Wednesday, October 31, 2012

A felicidade, ao contrário do que dizem os céticos e apregoam os pessimistas, não é algo fora do nosso alcance. Mesmo nesta época que vivemos, de tanta angústia, desconfiança e violência. É simples de ser alcançada e está ao alcance de qualquer um. Não depende de riquezas, de glórias ou de reconhecimento alheio de nossas supostas virtudes. Basta que amemos e sejamos correspondidos. Concordo com Marcel Achard quando afirma que “o amor é o único meio de ser feliz, numa época em que a arte de viver transformou-se em arte de sobreviver”. E para amar, basta ter sensibilidade e trazer os olhos sempre atentos às pessoas que estão ao nosso redor. É simples assim! Nós é que temos a mania de complicar tudo, dos relacionamentos à própria vida.

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Presente de Natal

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Estradas da noite

Pedro J. Bondaczuk

A serpente rubra do dia
rasteja nos limites do horizonte
levando consigo a luz...

Um gigante zeloso,
--- talvez seja Atlas, não sei! ---
cobre afoito o mundo
com o seu manto de trevas,
todo ele incrustado
de pirilampos de luz...

No entanto, um anjinho branco,
muito trêfego, brincalhão,
rasga este manto da Noite...
E a lua, de cara gorda,
exibe seu rosto risonho
e seus cabelos de prata...

E o vendedor de ilusões
vai pelas estradas da noite,
vara os campos do céu
semeando, diligente,
nas almas, nos corações,
amores, tristezas, saudades...

Eu gosto da Noite...!
Nela vivem os meus fantasmas...!


(Poema composto em Campinas em 20 de abril de 1967 e publicado no "Jornal do ACP", de Paulínia, em 10 de outubro de 1970).

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Milagres da ciência

Pedro J. Bondaczuk

O homem, em sua pequenez em relação ao Universo, tem sabido ser grande através do espírito. Agiganta-se mediante o que o distingue das feras broncas: a capacidade de pensar, de refletir, de transformar, de construir coisas novas e extraordinárias, em um tempo que em relação à sua existência individual pode ser extenso, mas que é ínfimo em termos cósmicos. Amiúde, futurólogos avançam previsões mirabolantes, que parecem absurdas, tamanha é a ousadia. A maior parte delas, todavia, acaba se apequenando e se tornando extremamente modesta face ao que de fato é conseguido. Isto aconteceu, por exemplo, com Júlio Verne.

Quando o escritor francês previu a construção de um submarino movido a energia nuclear, em um período em que os mais íntimos segredos do átomo ainda não haviam sido desvendados, as pessoas, ditas de bom senso, torceram o nariz. Hoje, a maravilhosa embarcação submergível do capitão Nemo não somente se tornou concreta, mas ultrapassou, em muito, a fantasia do célebre romancista. O mesmo vale para as viagens à Lua. O homem continua surpreendendo a ele mesmo, à medida que se conscientiza do seu potencial, que beira o infinito. Este preâmbulo destina-se a destacar que, nem sempre, os chamados futurólogos são maníacos delirantes, a criar inúteis e irrealizáveis fantasias ou desocupados, que preenchem seu tempo prevendo bobagens. Ocorre que, na maioria das vezes, as maravilhas que prognosticam acabam por se realizar de forma muito mais extraordinária do que ousaram prever.

O inglês Arthur C. Clarck, sobre o qual escrevi muito, recentemente, na década de 70 do século XX traçou um quadro em que relacionou as conquistas da tecnologia somente no período iniciado em 1800 da nossa era. Lembrou as grandes descobertas que revolucionaram o mundo nos meios de transporte, nas comunicações, na mecânica, na química, na biologia e na física, entre outras disciplinas. A partir desse levantamento, traçou algumas extrapolações para o futuro. Mas somente esboçou ligeiramente, o que uma nova disciplina, que então começava apenas a engatinhar, poderia proporcionar em termos de avanço para o homem: a Engenharia Genética.

Na ocasião em que Arthur Clarck propagou suas previsões, elas foram recebidas, como seria de se esperar, com natural cepticismo, tanto pela comunidade científica, quanto pelo público em geral. A maioria leiga recebeu os prognósticos apenas como “mera curiosidade”, e nada mais.

Ele afirmou, por exemplo, que a transformação artificial de organismos vivos era factível, contudo, apenas em futuro bastante remoto. Previu que os genes de animais poderiam vir a ser manipulados, para produzir novas espécies, mas que isso seria possível somente por volta de 2030.

É verdade que Clarck sabia que alguma coisa, nesse sentido, já estava sendo tentada por alguns biólogos. Mas não poderia adivinhar que no mesmo período em que fez suas previsões futurísticas, alguns cientistas já haviam criado, através da manipulação genética, uma nova raça de animal. Foi na Fazenda El Peludo, na província de Buenos Aires, na Argentina. Um veterinário local conseguiu desenvolver um minipônei do tamanho de um cão de porte médio, com longevidade que era o dobro da dos cavalos comuns. Hoje, a despeito de agirem com grande cautela, em um campo cheio de tantos mistérios e segredos, os cientistas já têm como reproduzir seres vivos a partir de qualquer célula de seu organismo e não apenas das sexuais. É a tal da clonagem. Uma vacina contra a hepatite B, por exemplo, já está sendo elaborada por esse método.

Vacas minúsculas, de poucos centímetros de altura e com produtividade média de 3,5 litros de leite por dia, já existem. Outras, de tamanho gigantesco, capazes de produzir 40% a mais do que as de porte normal, foram desenvolvidas mediante simples tratamento hormonal. O que se espera é que esses avanços possam ser compartilhados por toda a humanidade, e não apenas por grupos e países com maiores recursos. Que possam servir de meios de erradicar, por exemplo, a fome e a miséria no mundo e que jamais se transformem em mais uma forma de dominação do forte sobre o fraco. Porque, se há um campo, no qual o homem pouco evoluiu, este é o da ética.

A solidariedade, por exemplo, vem sendo banida pela cobiça. Algumas pessoas, ao que parece, se esqueceram de que precisam umas das outras e que, sozinhas, não são ninguém. Não querem se dar conta de que a razão e a fonte da sua sobrevivência individual estão no convívio harmonioso, integrado, cooperativo e constante com seus parceiros de espécie. Há cientistas que, alheios aos fatores políticos, econômicos e/ou ideológicos, se dedicam, em tempo integral, ao estudo de meios e de soluções para assegurar a sobrevivência humana. Nesse aspecto, evidentemente, nada é mais importante do que a alimentação.

A população mundial multiplica-se em ritmo vertiginoso, superando, em muito, as previsões do início do século XX, por exemplo. Quando estes derradeiros cento e doze anos – cem do segundo milênio da Era Cristã e doze do terceiro – começaram, houve quem estimasse que o Planeta chegaria ao ano 2000 com quatro bilhões de habitantes, quatro vezes mais do que havia então. Todavia, a despeito de guerras, da fome (hoje quase endêmica), de doenças, de catástrofes e de outros fatores, que limitam o crescimento populacional, o número de “passageiros” na “espaçonave Terra” jamais parou de aumentar. Em 1987, o mundo atingiu o quinbilionésimo habitante. Superou, portanto, em um bilhão de pessoas a população prevista para o ano 2000. Especialistas em demografia refizeram, apressados, seus cálculos. Estimam, agora, que nos próximos anos, o Planeta iria contar com um contingente de seis bilhões de indivíduos. Erraram de novo. E, no ano passado, a população emplacou 7 bilhões de pessoas. Há quem projete um número muito maior, de 9 bilhões, para 2030, o que, por sinal, não é muito provável. Não é exagero esperar que a cifra chegue a 11 bilhões!

Todo esse contingente de pessoas, obviamente, vai precisar de alimentos. E é aí que entra a tecnologia, para aumentar a produtividade agrícola e da pecuária. Para tanto, a Engenharia Genética tende a se tornar essencial, no sentido de queimar etapas, possibilitando, até, a criação de novas espécies, vegetais e animais, que sejam muito mais produtivas e resistentes às pragas e às doenças. Só assim será possível satisfazer às crescentes (e urgentes) necessidades alimentares humanas. Em 1987, uma notícia, divulgada sem muitos detalhes, gerou enorme polêmica na opinião pública. Deu conta que um grupo de pesquisadores da Universidade do México “criou”, através de manipulação genética, nova raça de bovinos. Os cientistas asseguraram, na ocasião, que não se tratava de qualquer “aleijão”, como se poderia supor, mas de um animal completamente sadio, embora “compacto”, ou “miniaturizado”.

A insólita criação da Engenharia Genética foi apelidada de “minivaca” ou “microvaca”, por razões óbvias. O novo bovino, fruto de mutação induzida de genes, media apenas 70 centímetros de estatura máxima. Contudo, sua produtividade não era proporcional ao tamanho, o que tornava o animal tão precioso. A vaca em miniatura tinha a capacidade de produzir, em média, três litros e meio de leite por dia! Verdadeiro fenômeno, sem dúvida. Os críticos da manipulação genética disseram não entender as vantagens do novo animal. Classificaram o novo ser de simples “aberração”. “Qual a vantagem de um animal tão pequeno?”, questionaram, ressabiados. Alguns, sem sequer terem conhecimento elementar de causa, asseguraram que o leite das tais “microvacas” podia ser nocivo à saúde humana. Não era.

Os criadores do animal, contudo, rebateram as acusações. Apontaram, em contrapartida, inúmeras vantagens práticas da sua criação, principalmente no aspecto econômico. Em primeiro lugar, ressaltaram a capacidade de reprodução da nova espécie, muito maior do que a da vaca normal, com gestações praticamente seguidas. Os cientistas mexicanos asseguraram que a “microvaca” vai ajudar a resolver o grave problema da alimentação no país. Garantiram que no futuro as pessoas vão poder, entre outras coisas, optar em ter um cão ou uma vaca em miniatura, nos terraços e varandas de suas casas. As vantagens, no segundo caso, seriam óbvias. O principal argumento dos pesquisadores, em defesa das microvacas, era o de que estas poderiam se alimentar dos restos de comida da própria família, sem gerar, portanto, custos extras para a sua manutenção.

Imagine, o leitor um animal desses, por exemplo, em uma favela! Além de ocupar pouco espaço, não custaria quase nada para seu proprietário. E, em contrapartida, forneceria o leite para nutrir crianças que hoje não têm, virtualmente, nada para se alimentar. Voltarei, certamente, ao inusitado assunto, sobretudo pelas polêmicas que suscita.

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Tuesday, October 30, 2012

A amizade genuína não é algo que se conquiste, que se encontre e, muito menos, que se compre. Acontece (muitas vezes à nossa revelia) se estivermos predispostos a ela. Ao contrário do que se imagina, sequer depende de afinidades. A maioria dos meus amigos pensa e age de forma muito diferente de mim, mas há respeito mútuo em relação às diferenças. É isso que – por algum estranho mistério, que ninguém conseguiu explicar – torna essas amizades sólidas, perenes, imorredouras. A escritora Simone Weil constatou: “A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se (é uma virtude)”. Por isso reitero, e concordo com o que disse a respeito Vinícius de Moraes, que “amigos a gente não faz, os identifica”. E não foi isso o que aconteceu conosco? Nossa amizade sempre existiu, mesmo quando não nos conhecíamos. Bastou que descobríssemos um ao outro e...ela se materializou!

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Messianismos de lado

Pedro J. Bondaczuk

A América Latina, nesta primeira reunião de cúpula de seus integrantes de maior expressão, que se realiza em Acapulco, no México (onde falta apenas o Chile, dos países mais relevantes da região) só tem fatos negativos e dados depressivos para apresentar.

A tônica dos discursos, pronunciados pelos oito presidentes presentes ao encontro, como não poderia deixar de ser, foi a miséria que nos atinge; a dívida social que os governos têm com a maioria esmagadora da população, que vive abaixo dos limites da pobreza e que, inclusive, já chegou às raias da indigência. E, principalmente, - um aspecto muito bem lembrado pelo presidente José Sarney, em seu brilhante pronunciamento – “os messianismos eternamente postergados”.

Essa expressão define, com meridiana clareza, o maior dos vícios latino-americanos: o caudilhismo. A tendência, até doentia, para os golpes de Estado e as chamadas “revoluções salvadoras” (ou messiânicas), que nada salvam e apenas adiam soluções, agravando problemas que ficam, de ano para ano, mais complicados. Ninguém fará por nós a tarefa que precisa ser feita.

A instabilidade unstitucional exacerbada nos acostumou a uma atitude paternalista que se tornou viciosa. Deblateramos contra os governos quando eles interferem nas atividades tipicamente da iniciativa privada, mas a todo o instante esperamos soluções miraculosas, mágicas, tiradas das cartolas deles, para questões que cabem somente a nós resolvermos. Com isso, entregamos o destino de nossas vidas em mãos alheias.

Outro vício irresistível de todos nós, latino-americanos, é considerarmos as controvérsias geradas pela prática democrática, nas raras vezes em que temos tal oportunidade, como sendo baderna, anarquia e violência. E, sem percebermos, estimulamos a morte dessa flor tão frágil, que tem que ser regada com tolerância todos os dias e ser cultivada incansavelmente, a cada instante, para que não venha a sucumbir, que é a democracia.

Parecemos amar o caudilhismo, masoquisticamente, embora muitas vezes venhamos a público para falar contra ele. Com isso, estamos regredindo em todos os sentidos. Nos indicadores sociais, por exemplo, a América Latina já está em vias de ser ultrapassada pela Ásia, superpovoada e caótica. E se não cuidarmos de mudar o nosso comportamento, seremos deixados para trás até pela África, cujos países (a maioria inviáveis economicamente) têm apenas 27 anos de independência ou menos.

O momento para a grande virada latino-americana é agora, quando tudo parece perdido e chegamos ao fundo do poço. Ou empreendemos uma reação corajosa, honesta e sincera, ou nos afogaremos num manancial de mediocridade e de indigência.

(Artigo publicado na página 10, Internacional, do Correio Popular, em 28 de novembro de 1987).

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Magistral obra criptográfica

Pedro J. Bondaczuk

Há obras dificílimas de se compreender, ora pelo estilo digamos “enrolado” do autor, ora por não conhecermos sequer elementarmente o tema abordado, ora por serem mal traduzidas, quando escritas, óbvio, em outro idioma e vai por aí afora. Sempre me considerei um leitor preparado para encarar os livros mais complexos e foram raríssimos os que me exigiram uma segunda leitura, mais atenta e aplicada que a primeira, para que os entendesse. Uma terceira, então... Só me lembro de um caso. E este exigiu-me mais do que relê-lo três vezes. Para entender esse livro, que se me afigurava (e ainda sem me afigura, mas bem menos) criptográfico, tive de lê-lo quatro vezes. E, ainda assim, há muito ponto duvidoso em meu espírito.

Adianto que essa obra, que desafiou por tanto tempo meu intelecto, não foi nenhum tratado de física, digamos, de mecânica quântica. Embora não domine esse assunto, que foge da minha formação acadêmica e, portanto, da minha competência, quando li um livro a propósito, talvez pelo gosto que tenho pela matemática e por certa habilidade em lidar com essa disciplina, até que entendi razoavelmente o exposto. Claro, nem tudo me ficou esclarecido. Mas ficaram muito mais coisas na memória do que as que consegui captar na primeira leitura de “Ulysses”, de James Joyce.

Vejo muita gente “exibir-se” por aí afirmando ter lido esse livro e, mais, dizendo para quem se dispuser a ouvir que não tiveram nenhuma dificuldade de entender o que o autor expôs. Quando espremidas por perguntas específicas a respeito, no entanto, vacilam e, ou mudam de assunto (o que é mais comum), ou fazem uma série de considerações estapafúrdias e impertinentes que denunciam que não leram coisíssima alguma. Ou que, se leram, entenderam muito menos do que eu entendi, que já não é lá essas coisas.

Volta e meia, tento analisar minha dificuldade para entender qual é o motivo de ter tanta dificuldade para compreender esse romance, uma espécie de paradigma da literatura do século XX (e provavelmente, também, dos vindouros). Da primeira vez que pensei nisso, atribuí o fato à deficiência da tradução. Na segunda vez, li outra edição, traduzida por outra pessoa, e a dificuldade persistiu, foi igual, se não maior. Não, o defeito não estava no tradutor. Questionei meus conhecimentos e concluí que, mesmo com várias lacunas em minha cultura, não era, também, o caso. Até porque conheço bem a “Odisséia”, de Homero, na qual o enredo de Joyce se baseou.

Para mim, seria fácil vir a este espaço e “gargantear” que, não somente li “Ulysses”, como não tive a mínima dificuldade de entender seu conteúdo. Creio que a maioria iria aceitar minha afirmação como verdadeira, sem nenhum questionamento e nem contestação. Se o fizesse, porém, estaria faltando com a verdade. De fato li, reli, treli e quadreli (se é que existe este termo) e até hoje não tenho certeza de tê-lo entendido. Provavelmente ainda estou “boiando” a respeito (para utilizar uma antiga gíria que caracteriza incompreensão).

E por que trago esse assunto à baila? Para humilhar-me publicamente e mostrar minha hiper-ignorância, pelo menos no que se refere à literatura, minha incontida paixão? Claro que não! Até porque, sou vaidoso demais para me prestar a esse tipo de comportamento. Abordo o tema pela sua oportunidade. Porque “Ulysses”, uma das obras monumentais do século XX, completa, neste 2012, noventa anos do seu lançamento. E porque este ano assinala também os 130 anos do nascimento de James Augustine Aloysius Joyce, nascido em Dublin, na atual República da Irlanda, em 2 de fevereiro de 1882. Este texto, portanto, é uma espécie de “introdução” de outros tantos, que me proponho a escrever até dezembro e que espero sejam mais objetivos do que estas considerações preliminares.

Há muito que se dizer sobre este romancista, contista e poeta irlandês e, sobretudo, sobre seus livros, principalmente sobre este que é considerado um marco do modernismo. É o tipo de autor sobre o qual não se pode se limitar a citar apenas de “passagem”, como um sujeito (e como um escritor) absolutamente comum, o que ele não foi. Ezra Pound – outro literato, digamos, “complexo”, mas que talvez por empatia não se me mostrou nem um pouco incompreensível – considerou James Joyce como um dos mais eminentes poetas do imagismo. Quem sou eu, pois, para contestar tão ilustre e abalizada opinião?!!

Para vocês terem uma idéia da originalidade (e complexidade) de Ulysses, é mister informar (como, aliás, esclarece a enciclopédia eletrônica “Wikipédia”, à qual recorro quando quero me informar melhor sobre algo) que o autor se utiliza, em seu (para mim) criptográfico romance, “do fluxo de consciência, da paródia, de piadas e virtualmente de todas as demais técnicas literárias”, na apresentação de seus personagens. O livro baseia-se na “Odisséia”, de Homero, mas com os protagonistas principais, como Ulisses, Penélope e Telêmaco, inspirados em conhecidos dublinenses do relacionamento do autor, casos de Leopold Bloom, sua esposa Molly Bloom e Stephen Dedalus.

Para complicar, a história toda desenvolve-se num único dia, 16 de junho de 1904. Por que o autor escolheu justo essa data, e não outra qualquer? Vá se saber! É possível que nem Joyce soubesse do motivo real dessa escolha, que me parece meramente aleatória . Mas a complexidade do romance não pára por aí.

O livro contém dezoito capítulos e cada um cobre, aproximadamente, uma hora do dia. A ação, portanto, transcorre toda num período de 18 horas (ou quase). Começa às 8 horas da manhã de 16 de junho de 1904 e termina às duas da madrugada do dia 17.

Querem saber mais a respeito? Ora, ora, ora. Leiam o livro! E, por favor, após lê-lo, façam uma sinopse “inteligível” (se conseguirem) e me enviem uma cópia, por obséquio. Será de grande valia para mim, creiam-me. Voltarei, certamente, a tratar de James Joyce, mas em outro dia qualquer.



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Monday, October 29, 2012

O amor, quer admitamos, quer não, é a maior riqueza que podemos conquistar e a única que vale a pena buscar. Encanta e justifica toda uma vida. Claro que não me refiro, aqui, à mera paixão que, em, geral, é intensa, às vezes incontrolável, gostosa enquanto dura, mas que em pouco tempo se consome e deixa somente o vazio e a amargura na alma dos apaixonados. Um dos textos mais expressivos que li a respeito é de Victor Hugo, que diz, em determinado trecho: “Encontrei na rua um rapaz muito pobre que estava amando. O chapéu era velho, o casaco surrado, a água atravessava-lhe os sapatos e as estrelas atravessavam-lhe a alma”. O referido personagem não sentia as agruras físicas, ou seja, nem dor, nem fome, nem frio nem mesmo a miséria. Estava em outra esfera da vida, como que hipnotizado, e sentia-se, na verdade, o mais rico dos mortais. Milhões de estrelas de luz iluminavam-lhe a alma e emolduravam seu soberano amor.

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Por dentro da TV

JERÔNIMO VOLTA, AGORA NA TV
Um dos grandes sucessos do rádio na década dos 50s, dentre em breve, poderá ser visto na TV. Trata-se de "Jerônimo, o Herói do Sertão", seriado criado por Moysés Weltman e imortalizado pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro (que também foi apresentado pela antiga Nacional de São Paulo, atual Rádio Globo). A TVS, inclusive, já está começando as gravações da série, que terá no principal papel Francisco di Franco, ator que viveu o Jerônimo quando este foi apresentado pela extinta TV Tupi.

O PRESTÍGIO DE WAGNER MONTES
Prestígio é prestígio, e ninguém discute. E isso ninguém pode negar que Wagner Montes tem de sobra. Por exemplo, outro dia, Hélio Batista, que atualmente cuida dos interesses artísticos, profissionais e comerciais do jurado de TV (e também repórter, cantor, ator e apresentador), resolveu, em cima da hora, promover uma festa para comemorar seu 10º ano de carreira. E vejam só quantas pessoas importantes compareceram: Gugu Liberato, Agnaldo Rayol, Eli Correa, Décio Piccinini, José Abrão, Deni Cavalcante, os deputados José Yunes e Samir Achoa e muitos outros nomes representativos de diversas áreas. Wagner foi pego de surpresa com a improvisada festinha, que aconteceu no restaurante Via Brasil, em São Paulo, e, como é lógico, teve que fazer muita força para esconder a emoção.

MÁRIO GOMES NO FANTÁSTICO
Mário Gomes decidiu encarar a profissão de cantor e vai gravar por estes dias um vídeoclipe, que deverá ser exibido, provavelmente em outubro, no "Fantástico". Ele vai cantar o seu sucesso, "O Dono da Bola", o tema de Luca na novela "Vereda Tropical". Acompanhando a música, serão mostradas seqüências das principais novelas em que o ator participou. Embora não pense em parar de representar, Mário acha que pode vencer nessa nova carreira e garante que pelo menos vai lutar para isso.

VERA FISCHER VITORIOSA
A atriz Vera Fischer, quando afastou-se da TV, disse que iria mostrar que era muito mais do que uma "cara bonita" ou um símbolo sexual. Terminado o seu trabalho no filme "Amor Voraz", de Walter Hugo Khouri, ela sente-se realizada. Segundo a opinião de todos os que a acompanharam nesse trabalho, a interpretação de Vera no filme está soberba. A atriz, além disso, vem se destacando no teatro, com a vitoriosa temporada da peça "Negócios de Estado". Quanto a TV, ela garante que "no momento oportuno, eu volto". Esperamos, apenas, que seja em breve.

CUOCO NÃO SENTE O TEMPO
Francisco Cuoco é um sujeito de mente aberta, para o qual o tempo não conta. Quem viu o ator, dia desses, numa noite de autógrafos, certamente ficou assustado com os trajes que ele vestia. Parecia um garotão, com uma roupa bem avançada, raramente vista em pessoas da sua idade. Como eu sou daqueles que acham que a velhice é uma condição de espírito e não mera soma dos anos, concordo com a postura do Chico Cuoco. Olha, o que tem de garotão por aí, supervelho, com apenas 18 anos de idade!! O que conta é a cabeça da pessoa. Exemplo? Cora Coralins e Henriqueta Brieba.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 26, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 20 de setembro de 1984).

 
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Circunstâncias semelhantes

Pedro J. Bondaczuk

A vida de determinados escritores não raro é tão sofrida e até trágica quanto os enredos que criam, nas histórias que escrevem. Admiro e, principalmente, reverencio os que superam todas as dificuldades que se lhes apresentam e persistem, legando à posteridade obras marcantes, que se tornam referenciais da literatura de seus países. Quando se aborda essa questão, alguns nomes vêm, imediatamente, à memória do leitor, como os casos do russo Fedor Dostoievsky e do checo (ou alemão?) Franz Kafka.

No Brasil, todavia, um nome emerge soberano e não apenas por ter sido injustiçado, no período do Estado Novo da ditadura de Getúlio Vargas, mas, sobretudo, pela grandeza e extrema qualidade de sua obra. O leitor esperto já percebeu, com certeza, que me refiro ao alagoano, nascido na cidadezinha de Quebrangulo, Graciliano Ramos. Já escrevi muito a seu respeito e, em um dos meus textos, ousei apelidá-lo de “Dostoievsky brasileiro”, por algumas semelhanças de circunstâncias de vida entre ambos, principalmente pelo fato dos dois terem sido presos em seus respectivos países e de ambos terem se inspirado nessas situações dramáticas e penosas, tão dolorosas e sofridas, para escreverem primorosos livros.

Observo que “semelhança” não significa “igualdade”. Não há vidas iguais, embora haja episódios ligeiramente “parecidos”. É o caso desses dois ilustres escritores, “ícones” da literatura de seus respectivos países. E por que não inverto a proposição e não chamo Dostoievsky de “Graciliano russo”? Por mera questão cronológica. O russo nasceu antes do brasileiro. Na comparação, portanto, não há demérito para nenhum dos dois. Nem poderia haver. Ambos granjearam todos os méritos possíveis e imagináveis, em especial pelo imenso talento que demonstraram. São “monstros sagrados” (e aqui não vai nenhuma conotação pejorativa, óbvio) da literatura mundial.

E por que trago Graciliano Ramos à baila neste espaço? Porque em 27 de outubro de 2012 comemoram-se os 120 anos de seu nascimento (nasceu em 1892). E porque, principalmente, o Estado brasileiro lhe deve muito, por sua intempestiva e injusta prisão (nunca houve acusação formal contra ele). O escritor alagoano, que teve passagem pela política (foi prefeito da cidade de Palmeira dos Índios), foi acusado (sem a mínima prova) de participação na Intentona Comunista de 1935. É verdade que em 1945 filiou-se ao “Partidão”, mas então ele havia sido legalizado. No Brasil, infelizmente, esse tipo de atitude, o de prender e torturar pessoas principalmente inocentes, foi muito comum por parte dos vários ditadores de plantão. Tomara que nunca mais essa conduta autoritária (na verdade, atrabiliária) e desumana se repita.

Sobre as opressões de que foi vítima, Graciliano Ramos escreveu: “Começamos oprimidos pela sintaxe e acabamos às voltas com a Delegacia de Ordem Política e Social, mas, nos estreitos limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda nos podemos mexer”. Da primeira “coação”, a das regras do idioma, ele se desvencilhou de forma magnífica, impondo um estilo de escrever enxuto, medido, econômico e corretíssimo. Basta ler qualquer de seus livros, notadamente o clássico “Vidas secas”, para comprovar isso, sem sombra de dúvidas. Já da segunda... Acredito que nunca se recuperou por completo. Quem sabe a prisão injusta não tenha acelerado o processo de desenvolvimento do câncer de pulmão que o matou tão precocemente, aos 60 anos de idade, em 20 de março de 1953.

Lembro-me, posto que vagamente, de quando Graciliano morreu. Na época, eu recém havia completado dez anos de idade e já havia lido “Vidas secas” (embora sem compreender muito bem, na oportunidade, o alcance e a genialidade desse livro), que reli, ao que me lembro, pelo menos três vezes, quando já mais maduro e já jornalista.

Em crônica que escrevi em 1992, publicada no Correio Popular de Campinas, intitulada “Graciliano, um perfeccionista”, destaquei, exatamente, essa busca pela perfeição por parte do escritor. Isso comprova que a tal “coação da sintaxe” a que ele se referiu, no texto que citei, ele superou com um pé nas costas. Já a imposta pela Delegacia de Ordem Política e Social... Não acho que tenha se livrado dessa amarga lembrança. Eu, no lugar dele, jamais esqueceria.

Na referida crônica, escrevi, em determinado trecho: “(Graciliano) era, sobretudo, econômico nas palavras. Seus textos são deliciosos de se ler, não apenas pela profundidade da análise psicológica dos personagens – especialmente os flagelados da seca de "Vidas Secas" e os protagonistas dos contos do livro "Insônia" – , mas pela precisão matemática com que expôs suas idéias. Em obras de Graciliano Ramos não há o supérfluo. Suas frases são sempre curtas, exatas, medidas, sonoras e conseqüentes. Ainda assim, o escritor não se mostrava satisfeito com os resultados. Prova disso é o que ele escreveu na página 8 de "Memórias do Cárcere" (1º volume da 5ª edição da Martins Editora, São Paulo, 1965): ‘Por que foi que um dos meus livros saiu tão ruim, pior do que os outros?, pergunta o crítico honesto. E alinha explicações inaceitáveis? Nada disso: acho que é ruim porque está mal escrito. E está mal escrito porque não foi emendado, não se cortou pelo menos a terça parte dele’".

Arrematei, na sequência, a citada crônica: “Chega a ser comovedora tamanha honestidade e, sobretudo, essa humildade vinda de um escritor consagrado mundialmente, como era o caso de Graciliano. Como essa atitude é diferente da de tantos ‘garatujadores’ que há por aí, arrogantes, porém vazios, que escrevem textos caudalosos, eivados de lugares comuns, desprovidos de estilo, com expressões dúbias e que emitem conceitos ridículos sobre temas que sequer entendem! E estes ainda se atrevem a achar que escrevem bem. Costumam assediar as redações em busca de publicações das ‘preciosidades’ que perpetram”. E, creiam-me, não exagerei.

Já no texto “O Dostoievski brasileiro”, observei: “O que mais agrada o leitor de Graciliano Ramos é a concisão do seu texto. É a parcimônia com que utiliza as palavras, sem excessos e nem faltas, na medida exata. Suas frases são curtas, diretas, medidas, exatas, quase ‘telegráficas’, sem nenhuma ‘gordura’, que venha a tornar o texto prolixo e cansativo. Esse estilo enxuto, no entanto, não compromete a criatividade, na elaboração de personagens e de enredos, e nem tira a força das meticulosas descrições. Pelo contrário: dá-lhes mais vigor. Ressalta, posto que com despojamento vocabular (sua principal característica literária), as imagens, que mais ‘sugere’ do que descreve, geralmente toscas e rudes, como são as pessoas e os lugares do Nordeste brasileiro, cenário das suas obras.O leitor, por exemplo, chega a ‘sentir’, até mesmo, insuportável sede, ao ler ‘Vidas Secas’, tamanho se torna seu envolvimento psicológico com o ambiente, magistralmente descrito por quem viveu e sentiu na carne o fenômeno climático e o drama social de que trata, e que por isso sabe, como ninguém, relatar com clareza e fidelidade, em seus mínimos detalhes”.

Não retiro uma única palavra do que já escrevi sobre Graciliano, Todavia creio que não deva acrescentar mais nada, até para não ser redundante. Abro, porém, uma exceção. Trata-se da justificativa do porque considero a vida e a obra do escritor alagoano “semelhante” (e, reitero, não “igual”) à de Dostoievsky: “Embora separados no tempo e no espaço, nascidos e criados em países com condições, climas, culturas, histórias e realidades tão diferentes, há algo de comum, que os identifica e aproxima. É alguma coisa que vai muito além do mero talento (inegável) que ambos ostentam. Sente-se, em suas obras, sobretudo o que deve ser essencial num bom romance e que os dois têm de sobra: autenticidade”. E não estou certo?


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Sunday, October 28, 2012

Felizmente, no País, há muitos abnegados que ainda acreditam em seus sonhos de justiça social e de paz e agem para que eles se concretizem. Mas, infelizmente, esses brasileiros exemplares são anônimos. Não ganham, via de regra, espaço nos meios de comunicação. Fossem políticos corruptos, banqueiros do jogo-do-bicho, traficantes, excêntricos inventando modismos passageiros ou degenerados sexuais dados a escândalos, quando não cruéis seqüestradores ou ousados assaltantes, é provável que freqüentariam as manchetes. Mas são homens e mulheres que resgatam nossas esperanças, embora raramente lembrados, e buscam, através de obras, conquistar seu espaço. Josep Pulitzer acentuou que o “único cargo que um homem em nosso mundo pode desempenhar com êxito pelo simples fato de ter nascido é o de idiota”. Benditos garimpeiros de sonhos que, sem propaganda ou reconhecimento, constroem um presente e, sobretudo um futuro, melhor!!!

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Presente de Natal

Dê às pessoas que ama e admira o melhor dos presentes neste Natal: presenteie com livros. Dessa forma, você será lembrado não apenas o ano todo, mas por toda a vida.

Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária” – José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

“A Passagem dos Cometas” – Edir Araújo – Contato: nenem138@gmail.com

“Aprendizagem pelo Avesso” – Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br

Com o que presentear:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. – Preço: R$ 20,90.

Como comprar:

Pela internet – WWW.editorabarauna.com.br – Acessar o link “Como comprar” e seguir as instruções.

Em livraria – Em qualquer loja da rede de livrarias Cultura espalhadas pelo País.

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Intransigência muito cara

Pedro J. Bondaczuk

O plano de paz para a América Central, elaborado pelo presidente costarriquenho, Oscar Arias Sanchez, e aprovado pelos cinco mandatários centro-americanos, em 7 de agosto de 1987, na Guatemala, tem como su pilar o cessar-fogo nas guerras civis de El Salvador e da Nicarágua.

Em nenhum desses dois países, no entanto, a trégua foi obtida e em ambos os casos o obstáculo tem sido comum: a interferência norte-americana no conflito, colocando, em primeiríssimo lugar, seu próprio interesse, em detrimento daqueles da região.

Só que Washington assumiu posições diferentes em relação ao apoio que empresta em cada um desses conflitos. No caso salvadorenho, a Casa Branca respalda o títere José Napoleón Duarte, contestado pela esquerda, pela direita e pelo centro e que se equilibra no poder apenas escorado pelos dólares de “Tio Sam”. E estes costumam ser generosos quando se trata de ajuda militar.

Já na Nicarágua a situação se inverte. O mesmo governo que deblatera em todos os organismos internacionais contra grupos terroristas, financia, treina e até expõe a própria “cabeça” (como no escândalo “Irã-contras”) por uma guerrilha sanguinária e incompetente, à qual denomina de “combatentes da liberdade”.

O interessante de tudo é que estes que se dizem paladinos da democracia, nada fizeram para derrubar o ditador Anastásio Somoza, que havia transformado o país num feudo particular. É que, à sombra do poder, se regalavam com as sobras da mesa dos poderosos do dia. Não houvesse, portanto, a interferência indevida norte-americana na América Central, e provavelmente a paz estaria restaurada na região.

É como disse um líder rebelde, que abandonou recentemente a luta armada: “Ser contra é um grande negócio”. E deve ser mesmo, tamanho foi o volume de dinheiro jogado nas mãos da guerrilha, para que atacasse aldeias, queimasse plantações e matasse pessoas, as mesmas que perante a opinião pública eles garantem que “querem libertar”.

Apesar da Câmara de Deputados norte-americana haver rejeitado uma ajuda militar aos anti-sandinistas, os canais de financiamento, através de entidades particulares interessadas na manutenção do “status quo” centro-americano, permanecem abertos.

Isto torna os rebeldes irredutíveis na mesa de negociações, à qual não estão acostumados. Afinal, no tempo de Somoza não havia tal possibilidade de se negociar. Só que eles podem estar cometendo um grave erro estratégico. Ninguém garante que o próximo presidente norte-americano tenha a mesma “fixação” que Reagan possui por essa miserável área.

Se os “contras” mantiverem a atual intransigência, poderão estar perdendo a chance de reintegração na sociedade do seu país e correm o risco de permanecer sendo vistos pelo resto do mundo como apátridas, ávidos por dinheiro.

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 19 de fevereiro de 1988).

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A título de esclarecimento

Pedro J. Bondaczuk

Os escritores, em geral, e os poetas, em particular, têm uma visão mais aguçada do futuro do que a maioria das pessoas. Ao contrário da idéia geral que se faz desses seres inspirados, "cúmplices dos deuses", eles não estão alheios à realidade. Muito pelo contrário! No entanto, por um dom natural de que são dotados, conseguem enxergar não apenas a realidade, nua e crua, com toda a sua brutalidade e horror. Enxergam além dela. Projetam-na no futuro, tanto o próximo, quanto o bastante remoto.

Assim foi Carlos Drummond de Andrade, cujos 25 anos de morte são lembrados neste ano, deixando um vazio impossível de ser preenchido por outro poeta, embora tenhamos excelentes magos nesta sublime arte de “poetar” (e me perdoem recorrer, de novo, a esse neologismo que tanto aprecio). Poucas pessoas conseguiram ver com tanta agudeza os problemas sociais que afetam a população brasileira, como ele. Os contrastes que nos caracterizam, as contradições que nos dominam, o nosso jeito um tanto moleque de ser, que tem facetas boas e ruins, jamais escaparam da sua aguçada "visão de raio x".

Dizem que ninguém é insubstituível. Concordo com essa afirmação, mas somente em parte. Há claras e nítidas exceções. Há gênios que, por mais que se procurem substitutos para eles, quando morrem, não os encontramos. Não, pelo menos, com a mesma qualidade e competência do que quem partiu. Carlos Drummond de Andrade foi um desses “insubstituíveis”. Com isso, não quero desmerecer ninguém (longe de mim). Apenas constato algo que para mim é óbvio.

Dia desses, ocorreu-me um fato que classifico de “pitoresco”, embora igualmente injusto para comigo. Recebi, há uns quinze déias, um e-mail (aliás, bastante educado e elogioso) de alguém que se confessa meu leitor compulsivo e incondicional admirador. Após massagear meu ego, todavia, o missivista confessou-se “perplexo” pelo fato de eu “não apreciar” o poeta de Itabira. Amigo, acredite, minha perplexidade é infinitamente maior do que a sua. Só queria saber o que o levou a concluir esse tipo de heresia, absolutamente falso e infundado. Eu é que fiquei extremamente perplexo, admirado, pasmo e, não tenha dúvida, bastante irritado.

Meu mal-informado correspondente argumenta que tenho escrito textos e mais textos sobre vários poetas, como Mário Quintana, Jorge Luís Borges, Octávio Paz, Fernando Pessoa, meu saudoso amigo Mauro Sampaio e outros tantos, mas que não redigi “nenhum” alusivo a Carlos Drummond de Andrade. Desculpe, amigo, mas você não é, como afirma, meu “leitor compulsivo”. Ou sua “compulsão” não é do tamanho que você dá a entender. Existe uma terceira possibilidade: ou você é distraído demais.

Fiz um rápido levantamento em meus arquivos e sabe quantos textos meus, alusivos a Drummond, encontrei? Localizei quarenta e oito deles! E tenho certeza que essa quantidade é muito maior. Só não achei outros, porque a minha produção é absurdamente elevada (e os leitores deste e de outros espaços que freqüento na internet são testemunhas disso). Como não gostar justo de Drummond?! Se o fizesse eu estaria assinando um atestado de péssimo gosto e de completo ignorante no que se refere à literatura.

Há, até, um episódio particular envolvendo o poeta de Itabira que eu nunca trouxe a público, para não parecer que esteja contando vantagem. Tenho em meu poder uma carta, escrita de próprio punho (e sua letra é inconfundível), que Drummond me enviou, datada de 14 de agosto de 1987. Ou seja, de três dias antes da sua morte. Mas não tirem conclusões apressadas.

Não fui íntimo do poeta a ponto de trocarmos correspondência (antes fosse!!!). Essa foi a única mensagem, simples e quase formal, que recebi dele. Ocorre que semanas antes dele escrever essa carta, eu havia escrito longo e minucioso ensaio sobre Drummond, que foi publicado no Correio Popular de Campinas. Um amigo comum a nós dois enviou-lhe essa página do jornal. E sua carta (talvez a última que escreveu) foi para agradecer-me a lembrança. Pensei comigo: “o que é isso, poeta?! Eu é que devo lhe agradecer por você existir, por ser tão genial e por haver embalado, por tanto tempo, os meus sonhos”.

Como não gostar de uma pessoa assim?! Isso sem falar de sua genialidade, que é consensual (ou quase). Drummond sempre foi tido como um sujeito sisudo, de poucas palavras, duro como o minério de ferro da sua Itabira natal. Mas por trás daquela carapaça de severidade, havia um coração brando e terno. Atuava um cérebro preocupado com os desajustes sociais deste país que ele tanto amava. Era lúcido em suas observações. Era objetivo em suas colocações. E era, sobretudo, humano na avaliação das fraquezas, próprias e alheias.

Isto é característico dos poetas, dos escritores em geral, videntes por excelência. Afinal, ao contrário do que se imagina, são eles que usufruem plenamente da existência. O iluminado autor de "Recherches du temps perdu", o imortal Marcel Proust, escreveu, a esse propósito: "A verdadeira vida, a vida enfim descoberta e esclarecida, a única vida por conseguinte realmente vivida, é a literatura".

Mas a arte de sonhar, de elucubrar, de gerar imagens mediante o uso do instrumento da palavra, tem um sentido essencialmente prático, embora não pareça. Quem constatou isso foi o "pai" das viagens espaciais, o russo Konstantin Tsiolkowski, um dos primeiros homens a acreditarem realmente que o ser humano poderia viajar no espaço, antes mesmo da invenção do avião, e que desenvolveu toda uma teoria acerca de como isso seria possível. Afirmou: "A princípio, surge a idéia, a fantasia, o conto. Depois deles, o cálculo científico. E então, os homens práticos tornam a idéia real".

Destaco, ao meu querido leitor, que, a menos que seja mais distraído do que o Rosamundo, aquele personagem célebre de Sérgio Porto, o saudoso Stanislaw Ponte Preta, campeão mundial da distração, você deve ter lido, aqui mesmo, neste espaço, o texto intitulado “O mágico lúcido”, que publiquei em 31 de março de 2010. Três meses depois, reproduzi-o em meu blog pessoal, “O Escrevinhador”. Lembra? Ainda não? Reproduzo, pois, a introdução desse texto:

“O assunto, hoje, é Drummond. E tratar do poeta de Itabira, seja por qual motivo for, é sempre agradável, ainda mais ouvindo Beethoven no Sonora, magnífico serviço prestado pelo portal Terra aos amantes do que é estético, belo, divino e mágico. Aliás, para se deliciar com os versos deste “encantador” (não de serpentes, mas de corações) nem seria necessário tamanho requinte, embora ele somente multiplique ainda mais o prazer.

Todavia, hoje não falarei do poeta das Gerais na função de autor, mas de “personagem”. E do livro de uma escritora que ele apreciava, Marlene de Castro Correia. A obra? Tem título que vem a calhar: ‘Drummond: a magia lúcida’. É isso que esse poeta majestoso foi: mágico, sem tirar e nem pôr. Mágico das metáforas. Mágico das emoções. Mágico dos sentimentos. Mágico das idéias. Mágico do que vocês quiserem. E ninguém melhor para falar dele do que essa escritora de quem Drummond declarou, certa feita: ‘Marlene gosta da minha obra, mostra porque gosta e quer que os outros gostem’. Como deixar de gostar de você, querido poeta?!! Só se o sujeito for bronco, muito burro e absolutamente insensível!”

Você se lembra como encerrei o referido texto? Não? Vou refrescar-lhe a memória. Encerrei-o assim: “Como é gostoso escrever sobre Drummond! Tomara que apareçam muitos pretextos, como este, do livro de Marlene de Castro Correa. Mas se não aparecerem... que raios, escreverei sobre ele assim mesmo!!!!”. E asseguro que mantenho essa mesmíssima determinação. Ou seja, a de escrever sobre Drummond, haja ou não pretexto para tal.


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