Thursday, May 31, 2018

Reflexão do dia


MATAR ANIMAIS PARA COMER É HOJE PRÓSPERA INDÚSTRIA
A luta sem quartel pela sobrevivência sempre me incomodou, desde pequeno. Entendo que esta é a ordem natural das coisas e que jamais será alterada. Mas lá no íntimo, gostaria que não fosse assim. A inteligência e a sensibilidade que há em mim, ao se contraporem aos meros instintos, gostariam que tudo fosse diferente. Ou seja, que a nossa fonte energética, a alimentar, fosse de outra natureza. Qual? Sei lá! Que fosse, digamos, exclusivamente mineral. Mas não é. Um dos “queridinhos da moda”, o escritor norte-americano Jonathan Safran Foer, jovem talento, que se consagrou com os romances “Tudo se ilumina” (transposto para o cinema) e “Extremamente alto & Incrivelmente perto”, livros que surpreenderam a crítica e o mundo editorial e se tornaram best-sellers, toca no assunto. Trata sobre a “indústria da carne”, uma das mais sólidas e prósperas que há. Ele publicou nos Estados Unidos e na Europa (onde lançou em 2009), “Comer animais”, que a Editora Rocco lançou no Brasil. E tome surpresa. Quando todos esperavam novo romance, já que os dois anteriores continuam vendendo até hoje rios e mais rios de exemplares, Foer decidiu escrever não-ficção. O livro é uma detalhada e bem fundamentada reportagem sobre a indústria da carne no mundo. Isso reforça minha afirmação de que a vida se mantém graças ao sacrifício de outras vidas. É cruel, mas não há como fugir dessa realidade.
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DESAFIO E PROPOSTA

Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!


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CITAÇÃO DO DIA:


Algo a mais

Nada realmente trabalha a menos que você possa estar fazendo alguma coisa a mais.

(Sir James Barrie, escritor e dramaturgo britânico, 1860/1907).



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DIRETO DO ARQUIVO - Ousar é preciso


Ousar é preciso

Pedro J. Bondaczuk

A ação --- fundamentada na disciplina, no conhecimento de causa e na perseverança --- é o maior, senão o único antídoto contra as crises que assolam pessoas ou povos. Só se caminha para a frente quando há disposição e coragem e quando se persiste na persistência. É mais fácil, embora improdutivo, cruzar os braços diante das dificuldades e limitar-se a criticar ou a lamentar.

Difícil, posto que necessário, é acreditar, é construir, é manter, é curar, é ensinar, é alegrar, é conservar, é transmitir e é sobretudo agir. "Só é útil o conhecimento que nos faz melhores", teria dito Sócrates, de acordo com o testemunho de seu discípulo Platão. Esta é a filosofia que nos norteia e a proposta desta revista: divulgar o útil e o construtivo e tudo o que for digno de ser imitado. É tirar do anonimato aquelas preciosas "pessoas que fazem".

É trazer ao público o "outro lado" da realidade, que por incompreensível distorção dos meios de comunicação, é quase sempre relegado ao esquecimento ou a um plano secundário. Ou seja, o dos que constroem, que sustentam, que criam, que curam, que ensinam e que mantêm o mundo funcionando dentro da normalidade. Muitos editores garantem que notícias positivas não vendem jornais e revistas. Estão errados!

Propomo-nos a focalizar a ação e a motivação do médico, do gari, do professor, do caminhoneiro, do comerciante, do jardineiro, do pesquisador, do feirante, do ator, do operário, do engenheiro, do músico, do jornalista, da enfermeira, do físico nuclear, do pedreiro, etc. Nossa intenção é enfatizar a atuação daqueles profissionais (não importa o status de que gozem), cuja presença quase nunca notamos, mas sem os quais a vida se tornaria difícil, senão impossível.

Agradecemos o respaldo e a generosa confiança dos anunciantes que nos acompanham neste ato de ousadia, que é esta revista. Sem eles, esta empreitada não teria condições de sair do plano das intenções. Confiamos que, juntos, faremos um jornalismo saudável e verdadeiro: o "jornalismo que crê".

(Editorial publicado na revista Panorama em maio de 1999)



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CRÔNICA DO DIA - Quando a mente se desarranja


Quando a mente se desarranja

Pedro J. Bondaczuk

Os desarranjos mentais, tragédia para quem sofre (e para suas famílias também), constituem-se em temas recorrentes, muito explorados em literatura. Há tempos este é um dos meus assuntos preferidos, pelos mistérios que envolve e pelo tanto de preconceito que o cerca. Claro que não estou sozinho nessa fascinação. Embora seja de se deplorar a situação das vítimas desses males, não deixa de ser morbidamente fascinante para quem a observa de fora. Centenas, milhares de poemas, crônicas, ensaios, contos e romances já foram escritos (e certamente outro tanto ainda o será) sobre o que se chama, de forma generalizada, de “loucura”. Esses desarranjos são vários, não um só, e vão desde uma simples neurose, à profunda psicose. Desde uma depressão, que abala a vida de quem a sofre, mas não a alheia da realidade, à esquizofrenia. Mas todos são tratados praticamente da mesma maneira.

O doente mental é, desde eras muito remotas, vítima de incompreensão e de preconceito. Antigamente (mas não tanto assim), passava por terríveis torturas físicas (além das psíquicas inerentes à sua doença). O vulgo entendia que essas pessoas estavam “possuídas por demônios”. O pobre infeliz que “não batia bem da cachola” era acorrentado, levava tremendas surras, pois se acreditava que desta forma os supostos espíritos malignos eram passivos de expulsão e não raro morria nas mãos da turba ignara, vítima desses maus-tratos e agressões. É caso de se perguntar: quem era o louco na história, a vítima ou seus algozes?

Em pleno século XXI, esses doentes mentais continuam sendo tratados, em muitos lugares, de forma tão desumana, indigna e até vil como antigamente. São encerrados em manicômios sombrios, sórdidos e insalubres, dopados com tranquilizantes que não só os acalmam mas os tornam praticamente “vegetais”, recebem choques na cabeça ou têm partes do cérebro extirpadas (as lobotomias) etc. e isso mesmo em casos que não comportam internações e que poderiam e deveriam ser tratados ambulatorialmente, e no seio das respectivas famílias. Estas, todavia... os repudiam. Querem se livrar de qualquer jeito deles.

Um dos psiquiatras que mais combateram esses procedimentos absurdos e desumanos para com os doentes mentais – rotulados, todos, genericamente, de “loucos” – foi o escocês Dr. Ronald David Laing, uma das maiores sumidades na matéria do século XX e que morreu em 1989. Ele propugnou, ao longo de toda a carreira médica, que o tratamento mais eficaz para esses pacientes, notadamente para os esquizofrênicos, não deveria ser, jamais, a hospitalização e nem o eletrochoque, mas apenas a comunicação. Mas com uma condição: que essa fosse estabelecida, apenas, quando o doente depositasse plena confiança em seu médico.

Laing escreveu: “Derrubar os muros dos manicômios, lutar contra o feroz isolamento dos doentes, preparar um diálogo possível com os esquizofrênicos, deixá-los ir ao fundo de seus delírios, arriscando-se a que se percam completamente ou voltem curados, recusar soluções efêmeras e opressivas, como os calmantes e os eletrochoques”. Muitos especialistas acataram sua forma de tratamento, advinda de profunda observação, e o índice de cura foi muito alto. Outros... Persistiram (e boa parte persiste), teimosamente, na forma cruel e desumana de tratar os doentes. O médico escocês era, principalmente, especializado em esquizofrenia, doença que definiu assim: “A pessoa que de repente não quer mais corresponder à imagem que sua família ou o meio social lhe impingiu refugia-se no irreal, no imaginário, torna-se um esquizofrênico”.

“Ora”, dirá o leitor, “se o critério for este, então todo o mundo tem um pouco de esquizofrenia”. Quem sabe se não tem, de fato?! O Dr. Laing acrescenta, à guisa de explicação: “Sanidade e loucura são estabelecidos pelo grau de dissintonia existente entre duas ou mais pessoas. O problema está no contexto onde se fazem as coisas: uma mulher que reza fervorosamente no interior de uma igreja pareceria absurda se tivesse comportamento idêntico no meio da rua”.

Sabem o que é mais curioso? É a origem da palavra “louco”. Ela é uma corruptela exatamente do seu oposto, ou seja, de “lógico”. E, de fato, há alguma “lógica” na insanidade mental, posto que distorcida e doentia. Há quem considere, por exemplo, a loucura o antônimo de “racionalidade”. Não é. O Dr. Isaías Pessotti, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, explica porque: “A racionalidade não é a perfeição. Pode ser até a loucura, quando a serviço da violência do instinto”.

Já o filósofo francês, Michel Foucault, no livro “História da loucura”, sustenta a tese que toda pessoa imaginativa tem componentes característicos do desarranjo mental. Exagero, claro. E o Dr. Pessotti explica porque: “Se pessoas rotuladas como loucas foram grandes criadores, trata-se de pessoas muito ativas que, por acidente, ficaram loucas. Ou se trata de pessoas que na situação acrítica de marginalização (como loucas) revelam uma criatividade que a vida ‘normal’ impedia de se ver ou de se manifestar. Mas a loucura não é libertação do espírito. Muito ao contrário. É a escravidão do pensamento”.

Por falar em loucura, um dos livros que mais me impressionaram a respeito é o romance “Onze minutes”, de Paulo Coelho, best-seller mundial, que logo sera transformado em filme. Acho, como Pessotti, uma estupidez a glamurização dos desarranjos mentais, como se se tratasse de alguma virtude, de aptidão ou de cacoete e não de doença. Como acho estúpido, também, decretar a morte em vida de quem passa por esse drama, como se não tivesse cura. Alguns casos não têm mesmo, mas boa parte é curável com a terapia simples e humana do Dr. Ronald David Laing: a do amor. “Uma palavra pode matar uma pessoa. Uma simples palavra colocada no lugar certo, no momento certo, pode mudar toda uma vida”, observa o ilustre psiquiatra escocês. E pode até curar alguns dos mais sérios desarranjos mentais. O que não podemos, sadios mentalmente ou doentes, é nos isolar e nos trancar dentro de nós mesmos. Porquanto, como o Dr. Laing resume, “pode-se dizer que a loucura é você não ter nenhum amigo”.

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Wednesday, May 30, 2018

Reflexão do dia


A VIDA SE ALIMENTA DE VIDA
A vida é marcada pela violência, característica que está inscrita em nossos genes como um dos nossos primitivos e mais onipresentes instintos. O nascimento é um evento violento, em que o novo ser é tirado (à revelia) do conforto do útero materno para a perigosa aventura de existir. E a morte? Nem é preciso destacar. É a violência das violências, mesmo que ocorra de forma “natural”. Tanto que nos reduz, instantaneamente, a um punhado de carne inerme, que em questão de horas começa a se decompor e apodrecer. Boa parte dos animais – nós no meio – se alimenta de outros, que abate, sem piedade e contemplação, para prover a própria sobrevivência. A vida se alimenta de vida. Para que uns sobrevivam, faz-se necessário que outros, de outras espécies, pereçam (houve tempos, nem tão remotos assim, em que alguns humanos se alimentavam da carne de outros). E os animais que não são carnívoros nem assim se alimentam de coisas inanimadas. Sobrevivem, também, às custas de seres viventes, posto que vegetais.

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DESAFIO E PROPOSTA


Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!

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CITAÇÃO DO DIA:

Cavalo da imaginação 

Se a nossa inteligência é limitada e de todos os lados dá de encontro a barreiras, temos o consolo de montar no cavalo da imaginação e galopar pelo infinito. 

(Monteiro Lobato, livro "Serões da Dona Benta").


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DIRETO DO ARQUIVO - Ação como antídoto


Ação como antídoto



Pedro J. Bondaczuk


A ação --- fundamentada na disciplina, no conhecimento de causa e na perseverança --- é o maior, senão o único antídoto contra as crises que assolam pessoas ou povos. Só se caminha para a frente quando há disposição e coragem e quando se persiste na persistência. É mais fácil, embora improdutivo, cruzar os braços diante das dificuldades e limitar-se a criticar ou a lamentar.

Difícil, posto que necessário, é acreditar, é construir, é manter, é curar, é ensinar, é alegrar, é conservar, é transmitir e é sobretudo agir. "Só é útil o conhecimento que nos faz melhores", teria dito Sócrates, de acordo com o testemunho de seu discípulo Platão. Esta é a filosofia que nos norteia e a proposta desta revista: divulgar o útil e o construtivo e tudo o que for digno de ser imitado. É tirar do anonimato aquelas preciosas "pessoas que fazem".

É trazer ao público o "outro lado" da realidade, que por incompreensível distorção dos meios de comunicação, é quase sempre relegado ao esquecimento ou a um plano secundário. Ou seja, o dos que constroem, que sustentam, que criam, que curam, que ensinam e que mantêm o mundo funcionando dentro da normalidade. Muitos editores garantem que notícias positivas não vendem jornais e revistas. Estão errados!

Propomo-nos a focalizar a ação e a motivação do médico, do gari, do professor, do caminhoneiro, do comerciante, do jardineiro, do pesquisador, do feirante, do ator, do operário, do engenheiro, do músico, do jornalista, da enfermeira, do físico nuclear, do pedreiro, etc. Nossa intenção é enfatizar a atuação daqueles profissionais (não importa o status de que gozem), cuja presença quase nunca notamos, mas sem os quais a vida se tornaria difícil, senão impossível.

Agradecemos o respaldo e a generosa confiança dos anunciantes, sem os quais esta empreitada não teria condições de sair do papel e confiamos que, juntos, faremos um jornalismo saudável e verdadeiro: o "jornalismo que crê".



(Editorial do jornal Notícias Metropolitanas publicado em 9 de julho de 2001).

CRÔNICA DO DIA - A linguagem do povo


A linguagem do povo

Pedro J. Bondaczuk
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Um leitor assíduo das minhas crônicas, tanto em jornais quanto nos vários sites e blogs da internet em que participo ativamente, questiona-me sobre a validade ou não do escritor se utilizar da “linguagem do povo”, aquela falada no dia a dia – sem preocupações com concordância, regência, conjugação correta de verbos, utilização de pronomes etc. – em textos literários.

Minha resposta é a mesma que dei quando fui questionado sobre o uso de palavrões. Eu, particularmente, não gosto de usar e raramente me utilizo desse expediente. Todavia, em determinadas circunstâncias e ocasiões, isso não somente é válido, como até se impõe.

No entanto, o escritor deve deixar claro que é seu personagem que fala errado e não ele que não conhece português. Afinal, queira ou não, tenha ou não essa consciência, ele é o guardião por excelência do idioma. Tanto que, determinadas expressões que geram dúvidas nos gramáticos quanto à sua correção, são catalogadas pelos dicionaristas como válidas com base, muitas vezes, apenas no seu uso por escritores consagrados. Você pode observar isso, por exemplo, em algumas expressões no dicionário do mestre Aurélio.

Caso você esteja escrevendo um romance, em que algum de seus personagens (ou todos) seja um sujeito iletrado (analfabeto ou não, não importa) não irá convencer ninguém se o puser dialogando num português impecável, perfeito, castiço, de forma que nem mesmo o mais erudito dos eruditos utiliza no cotidiano. A história ficará inverossímil se o fizer.

O necessário, porém, é ter cuidado para não exagerar na dose. É como certas bebidas alcoólicas: tomadas em pequenas doses, servem como aperitivo, mas se você tomar a garrafa toda... E, principalmente, não misture erros gramaticais seus, pessoais, com os dos personagens. Detecte-os, no processo de revisão, e corrija-os de imediato.

Aliás, se o escritor for relaxado em seu linguajar, sequer encontrará editor que tope embarcar nessa canoa furada com ele (para não partilhar do ridículo). Seu livro nascerá “morto”, ou seja, permanecerá inédito, a menos que o banque do próprio bolso. E se o fizer, por um excesso de vaidade que o cegue ao ponto de perder a noção de autocrítica, certamente irá arcar com monumental prejuízo, por falta de leitores que se habilitem a comprar tamanha baboseira.

Muitos escritores de primeiríssima linha reproduziram a linguagem do povo em diálogos de personagens (quando isso se impunha, claro) em romances de grande sucesso. Mas fizeram-no com bom-senso, elegância e, sobretudo, pertinência. É isso o que lhe recomendo, caríssimo leitor.

Por sua pergunta, concluo que você é aspirante a escritor. Mande-me, pois, seus textos, sem nenhum receio de eventuais prejuízos à sua imagem, pois prometo, caso sejam bons, publicá-los (como faço com todos os que me procuram) e, em caso contrário, juro que não o exporei ao ridículo. Se houver erros insanáveis para um editor, comprometo-me a analisá-los exclusivamente com você, em um e-mail particular. Ninguém saberá, a não ser nós dois, ok?

Mas não tenha receio de se expor. Submeta-se à crítica, que é sempre saudável. Ela pode ser muito mais didática do que um montão de aulas teóricas de literatura. Ademais, ninguém é infalível e nem nasceu sabendo das coisas, não é mesmo?


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Tuesday, May 29, 2018

Reflexão do dia


A ACOMODAÇÃO É A MATADORA DAS INICIATIVAS E DA CRIATIVIDADE
O escritor William Faulkner, notoriamente um homem bem-sucedido na vida, como um dos maiores clássicos da literatura norte-americana e mundial, tinha uma tese bem peculiar acerca do sucesso. Afirmava que se tratava de um "matador" da criatividade, dessa ânsia de perfeição que todas as pessoas devem ter, seja qual for a sua atividade, até o último instante da existência. O italiano Alberto Morávia expressou a mesma ideia, de outra forma, como citei em uma das minhas reflexões. Estariam ambos com a razão? Os fracassados seriam os verdadeiros gênios das artes e das ciências? Seriam os chamados donos da verdade? Enxergariam aquilo que eventualmente ninguém mais vê? Claro que não! E nem os dois escritores fizeram qualquer apologia do fracasso. Ambos quiseram, apenas, alertar sobre a tendência que todos temos à acomodação (a matadora das iniciativas e da criatividade), ou seja, a "dormir sobre os louros" conquistados. Afinal, o satisfeito consigo próprio é, na verdade, um derrotado.

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DESAFIO E PROPOSTA


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CITAÇÃO DO DIA:

Estudo do belo

O estudo do belo é um duelo em que o artista grita de pavor antes de ser vencido.

(Charles Baudelaire, "O Confiteor do Artista", livro: "Pequenos Poemas em Prosa").


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DIRETO DO ARQUIVO - Conquista da credibilidade


Conquista da credibilidade


Pedro J. Bondaczuk

A credibilidade, se é fator importante para o sucesso de qualquer empreendimento, é ponto fundamental e indispensável para o exercício do verdadeiro jornalismo. E esta apenas se conquista graças a um trabalho honesto, constante, competente e responsável, tendo em vista a defesa da cidadania e a construção de uma sociedade mais justa, humana e solidária, tarefa de todo o homem de bem.

Um jornal, ou qualquer outro meio de comunicação, para se impor na comunidade a que representa, precisa estar absolutamente comprometido com a verdade. Não pode, por conseguinte, cair na tentação de manchetes fáceis, posto que sensacionalistas, ou de “forjar” notícias, como ocorreu, recentemente, no triste episódio protagonizado pelo programa do apresentador Augusto Liberato, o “Domingo Legal”.

A conquista do leitor, ou do ouvinte, ou do telespectador, tem que ser decorrência natural do bom serviço que se presta, sem que para isso se recorra, em momento algum, e por qualquer razão, a atalhos que firam a ética, a moral, os bons costumes e, sobretudo, a verdade dos fatos.

Graças a esses princípios, que para nós são absolutamente sagrados, nós, da Folha do Taquaral, entramos, no 14º ano de existência, cientes de havermos conquistado a tão almejada credibilidade. Com uma equipe enxuta, porém coesa e ligada por um mesmo ideal, superamos inúmeros obstáculos ao longo desse tempo, em um país marcado pela instabilidade econômica. E estamos firmes e fortes, prontos para prosseguir com maior vigor e renovado entusiasmo nessa nossa às vezes espinhosa caminhada. Claro que isso seria impossível sem a confiança e a fiel parceria dos nossos anunciantes, que sempre entenderam, e apoiaram, a nossa proposta de trabalho.

Nestes 14 memoráveis anos de existência, jamais deixamos de cumprir nossos compromissos. Afirmamos, com orgulho, que jamais atrasamos uma única edição, entregando, semana sim, semana não, todas as sextas-feiras, religiosamente, a sua Folha do Taquaral em seu lar, no seu estabelecimento comercial, no seu escritório ou consultório.

Ademais, nunca transigimos com a verdade e nem recorremos ao sensacionalismo ou às meias-verdades. Fizemos, fazemos e sempre faremos um jornalismo sadio, construtivo, altivo e independente, tendo compromisso, apenas e tão somente, com o leitor, com o anunciante e com o cidadão. Daí conquistarmos, com garra, trabalho e responsabilidade, e com inegáveis méritos, este galardão dos empreendimentos vencedores que tanto nos orgulha: a credibilidade!


(Editorial da Folha do Taquaral de 23 de setembro de 2003).



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CRÔNICA DO DIA - Magia da leitura


Magia da leitura

Pedro J. Bondaczuk

A invenção da escrita foi, se não o maior, um dos maiores avanços do bicho homem. Possibilitou que descobertas, experiências, conhecimentos e sentimentos de uma geração não se perdessem no tempo quando ela passasse e se extinguisse, mas se perpetuasse e ficasse ao alcance da posteridade, milênios afora. Constitui-se, pois, em fator inigualável de progresso, não apenas o espiritual, mas também o material.
Durante milênios, o acesso à leitura, e consequentemente à escrita, foi privilégio de poucos, pouquíssimos indivíduos mundo afora. Isso retardou, sem dúvida, o progresso da humanidade. Até boa parte do século XX, o número de analfabetos no mundo era imenso, salvo em um ou outro país, não por acaso os mais prósperos. A difusão da leitura, portanto, é fenômeno recente, recentíssimo, coincidindo com a extraordinária evolução humana, notadamente no que diz respeito à ciência e à tecnologia.
Mas o progresso material (e também o espiritual) deixou à margem, ainda, nesta era da comunicação total, que transformou o Planeta na “aldeia global” preconizada pelo canadense Marshall McLuhan, cerca de dois terços da humanidade neste final da segunda década do terceiro milênio da Era Cristã.
Desse contingente enorme, de 3,5 bilhões de seres humanos, perto de um terço vive uma situação muito pior (quase desesperadora) do que os outros. Está com as chances de mudar os rumos de suas vidas virtualmente bloqueadas, por se encontrar imerso nas trevas do desconhecimento quase absoluto.
Sua cabeça ainda permanece numa fase de civilização anterior à invenção dessa maravilha das maravilhas, que é o alfabeto. Referimo-nos ao um bilhão de indivíduos analfabetos, que por falta de um talento maior, que não seja o de utilizar somente a força de seus músculos, estão condenados a uma vida de privações, de incertezas e de angústias, em posição subalterna quer no campo profissional quer na escala social.
Estes, todavia, não sabem ler em decorrência de circunstâncias perversas e aziagas, alheias à sua vontade. Não leem e não escrevem não por desastrosa decisão pessoal, mas porque não tiveram (e não têm) a oportunidade de aprender. Há, todavia, um tipo de analfabetismo mais estranho e contundente: o dos que, sabendo ler, não leem. A estes Mário Quintana classifica, numa primorosa crônica, de “os verdadeiros analfabetos”. E não são?
Essa sua opção priva-os de maravilhas imensas, ditadas pela magia da leitura. Por que? É uma constatação tão óbvia, que me recuso a explicitá-la. Recorro, porém, ao romancista chileno Roberto Bolaño, que no romance “2666” (caudaloso livro, de 852 páginas, classificado pelos críticos literários do jornal “Folha de S. Paulo” como um dos dez melhores lançamentos editoriais de 2010), coloca, na boca de um dos personagens, esta pérola, a propósito da leitura: “Ler é como pensar, como rezar, como conversar com um amigo, como expor suas ideias, como ouvir as ideias dos outros, como ouvir música (sim, sim), como contemplar uma paisagem, como dar um passeio pela praia”.
Exagero? Longe disso. Afinal, como acentuou o ensaísta norte-americano Richard Steele, “a leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo”. Ou seja, é a maneira de robustecê-la e conservar sua sanidade. É o jeito de ampliar seu potencial. William Wordsworth atribui aos livros papel semelhante ao dos sonhos (a respeito dos quais escrevi recentemente). Mas vê certa vantagem nos segundos. Concordo com ele.
Vocês já imaginaram se, numa dessas catástrofes tão possíveis, fossem destruídos todos os livros já escritos e publicados no Planeta? Pior, e se ocorresse súbita amnésia coletiva, que fizesse com que todos, absolutamente todos os seres humanos, se esquecessem dos respectivos alfabetos, de suas gramáticas e técnicas da escrita? Em questão de dias, a humanidade retroagiria milênios, quem sabe às cavernas primitivas. Não quero nem pensar na mais remota possibilidade desse pesadelo se concretizar. Seria avassalador e catastrófico.
Jorge Luís Borges aventa uma hipótese menos radical do que a minha, mas ainda assim desastrosa: “Fala-se do desaparecimento ou da extinção do livro. Creio que isto é impossível. Dir-se-á: que diferença pode haver entre um livro e um jornal ou um disco? A diferença é que um jornal é lido para ser esquecido; um disco é ouvido, igualmente, para ser esquecido – é algo mecânico e, portanto, frívolo. O livro é lido para eternizar a memória”.
Numa outra citação, esta no prólogo da primeira edição de uma de suas obras mais geniais, a “História universal da infâmia”, Borges acentua: “Ler, além do mais, é uma atividade posterior à de escrever, é mais resignada, mais atenciosa, mais intelectual”. Mais adiante, arremata: “Às vezes acredito que os bons leitores são cisnes ainda mais negros e singulares que os bons autores”. Eu também, mestre, eu também.
Portanto, estimular as pessoas a lerem e a formarem esse saudável (e delicioso) hábito, é prestar-lhes supremo favor. É descortinar-lhes um mundo infinito de maravilhas. É, até, em alguns casos, preencher-lhe a solidão e fazer com que se sintam sempre em excelente e nobre companhia.
Quantas pessoas mundo afora, por exemplo, não se consolam, não com um livro, mas até com uma carta de algum ente querido e distante, lendo-a, relendo-a, tornando a lê-la, a relê-la dezenas, centenas, quiçá milhares de vezes?! Que magnífica magia é esta da leitura! Que privilégio nós, desta geração, temos, de contar com a oportunidade de acesso a este meio tão prático e relativamente barato de nos instruir, sonhar, crescer e evoluir!

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Monday, May 28, 2018

Reflexão do dia



NÃO É TANTO O SUCESSO QUE TRANSFORMA AS PESSOAS, MAS O FRACASSO
É voz corrente que o sucesso transforma para pior as pessoas. Que os bem-sucedidos se tornam arrogantes, prepotentes e indiferentes. Em alguns casos, isso, de fato, ocorre, mas está longe de ser a regra. É mera exceção. Quem age assim, é bem-sucedido por pouco tempo. Não tarda para que despenque da sua arrogância. Seu sucesso é parcial e transitório. O fracassado, sim, é perigoso. Alimenta antagonismos, mágoas, ressentimentos e desejos de vingança. Busca derrubar todos que vê pela frente. Por isso, sou levado a concordar com Sommerset Maugham, quando constata: “A ideia de que o sucesso deteriora as pessoas, fazendo-as vaidosas, egoístas e complacentes consigo próprias é errônea. Ao contrário, para a maioria delas, torna-as modestas, tolerantes e gentis. O fracasso é que faz as pessoas cruéis e amargas”. Apostemos, pois, no sucesso e saibamos saboreá-lo, sempre, com humildade, tolerância e gentileza e, principalmente, sem acomodação.

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DESAFIO E PROPOSTA


Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!

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CITAÇÃO DO DIA:

Centelha de liberdade 

Em Paris a luz explodiu em mim como uma centelha de liberdade, de revolução.

(Marc Chagall).


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DIRETO DO ARQUIVO - Mudamos a forma para valorizar o conteúdo


Mudamos a forma para valorizar o conteúdo


Pedro J. Bondaczuk

O seu jornal Campinas Hoje, como você certamente notou, entra, a partir desta edição, em uma nova fase editorial e gráfica, após haver completado, vitoriosamente, o seu primeiro ano de existência. Mudanças (embora muita gente as tema) são comuns e inevitáveis na vida das pessoas e das empresas. E são sempre bem vindas, desde que para melhor.

A natureza muda. A paisagem sofre contínuas alterações. As circunstâncias se modificam As pessoas evoluem ou regridem, de acordo com seus atos e omissões. As coisas mudam... A vida, enfim, dinâmica e ágil, é permanente acréscimo (ou decréscimo) de conhecimentos e de experiências (boas e más), uma contínua mudança.

Como não poderia deixar de ser, nós também decidimos mudar. E para melhor. Para isso contamos, mais uma vez, com sua paciência, cumplicidade e inestimável ajuda. Estamos abertos a críticas, opiniões e sugestões, para fazermos sempre um jornalismo construtivo, vibrante e "que crê". O jornal é seu e feito para você.

O Campinas Hoje muda, a partir desta edição, entre outras coisas, de visual. Passa a ter diagramação leve, com maior quantidade de imagens, cria vinhetas para ilustrar novas seções e passa a ter, por consequência, um aspecto gráfico muito mais atraente. Tudo, com o objetivo de facilitar, e de tornar mais agradável, a leitura.

Mas também alguns conceitos editoriais mudam, sem nunca perder de vista nossos princípios básicos, de fazer um jornalismo que tenha por fundamento e norma a defesa da verdade, do exercício pleno da cidadania e da justiça social, com idealismo, inteligência e responsabilidade.

O tamanho das matérias está sendo reduzido. Mas com o cuidado de não causar perda de informações. As reportagens passam a ser objetivas, diretas, claras, dinâmicas, nervosas, numa linguagem simples e acessível às pessoas dos mais diversos níveis de instrução e de cultura. Ganham, portanto, em agilidade, atualidade, objetividade e em interesse.

Ampliamos o nosso quadro de colaboradores, que nos trazem novas ideias. Criamos novas colunas fixas, com maior variedade de assuntos abordados. Conservamos, no entanto, aquilo que os leitores tanto apreciavam, em especial as úteis e tão lidas matérias sobre saúde.

A partir desta edição, além da seção "Em Off", que informa e comenta os bastidores da política na cidade e no País, estreia "Negócios & Finanças", com informações "quentes" e úteis sobre a economia nacional. "Arquibancada", (que vai estrear no próximo número), vai trazer comentários de esportes, sobretudo do futebol campineiro, na linguagem que você tanto gosta, descontraída, desbocada, irreverente e muitas vezes até pitoresca do torcedor.

Finalmente "Camera Aberta" fala das coisas sérias (e das nem tanto), e dos personagens que dão vida, graça e interesse à televisão brasileira, uma das melhores do mundo, apesar dos defeitos e excessos.

Esperamos que as mudanças sejam do seu pleno agrado. Envie-nos críticas e sugestões que, na medida do possível, serão acatadas. Queremos estabelecer (e conservar) total interatividade com você, leitor, para que o seu Campinas Hoje continue sendo sempre, e cada vez mais, o jornal da família campineira.

(Editorial publicado na página 1 do jornal Campinas Hoje em setembro de 2001)


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CRÕNICA DO DIA - Planejamento e decisão


Planejamento e decisão




Pedro J. Bondaczuk


A decisão – pelo que tive a oportunidade de abordar, em textos anteriores – é, sobretudo, ação. Para que seja, no entanto, eficaz e tenha índice de acerto pelo menos razoável, deve ser antecedida por meticuloso planejamento. E por que trago esse assunto à baila, em um espaço voltado à literatura? Simples, porque o escritor é instado, a todo o momento, a tomar decisões, como ademais todas as pessoas e profissionais das mais diversas áreas, sobretudo sobre as referentes a o que escrever, como fazê-lo, de que maneira publicar o que foi escrito, quais providências tomar para que seus livros não encalhem nas prateleiras das livrarias e vai por aí afora.

Se planejando determinada ação ou empreendimento não há garantias de sucesso, sem planejar há quase certeza de malogro. No final das contas, o escritor pode (e deve) ser tratado como microempresa, que de fato é, de quem se requer organização e eficácia para que se dê bem no que faz. O gênio em ciências sociais e administração de empresas, Peter Drucker, chega mesmo a prever que, em função do planejamento, o ato de tomada de decisão, em futuro próximo, vai se tornar seguro e virtualmente à prova de erros. Este é, e sempre deve ser, o grande objetivo das pessoas inteligentes e práticas.

Pode ser que se trate de excesso de otimismo, admito. Mas o escritor inglês prevê que a empresa tende a ser, dentro de poucos anos, em termos administrativos, como uma “orquestra sinfônica” ou “hospital”. Drucker afirma, textualmente, em artigo publicado na edição janeiro/fevereiro de 1988 da revista “Harvard Business Review”:

Em sua estrutura, em seus problemas gerenciais e em suas preocupações, as empresas terão muito pouca semelhança com a companhia manufatureira típica da década de 1950, que os manuais escolares ainda consideram a norma. Lembrarão, muito mais, as organizações às quais nem o administrador prático nem o administrador erudito dedicam hoje muita atenção: o hospital, a universidade, a orquestra sinfônica. Como estas, a empresa típica será baseada no conhecimento, e constituída, em grande parte, de especialistas que orientam e disciplinam seu próprio desempenho por meio das informações organizadas dos colegas, dos fregueses e de suas matrizes. Será aquilo a que eu denomino uma organização baseada na informação”.

Por isso, líderes com poder de decisão – seja em que ramo e em que nível for – não podem prescindir de um plano de ação. É evidente que este pode (e deve) ser flexível e comportar sucessivos aperfeiçoamentos, de acordo com as circunstâncias e necessidades. Mas decisões impulsivas, ou intuitivas, estão com os dias contados. Antes de abordar o planejamento, como instrumento eficaz para a tomada de decisões sensatas e que proporcionem o retorno desejado, abro um breve parêntesis, para concluir a lista de lições enunciadas por Ernest Dichter no livro “Espelho, Espelho Meu, Existe Gerente Mais Eficaz que Eu?” (Editora McGraw Hill) sobre o assunto, que citei em textos anteriores.

As “dicas” analisadas foram: 1º) A inclusão de fatores emocionais; 2º) A prática do jogo do “o que se”; 3º) O cuidado de assegurar-se que o mundo está mudando; 4º) A decisão de correr riscos; 5º) A discussão com colaboradores confiáveis e 6º) Dormir em cima do problema, mas sem procrastinar a decisão. A sétima, e última, lição de Dichter (mas nem por isso menos importante, ao contrário) é: “Imunize-se contra a autocensura”. Há administradores (e pessoas, entre as quais os escritores) que são severos em excesso consigo próprios. Perfeccionistas, não admitem erros nas decisões, mesmo que se tratem de problemas tão complexos, que tenham margem ínfima de acertos.

Essas pessoas, após duas ou três falhas (consecutivas ou não), tendem a se tornar inseguras, vacilantes, quando não a se omitir da tomada de novas decisões, seja de que natureza forem, repassando a prerrogativa a subalternos. Com isso, prejudicam a própria reputação e privam, muitas vezes, as empresas que deveriam administrar de um líder eficiente e bem preparado. Há, até mesmo, os que se demitem e encerram a carreira.

Mas errar é humano. Ter noção adequada das próprias deficiências, na medida certa, é virtude e não defeito. Os administradores que têm senso de autocrítica (desde que não descambem para o extremo do exagero), tendem a fazer cursos de aperfeiçoamento, se cercar de colaboradores experientes e talentosos e suprem suas deficiências. Dificilmente irão cometer a mesma falha duas vezes. Para tudo na vida, no entanto, é necessária a dose adequada de moderação.

Nem tanto ao céu e nem tanto à terra”, recomenda o bom senso. Houve, até mesmo, um líder religioso que constatou que “virtude em excesso é defeito”. Descamba para a soberba, que é um dos sete pecados capitais. Dichter aconselha: “Prepare a si mesmo para a recriminação de tomar uma decisão errada, mas não deixe que isso pare você. Então, se o telhado cair, você já terá vivido a agonia em sua mente”.

Por mínima que seja a possibilidade de erro numa decisão, não existe a que lhe dê 100% de segurança. Lembre-se sempre disso e procure usar a maior dose possível de bom senso antes de decidir o que quer que seja. Isso, é claro, se você puder agir dessa maneira. Nem sempre se pode. Há decisões que temos que tomar instantaneamente, em ínfima fração de segundos, por “reflexo”, como o exemplo do animal na estrada, que mencionei nas considerações feitas em texto anterior, da qual você tem que decidir se para o carro para espantá-lo ou segue em frente, na presunção de que ele se assuste e saia por si só do caminho.

Há decisões longamente pesadas, analisadas e planejadas e há as tomadas no impulso, sem nenhum critério. Estas últimas, em geral, são irresponsáveis e dificilmente são as adequadas para a ocasião. Não raro, causam enormes prejuízos aos que são afetados por elas. Políticos, por exemplo, quando não levam em conta os interesses da comunidade, à qual representam, e se preocupam apenas com interesses particulares ou de grupos a que estão ligados, quase sempre decidem as coisas de forma desastrosa e inadequada. Carecem da indispensável autocensura e se dão mal. A esse respeito, o sociólogo norte-americano C. Wright Mills afirma, no livro “White Collar” (“Colarinho Branco”), publicado em 1951:

Quando decisões irresponsáveis prevalecem e os valores não são distribuídos proporcionalmente, o logro universal precisa ser praticado por e para quem toma as decisões e tem a maioria dos valores que deve ter. Crescente número de homens e mulheres intelectuais trabalha dentro de poderosos ambientes burocráticos e para os relativamente poucos que tomam as decisões... Se, como nunca antes, os intelectuais acham difícil localizar seus mestres nos mecanismos impessoais de autoridade em que trabalham, isto, apesar das angústias que talvez lhes cause às vezes, torna mais possíveis as posturas de objetividade e integridade que continuam a imaginar”.

As decisões rotineiras de uma empresa, por exemplo, para que se conserve alta (ou aumente) sua produtividade e, consequentemente, os lucros, devem estar baseadas em bem elaborados e previamente testados planos de ação, realísticos e competentes, fundamentados em dados exatos e concretos.

Volto, pois, à definição de administração, no conceito de Peter Drucker: “Uso eficaz e eficiente dos recursos disponíveis para a obtenção dos resultados desejados”. Estão aí os fundamentos para um plano de ação funcional, que deem sustentação a qualquer espécie de decisão empresarial, sem maiores riscos, sem sustos e nem surpresas desagradáveis e com pouca margem para fracassos.

Michael J. Kami, que menciona e analisa esses princípios no livro “Um...Dois...Três...Ação!! Momento de Decisão” (Editora McGraw Hill), se detém em cada palavra chave da citação de Drucker, para comprovar sua exatidão. Analisemos, com Michael J. Kami, a definição de Peter Drucker para administração: “Uso eficaz e eficiente dos recursos disponíveis para a obtenção dos resultados desejados”. Vejamos o que há por trás dessa afirmação. Cada palavra chave sintetiza um plano de ação para as empresas. Kami recomenda, inclusive, que as citadas palavras chaves devam “gerar medidas para segunda-feira de manhã”. Eis, portanto, caro leitor, o que você pode (e deve) fazer logo amanhã cedo, assim que começar o seu expediente da semana, para melhorar o desempenho da sua empresa e para fundamentar suas decisões, evitando erros e, consequentemente, prejuízos.

Eficaz – Analise a eficácia da sua empresa. Para tanto, Kami propõe duas perguntas, que devem ser respondidas com absoluta sinceridade; 1ª) “Todas as operações estão sendo realizadas conforme o cronograma e os planos?”. 2ª) “O cliente está satisfeito?”. Se as respostas forem positivas, passe para o segundo item. Caso sejam negativas, porém, analise o que está ocorrendo. O cronograma não é realista face aos recursos disponíveis? Os planos são avançados demais, ou muito tímidos, para o potencial da sua empresa? O que não está funcionando bem? Como fazer com que a “peça” (ou peças) deficiente atue como o esperado? Qual o nível de insatisfação do seu cliente? Muito grande, médio ou pequeno? Qual o motivo? Como corrigir a deficiência para contentar o cliente?

Eficiente – Equacionada a questão da eficácia, detenha-se na eficiência. Para tanto, faça, igualmente, algumas perguntinhas chaves. Kami recomenda pelo menos três questões: 1ª) “A eficácia gera lucros?”. 2ª)”Os custos estão sob controle?”. 3ª) “Os custos estão corretos?”. Muitas vezes a administração de uma empresa pode estar sendo eficaz, do ponto de vista da satisfação do cliente e, no entanto, pode estar operando no vermelho. Onde estaria a falha? Na margem de lucro? As técnicas de venda seriam inadequadas? Ou nos custos? Provavelmente nestes últimos...

Recursos disponíveis – O terceiro ponto chave da definição de Drucker é este. Kami recomenda o seguinte questionamento a respeito: 1º) “Os recursos humanos e materiais foram cuidadosamente analisados quanto à disponibilidade, desempenho e custo?”. 2º) “Poderiam ser substituídos por recursos menos dispendiosos ou mais modernos?”. Às vezes uma empresa apresenta grande eficácia, tem eficiência, mas os lucros são mínimos, quando as despesas não empatam com as receitas. Isto pode estar ocorrendo, por exemplo, por causa da exploração inadequada dos recursos humanos e/ou materiais ao seu dispor. Essa disponibilidade pode estar ou na própria empresa ou, o que é pior, no mercado. Se os recursos existentes na empresa forem mais dispendiosos, ou menos modernos, do que ela necessitar, a decisão a ser tomada é óbvia. Em caso contrário, uma análise mais criteriosa tende a indicar os caminhos adequados para o aproveitamento racional daquilo que ela dispõe e que não está sendo explorado da forma que deveria para o aumento da rentabilidade.

Resultados desejados – Aí, as perguntas sugeridas por Kami são três, que dispensam comentários: 1º) “Quais são, precisamente, os resultados esperados?”. 2º) “Os objetivos foram claramente analisados e definidos?”. 3º) “Os objetivos são apropriados à situação?”.

Reflita a respeito. Mentalize as sugestões. Faça a correção de rumos, caso seja necessário, ou mantenha mo curso caso esteja no caminho certo. E tome as decisões corretas para garantir o êxito da sua vida, da sua empresa, da sua carreira ou da sua trajetória de escritor, se for o caso.


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