Friday, November 30, 2012

O poeta tem função importante no mundo, bem maior do que as pessoas desacostumadas à leitura costumam lhe atribuir: criar harmonia. Essa afirmação foi feita, em Tóquio, em 28 de maio de 1991, pelo líder religioso, artista e pensador budista Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional, durante encontro com o escritor sul-africano Oswald Mbuyiseni Mtshali, ativista anti-apartheid em seu país. Trata-se de uma das melhores caracterizações que já li desses seres abençoados com a magia de saber criar imagens com as palavras e queimar os corações com os seus versos. Como diligentes abelhas que colhem pólen onde houver flor, estes indivíduos iluminados vislumbram beleza onde quer que haja vida, mesmo nos mais asquerosos pântanos da alma humana. Ao criarem harmonia, encantam, inquietam, fascinam e consolam.

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Presente de Natal

Dê às pessoas que ama e admira o melhor dos presentes neste Natal: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas o ano todo, mas por toda a vida.

Livros que recomendo:

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Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. – Preço: R$ 20,90.

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Direitos humanos

Pedro J. Bondaczuk

O Brasil, mais uma vez, é mencionado no relatório anual da Anistia Internacional, referente a 1993, como país que viola os direitos humanos. Agora, por causa do assassinato de "centenas de adolescentes, crianças de rua e outras pessoas por parte de policiais e esquadrões da morte, do tipo "vigilantes", "justiceiros" e outros eufemismos para acobertar bandos de assassinos, entre outras violações.

Aliás, era previsível essa citação no informe por causa das chacinas ocorridas especialmente no Rio de Janeiro, no ano passado, como as da Candelária e de Vigário Geral, que ameaçam ficar impunes, principalmente agora que os casos não são mais focos de atenção da imprensa.

Portanto, a menção ao Brasil não constitui nenhuma surpresa, embora seja lamentável que fatos dessa natureza se repitam com uma constância assustadora, a atestar que a impunidade, "irmã gêmea" da conivência, é o maior incentivo ao crime. E não estamos sozinhos nesse rol de violadores dos direitos humanos dos cidadãos.

Dos 151 países pesquisados, mais de cem são acusados por práticas de tortura e maus tratos a presos. E, pior, 61 dos mencionados praticaram homicídios contra prisioneiros, encarcerados por razões de consciência. Não é de se estranhar, portanto, que as Nações Unidas insistam tanto na criação de um comitê internacional para coibir com dureza, inclusive mediante severas sanções econômicas aos infratores, esse tipo de comportamento irracional e homicida.

A nós, todavia, tem maior importância o que ocorre no Brasil, em termos de violação. Não por alguma eventual insensibilidade em relação ao sofrimento dessas pessoas agredidas em sua dignidade, ou assassinadas covardemente, mas em razão somente da proximidade.

O que ocorre aqui é responsabilidade apenas nossa. Sempre que tomamos conhecimento de que o direito de alguém foi violado e nada fazemos para punir os culpados e para evitar a repetição desses casos, estamos sendo cúmplices dos violadores.

Um aspecto do relatório da Anistia chama, particularmente, a atenção. É o trecho que diz, se referindo ao Brasil: "Os governantes sabem muito bem que uma imagem ruim na área dos direitos humanos pesa muito nas suas relações exteriores. Entretanto, deixam que os esquadrões da morte se encarreguem do 'trabalho sujo'".

Caso haja fundamento nessa denúncia, e não há razões para se duvidar da seriedade da organização, está nitidamente caracterizada a co-autoria nos crimes relatados, e isso é muito grave. Ninguém, absolutamente ninguém, em circunstância alguma, pode estar acima da lei.

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 7 de julho de 1994).

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Não quero me esconder

Pedro J. Bondaczuk

Um dia desses comentei com um amigo, em tom que ele interpretou como sendo de queixa (embora a intenção nem fosse essa), que nos últimos 14 anos, ou seja, desde agosto de 1998, apenas uma pessoa, uma única, escreveu artigo a meu respeito. É verdade que esse texto valeu por milhares, por milhões, por um número infinito de referências sobre mim, tão generoso, posto que preciso, que foi. Seu autor dispensa comentários. Foi o escritor e jornalista – que considero, sobretudo, grande amigo, mesmo sem que trocássemos jamais uma única palavra, oralmente, e sem que nunca nos tenhamos sequer visto, a não ser por fotografias – Urariano Mota.

É verdade que eu estava mal acostumado (ou bem acostumado, dependendo do ângulo que se encare). Nas décadas de 80 e 90, por praticamente vinte anos consecutivos, fiz palestras sobre os mais variados assuntos, em escolas, universidades, centros culturais etc., primeiro da cidade de Campinas e, posteriormente, em diversas localidades do País. Essas preleções, que atingiram, em determinada época, a assombrosa cifra de oito por mês, foram fartamente divulgadas pela imprensa, por iniciativa não minha, mas dos que as promoviam. Não havia, pois, semana em que não houvesse pelo menos uma referência ao meu nome em jornais de várias cidades.

Quando lancei meu primeiro livro de contos, “Quadros de Natal”, achei que essa divulgação facilitaria as vendas. Engano meu. Pitorescamente, minha obra mereceu poucas referências escritas, a maioria meras notas, e em torno de cinco artigos a propósito, se tanto. Foi um “banho de humildade” que tive que tomar e que me devolveu às devidas proporções, fazendo-me “baixar a bola”, como diz a garotada quando temos a estúpida tentação de nos sentirmos os tais.

Continuei, porém, fazendo palestras e sendo citado na imprensa. Quando lancei o segundo livro, “Por uma nova utopia”, cujos direitos comerciais doei, na totalidade, ao Centro de Defesa da Vida – entidade voltada à prevenção do suicídio – com documento de doação passado em cartório, para que não houvesse dúvidas, o efeito foi maior do que aquele do “Quadros de Natal”. Além de várias notas a propósito, essa obra foi comentada em pelo menos dez artigos, de dez jornalistas e escritores diferentes. Atribuí essa fartura de referências (desta vez, corretamente), não ao valor dos textos, mas ao fato de haver, com o fruto do talento que Deus me deu, ajudado uma instituição benemerente que fazia (e faz) um trabalho humanitário tão meritório.

Foi exatamente este livro o objeto do penúltimo comentário escrito a meu respeito, antes do artigo do Urariano Mota. O autor foi o jornalista e crítico literário Celso Martins. Seu texto, intitulado “Suicídio? Jamais!”, foi publicado na edição de agosto de 1998 do jornal “Despertador”, órgão oficial da Associação Espírita Despertador. O articulista, em certo trecho, assim se referiu ao meu livro (e à minha pessoa):

“O Professor Pedro J. Bondaczuk, jornalista do Correio Popular, bem como do Diário do Povo, escreveu, e o CDV conseguiu que fosse editada, a excelente coletânea de artigos atuais e oportunos sob o título de "Por uma Nova Utopia". Li este livro de uma sentada, porque os artigos são curtos, porém, de uma admirável oportunidade na análise de temas sobre a ecologia, sobre as drogas, o analfabetismo, a fome das crianças brasileiras, havendo ainda espaço para os poetas. O Professor Pedro J. Bondaczuk tem uma cultura geral muito vasta; entretanto, escreve com leveza e elegância. Do jeito que sempre apreciei ao pesquisar o pensamento de Humberto de Campos e de Rubem Braga, os meus cronistas preferidos desde que me entendo por gente”.

Depois disso... mais nada! É certo que em 1998 pus fim ao ciclo de palestras, por não conseguir mais conciliar minha agenda profissional com essa atividade que tanto prazer me dava. Coincidência ou não, nada mais foi escrito a meu respeito desde então, até 2011, quando Urariano Mota comentou, com tanta generosidade e tanta oportunidade meus mais recentes livros, “Cronos & Narciso” e “Lance fatal”. E justo numa época (que se estende até hoje), em que minha produção literária se multiplicou e ganhou mais qualidade, decorrência natural tanto da prática quanto do amadurecimento intelectual e espiritual!

É certo que neste período fui entrevistado por canais de televisão, tanto da TV aberta (como a TVB e a EPTV de Campinas, entre outras), quanto da fechada, no caso, a AllTV. Mas estas entrevistas nada tiveram a ver com minhas atividades literárias. Concentraram-se todas em meu trabalho de jornalista. Sobre meus livros, infelizmente, ninguém escreveu ou disse mais nada. Vaidade a parte (afinal, conquistei o direito de ser um pouco vaidoso), este silêncio vem se constituindo em empecilho à venda daquilo que publiquei e, por conseqüência, tem me fechado portas e mais portas nas editoras.

Estas explicações, que partilho com vocês (embora correndo o risco de ser mal interpretado), dei ao amigo que citei, para que ele não pense que minha queixa se deve, somente, à vaidade (claro que, como qualquer ser humano, também sou vaidoso do que faço). Tem um fundo mais amplo e principalmente prático. Afinal, como qualquer neófito em publicidade sabe, “quem não divulga, se esconde”. E meus melhores livros, já escritos e revisados, ainda estão por ser publicados, na dependência de que os que já o foram reajam no mercado e vendam o suficiente para motivar as editoras a voltarem a apostar em mim.

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Thursday, November 29, 2012

O bom-humor e a alegria de viver têm que ser exercitados, diariamente, assim como exercitamos nossos músculos nas academias. Com o exercício, adquiriremos tamanha força interior, que os maiores problemas e tragédias terão pouco (provavelmente nenhum) efeito sobre nós. O poeta Johann Wolfgang Göethe nos deu a “receita” de como proceder para esse fortalecimento moral e estético. Recomendou: “Todos os dias deveríamos ler um bom poema, ouvir uma linda canção, contemplar um belo quadro e dizer algumas bonitas palavras”. Existe forma mais fácil e agradável de exercitarmos o bom-humor e a alegria? Claro que não! E, no entanto, teimamos em poluir nossa mente com notícias sobre violência e morte; em ouvir sons ensurdecedores e desagradáveis; em observar a miséria (em vez de agirmos para que acabe) e em dizer palavras sarcásticas e ferinas, e ainda queremos ser alegres e felizes! Dessa forma, claro que se trata de missão impossível!

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Presente de Natal

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Aposta na violência

Pedro J. Bondaczuk

O desarmamento nuclear – nenhuma pessoa sensata e inteligente pode negar – é, hoje, uma das maiores, senão a maior das aspirações da humanidade. Livrando-se desse terrível agente de destruição, a espécie humana tem esperanças de poder consertar as coisas erradas que há neste planeta, com o correr do tempo, com a sucessão de gerações, com os tropeços, fracassos e tragédias que, certamente, acabarão ensinando uma importante lição aos homens: a de que a violência não é, nunca foi e jamais será solução para conflitos de interesse.

As negociações que se desenvolvem na Europa, para a eliminação dos mísseis de médio e curto alcance desse continente, portanto, embora estejam longe de ser as ideais, são bastante desejáveis e gratificantes. Afinal, pela primeira vez na história das armas nucleares, os arsenais das superpotências podem ser esvaziados, embora numa quantidade muito aquém do que seria prudente.

No entanto, entre os inúmeros equívocos que os líderes mundiais estão cometendo sobre questão, há um que pode ser imperdoável. A Organização do Tratado do Atlântico Norte, a pretexto de que o Pacto de Varsóvia detém uma vasta superioridade em armamentos convencionais, decidiu investir muito nesse tipo de arma, doravante, decisão que foi “abençoada” e incentivada pelo presidente norte-americano Ronald Reagan.

A desculpara para isso é a de sempre. É a mesma usada, por exemplo, por vários faraós egípcios, há cinco mil anos. É idêntica à dos líderes militares babilônios. É igualzinha `de hititas, assírios, medo-persas, gregos, romanos e dos povos bárbaros: a segurança.

O homem apanhou em todos esses milênios. Civilizações maravilhosas desapareceram por causa de guerras estúpidas e sem sentido. Neste século XX da Era Cristã, os conflitos bélicos constituíram-se na maior tragédia dos povos, tendo ceifado, somadas, mais de cem milhões de preciosas vidas. E, mesmo assim, este ser que se diz inteligente ainda não aprendeu nada a esse propósito.

Jamais se soube que mediante a morte de desafetos (não importa a razão da inimizade), algum problema de longo prazo já tenha sido solucionado, em qualquer tempo ou lugar. Mas se continua a investir o grosso dos escassos recursos do Planeta na arte (ou artimanha?) da destruição, que é muito mais fácil de se fazer do que a construção de qualquer coisa, seja lá o que for.

Fala-se no aumento de armamentos convencionais como se eles fossem brinquedinhos inofensivos, como se representassem conquistas humanas e não servissem, somente, para matar, destruir, arrasar vilas, cidades, países e civilizações.

Os dois conflitos mundiais deste século (à exceção dos bombardeios de Hiroshima e de Nagasaki), foram travados com esse tipo de arma que, cinicamente, se quer dar a entender que não representem grandes perigos. E, no entanto, essas guerras deixaram, atrás delas, uma quantidade estimada em 36 milhões de cadáveres! Isso sem contar a horda de mutilados, abandonada à própria sorte, assim que esse jogo macabro terminou.

Nesta semana, falando em Nairobi, no Quênia, sobre os problemas da infância, um funcionário da Organização das Nações Unidas revelou um dado estarrecedor. Disse que estudos demonstram que apenas nos conflitos ocorridos nos 42 anos que nos separam da Segunda Guerra Mundial, 15 milhões de crianças foram mortas em decorrência da violência política.

Esses menores tinham idades que variavam de 7 a 14 anos. Jogou-se fora, portanto, um fabuloso potencial humano, impossível de dimensionar com exatidão. E todas essas mortes ocorreram em guerras travadas com armas ditas “convencionais”.

Será que há gente achando que praticou algum magnífico ato de heroísmo exterminando tantos meninos e meninas, que sequer tinham ainda consciência do papel que deveriam desempenhar no mundo? É bem possível!

Caso contrário, não se defenderia, nos meios de comunicação, esse acelerado rearmamento dos países, mesmo que os arsenais sejam, todos, de armas convencionais. As bombas de gás paralisante, por exemplo, não são, obviamente, nucleares. E não deixam de ser hediondas. Os ácidos, o agente laranja e o napalm também não são. Nem por isso são menos perigosos ou menos condenáveis. Os supervírus de peste bubônica e da Aids, entre outros, que integram arsenais de guerra bacteriológica, igualmente não são de caráter nuclear. São, pois, considerados armamentos convencionais! Que raio de segurança é essa que mina o próprio solo onde cada ser humano pisa?!!!

(Artigo publicado na página 14, Internacional, do Correio Popular, em 6 de junho de 1987).

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Incontida e avassaladora paixão

Pedro J. Bondaczuk

A obra literária de Edgar Allan Poe é, sem contestação, da mais alta qualidade. Foi um escritor que fez escola. Passados mais de 160 anos da sua morte (ocorrida em 1849), tudo o que escreveu é estudado atentamente pelos entendidos e, sobretudo, pelos amantes do que há de melhor na Literatura mundial. O que me espanta é como um indivíduo com vida tão irregular conseguia se concentrar para criar as maravilhas que criou. E em abundância. Cataloguei por volta de 80 livros dele, entre os publicados em vida e os póstumos, abrangendo poesia, contos e crítica literária, da qual foi arguto cultor. Recorde-se que Edgar Allan Poe viveu apenas 40 anos.

Fica a pergunta: se vivesse o tanto que vários escritores de hoje vivem, no mínimo o dobro da idade com que se foi, teria produzido mais, e melhor? Essa é uma questão que jamais poderá ser respondida, mas apenas especulada. Pode ser que sim (e essa é minha intuição) e pode ser que não. Não são raros os escritores que esgotam num par de anos – em geral, duas décadas ou menos – seu potencial criativo e, findo esse prazo, não conseguem produzir mais coisa alguma. Em contrapartida, outros seguem sendo originais e criativos, produzindo textos cada vez melhores até o derradeiro suspiro. Há os que começam a escrever tarde, depois dos 60 e revelam uma lucidez mental de fazer inveja a muito garotão de 25, 30 ou 35 anos. Cada caso, pois, é um caso.

Levando em conta a vida desregrada, turbulenta, dramática e irresponsável que Edgar Allan Poe levou, é espantoso o fato de haver produzido uma obra tão vasta, densa, original e, acima de tudo (reitero) de inquestionável (diria, inigualável) qualidade, dessas que permanecem geração após geração, enquanto houver uma única pessoa que goste de ler e tenha supremo bom gosto. Quanto mais leio suas biografias – e as respectivas anotações pontuais que faço de cada uma delas – mais cresce o meu respeito por este gênio atormentado que, no entanto, não permitiu que seus demônios interiores interferissem em sua literatura e nem comprometessem sua suprema qualidade. Minhas reverências, pois, a esse pioneiro.

Se é fato que a juventude do escritor foi marcada por conflitos, bebedeiras, desregramentos e rebeldia, sua maturidade (se é que chegou a amadurecer, levando em conta que morreu com apenas 40 anos) não foi muito diferente. Após romper relações com seu pai adotivo, por causa de sua expulsão da Academia Militar de West Point, Edgar mudou-se para Baltimore, para a casa de sua tia, que era viúva, Maria Clemm. Ali conheceu uma pessoa, pela qual se apaixonou perdidamente e que teve influência decisiva em sua vida. Foi pela prima Virgínia Clemm.

Até aí, nada demais. É a coisa mais normal do mundo um homem apaixonar-se por uma mulher e os dois casarem-se, caso sejam solteiros. Ocorre que sua amada tinha menos da metade de sua idade, ou seja, 13 anos somente. Qualquer pessoa normal, da sua faixa etária (estava com 27 anos na ocasião) , teria escolhido uma moça de idade aproximada da sua para se relacionar. Mas o amor... ah, o amor!, é cheio de surpresas e armadilhas. Ninguém se apaixona porque quer, mas porque a paixão acontece, quando e onde menos se espera e sem escolher condições ideais. Não leva em conta idade, condição social e não raro sequer aparência. Acontece porque acontece.

Além de ser ainda simples menininha, que brincava, quem sabe, com bonecas, havia outro complicador para inviabilizar essa relação: Virgínia era doente, muito doente, praticamente inválida, vítima de uma tuberculose em estágio avançado e desenganada pelos médicos. Ah, o amor e suas armadilhas! O casal não deu a mínima importância às críticas e condenações àquele romance. Após um namoro de quatro ou cinco meses, os dois se casaram. Edgar dedicou extremado amor a Virgínia enquanto ela viveu. Mas não largou da bebida. Pelo contrário, continuou a se embriagar, a ponto de perder a consciência. Suas bebedeiras obrigavam a esposa doente a perambular, vezes sem conta, por bares e tavernas da cidade à sua procura.

As deficiências de ambos, em vez de separá-los, aproximava-os mais e mais: ela, com sua doença incurável, que a incapacitava para as tarefas mais simples do cotidiano e ele, por sua vez, viciado em álcool. Havia cumplicidade entre ambos. Por estranho que pareça, considero esse relacionamento o poema mais belo que Edgar compôs, mesmo que não o escrevendo, mas vivendo. Em meio ao sofrimento, o amor irrestrito do escritor por Virgínia, e vice-versa, fez desse período da sua vida o mais prolífico e produtivo. Ele se sustentou, e manteve a mulher doente, nesta época, com a venda de seus contos para jornais e revistas. E nunca faltaram interessados. Pudera! Sua produção era inovadora, perfeita, bem acabada, coisa de gênio.

Pena que esse casamento durou tão pouco, apenas doze anos. A despeito de todo o esforço de Edgar para salvar a esposa, contratando os mais renomados (e caros) médicos do país para tratá-la, Virgínia não resistiu à doença. Morreu em 1847. Sua morte significou, também, a de Edgar. Psicologicamente ele se acabou. E emocionalmente nem se fala. Pode-se dizer que ele “morreu” de fato, junto com a mulher. O abalo pela perda de Virgínia, à qual amou com tanto desvelo e paixão, fez com que o escritor desmoronasse, abrisse mão dos seus sonhos, mergulhasse, de vez, no álcool e nas drogas.

Naufragou na bebida, numa tentativa de atenuar uma dor insuportável, que só quem já perdeu alguém sumamente amado sabe como é terrível. Tentava, sobretudo, apagar da mente as visões que o atormentavam desde a infância e que só podemos, e remotamente, imaginar. Entrou, dessa forma, em um processo autodestrutivo, que viria, menos de dois anos depois, a causar a sua morte física. Psicologicamente já estava morto.

Mas é desse período terrível uma das obras-primas da poesia norte-americana (e universal), o maravilhoso e pungente poema “The raven” (“O corvo”). Provavelmente a Lenora, mencionada seguidamente nos versos desse expressivo texto, seja a sua inesquecível Virgínia.

Edgar Allan Poe, de acordo com o seu principal biógrafo, Harry Allan, não precisava de grandes quantidades de álcool para se embriagar. Bastava, às vezes, um único gole para que perdesse a consciência. Ele relata: “O efeito do álcool em Poe, até mesmo em pequena quantidade, era incrivelmente desproporcional. Ele parecia ter um organismo tão sensível, que um simples trago era suficiente para fazer com que seus atos e conversa ficassem fora do normal. Um copo era, literalmente, demais; dois ou três tinham um efeito desastroso; vários copos seguidos reduziam-no a uma caricatura de si mesmo”.

A obra de Edgar Allan Poe provoca-me, como amante incondicional da boa literatura, respeito e reverência. Mas as circunstâncias do seu cotidiano, os dramas, trapalhadas e tragédias que o cercaram desde a tenra infância, causam-me um misto de profunda compaixão e de compreensiva e até compulsiva simpatia. Porquanto, a vida me ensinou que somos admirados pelo nosso talento e nossas virtudes, mas somos amados, salvo exceções, por nossas fraquezas e vulnerabilidades, ou seja, por nossa frágil e efêmera condição humana.

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Wednesday, November 28, 2012

A moderação em tudo o que fazemos e o que queremos é a forma mais sensata de vivermos. Devemos ser comedidos, por exemplo, no comer, no beber, no trabalhar e no descansar. O único excesso tolerável (e, no caso, desejável) é o de amor pelos que nos cercam, principalmente pelos que menos merecem ser amados. Nesse aspecto, porém, a maioria das pessoas é excessivamente econômica, quando não miserável. O filósofo Aristóteles nos deu a “receita” de como devemos proceder até o momento da nossa morte. Aconselhou: “O melhor é sair da vida como de uma festa: nem sedento, nem bêbado”. Ou seja, sem frustrações, mas também sem tédio. Moderação, portanto, é o princípio da sabedoria.

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Presente de Natal

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Por dentro da TV

BANDEIRANTES AMPLIA ESPAÇO JORNALÍSTICO
A Rede Bandeirantes está ampliando o seu espaço para o jornalismo, lançando, no corrente mês, no horário das 23h30, três novos programas de uma só vez, durante a semana. Às quartas-feiras, a partir do dia 19 de setembro, a emissora estréia "Em Julgamento", que será apresentado pelo jornalista Miro Teixeira, com ativa participação do telespectador. No final de setembro, às quintas-feiras, irá ao ar "O Poder da Verdade", com Odon Pereira, que vai colocar em debate assuntos como a vida comunitária, comportamento, meio ambiente, etc. Finalmente, às sextas-feiras, ainda neste mesmo mês, a Bandeirantes lança uma espécie de resenha semanal, intitulada "Jornal da Noite Documento", resumindo os acontecimentos de relevo da semana. Uma grande pedida da emissora do Morumbi, neste momento importante em que os brasileiros discutem seu próprio País.

O SUSTO DE TORNAGHI
Eduardo Tornaghi levou um susto tremendo, dia desses, quando o avião em que ía de São Paulo para o Rio apresentou defeito num de seus motores, em pleno vôo. Apesar de toda a calma do piloto, que regressou a Congonhas por medida de precaução, o ator teve momentos de muito medo. Entretanto, nem por isso pretende deixar de voar, segundo suas próprias palavras. Em primeiro lugar, porque realiza, atualmente, trabalhos tanto em São Paulo como no Rio. Na capital paulista, atua na peça "Zazam", no Teatro do Bixiga, na Bela Vista. No Rio, grava a novela "Vereda Tropical". Tornaghi justifica sua insistência em viajar de avião: "Se o piloto sobe e não tem medo, eu também posso subir, e nas mesmas condições". Mas que ele levou um susto, com a pane, por mais coragem que tente mostrar, disso não tenham dúvidas!

LIVRO DE JORNALISTA
O jornalista e comentarista de esportes da Rede Bandeirantes, Álvaro José, até o final deste ano, além de estar nos vídeos, vai estar, também, nas melhores livrarias do País. É que ele pretende lançar o seu primeiro livro (e que atrás deste venham muitos outros), "A História de Todas as Olimpíadas". Apesar dos Jogos de Los Angeles terem terminado em agosto, não deixa de ser oportuno o lançamento, enquanto o evento ainda está fresco na memória de todos.

HEBE JUSTIFICA
Hebe Camargo justificou, para os leitores da revista "Status", o motivo pelo qual não aceitou posar nua para essa publicação. "Meus princípios morais foram mais fortes. Eles me bloqueiam completamente para esse tipo de coisa. Se tivesse feito as fotos, entraria, na hora, em parafuso total". Embora respeitando os motivos da apresentadora, não concordamos com ela. Afinal, o que é belo é para ser mostrado. Enfim...

TONY NEGA PUNIÇÃO
O ator Tony Ramos nega, com veemência, que o fato de ter sido escalado para uma novela às 18 horas, tenha sido uma espécie de punição da Rede Globo. Ele vai viver o principal personagem da história de Walter Negrão, "Livre para Voar", que estréia na próxima semana, ou seja, o Pardal. Explica que ninguém o obrigou a fazer nada. E arremata: "Sou ator de personagens, não de horários". Essa não entendi. Então o Walter Negrão, a acreditar nessa fofoca de punição, também foi punido?! Ora, gente, faça uma fofoca pelo menos mais criativa!

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 12 de setembro de 1984).


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Sucesso com jeito de fracasso

Pedro J. Bondaczuk

As pessoas (pelo menos boa parte delas), quando crianças, sempre que indagadas a respeito do que querem ser quando crescerem, falam as primeiras coisas que lhes vêm à cabeça. Citam, quase sempre, as profissões da moda que excitem suas fantasias. Parte delas diz, por exemplo, que quer ser médico, advogado, engenheiro e algumas outras profissões liberais, talvez influenciadas pelos pais ou outros parentes. É comum algumas dizerem que sonham em ser jogadores de futebol, artistas de cinema ou de televisão, cantores e vai por aí afora. Em certa época, influenciados pelo carismático Ayrton Senna, muitos manifestaram a fantasia de tornaram-se pilotos de Fórmula 1. Na década de 60 do século passado, era comum crianças afirmarem que seriam astronautas. Entre as meninas, prevalecem profissões que conferem fama (e às vezes fortuna), como modelos, atrizes e cantoras.

Todavia, são raras, raríssimas as pessoas que, quando adultas, conseguem realizar esses sonhos e fantasias da infância. A vida é muito complexa e, quase sempre, o obstáculo às pretensões, factíveis ou não, são de tal sorte que se tornam, por uma razão ou outra, insuperáveis. Afinal, como o filósofo espanhol José Garcia y Gasset cansou de reiterar, o homem é “ele e suas circunstâncias”. Uns enfrentam-nas e as superam. Outros, apesar de encará-las, são vencidos por elas. E terceiros submetem-se passivamente ao seu jugo, sem sequer moverem uma palha para mudá-las a seu favor.

Como toda criança, também disse, quando perguntado, o que desejava ser. E como todo mundo (ou pelo menos a maioria) citei três profissões que me excitavam a fantasia, por razões diferentes: médico, cientista e escritor. A primeira quase alcancei. Cheguei a cursar o primeiro ano de Medicina, mas tive que, à minha revclia, me dar por vencido pelas circunstâncias. Asseguro-lhes que não foi por falta de vontade, ou por comodismo, ou por covardia. Fui forçado a admitir a derrota e partir para outra, pois a vida não pode parar. Ainda tinha dois sonhos para correr atrás e decidi fazê-lo.

Para ser cientista, óbvio, eu deveria ser muito bom em algum dos ramos da ciência. Ao longo do antigo curso científico, fui aluno muito bom em química, matéria que eu tinha grande facilidade de absorção. Nunca me vi, todavia, como um químico. E muito menos como pesquisador dessa disciplina. Até porque, nossas escolas formam pessoas nessa especialidade com vistas a trabalharem em indústrias (farmacêuticas ou não). Quem iria me pagar para qu7e eu passasse a vida toda a fazer experiências? Certamente, ninguém.

Quanto à biologia, a matéria sempre se constituiu em minha preferida (depois do Português e um pouco antes da Matemática). Aliás, foram esse gosto e essa facilidade que me levaram a optar pela Medicina. Não me via, pois, como biólogo, dedicado exclusivamente à pesquisa, como compete a um cientista. Restava-me a física. E foi aí que a coisa pegou. Sempre tive imensas dificuldades nessa matéria e, por causa dela, quase fui reprovado no vestibular de Medicina. A conclusão lógica a que cheguei, pelo exposto, é que jamais seria pesquisador de qualquer ramo daqs ciências. Portanto, o sonho de ser cientista teve que ser abortado, para meu desgosto.

Restava-me, pois, a última opção, a menos popular (e menos rentável) das três, mas para a qual eu tinha inequívoca vocação. A necessidade de “ganhar” a vida, custear minha manutenção pessoal e pagar para satisfazer minhas necessidades (e até fantasias), levaram-me a esquecer da literatura como profissão e fazer dela um hobby, uma diversão, fonte de lazer e satisfação. Tinha que ser prático e abracei o jornalismo. Minha vocação para as letras, porém, em vez de se ver sufocada e esquecida, teimava em se manifestar, aqui e ali, nos textos jornalísticos. É verdade que desde os dez anos de idade eu escrevia poesias, mas apenas para mim mesmo (de início) e, mais tarde, para impressionar as meninas.

À certa altura da minha prática jornalística, passei a ensaiar, reservadamente, ainda sem divulgar para ninguém, um conto aqui, uma crônica ali, um ensaio acolá. Quando me dei conta, essa produção já era considerável. Comecei a mostrar esses textos literários aos outros e esperar as opiniões. Tive a cautela de engolir o orgulho, acorrentar a vaidade e dar ouvidos aos que apontavam defeitos no que eu escrevia. E, não apenas isso, comecei a corrigir deficiências e vícios de linguagem apontados por meus benignos críticos (aos quais odiava secretamente e hoje sou sumamente grato).

Foram inúmeras as produções que, tão logo concluídas, me pareciam perfeitas, geniais e obras-primas que, submetidas à fria análise de terceiros, caiam como castelo de cartas, cheias de erros, vícios e contradições. É assim, todavia, que se forjam os escritores. Ou seja, na rudeza, no solo áspero da realidade. Provavelmente é por isso que somos tão carentes e inseguros. Essa deve ser a razão de sempre acharmos que não fizemos o melhor em nossos textos, por mais corretos, originais e criativos que sejam. Este é o motivo de algum elogio – quando sentimos ser sincero e vindo de pessoas habilitadas a criticar e elogiar – nos é mais precioso do que um vagão carregado de ouro 24 quilates ou mesmo de um trem inteiro. Não se trata de vaidade, como os leigos acham que seja. É um desafogo, um alívio à torturante insegurança que nos persegue.

O que nos leva a escrever tanto, sacrificando descanso, lazer e vida social, não é a esperança de lucros (ademais, salvo exceções, a literatura não é atividade que se possa, sequer remotamente, classificar de lucrativa). É a ânsia, quase obsessão (ou mais do que ela) pela aprovação. Pode até ser uma atitude neurótica (provavelmente é). Muitos não conseguem conviver com esse sentimento de perpétua insegurança, e mergulham de cabeça no álcool e nas drogas. É a burrice das burrices. Outros, como eu, produzem e produzem e produzem textos e mais textos, frenética e compulsivamente, à espera da bênção de um elogio honesto e sincero e que a intuição sugira que foi merecido.

Quase que sem querer, o terceiro dos meus sonhos de infância se concretizou. Contudo, até hoje não cheguei à conclusão se essa realização é um bem ou um mal. Jamais saberei. Pode ser que tudo o que escrevi, com tamanho esforço e tanta vontade de acertar, se perca por completo e caia no absoluto esquecimento. Pode ser. E, caso não caia e perpetue meu nome (e principalmente minha obra) na memória das gerações, essa glória de nada me valerá, além túmulo. Que estranhos seres somos nós, os escritores!

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Tuesday, November 27, 2012

O que faríamos se, por exemplo, ao chegarmos aos 80 anos, nos fosse dada a oportunidade de recomeçar a vida e de retornar à infância, mas com a experiência e os conhecimentos que então tivéssemos? Os mais sábios, com certeza, tratariam de reparar seus erros e não voltar a incorrer neles. Claro que haveria insensatos que errariam exatamente nos mesmos pontos, mesmo que em circunstâncias e com personagens diferentes. Da minha parte, creio que agiria da mesma forma que George Bernanos, que afirmou: “Se pudesse recomeçar a vida, eu procuraria fazer meus sonhos ainda mais grandiosos, porque a vida é infinitamente mais bela e maior do que eu pensava, mesmo em sonho”. E de fato é. Porém, obcecados por coisas sem o mínimo valor, mas que valorizamos como se fossem de magna importância, não nos damos conta dessa beleza. E, quando nos apercebemos disso, já é muito tarde. Pense e sonhe grande! A vida é bela!

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Presente de Natal

Dê às pessoas que ama e admira o melhor dos presentes neste Natal: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas o ano todo, mas por toda a vida.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária” – José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: nenem138@gmail.com

“Aprendizagem pelo Avesso” – Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br

Com o que presentear:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. – Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internet – WWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.

Em livraria – Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.

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Efeitos a médio prazo

Pedro J. Bondaczuk

Os efeitos da visita do líder soviético, Mikhail Gorbachev, a Cuba, certamente não serão visíveis (ou perceptíveis) de imediato. Até por uma questão de orgulho nacional dos cubanos. O dirigente do Cremlin fez algumas concessões econômicas, entre as quais o perdão de uma dívida externa de US$ 10 bilhões. Não se concebe que em troca dela não venha a levar nada.

A observação, feita anteontem, pelo porta-voz da Chancelaria da URSS, Gennady Gerasimov, de que Moscou não é favorável à “exportação” de revoluções, repetida ontem pelo presidente, no Parlamento, foi um recado sutil, mas direto, a Fidel Castro. E a manifestação de que deseja ver resolvido o conflito centro-americano por meios pacíficos foi o corolário dessa mensagem.

Secundando a mudança da estratégia exterior soviética, que passa a adotar a tática da negociação, em lugar do confronto, para as várias zonas conflitivas, está a elaboração da nova política externa norte-americana, que ainda vem sendo esboçada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, James Baker, e que provavelmente será anunciada, pelo presidente George Bush, quando da reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que vai ocorrer em fins do próximo mês, em Bruxelas.

Mas as primeiras indicações dão conta de que ela difere muito da seguida pelo governo de Ronald Reagan, principalmente com relação à América Central. O próprio anúncio dos “contras” nicaragüenses, de que cessaram as hostilidades até as eleições presidenciais na Nicarágua, em 24 de fevereiro de 1990, é um sintoma de que a moderação vai imperar. De que o enfoque será muito mais o do diálogo do que o militar.

A despeito dos desmentidos dos dois interlocutores, Fidel não deve ter ficado sem levar o seu “puxão de orelhas” de Gorbachev. É verdade que dificilmente ele irá aderir à “Perestroika” soviética. Mas terá que agir com muito mais realismo na economia, já que Moscou manifestou, pelo menos nas entrelinhas, que não está disposta a continuar gastando muito por nada.

Os soviéticos querem receber maior quantidade de produtos cubanos, embora esse país não tenha muito a oferecer, a não ser as três mercadorias tradicionais de sempre: açúcar, tabaco e rum. No entanto, quem espera que assim que Gorbachev vire as costas, Cuba inicie um processo liberalizante, terá uma enorme decepção.

O que pode ocorrer é um abrandamento no tom de Fidel em relação aos Estados Unidos. Será um avanço aqui, outro ali, seguido de algum eventual retrocesso. Mas tudo “homeopaticamente”, a longo prazo. A menos que ocorra o impossível e o ditador cubano seja deposto, o que, convenhamos, nas atuais circunstâncias, é algo até mesmo impensável.

(Artigo publicado na página 13, Internacional, do Correio Popular, em 5 de abril de 1989).

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Salvo pela Literatura

Pedro J. Bondaczuk

A rebeldia de Edgar Allan Poe, nos anos de sua juventude (característica, aliás, de que nunca se livrou), não o credenciava a ser escritor e nem a exercer outra profissão qualquer. O rapaz detestava os estudos, o trabalho, as responsabilidades e amava a boêmia, o carteado e o álcool. Tornou-se rotina chegar em casa altas horas da madrugada, carregado pelos amigos, tão embriagado que talvez nem soubesse o próprio nome, para desespero dos pais adotivos, o casal John e Francis Allan. As brigas com o padrasto tornaram-se, como seria de se esperar, constantes. E não somente pela costumeira embriaguez, mas por causa das dívidas de jogo que o moço contraía e que o tutor tinha que pagar.

A passagem de Edgar pela Universidade de Virgínia durou pouco, por volta de um ano, se tanto . Alguns biógrafos garantem que foram apenas sete meses. Ao contrário do que havia ocorrido na escola escocesa em que estudou, quando escapou por muito pouco da expulsão e esta somente não ocorreu porque a família decidiu regressar aos Estados Unidos, desta vez, não teve jeito. O rapaz foi expulso. Pudera! Seu estilo aventureiro e boêmio era incompatível, claro, com a vida acadêmica. Foi a gota d’água no seu relacionamento com o tutor. Paciência tem limites. E ocorreu o rompimento de relações entre ambos.

O jovem, sem profissão, e agora sem amparo financeiro, no verdor dos 18 anos, alistou-se nas Forças Armadas. Foi uma das raras decisões acertadas que tomou na época e surpreendente até. Afinal, o natural seria um sujeito rebelde, como ele, fugir do serviço militar, já que a vida na caserna é caracterizada pela extrema disciplina e irrestrita obediência aos superiores hierárquicos. Ou seja, tudo o que ele detestava fazer e não fizera até então.

Ocorre que, para meu espanto, e de todos os que já leram alguma de suas tantas biografias, o danado do “cabeça oca” tinha um talento inato para as letras. Escrevia, e muito bem, poemas e mais poemas e, nos raros momentos de sobriedade, lia tudo o que lhe caía nas mãos referente à literatura, e não somente do seu país. No mesmo ano em que se alistou, publicou seu primeiro livro, “Tamerlane and other poems”. E isso aos 18 anos de idade! A mágoa com seu pai adotivo (imotivada, óbvio) foi tão grande que, ao se alistar, o fez com outro nome, que não o seu: Edgar A. Perry.

Como seria de se esperar, sua passagem pelo quartel não durou muito, apenas dois anos (o que era uma eternidade para os seus padrões). Em 1829, sua madrasta, Francis, morreu. Foi um golpe muito grande para o rapaz. Aquela mulher amável e generosa amou-o como filho de fato e fez, via de regra, vistas grossas aos seus defeitos e rebeldia. Foi nessa ocasião que Edgar publicou seu segundo livro, “Al Aaraf”. A dor da perda da mulher que o acolheu quando tinha apenas um ano de idade e ficou órfão de mãe, o reaproximou do padrasto, com o qual se reconciliou. Mas... a reconciliação duraria pouco, muito pouco, pouquíssimo.

John, supondo que o moço, após tanta cabeçada, havia aprendido a lição, chegou à conclusão de que o melhor caminho para o filho adotivo era a vida de soldado, para a qual achava que levava jeito. E inscreveu-o, em 1830, aos 21 anos, na tradicional Academia Militar de West Point, em Anaheim, tradicional centro de formação de oficiais do Exército dos Estados Unidos e sonho da maioria dos jovens norte-amerticanos. E o que vocês acham que aconteceu? Que Edgar, finalmente, se regenerou, tomou juízo e fez carreira? Não, não e não. Apenas sete meses após seu ingresso na instituição, o rapaz foi expulso, após uma série de prisões, sempre pelos mesmos motivos: embriaguez, insubordinação e desordem.

Desta vez, não houve jeito. John rompeu, de vez, as relações com o problemático filho adotivo e nunca mais as reatou. Ambos jamais voltaram a se falar e a manter qualquer tipo de contato. O padrasto viria a morrer quatro anos após a ruptura, em 1834, sem se reconciliar com o já então escritor.

Sem a bolsa do tutor, para custear-lhe as despesas e desperdícios (principalmente), Edgar teve que trabalhar. E, como a única coisa que sabia fazer era escrever (e, convenhamos, não é pouca coisa) partiu para esse caminho. Deu-se bem, excepcionalmente bem (posto que não financeiramente). Foi nessa ocasião que enveredou para o caminho da ficção, redigindo histórias curtas (que então eram novidade nos Estados Unidos), de mistério e de terror.

Desabrochara o escritor, que já não era inédito, porquanto havia lançado dois livros de poesia. O Exército perdeu um, provavelmente, mau oficial, mas as letras ganharam, em contrapartida,genial inovador. Pode-se dizer que Edgar Allan Poe foi salvo (só em parte, é verdade) pela Literatura. Querem saber o que aconteceu na sequência? Bem, nada como um pouco de suspense, ao tratar da vida de um mestre do gênero. Depois... Bem, deixo a continuação da narrativa de sua vitoriosa carreira para outra ocasião.



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