Thursday, September 30, 2010







O semeador, da parábola de Cristo, lançou primeiro sua semente por entre as pedras. Mesmo tendo germinado, a planta embrionária não tinha como fixar raízes, dada a rigidez do solo. Não havia humus. Inexistia a umidade. Faltavam, portanto, o alimento e a água. Dessa forma, ou os pássaros devoraram o que foi semeado, ou o sol crestou a semente, a inutilizando. A segunda foi lançada sobre a areia, em meio a urzes. Germinou, fixou raízes, mas estas não tinham firmeza. Um simples vento arrancou a planta em formação, matando-a ou as ervas daninhas sufocaram-na. A terceira semente, no entanto, caiu em terra fértil. Germinou, radicou-se, desenvolveu-se, cresceu e frutificou. Assim são as mensagens espalhadas pelos idealistas. Têm que ser múltiplas e semeadas incansavelmente. Mesmo assim há riscos de nenhuma delas vingar. Compete ao semeador tentar, tentar e tentar indefinidamente, enquanto viver. Persistir na persistência.



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Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte), uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.

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Aos trancos e barrancos

Pedro J. Bondaczuk

Superada a fase inicial da Copa do Mundo de 1998, na França, com a dramática classificação brasileira para as oitavas de final, a Seleção, aos trancos e barrancos, ora jogando o fino da bola, ora na base da pura raça e da empolgação, foi galgando, pouco a pouco, degrau a degrau, as várias etapas da competição, rumo à chance disputar o penta. Esta foi conseguida. Mas... acabou desperdiçada.
Diga-se a bem da verdade que os anfitriões, os franceses, não fizeram nenhuma campanha esfuziante, dessas de ficar na história. Também penaram para se garantir nas finais. Mas essa é uma outra história, que será narrada na sequência.
Ademais, meu foco, nesta série de reminiscências, é o Brasil e apenas ele. Os outros, cito apenas incidentalmente, à medida que cruzam nosso caminho. A seleção do Chile cruzou, em 27 de junho de 1998. Levou azar. Pegou o Brasil inspirado e disposto a se redimir do vexame do jogo anterior, em que foi derrotado pela inexpressiva Noruega. Essas coisas acontecem.
A partida, válida pelas oitavas de final, foi disputada no Parc des Princes, em Paris, com arbitragem do francês Marc Batta. Os chilenos, que em toda a história nos venceram somente seis vezes, mas nunca em competições importantes, como copa do mundo ou eliminatórias, queriam quebrar essa escrita. “Se a Noruega pôde, nós também podemos”, deve ter raciocinado o seu técnico. Só que as coisas não são assim. Cada jogo tem a sua própria história e circunstâncias peculiares.
O Chile tinha boa seleção, com destaque para a dupla Salas e Zamorano, principalmente este último, que era astro do Real Madrid. Zagallo mandou a campo, nesse dia, os seguintes jogadores: Taffarel, Cafu, Junior Baiano, Aldair (Gonçalves) e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Leonardo e Rivaldo; Bebeto (Denilson) e Ronaldo.
Os chilenos deram muito azar. Pegaram o Brasil num daqueles dias inspirados que, quando acontecem, o tornam rigorosamente imbatível. Quem estava particularmente com a macaca naquela oportunidade era o volante César Sampaio, que fez dois gols em sequência, aos 11 e aos 26 minutos do primeiro tempo. Ronaldo, de pênalti, completou o marcador da primeira etapa. Os dois times foram para os vestiários com o placar marcando 3 a 0 para o Brasil.
Nos 45 minutos finais, os chilenos não tinham mais o que perder. Perdido por um, perdido por mil. Por esse motivo, lançaram-se ao ataque e até conseguiram diminuir a diferença aos 23 minutos, com gol de Salas. Mas Ronaldo acabou logo com a festa. Apenas dois minutos depois, aos 25, fez 4 a 1 e ainda foi pouco. Se o Brasil forçasse, teria feito um placar bem maior.
De qualquer forma, para a surpresa de muita gente, lá estava a nossa seleção nas quartas de final. O adversário era mais perigoso. Não que tivesse futebol brilhante, ou camisa de peso, nada disso. Mas era uma equipe fisicamente vigorosa, de forte marcação, doida para nos surpreender. E por pouco conseguiu. Era a tal da Dinamarca.
O jogo foi realizado em 3 de julho de 1998, em Nantes, no Estádio La Beaujoire – Louis Fonteneau, com arbitragem do egípcio Gamal Gandhour. Os dinamarqueses começaram de forma fulminante, surpreendendo nossa equipe, com um gol logo aos 2 minutos de jogo, o que, quando ocorre, tende a desestabilizar qualquer time. O autor da façanha foi Jorgensen. Ainda no primeiro tempo, contudo, Bebeto empatou aos 10 e Rivaldo virou a partida aos 26.
O Brasil jogou, nesse dia, com: Taffarel, Cafu, Junior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio (Zé Roberto), Leonardo (Emerson) e Rivaldo; Bebeto (Denilson) e Ronaldo. Os dinamarqueses voltaram a marcar, no comecinho do segundo tempo, aos 5 minutos, com Brian Laudrup. O jogo ficou aberto, diria escancarado, com as duas equipes se lançando ao ataque. Junior Baiano quase põe tudo a perder. Cometeu um pênalti bobo, agarrando um atacante dinamarquês pela camisa na pequena área, que para a nossa sorte, nem o árbitro viu e nem a câmera da TV que transmitia o jogo conseguiu captar. Mas um cinegrafista amador gravou o lance de um ângulo privilegiado e essa gravação rodou o mundo após a partida.
Rivaldo, todavia, se encarregou, aos 15 minutos, de acabar com a nossa angústia. Fez o gol salvador que garantiu a seleção na semifinal. Parecia um sonho. Mais uma vez, o Brasil chegava longe, mesmo sem uma equipe tida como ideal e sem jogar nenhuma maravilha.
Faltava somente vencer um obstáculo para qualificar-se à disputa do penta. Esse, porém, consistia num adversário temível, traiçoeiro, diria fatalista: a Holanda. De novo?! Os holandeses, certamente, buscariam revanche da derrota que sofreram para nós quatro anos antes, em 1994, nos Estados Unidos. Contavam com uma das melhores seleções que já conseguiram formar, que tinha o goleiro Van der Sar (ainda em plena atividade), os irmãos De Boer (Frank e Ronald), Cocu, Davids, Seedorf, Bergkamp e Kluivert. Era um timaço!
Quando Ronaldo fez o gol brasileiro logo no primeiro minuto de partida, pareceu que desta vez a história seria diferente. Mas quem esperava facilidade, não tardou a cair na realidade. Kluivert empatou o jogo ainda no primeiro tempo, aos 42 minutos. No segundo, ambas seleções levaram perigo uma à meta da outra, mas não conseguiram mexer no placar. O jogo terminou empatado e foi para a prorrogação. E nessa, também, as defesas não permitiram coisa alguma aos ataques.
E lá foi o Brasil para a terceira decisão por pênaltis em sua história em mundiais. A primeira, havia ocorrido em 1986, diante da França. Perdemos. A segunda aconteceu há quatro anos, nos Estados Unidos, contra a Itália. Ganhamos e conquistamos o tetra. E agora, como seria?
Brilhou intensamente a estrela de Taffarel, um goleiraço! O Brasil converteu todas as suas quatro cobranças através de Ronaldo, Rivaldo, Emerson e Dunga. Frank de Boer e Bergkamp marcaram para os holandeses. Mas nosso goleiro defendeu os pênaltis chutados por Cocu e Ronald de Boer.
Aos trancos e barrancos, alternando boas e más partidas, a Seleção Brasileira chegava à sua sexta final de Copa do Mundo. Nesse dia jogaram, contra a Holanda: Taqffarel, Zé Carlos, Junior Baiano, Aldair E Roberto Carlos; Du8nga, César Sampaio, Leonardo (Emerson) e Rivaldo. Bebeto (Denilson) e Ronaldo. Esse grupo guerreiro estava a um passo, um único e reles passo, do pentacampeonato. Mas...

Wednesday, September 29, 2010







Os homens criativos, que têm algo a acrescentar às suas comunidades, desde seu restrito e particular núcleo familiar à própria e gigantesca família humana, precisam contar não com uma, duas, cinco, dez ou cem "sementes". Devem ter milhares delas, para espalhar por todas as partes. Jesus Cristo, em uma de suas mais profundas parábolas, tratou desse tema. Destacou as dificuldades das mensagens espalhadas frutificarem, em virtude do "solo" (no caso a mente das pessoas que são alvos do que se pretende semear) muitas vezes não ser propício. Os tíbios, os egoístas e os acomodados, mesmo que semeiem ideais, quase sempre fracassam. E o insucesso deve-se à insuficiência de sementes. Basta que estas caiam em lugar errado para que seu empenho acabe sendo vão. Desistem. Ou querem colher frutos pessoais mesmo onde estes não existam e sejam impossíveis de existir.
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Classificação com derrota

Pedro J. Bondaczuk

O Brasil classificou-se para as oitavas de final da Copa do Mundo de 1998, na França, com uma derrota, fato raro na trajetória da Seleção em partidas de primeira fase nos mundiais que disputou, que foram todos os já realizados. Mas... não atropelemos a sequência da narrativa e vamos por partes.
A estréia brasileira ocorreu em 13 de junho de 1998, no Stade de France, em Saint-Denis, subúrbio de Paris. A adversária foi uma velha conhecida, que sempre nos deu trabalho, embora nunca tenha nos vencido: a Escócia.
O jogo foi como se esperava, amarrado, feio, truncado e chato de se ver. O Brasil não jogou uma partida brilhante, mas fez pro gasto. A má performance foi atribuída ao nervosismo da estréia. E a gente deu um desconto.
O árbitro foi o espanhol José Garcia Aranda e Zagallo mandou a campo a seguinte formação: Taffarel, Cafu, Junior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Giovanni (Leonardo) e Rivaldo; Bebeto (Denilson) e Ronaldo.
César Sampaio abriu o placar logo aos 4 minutos do primeiro tempo e tudo indicava que a vitória viria facilmente e por uma contagem folgada. Engano. A Escócia empatou ainda no primeiro tempo, através de Collins, na cobrança de uma penalidade máxima aos 37 minutos. No segundo tempo, o Brasil tentou, tentou e tentou, mas de forma equivocada. Ora as jogadas eram muito centralizadas, facilitando a marcação, ora caracterizavam-se por sucessivos cruzamentos para a área, para Ronaldo, que como todos sabem, não era bom no cabeceio. O alívio viria somente aos 27 minutos da segunda etapa e com uma ajudazinha do adversário, do lateral esquerdo escocês Boyd, que fez um gol contra, decretando o placar final de 2 para o Brasil e 1 para a Escócia. Ufa!!!
O jogo seguinte ocorreu em 16 de junho, na cidade de Nantes, mais especificamente no Estádio La Beaujoire´- Louis Fonteneau. O adversário era africano, o Marrocos, estreante em copas. Havia certa apreensão por parte da torcida brasileira, mas o bicho não era tão feio como parecia.
O jogo foi arbitrado pelo russo Nikolai Levnikov e a Seleção jogou com: Taffarel, Cafu, Junior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio (Doriva), Leonardo e Rivaldo (Denilson); Bebeto (Edmundo) e Ronaldo.
Foi a melhor apresentação brasileira nessa Copa. O placar foi aberto logo aos 9 minutos por Ronaldo e o primeiro tempo terminou com 2 a 0, com o gol de Rivaldo aos 47 minutos. Na segunda etapa, o Brasil nitidamente se poupou, já que os marroquinos estavam batendo bastante. A equipe tocou bem a bola e o terceiro gol surgiu naturalmente, através de Bebeto, logo aos cinco minutos.
Uma semana depois, todavia, viria a surpresa. A Seleção estava virtualmente classificada e, dependendo do resultado entre Escócia e Marrocos, se classificaria até com derrota. Claro que ninguém admitia e sequer cogitava dessa possibilidade. O adversário, a Noruega, não tinha nenhuma tradição em Copa e, convenhamos, não era potência futebolística sequer de segunda linha.
O jogo foi disputado em 23 de junho de 1998, em Marselha, no Stade Velodrome, com arbitragem do no0rte-americano Esfandiar Bahrast. Zagallo mexeu na equipe e mandou a campo: Taffarel, Cafu, Junior Baiano, Gonçalves e Roberto Carlos; Dunga, Leonardo, Rivaldo e Denilson; Bebeto e Ronaldo.
Quando Bebeto abriu o marcador aos 32 minutos do primeiro tempo, parecia que a vitória seria tranqüila, embora a Seleção não jogasse bem. O time errava muitos passes, o que propiciava perigosos contra-ataques dos noruegueses, que empataram cinco minutos depois, através de Tore Andre Flo, aos 37.
Os dois times foram para os vestiários com o placar de 1 a 1. Na segunda etapa, o jogo continuou amarrado e feio. Tudo indicava que terminaria empatado. E o marcador ficaria igual mesmo caso Junior Baiano não cometesse um penal, aos 43 minutos, convertido por Rekjdal.
Era a zebra passeando em Marselha e atropelando a nossa Seleção. Àquela altura, nem o mais otimista dos otimistas acreditava que o Brasil iria longe naquela Copa. Sabem, porém, o que aconteceu? Para surpresa geral...foi até a final. Aí...todos sabem o que aconteceu.

Tuesday, September 28, 2010







A propósito dos abnegados semeadores de ideais, que raramente (ou nunca) colhem aquilo que semearam, e se o fazem, jamais é em proveito próprio, o padre Antônio Vieira (um desses seres raros e preciosos que iluminaram os caminhos da humanidade) fez uma profunda reflexão, em um dos seus inesquecíveis sermões, que atravessaram três séculos, por sua forma e conteúdo serem primorosos. Constata o erudito sacerdote: "Nas outras artes, tudo é arte; na música tudo se faz por compasso, na arquitetura tudo se faz por regra, na aritmética tudo se faz por conta, na geografia tudo se faz por medida. O semear não é assim. É uma arte sem arte: caia onde cair".

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Seleção renovada

Pedro J. Bondaczuk

Mário Jorge Lobo Zagallo, um dos desportistas mais vencedores da história do futebol brasileiro (quer como jogador, quer como treinador ou supervisor), assumiu, mais uma vez, a exemplo do que já havia feito em 1970 e em 1974, o comando técnico da Seleção antes da Copa do Mundo de 1998, na França, com o desafio de repetir o feito do amigo e ex-auxiliar, Carlos Alberto Parreira no Mundial de 1994 nos Estados Unidos e conduzir o Brasil ao penta. Quase conseguiu. Faltou muito pouco. Faltaram noventa minutos e tantos de eficiência, somente, mas que fizeram toda a diferença.
O Velho Lobo, como era (e é) carinhosamente chamado pelos admiradores (entre os quais me incluo), já havia conquistado três títulos, sendo dois como jogador (1958 e 1962) e um como treinador (em 1970). Infelizmente, fatores extra campo, até hoje mal explicados, impediram que conseguisse sua quarta conquista pessoal. Mas chegou perto, muito perto.
Apesar do sucesso da Seleção em 1994, quatro anos depois apenas sete jogadores mantiveram-se (na verdade, foram mantidos) na equipe: Taffarel, Cafu, Aldair, Dunga, Leonardo, Ronaldo e Bebeto. O oitavo seria Romário, que foi cortado às vésperas do início da Copa, corte que gerou muito diz-que-diz-que na ocasião.
A alegação para excluir o Baixinho de participar de sua terceira competição mundial fora a de que não se recuperaria a tempo de uma contusão que sofrera semanas antes da convocação, o que o impediria de disputar o Mundial em alto nível.
O curioso foi que, na véspera da estréia do Brasil em gramados franceses, o atacante jogou normalmente por seu clube, sem nada sentir. Até hoje se diz, portanto, que o atleta foi cortado prematura e precipitadamente, embora os membros da comissão técnica neguem até hoje essa suposta precipitação.
Como sempre acontece, houve muitas críticas em relação a alguns dos convocados por Zagallo, como o lateral direito do São Paulo, Zé Carlos; o central do Flamengo, Júnior Baiano e o zagueiro do Botafogo, Gonçalves. Em contrapartida, foram reclamados entre dez a quinze nomes que, no entender do torcedor, teriam sido esquecidos. Até aí, portanto, nenhuma novidade. Sempre foi assim. Quando se trata de Seleção Brasileira, nunca houve, não há e duvido que algum dia haja consenso em torno dos convocáveis e, em especial, dos convocados.
Outro aspecto a se observar é que, apesar do êxodo dos jogadores brasileiros para o exterior, Zagallo ainda encontrou oito selecionáveis jogando no País: Carlos Germano (Vasco da Gama), Dida (Cruzeiro), Gonçalves e Bebeto (Botafogo), Júnior Baiano e Zé Roberto (Flamengo) e Zé Carlos e Denilson (São Paulo). Desses, porém, só dois compuseram o time base.
Tenho minhas dúvidas sobre se os que foram chamados eram, de fato, os que ostentavam a melhor forma na ocasião e se o grupo era o que tínhamos de melhor. Essa avaliação, todavia (admito) é sumamente subjetiva. Não há como não admitir que, quando se trata de Seleção (e isso não é novidade para ninguém), cada brasileiro se arvora em técnico. Apesar das possíveis restrições, todavia, não se pode negar que aquele era um grupo muito bom, com plenas condições de disputar de igual para igual com qualquer outra seleção e até de conquistar o tal do penta.
Zagallo levou para a França os seguintes jogadores:
Goleiros: Taffarel (Galatasaray da Turquia), Carlos Germano (Vasco da Gama) e Dida (Cruzeiro).
Laterais: Cafu (Roma), Zé Carlos (São Paulo), Roberto Carlos (Real Madrid) e André Cruz (Milan).
Zagueiros: Aldair (Roma), Júnior Baiano (Flamengo0 e Gonçalves (Botafogo).
Meio campistas: César Sampaio (Yokohama Marinos do Japão), Giovani (Barcelona), Dunga (Júbilo Iwata do Japão), Rivaldo (Barcelona), Emerson (Bayer Leverkusen), Zé Roberto (Flamengo), Doriva (Futebol Clube do Porto), Leonardo (Milan) e Denilson (São Paulo).l
Atacantes: Ronaldo (Internazionale de Milão), Bebeto (Botafogo) e Edmundo (Fiorentina).
Alguns desses jogadores (sobre os quais falaremos muito ainda) entrariam para a história, quatro anos mais na tarde, ao conquistarem para o Brasil a primeira Copa do Mundo do século XXI. A maioria, porém, perderia o “bonde da história” e lamentaria a perda da oportunidade de suas vidas, a da consagração, ao chegarem “apenas” em segundo lugar. E vice, para nós brasileiros, não vale nada. Diz o famoso ditado: “aos perde3dores, as batatas”.

Monday, September 27, 2010







O homem evoluído, que tem consciência do seu papel no mundo e se empenha na sua realização (raridade em todos os tempos), sem esperar vantagem material, é, sobretudo, generoso. A evolução da espécie humana deve tudo a essas pessoas abnegadas, que surgem a cada geração, determinando saltos evolutivos desse estranho e precioso animal que pensa (ou pelo menos conta com essa capacidade), mas que nem sempre dá um sentido positivo ao pensamento. Tais indivíduos são os responsáveis pelas descobertas científicas, pelo desenvolvimento das artes, pela Justiça, pela organização política e social, pelos sistemas econômicos e pela geração e veiculação de idéias. Sua característica marcante é a generosidade. Semeiam inteligência e princípios incansavelmente, sem sequer atentar para o "solo" onde as sementes irão cair. Dão oportunidade a todos os que queiram usufruir de sua ação, sem nenhuma espécie de preconceito ou discriminação.
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Ano que ainda é incógnita

Pedro J. Bondaczuk

O ano de 1998 foi bastante confuso para mim e até hoje não sei dizer se foi positivo ou negativo. Neutro é que não foi. Vivi situações que se enquadravam em ambas as condições: favoráveis e adversas. Tive vitórias surpreendentes e decisivas e fracassos inesperados e clamorosos.
Em certa medida, a mesma coisa aconteceu com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1998, na França. Houve um mau início, que parecia que poria tudo a perder, com uma derrota que sofreu logo na primeira fase – fato raríssimo envolvendo o Brasil nessa etapa em todos os mundiais que disputou – o que “balançou” a fé do torcedor que, do otimismo exagerado resultante da inesperada conquista do tetra em 1994, descambou para um amargo pessimismo, quando não rigoroso ceticismo, o mesmo ou semelhante ao de 1990.
Contudo, bem ou mal, aos trancos e barrancos, na base ora da superação, ora da sorte, mesmo jogando pior do que há quatro anos, os ora comandados de Zagallo foram galgando degrau por degrau até... chegarem à final. Aí, o ânimo do torcedor deu nova reviravolta, de 360 graus. Passou da depressão à euforia. E essa até que se justificava. Perderamos, até então, uma única decisão de título, a de 1950 (justamente a disputada em nossos domínios). Em contrapartida, ganháramos quatro.
As probabilidades, portanto, nos favoreciam, caso as estatísticas contassem (evidentemente, não contavam). “Não podemos perder essa Copa! Não perderemos! Chegamos às finais! Seremos pentacampeões!”, era o sentimento de boa parte dos brasileiros. E o meu também, claro.
Tanta expectativa faz com que, até hoje, persista viva a tal “teoria da conspiração”. Há quem jure que o Brasil “vendeu” aquele mundial, face à suposta garantia de que ganharia o próximo. Por mais que isso pareça uma paranóia, uma estupidez, uma imensa bobagem (e entendo que seja), coincidência ou não, a Copa seguinte foi, de fato, vencida por nós. E a França foi desclassificada logo na primeira fase e sem fazer um único gol.
Não acredito que tenha havido “marmelada”. Pelo menos a minha parte racional, aquela que raciocina com lógica, cartesianamente, baseada em fatos, não aceita essa e nenhuma outra teoria conspiratória. Mas no meu íntimo, bem no fundo do subconsciente, um travesso “anjinho do mal”, aquele que desconfia de tudo e de todos, sussurra palavras de desconfiança e me cochicha perguntas incômodas como: “Você tem certeza de que não houve armação? Baseado no quê? A Seleção da França era mesmo a melhor? O que houve, de fato, com Ronaldo, horas antes da decisão? Por que o atleta, depois desse dia, nunca mais teve esse tipo de problema (que, ademais, jamais havia tido antes)?”.
Bobagem minha? Provavelmente, sim. Mas... Na minha cabeça há uma série de coisas que cercam essa Copa que não se encaixam. E tinham que acontecer justo na e com a França! Há muito que os franceses se transformaram em “asa negra” do nosso futebol. Basta lembrar de 1986. Ou, avançando no tempo, de 2006.
Apesar dos pesares, porém, esse vice ainda não doeu tanto quanto o de 1950. Espero que não haja nenhum repeteco em 2014 e que esse seja, de fato, o ano do hexa. O segundo lugar da Copa que marcou a metade do século XX machucou tanto porque a derrota contra o Uruguai aconteceu em casa e num jogo que só nos bastava um empate e numa competição em que o Brasil havia passado, como um rolo compressor, por sobre todos os adversários.
Já em 1998, não foi assim. Houve um péssimo início. Portanto, tudo o que viesse em seguida (caso viesse) seria lucro. A classificação, vocês devem se lembrar, veio na base do sofrimento, às vezes da sorte, até mesmo por erro de arbitragem (como o pênalti que o árbitro não viu de Junior Baiano no jogo contra a Dinamarca), inclusive com decisão na loteria das penalidades.
Quanto ao meu ano de 1998, foi, acima de tudo, sumamente trabalhoso. Até hoje não sei como suportei tamanha carga de esforço e de responsabilidade. Eu estava, na ocasião da disputa da Copa da França, com 55 anos e meio (lembro que faço aniversário em janeiro). Aposentara-me no ano anterior, mas decidira continuar trabalhando. Por que não? No gozo de plena saúde física e mental, por que parar? Não via razão para tal.
Só que eu não precisava exagerar nas atividades. Mas exagerava e demais. No Correio Popular, trabalhava 16 horas por dia, acumulando duas editorias: as de Opinião e Brasil. No começo do ano havia sido pior. Havia coberto as férias do editorialista, assumindo, pois, a tarefa sobressalente de redigir os editoriais, ou seja, o pensamento oficial do jornal. Nos anos que permaneci no Correio Popular, totalizei 500 desses textos. E sempre substituindo o titular da função. Tenho cópia de todos eles preservadas na memória do meu computador.
No período da Copa, para me complicar ainda mais, assumi tarefas sobressalentes, sem abrir mão de nenhuma das que vinha executando rotineiramente. Como o jornal mandou equipe própria para a França, para a cobertura do mundial, coube-me a responsabilidade sobressalente de editar o caderno especial diário alusivo ao evento, e que eu fechava bem antes de iniciar o processo de fechamento das minhas duas editorias oficiais: Opinião e Brasil.
Para complicar, havia problemas graves na família que eu era solicitado a resolver. Essa foi uma das coisas ruins a que me referi antes, ocorridas naquele ano. Mas as boas traziam, também, exigências que me reduziam a satisfação que deveriam gerar. Em 1998, por exemplo, lancei meu segundo livro, “Por uma nova utopia”, na Bienal de São Paulo. Tive, pois, que fazer das tripas coração para dar conta de noites de autógrafo. Para promover esse lançamento, abri mão do descanso de fim de semana, da vida social, do contato com a família e do lazer. Utilizava sábados e domingos (isso quando não tinha plantão) para rápidas (e cansativas) viagens pelo interior de São Paulo, para falar desse meu “filho espiritual”. E havia, ainda, as palestras.
Com tanto esforço, autodisciplina e dedicação, eu merecia muitas e grandes satisfações, vocês não acham? Mas o que tive, em 1998, foi uma baita decepção, para fechar de forma melancólica o ano. E ela veio após o Mundial da França.
Embora os suplementos especiais da Copa que editei fossem um sucesso (quer editorial, quer comercial), apesar de, com meu esforço, o jornal economizar dois editores (eu fazia a função de três), surgiu inconciliável divergência minha com a cúpula diretiva da empresa, sobre métodos de trabalho e principalmente sobre conceitos de jornalismo.
Diante desse impasse, só concordamos numa única coisa: no meu desligamento “amigável” (nem tanto) do Correio Popular. E até hoje não consigo definir se 1998 foi um ano bom ou ruim. Ou se na Copa do Mundo da França o Brasil saiu no lucro (por causa do mau início) ou no prejuízo com o seu segundo vice-campeonato.

Sunday, September 26, 2010







O escritor Raduan Nassar expressa: "No fundo, no fundo mesmo, o que importa é vibrar com a vida. Me parece estar aí o ponto de partida da literatura, no que penso inteiramente diferente daquele personagem de Tonio Krueger que diz que quem morre pra vida nasce pra arte". É exatamente ao contrário. Não vejo beleza em esqueletos, em fósseis, em restos humanos ou de qualquer animal. Não acho belos a agonia, o estertor e a extinção. Não há poesia, lirismo e nem arte no desespero, no desânimo e na morte. Estas são fraquezas inerentes à nossa pobre condição humana. Prefiro tentar imitar os deuses... Estou comprometido com a beleza... Busco, a cada segundo, vibrar com a vida...
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Big Stick de Reagan

Pedro J. Bondaczuk

A frustrada experiência norte-americana de tentar invadir Cuba, há 25 anos, não ensinou coisa alguma à diplomacia da Casa Branca. Essa ação militar, que completa um quarto de século na próxima quinta-feira, se destinava não só a enfraquecer Fidel Castro, mas sublevar a população cubana e levar à deposição do seu regime.
Mas o tiro saiu pela culatra. Os invasores da Baía dos Porcos foram aprisionados em dois dias e o ex-guerrilheiro de Sierra Maestra saiu fortalecido no episódio. A tal ponto que até hoje permanece no poder, a despeito dos esforços norte-americanos para a sua deposição.
Agora, Washington ensaia, com outros personagens, evidentemente, e num cenário maior (toda a América Central) reprisar essa tragédia. Falando, ontem, na Universidade de Kansas, o secretário de Estado norte-americano, George Shultz, tido e havido como político ponderado e sensato, demonstrou que a Casa Branca, no mínimo, está com uma grande deficiência gramatical para aplicar corretamente os verbos. Confunde “negociar” com “coagir”, como se ambos fossem sinônimos e, por conseguinte, tivessem o mesmo significado.
O chanceler de Ronald Reagan deixou transparecer, nitidamente, isso ao afirmar que “qualquer negociação que não tenha projetada sobre a mesa dos debates a sombra da força, não passa de um eufemismo de capitulação”. Para Shultz, a única diplomacia que pode funcionar a contento na Nicarágua é a das armas dos anti-sandinistas. Como se violência não gerasse, apenas, mais violência.
No entanto, não é essa a forma que as principais lideranças da América Latina entendem como a ideal para a solução das pendências no hemisfério, especialmente na tensa e problemática América Central. No sábado, em Montevidéu, o presidente do Peru, Alan Garcia Perez, fez dura condenação ao intervencionismo norte-americano, que apenas revive a deplorável política do “big stick” (grande porrete), posta em prática, no início deste século, pelo governo dos Estados Unidos.
O jovem governante peruano praticamente expressou a opinião vigente em toda a sociedade latino-americana a esse respeito. Admitiu, por exemplo, que o regime sandinista não é, lá, um primor em termos de liberdades públicas. Afinal, a imprensa nicaragüense continua censurada e há sérias restrições à ação dos opositores ao governo do presidente Daniel Ortega.
Mas qualquer pessoa bem-informada há de convir que o atual estado de coisas na Nicarágua, em termos de respeito aos direitos humanos, é muito melhor do que aquele que esse país viveu durante a ditadura da família Somoza (aliás, apoiada e sustentada, até o derradeiro instante, pelos norte-americanos).
Se o governo de Ortega não procede, na gestão da política interna, da maneira que seria desejável, isso não dá o direito a nenhuma potência de intervir em sua vida. E muito menos de constituir, treinar, armar e financiar forças mercenárias, contrárias à vontade da maioria da sua população.
“Negociar” de uma posição de força significa, apenas, “coagir”. Representa fazer valer a truculência, em vez de idéias, como seria de se desejar de povos que se dizem civilizados. Caso a administração do presidente Ronald Reagan apoiasse os esforços do Grupo de Contadora e do seu Grupo de Apoio, provavelmente a América Central já estaria, há tempos, respirando ares de liberdade e de democracia.
Talvez até a Nicarágua tivesse novas eleições, com a participação dos grupos que se dizem discriminados, politicamente, e que, por isso, vendem a pátria, irresponsavelmente, por trinta tostões. Fazem com que uma questão meramente regional ganhe contornos muito mais amplos e faça parte do braço-de-ferro hegemonista que as superpotências travam em toda e qualquer parte do Planeta.
A sombra da força, pairando sobre qualquer mesa de negociações, costuma transformar-se em algo muito mais sinistro: no espectro da morte e da destruição. Reforça, somente, o poder dos tiranos e tenta justificar sua truculência. Basta que se recorde fatos recentes, como os ocorridos no Irã, em El Salvador e em tantos outros países problemáticos, ensejando, apenas, a luta estúpida e inútil entre irmãos.

(Artigo publicado na página 12, Internacional, do Correio Popular, em 15 de abril de 1986).

Saturday, September 25, 2010







Há quem prefira o nada, a anulação, a inexistência, o risco do vazio, das sombras, da morte. Há pessoas que não vibram com a vida e vêem nela apenas um conjunto de sofrimentos e não um fascinante desafio que pode, é certo, nos fazer sofrer, mas também tem condições de nos trazer inefáveis satisfações, posto que efêmeras. Há quem tente abreviar o fim. Há quem pretenda que essa abreviação seja delegada a terceiros, que deteriam um poder absurdo. Há quem apregoe a eutanásia como "libertação", mesmo não sabendo o que há do "outro lado" ou se este de fato existe. Pobre condição humana...
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Soneto à doce amada-LXXXIX

Pedro J. Bondaczuk

A música é um retalho de saudade
que vibra no espaço tempo afora
pois o som não se destrói, na verdade
se perde no infinito e vai-se embora.

Mil violinos lamentarão, assim,
noutras esferas, escuras ou claras,
meus versos honestos, as rimas raras,
tantas emoções que extraí de mim.

No futuro, numa longínqua tarde,
ao Planeta os meus sons vão retornar,
e com a minha voz, apesar de

a morte, certamente, me calar.
De mansinho, livre, sem muito alarde,
no que disse, estarei presente no ar.

(Soneto composto em Campinas, em 22 de setembro de 1967).

Friday, September 24, 2010







O homem contemporâneo vive, de fato, com os pés no chão? As regras sociais vigentes têm ao menos um mínimo de senso? É ou não é absurdo o fato de alguém se arrogar a dono de um pedaço (não importa de que tamanho) de um planeta que não construiu e que já encontrou pronto ao nascer e que vai continuar existindo bilhões de anos após a sua morte? Pobre condição humana... E no entanto, vale a pena viver, mesmo não atinando com a origem, o sentido e o fim dessa existência. É uma oportunidade única, de curta duração (para alguns limita-se somente a horas, quando não minutos), absolutamente imprevisível e que pouco podemos fazer para moldar à nossa feição. E ainda assim é uma experiência compensadora, mesmo que marcada pelo sofrimento e pela dor.
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Dramática consagração

Pedro J. Bondaczuk

Quem esteve presente no monumental estádio “The Rose Bowl”, em Los Angeles, em 17 de julho de 1994, não imaginava, na véspera, o drama que iria testemunhar, a cascata de emoções, proibida para cardíacos, que iria ocorrer e que me comove até hoje, quando me lembro daquele memorável episódio que consagrou toda uma geração do futebol brasileiro. E olhem que o público que ali compareceu foi magnífico, de quase cem mil pessoas (foram exatos 94.194).
Havia uma expectativa enorme, não só no palco do acontecimento, mas mundo afora, pelo confronto entre dois gigantes rivais, que iriam decidir, nesse dia, quem ficaria de posse do Troféu Fifa pelos próximos quatro anos: se o Brasil (que se vencesse, conquistaria seu quarto título mundial) ou se a Itália (que se igualaria em conquistas à nossa seleção).
Os milhões de brasileiros, que acompanhavam o jogo ou pela televisão, ou por transmissão das emissoras de rádio, sonhavam, sobretudo, com a desforra de 1982, do tal “Desastre do Sarriá” de Barcelona, em que Paolo Roissi fizera três gols (e não me conforme até hoje com o fato de todos eles terem sido feitos da nossa pequena área, livre de marcação) e eliminara uma das equipes mais brilhantes e talentosas que o Brasil já formara, naqueles doloridos e frustrantes 3 a 2.
Nesse dia, porém – pelo menos às vésperas da partida decisiva – a torcida e a imprensa já haviam se esquecido das restrições e críticas feitas aos comandados de Carlos Alberto Parreira. Ninguém mais chamava, por exemplo, o meia Zinho de “Enceradeira”, pelas irritantes voltas que dava ao redor do próprio corpo no centro do gramado, retardando as jogadas. Nem dizia que Branco era “velho” e era “ex-jogador”. Ou que Raí era “amarelão”. Ou Dunga um “brucutu”. Ou Romário “mascarado”. Ou Bebeto “pipoqueiro”.
Tudo isso havia sido esquecido. Voltaria, é verdade, e com força multiplicada por um milhão, caso o Brasil perdesse da Itália. O sucesso é uma espécie de elixir do esquecimento das mazelas, defeitos, erros e imperfeições dos nossos ídolos. Já dizia Augusto dos Anjos: “a mão que afaga é a mesma que apedreja”.
Os torcedores mais afoitos deliravam e previam uma goleada igual à da final de 1970, por 4 a 1. Os tímidos e os pessimistas se contentariam com 1 a 0 chorado, mesmo que fosse com gol de mão no último minuto de jogo. Não aconteceu nem uma coisa e nem outra. A possibilidade de derrota, nesse dia, recorde-se, nem passava pela cabeça de quem quer que fosse em todo o País.
O jogo, é mister admitir-se, no período regulamentar, foi muito ruim. Foi chato em demasia, com nenhum dos dois times se lançando ao ataque, de medo de sofrer gol. Terminou num melancólico 0 a 0. A prorrogação não foi diferente. Um tentava explorar o erro do outro, sem sucesso. É verdade que houve aquela bola de Viola que bateu no poste direito da meta defendida por Pagliuca e que, caprichosamente, não entrou. O goleiro italiano chegou a acariciar a trave após esse lance, como que a agradecendo por não permitir o gol brasileiro.
O Brasil jogou, naquela oportunidade, com: Taffarel; Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Viola); Bebeto e Romário. Quando o árbitro húngaro Sandor Pul apitou o final da prorrogação, passou um calafrio pela espinha da imensa maioria dos torcedores brasileiros (talvez o mesmo haja ocorrido com os italianos, suponho).
A Copa do Mundo de 1994 seria decidida na cobrança de tiros livres da marca de pênalti. Foi impossível não lembrar do jogo do Brasil contra a França, em 1986, no México, decidido da mesma forma. Naquela ocasião, nós perdemos. Havia até certo consenso (injusto) de que o jogador brasileiro não tinha equilíbrio emocional para se dar bem nesse tipo de decisão. Se não tinha... naquele dia passou a ter.
Creio que metade dos brasileiros saiu de perto da televisão e não viu as cobranças. Eu, da minha parte, tinha forte intuição de que essa Copa seria nossa. Resolvi acompanhar atentamente, sem desviar nenhuma vez os olhos da tela, o desenrolar da decisão. Tenho coração (ou estômago?) forte!
Os italianos iniciaram a série de cobranças. Romário foi encarregado da primeira batida brasileira e, como se esperava, converteu. Só faltava o Baixinho errar! Ainda mais numa Copa que, se ganha, poderia ser atribuída, pelo menos em 50%, à sua brilhante atuação!
Branco e Dunga também não decepcionaram. Fizeram a lição de casa direitinho. Cada goleiro defendeu um pênalti. Taffarel pegou o cobrado por Massaro. Pagliuca espalmou a bola chutada (mal) por Márcio Santos. Albertini e Evani converteram as suas cobranças. Baresi, na sua vez, havia chutado para fora.
Quando chegou a vez de Roberto Baggio uma onda de pessimismo se apossou de boa parte da nossa torcida. “Imagine se ele vai errar! O cara, além de bom de bola, é zen, é budista e sabe controlar os nervos”, alguém comentou perto de mim. Não lhe dei ouvidos. E além do que o sujeitinho, que até hoje não sei quem era, estava redondamente equivocado. Da minha parte, achava que Taffarel faria a defesa.
O placar, àquela altura, estava 3 a 2 para nós. Caso Baggio convertesse, as cobranças continuariam até surgir algum vencedor. Se perdesse, não haveria a necessidade do Brasil cobrar seu quinto penal. Estaria tudo acabado.
O craque italiano partiu confiante em direção da bola (acho, até, que com confiança demais). E... chutou por cima do travessão. Se fosse futebol americano, faria o gol, mas não era. Houve um intervalo, de centésimos de segundo, de silêncio, de assombro e de perplexidade, que pareceu uma eternidade. Em seguida, porém, houve uma explosão de alegria, com fogos, buzinas de automóvel, gritos e uma algaravia imensa, como poucas vezes tive a oportunidade de ver e ouvir.
Uma seleção que embarcou totalmente desacreditada fez o que em princípio parecia impossível: conquistou o tão sonhado tetra, que grupos melhores do que este, como os de 1978, 1982 e 1986 não haviam conseguido. O Brasil saía, finalmente, de uma prolongada fila, de um jejum de títulos de 24 anos (praticamente um quarto de século), para (deliciosa) surpresa geral.
Essa foi a Copa que me comoveu mais. Não que as outras não tenham me alegrado, longe disso. Todas as conquistas brasileiras foram caras ao meu coração de torcedor. A de 1958, por exemplo, foi um resgate daquele fracasso de 1950, em pleno Maracanã. A de 1962 valeu, sobretudo, pelas dificuldades superadas, em especial a da ausência de Pelé, quando Garrincha assumiu a responsabilidade de jogar pelos dois: por ele e pelo rei. A de 1970, com uma seleção de gênios, notadamente com seus cinco camisas 10 jogando simultaneamente no mesmo time, só teria nos escapado das nossas mãos, caso ocorresse uma hecatombe, que não aconteceu.
Mas na de 1994... Nessa, a reconhecida falta de técnica foi plenamente suprida com garra e coração. O Brasil não deu espetáculo na Copa dos Estados Unidos? Não, não deu! Mas foi competitivo e, sobretudo, competente. Concordo com o técnico do Fluminense, Muricy Ramalho, quando diz que “quem quiser ver espetáculo que vá ao teatro”.
O futebol, além de esporte, é, antes de tudo, um jogo. E só um sujeito muito ingênuo (ou muito mentiroso) concorda de fato com o Barão de Coubertin quando disse que “o importante é competir e não ganhar”. Tente convencer algum torcedor, qualquer um deles, não importa de que time ou país, disso! Ganhar jogando com arte é o ideal, concordo. Caso, porém, isso não seja possível, o que se deve fazer? Se dar por vencido? Ora, então é melhor nem participar! O que importa, admitam ou não, é vencer e sempre. E o Brasil conseguiu isso em 1994. Não há, pois, que se fazer restrições a essa vitória, ora bolas!

Thursday, September 23, 2010







Fôssemos medir o grau de normalidade pelos parâmetros vigentes, todos seríamos passivos de internamento na "casa verde", da célebre história de Machado de Assis, "O Alienista". Somos todos um pouco loucos. Dyonélio Machado escreveu a propósito: "Saúde mental se define de uma maneira muito simples: é a capacidade de adaptação à realidade. A perda desta capacidade de adaptação leva às doenças mentais. Os animais não têm isso, têm uma grande capacidade de adaptação, eles se modificam para manter esta capacidade. Eles modificam até sua cor, para se adaptar à realidade". Por este parâmetro, como se vê, somos todos um tanto pirados. Ou quase pirados. Ou totalmente pirados. Cada um que escolha a sua graduação.



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Promessa cumprida

Pedro J. Bondaczuk

O Brasil, após a dramática classificação para a semifinal da Copa do Mundo de 1994, com aquela vitória tão suada sobre a Holanda, por 3 a 2, teria pela frente outra pedreira, embora se tratasse de um adversário velho conhecido, com o qual jogara diversas vezes e não só decidira um título, como enfrentara na primeira fase desse mesmo Mundial dos Estados Unidos: a Suécia.
O resultado, na ocasião, fora de 1 a 1, numa apresentação brasileira sem brilho e sem inspiração. Agora a partida adquiria características ainda mais dramáticas. Era eliminatória. Quem vencesse teria a chance de disputar o título da competição. Ao perdedor restaria o consolo de tentar chegar à terceira colocação. E isso era muito pouco, embora melhor do que nada, para as pretensões das duas equipes.
Abro aqui um parêntese para revelar mais um aspecto da minha vida. Dessa vez, é quanto às minhas atividades. A Copa de 1994 teve importância especialíssima para a minha carreira e para a sequência da minha atuação não somente como jornalista, mas também como escritor.
Justamente às vésperas da Copa dos Estados Unidos (e provavelmente por causa dela) o Correio Popular promoveu a completa informatização do jornal e não mais somente suas oficinas, informatizadas dez anos antes. Havia planejado um caderno especial, de circulação diária, desse Mundial, enquanto a competição durasse. E tinha que se modernizar para viabilizar esse novo produto.
Tive o privilégio de participar desse suplemento como comentarista. Polêmico como sou, mesmo sem acreditar, no íntimo, no sucesso da Seleção, arrisquei afirmar, e logo na primeira coluna que escrevi, que o Brasil voltaria com o caneco e traria o tetra. Foi ridicularizado, claro, fizeram um monte de piadas comigo mas... Quem ri por último... ri melhor. E a seleção, comandada por Carlos Alberto Parreira, não me desmentiu e ajudou a aumentar muito meu prestígio como comentarista esportivo.
De repente, da noite para o dia, sem nenhum treinamento prévio, vimos a redação do Correio Popular ser totalmente reformada, quer em seu mobiliário, quer no equipamento de trabalho. As velhas escrivaninhas de aço, por exemplo, cederam lugar a modernas e funcionais bancadas, como as que a gente vê no cinema em filmes que têm jornais norte-americanos como cenário. Surgiram ilhas de edição agrupando editores, subeditores e repórteres de cada editoria. Antes, eles ficavam todos espalhados pelo recinto, dificultando a comunicação.
As eficientes e familiares máquinas de escrever, que eram uma espécie de extensão dos nossos próprios corpos (a minha era uma Olivetti Letera) foram aposentadas e trocadas por microcomputadores de última geração. As laudas utilizadas para redação e edição das matérias tornaram-se coisas do passado, cedendo lugar à luminosa telinha com a qual não tardaria a ficar familiarizado.
Comecei aprendendo a operar essa máquina, que no princípio me pareceu assustadora, pela manhã e já à noite, estava editando com ela, tendo que respeitar meu deadline, ou seja, o prazo rígido e inflexível do fechamento da minha editoria, o que era, é e sempre será sagrado em qualquer jornal que se preze. E sem direito a erros.
Na época, pensei: “Será que algum dia terei acesso a esse equipamento tão prático, rápido e limpo? Acho que não!” Era um sonho alto demais para as minhas condições de então. Bobagem minha, claro. Hoje, disponho de cinco microcomputadores de ultimíssima geração, de um notebook, além da máquina que utilizo na redação em que trabalho, que é da empresa, mas está sob minha responsabilidade e é como se fosse minha.
Feito esse parêntese um tanto longo, até para quebrar o gelo, voltemos à Copa do Mundo de 1994. O Brasil entrou em campo, para buscar sua vaga para a finalíssima, em 13 de julho de 1994. O adversário, reitero, era a Suécia. O “The Rose Bowl”, de Los Angeles, foi o palco onde se deu essa disputa de titãs. O estádio recebeu um público fantástico, de 91.500 pessoas. O árbitro encarregado de mediar esse jogo era o colombiano José Torres Cadenas.
Parreira escalou este time para encarar os suecos: Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário. O jogo foi aquilo que se esperava: duro, amarrado, truncado, com as duas defesas prevalecendo sobre os ataques. É verdade que Ravelli, goleiro sueco, teve mais trabalho do que Taffarel.
Tudo indicava que teríamos prorrogação ou talvez, até, disputa de pênaltis, apesar da Suécia ficar com dez jogadores após a expulsão, aos 13 minutos do segundo tempo, do meiocampista Therm. Aí, veio o imponderável, que torna o futebol tão atraente e apaixonante.
Que tipo de gol era improvável que Romário, emérito artilheiro, fizesse? De falta? Não, pois ele batia bem na bola. De fora da área? Também não. Querem uma pista? Atentem para seu apelido: Baixinho. Pois é, ele não tinha (e não tem, claro) estatura para disputar jogadas aéreas, bolas cruzadas na área, principalmente com os gigantes zagueiros suecos.
Mas foi exatamente dessa forma que o gol brasileiro saiu, aos 35 minutos do segundo tempo. Ou seja, de cabeça. E marcado por quem? Justamente pelo jogador de menor estatura da Seleção, apelidado, por isso mesmo, de Baixinho, o incrível Romário!
O craque cumpriu, dessa forma, a promessa que havia feito no embarque da delegação brasileira para os Estados Unidos: a de levar o Brasil à final daquela Copa. Na ocasião, suas palavras foram mal-interpretadas e consideradas “atrevidas e arrogantes”. Todavia, com o Baixinho, ao longo de toda sua brilhante carreira, as coisas sempre foram assim: promessas eram dívidas. E essa foi devidamente paga, não há como negar.

Wednesday, September 22, 2010







Estamos sempre confrontando realidade e fantasias. O doente mental é o que se deixa levar demais por esse lado fantasioso da vida. É muito difícil, senão impossível, definir um parâmetro de sanidade e de loucura. Conheço pessoas tidas como mentalmente doentes, algumas internadas em hospícios, que no entanto revelam mais lucidez e sabedoria do que muitos dos que me comandam. E que sobretudo sabem ser felizes. Talvez aí resida o que a maioria entende por "loucura". O homem teima em apostar na infelicidade. Convivo, também, com indivíduos podres, que mereceriam ser contidos em uma camisa-de-força, e que no entanto posam de "gurus", de luminares do saber, de guias das novas gerações. São arrogantes, vaidosos, amorais e sem nenhum senso de piedade ou solidariedade. E são tidos por sãos, quando não por "gênios".
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O jogo da desforra



Pedro J. Bondaczuk

A Seleção da Holanda era, desde a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, uma espinha de peixe entalada na garganta do torcedor brasileiro. Aliás, após haver nos eliminado na África do Sul, agora, em 2010, jogando um paupérrimo futebol em termos técnicos e abusando da violência, a ponto de desestabilizar a nossa equipe, voltou a ser isso. Mas essa já é uma outra história.
Na Alemanha, a chamada “Laranja Mecânica” havia vencido a equipe orientada por Zagallo por 2 a 0. Até hoje, fala-se muita besteira acerca daquele jogo (é o tal complexo de vira-latas do brasileiro que, volta e meia, vem à tona). Diz-se, por exemplo, que os holandeses deram um “nó tático” em nossa seleção, com o famoso “carrossel”. Se esse esquema fosse a maravilha que dele se disse, estaria sendo utilizado até hoje. Quem, no entanto, o utiliza? Ao que eu saiba, ninguém!
Outra bobagem que se propala até hoje é a de que Zagallo teria dito, quando indagado se conhecia a forma da Holanda jogar, que a desconhecia e que eles é que deveriam se preocupar conosco. O velho Lobo jamais deu declaração desse tipo.
Diz-se, também, amiúde, que os holandeses colocaram os brasileiros na roda. Não foi o que vi ao rever o DVD daquela partida. Tratou-se de uma derrota absolutamente comum, diria que circunstancial, em que um time aproveitou as poucas chances que tem e o outro desperdiçou as muitas que criou, ditada, principalmente, pelo abuso do nosso ataque do direito de perder gols.
Não vi nada de excepcional naquela seleção da Holanda. Era boa, só isso, mas não ótima como ainda é pintada. Tanto que sequer foi a campeã daquele mundial. Aliás, nem daquele e nem de qualquer outro. Trata-se de um futebol arcaico, manjado e pouco efetivo. Que me desmintam com fatos, não com loas de quem adora a prática de baba-ovo.
Se é verdade que os holandeses foram superiores taticamente, naquela oportu8nidade, em termos técnicos, ambas as equipes se equivaleram. Muita gente fala e escreve coisas apenas por “ouvir dizer”, sem fundamentar nenhuma das opiniões e, não raro, sem sequer ter assistido ao jogo a que se propõe a comentar.
Vinte anos depois, na Copa do Mundo de 1994, a Seleção Brasileira teve a oportunidade de devolver aquela derrota sofrida na Alemanha. E, de fato, devolveu. O jogo foi realizado no estádio “The Cotton Bowl”, em Dallas, no Texas, em pleno calor do meio-dia, em 9 de julho de 1994, com arbitragem do costarriquenho Rodrigo Badilla. O público presente foi de 63.500 pessoas.
O Brasil jogou com: Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco (Cafu); Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário. Os holandeses não eram mais a tal da “Laranja Mecânica”, mas tinham jogadores de renome internacional, como Rijkaard, De Boer e Bergkamp, entre outros.
Foi um jogo proibido para cardíacos. O primeiro tempo acabou sem que ninguém mexesse no placar, embora ambas as equipes houvessem criado várias oportunidades de gol. Mas na segunda etapa... Valha-me Deus, foi uma tempestade de emoções!
O Brasil abriu, de cara, 2 a o no placar, com gols de Romário, aos 7 minutos, e Bebeto, aos 17 (este último foi dedicado ao filho recém-nascido Mateus, e na comemoração, o craque brasileiro fez aquele gesto que se tornou célebre e correu mundo, o de embalar um nenê).
O alívio brasileiro, porém, durou apenas dois minutos. É que Bergkamp, em jogada pela direita, diminuiu o marcador. Estranhamente, nossa seleção, que jogava melhor, recuou e atraiu os holandeses. E estes, não tendo o que perder (tanto fazia serem derrotados por dois quanto por dez gols), não se fizeram de rogados e partiram para a ofensiva. E, para nossa aflição, Winter empatou o jogo aos 31 minutos.
Tudo indicava que a partida se encaminhava para a prorrogação e, talvez, até para a disputa por pênaltis. Foi quando saiu uma falta a favor do Brasil, pouco além do meio de campo, na lateral direita da defesa holandesa, aos 36 minutos do segundo tempo. Normal. A bola estava distante do gol. Era provável que o lance não resultasse em nada de prático. Eu pensava assim. Milhões pensaram da mesma maneira. Estávamos todos enganados.
O lateral Branco, que sentia dores na coxa (tanto que depois foi substituído por Cafu), acertou um daqueles chutes improváveis, que na gíria futebolística chamamos de “pombo sem asa”, com a bola viajando cheia de curvas. Romário, postado no bico da pequena área, oportunamente tirou o corpo. E a bola passou exatamente onde o Baixinho estava antes e, caprichosamente, entrou no canto esquerdo do goleiro De Goej, sem que este nada pudesse fazer.
Era o terceiro gol brasileiro, o do desabafo, o da desforra de vinte anos atrás e, principalmente, o da classificação para a semifinal. Nem assim a imprensa e a torcida mudaram de opinião e passaram a confiar nos comandados de Parreira. Pesava sobre aquele grupo o estigma da chamada “Era Dunga”, que só seria anulado com a conquista do tetra. Foi melhor assim, para não estragar a surpresa que viria na sequência.

Tuesday, September 21, 2010







O homem introspectivo, familiarizado com suas lembranças e com suas idéias, acostumado à solidão, no limiar do autoconhecimento raramente alcançado (poucos sequer o buscam), que é "íntimo" de si mesmo, confronta-se, a cada instante, com as próprias fraquezas que o irritam e decepcionam. É alguém que conhece o caminho da perfeição, mas se vê tolhido de chegar perto dela por limitações que possui. Pobre condição humana... Sentimo-nos deuses em determinados momentos de delírio megalomaníaco, abstraídos da nossa mortalidade, da nossa pequenez, da nossa pouca lucidez (quando há alguma), da nossa efemeridade. Somos apenas um entre tantos (atualmente entre 6,3 bilhões de semelhantes), de uma determinada fração infinitesimal de tempo. E no entanto, bem no íntimo, nos sentimos o centro do universo. Alguns, indiferentes ao papel ridículo que fazem, vivem a cada momento esse egocentrismo exacerbado. Pobre condição humana...
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Jogo com cara de final

Pedro J. Bondaczuk

Enfrentar a seleção dos Estados Unidos sempre foi uma complicação para qualquer um. Basta lembrar que em 1950, ela derrotou a badaladíssima Inglaterra, em Belo Horizonte, por 1 a 0. Enfrentá-la numa copa do mundo, então, é encrenca ainda maior. E as coisas se agravam bastante se esse mundial for em território norte-americano. Mais, torna-se de altíssimo risco se a partida for eliminatória e ocorrer na data de independência desse gigante do mundo, quando o patriotismo do seu povo, que já é exemplar em condições normais, se multiplica exponencialmente.
Pois foi o que aconteceu com o Brasil na Copa de 1994. O jogo decisivo para as pretensões brasileiras, nas oitavas de final, fase em que o vencedor segue adiante e o derrotado fica pelo caminho, foi, justamente, contra os Estados Unidos, ou seja, contra o anfitrião. E, para pôr ainda mais pimenta nesse pirão, coincidiu com o 4 de julho, data máxima para os norte-americanos.
A partida foi disputada no Stanford Stadium de São Francisco, diante de um público de 84.147 pessoas. E diziam que os americanos não gostavam de futebol, ou melhor, do “soccer”! Imaginem se gostassem! O árbitro desse confronto foi um velho conhecido nosso, o francês Joel Quiniou.
Diz uma grande bobagem quem afirma que os Estados Unidos não têm tradição futebolística. Têm e muita. Os norte-americanos tiveram contato com esse esporte até antes do que nós. O jornalista Orlando Duarte esclarece, a esse propósito, no livro “Enciclopédia dos Mundiais de Futebol”: “Em 1885, uma seleção enfrentou uma equipe do Canadá em Nova Jersey, perdendo por 1 a 0. A Federação dos Estados Unidos filiou-se à Fifa em 1913 e seu primeiro jogo oficial foi em Estocolmo, na Suécia, em 1916, o qual os norte-americanos ganharam por 3 a 2”.
Sobre os jogos com o Brasil, Orlando Duarte informa: “A primeira vez que brasileiros e norte-americanos se enfrentaram foi em 1930. Os americanos passavam pelo Rio, vindos do mundial e concordaram em fazer um amistoso. O Brasil ganhou por 4 a 3. Em Chicago, nos Jogos Panamericanos, ocorreu o segundo jogo entre os dois países e os norte-americanos ganharam do Brasil por 5 a 3”.
Como se vê, o adversário da Seleção de Parreira das oitavas de final da Copa de 1994 não era a “galinha morta” que os mal-informados achavam que fosse. O jogo foi disputado, foi duro, foi duríssimo e ficou mais complicado ainda com a expulsão do ala esquerda Leonardo, por dar uma cotovelada que o árbitro entendeu como proposital num jogador norte-americano, isso aos 44 minutos do primeiro tempo.
Ou seja, jogamos toda a segunda etapa com apenas dez jogadores, diante de um adversário qualificado, promotor da Copa, em sua própria casa portanto e empurrado por frenéticos quase 90 mil torcedores. Depois dizem que aquela seleção venceu, mas não convenceu. Quem não ficou convencido ou não tem opinião própria e vai na balada da imprensa, ou não assistiu os jogos ou não entende bulhufas de futebol ou é do contra mesmo. Para mim, a Copa do Mundo de 1994 não foi decidida nos pênaltis contra a Itália, mas nessa partida dramática, com uma baita pressão contra os brasileiros. E o Brasil venceu, apertado, é verdade, mas com méritos, com aquele gol de voleio de Bebeto, aos 29 minutos da etapa final. Êta Seleção macho aquela!!!
Parreira mandou a campo: Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho (Cafu); Bebeto e Romário.
Leonardo, após a expulsão, perdeu a condição de titular para Branco, que não estava na plenitude das suas condições físicas, mas que ainda assim foi decisivo em muitos momentos para que o Brasil conquistasse o tetra. Após aquela dramática e suada vitória contra os Estados Unidos, faltavam ainda três dificílimos degraus a subir para a quebra de um jejum de 24 anos sem título e a conseqüente consagração. E o Brasil subiu, com garra e competência, todos os três.