Wednesday, August 31, 2011










O que os idosos precisam não é da caridade oficial, e muito menos da sociedade. Requerem justiça pelo serviço prestado à coletividade ao longo dos anos. E atenção, já que, mediante a experiência que adquiriram, têm muito, ainda, a contribuir com a comunidade. E, sobretudo, têm que ser respeitados, para viverem os últimos dias de cabeça erguida, com a dignidade que todo o ser humano, não importa a condição social ou a idade, tem direito. Nunca é demais insistir neste assunto, que diz respeito a toda a população, não importa em que faixa etária cada indivíduo se encontre. Afinal, a velhice é uma fase pela qual todos iremos passar. Trata-se de fatalidade biológica e, quanto mais quente for a cama que prepararmos agora, mais confortável será o nosso sono mais adiante.

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Por dentro da TV


"O Bem Amado" não vai acabar

Uma boa notícia para os fãs do "prefeitão" Odorico Paraguaçu: o seriado "O Bem Amado", que a Rede Globo vinha apresentando uma sexta-feira por mês e que estava previsto para não mais ser levado ao ar neste ano, não vai mais acabar. A Globo resolveu atender, tanto os abaixo-assinados do elenco e dos jornalistas, quanto diversas solicitações feitas por telespectadores, através de cartas e telefonemas, e decidiu manter a programação.

Diante do fato consumado, o autor, Dias Gomes, também voltou atrás e vai continuar escrevendo os textos, brasileiríssimos e cheios de verdade, nesta sátira política de maior sucesso na atualidade, provavelmente em todo o mundo. É bom lembrar que a história que gerou a série, ou seja, a novela "O Bem Amado", foi escrita há exatamente dez anos, em 1974, quando era apresentada no horário das 22 horas.

À medida em que o tempo passou, mais o povo foi identificando certos personagens da história com pessoas reais, que vivem em suas respectivas comunidades. É este toque de autenticidade, de verossimilhança, de brasilidade que dá todo o encanto ao seriado. E por isso, ele não poderia acabar.

O jornalista Arthur da Tavola, outro dia, escrevendo sobre Dias Gomes, lembrou um detalhe muito importante. A maioria das novelas (para não dizer todas) da nossa TV tem um caráter universalista. Qualquer delas poderia se passar em qualquer cidade dos Estados Unidos ou da Europa. Entretanto, as histórias de Dias Gomes são características. Elas têm tal abordagem, que o seu cenário jamais poderia ser outro país, que não o Brasil.

Aplausos, portanto, para a Rede Globo, que mais uma vez atendeu o destinatário de toda a sua programação: o telespectador.

Record nas Olimpíadas

A TV Record tem planos de fazer uma das melhores coberturas das Olimpíadas de Los Angeles (que serão realizadas de 28 de julho a 12 de agosto deste ano), mobilizando todos os seus recursos para que o telespectador se sinta bem servido. Para situar a todos nas diversas modalidades, a exemplo do que já fez a Rede Globo, criou boletins diários a respeito do evento, que começam a ser transmitidos nesta segunda-feira, às 23 horas.

Mas a preparação para os Jogos Olímpicos, por parte da emissora do Aeroporto, não vai ficar só nisso. A partir de março, e em 22 quintas-feiras seguidas, a Record apresentará programas completos, no mesmo horário dos boletins, abordando aspectos históricos das Olimpíadas, como por exemplo a sua origem, quando começaram a ser disputadas na era moderna , quem foi Jesse Owens, e assim por diante. Um grande aperitivo para aquilo que, temos certeza, será uma cobertura com a marca Record: de excelente qualidade.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, Tevê, do Correio Popular, em 7 de janeiro de 1984)

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Poetisa conquista o Pulitzer

Pedro J. Bondaczuk

As mulheres, ultimamente, vêm conquistando prêmios e mais prêmios literários, mostrando que sensibilidade, talento e competência não são uma questão de sexo, como sempre enfatizei, contrariando os preconceituosos. Isso não significa que a atual geração de escritoras é melhor do que as que a precederam. Ocorre que agora vêm tendo mais oportunidades, o que não é nenhuma concessão, mas heróica conquista, feita com muita garra, muita luta e determinação.
Todo este preâmbulo – que em jornalismo é chamado de “nariz de cera” – é destinado apenas a informar que a californiana Kay Ryan, de 66 anos de idade, que além de professora universitária de língua inglesa é ensaísta e, sobretudo, poetisa, conquistou um dos maiores e mais cobiçados prêmios da atualidade – voltado basicamente para a comunicação jornalística, mas que galardoa também as excelentes produções artísticas (e literárias incluídas, “of course”) – o Pulitzer. A referida escritora foi a premiada de 2011 na categoria “Poesia”.
Ressalte-se que ela já havia conquistado outras tantas conhecidas e prestigiadas premiações literárias, todas em âmbito doméstico, embora nenhuma de tamanha relevância e projeção como esta. A escolha não causou surpresa alguma nos Estados Unidos, mas... Surpreendeu e pegou desprevenidos os meios culturais e literários brasileiros. Tanto que, se você procurar referências sobre Kay Ryan, digamos no “Google”, não encontrará nenhuma em português. Mas terá, certamente, uma enxurrada de informações em inglês.
O livro que lhe valeu tamanha projeção foi “The Best of it: new and select poems”, ainda inédito no Brasil. É estranho este ineditismo se levarmos em conta que, ainda em 2008, Kay Ryan já havia sido nomeada “Poet Laureate”, pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, sendo apenas a 16ª poeta (prefiro a expressão “poetisa”) em toda a história da instituição a receber tamanho reconhecimento. Desconfio, pois, que as nossas editoras marcaram bobeira ao não providenciarem tradução e respectiva publicação dos seus livros. Provavelmente, agora, irão se redimir. É o que espero. E que não me venham com esta bobagem de que “poesia não vende”. Nada vende se não for adequadamente divulgado.
Como não há referências a Kay Ryan em português, recorro aos críticos do seu país, os Estados Unidos. E eles caracterizam os poemas da ganhadora do Pulitzer 2011 como primando pela originalidade e “limpeza” idiomática. Pudera! É, por formação, professora de inglês, familiarizada, pois, com as nuances do rico e expressivo idioma de William Shakespeare. Muitos comparam-na a duas conterrâneas celebérrimas, Emily Dickinson e Marianne Moore. Discordo. Pelo pouco que li de Kay Ryan, considero-a muito mais original do que estas duas.
Além do que, aborda assuntos que à primeira vista, não são apropriados à poesia e, ainda assim, extrai beleza e transcendência deles. Confesso que gostei do que li. E olhem que sou exigente, exigentíssimo, até um tanto ranheta, quando se trata de poesia, o gênero da minha predileção (sendo ou não vendável, já que não faço da literatura fonte de renda, mas opção de vida). Ryan considera a “reabilitação dos clichês” como parte da missão do poeta. Entendo, todavia, que sua verdadeira missão é manter a qualidade da produção poética. Seus poemas são, na maioria, curtos, todavia enfáticos e incisivos.
O livro que lhe valeu o Pulitzer é uma espécie de seleta dos 47 anos da sua produção. São cerca de 200 poemas (excelente amostragem, portanto), muitos inéditos, mas vários deles publicados em outras obras suas, ou em jornais e revistas, a partir de 1954, quando começou a publicar os seus escritos.
Quando se fala de poetas (e de poetisas, evidentemente), nada ilustra melhor sua temática, estilo e criatividade do que seus textos. Seus eventuais dados biográficos, embora ajudem, são dispensáveis nestes casos para justificar ou não uma premiação do porte do Pulitzer.
Embora um único poema seja insuficiente para valorizar ou desvalorizar a obra poética de alguém, trago-lhes uma (apenas uma) das composições de Kay Ryan, para que vocês avaliem por si sós a qualidade desta poetisa. Ou pelo menos tenham ligeira idéia a respeito. Só peço-lhes para que não reparem na imperícia da tradução, feita por este Editor. E isto se justifica. Embora eu leia razoavelmente bem em inglês, meu conhecimento do idioma de Shelley, Eliot e de tantos outros dá somente para o gasto. E olhem lá!
Mas... feita a ressalva, deliciem-se com os versos de “Um impalpável silêncio, de Kay Ryan: “O que é mais delicioso/que um silêncio palpável/um látex cremoso de silêncio/que se mistura com uma vara comprida?/Esse silêncio é particularmente espesso/no fundo, um creme muito suave,/como uma tinta de qualidade/que se vende por galão.Este é um silêncio base/que só adquire cor/com, digamos, ligeiro toque/de verde, como quando um pássaro canta/com indolência sobre as árvores/que conheceu. É um silêncio/limpo, que não nos divide/é viscoso, como os sonhos,/mas como nos bons sonhos/em que as coisas doces perduram/muito além da credibilidade,/inclusive no sonho sabemos/que isto é um luxo”.
Gostaram? Eu gostei bastante. O Pulitzer 2011, na categoria “Poesia”, portanto, está, sem dúvida, em excelentes mãos.

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Tuesday, August 30, 2011










O neurolingüista Lair Ribeiro garante que "a vida é um eco. Se você não está gostando do que está recebendo, observe o que você está emitindo". E conclui: "Todo ato humano é motivado pelas seguintes razões: evitar sofrimento ou procurar prazer. Tudo o que você faz é baseado num equilíbrio entre esses dois motivos. Vivemos, então, numa escala analógica entre sofrimento e prazer". Faz sentido. Afinal, a principal obrigação do ser humano é consigo próprio: a de ser feliz. O que temos é que achar o caminho da felicidade (que está, queiram ou não queiram, dentro de nós) e o trilharmos com otimismo, com determinação e, sobretudo, com persistência. E esta trilha, convenhamos, não é (e nem pode ser) a do pessimismo, a do medo ou a do ressentimento. É, isto sim, a da coragem, da esperança e da fé inabalável no sucesso e na alegria. Emitindo sempre mensagens positivas, receberemos de volta “o eco” de coisas boas, favoráveis e felizes.

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Não está pintando nada novo


Pedro J. Bondaczuk


A crise de criatividade pela qual o veículo televisão atravessa, atualmente, é qualquer coisa de alarmante. Ao completar 35 anos no Brasil, embora dotada de recursos técnicos que, quando da inauguração da extinta TV Tupi, seus pioneiros no País sequer sonhavam que viessem a existir, apesar de ter substituído o rádio como o veículo de informação e entretenimento preferido do público, continua como que perdida, como instituição, andando em círculos, repisando as próprias pegadas.
O básico da programação de hoje ainda é o mesmo, digamos, de 17 anos atrás. Talvez mais estereotipado, o que se constitui em agravante e nunca em atenuante. Apenas para exemplificar, transcrevemos, para o leitor, o programa vespertino apresentado no dia 9 de julho de 1968, nos canais então existentes.
Esta programação estava distribuída da seguinte forma: 18h30, Tic-Tac, com o Sítio do Pica-Pau Amarelo (Record); 18h50, Mappin Movietone (Record); 18h55, Antonio Maria (novela, Tupi); 19h00, Ternurinha e Tremendão (Record), A Legião dos Esquecidos (Excelsior), Tic-Tac com Super Robin Hood e Homem Aranha (Bandeirantes); 19h20, Encerramento da Sessão Zás-Trás (Globo) e Tic-Tac, com Ultraman (Bandeirantes); 19h30, A Grande Mentira (Globo) e O Terceiro Pecado (Excelsior); 19h40, Diário de Um Repórter (Tupi); 19h45, Ultra Notícias (Tupi) e Bandeirantes no Ar (Bandeirantes); 19h50, Mappin Movietone (Record), Sangue e Areia (Globo); 20h00, Praça da Alegria (Record) e O Direito dos Filhos (Excelsior); 20h05, Um Instante Maestro, É a Grande Chance (Tupi) e Patrulha Rodoviária (Bandeirantes); 20h30, Dean Martin Show (Globo), Costinha com Média Máxima (Excelsior) e Canto Permitido (Bandeirantes); 21h30, Demian, o Justiceiro (Globo); 21h45, Jornal de Vanguarda (Bandeirantes); 22h00, Repórter Esso (Tupi), Sessão das 10 (Globo) e O Agente da Uncle (Excelsior); 22h10, Jericho (Bandeirantes); 22h15, Os Invasores (Tupi) e Diálogo (Record); 23h00, Um Passo Além (Excelsior); 23h15, Ducal nos Esportes (Bandeirantes); 23h20, Festival de Cinema Francês (Tui) e Enciclopédia e Sexo (Bandeirantes); 23h30, Mappin Movietone (Record) e Excelsior Cine Show (Excelsior); 23h40, Na Boc do Tigre (Record); 23h45, Jornal da Globo (Globo) e Vamos Ver Outra Vez (Bandeirantes); 24h00, Sessão da Meia-Noite (Globo) e 01h30, Bom Dia (Record).
Como se observa, as mesmas fórmulas de então, intensamente batidas, calcadas em noticiários artificiais e que chegavam ao cúmulo de veicular notícias com incorreções; em novelas com desfechos adredemente conhecidos; em humorísticos que o telespectador ficava sem saber se foram feitos para rir ou para chorar e em velhos filmes, ainda são utilizados.
Alguns enlatados o leitor até consegue identificar como sendo “atrações” atuais nas programações. Principalmente desenhos, como Super Robin Hood, Homem Aranha, Ultraman, e outras bobagens do gênero, que poluem de fantasias doentias as mentes de nossas crianças.
Mesmo o gênero novela, carro-chefe da Audiência da Globo, que se fixou através dos anos (25, pelo menos) no gosto do público, está caindo em cansativas mesmices de autores e de temas. Por falta de imaginação, criatividade ou mesmo de talento, as histórias, quando não descambam para fórmulas místicas, super-surradas no cinema e principalmente no teatro (desde pelo menos o século IV antes de Cristo, na Grécia), caem numa irritante água com açúcar de causar enjôos.
Isso já começa a se refletir na qualidade da audiência. O público classe A, constituído de universitários, profissionais liberais e daqueles que têm um grau cultural acima da média, há muito vem preferindo outra forma de entretenimento.
Agora, o imediatamente abaixo, o B, já começa a demonstrar sintomas de tédio. E de degrau em degrau, o gênero novela vai descendo, até que um dia, quando não for mais atrativo para os realistas anunciantes, que sabiamente preferem associar a imagem de seus produtos aos bem-sucedidos, aos vencedores, aos imaginativos, acabará, fatalmente, por deixar, primeiro a Globo e, logo a seguir, as outras emissoras. Afinal, em nossa televisão ocorre um fenômeno semelhante aa lei da conservação da matéria. Só que assumindo a seguinte forma: “Na TV nada se perde e nada se cria, tudo se copia”.
Os programadores argumentam que a repetição das surradas fórmulas do passado (e até mesmo de programas inteiros) é válida, pois se essas produções já cansaram as gerações mais antigas, para os jovens, são novidades. Será? É muito difícil de acreditar que espíritos ainda em formação, com aquela inquietação natural por novidades, se contentem com mesmices até arqueológicas.
Temas novos existem em profusão. A própria sucessão dos fatos, transformando costumes, mudando comportamentos e gerando reações apropriadas, é passiva de exploração inteligente, criativa e, sobretudo, cambiante, como, aliás, é a própria vida.
O que seria das artes, da literatura, do teatro, da pintura e de outras manifestações da emoção se nada fosse criado? Se não surgissem, em cada século, dezenas, centenas, milhares de artistas magníficos, sobrevivendo ao tempo e à morte com suas criações? Se Göethe, Bach, Ibsen, Rubens ou Ernest Hemmingway apenas “copiassem” as produções do passado?
Nada pinta de novo, portanto, em nossa TV, que continua tocando valsa em pleno festival de rock. Depois as emissoras vêm reclamar da crise. Ela existe, sim, mas é mais grave do que se pensa. Não está somente na falta de dinheiro. Centraliza-se, principalmente, na ausência de criatividade. E o remédio para isso é apenas pôr a cabeça para funcionar.

(Artigo publicado na coluna semanal “Vídeo”, na página 20, “Arte e Variedades” do Correio Popular, em 19 de julho de 1985).

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Vitória pela superação

Pedro J. Bondaczuk

O homem, desde o nascimento até a hora da morte, é confrontado, diariamente, por pequenos e grandes desafios. Não raro lamenta os obstáculos e dificuldades que tem que enfrentar durante a vida e lhes atribui eventuais fracassos, o que é um álibi cômodo e covarde e, sobretudo, sem nenhuma consistência. A atitude mais correta é a de considerar esses “acidentes de percurso” como privilégios, pois são desafios a vencer e que, superados, valorizam suas eventuais conquistas.
Mesmo que o sujeito não venha a se dar conta, tem forças físicas e/ou mentais para superar “quase” qualquer barreira. Para isso, foi dotado de inteligência. Obstáculos e dificuldades são testes aos nossos limites, que nunca sabemos, a priori, quais são. O antropólogo Gregory Bateson constatou: “Os limites do nosso corpo não são os limites da nossa mente”. E não são mesmo. Mas aí é que mora o perigo.
Muitas vezes, subestimamos os riscos e superestimamos nossa capacidade de superação. Achamos, por exemplo, que somos capazes de escalar o Pico do Everest, mesmo que não sejamos sequer alpinistas e jamais tenhamos subido nem mesmo uma pequena colina sem chegar ao topo à beira da exaustão e... óbvio, nos damos mal. O inverso, todavia, também é verdadeiro. Achamos que não estamos habilitados a determinadas tarefas que, se executadas, nos trariam inegáveis benefícios e, com isso, marcamos passo a vida inteira, frustrados e desanimados e com o amor próprio em baixa, próximo do zero.
A palavrinha mágica “superação” freqüenta, com muita assiduidade, o dicionário, por exemplo, das pessoas com algum tipo de deficiência física, não importa se congênita ou adquirida. Os que se esforçam ao limite de suas forças para superar suas fraquezas. Às vezes, elas se dão bem e levam vida normal, como qualquer um que não tenha o mesmo tipo de problema. E por que tive o cuidado de dizer “às vezes”, e não “sempre”? Porque, não raro, alguns não avaliam corretamente sua capacidade (ou incapacidade) e, por isso, findam por agravar suas deficiências. Acidentam-se e tornam-se, fisicamente, mais incapazes do que eram antes e, em casos extremos, podem até morrer.
Antes de tentar se superar, portanto, a pessoa tem que avaliar corretamente quais são, de fato, seus limites. E, sobretudo, pesar a questão do custo e benefício, do ônus e do bônus. Se o segundo não for maior do que o primeiro, manda a prudência que se evite riscos desnecessários. Há pessoas que, mesmo sem fazer esse tipo de avaliação, se arriscam e se dão bem. Por que? Porque seus limites não eram tão baixos como pensavam. Outras, todavia, atiram-se de cabeça na empreitada e são vítimas de tragédia. Sua tentativa de superação equivale ao suicídio.
Quem convive boa parte do tempo com a idéia de superar limites, no caso físicos, são os chamados atletas de alto rendimento. Desde que se dispõem a esse tipo de atividade, convivem, o tempo todo, com a dor. Treinam exaustivamente e se superam vezes sem conta, mesmo que em meros décimos de segundos ou irrisórios centímetros, conforme a modalidade que pratiquem. Raramente se dão por satisfeitos com seu desempenho e esfalfam-se em treinos e mais treinos, em busca dos sonhados recordes.
Alguns (raros) conseguem e marcam seus nomes na história do esporte. Há os que, para conseguir, pagam preços exorbitantes, absurdos e proibitivos, chegando a ficar inutilizados fisicamente. Há, até, os que morrem nas pistas, quadras e piscinas em suas tentativas de superar outros atletas não raro mais aptos. Há, todavia, os que sabem parar na hora certa, que entendem que superação não é sinônimo de tentativa de suicídio. Estes findam por colher os frutos do seu sacrifício, embora sempre restem seqüelas, por mínimas quer sejam, do esforço sobre-humano que fizeram.
E no plano intelectual, há possibilidades de superação? Respondo que sim. Aliás, os artistas – não importa de que artes –, estão sempre se superando ou tentando fazê-lo. Suas obras, por mais perfeitas que pareçam aos outros, nunca os satisfazem. Querem sempre mais, e mais, e mais, em busca do sonho da perfeição. Com os escritores ocorre a mesma coisa. Esfalfam-se em estudos, esmeram-se na leitura, pesquisam à exaustão e treinam, e treinam e treinam com disciplina e afinco seus textos. Essa história de que apenas talento e inspiração bastam para se produzir uma obra-prima é idéia (falsa) de quem nem é do ramo.
Fernando Pessoa, por exemplo, escreveu que "a sinceridade é o grande obstáculo que o artista tem que vencer. Só uma longa disciplina, uma aprendizagem de não sentir senão literariamente as coisas, podem levar o espírito a esta culminância". Está aí um tipo de superação e dos mais árduos, a nos desafiar.
Além do que, não podemos adiar para o ano seguinte, o mês seguinte, o dia seguinte, a hora seguinte, o minuto seguinte esse exercício, essa autodisciplina, essa empreitada. Nosso tempo, em relação àquele universal, é restritíssimo. A morte não manda recado e nem avisa quando vai chegar. Daí a necessidade de utilizarmos cada instante da nossa vida da maneira mais racional e proveitosa em termos de exercício da nossa humanidade.
Outro risco, sempre presente, é o do fracasso. É possível que tudo o que fizermos fique perdido, acabe não valendo nada e que sejamos absolutamente esquecidos passados um, dois, dez, vinte, cinqüenta ou cem anos após nossa extinção. Pode ser que o sonho da nossa vida se transforme em pesadelo. Esses são riscos que sempre teremos que correr. Mas compete-nos tentar. Tentar sem desânimo ou trégua.
Ademais, devemos ser sempre ousados na busca do conhecimento e jamais nos contentar em ficar só na superfície das coisas, sem chegar ao âmago das grandes questões. Há momentos e situações em que nos julgamos frágeis e néscios, incapazes de levar a cabo determinadas empreitadas. Nessas ocasiões, nos vemos tentados e desistir e deixar a tarefa para quem julgamos mais habilitado. Tememos cometer erros, esquecidos de que errar é humano.
Trata-se, porém, de atitude comodista. É justamente aí que se requer a máxima dose de superação. Se alguma coisa for factível a alguém, também será para nós. Basta querer, de verdade, e se empenhar ao máximo, indiferentes à nossa fragilidade e/ou incapacidade. Edmund Burke escreveu a respeito: “Quem vai além da superfície das coisas, não obstante possa cometer equívocos, ainda assim ilumina o caminho para os outros e pode, eventualmente, até mesmo tornar seus erros úteis à causa da verdade”.. Não fujamos, pois, dos desafios que a vida nos impõe, desde que tenhamos a capacidade de superá-los. Sejamos atentos e prudentes. Saibamos a hora, a forma, a intensidade e a possibilidade de sucesso e, se nossa intuição nos cochichar que somos capazes, não hesitemos em multiplicar atos e mais atos de superação.

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Monday, August 29, 2011










Lair Ribeiro condena o uso de três palavras-chaves que, conforme ele, são altamente negativas, nos inibem e, portanto, precisam ser banidas do nosso vocabulário: "não", "nunca" e "tentar". A primeira, aliás, mereceu memorável e antológico sermão do Padre Antônio Vieira, constante em todas as boas antologias da língua portuguesa. Em contrapartida, o neurolingüísta recomenda que coloquemos como lemas, como metas, até como uma espécie de mantras em nosso subconsciente, estas expressões afirmativas: "eu quero!", "eu posso!" e "eu vou!". Pode ser que a sua técnica não se constitua em panacéia para todos os males (não há uma fórmula mágica, que funcione em toda e qualquer situação e seja válida para todos). Contudo, que uma postura otimista, positiva e autoconfiante nos leva a encarar os problemas com maior objetividade, disso não há dúvida. E a "reprogramação" do nosso cérebro é uma fascinante experiência.

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Boca quente


OSMAR SANTOS

Olha aí, o “Boca Quente” de hoje vai para o Osmar Santos. O garotinho pisou no tomate, e por duas vezes, no “Guerra dos Sexos” deste Domingo. A primeira mancada ocorreu numa pergunta feita a respeito da obra do poeta pernambucano João Cabral de Mello Netto. Ao referir-se ao seu célebre poema, que inclusive foi dramatizado, com muito sucesso, pelo pessoal da Globo, Osmar chamou de “Vida e Morte da Severina”. Ocorre que Severina, na história, não é bem o nome de uma pessoa, mas um qualificativo dado para a morte, no sentido dela ser severa, dura, fazendo trocadilho com uma maneira típica do nordestino ser chamado. O título correto do poema não tem o “da” e é, apenas, “Morte e Vida Severina”. Aliás, o garotinho repetiu por várias vezes o erro, até que se tocou e acabou falando certo.
A outra mancada do Osmar, e nessa mesma pergunta, foi com respeito ao rio que corta o sertão e vem desagüar no Recife, o Capibaribe. Por duas oportunidades ele chamou essa importante via fluvial de “Capiberibe”, com “be”, ao invés de “ba”, que é a maneira correta. Aliás, era só lembrar do compositor Capiba, cujo pseudônimo foi extraído da abreviação do nome desse rio. Embora essas falhas (que certamente o telespectador nem notou) não empanassem o brilho do programa, que esteve excelente, o garotinho Osmar pisou mesmo no tomate, conforme expressão que ele mesmo costuma usar.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 28 de novembro de 1984).

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Reagindo ao horror

Pedro J. Bondaczuk


As pessoas reagem de formas diversas face ao horror do cotidiano, quer o que as afeta diretamente, quer o que apenas tomam conhecimento pelos meios de comunicação, que divulgam, com fartura, notícias e mais notícias, o tempo todo, 24 horas por dia, dando conta de guerras, assassinatos, roubos, pestes, fome, inundações, secas e catástrofes de todas as espécies, como terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas, deslizamentos de terra e milhares de outras desgraças. Tudo isso sem esquecer a corrupção, os vícios, as injustiças, a miséria, a exploração do homem pelo homem, e vai por aí afora.

Há os que não suportam nada disso e se alienam. Vivem como se estivessem num paraíso, mesmo imersos no inferno. Há os que até se viciam em desgraças e esbanjam morbidez, se deliciando com esse tipo de informação sobre a miséria e a crueldade humana. Há os que acreditam que podem mudar esse quadro hediondo e empenham suas vidas nessa luta inglória de melhorar o mundo. E as reações são as mais diversas, de acordo com a personalidade, educação, princípios, valores etc. de cada um. Afinal, como sempre disse o filósofo espanhol José Ortega y Gasset, o homem é ele e suas circunstâncias.

O escritor, acima de tudo ser humano (óbvio), reage de forma tão variada como quem não exerce essa atividade, claro, face ao horror do cotidiano. Uns são mais sensíveis e evitam temas escabrosos. Outros especializam-se no seu trato. E vai por aí afora, com uma infinidade de nuances. Contudo, via de regra, tocam suas vidas e seguem fazendo o que fazem, a despeito dessas desgraças e patifarias. Afinal... Não há outro jeito mesmo!

Dia desses, ao reler um livro – com caprichadíssima edição e apresentação da Editora Abril – contendo duas novelas no mesmo volume (“Lady Barberina” e “A outra volta do parafuso”), do escritor norte-americano, naturalizado inglês, Henry James, um detalhe específico chamou-me particularmente a atenção. Não foi nada referente aos dois excelentes enredos nem a algum de seus bem urdidos personagens. Nem mesmo se tratou de nada que se referisse ao estilo desse consagrado homem de letras.

Lendo o breve resumo biográfico do escritor, na introdução do livro, detive-me nesta informação, que acendeu-me uma luz vermelha no cérebro, por considerar sua mencionada reação insólita. E qual foi esse detalhe especial que me causou tamanha admiração? Foi este: “Quando começou a Primeira Guerra Mundial, James cessou toda a atividade literária, lamentando: ‘o horror de ter vivido para testemunhar tudo isso’”. E, de fato, não escreveu e nem publicou mais nada – ele que estava na crista do sucesso na ocasião – até a sua morte, ocorrida em 28 de fevereiro de 1916.

Comentando isso com amigos, a tônica das reações foi de incredulidade. Houve quem dissesse que ele parou de escrever não por causa dos horrores da guerra, mas por haver perdido o traquejo, a tal da inspiração. Meu ceticismo não chega a esse ponto. Acredito, até por intuição, na sinceridade e na honestidade de propósito de Henry James.

Não me consta que nenhum outro escritor tomasse atitude sequer parecida. Livros e mais livros continuaram sendo escritos e publicados nesse período de conflito. E até de poesias. E mais, muitos dos poemas foram compostos em trincheiras, nos intervalos de batalhas (um dia ainda comentarei a respeito). É certo que na época da grande guerra seguinte, a Segunda Mundial, houve um escritor (não me lembro qual) que chegou a decretar a “morte da poesia”. Disse que era impossível criar beleza em meio a tanto horror. Obviamente, não era.

A decisão de James soa mais estranha quando se sabe que a Primeira Guerra Mundial, embora sumamente perversa, como soem ser todas as guerras, sequer se aproximou, mesmo que remotamente, da Segunda. Mesmo que tenha se caracterizado por sangrentas e surreais batalhas de trincheiras, em que morreram, em cada uma delas, centenas de milhares, quando não milhões de soldados, sem que nada se decidisse, não teve os horrores dos campos de concentração nazistas e nem a “industrialização” dos assassinatos, frios e covardes, do Holocausto, em Auschwitz, Treblinka e outros tantos lugares sinistros, tanto que causam calafrios apenas à menção dos seus nomes.

Não teve, principalmente, o pavor dos pavores, o dos bombardeios nucleares de Hiroshima e Nagasaki. Como James reagiria a isso? Felizmente (para ele) não viveu para presenciar nada disso. Presume-se que a guerra em andamento quando tomou sua decisão, a de 1914 a 1918, abreviou sua morte. É provável que se testemunhasse a Segunda Guerra Mundial teria morrido às primeiras notícias que recebesse. Ou não, sabe-se lá! E olhem que na ocasião as informações nem eram tão fartas e muito menos instantâneas como agora. Tardavam dias, às vezes semanas ou meses, para se tornar públicas. Os meios de comunicação eram rústicos e embrionários. Não havia, por conseqüência, a fartura de noticiário que há hoje.

Imagino as reações de Henry James neste início de século XXI do qual somos testemunhas e protagonistas. Relatórios divulgados amiúde, por exemplo, por diferentes organizações internacionais, mostram que podemos falar de tudo, menos de evolução do espírito. Os informes dão conta de torturas, assassinatos, “desaparecimentos de pessoas”, privações ilegais da liberdade, truculências e outros crimes hediondos, muitos dos quais praticados por governos ou por regimes políticos. Ou seja, tais delitos são cometidos em nome de princípios nobres como liberdade, democracia e solidariedade.

Relatórios da Anistia Internacional denunciam e fundamentam em farta documentação violações de direitos humanos em mais de uma centena de países. E não são apenas as sociedades retrógradas que torturam, executam, roubam, estupram e maltratam seus próprios cidadãos. Tais delitos ocorrem, indistintamente, na Europa, nos EUA e em praticamente todas as partes do mundo. Onde, pois, a apregoada “nova era”, tão decantada após o fim da “guerra fria”? Eu responderia, apenas, como o personagem de Shakespeare: “words, words, words...”

A violência, de tanto que é repetida, insensibiliza as pessoas, mesmo as mais sensíveis e virtuosas. Claro que (felizmente) há exceções, que em termos relativos são escassíssimas. E essa insensibilidade nem vem de hoje. Tanto que o filósofo e escritor francês, Claude Adrien Helvetius, já havia escrito, no século XVIII: “Os homens são tão idiotas que é bastante ver repetir uma violência para considerá-la um direito”. E não é assim que as coisas acontecem? Claro que sim. Já estão, até, justificando atos de tortura em interrogatórios. Mas não quero falar sobre isso, em nome da preservação da minha integridade física. Nunca se sabe...

As coisas, nesse aspecto, no do horror e patifarias, podem ora melhorar, ora piorar, mas sempre ao sabor do acaso. Isso frustra e torna vãs todas as nossas esperanças e ilusões de uma sociedade e de uma humanidade já não digo perfeitas, mas minimamente aceitáveis.

Diante do exposto, não tenho como não dar razão, posto que muito a contragosto, a esta constatação sumamente pessimista (ou extremamente realista?) feita por Henry Adams (não confundir com o “sensível” Henry James): “O mundo é um quadro de dores, aflição e morte; pestes e fome; inundações, secas e nevadas; catástrofes por toda parte e por todos os cantos acidentes; a virtude gera o vício e o vício se perpetua; felicidade sem sentido, egoísmo sem lucro, miséria sem causa, horrores indefiníveis --- e a morte como a recompensa igualitária de todos”. E não é?!

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Sunday, August 28, 2011










"A vida que você leva foi criada por você e não pelas circunstâncias". Certo? Para Lair Ribeiro, um dos maiores especialistas em neurolingüística do País, sim. De acordo com este médico, para obtermos êxito em nossa vida precisamos "acreditar" e nos predispor para o sucesso. Devemos "reprogramar" os cérebros, para extrair deles o pessimismo, o medo do fracasso e o ressentimento contra terceiros e colocar no lugar otimismo, confiança e simpatia. Eu acrescentaria mais um ingrediente indispensável para o sucesso: ´temos que conquistar e manter sólidas e sinceras amizades. Difícil? Sem dúvida! Impossível? Jamais! A felicidade (não importa como a entendemos), o sucesso em nossas atividades e o progresso, espiritual e/ou material, não nos são oferecidos de bandeja. Temos que conquistá-los!

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Itália vai às urnas


Pedro J. Bondaczuk


A Itália é um país sui generis, detentor de uma civilização tão evoluída que é dos poucos que podem ficar meses sem governo (como aconteceu com a recente crise política pela qual passou), sem que isso afete sua economia, sua sociedade ou sua vida nacional.
Não é por acaso que foi ali que surgiu o movimento para valorizar o homem como pessoa e não como mera peça de uma engrenagem chamada Estado, ainda no século IV, dando margem ao surgimento de notáveis gênios, como Leoni Battista Alberti, Leonardo da Vinci e Dante Aligheri, entre milhares de tantos outros.
Esse povo extraordinário e próspero vai às urnas, hoje, para servir de árbitro na briga dos políticos, que nunca conseguiram se entender. Como tem sido grande característica italiana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os dois principais contendores dessa luta ainda são os mesmos: os democratas-cristãos e os comunistas.
Aliás, essa cordial briga foi bem retratada por Guareschi, com grande argúcia e muito humor. Ele foi o criador dos personagens Dom Camilo (um pároco de aldeia do interior, defensor intransigente do PDC, que vivia apregoando que os vermelhos eram comedores de criancinhas indefesas, mas que mantinha com eles secretas e cordiais relações) e Pepone (um marxista convicto que, no entanto, não abria mão das delícias capitalistas).
As histórias desses dois estereótipos foram tema de um seriado de muito sucesso no Brasil, na saudosa TV Tupi, ao longo de toda a década de 1950. E as coisas ainda continuam dessa mesma maneira. Comunistas e democratas-cristãos dividem quase que pela metade o eleitorado, que nunca foi muito interessado nessa controvérsia.
Na Itália, o voto é encarado como um direito de cidadania (que é o seu conceito correto) e não como uma obrigação imposta pelas autoridades. Por isso, as abstenções têm decidido eleições, tornando todas as pesquisas de opinião meros exercícios de adivinhação, nem sempre próximos da realidade.
Por exemplo, em junho de 1983, a taxa dos que deixaram de votar naquele ano se elevou para 16%. Por esse motivo, o PDC sofreu uma perda de quase 6% de votos e os comunistas, também, acabaram sendo prejudicados.
Na consulta às urnas de hoje e de amanhã, no entanto, há um fator novo a ser considerado: o Partido Socialista Italiano. O PSI nunca foi bom de voto. Mas, há 4 anos, obteve um terceiro lugar entre todos os partidos e, por uma dessas estranhas negociações entre os políticos, conseguiu a chefia de gabinete para o seu líder, Bettino Craxi.
Quando este assumiu, o país estava num autêntico caos. A inflação registrava taxas muito altas para os padrões europeus, o desemprego era considerável e o prestígio italiano, em âmbito internacional, não era tanto quanto a verdadeira importância do país permitia que fosse.
O dirigente do PSI, no entanto, com muito talento e, principalmente, deixando a sociedade em paz, interferindo o mínimo possível nas relações comerciais e trabalhistas, fez uma gestão que surpreendeu até seus partidários.
Hoje a Itália é autêntica ilha de tranqüilidade econômica em meio à crise que assola o mundo. Sua inflação foi contida, seu desemprego é baixo e seu povo vive cada vez melhor. Internacionalmente, o país goza de grande respeito e suas intervenções nas pendências mundiais têm sido as mais sensatas que se possa esperar. Craxi terá, certamente, seu cacife nas urnas aumentado. Não que vá derrotar os democratas-cristãos ou os comunistas. Longe disso.
Mas o seu partido não fará menos do que 12% dos votos. Com isso, passará a ocupar uma situação privilegiada. Como ninguém vai conseguir maioria, ou sequer 30% dos votos, qualquer partido que desejar o governo só poderá obter sucesso mediante coligações. E o PSI terá à sua escolha com quem vai querer se coligar, extraindo, logicamente, os benefícios que essa posição lhe possibilita.
Sem ele, não haverá gabinete. Dessa forma, Bettino Craxi, mesmo não sendo nenhum campeão de votos (até pelo contrário), com toda a certeza vai ser o grande vencedor desse confronto eleitoral. Sábia, muito sábia decisão do eleitorado italiano.

(Artigo publicado na página 17, Internacional, do Correio Popular, em 14 de junho de 1987).

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Crítica literária

Pedro J. Bondaczuk

A crítica literária, embora possa ser feita (e de fato seja) por jornalistas(em sua maioria), é um gênero (dos mais nobres e especializados) de literatura. Tem, contudo, como pressuposto básico, que quem a faça tenha pleno conhecimento de causa. Ou seja, entenda profundamente o que se propõe a criticar, o objeto das suas críticas, a literatura.
Requer-se que seja não somente leitor compulsivo e atento, mas, e sobretudo, que conheça plena e profundamente, teoria literária. E que, nas suas avaliações, aplique esse conhecimento com isenção e critério. Não é o seu gosto pessoal que deve contar. São critérios sumamente objetivos na avaliação de determinada obra.
Previno que não é o que faço aqui, embora volta e meia eu comente livros e autores. E o verbo “comentar” é o mais apropriado no meu caso, está muito bem colocado neste esclarecimento espontâneo. Teço “comentários”, mas não faço crítica literária, insisto. São coisas muito diferentes.
Então não sou crítico? Não entendo nada de teoria literária? Sou crítico sim, e tenho muito orgulho disso. Sem falsa modéstia, não fico nada a dever a ninguém em termos de conhecimento (prático e teórico) de literatura. Sempre que fui convocado a desempenhar essa tarefa, nos jornais em que trabalhei, desempenhei (modéstia a parte) muito bem. Mas não é o que me proponho a fazer neste espaço específico (e, de fato, não faço). Daí a razão desta ressalva.
A crítica literária contém, “sempre”, aspecto valorativo. Quem a exerce, “avalia” não somente se um livro é bom, mediano ou ruim, mas apresenta argumentos objetivos, comprobatórios, para justificar isso. Nos comentários que faço neste espaço, porém, a subjetividade prevalece e propositalmente.
Ajo assim de caso pensado. Tenho por critério, por exemplo, jamais comentar livros que não gosto. Ademais, não comento, especificamente, tais obras em sua inteireza, mas somente um ou outro aspecto delas que me sirva de base para reflexões de temas dos quais trato.
Esclareça-se que a crítica literária surgiu na imprensa internacional há já muito tempo, em meados do século XIX. Era feita, no início, tanto por jornalistas com reconhecidos e notórios conhecimentos de literatura, quanto por escritores consagrados, como Victor Hugo e Émile Zola, por exemplo, entre tantos outros. Ou como o nosso Machado de Assis, que esbanjava conhecimento a propósito. Vários escritores atuais ainda exercem, com competência e brilho, essa função na imprensa, mas não citarei nenhum, para evitar injustiças causadas por eventuais esquecimentos.
Os meus textos, não tivessem a função específica de serem editoriais de uma revista literária eletrônica diária, deveriam ser classificados, caso se pretendesse rigor na classificação, de ensaios literários. Trazem a “opinião”, e não propriamente “avaliação”, exclusivamente do autor, isto é, minha. Abrem mão (e, reitero, propositalmente) da objetividade e são sempre subjetivos. Já tive a oportunidade de publicar neste espaço comentários acerca de mais de três centenas de livros e todos seguindo o mesmíssimo critério.
Faço essa ressalva para evitar confusão e deixar as coisas bem claras, para conservar a pureza de conceitos acerca do objeto alvo deste espaço nobre da internet: a Literatura. Há quem confunda, ainda, sinopse com crítica literária. São coisas distintas. Uma não tem nada, mas nada mesmo a ver com a outra.
Outro ponto que entendo de bom alvitre esclarecer é que não tenho o mínimo compromisso com qualquer editora ou escritor. Tanto que a imensa maioria dos livros que comento foi lançada há muitos anos, vários dos quais com edições até esgotadas.
Não faço, portanto, propaganda de nenhum deles. O objetivo não é este, mas, única e exclusivamente, o de ilustrar reflexões sobre determinados conceitos. Não ganhei nenhum deles (antes os ganhasse!). Todos, mas todos mesmo foram comprados e integram minha vasta e caótica biblioteca particular.
Vez por outra ( sempre que o bolso permite) adquiro novidades do mercado editorial. Pudera, sou “viciado” em leitura! Comento-os (nas raras vezes que o faço), todavia, somente após lê-los e não raro relê-los até mais de uma vez e, apenas, se e quando contiverem subsídios para os temas sobre os quais me proponho a refletir com vocês.
Reitero, pois, que nunca fiz e nem faço neste espaço crítica literária. Não garanto que nunca farei. Mas se e quando fizer, deixarei claro do que se trata. Porquanto, além de contar com sólida formação literária, sou e sempre fui antes de tudo jornalista, mais especificamente editor, comprometido, portanto, com o rigor e a veracidade dos fatos.



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Saturday, August 27, 2011











O tipo de vida que levamos, em especial nas grandes cidades, é uma fonte quase que inesgotável de preocupações, de angústias e de tensões, que não raro nos conduzem a neuroses e a outros males ainda maiores (físicos e sobretudo psicológicos), em geral irreversíveis, quando não letais. Desde quando nos levantamos, para nos dirigirmos ao trabalho, até a hora de nos recolhermos, concluído nosso dia, somos confrontados com pequenas ou grandes dificuldades que, dada a repetição, nos produzem, pouco a pouco, um desgaste profundo, que nos impede de vermos, e por isso de valorizarmos, as coisas boas que nos acontecem e que não são poucas. Apostemos, porém, na felicidade. Sejam quais forem as circunstâncias, não nos deixemos, jamais, levar pelo pessimismo, pela angústia, pelo derrotismo. Certamente, a vitória que tanto buscamos está no momento seguinte, se não estiver no presente, mas, com toda a segurança, não está no passado.

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Eu e você

Pedro J. Bondaczuk

Estrela brilhante do meu céu interior,
senhora dos meus pensamentos e atos,
fonte de ternura, minha redenção,
amante e amiga, cúmplice e parceira.

Somos unos, em nossa duplicidade.
Complementares: o côncavo e o convexo,
duas vidas compondo vida mais ampla,
para gerar (ó milagre!) outras tantas vidas.

Embalo em seu olhar meus castos sonhos,
bebo em seus lábios o néctar da eternidade
embriago-me em seu corpo dourado:
morro em seus braços para após renascer.

Ao seu lado, nenhum espinho me fere,
as pedras do caminho são tapetes de veludo
o ar é sempre puro e levemente perfumado
e até o mar é de água doce e refrescante.

Tanta ternura nenhum cético empedernido,
que sequer exista se convence, ou crê.
pois lhe revelo, em êxtase, e comovido:
você é eu e eu, certamente, sou você!!!

(Poema composto em Campinas, em 25 de agosto de 2011).

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Generosas flores

Pedro J. Bondaczuk

As idéias, na feliz metáfora do escritor francês André Gide, são flores que colhemos no jardim da vida. Todavia, o mais sensato não é esperar que elas surjam espontaneamente (pois podem também não surgir), mas cultivá-las com disciplina e afinco. Para isso, devemos estar predispostos a esse cultivo. Para que elas brotem e se desenvolvam, é mister que as semeemos antes. Todas as pessoas as têm. Algumas, porém, não lhes dão a devida atenção e deixam que se percam nos meandros do cérebro.

Há, porém, quem tem nas idéias a matéria-prima da sua produção. É o caso dos filósofos, dos artistas de todas as artes, dos jornalistas, dos inventores e dos escritores, entre outros. Para estes, elas são essenciais, jamais podem faltar, sob pena de fracasso. Contudo, observe-se, as idéias nunca vêm completas, prontas, acabadas. Às vezes não passam de mero lampejo, com a rapidez de um raio. Daí sua comparação com as flores, que requerem cuidado pra frutificar. As idéias, para gerarem o efeito que delas se espera, requerem o acompanhamento da ação. São meros embriões de obras, que podem se desenvolver ou serem abortados, dependendo de como viermos a proceder.

A possibilidade de pensar é das prerrogativas mais nobres que temos e, ao mesmo tempo, é um dever. Compete-nos contribuir para a solução dos grandes problemas que afligem não apenas a nós mesmos, nossas famílias, nossa comunidade e nosso país, mas também à humanidade da qual fazemos parte. Observei, certa feita, em um ensaio, que há os que não “querem” pensar, aferrados a pensamentos alheios, que colocam como dogmas. “São os fanáticos, que impedem, com sua falta de visão, o progresso dos povos”.

Enfatizei, na sequência, que há os que não “podem” exercer essa prerrogativa, por deficiência mental. São os loucos e idiotas, que não têm culpa desses males. Mas não “ousar” pensar é o delito dos delitos. Significa omissão. E o omisso é um parasita, que sempre depende que outros façam o que lhe caberia fazer.

As idéias, mesmo as aparentemente banais, têm incrível poder transformador sobre nossas mentes e, principalmente, sobre nossas vidas. Raramente nos damos conta disso, mas é algo para o que deveríamos atentar. Sua geração e cultivo não são prerrogativas de filósofos, cientistas ou escritores. Estão ao alcance de qualquer um. As idéias são como contas de um rosário: uma puxa outra e, quando percebemos, constatamos, surpresos, que nos tornamos um pouco mais sábios, sensatos e criativos. Por isso, um dos hábitos mais saudáveis que podemos desenvolver é o da meditação.

Cultivar idéias é necessidade humana, prerrogativa do único animal inteligente da natureza. O mais humilde e iletrado dos homens pode e deve fazê-lo, pois esse é o único recurso que tem para a ascensão mental, espiritual e até social. Conheço analfabetos que sequer sabem distinguir as letras, mas que têm visão privilegiada da vida e muito a nos ensinar. Tudo o que fazemos, desde o ato aparentemente mais mecânico, à concepção de grandes obras materiais, artísticas e intelectuais, depende de idéias. O que não podemos é deixar de reciclá-las, para que não se cristalizem e não se transformem em dogmas. Podemos (e devemos) dar grandeza e transcendência ao nobre ato de pensar.

Nossas idéias nos personalizam, elevam, depreciam ou engrandecem, dependendo do seu teor e intensidade. Se positivas e altruístas, desde que praticadas, nos perpetuam no coração dos que se beneficiam, direta ou indiretamente, delas e promovem progresso, grandeza e transcendência. Se destrutivas, corruptoras, malévolas e chulas, despertam horror e ira nos mais sensatos e, caso venham a ser aplicadas pelos tíbios e sem-personalidade, resultarão em intensos sofrimentos e desgraças para um número incontável de pessoas.

As idéias podem nos apequenar (e aos que as compartilharem) ou engrandecer. São elas que, de fato, governam o mundo. Por isso devem ser policiadas, dia e noite, e filtradas, para que só as construtivas prevaleçam.

Nada no ser humano é mais nobre e maior do que a razão. Nada se compara à sua capacidade de raciocinar, de analisar e entender tudo e todos que o cercam e de criar, com a simples força do pensamento, o abstrato, ou seja, o que não existe.

Não fora sua racionalidade, e esse animal, fatalmente,, já teria desaparecido da Terra (e ainda corre riscos concretíssimos de desaparecer). Sua força física, como enfatizei inúmeras vezes, é muito inferior à de tantas feras, como o tigre. Sua audição nem de longe se aproxima da do morcego. Sua visão é ínfima perto da do lince ou da águia.

Graças ao raciocínio, porém, este ser, complexo e maravilhoso e, simultaneamente, tão imprevisível e contraditório, é o único que tem a capacidade de pensar, de criar, de transformar o ambiente em que vive e de dominar todos os outros animais.

A História da humanidade, infelizmente, foi escrita com sangue, muito sangue, derramado em nome de ideais supostamente nobres, mas que, na verdade, escondiam interesses inconfessáveis. Daí as contradições do nosso tempo no relacionamento das pessoas. Daí haver tanta cobiça, maldade, violência, ignorância, corrupção e injustiças. E as coisas só não são piores, porque homens generosos e sábios nos legaram (e seguem nos legando) idéias, conceitos e valores eternizados pelo tempo.

Os pensadores é que deveriam ser exaltados pelos historiadores, não os tiranos, os generais e os semeadores de morte e de destruição. Destruir pessoas e obras nunca foi heroísmo. Victor Hugo (sempre ele!), escreveu, num dos seus tantos e marcantes textos, o que parece o óbvio aos que têm bom-senso, mas que ainda não convenceu os néscios (a maioria):: “As idéias é o que se deve derramar, em vez de sangue, para fecundar os campos em que germina o futuro dos povos”. Derramemo-las, pois, generosa e profusamente, sem modéstia e sem limites.

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Friday, August 26, 2011










Quase tudo na vida é relevante e necessário, desde que na medida certa. Trabalhar, por exemplo, é indispensável, pois é no trabalho que nos realizamos e cumprimos nosso papel no mundo. Quando se descamba para o exagero, o que era virtude se transforma em vício. Descanso e lazer são fundamentais, pois até as máquinas precisam de repouso para não se desgastar. Mas há limite. O que é inconcebível é o desperdício de tempo. É de extrema tolice passar horas e horas em conversas inúteis, que nada acrescentam, com o umbigo grudado no balcão de um bar, se afogando em bebida. O segredo, na vida, está, pois, na moderação. Para o desperdício dessas horas e mais horas, o povo até cunhou uma expressão pitoresca: “matar o tempo”. Ocorre que, na verdade, é este que nos mata. Henry David Thoreau, um dos maiores ensaístas de todos os tempos, escreveu: “Quem mata o tempo injuria a eternidade”. E eu acrescento: é candidatíssimo ao fracasso!

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Anote e Confira


MENINO DO RIO

Pela primeira vez, dez dos grandes filmes nacionais chegam ao horário nobre de nossa TV, e justamente na emissora de maior alcance e audiência no País. Ontem o telespectador teve a oportunidade de ver "Dona Flor e Seus Dois Maridos", com Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça.

Hoje, especialmente a faixa jovem (grande maioria no Brasil), terá a chance de ver um tema todo seu, ou seja, o comportamento, gostos e modo de vida que são seus característicos, enfocados no excelente filme do Antonio Calmon, "Menino do Rio".

Destaques, no elenco, para André de Biase, Cláudia Magno, Cláudia Ohana, Ricardo Graça Mello e Nina de Pádua. Pela importância que a promoção tem para o cinema nacional, o terceiro do mundo em termos de produção, e pela qualidade das obras apresentadas, é uma programação que recomendamos ao telespectador. Rede Globo, canal 12, às 22h15.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 25 de setembro de 1984).

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Testemunhas e cúmplices


Pedro J. Bondaczuk


O escritor é, óbvio, testemunha do tempo em que vive. É verdade que quem é incapaz de produzir uma única linha de texto também o é. A diferença é que o homem de letras tem a capacidade de registrar tipos, lugares, comportamentos, costumes etc. enfim, tudo o que diz respeito à vida em sociedade. Afinal, escreve não especificamente para a sua geração, mas para a posteridade, o quão remota não se sabe, mesmo que não se dê conta. Portanto, o escritor, além de testemunha do seu tempo, acaba por se constituir, também, em cúmplice dele. Ou seja, age, se comporta, fala, se veste, vive etc. como todas as demais pessoas.

Mantenho o que escrevi há tempos, de que o compromisso do homem de letras não é com a realidade. É, sim, de pelo menos sugerir a possibilidade de um dia existir um mundo melhor do que aquele em que vive, de justiça, paz, amor, solidariedade e todas as virtudes que admiramos, por serem raras na atualidade (e que, ademais, sempre foram em qualquer tempo e lugar). Seu papel é o de ser, mesmo que não ostensivamente, porém nas entrelinhas, arauto da esperança. Deixe a realidade nua e crua para o jornalista.

Embora possa parecer paradoxal, no entanto, concordo com Anatole France quando constata: “O real serve-nos para fabricar melhor ou pior um pouco de ideal”. Ou seja, para criarmos nossos enredos, temos que nos basear no que “existe”: em cenários, comportamentos, costumes e atitudes que vivenciamos e conhecemos. Caso contrário, corremos o risco de não sermos sequer compreendidos e, portanto, de sermos esquecidos, por mais originais e fascinantes que sejam nossas histórias. Afinal, o leitor precisa de um referencial para se situar.

Tempos atrás confessei que me sentia frustrado por não encontrar nos romances, novelas, contos etc. referências a objetos, comportamentos, atitudes, linguagens etc. do nosso tempo. Eram raríssimos, por exemplo, textos que se referissem ao computador. Navegar na internet e freqüentar redes sociais, tipo “Facebook”, “Orkut” ou “Tweeter”, era coisa que os personagens não faziam de jeito algum, mesmo sendo nossos contemporâneos. Utilizar celulares (que se transformam, cada vez mais, em instrumentos multimídia em miniatura, com funções, simultaneamente, de computador, gravador, câmera fotográfica, mini-TV e..., telefone, claro), Ipods, Ipads e outros tantos recursos de comunicação ao nosso dispor, nem pensar.

Dia desses, porém, para a minha satisfação, encontrei referências a essas engenhocas, cada vez mais comuns e até corriqueiras em nossas vidas, num texto literário de ficção. Qual a razão dessa omissão? Esquecimento? Distração? A convicção de que se trata de objetos tão comuns que nem carece fazer menção a eles? Se for este último o caso, são justamente eles que têm que estar presentes na vida dos personagens (claro, os urbanos), a menos que eles procedam de Marte ou de qualquer planeta alhures, perdidos na imensidão do universo.

Se não nos referirmos a esses equipamentos hoje triviais, como os nossos potenciais leitores do século XXII saberão que existiram? Se não escrevermos sobre nossos hábitos e comportamentos, as futuras gerações vão desconhecer como procedíamos em nosso dia a dia. Há escritores, e não poucos, que têm escrúpulos em reproduzir a linguagem do povo. Não recomendo, óbvio, que se estropie o idioma a torto e a direito. Cabe-nos respeitar os cânones da nossa língua e todas as regras gramaticais.

Mas há palavras e expressões fartamente utilizadas até por renomados intelectuais, coloquialmente, e que ficamos cheios de dedos para não reproduzi-las em nossas histórias. Trata-se de gírias, ainda não absorvidas pelos dicionários, mas que, mais cedo ou mais tarde, serão. Queiram ou não os eruditos, é o chamado povão que faz a língua. Mais uma vez, por hoje, sou levado a dar razão a Anatole France quando opina: “O povo faz bem às línguas. Fá-las imaginosas e claras, vivas e expressivas. Se fossem os sábios a fazê-las, elas seriam baças e pesadas”. E não é?

Muitos escritores têm enorme dificuldade de descrição. São peritos em diálogos, cada vez mais ágeis e verossímeis, criativos na exposição de idéias, exímios construtores de personagens interessantes e pitorescos, verdadeiros psicanalistas ao virar a alma pelo avesso, mas no momento de descreverem um aposento, uma rua, um jardim etc., de sorte que se transformem, quase, numa fotografia por palavras, tentam, tentam, tentam e.. não conseguem. Falta-lhes traquejo, hábito e, sobretudo, treino.

Recordo-me que na infância, nos meus tempos de primário, os professores concentravam sua atenção nesse aspecto. No terceiro ano, tínhamos aulas semanais de descrição. Lembro-me que minha querida profe3ssorinha Dona Helena tinha um cadernão, do tamanho de um cartaz, com vinte ou trinta páginas só de gravuras em tamanho ampliado.

Escolhia uma imagem qualquer, geralmente de paisagem, a esmo, pendurava-a na lousa e nos mandava descrevê-la. Os mais detalhistas e observadores tiravam as notas mais altas. Os menos, com o tempo, por causa do contínuo treinamento, logo se tornavam peritos também em descrever o que quer que fosse. Hoje, não há esse tipo de exercício nas escolas. Por que? Sabe-se lá!

Também tive o privilégio de ser escoteiro. E uma das provas, para se conseguir promoção, era a do “Kim” (referência ao célebre personagem de Rudyard Kipling). Consistia no seguinte: o chefe levava-o a um lugar onde você não havia estado antes. Dava-lhe dois minutos para observar tudo o que havia ao seu redor. Findo este tempo, vendava seus olhos e você tinha que descrever o que havia observado. Quanto mais rica e detalhada fosse sua descrição, mais pontos você somava.

Essa prova tinha, também, a versão de mesa. Nela, eram colocadas dezenas de objetos, os mais diversos e heterogêneos, e você tinha os mesmos dois minutos para observá-los. A seguir, era, igualmente, vendado e tinha que descrever tudo o que havia visto sobre a mesa. O critério era igual ao da versão em local aberto. Ou seja, quanto mais rica e detalhada fosse sua descrição, mais pontos você somava.

Sei que, a esta altura, muita gente está torcendo o nariz, face ao que escrevi, dizendo: “Tudo isso é bobagem!”. Outros devem estar achando essas recomendações ridículas, imensa insanidade, coisas de louco. Pois bem, como iniciei estas reflexões citando Anatole France, concluo-as de igual maneira. E o consagrado ganhador de um Nobel de Literatura lembrou, com muita propriedade, a esse propósito: “As grandes obras deste mundo foram sempre realizadas por doidos”. Creio estar em bom caminho.






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Thursday, August 25, 2011










Três coisas me fascinam, encantam e entusiasmam: vida, amor e beleza, nesta ordem. Viver é, para mim, simultaneamente, mistério e privilégio, quaisquer que sejam as circunstâncias. Amar, por seu turno, é sempre uma bênção, mesmo que não haja correspondência. Se houver... será um delírio. E, finalmente, a beleza (não a física, necessariamente, mas a que se expressa em todas as coisas, até nas aparentemente mais feias), inspira-me, acalma-me e me desperta intensa alegria e profunda reverência. Khalil Gibran Khalil, do alto da sua inspiração, escreveu a esse propósito: “Uma vida sem amor é como árvores sem flores e sem frutos. E um amor sem beleza é como flores sem perfume. Vida, amor e beleza: eis a minha trindade”. A minha também, caro poeta. Destaque-se que a beleza que o escritor menciona não é, necessariamente, a física, que os anos apagam, mas a espiritual, que só tende a crescer na medida em que o tempo passa.

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O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). –
Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. –
Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internet – WWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.
Em livraria – Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.

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Vídeo-História


O VELHO GUERREIRO

A televisão brasileira já apresentou, em sua trajetória de quase trinta e cinco anos, os programas mais exóticos que se pode imaginar. Entre esses, provavelmente, os mais engraçados, e também os mais criticados, foram os vários concursos promovidos especialmente pelo Chacrinha.
Apenas no período compreendido entre os anos de 1956 e 1968, o Velho Guerreiro apresentou múltiplos e estranhos desafios para seus telespectadores. E estes foram em grande quantidade, atingindo a extraordinária cifra de 1.036.
Os concursos mais exóticos do apresentador foram:
a) Quem comeria mais bananas. O ganhador foi um nordestino desempregado que, diante das câmeras, conseguiu devorar 55.
b) Quem trouxesse o maior número de pulgas. Foi premiado um cidadão que conseguiu reunir 4.800 delas.
c) Quem chuparia mais laranjas.
d) O cachorro mais bonito.
e) O papagaio mais falador.
f) O macaco mais engraçado.
Apesar das críticas que o Velho Guerreiro recebeu na oportunidade, ninguém pode negar que seus concursos ensejaram situações muito engraçadas!

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 16 de outubro de 1984).

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Vermelho amargo

Pedro J. Bondaczuk

O escritor experiente tem, via de regra, muito cuidado ao escrever a seu próprio respeito. Geralmente, evita isso e não por modéstia ou recato, mas pelas dificuldades que isso traz. Para fazê-lo, por exemplo, tem que estar muito seguro, seguríssimo e policiar-se para evitar excessos. É “perigoso” enveredar por esse caminho.
Caso você pinte a si mesmo como um super-homem, ou um sabe tudo, mesmo que o seja de fato, certamente irá desagradar a gregos e troianos. Parte considerável dos leitores o classificará de convencido, vaidoso, quando não de megalomaníaco. Afinal, como diz surrado dito popular, “elogio em boca própria é vitupério”.
Se você, todavia, “desnudar-se” publicamente, expor suas chagas e vulnerabilidades, muitos dirão que você é complexado. Ou que é hipócrita e está se depreciando apenas para que outros o contestem e o elogiem. Não adianta dizer que não dá a mínima às opiniões alheias. No fundo, no fundo, todos nos importamos com o que pensam de nós e com a nossa imagem pública.
Para aventurar-se, portanto, por essa vertente literária, é necessário que você tenha muito talento e, sobretudo, bom-senso. Precisa pesar muito bem não apenas “o que” escrever, mas “como”. Por isso, são poucas as autobiografias que caem no gosto público e se transformam em sucesso de crítica e de vendas. Quando leio um livro do tipo, que me agrade e não suscite nenhum reparo, atribuo valor especial ao autor, por conhecer o quanto é difícil escrever sobre si próprio com equidistância e isenção.
Um dos livros de caráter autobiográfico que me agradou sobremaneira é “Vermelho amargo”, do escritor mineiro Bartolomeu de Campos Queirós, feliz lançamento da Editora Cosac Naify. Para quem não sabe, ou não se lembra, informo que o autor, além de talentoso, é bastante experiente. Aos 66 anos de idade, tem, em seu currículo, mais de 40 publicações, em vários gêneros, com predominância na literatura infantil. E não é só isso. Foi traduzido para o inglês, espanhol e dinamarquês. E mais, conquistou o Prêmio Jabuti de 2008, na categoria livro infantil, com “Sei por ouvir dizer”.
Destaco que “Vermelho amargo” não é destinado a crianças, embora estas também possam (e devam) lê-lo, por ser-lhes perfeitamente acessível. Destina-se, porém, mais especificamente, ao público adulto. Antes de conquista do Jabuti (façanha que não é para qualquer um), Bartolomeu já havia conquistado outra prestigiosa e cobiçada premiação. Seu livro “Até passarinho passa” levou a Academia Brasileira de Letras a lhe conceder o prêmio “O Melhor da Literatura Infantil”, em 2003.
Concorreu, em 2010, à principal premiação internacional para literatura infantil e juvenil, o Hans Christian Andersen, da qual foi finalista. Bartolomeu também é poeta, e dos bons, o que até dá para desconfiar na leitura de “Vermelho amargo”, que rescende a poesia do início ao fim. Está aí outra façanha do autor: ele mistura, de tal sorte, as linguagens, com tamanhos talento, naturalidade e bom-gosto, que ficamos em dúvida se esse pequeno grande livro (tem apenas 73 páginas) é de poesia em prosa ou de prosa poética. É uma delícia a sua leitura.
A história é uma espécie de passeio de sonho pela infância do autor. Concentra-se, sobretudo, no vazio deixado nele e em seus irmãos pela morte da mãe. O tom dramático e duro fica por conta do alcoolismo do pai e da indiferença da madrasta. Bartolomeu confessa que nem tudo o que escreveu é rigorosamente baseado em lembranças. Admite que romanceou muita coisa e, ao cabo da leitura, concluímos que o fez muito bem, com extrema perícia.
Os irmãos foram retratados sob o prisma da fantasia. Em certo trecho o autor “revela” (na verdade, fantasia): “Minha irmã maior gostava de agulhas. Meu primeiro irmão mastigava vidro”. Bartolomeu revela: “Escrevi a obra em seis meses, escolhendo cada palavra, em sua sonoridade e dimensão”.
Seu grande mérito é o de haver optado pela simplicidade que, como ressaltei em inúmeras ocasiões, é muito mais difícil do que se pensa. Ser simples, acreditem, é complicadíssimo. A maioria opta por recorrer a floreios, a jargões, a pirotecnias verbais e acaba comprometendo excelentes enredos. Bartolomeu, no entanto, não caiu nessa armadilha de falsa erudição.
Aos que possam, eventualmente, criticá-lo por misturar realidade e ficção, o autor responde: “Não existe memória pura. O livro foi feito do que vivi e do que inventei”. E justifica: “Meu real é mais absurdo do que minha fantasia”. Creio que isso ocorra com todos nós.
A metáfora principal da história, por mais trivial que pareça, é genial justamente por essa trivialidade. Está na comparação dos “estilos” de corte de tomates, da mãe e da madrasta, ao fazerem uma salada (o que justifica, inclusive, o título do livro). Quem diria que um detalhe aparentemente tão banal e sem importância suscitaria tantas lembranças e inspiraria uma obra-prima?!!! Pois foi o que aconteceu.
A madrasta picava o tomate em fatias finas, finíssimas, quase com a espessura de um papel, translúcidas, virtualmente transparentes. Já a mãe fatiava-o em cruz, que o transfigurava em “pequenas embarcações” em que “os barqueiros eram as sementes”.
A salada da madrasta era sem sabor, e engolida de uma só vez. E a da mãe? Bem, esta era especial e degustada, tanto pela boca, quanto pelo espírito, face às fantasias que suscitava. Fica aqui a pergunta que sempre faço quando comento algum livro: querem saber mais a respeito? E dou a costumeira e correspondente resposta: então comprem e leiam o livro de Bartolomeu de Campos Queirós.

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