Thursday, March 31, 2011




As grandes obras, intelectuais ou artísticas, são solitárias. São individuais, personalizadas, frutos do conhecimento, da experiência e da vontade de quem as elabora. Originam-se de uma visão particular de mundo e, após elaboradas, se popularizam e ganham acréscimos, aperfeiçoamentos e ampliações alheios. Mas suas concepções são individuais. John Steinbeck faz essa constatação no livro “A Leste do Éden”: “Nossa espécie é a única criativa e possui apenas um instrumento criativo: a mente individual e o espírito de um homem. Nada jamais foi criado por dois homens. Não há boas colaborações em música, arte, matemática, poesia, filosofia. Depois que o milagre da criação ocorreu, o grupo pode consolidá-lo e ampliá-lo. Mas o grupo nunca inventa qualquer coisa. O grande valor está na mente solitária de um homem”. Explore, pois, sua mente. Confie no seu talento. Crie, para tornar o mundo mais rico em conhecimentos e em opções.

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PERFIL


EDWIN LUISI


O ator Edwin Luisi, que recentemente trabalhou na minissérie da Rede Manchete “A Marquesa de Santos”, onde fez o papelo do Chalaça, amigo íntimo do imperador D. Pedro I, está completando onze anos de carreira artística. E nesse tempo todo, soube dividir, de maneira racional, as atividades no palco e no vídeo, alternando peças de grande sucesso com novelas que conquistaram o público.

Aos 37 anos de idade, Edwin já tem em seu currículo a participação em nove trabalhos teatrais de grande porte, oito novelas e uma minissérie. As peças em que atuou foram: “Ensaio Selvagem”, “Tome conta de Amélie”, “Ricardo III”, “Os Executivos”, “Á margem da vida”, “Roda cor de roda”, “A Resistência”, “Amadeus” e a atual, em cartaz há quase um ano, “Freud, no Distante País da Alma”.

Na televisão, sua carreira foi desenvolvida na Globo até este ano, quando aceitou convite da Manchete e se transferiu para aquela emissora, na qual, afirma, terá maiores oportunidades. Atuou nas seguintes novelas (não exatamente nessa ordem) em períodos os mais variados: “Escrava Isaura”, “Sétimo Sentido”, “O Astro”, “Pecado Rasgado”, “Dona Xepa”, “Terras do Sem Fim”, “As Três Marias” e “Pão, pão, beijo, beijo”.

Após “A Marquesa de Santos”, Edwin Luisi já está nos planos da Manchete para uma nova minissérie, no ano que vem, cujo texto ainda está sendo cuidadosamente escolhido. O ator acha que por se tratar de uma emissora nova, praticamente ainda em formação, ela não possui, ainda, os vícios das mais antigas e que, por essa razão, o profissional tem maiores condições para desenvolver todo o seu potencial.


(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, TV, do Correio Popular, em 26 de outubro de 1984).


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Busca da coerência


Pedro J. Bondaczuk


A busca (e manutenção) da coerência tem que ser objetivo permanente de quem lida com textos, seja jornalista ou escritor, pois o que escreve tem o caráter de permanência e tende a denunciá-lo, não raro anos mais tarde, caso venha a se contradizer. Aliás, trata-se de virtude desejável para todos os que lidam com idéias, mas que se torna possível, apenas, quando se tem convicção no que se expressa. Daí recomendar às pessoas que tratem, exclusivamente, do que de fato conheçam, (e em profundidade), para evitarem de dizer, se contradizer, tornar a dizer, voltar a se contradizer e assim indefinidamente. Muita obra de ficção já foi arruinada por falta de um pouquinho que fosse de coerência. A coisa fica pior quando se trata de crônicas e ensaios. Talvez se faça “vistas grossas” apenas aos poetas, quando são incoerentes e contraditórios, já que sua “matéria-prima” não são propriamente idéias, mas sonhos, sentimentos, emoções e, não raro, “delírios".

Em uma conversa informal, a coerência e seu oposto, a incoerência, nem sempre são notadas e, por isso, exigidas. Claro que seria desejável que fossem notadas e que a primeira delas estivesse sempre presente. Enfim... Em uma palestra, ou conferência, ou mesmo locução de rádio e TV, a incoerência, quando cometida, é notada sim. O autor, todavia, nesses casos, pode alegar (e via de regra alega) equívoco dos ouvintes. Mas num texto... A bobagem nunca passa despercebida. Sempre haverá quem detecte a incoerência e a denuncie, para constrangimento de quem a cometeu, mesmo que demore anos para denunciar.

E por que somos tão amiúde incoerentes ao falar? Dante Aligheri, em sua “Divina Comédia”, na parte referente ao “Paraíso”, Canto XIII, atribui isso à “afoiteza”. Não pensamos devidamente antes de nos expressar. Temos pressa em colocar nossas opiniões e, com isso, as distorcemos, não raro sem sequer nos darmos conta. O poeta escreveu a propósito: ”Revela-se o mais tolo entre os tolos aquele que sem meditação afirma ou nega. Num e noutro caso, cumpre ser ponderado. A afoiteza é causa de que muitas vezes a opinião geral conclua erradamente, havendo a paixão tomado o lugar do raciocínio. Mais do que inútil é a saída para o mar do que não sabe a arte da pesca, pois com maior dano volta da procura da verdade aquele que não se preparou para encontrá-la”.

É bem possível que a esta altura algum leitor queira me contestar, assegurando que estou sendo desastrosamente incoerente em minhas colocações. Poderá, para tanto, jogar-me na cara texto recente que escrevi em que fiz a defesa da flexibilidade de opiniões. Ou seja, recomendei que mudemos nossa postura sem maiores constrangimentos. Mas quando fazer isso? Sempre? Não! Apenas quando alguma opinião que tenhamos seja provada, de forma incontestável, que é errada. Conservá-la, nesses casos, apenas por teimosia, é uma grande estupidez. Não vejo nenhuma incoerência entre essa recomendação e o que acabo de afirmar. O que se condena é você escrever determinada coisa, digamos, em uma crônica, e, no mesmo texto, linhas abaixo, se desdizer, posto que com outras palavras. Ou ter a mesma atitude num outro texto, não importa. É claro que, então, estará sendo incoerente, incoerentíssimo por sinal. Se você mudou de opinião, convencido que foi de que antes estava errado, fez muito bem. Tratou-se de atitude de sábio. Mas tenha, então, o capricho de revelar ao leitor essa mudança. Assim, estará evitando de ser dogmático e, por conseguinte, manterá, sim, a coerência.

É verdade que o ser humano é um feixe de contradições. E quanto mais o analisamos, mais perplexos e surpresos ficamos com seus extremos. Todos somos, praticamente o tempo todo, contraditórios. Eu sou, você é, assim como seu cônjuge, seu vizinho, seu amigo, seu inimigo etc. o são. Mas seria errado pelo menos tentarmos manter um mínimo de coerência no que dissermos e, principalmente, escrevermos? É óbvio que não. Charles Baudelaire, certa feita, fez o seguinte desabafo, em tom de queixa: “É lamentável que entre os direitos do homem, tenha sido esquecido o direito da pessoa se contradizer”. Mas ele não foi esquecido. Apenas não foi explicitado. Desde que, como enfatizei, você esclareça a razão da mudança de determinada opinião, ou seja, dessa contradição, estará sendo, mesmo que minimamente, coerente ao mudá-la.

O homem, principalmente em suas atitudes, oscila entre o tétrico e o sublime, a santidade e a maldade, o desprendimento e o egoísmo. O bem e o mal duelam constantemente, ao longo de toda a nossa vida, no interior da nossa alma e, a qualquer momento, um deles pode triunfar e determinar nossa trajetória final no mundo. Ou seja, fazer com que venhamos a ser lembrados (se o formos) pela posteridade como anjos ou demônios, dependendo do teor das nossas ações.

Entendo que somos, ainda, uma espécie em franca evolução. Estamos longe de sermos seres já “acabados”. Há muito, ainda, a modificar e a desbastar, nesta “estátua” viva e pensante, que nós somos. Isso que hoje classificamos de “civilização”, por exemplo, certamente (ou provavelmente, vá lá), dentro de dois, quatro, seis ou mais séculos, será tido como “barbárie”. Nossos descendentes se mostrarão pasmos com a nossa ignorância e selvageria. Temos, reitero, muito, mas muito mesmo que evoluir e contamos com potencial imenso para essa evolução. Se o faremos (ou não) ou quando, é uma outra história.

Blaisé Pascal expressa, com a precisão de filósofo, sua perplexidade face às contradições humanas (dele, minhas, suas etc.). Escreve: “Que quimera é o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que sujeito de contradições, que prodígio! Juiz de todas as coisas, verme imbecil; depositário da verdade, fossa de incerteza e de erro; glória e nojo do universo. Quem é capaz de desvendar esta embrulhada?”. Eu não sou! Porventura você seria, meu crítico e analítico leitor?


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Wednesday, March 30, 2011




Sermos compreensivos, solidários e generosos quando vivemos momentos favoráveis (embora seja meritório e desejável) não implica em maiores esforços. Qualquer pessoa pode agir assim. O verdadeiro teste do nosso caráter, porém, é termos esse mesmo comportamento em ocasiões de crises e de aflições. Ou seja, em períodos em que o nosso mundo parece desmoronar e que tudo representa estar contra nós. Os corações nobres, generosos e abnegados mantêm a compostura, mesmo nesses períodos amargos. Sobrepõem o amor ao próximo ao natural e benfazejo amor-próprio que, se exacerbado, se transforma em egoísmo. Martin Luther King observou, em memorável sermão, a esse propósito: “A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio”. Só nessas ocasiões de crise é que podemos aferir o verdadeiro caráter das pessoas.


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Disc-Notas


*** --- O cantor Nelson Gonçalves, um dos grandes recordistas de vendas de discos de todos os tempos, no Brasil, vai lançar, no final deste mês, um novo LP na praça. É o "Ele & Elas", onde há a participação de grandes estrelas da nossa MPB, como Alcione, Beth Carvalho, Fafá de Belém, Ângela Maria e Núbia Lafayete. Nelson está cantando cada vez melhor, sem ser afetado em nada pela idade. É como os bons vinhos.

*** --- Quem está com um disco bonito na praça é Joanna. Trata-se de um LP que leva o seu próprio nome. É um trabalho tão cuidadoso, que fica até difícil destacar alguma faixa. Entretanto, para nosso gosto (e gosto não se discute), as composições com maiores possibilidades de sucesso são "Palavras Secretas", "Nunca Mais", "Você me Ama" e "Ame".

*** --- Os brasileiros não estiveram muito bem classificados nas paradas da América Latina, nesta semana. Pelo menos não como nas anteriores. Mesmo assim, tivemos quatro discos, entre os mais vendidos, em três capitais diferentes, pela ordem: Sérgio Mendes ocupou o 7º lugar em Assunção, no Paraguai, com "Vamos a Dar un Poco Mas Esta Vez"; em La Paz, os brasileiros predominaram, ocupando o 1º lugar, com o "Baila Comigo", com Rita Lee e Roberto de Carvalho, e também o 2º, com o "A Bailar Mambole", com o Los Angeles e, finalmente, Roberto Carlos conseguiu conservar-se entre os melhores em Quito, ficando em 6º lugar com "El Amor y La Moda".


(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 15 de setembro de 1984).


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Mudança de opinião


Pedro J. Bondaczuk


Podem me prender, podem me bater/podem até deixar-me sem comer/que eu não mudo de opinião”. Quem, da minha geração (ou da próxima dela) não se lembra desse famoso refrão do samba “Opinião”, consagrado na voz de Nara Leão em fins dos anos 60? Essa composição, da dupla Zé Keti e João do Vale, inspirou um show do mesmo nome, lá pelos idos de 1968, desse trio, que hoje é histórico, por simbolizar um desafio corajoso e explícito dos artistas à ditadura militar, que então completava quatro anos, com o endurecimento do regime caracterizado por inúmeras prisões, torturas, “desaparecimento de pessoas” etc.

Embora a letra do samba não manifestasse, explicitamente, repúdio à tirania que desgraçou e atrasou o desenvolvimento do País, os que viram o espetáculo entenderam bem a mensagem. O samba tinha a seguinte sequência: “Daqui do morro eu não saio não,/daqui do morro eu não saio não//Se não tem água, eu furo um poço,/se não tem carne, eu compro um osso/e ponho na sopa/e deixo andar, deixo andar.//Fale de mim quem quiser falar/aqui eu não pago aluguel/se eu morrer amanhã, seu doutor/estou pertinho do céu./]/Podem me prender, podem me bater/podem até deixar-me sem comer/que eu não mudo de opinião./Daqui do morro eu não saio não,/daqui do morro eu não saio não”.

Como se nota, a letra não tinha, aparentemente, qualquer conotação política. A única parte que sugeria, mas remotamente, que se destinava a desafiar a ditadura, era a que falava de prisão e de tortura (bater e deixar sem comer). Foi um samba tão bem feito, que a censura não teve como proibi-lo. Mas era, claro, um libelo direto e corajoso contra a ditadura.

A parte que me chama a atenção, porém, é a que insiste que o personagem da composição “não muda de opinião” nem sob a mais braba das coações. Coagido, também não mudo. Mas será que é uma atitude sensata e inteligente não mudar nunca nossos conceitos sobre o que quer que seja em quaisquer circunstâncias? Não, não e não. Se tivermos uma opinião errada e nos provarem isso com argumentos sólidos e, principalmente, com provas concretas e inquestionáveis, a manutenção de posição de intransigência será imensa estupidez. Os prejudicados seremos somente nós e mais ninguém.

Quantas vezes você já não ouviu, observador leitor, alguém dizer que “não dá o braço a torcer”, se referindo a não mudar, em hipótese alguma, seu pensamento? Ouço isso praticamente todos os dias. Esta, porém, é uma atitude de quem se recusa a aprender. É a dos dogmáticos, que preferem a posição cômoda de não ter que pensar para se limitar acompanhar a correnteza, a maré, mesmo que essas sejam explicitamente equivocadas.

Eu mudo, e bastante, de opinião. Claro que há condições para isso. Primeiro, precisam provar-me que aquilo que penso é muito errado. Mas têm que fazer isso com argumentos e com respeito, em alto nível. E antes que pensem mal de mim, vou logo adiantando que não sou aquilo que o vulgo classifica de “maria vai com as outras”, que a cada instante tem uma opinião diferente, de acordo com as circunstâncias e quem me conteste. Não é bem assim. Tenho posições firmadas, frutos de muito raciocínio, estudo, aplicação da lógica e comprovação. Admito, todavia, que posso estar errado em alguma coisa (ou muita coisa, sei lá). E se alguém me provar, sem sombra de dúvidas, que de fato estou, não titubeio em ser esclarecido. E mudo, gostosamente, de opinião.

É verdade que há pontos em que não mudo jamais. E não se trata de nenhum dogma e de nada sequer racional. E qual é um deles? Bem, no que se refere a sentimentos, notadamente às paixões, procuro ser fiel ao máximo. Quando me apaixonei por minha mulher, por exemplo, não tive dúvidas e ninguém precisou me provar nada. Nunca lhe pedi a menor prova de reciprocidade ou fidelidade. Nosso relacionamento sempre se deu na base da mútua confiança. E mesmo que ela me decepcione (no que não acredito) jamais deixarei de amá-la. No caso dela, pois, de fato não mudo de opinião. Afinal, nunca mudei em quase meio século de companhia e não seria agora que agiria assim.

Querem outro exemplo? A torcida pelo clube de futebol que é minha paixão. Nunca escondi de ninguém o que sinto pela Ponte Preta. E esse apego não tem rigorosamente nada de racional. Vejam só, essa entidade tem 110 anos de existência, é a mais velha, das que praticam futebol, em atividade no País e, no entanto... Jamais foi campeã de coisíssima alguma, nem mesmo da segunda divisão. É verdade que em cinco oportunidades chegou perto, passou raspando, conquistando cinco vice-campeonatos que, para a imensa maioria dos amantes do futebol não valem nada. Para mim, porém, valeram.

Por que, então, torço para esse time, que não ganha nada, se há tantos que acumulam títulos em cima de títulos, para os quais poderia torcer impunemente e me vangloriar do seu sucesso? Porque se trata de paixão, que é irracional e, portanto, não exige e nem comporta explicações ou justificativas. Mas quando se trata de opinião com base no raciocínio exato, lógico e frio, não tenho a menor vergonha de mudar, desde que satisfeitas as condições que já citei. Ou seja, que me provem, sem nenhuma margem à dúvida, que estou errado. Que façam isso dialeticamente, respeitando minha dignidade e sobretudo inteligência. E que não haja a menor coação, nem física, nem afetiva, nem psicológica e nem intelectual.


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Tuesday, March 29, 2011




A principal característica de quem é dotado de verdadeira grandeza não é, como muitos (erroneamente) pensam, a arrogância, a prepotência e a soberba. É a humildade. É o conhecimento das próprias limitações. É a correta avaliação do real alcance de suas capacidades, sem sobreestimá-las e nem subestimá-las. É o profundo e irrestrito respeito pelos carentes, fracos e néscios, consciente que se tem muito o que aprender com eles. É respeitar idéias e opiniões alheias, sem abrir mão das próprias convicções. É nunca se achar “iluminado”, mesmo que o seja. É compartilhar experiências e conhecimentos com todos os que estiverem dispostos a essa partilha. O poeta Rabindranath Tagore observa: “Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza”. Ser “grande”, portanto, significa ser íntegro, ser solidário e, sobretudo, saber respeitar todo e qualquer semelhante, sem preconceitos e discriminações.

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Embalos de sábado à tarde


Pedro J. Bondaczuk


Os "embalos de sábado" à tarde, do telespectador, são caracterizados pela monotonia, pela completa ausência de opções em termos de programação. Dessa forma, após o almoço, o sujeito que já trabalhou pela manhã e quer um pouco de entretenimento, para desanuviar a cabeça dos problemas que enfrentou no correr da semana, tem como escolha ou "uma pelada" de futebol, nos raros campinhos que ainda restam, ou nada.

Muitos destinam essa faixa de horário para lavar e lustrar seus carros. Outros, optam por uma soneca. Raros, muito poucos, escolhem a TV nesse horário, que vai das 13 às 18h, como programa para o seu descanso. Não é necessária nenhuma pesquisa de Ibope para se chegar a essa conclusão. Basta que você, leitor, analise sua tarde de sábado, para concluir que aquilo que estamos afirmando é rigorosamente verdadeiro.

E qual a explicação para manter o televisor desligado nessa faixa de horário? É simples: a falta de opções. Os nossos programadores, talvez fanáticos amantes de programas de auditório, acham que todos os telespectadores possuem gostos iguais. E tome programinhas de calouros, sempre com os mesmos "cartazes", a maior parte deles autênticos "prêt-à-porter", consumíveis e largados de lado, frutos mais da promoção da indústria fonográfica do que de um real talento.

Aliás, a esse respeito (embora poucos tenham a coragem de afirmar publicamente) a grande verdade é que a música popular brasileira atravessa um de seus períodos mais negros de falta de criatividade. Depois da Bossa Nova, na década de 50, da Jovem Guarda, na de 60 e do movimento dos baianos, na de 70, nada de novo apareceu na praça. Não bastasse a poluição sonora das principais emissoras de rádio, "entupidas" de composições de má qualidade, produzidas em série e cujo destino fatal é o esquecimento perpétuo, após passageiro período de brilho, o telespectador, que porventura tiver a infelicidade de querer preencher suas tardes de sábado assistindo TV, receberá em seu lar essa mesma mediocridade (salvo raríssimas e honrosas exceções), através de esquemas ultrapassados, que já deram seus frutos à época de César Ladeira, Ary Barroso, Jaime Barcelos, César de Alencar e tantos outros, hoje aposentados, porém que souberam movimentar platéias.

Mas eles tinham atrações para apresentar: cantores e cantoras realmente de talento, que deixaram seus nomes marcados na história da música popular brasileira. Compositores que eram criativos de verdade e que legaram ao nosso cancioneiro páginas inesquecíveis e imortais.

Admitamos que os programas de auditório tenham o seu público apreciador. Mas será que os programadores de nossa televisão acham que todo o brasileiro, sem nenhuma exceção, gosta desse tipo de espetáculo? Pelo menos é o que parece.

Quem porventura não aprecia esse gênero de apresentação (e são muitos, para não dizer a maioria), não tem outra opção senão desligar seu aparelho e buscar outra atividade qualquer para preencher sua tarde de sábado. Alguns acham que estamos exagerando. Pois aí vai a prova.

A programação vespertina de sábado, dos cinco canais comerciais sintonizados em nossa cidade, é a seguinte: Rede Bandeirantes, "Clube do Bolinha"; TV Record, "Programa Barros de Alencar"; TVS, "Programa Raul Gil" e TV Gazeta, "Programa Carlos Aguiar". Todos estes estão concorrendo com alguém imbatível no gênero na atualidade, ou seja, o "Velho Guerreiro", Chacrinha, na Globo, que ninguém pode negar, tem o seu público fiel e inarredável.

Quais desses programas têm condições de competir com o veterano apresentador? Por que não distribuir, então, os demais por outros dias e horários e dar ao telespectador uma variedade maior de atrações? Todos os outros têm lá o seu valor, senão não estariam onde estão. São dignos de respeito e possuem (por que não?), as suas legiões de fãs. Mas estes seriam a maioria? Duvido! E é justo destinar-se toda uma programação, no veículo de maior penetração em todo o País, a uma inexpressiva minoria?

Outro aspecto a considerar é que as pessoas que gostam dos artistas que freqüentam esses espetáculos, têm outras opções para vê-los e ouvi-los. Apesar da crise econômica que o País está vivendo, os shows em clubes e ginásios de esportes, por este imenso Brasil, se multiplicam. As emissoras de rádio não cansam de rodar os seus sucessos. Indo seguidamente aos programas de auditório (e os senhores certamente já notaram que são quase sempre os mesmos), eles estarão, na verdade, "queimando" suas imagens.

A TV, não ser pode negar, traz esse risco. É um veículo onde apenas aqueles que realmente têm um imenso talento conseguem aparecer durante anos a fio, sem cansar, sempre com o mesmo interesse por parte dos telespectadores. E esses, é possível de se contar nos dedos. E de uma só mão!

Que tal se alguma emissora fizesse uma experiência e lançasse algo de novo nesse dia e horário? Mas que ela não se restringisse apenas ao lançamento. Que fizesse uma grande promoção, através da mídia impressa e por meio de chamadas em seus horários nobres, e que esse programa fosse anteriormente pesquisado junto ao público, tivesse um bom tratamento na sua produção e que, além de entreter, trouxesse alguma instrução ao telespectador.

Podem estar certos que uma providência assim faria com que os aparelhos de TV ficassem ligados em maior quantidade, por mais tempo e os nossos "embalos de sábado" à tarde não seriam tão monótonos e descoloridos. A sugestão é gratuita e fica aí para quem tiver a coragem de tentar.


(Comentário publicado na página 16, Artes, do Correio Popular, em 17 de fevereiro de 1984).


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Dogmas e opiniões


Pedro J. Bondaczuk


A polêmica é uma arte, mas ainda não é bem entendida, principalmente por quem não está afeito ao campo das idéias. Há quem a entenda como sinônimo de “briga” ou de “discórdia hostil” e que seja, portanto, uma atitude ruim. O polemizador é visto como encrenqueiro, o sujeito que só quer arrumar confusão. Quem encara a polêmica essa forma não sabe o que ela é e desconhece sua importância para o avanço mental, moral e filosófico da humanidade. Há um ditado popular que diz que “da discussão nasce a luz”. Não, óbvio, daquela azeda e desrespeitosa, que via de regra desemboca no desforço físico.


Polêmica, por definição, é a arte de “provocar disputas e causar controvérsias em diversos campos discursivos”. É um confronto de opiniões, objetivando, mediante esta “ferramenta” dialética, também pouco entendida, que é a retórica (a arte do “repto”, ou seja, do “desafio”), melhorar ou, se for o caso, modificar radicalmente determinada opinião sobre algum conceito. Impede a esclerose de idéias e não permite que, mesmo que equivocadas, venham a se transformar em dogmas, consagrando e petrificando erros. O que se busca, sempre, é algo vago e indefinido, em nome do que já se cometeu muita atrocidade e injustiça, chamado de “verdade”. Muito cuidado com essa palavrinha.


Muitas vezes, o que se nos afigura rigorosamente verdadeiro, com um estudo mais aprofundado e com discussão séria, feita com argumentos sólidos e irretorquíveis e espírito aberto, se comprova ser mera falsidade. O que temos, a respeito da maioria dos temas que influenciam nossas vidas, são meras opiniões. É importante tê-las. Mais importante, porém, é impedir que se petrifiquem e não possam ser mudadas, se alguém comprovar que estão erradas.


Os que têm alguma coisa útil a dizer ambicionam ser ouvidos (ou lidos), com respeito e com atenção. Poucos, todavia, têm esse privilégio. Meu ensaísta predileto, Henry David Thoreau, fez essa constatação no ensaio “A vida sem princípio”. Para quem não o conhece, foi um anarquista (no sentido lato do termo, ou seja, do que defende a preponderância do indivíduo sobre governos e organizações) cujos textos são estudados em todas as escolas dos EUA. Chegou a ser preso, por se opor à interferência do governo do seu país em sua vida pessoal. Thoreau, inspirador de Gandhi, escreveu: “Nunca me senti tão lisonjeado quanto no dia em que alguém pediu a minha opinião e prestou atenção ao que eu disse... pois é uma forma rara de fazer uso de minha pessoa; é como estar acostumado a usar uma ferramenta”.


Portanto, é questão de humanidade e de justiça prestarmos atenção, sempre, nas opiniões alheias, mesmo que contrariem as nossas. Todavia, nem por isso tais opiniões devem ser acatadas liminarmente, como suprassumos da verdade. Torno a recomendar: muito cuidado com essa palavrinha. E tenham cautela para não estabelecer (e para não se submeter a) dogmas. Esse é o maior veneno para o avanço intelectual (e moral e até material) de qualquer pessoa. Por que?


Há exemplos em profusão de como a tentativa de se refugiar em algum dogma, tido e havido como a máxima expressão da verdade (e que o tempo se encarregou de mostrar que era grosseiramente falso e, portanto, reitero mais uma vez: muito cuidado com essa palavrinha) , induziu categorias inteiras aos mais ridículos erros. Por exemplo, antes das pesquisas de Johannes Kepler, ou de Tycho Brahe, ou de Galileo Galilei Galileu, ou de Giordano Bruno, pretensos cientistas davam como "favas contadas" que a Terra era o centro do Universo e que o Sol é que girava ao redor do nosso planeta. Negar o geocentrismo deu cadeia, e muitas vezes a fogueira, por "crime de heresia", a um número grande de pessoas preparadas e responsáveis.


Os doutores da Igreja, defensores desses dogmas, atrasaram em séculos a evolução da astronomia, da física e de tantas outras disciplinas científicas. Não se deve, pois, acorrentar o pensamento, seja a que pretexto for, sob pena de se cometer ridículos erros de avaliação. Muitos dogmas sobre a finalidade da vida foram erigidos, e persistem e até se multiplicam nos dias. Eles têm o efeito de uma espécie de "narcótico", para afastar seus crentes da dura realidade, por serem acatados cegamente, sem reflexões ou considerações, por milhões de pessoas, que se sentem "felizes" por não serem "obrigadas a pensar". Deixam que outros pensem por elas.


O imperador romano Júlio César observou que "os homens têm grande disposição para acreditar no que desejam". E como têm! Diariamente, aparecem charlatães, com receitas "milagrosas" sobre a arte de viver, ditando normas, de conformidade com suas fantasias e ilusões. E nunca lhes faltam discípulos e adeptos. Religiões e mais religiões surgem dos nada, criadas por espertalhões, que exploram a ignorância, inocência ou boa fé dos mais simples ou néscios. Mas saber, mesmo, qual a finalidade da vida... ninguém sabe.


Por que os seres – animais ou vegetais – nascem, se desenvolvem e se reproduzem, se estão, irremediavelmente, condenados a morrer? Não seria um desperdício? Há vida em outras partes do Universo? Caso a resposta seja afirmativa, ela é igual, semelhante ou diferente da existente na Terra? São perguntas, perguntas e mais perguntas, infinitas delas, sem respostas sequer satisfatórias, quanto mais dogmáticas. Tais questões há muito desafiam filósofos, biólogos, astrônomos e especialistas nas mais diversas áreas da ciência, sem que ninguém haja sequer se aproximado de uma conclusão.


Os que têm fé, fundamentam os objetivos da vida na esperança da eternidade, embora de forma muito vaga, em geral induzida por suas próprias crenças e fantasias, quando não por dogmas, que não resistem à mínima análise factual ou lógica. A maioria prefere mergulhar numa desesperada alienação, "vivendo" apenas, sem inquirir a si próprios, à sua lógica e razão, sobre significados ou finalidades e sem ousar polemizar, deixando que suas convicções se esclerosem, necrosem, petrifiquem, em vez de serem arejadas e continuamente renovadas. Fuja, pois, de dogmas e de dogmáticos!!!


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Monday, March 28, 2011




O acúmulo de conhecimentos e informações, ou seja, o mero saber, não implica, necessariamente, em sabedoria. Esta caracteriza-se, entre outras coisas, pelo uso que fazemos desse acervo de dados, acumulado desde os primórdios da civilização, e que é o patrimônio comum de toda a humanidade. O sábio é o que multiplica esse conhecimento e o utiliza de forma a enriquecer a espécie. Conheço pessoas que sequer sabem ler, mas que são fontes inesgotáveis de bom-senso e de sabedoria. Em contrapartida, sei de inúmeros doutores, com uma infinidade de diplomas, que são arrogantes e obtusos e não enxergam um palmo à frente do nariz no que diz respeito à ciência do bem-viver. A poetisa Cora Coralina, consciente e, sobretudo, sábia, faz, com grande argúcia, essa distinção, ao afirmar: “Saber a gente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes”. Simples assim!


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Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.


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Boca quente


COMANDANTE?!


Os noticiosos de TV, pela pressa com que têm que ser elaborados, para não perderem a atualidade, têm apresentado, principalmente nos textos, muitas falhas, que acabam sendo passadas ao público pelo locutor. Foi o que aconteceu há duas semanas, no Jornal Nacional, da Rede Globo.


Celso de Freitas, ao ler a notícia de que o presidente francês, François Mitterrand, havia condecorado o escritor brasileiro Jorge Amado, sapecou: "o autor de livros como "Gabriela, Cravo e Canela" e "Dona Flor e seus Dois Maridos", recebeu as insígnias da Legião de Honra, no grau de comandante".


Bem, comandar mesmo, Jorge Amado comanda o seu animado grupinho em Salvador, na Bahia. A comenda com que o escritor foi agraciado foi a de "comendador".


Pressa em produzir o texto dá nisso mesmo. E a falta de leitura, antes que entre no ar, também. Foi uma dupla mancada, digna de uma "condecoração".


(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 19 de setembro de 1984).


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Beleza maculada


Pedro J. Bondaczuk


A natureza cria o belo e o bom para o deleite de quem sabe apreciar essas virtudes. O homem, todavia, se excede no usufruto desses bens naturais e macula, corrompe e destrói a ambos e não raro sequer sabe por que age dessa maneira. Seria por instinto? Seria por ignorância? Seria por desvio de conduta? Ou por doença mental? Pode ser por alguma dessas causas ou por todas elas simultaneamente. Ou até por nenhuma. Vá se saber! Nada me causa maior asco e revolta do que testemunhar, por exemplo, a maculação da beleza por parte de quem não só não sabe apreciá-la e valorizá-la, mas, de quebra, age com vandalismo e fúria contra ela e sem nenhuma razão.


Considero, por exemplo, o pior dos crimes que possam ser cometidos a exploração sexual de crianças. O pedófilo e o estuprador (de meninas e de meninos) cometem os que, para mim, são delitos sem perdão. Aliás, os próprios marginais, presos por outras violações às leis como furtos, roubos e homicídios, abominam essa conduta. Os delinqüentes têm um código de honra próprio. E os pedófilos e estupradores têm vida curta quando caem em presídios e cadeias. Não defendo, óbvio, esse comportamento. Mas sou a favor de que esses tarados e sociopatas sejam segregados da sociedade e se possível preventivamente, antes que cometam delitos.


Afinal, eles roubam a inocência de quem pouco ou nada conhece ainda do mundo. Marcam, de maneira chocante (e para sempre), determinadas vidas. Traumatizam famílias e sociedade. São erros da natureza. Melhor seria se nem ao menos nascessem. Por causa deles, os apreciadores da genuína beleza, da sublime, frágil, mas viva, que sabem lhe dar valor e a venerá-la e respeitá-la, acabam, de certa maneira, penalizados por tabela.


Não há cena que me comova mais profundamente do que apreciar crianças, notadamente menininhas na faixa dos quatro aos oito anos de idade, brincando. É a beleza conceitual que trago na alma ganhando vida, cor, sons e movimentos. Ao vê-las, recordo-me, comovido e saudoso, da infância das minhas filhas. Ocorre que, se me demorar muito nessa apreciação, corro o risco de ser mal interpretado e até de ser punido pelo que não fiz e jamais, em circunstância alguma, faria. Posso ser rotulado, e facilmente, por exemplo, de pedófilo, embora jamais me passe pela cabeça a mínima conotação sexual ao apreciar crianças brincando. Só de imaginar uma coisa dessas, ou seja, que alguém possa ter esse tipo de pensamento, já me causa asco, revolta e horror. Tenho, pois, que me embevecer com cenas tão belas furtivamente.


E as pessoas estão erradas de maliciar quem se embevece com esse inocente cenário de crianças brincando? Claro que não! São tantos os casos de perversão sexual que ocorrem no cotidiano, que prevenir sempre se torna a conduta mais prudente e menos traumática.


Outra coisa que gosto muito de apreciar é a beleza feminina em todo o seu encanto e esplendor. Os olhos de uma mulher bonita, a perfeição das formas, o brilho do olhar, o sorriso etc. são cenas que gosto de ver, embora não tenha palavras para descrever sua grandeza e poesia. E essa apreciação não tem nada, absolutamente nada a ver com desejo sexual. É um prazer exclusivamente estético. É colírio para os olhos e acalanto para o coração.


Experimente, porém, fixar o olhar, demoradamente, digamos por quinze minutos ou mais, numa bela mulher, mesmo sem o mais remoto desejo erótico. Será imediatamente mal interpretado. Dependendo da sua idade e da sua aparência, aquilo que o alvo do seu enlevo poderia e deveria considerar um elogio e uma homenagem, será, com certeza, interpretado como abuso e violação de privacidade e recebido com revolta e repulsa. E não se pode condenar quem age assim, tendo em conta os vários tarados que perambulam por todos os lugares, verdadeiros monstros, que semeiam pânico e atrocidades por onde passam.


Será que o homem, algum dia, conseguirá extirpar o mal da sua mente e, por conseqüência, do mundo? Somente se (ou quando) conseguir sucesso nesse empreendimento, o dito “Homo Sapiens“ fará jus a essa designação. Enquanto isso... A vida da grande maioria das pessoas é, convenhamos, rotineira e vazia, por causa da personalidade, educação, oportunidades (no caso, falta delas) e, principalmente, circunstâncias de cada uma. Os valores e objetivos, geralmente, são ilusórios e pequenos. Dois terços da humanidade, infelizmente, vivem na miséria e têm diante dos olhos cenários cinzentos, paupérrimos, feios, horrendos, para que o um terço restante se regale e viva com conforto e até desregramento. Nem por isso as pessoas punidas pelas circunstâncias precisam abrir mão da beleza. Não precisam e não devem fazer isso. Afinal, o mais puro e encantador lírio brota, também, nos mais infectos pântanos.


Mesmo uma vida “perdida”, pelos critérios atuais de sucesso, não precisa, necessariamente, ser feia. Pode ser vazia, difícil e sofrida, mas, ainda assim, bela. Não é o que acontece. O filósofo Will Durant afirma, no seu clássico “Filosofia da Vida”: “A beleza é penosa de ser criada e fácil de ser destruída”. E como é! A fragilidade faz parte do seu encanto. Daí eu considerar crime hediondo e imperdoável não apenas a tentativa de destruí-la, mas a simples intenção de maculá-la.


O filósofo espanhol, José Ortega y Gasset, identifica dois tipos de beleza: a que atrai e a que apaixona. Raramente, no seu entender, ambas as formas coincidem e formam a unidade. Mas se (ou quando) isso acontece... é um delírio. É um êxtase, notadamente para os mais sensíveis, os que lidam com arte e procuram (em vão) a perfeição. E não precisa sequer explicar a causa de sua empolgação e embevecimento aos não iniciados. O diretor de cinema Stanley Kubrick afirmou, em entrevista que concedeu há quase meio século, em 1962: “Um artista não dá explicações. Que diriam todos se Leonardo da Vinci escrevesse sob a Gioconda uma legenda do tipo – Ela está sorrindo porque recebeu excelentes notícias da família?” Pois é. O que diriam?


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Sunday, March 27, 2011




As boas idéias, aquelas que são embriões das grandes obras e que, não raro, até revolucionam o mundo, surgem de repente, quando menos esperamos, como que por acaso. Devemos estar atentos, e, sobretudo, preparados, para não deixar escapar essas preciosas oportunidades, que raramente voltam a aparecer. Alguns, chamam esses momentos especiais de “inspirações”, que de nada valem, frise-se, se não vierem acompanhados de ações, de esforços, de atos concretos e competentes. Ou seja, de “transpiração”. Machado de Assis abordou o assunto dessa forma: “Palavra puxa palavra, uma idéia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, uma revolução; alguns dizem mesmo que assim é que a natureza compôs suas espécies”. E não é assim que as coisas ocorrem? Não deixe, portanto, que suas idéias, mesmo as que à primeira vista pareçam despretensiosas, se percam. Aja, para tornar o mundo um pouco melhor!


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Razão perde de novo para a força


Pedro J. Bondaczuk


O jornalista é aquele profissional ao qual compete trazer à luz da opinião pública a verdade dos fatos. Em situações de normalidade e em sociedades civilizadas e democráticas, esse exercício, muitas vezes, causa contrariedades, mas é respeitado pelos envolvidos. Ou, pelo menos, é tolerado. Mas há ocasiões em que esse “garimpo” da realidade do cotidiano se torna algo muito perigoso. Principalmente quando ocorre em países onde os direitos humanos não passam de mera expressão retórica, ou de simples ficção, como é o caso, atualmente, de El Salvador, engolfado numa sangrenta guerra civil, de dez anos de duração, que já foi responsável pela morte de pelo menos 70 mil pessoas. Anteontem, mais três heróis anônimos, cuja missão é trazer a lume, em tida a sua crueza e feiúra, fatos que muitos que se arrogam a poderosos preferiam que ficassem escondidos, tombaram nessa inglória batalha. Roberto Naves, de 30 anos, fotógrafo da agência de notícias britânica “Reuters”; Maurício Piñeda, de 26 anos, técnico de som do canal 12 de televisão de El Salvador e Cornélio Lagrow, cinegrafista da TV holandesa, foram feridos mortalmente quando faziam a cobertura das tumultuadas e violentas eleições desse país centro-americano. Eles foram atingidos por disparos efetuados por membros das Forças Armadas locais. Um terceiro profissional de imprensa, Luís Galdamez, de 34 anos, também foi baleado, ficando gravemente lesionado. Ele é igualmente fotógrafo. Trabalha para a “Reuters” em El Salvador. O crítico, a estas alturas, fica perguntando aos seus botões: O que esses jornalistas desejavam mostrar à opinião pública que os agentes de segurança não queriam que mostrassem? Seja o que for, certamente não haverá de ficar escondido. Não, pelo menos, para sempre. O próprio sacrifício de suas vidas, em respeito à verdade, fará com que esta apareça, nua e cruamente. É certo que ao profissional de imprensa não cabe a tarefa de “ser a notícia”, mas de veicular somente os fatos. A única exceção é um caso como este. Ou seja, quando a vítima da prepotência e da falta de tino dos atrabiliários é ele próprio. Apenas no ano passado, embora não tenhamos dados exatos, cerca de duas centenas de jornalistas foram “punidos” pelo seu trabalho. Muitos foram mortos. Outros acabaram sendo encarcerados, passando por torturas nas mãos de covardes insensatos, como se não fosse suficiente o tormento que eles passam diariamente vendo tanta injustiça, tanta corrupção e tanta insensibilidade mundo afora. Como se já não bastasse o sofrimento de assistir a esse desfile quotidiano de horrores, que constitui a matéria-prima do seu labor. Nossas homenagens, pois, aos companheiros que tombaram nesta milenar guerra entre a força bruta e a razão. (Artigo publicado na página 16, Internacional, do Correio Popular, em 21 de março de 1989).


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Atividade política


Pedro J. Bondaczuk


Há pessoas que abominam tudo o que se relacione com política. Acham que não têm nada a ver com essa atividade e se recusam não só de participar, mas até de opinar a respeito. Estão equivocadas. Todos participamos, de uma forma ou outra – ou ativamente, através de militância, ou passivamente, até mesmo à nossa revelia, como alvos das ações dos militantes – desse conjunto de atos e idéias visando, pelo menos em teoria, ordenar as sociedades. Somos políticos, e o tempo todo, desde que residamos numa cidade (pois a palavra deriva de “polis”). Ao nos relacionarmos com o Poder Público (pagando ou sonegando impostos, por exemplo, ou reclamando e não raro exigindo melhorias ao redor de nosso domicílio ou, simplesmente, nos relacionando com os vizinhos), estamos assumindo determinada atitude política, que pode ser de apoio ou de contestação, conforme o caso. Fazemo-la em todos os lugares: no lar, na rua, na escola, no trabalho etc. É que muitos entendem essa atividade, “apenas”, como militância partidária, e de olho no poder. Ela é, “também” isso, mas não “somente”. Esse tipo de política eu também não aprecio muito e não raro abomino. Não é o que quero para a minha vida e a das pessoas que amo. Considero-o um mal necessário. A “grande política”, a que merece ser grafada com “P” maiúsculo e a que defendo com entusiasmo e vigor, se desenvolve, sobretudo, no terreno das idéias. São elas que balizam (quando existem) ou deixam de balizar (quando não) os atos dos militantes e dos sujeitos passivos. Tanto isso é verdade, que existe um ramo das ciências humanas que trata exclusivamente dessa atividade. Hoje em dia, os “cientistas políticos” têm cada vez maior espaço e mais prestígio na sociedade e, por conseqüência, na mídia. Uma determinada idéia, que envolva a comunidade e que, se posta em prática, venha a afetar (para o bem ou para o mal) uma grande quantidade de pessoas – uma cidade, um estado ou até mesmo uma nação ou, quem sabe, o mundo – precisa ser muito refletida, e debatida à exaustão, antes de ser praticada. Ainda assim... Ninguém pode garantir que seu resultado será o esperado por quem a gerou. A esse propósito, o historiador húngaro radicado nos Estados Unidos, John Lukács, observa, no livro “O fim do século 20 e o fim da era moderna”: “É muito mais significativo, e notável, o que os homens fazem com as idéias do que aquilo que as idéias fazem com os homens; que eles adaptarão suas idéias às circunstâncias em vez de tentar adaptar as circunstâncias a suas idéias”. Há, claro, quem tente fazer essa última adaptação, mas via de regra se dá mal. Não sabe o que fazer com as idéias, tanto as que gera, quanto as que toma conhecimento por ler, ouvir etc. As circunstâncias independem de sua vontade e de suas ações. Há quem insista em ficar refém do seu passado, como se a vida fosse linear e houvesse nela um determinismo que nos impedisse de mudar quando possível, necessário e oportuno. Há pessoas com vidas “pequenas” (no sentido da falta de brilho e de realizações) e que se submetem docilmente a essas circunstâncias, a essa pequenez, ou no máximo, a uma certa mediocridade, achando que esse seja seu “destino”. Não é. Fracassam por falta de espírito de luta. Submetem-se a idéias equivocadas sobre o próprio potencial e sobre a vida. E entram em desespero. O escritor irlandês G. W. Russell escreveu, no livro “Cooperação e Nacionalidade”, publicado em 1912: “Uma vida repleta de pequenez perpétua nos enche de desespero profundo e loucura da alma”. Pudera! A luta do ser humano (aquele que vive plenamente a sua humanidade), suas obrigações e obras, só terminam com a morte. E esta (felizmente) não sabemos como, onde e principalmente quando vai acontecer. Tanto pode ser várias décadas à frente, quanto no segundo seguinte. Nossa obrigação só expira com nosso último suspiro. Ninguém está preso a eventual determinismo que o anule e impeça de pelo menos tentar mudar circunstâncias adversas. Esse desejo de mudança e a correspondente ação nesse sentido são atitudes (e também é uma prática) políticas. Não podemos viver (e não vivemos, salvo cada vez mais raras exceções) sós. Estamos cercados por multidões, quer de amigos, quer de inimigos e principalmente de anônimos, (estes últimos nos são indiferentes enquanto nossos caminhos não se cruzam) que nos ajudam (ou atrapalham e até impedem) de mudar para melhor. Todos com quem cruzamos, de uma forma ou de outra, nos influenciam e são, de alguma maneira, influenciados por nós. O cronista Mário da Silva Brito explica com mais clareza o que quero dizer. Escreveu, em uma crônica datada de 1961, publicada no Suplemento Literário do jornal "O Estado de São Paulo": "Nunca fui eu só, ou só eu. Mas todos os outros. Os antepassados, os que me rodeiam, os que pertencem ao meu tempo. Os que amo e até os desconhecidos. Estou feito de pedaços. Sou uma soma de múltiplas parcelas humanas. Consigo somar até quantidades heterogêneas". Todos somos assim. Nosso próximo tende a nos enriquecer, a ampliar nossos horizontes e a estimular em nós o espírito de competição, sem o qual (desde que sadio) ninguém se sente motivado para qualquer realização (mesmo quando se opõe a nós). Pode, todavia, nos empobrecer, nos manter na ignorância e servidão, explorar nossos talentos e nossas forças e, em casos extremos, até nos destruir. E tudo isso tem, no fundo, no fundo, muito (se não tudo) a ver com política. Não aquela menor, nem sempre exercida com ética e idealismo, a partidária, que objetiva a conquista do poder, mas a mais ampla, a que diz respeito a relacionamentos sociais e a conquistas coletivas.

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Saturday, March 26, 2011







Existe enorme diferença em se “estar” só e “ser” só. O primeiro caso é uma opção passageira, ditada, quase sempre, pela necessidade de se concentrar para realizar alguma obra que exija silêncio e atenção. O segundo é a impossibilidade de se conviver com os outros, de se relacionar e de se comunicar com quem quer que seja. Esse tipo de solidão, sim, é trágico. Há pessoas que se sentem solitárias mesmo quando em meio de multidões. Não querem, não podem ou não conseguem se relacionar. Alexandre Drayton afirma: “A maior solidão é a dos que não acreditam e fazem de seus sentimentos algo torpe, que reflete o amargo e apaga a luz do bem-viver. Solidão real é aquela do infeliz que perdeu suas esperanças, vivendo um pesadelo constante, permeado de pseudo-angústias e cego em relação ao belo mundo ao seu redor”. Dessa solidão, sim, temos que fugir, nos auto-doando, nos comunicando e valorizando os que nos rodeiam e conosco convivem.

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