na Folha do Taquaral).



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Psíquico e epidérmico

Pedro J. Bondaczuk

Nenhum sentimento é tão intenso e afeta a totalidade do nosso ser – ou seja, coração, corpo e alma – quanto o verdadeiro amor, quando é correspondido e levado às últimas consequências pelos parceiros. Promove o máximo do contato psíquico (o que nenhum psiquiatra consegue fazer embora seja seu objetivo) e o maior dos prazeres físicos, de forma absolutamente inigualável.

Nem a fé, nem a esperança, nem o medo, nem o ódio nem qualquer outra emoção, positiva ou negativa, conseguem essa simultaneidade e totalidade de sensações e reações. Daí ser estranhável o fato de muitas pessoas fugirem do amor, de medo de se ferirem. Por esse delírio, por essa magia, por esse encantamento valem quaisquer riscos, ferimentos, empenhos e sacrifícios.

Meus críticos gratuitos me acusam, amiúde, de abordar com “irritante” frequência esse tema, sem que lhe acrescente nada de novo, que já não tenha sido dito ou escrito por alguém, em algum lugar ou em algum tempo. Até certo ponto, têm razão. Os amigos mais íntimos, por sua vez, brincam comigo dizendo que devo estar perdidamente apaixonado, para escrever tanto sobre o amor. Também estão certos.

Aos que me criticam, respondo que esse é o tema mais abordado (e menos compreendido) por poetas, filósofos, romancistas, dramaturgos, psiquiatras, psicoterapeutas e quejandos em todo o mundo e todos os tempos. Se também não o tratasse, estaria privando meus leitores, fiéis e habituais, da minha opinião a respeito, pois o número de e-mails que recebo, me cobrando textos sobre o assunto, é muito grande, diria avassalador. Ademais, quem não gosta do que escrevo... Bem, creio que estes já entenderam para qual lugar quero que vão.

Quanto a estar apaixonado, nunca deixei de estar. E nos últimos 41 anos, minha paixão é voltada sempre, sempre e invariavelmente para a mesma mulher, o que, convenhamos, é um privilégio (meu, claro, mas talvez dela também, não sei). Dadas as devidas respostas, vamos ao que interessa.

Se as promessas mútuas que os amantes fazem, no delírio da paixão, quando a sós, numa noite de luar, fossem todas cumpridas, seu amor nunca chegaria ao fim. Ambos viveriam para sempre no Paraíso. Não vivem! Frequentemente, o amor que juravam que seria eterno chega ao fim, não raro no mesmo dia.

Não que aquilo que prometeram fosse falso. No momento em que foram feitas, as promessas eram sinceras. Ocorre que o tempo passa e nem todos têm a cautela de cuidar dos sentimentos. O amor é caprichoso e exige cultivo permanente, para que não definhe, murche e morra. Os que se descuidam desse trato, esquecem logo as promessas que fizeram e, não raro, passam a detestar a pessoa que antes amavam. Os jornais estão repletos de casos de indivíduos que trucidam as amadas, em acessos de fúria e rancor por se verem (ou apenas desconfiarem) passados para trás.

Jorge Linhaça conclui com estes versos, repletos de verdade, seu poema “A lua dos amantes”:

Tantas promessas trocadas
a nada tu te opunhas,
não nos importava nada.

A lua foi testemunha…
Hoje a saudade, mais nada”.

E como é triste o fim de um grande amor que se acaba por falta de cuidado!! Já passei por isso e sei o quanto dói. Mas as lembranças ficam, mesmo à nossa revelia.
Muitas vezes, no amor, o silêncio é bem mais importante do que qualquer palavra que os amantes possam dizer um ao outro. Os olhos, o rosto, o sorriso, as mãos e todo o corpo são mais enfáticos e expressam com muito maior fidelidade as emoções que ambos sentem um pelo outro.

Trata-se da única situação em que duas almas dialogam, sem intermediários, com ternura e encantamento, prescindindo de qualquer outro som, a não ser o dos suspiros de prazer e de paixão. Mais essencial ainda o silêncio se torna quando um dos parceiros, no momento de maior intimidade do casal, se sente tentado a fazer alguma observação que lhe pareça pertinente, mas que soe a crítica. O efeito é devastador! Há relacionamentos estáveis que se rompem para sempre por causa de palavras inocentes, ditas fora de hora, sem levar em conta o contexto.

Affonso Romano de Sant’Anna escreveu um belíssimo poema a respeito, intitulado “Silêncio amoroso” (que peço licença ao paciente leitor para reproduzir) que diz:

Preciso do teu silêncio
cúmplice sobre minhas falhas.
Não fale.
Um sopro, a menor vogal pode me desamparar.
E se eu abrir a boca minha alma vai rachar.

O silêncio, aprendo, pode construir.
É um modo/denso
tenso de coexistir.
Calar, às vezes, é fina forma de amar”.

Ademais, por que falar, se o corpo é tão enfático e expressa com tamanha naturalidade, nitidez e verdade o amor, que palavra alguma pode declarar?


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Wednesday, November 29, 2017

SÓ A BUSCA E O USUFRUTO DA FELICIDADE JUSTIFICAM NOSSA VIDA

Para alguns, a felicidade, a completa satisfação, que os leva ao êxtase, ao interior do Paraíso, advém do sucesso. Para outros, vem da fama. Para terceiros, da fortuna. Para alguns outros, da paz de espírito. E assim por diante. Todavia, sempre existe alguém (ou alguma coisa) que tem o condão de nos fazer felizes (o oposto também, e, frise-se, com maior facilidade). Essas observações podem parecer um tanto retóricas, mas, creia, não são. Concordo com o escritor e filósofo norte-americano, George Santayana, quando constata: “A felicidade é a única razão de viver; quando a felicidade falha, a existência torna-se uma louca e lamentável experiência”. E não é? Ademais, ela não tem tempo para ser conquistada e nem limite de duração. Podemos obter felicidade na mais remota infância e conservá-la pela vida afora, como também podemos chegar a ela apenas na velhice. Ou, o que é trágico, não conquistá-la nunca ou, se conquistada, perdê-la a seguir, ao longo do caminho (sem que sequer venhamos a nos dar conta) – por imprudência ou excesso de cautela; por cobiça ou por ausência de objetivos e por tantas e tantas outras razões, que costumo denominar, genericamente, de “circunstâncias”.


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A hora da verdade


Pedro J. Bondaczuk

A campanha para o Segundo Turno das eleições municipais terminou na quinta-feira, com os candidatos, pelo Brasil afora, queimando seus últimos cartuchos na desesperada tentativa de convencer eleitores que eventualmente ainda estivessem indecisos, fazendo aquilo que em política se convencionou chamar de corpo-a-corpo.. Agora, a sorte está lançada. Chegou a hora da verdade.

O que o cidadão decidir, nas urnas, neste domingo, estará decidido e vai fazer efeito por quatro anos. Por isso, nunca é demais recomendar bastante reflexão antes da hora do voto. Afinal, o munícipe vai decidir a quem entregar a administração da sua comunidade, ou seja, a pessoa que vai influir, diretamente, na sua vida, no seu patrimônio, no seu conforto e na sua tranquilidade.

Em Campinas, dois deputados federais, Hélio de Oliveira Santos, do PDT, apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ministério, e Carlos Sampaio, do PSDB, que conta com o apoio do governador Geraldo Alckmim e de 18 vereadores eleitos em 3 de outubro, disputam, palmo a palmo, o comando de uma das mais ricas, progressistas e paradoxalmente problemáticas metrópoles do País.

A campanha, que havia sido caracterizada pela tranquilidade e até por certo marasmo no Primeiro Turno, esquentou neste Segundo, com contundentes trocas de acusações por parte dos dois candidatos nesta reta final. Nada, porém, que viesse a deslustrar um processo caracterizado pela lisura. Certamente esse debate mais ácido faz parte da estratégia dos marqueteiros dos dois postulantes.

Chegou, finalmente, o momento de saber até que ponto as pesquisas de opinião estavam certas ou não. Não raro, elas furam, como ocorreu em vários cidades importantes do País na primeira rodada de votação deste ano. Ninguém ganha eleições de véspera e nem sempre o pesquisador consegue detectar qual é a verdadeira vontade do eleitor. Daí a expectativa que cerca a votação deste domingo, não somente por parte dos candidatos, mas de toda a população.

Em momentos como este, só se pode recomendar o óbvio. Ou seja, que o cidadão escolha o melhor programa e vote livremente, de acordo somente com a sua consciência, sem se deixar influenciar por nada e por ninguém. Que não troque o seu voto por favores ou promessas de vantagens pessoais ou para parentes, já que isso se constitui em crime eleitoral. Quem recorre a esse expediente, portanto, não merece sequer o respeito de quem quer que seja, quanto mais a confiança para governar uma cidade. E que, sobretudo, vença o melhor. Se tudo correr como se espera, ou seja, se imperarem a ordem e a tranquilidade e se o processo eleitoral for caracterizado pela absoluta lisura, haverá, com certeza, um grande vencedor de antemão: a democracia. Que assim seja!

(Editorial redigido em 31 de outubro de 2004).


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Loucura e razão


Pedro J. Bondaczuk


O homem dotado de grande inteligência, a considerada superior à média, desafia os estudiosos, que buscam determinar as causas dessa capacidade. Teorias vêm sendo estabelecidas, e superadas, sem que se chegue a qualquer conclusão cientificamente comprovável.

Psicólogos, psiquiatras, neurologistas, etólogos, antropólogos ou simples leigos tentam responder, de forma convincente, baseada em provas, a questão: Por que determinadas pessoas são mais inteligentes do que outras? Ou seja, por que têm raciocínio mais rápido e entendem com maior facilidade o que as cerca? Seria algum fator genético? Ou seria consequência de alimentação adequada, ou de estímulos durante a infância, ou do meio ambiente em que a pessoa é criada ou da forma que é educada?

Há quem ache que os bem-dotados, considerados gênios, contam com algum fator biológico especial. Mas qual ele seria, caso seja isso, realmente, o que determina sua superioridade de inteligência? O tamanho do cérebro teria alguma influência? Em caso positivo, em que medida? Quais os fatores que determinaram a genialidade, por exemplo, de um Albert Einstein, de um Beethoven, de um Salvador Dali ou de um Linus Pauling, entre tantos outros, em suas respectivas atividades? E, afinal, o que vem a ser inteligência?

No extremo oposto ao do gênio está o louco. O que vem a ser a loucura? Esse conjunto de desarranjos mentais incapacita sua vítima para as artes ou a torna mais criativa, conforme alguns sugerem? Afinal, muitos, muitíssimos sujeitos cuja criatividade brotava pelos poros, foram (ou são) atormentados por variações extremas de humor, fixações, delírios, manias e dependência de álcool e drogas.

Não me refiro, aqui, à forma popular de loucura, como o vulgo a entende, no sentido daquele indivíduo que tem comportamentos, ideias e atitudes, digamos, não-convencionais. Milhões agem assim e, no entanto, esbanjam saúde mental. A loucura a que me refiro é a doença – ou as doenças, já que são vários os desarranjos da mente (assim como os seus graus) que tornam uma pessoa incapaz, social e legalmente. Há casos e casos. Muitos artistas produziram suas melhores obras depois que manifestaram sua insanidade. Outros tantos, tiveram suas carreiras abruptamente interrompidas e acabaram confinados a manicômios, como feras ou como meros vegetais.

A loucura, através dos tempos, foi tratada de formas as mais diversas e, não raro, diametralmente opostas. Em algumas sociedades, o louco era tido como uma pessoa em contato direto e ininterrupto com os deuses e se tornava uma espécie de oráculo. Em outras, era considerado “endemoniado” e, não raro, era espancado até a morte, para que o demônio deixasse o seu corpo. Em muitos lugares o louco ainda é tratado como delinquente, como “criminoso” (mesmo que jamais tenha agredido a quem quer que fosse) e submetido a toda a sorte de torturas e de vexames.

Por outro lado, gente séria, como Platão, por exemplo, chegou a dar a entender que toda criatividade se baseia, fundamentalmente, numa espécie de “loucura divina”. No século XIX, o psicólogo e filósofo norte-americano William James chegou a escrever o seguinte: “Quando um intelecto superior se une a um temperamento psicopático, criam-se as melhores condições para o surgimento daquele tipo de genialidade efetiva que entra para os livros de História”. Discordo.

Ulrich Kraft escreveu revelador e instigante ensaio a propósito intitulado “Sobre gênios e loucos”. No texto, apresenta uma lista de artistas célebres portadores de graves distúrbios psíquicos como os compositores clássicos Robert Schumann, Piotr Tchaikowski e Serguei Rachmaninoff; os pintores Vincent van Gogh e Paul Gauguin e os escritores Lord Byron e Liev Tolstoi. A essa lista, eu acrescentaria, por exemplo, os escritores Stephane Mallarmé, Friedrich Nietzsche, Johann Christian Friedrich Holderlin, Gerard de Nerval e Antonin Artaud, entre tantos outros.

Fico, no entanto, com a opinião equilibrada e entendida do professor e escritor Isaías Pessotti. O mestre declarou, a respeito, em entrevista publicada pela revista “Cult” em fevereiro de 1998: “Se as pessoas rotuladas como loucas foram grandes criadoras, trata-se de pessoas muito criativas que, por acidente, ficaram loucas. Ou se trata de pessoas que na situação acrítica da marginalização (como loucos) revelaram uma criatividade que a vida ‘normal’ impedia de se ver ou de se manifestar. Mas a loucura não é libertação do espírito. Muito ao contrário. É a escravidão do pensamento”.

Prefiro a lucidez. Defendo a visão positiva da vida como inspiração para as grandes obras do espírito. Remoer mágoas, frustrações, dores, rancores e tantos outros sentimentos doentios e fazer dessa tétrica mistura matéria-prima para “obras de arte”, apresentadas como delírios, uivos, pesadelos ou coisa que o valha, para mim não passa de masoquismo.

Aliás, nada é mais maluco do que a própria origem da palavra “louco”. Paradoxalmente, ela não passa de corruptela do termo “lógico”. Ora, se loucura for lógica, prefiro ser, pelo resto da vida, ilógico e contraditório. E, no entanto, mentalmente são.

Claro que muita coisa poderia ser escrita sobre o assunto, mas não me propus a escrever nenhum tratado, ou ensaio ou coisa que o valha a esse respeito. Minha intenção foi a mais corriqueira possível: a de escrever uma reles crônica, usando, para isso, o recurso que caracteriza esse gênero. Ou seja, “catando no ar” um tema qualquer, profundo ou superficial, importante ou trivial e deitar falação a respeito. E foi o que fiz, não é verdade?

André Gide escreveu: “As coisas mais belas são ditadas pela loucura e escritas pela razão”. Não sei se estas descompromissadas considerações podem ser consideradas como revestidas de alguma beleza. É provável que não. E nem a minha intenção foi essa. Estas linhas, porém, foram ditadas pela loucura (dos outros). Mas escritas (pelo menos acho que sim) por uma certa razão.


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Tuesday, November 28, 2017

ALGUMAS COISAS QUE ME FAZEM FELIZ

A felicidade não deve (e não pode) ser colocada por nós como remota meta a ser atingida eventualmente, como hipotética e sempre distante possibilidade ou, mesmo, como eventual prêmio por bom comportamento, condicionada, portanto, a pessoas, coisas e/ou situações. Tem que ser encarada, isso sim, como objetivo factível e mais: como nossa principal obrigação. Por isso, precisa ser nossa prioridade e a número um. E tem que ser buscada incansavelmente, sem adiamentos e nem esmorecimento, dia a dia, hora a hora, segundo a segundo. Essa condição tão ambígua tem, convenhamos, significados bem diferentes (e, não raro, antagônicos), de uma pessoa para outra. O que me faz feliz, por exemplo, não será, necessariamente, a mesma coisa que satisfará a você, caro leitor, e vice-versa. O que considero o suprassumo dos prazeres pode se constituir, para outros, em intolerável obrigação e, portanto, fonte de sofrimentos e não de venturas. A arte, no meu caso, me satisfaz. As amizades me são fundamentais. Sobretudo, a faculdade de amar, de preferência sendo plenamente correspondido (posto que não necessariamente) me é essencial. Sem elas, dificilmente me sentirei feliz e realizado.


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Nossa maior eleição


Pedro J. Bondaczuk


O País está a escassos 13 dias das maiores eleições que já realizou em sua história, tanto em número de eleitores mobilizados e de cidadãos convocados a trabalhar para a Justiça Eleitoral, quanto em quantidade de candidatos e cargos em disputa.

A rigor, tomando por base esses parâmetros, trata-se da quarta maior votação do mundo, abaixo, apenas, das que se realizam na Índia, nos Estados Unidos e na Rússia. Dois países mais populosos do que o Brasil, a China e a Indonésia, escolhem seus representantes mediante listas predeterminadas, de um partido único. Não se trata, pois, de uma consulta democrática às urnas.

Para que o leitor tenha uma ideia das dimensões desse processo, basta dizer que, somente o número de pessoas encarregadas da recepção e posterior apuração de votos, num total de 2,5 milhões, equivale à população total de uma quantidade considerável de países, como por exemplo, o Uruguai.

Há, de acordo com relatório divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, 94.768.404 eleitores habilitados, 34% dos quais analfabetos (ou puros ou os chamados "funcionais", designação que se dá àqueles que somente sabem "desenhar" seus nomes).

O aspecto que gostaríamos de enfatizar é o de que, não fará nenhum sentido tamanho esforço, para que os cidadãos decidam sobre quem comandará os rumos do País, a um custo estimado de US$ 160 milhões, se parcela considerável da população optar pela omissão.

É inconcebível que se repita a enxurrada de votos brancos e nulos de eleições passadas, se for levado em conta que a escolha direta, principalmente do presidente da República, é o atendimento de uma aspiração penosamente conquistada, uma bandeira levantada por milhões de brasileiros, em meados da década passada, nas ruas e praças das principais cidades do País.

Não se concebe que um cidadão, por mais alienado, mal informado e ignorante que seja, abra mão desse direito de opinar, dessa responsabilidade de escolher, mesmo alegando desencanto e decepção com a classe política.

Grande parte da culpa pelas irregularidades que ocuparam as manchetes da imprensa nos últimos anos cabe ao próprio eleitor. Àquele sem critério de escolha, que troca o voto por empregos para si e para parentes. Do que se deixa subornar pelas várias formas existentes de suborno, dando "sinal verde" aos eleitos de que aceitam uma moralidade apenas de mentirinha. Ou pior, dos omissos, que não têm nenhum direito de cobrar omissões alheias.

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 20 de setembro de 1994).



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Frutos de preconceitos

Pedro J. Bondaczuk

O triste do rebanho humano... é a força dos maus sentimentos e a generalização da estupidez”. Essas palavras de Monteiro Lobato, pinçadas no livro “Serões de Dona Benta”, adquirem plena veracidade e ganham mais força quando analisamos determinados comportamentos das pessoas, sendo que um dos que mais me intrigam é esse nosso hábito, para lá de generalizado, de dizermos “palavrões” quando irritados com algo, ou, principalmente, com alguém.

Outro dia, eu e meus amigos, que nos reunimos, amiúde, em nosso “cenáculo” informal – na verdade um bar aqui da cidade (reuniões estas que já abordei inúmeras vezes, em crônicas anteriores) –, debatemos esse tema e chegamos a algumas conclusões. Analisamos cada uma dessas expressões chulas isoladamente, fora do seu contexto de agressividade, e encontramos, em todas, sem nenhuma exceção, inegável raiz de preconceito.

No Brasil, criou-se um verbo próprio para caracterizar o ato de dizer impropérios (provavelmente proveniente de algum dialeto africano): xingar. E o que se entende como xingamento? Conforme o dicionário, é “a ofensa, o insulto, a injúria ou a zombaria com palavras”. Quem quiser conhecer uma coleção completa deles, basta ir a um estádio de futebol, principalmente em dia em que o árbitro estiver desagradando o time de maior torcida. Quem não os conhecer (se há alguém que não os conheça), aprenderá rapidinho como tirar os outros do sério.

Numa análise rápida e superficial, é fácil demonstrar a tese que levantei, de que os palavrões se originam de preconceitos. Por exemplo, o xingamento dos xingamentos é dizer a alguém que ele é “filho de uma prostituta” (embora a palavra empregada não seja bem esta, mas outra, bem mais curta). A pessoa que se ofende com isso é tão tola quanto a que a xinga. Claro que sua mãe não exerce a profissão tida como a mais antiga do mundo. E se exercesse?

Seria vergonhoso. E por que? Porque os mesmos que exploram sexualmente as mulheres consideram que as que se deixam explorar se tornam menos do que humanas. Viram uma coisa qualquer, menos gente. Preconceito, puro preconceito, como se vê. Outro xingamento equivalente é mandar o desafeto procurar a .... que o pariu. Ou seja, diz a mesma coisa, com outras palavras: que a mãe daquele a quem se deseja ofender é uma rameira.

Um terceiro palavrão, que provoca brigas e mais brigas e, nos casos extremos, redunda até em mortes, é chamar alguém de homossexual, mas substituindo esse termo pelo de um animal gracioso, veloz e cheio de galhos na cabeça. Discordo do homossexualismo, embora respeite a opção alheia. Todavia, considero esse xingamento, tanto quanto o que abordei anteriormente, fruto de preconceito.

A maioria das outras palavras consideradas insultuosas é constituída por expressões escatológicas, como os órgãos sexuais (masculino e feminino), o excremento (com seus sinônimos chulos, evidentemente) e, estranhamente, o uso de animais, como cachorro, cavalo, burro, vaca e vai por aí afora para caracterizar alguém. Creio que o que ofende num xingamento não é ele em si, mas a hostilidade que embute quando é proferido.

Há palavras, até mesmo, que em sua origem não tinham conotação ofensiva e que o povo transformou em ofensa. Exemplo? Vagabundo. O significado original desse termo era o da pessoa que se perdia em seus próprios pensamentos, ou que viajava muito, ou que fosse nômade. Não tardou para que lhe dessem acepção negativa, profundamente pejorativa. Hoje a palavra é, via de regra, utilizada significando “aquele que não possui ocupação, que vive levianamente, errante, que vagueia, andarilho”.
Há não muito, chamar alguém de vagabundo (ou de sua variante, vagamundo), equivalia a considerá-la um poeta, ou um turista, ou alguém que conhecia muitas terras e lugares. Hoje... é uma ofensa que pode dar processo (se o que se considerar injuriado for, digamos, um pouquinho “civilizado”), ou encrenca da grossa se for um sujeito ignorante, de maus bofes e, sobretudo, valentão.

Como se vê, a estupidez é democrática e se generaliza com espantosa rapidez. Todas as palavras consideradas xingamentos têm significados, digamos, neutros, se utilizadas no devido contexto. Foi o preconceito que as transformou em palavrões. Tanto que essas palavras, condenadas pelos moralistas de plantão e que provocam reações tão dramáticas, são chamadas de “baixo calão”. Ou seja, de origem popular.

Agora me respondam o seguinte: é somente o povo que xinga? Aqueles tidos como sendo de “classes superiores” nunca fazem um xingamento, unzinho sequer? Fazem! E como fazem! Por que, então, essa designação de “baixo calão”? É preconceito puro, explícito, escrachado e desabrido contra o chamado “povão”, óbvio! Ou não é?!



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