Saturday, March 31, 2012










A despeito da nossa transitoriedade e aparente insignificância, somos seres muito importantes, mas cabe-nos provar essa importância. Temos a oportunidade de “viver” e, (posto que sejamos efêmeros) de deixar a nossa marca, por ínfima que seja, no tempo. Não podemos, no entanto, desperdiçar nenhum instante, se não quisermos ser punidos com o absoluto esquecimento. Afinal, como lembra Vladimir Nabokov, “nossa existência não é mais do que um curto-circuito de luz entre duas eternidades de escuridão”. Nosso desafio constante é o de permanecermos brilhando muitos milênios depois que a nossa chama vital estiver extinta. E isso apenas será possível com madura reflexão e, sobretudo, com sábia e eficaz ação. E com obras sólidas que sobrevivam ao tempo e ao esquecimento.

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Impacto

Pedro J. Bondaczuk

Que violento, rude impacto
se deu no insólito encontro
de hoje com meu bonachão
e familiar fantasma!

A ampulheta do tempo
despencou e avariou-se.
Sua areia, incontinenti,
quase toda se escoou...

E os amores revividos,
as ilusões de antanho,
os bons momentos de cisma,
o tédio, o ciúme e a ira,
e os ingênuos ideais,
se desmaterializaram...
Jazem perdidos no tempo,
inúteis, feios fantasmas...

Cada momento que rola,
cada segundo que escoa
cada grãozinho de areia
da avariada ampulheta
acrescentam-se à estrutura
do meu insólito ser.

Um dia – fortuito dia –
cada peça da figura
efêmera e vazia
e vaidosa que sou,
não passará de poeira!
Dar-se-á, nessa ocasião,
o amálgama, a fusão
do que então eu serei
com aquilo que hoje eu sou
e o que um dia já fui!

(Poema composto em Campinas, em 14 de junho de 1968).

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Vagando entre as estrelas

Pedro J. Bondaczuk

A atividade intelectual do físico e cosmólogo britânico Stephen Hawking é assombrosa, se levarmos em conta todas as terríveis circunstâncias que cercam sua vida. O assombro é tão grande que me leva a escrever vários textos a seu respeito, já que em apenas um se torna praticamente impossível abordar, com relativa objetividade, suas façanhas intelectuais. Ademais, não há como não se deixar levar pelo fascínio que esse homem desperta em seu “passeio” diário por entre as estrelas, com o recurso da fértil e excepcional imaginação de que é dotado, aliado ao seu vasto conhecimento de física, matemática e disciplinas afins.

Recorde-se que Hawking está fisicamente incapacitado para qualquer atividade que exija um mínimo de esforço físico, desde os 21 anos de idade, em decorrência de uma doença incapacitante, incurável, progressiva e paralisante: a esclerose lateral amiotrófica. Os únicos músculos que atendem ao comando do seu cérebro, isto é, que ainda têm escasso tônus, são os dos três dedos centrais da mão esquerda. Portanto, o polegar e o mínimo, também são inertes. Justo os que qualquer pessoa sadia mais utiliza para suas tarefas!

Mas, com esses únicos três dedos, aciona a cadeira de rodas motorizada, liga e comanda o sintetizador de voz mediante o qual “fala” com as pessoas e consegue ser útil para si, para a família e para o mundo. Aliás, o termo “útil” é inadequado, por ser pequeno demais para expressar sua grandeza. Stephen Hawking é genial. E dotado de uma força de vontade incomparável!

Muitas pessoas especulam como o físico faz para escrever seus livros, já que consegue movimentar apenas três dedos da mão esquerda e não pode sequer manter a cabeça erguida sem ajuda externa. Esta tem que ser apoiada por uma escora. Como ele faz? Dita-os, obviamente, o que não é pouco. Isso também é notável se atentarmos para o fato de que dispõe de um computador, para se comunicar com o mundo, acoplado ao sintetizador de voz, que contém em sua memória apenas 2.600 palavras. Com esse escasso (diria ínfimo) acervo, produziu (e espera-se que continue produzindo) sua magnífica obra científica, e num estilo acessível a leigos medianamente informados.

Por essa razão, por precisar ditar suas idéias, é que a maioria dos seus livros conta com co-autores. Seus “parceiros” são três eminentes físicos, o britânico Roger Penrose e os norte-americanos Alan Lightman e Leonard Mlodinow. A exceção é sua filha Lucy, que é jornalista, com a qual escreveu “George e o segredo do universo”, que contém as idéias e conceitos básicos da Física e da Astrofísica, na visão do autor, contados (pasmem) em um enredo de aventura voltado para as crianças.

Sobre o primeiro livro, “Uma breve história do tempo, do Big Bang aos buracos negros”, lançado em 1988 – inclusive no Brasil, e em português – tive a oportunidade de tecer ligeiros comentários em texto anterior. Embora tenha muito a discorrer sobre essa obra, prefiro deixar a tarefa para o próprio curioso leitor. Compre-a, aprenda com ela e se delicie com sua leitura. O livro seguinte de Stephen Hawking – e todos eles já foram lançados no Brasil – não é menos instigante, É uma coletânea de ensaios e se intitula “Buracos negros, universos bebês e outros ensaios”. Se o cientista parasse por aí, já teria feito mais do que o suficiente para se perpetuar. Afinal, muitos dos seus colegas não conseguem escrever, a vida toda, uma só obra consolidada e respeitada, como as duas que citei e nem por isso são menos importantes do que os que conseguem.

Hawking, todavia, achava pouco, muito pouco. Não tardou em publicar, em 1994, “O fim da Física”. E igualmente não parou por aí. Dois anos depois, lançou “A natureza do espaço e do tempo”, em co-autoria com o físico e matemático Roger Pènrose, seu conterrâneo, professor emérito de Matemática da Universidade de Oxford. Em 2001, foi a vez de “O universo numa casca de noz” ser publicado. E sua mente continuava ativa, febril, fervilhante. Tanto que em 2005 produziu “O futuro do espaço-tempo”, desta vez em co-autoria com o físico, romancista e ensaísta norte-americano, Alan Lightman.

O livro seguinte foi uma reflexão sobre a atividade científica. Inclusive seu título já é bastante sugestivo: “Os gênios da Ciência. Sobre os ombros de gigantes”. As quatro obras que vieram na sequência foram em co-autoria, três com Leonard Mlodinow e uma (que já citei), com a filha, jornalista, Lucy. Duas foram lançadas em 2005, duas em 2007 e uma em 2011,

Antes, julgo oportuno abrir um parêntese para comentar sobre um dos co-autores. Leonard Mlodinow é um sujeito talentoso e popular. É físico, nascido em Chicago, e seus pais são judeus que sobreviveram ao Holocausto nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Mas ele também é sobrevivente. Escapou ileso dos atentados ao World Trade Center (estava nas torres gêmeas na oportunidade), em Nova York, naquele fatídico 11 de setembro de 2001, de triste memória para o mundo.

Mlodinow, além de pesquisador, é festejado colunista do jornal “The New York Times”, onde assina coluna semanal de divulgação científica. Seus feitos, todavia, não param por aí. É, também, roteirista de filmes para a televisão. Ficou famoso nessa função principalmente pelos roteiros das séries “MacGyver” e “Star Trek”. Tendo Mlodinow como co-autor, Stephen Hawking escreveu “Uma nova história do tempo”, “Brevíssima história do tempo” e o recentíssimo “O grande projeto”.

Como se vê, é uma produção excepcional até para escritores que têm saúde “para dar e vender”. Imaginem para alguém nas circunstâncias de Stephen Hawking! Para que vocês tenham uma idéia sobre essa produção, basta dizer que escreveu, em co-autoria ou de forma solitária, 11 livros em 23 anos, numa média de dois por ano. E (sem nenhum menosprezo a autores desses gêneros), não são romances, novelas, poesias ou contos, mas exposição de complexíssimas teses científicas, polêmicas pela própria natureza e que exigem não apenas conhecimento extraordinário de física e astrofísica, mas uma capacidade de comunicação fantástica. E tudo isso contando com um acervo de apenas 2.600 palavras na memória do computador que comanda seu sintetizador de voz para se comunicar. Vocês conhecem algum gênio que pelo menos se aproxime de Stephen Hawking? Asseguro-lhes, honestamente, que não conheço nenhum!

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Friday, March 30, 2012










Nossos sentidos, notadamente o da visão, nos iludem e, com muita freqüência, nos induzem ao erro. Nem tudo o que vemos é, de fato, o que aparenta. E, não raro, cometemos enormes injustiças ao julgar uma pessoa apenas pela aparência, sem atentar para a sua essência. Antoine Saint’Éxupery garante que “só se vê bem com o coração”. Não com o órgão físico em si, é evidente, mas com sentimento, com compreensão e com interesse. O essencial para a nossa vida – como a fé, a esperança, a bondade e a solidariedade entre outros – é invisível aos olhos. Só identificamos esses valores, que nos caracterizam como pessoas inteligentes, com o nobre instrumento da razão.

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Guerra deixa marcas difíceis de apagar

Pedro J. Bondaczuk

A guerra, mesmo aquela restrita no tempo e no espaço, traz conseqüências que vão muito além das mortes e destruições que produz. Marca, muitas vezes, uma nação inteira até por séculos, com um estigma que nada consegue apagar.
Este parece ser o caso da Áustria, terra natal do ditador nazista Adolf Hitler, que desde aquele período de seis anos de loucura que se apossou da Europa, deixou de ser, mesmo para as gerações posteriores, o romântico país da valsa, da dança e da elegância, cortado pelas águas azuis e calmas do Danúbio, para se transformar na pátria de um verdugo da humanidade.
E isto é sumamente injusto para com os austríacos, cujo território foi anexado à Alemanha, no malfadado “anchluss”. É ali que o Papa está nesta semana. E é esta a mensagem que ele leva: aa de que a população deve aprender com os erros do passado e não se auto-punir eternamente por algo que a geração atual não teve qualquer culpa.
O interessante nas guerras é a histeria coletiva que toma conta das massas. Os hinos marciais, a maciça propaganda bélica e os discursos inflamados dos políticos, ofuscam a razão da maioria. Se em tais oportunidades alguém erguer a voz da prudência para denunciar o quão estúpido e grotesco é o ato de toda uma sociedade nacional pegar em armas para matar, destruir, conspurcar, e cometer toda a sorte de atrocidades, será, imediatamente, chamado de pusilânime.
Poderá, até mesmo, ser encarcerado e morto. E, todavia, quem ousa fazer tal denúncia é que é o verdadeiro herói. Isto, no entanto, as massas somente entendem no decorrer do conflito, quando seus entes queridos são mortos, suas propriedades são arrasadas e todos os resquícios de vida civilizada e de organização de suas cidades, seus Estados e seus países são anulados, para ceder lugar a um ódio irracional por um inimigo que o povo sequer conhece.
A guerra foi tema, inclusive, para inúmeros poetas-soldados, que vêem beleza até nas atrocidades, como o inglês Wilfred Owen. Seu poema “Hino para uma Juventude Condenada”, escrito numa trincheira (onde ele acabou sendo morto), diz tudo o que há para se dizer sobre o assunto.
“Que dobres fúnebres para os que morrem como gado?/Só a fúria monstruosa dos canhões,/só o rápido estalar dos rifles gagos,/podem dizer suas orações apressadas./Não há zombarias para eles; nem rezas, nem sinos,/nem voz alguma lamentando, salvo os coros.../os coros estridentes e loucos de bombas chorosas/e clarins chamando por eles, de tristes condados. Que velas podem se suster para apressá-los a todos?/Não nas mãos de meninos, mas em seus olhos/brilharão os sagrados bruxuleios de adeuses./A palidez das frontes das jovens será a sua mortalha;/suas flores, a ternura de mentes pacientes/e cada crepúsculo lento um fechar de cortinas”.

(Artigo publicado na página 11, Internacional, do Correio Popular, em 24 de junho de 1988).

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A verdadeira natureza do tempo

Pedro J. Bondaczuk

A velocidade da luz – de 300 mil quilômetros por segundo – pode variar (e varia), mas o tempo não. Ele é imutável. Certo? Errado! Durante muitos e muitos anos se pensou dessa maneira, até que Albert Einstein demonstrou, com sua teoria da relatividade, que todos estavam redondamente enganados. Provou, entre tantas outras coisas, que o tempo não é constante e que também varia. E, com isso, revolucionou a Física. Stephen Hawking foi mais longe. Não apenas comprovou os postulados de Einstein, como trouxe à baila outros tantos conceitos científicos que hoje são praticamente consensuais. Mas... vamos por partes.

Em junho de 1988, Stephen Hawking lançou seu primeiro livro (depois dele, viria mais de uma dezena deles, três dos quais em parceria com Leonard Mlodinow e dois outros com Roger Penrose e Alan Lightman). O título? “Uma breve história do tempo – do Big-Bang aos Buracos Negros”. Foi nessa obra instigante que demarcou os limites dos temas que foram e são objetos de suas investigações (e especulações) até hoje e que detalhou nos trabalhos subseqüentes.

O próprio autor explicou, logo na introdução, o método que utilizou na redação do texto: “As idéias básicas sobre a origem e o destino do universo podem ser consideradas sem o uso da matemática, de maneira que as pessoas sem formação científica possam compreendê-las”. Hawking agiu assim a pedido do editor, Peter Guzzardi. Não utilizou fórmulas e equações complexas, inteligíveis, apenas, por quem é do ramo (que, convenhamos, não são tantos assim) e, mesmo eles...

Quem lida com Física sabe que este é um enorme desafio. Essa disciplina está indissociavelmente ligada à Matemática. O livro de Hawking é muito bem escrito, com ordem, método e, sobretudo, didática, como se fora magnífica aula (e é mesmo), não fora o autor o excelente professor que é de uma das mais prestigiosas universidades do mundo, a de Cambridge. Claro que nem todos irão compreender o que foi exposto. Não se pode, por exemplo, falar da “Teoria da Relatividade”, de Albert Einstein, a uma criança, que não conheça sequer os princípios elementares, o “abc” da Física. Todavia, um leitor com conhecimento mediano, desde que leia o livro com método e concentração, da primeira à última página, terá visão magnífica de um mundo fascinante e misterioso que sequer imaginava que existisse,

Como afirmei, Stephen Hawking não utilizou fórmulas matemáticas na exposição de suas idéias sobre a visão da ciência da formação do universo, da natureza das leis que o regem e das forças que o movem. Há, apenas, uma e uma única exceção. E não poderia ser diferente. Mas a fórmula que mencionou é conhecidíssima demais e até os que desconhecem seu significado (a imensa maioria das pessoas, é claro) já ouviram falar dela ou a viram escrita em algum lugar. Qual é? Trata-se do celebérrimo enunciado elementar de Einstein: E = mc2. Com ele, o pai da teoria da relatividade explicou o comportamento do mundo físico, deflagrando uma revolução na ciência do século XX e dando origem à era nuclear, cujas conseqüências estão, ainda, por ser avaliadas.

Todavia, mesmo a célebre fórmula é utilizada por Stephen Hawking apenas com finalidades ilustrativas. Usou-a, só, para demonstrar que no universo “não há interações instantâneas”. Antes de Einstein formular sua célebre proposição, acreditava-se, por exemplo, que o tempo despendido pela corrente elétrica, para percorrer um fio metálico, era zero. Todavia, ficou comprovado (e demonstrado) que, embora infinitamente pequeno, ele “existe”. Difere, portanto, de zero. Dessa descoberta, que ao leigo soa banal, decorreu toda a cosmologia contemporânea.

Como afirmei no início, antigamente havia crença generalizada nos meios científicos de que até a velocidade da luz poderia variar, mas o tempo não mudava. Stephen Hawking afirma a esse propósito em seu livro: “A Teoria da Relatividade sela o fim do tempo absoluto”. Aliás, “Uma breve história do tempo – do Big-Bang aos buracos negros” gira, de uma forma ou de outra, da primeira à última página, em torno desse conceito.

Hoje sabe-se que, quando o homem olha para o céu, em uma noite clara e estrelada, está, na verdade, vendo a história do universo. Não o seu presente, mas seu remoto (remotíssimo) passado. Muitas das estrelas cuja luz vislumbramos hoje já não existem há milhões, quiçá bilhões de anos. Estão tão distantes de nós que só agora vemos seu reflexo. Outras tantas, que acabam de nascer, serão vistas por aqui (se ainda houver pessoas para tal), em milhões ou bilhões de anos. Fascinante, não é mesmo?!

O nosso Sol, por exemplo, que nos parece tão próximo, está, de fato, a oito minutos-luz da Terra. E não se esqueçam que a velocidade da luz é de 300 mil quilômetros por segundo. Trocando em miúdos, cada raio solar, que aquece e ilumina nosso planeta neste instante, é o que foi emitido há oito minutos. Portanto, sua emissão ocorreu no passado, embora produza efeitos no presente.

A parte mais excitante do livro de Stephen Hawking, todavia, é a que se refere a um misterioso e aterrador fenômeno celeste, até então desconhecido ou não comprovado: os buracos negros. Registre-se que sua existência ainda é contestada em muitos círculos científicos. Todavia, praticamente todos os dias, astrônomos registram evidências de que eles de fato existem e em grande profusão universo afora. A nossa galáxia, Via Láctea, teria, por exemplo, um enorme, bem no seu centro, sugando para o seu interior, e triturando, estrelas e mais estrelas, muitas com os respectivos planetas, aliás, constelações inteiras, além de gases e de poeira estelar.

E o que seriam (ou são) os tais buracos negros? Seriam uma concentração tão densa de matéria, com uma gravidade tão poderosa e inflexível, que atrairia todos os corpos ao seu redor. Nem mesmo a luz escaparia deles, daí a dificuldade de serem localizados. Tudo, absolutamente tudo o que esteja nas suas proximidades ou apenas cercanias seria imediatamente “devorado” por estes sorvedouros descomunais e inflexíveis. Voltarei, certamente, a tratar deste e de outros livros de Stephen Hawking.



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Thursday, March 29, 2012










Uma das maiores invenções do homem, que nós, pessoas modernas, não valorizamos devidamente, dada a facilidade de a obter, é o livro. Ele permite o acúmulo de sabedoria, de experiências e de emoções de indivíduos especiais e possibilita o acesso a elas de gerações e mais gerações, séculos (às vezes milênios) afora, após a morte destes. Jorge Luís Borges observou, com argúcia, a esse respeito: “Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensões do seu corpo. O microscópio, o telescópio são extensões de sua vista; o telefone é extensão da voz; também temos o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação”.

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Por dentro da TV


JOTA SILVESTRE COMPLETA 42 ANOS DE CARREIRA

O apresentador Jota Silvestre, da Rede Bandeirantes, completas, no próximo dia 15, 42 anos de profícua carreira artística, em rádio e televisão. Com sua simpatia e talento, conseguiu, nesse longo período, em todas as emissoras por que passou (inclusive no Exterior, já que atuou nos Estados Unidos), colocar-se sempre entre os maius ouvidos (em rádio) e assistidos (na TV). Na Bandeirantes, tanto o "Programa Jota Silvestre", às terças-feiras, como o "Essas Mulheres Maravilhosas", às quartas, proporcionam algumas horas agradáveis, de sadio entretenimento e de informação, sempre com aquele tom pessoal, repleto de simpatia, que vem cativando o Brasil. Por tudo o quanto Jota Silvestre significa para a televisão brasileira, não poderíamos ficar omissos diante dessa data. Ele é parte viva da história da TV deste País.

JONAS MELLO EM "TOALHAS QUENTES"

Enquanto não é escalado para uma nova novela, o ator Jonas Mello segue atuando, a todo o pano, no teatro. Agora ele está incluído no elenco da peça "Toalhas Quentes", do francês Marc Camoletti, com adaptação de Bibi Ferreira, que estréia nos próximos dias no Teatro Záccaro, em São Paulo. Fazem parte, ainda, do elenco, John Herbert, Arlete Montenegro, Ivete Bonfá e Zélia Martins, todos com a segura e competente direção de Maurice Vaneau. Jonas (assim como o produtor da peça, o maestro Augustinho Záccaro) acredita que o trabalho, em sua edição paulista, vai repetir o grande sucesso registrado no Rio de Janeiro, onde permaneceu em cartaz durante mais de um ano. É como diz o velho clichê: "Enquanto descansa, o ator carrega pedras".

TRILHA DE "VOLTEI PRA VOCÊ"

Muita gente anda perguntando quem compôs a trilha sonora da novela "Voltei pra Você", que a Globo apresenta no horário das seis da tarde. O tema de abertura, principalmente, é muito bonito, embora todas as composições sejam de alto nível. Pois saibam que a música que abre a novela tem o mesmo nome desta. É uma composição (balada romântica) da dupla João Paulo e Daisy Mai, interpretada pelo primeiro. Agora a Som Livre vai lançar um LP com a trilha completa de "Voltei Pra Você". No disco estarão composições como "Guerreiro Menino", do Gonzaguinha, com o Fagner; "Noite do Prazer", de Cláudio, Paulo e Arnaldo, interpretada pelo grupo Brilho; "Até Pensei", de Chico Buarque, com Olívia Hime; "Da Fazenda", de Fátima Guedes e M. Kilzer, na voz gostosa de Fátima e "Emoções", de Roberto e Erasmo Carlos, na interpretação de Marina, entre outras.

O BOM HUMOR DE ARMANDO BOGUS

Armando Bogus vive mais um bem humorado, e engraçado, personagem em sua longa carreira. Trata-se de um tipo bem brasileiro, embora seu nome não seja, que sempre dá um "jeitinho" para tudo e não foge de qualquer parada. É o Farid, da novela "Champagne", que a Globo manda ao ar no horário das oito da noite. Agora ele vai atacar de motorista, embora não tenha sequer tido aulas na auto-escola, Armando Bogus, fora dos vídeos, é também um sujeito de muito bom humor. Dizem que dia desses, quando compareceu às gravações de "Champagne", alguns colegas da técnica começaram a "gozá-lo", por sua pouca musculatura. Armando não se fez de rogado. Respondeu no ato, levantando no ar uma cadeira e dizendo: "Vejam" Tenho músculos, sim, porque sou adepto de todos os esportes, os mais raros, os mais estranhos. Natação, waterpólo e até artes marciais. E se nada der resultado, conto piadas e ganho a parada". E a resposta desarmou todo mundo, embora Bogus não escapasse de uma vaia dos companheiros.

JOCA VAI CASAR COM TETÊ

Aquele "trombadinha", o Tetê (Inês Galvão), que o Joca (Fúlvio Stefanini) encontrou nas ruas e resolveu adotar, vai transformar a vida desse personagem na novela "Eu Prometo". O caso entre ambos vai evoluir, até que no capítulo 49, eles vão se unir pelo casamento, tendo por padrinhos Lucas Cantomaia (Francisco Cuoco) e Darlene (Dina Sfat).

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 4 de novembro de 1983).

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A mente mais poderosa

Pedro J. Bondaczuk

A relevância do trabalho científico do físico e cosmólogo inglês, Stephen Hawking é extraordinária e foge ao alcance do leigo. Seus principais campos de pesquisa são a cosmologia teórica e a gravidade quântica, conceitos tão complexos que desafiam a mente dos mais renomados e brilhantes cientistas através do mundo. Abordarei, posto que superficialmente (já que não sou físico), algumas de suas descobertas e proposições oportunamente. Todavia, meu objetivo, nesta série de reflexões sobre este que é um dos maiores gênios vivos do mundo, não é o de explicar e interpretar suas revolucionárias teorias, até porque meu conhecimento da matéria me impede de empreender tarefa desse porte.

O que quero ressaltar é o poder da mente humana para a superação de obstáculos virtualmente intransponíveis, façanha que nos maravilha e nos surpreende. Desde a infância, meus três ídolos, os que tomei como parâmetros e inspiração ao longo dos anos, são o ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln, por sua inabalável persistência na busca dos seus objetivos; o físico alemão Albert Einstein, por sua disciplina mental e ousadia intelectual e Helen Keller, que sendo cega, surda e muda, superou essas terríveis deficiências orgânicas e se tornou uma das maiores conferencistas dos Estados Unidos.

Então, claro, não sabia da existência de Stephen Hawking e mesmo se soubesse, de nada adiantaria, pois na ocasião ele (que é apenas 11 meses e alguns dias mais velho do que eu) era, também, menino. Todavia, o cientista de Cambridge reúne, simultaneamente, as características que mais me atraem nas três personalidades que elegi como paradigmas. Ou seja, dispõe de mente cartesiana e tão brilhante quanto a de Albert Einstein, a quem não fica nada a dever; a persistência de Abraham Lincoln e a vontade e alegria de viver de Helen Keller. Daí meu entusiasmo por ele, que faço questão de partilhar com o mundo, mesmo sob o risco da perda de objetividade em meu texto, o que busco suprir com a paixão.

A doença que acometeu Stephen Hawking, quando tinha 21 anos de idade, é um tanto rara. É mais conhecida como “Mal de Lou Gehring”, nome que lhe foi dado em referência a um dos mais famosos jogadores de beisebol de todos os tempos, nos Estados Unidos. Esse atleta, até hoje admirado e reverenciado em seu país por suas proezas esportivas, foi acometido desse mal em 1937. A esclerose amiotrófica lateral causa paralisia progressiva em todo o corpo. Os músculos, todos eles, aos poucos, perdem o tônus e a doença, além de progressiva, é irreversível.

O físico inglês, por exemplo, só tem algum domínio sobre os três dedos intermediários da mão esquerda. É com eles que aciona, por exemplo, o sintetizador de voz, única forma que dispõe para se comunicar com o mundo. É verdade que sua privilegiada mente está além, muitíssimo além deste Planeta. Essa paralisia quase completa (com a exceção citada) e a impossibilidade de falar sem auxílio do aparelho é sua realidade cotidiana desde 1965. Naquele ano, após contrair pneumonia, teve que ser submetido a uma traqueostomia que resultou no corte acidental das cordas vocais.

Mas quem pensava que este acidente seria o fim do notável cientista bem-humorado, do professor competente e do requisitado conferencista (e creio que não havia uma só pessoa que não pensasse isso), ou que ele se deixaria abater e se entregaria á sua tragédia, estava muito enganado. De 1965 para cá, o notável físico nunca deixou de produzir. E o que produziu foi assombroso para cientistas sem nenhum problema orgânico. Imaginem para um homem paralisado dos pés à cabeça! Como não se entusiasmar por alguém assim?!!!

Três dedos de apenas uma das mãos (e só eles) são toda a força muscular de que Stephen Hawking dispõe. O que você faria se estivesse em seu lugar? Eu... certamente piraria! No entanto... com apenas esses três dedos, por exemplo, ele locomove. Aciona a cadeira de rodas motorizada, que lhe substitui as pernas e que pode atingir, até, a velocidade de 36 quilômetros por hora. Com ela, desloca-se pela casa sem precisar de ajuda de ninguém. Anos atrás, até brincava de esconde-esconde com Timmy, o filho caçula, que na oportunidade tinha dez anos de idade, no gramado de sua casa. Hoje, continua brincando, mas com o neto.

Com esses três dedos, Hawking liga o sintetizador de voz, com o qual “fala” com as pessoas, dá aulas na universidade, profere conferências e até conta anedotas – de finíssimo, de refinado humor, coisas de pessoa inteligente e de bem com a vida. Aliás, uma das suas piadas favoritas refere-se justamente ao computador que utiliza, acoplado ao sintetizador de voz, em cuja memória há um vocabulário restrito a 2.600 palavras essenciais à sua comunicação.

Numa palestra, das muitas que já fez em várias partes do mundo, o físico apressou-se em justificar seu “sotaque californiano” (ele que é inglês, nascido em Saint Albans, nos arredores de Londres): “Desculpem o meu jeito de falar. É que me comunico com a ajuda de um computador americano”. Esclareça-se que a citada máquina foi fabricada no Estado norte-americano da Califórnia.

Aliás, os que o conhecem e que já ouviram alguma de suas palestras, narram inúmeros casos que comprovam a forma natural com que Hawking encara sua realidade pessoal, sem queixas, sem revolta e sem se fazer de indefesa vítima. Sua atitude é sempre e sempre positiva, natural e sem tristeza, o que, aliás, dá razão ao ex-presidente John Kennedy, que costumava dizer que não conhecia um único gênio que não fosse dotado de bom humor. Os mal humorados e rabugentos são os medíocres e arrogantes, que se julgam geniais, sem que o sejam de fato.

Stephen Hawking gosta de fazer pequenas e inocentes brincadeiras, ora com colegas professores, ora com alunos, com pesquisadores de suas relações, com amigos, com parentes e com todos ao seu redor, que refletem seu espírito forte e a maneira sempre positiva com que encara o mundo. Por exemplo, na porta da sala do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica, em Cambridge, onde é diretor, mandou colocar uma placa com estes dizeres: “Por favor, silêncio. O chefe está dormindo”. Claro que não está! Mas... Essa irreverência e alegria de viver são, convenhamos, tremenda bofetada na cara dos pessimistas e derrotistas que têm todas as facilidades com que a natureza dota as pessoas, mas que passam o tempo todo a se lamentar e choramingar por picuinhas, à espera que alguém faça o que lhes compete fazer.

Por isso – embora neste caso se trate de constatação óbvia, mas nem por isso menos pertinente – é mais do que justa a opinião emitida sobre o ativo e bem-humorado cientista pelo norte-americano John Boslough, autor de um dos poucos livros escritos até aqui sobre o genial físico britânico: “A mente de Hawking é a ferramenta mais poderosa da Terra”. Como não concordar com essa afirmação?! E que poder!!!

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Wednesday, March 28, 2012










Nós nos acostumamos a tudo: às alegrias, aos sofrimentos, às tristezas, às esperanças, ao desespero, às angústias, aos problemas etc. Depois de algum tempo convivendo com essas situações, ficamos como que insensibilizados. E chegamos a estranhar, e até a sentir falta (por incrível que pareça), do que há pouco nos atormentava. Nossos verdadeiros problemas raramente são abordados às claras, com lucidez e com franqueza. Por isso, dou plena razão a Edgar Morin, quando constata: “As questões mais profundas de nossa sociedade não estão na televisão, na internet, nas mídias, estão no processo que nos atomiza, que nos estressa, nos tornando cada vez mais dependentes e em busca do dinheiro, da sobrevivência”.

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Jardim

Pedro J. Bondaczuk

Eu perdi a edênica inocência,
fui expulso pela espada medonha
de um anjo. Estava nu. Senti vergonha
tão logo adquiri essa consciência.

Fui vítima de estranha sensação,
de que não voltaria a essa estância,
a essa fase da vida, à infância:
fui expulso do Éden, como Adão.

O tempo se encarregou, para mim,
de sepultar a extinta lembrança
do Paraíso, que eu perdi, enfim.

Porém, ao tempo vence a esperança
e um resquício do sonho de criança
reconduziu-me às portas do Jardim.


(Soneto composto em Campinas, em 7 de novembro de 1965).

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Cérebro excepcional

Pedro J. Bondaczuk

O único caminho que o homem – esse animal que oscila entre a fera bronca e a divindade – tem para atingir a “grandeza” e satisfazer a plenitude de seu potencial, é “ser grande”. É agir. É desenvolver ao limite (que ninguém sabe qual é) esse órgão maravilhoso e misterioso que é o cérebro. É observar, racionalizar, valer-se da lógica, extrapolar, chegar ao pleno entendimento – que é o significado último, intrínseco, da palavra “inteligência” – e expressar, de maneira inteligível, de sorte que todos entendam, o que até então permanecia obscuro.

Tenho um fascínio, na verdade veneração, pela genialidade e por quem é dotado dela, o gênio. Quando me refiro a grandeza, permitam-me explicar, não estou pensando em tamanho, em estatura. Há muitas pessoas pequenas, minúsculas, frágeis fisicamente, com estatura mental incomensurável. Também não me refiro ao que para o vulgo significa ser grande, ou seja, contar com fortuna – que é passageira e ocasional cuja detenção só é possível enquanto o detentor estiver vivo. E nem penso em poder, que é efêmero e enganador, nem na fama, na glória ou em qualquer outra característica social que coloca algumas pessoas num patamar mais elevado das demais.

Quando me refiro a grandeza, estou pensando na lucidez mental. Na capacidade de ver e de entender o que pouquíssimos (não raro ninguém) vê e muito menos entende. Estes homens são raros, raríssimos. Por isso, quando aparecem, ganham, de imediato, projeção. Pessoas como Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Charles Darwin, Galileo Galilei Galileu e Albert Einstein, e um punhado de alguns outros, não nascem em abundância e nem em todas gerações. Na atualidade temos, é certo, alguns tantos gênios. Volta e meia, tomamos conhecimento de alguns, notadamente quando galardoados com o Prêmio Nobel, de Física, de Química, de Medicina e de outras categorias.

Entre os gênios de todos os tempos, cujas figuras reverencio e de cuja genialidade procuro usufruir de alguma maneira, uma das que mais admiro (e sobre a qual pretendo tratar neste espaço nos próximos dias), é contemporânea. Tem quase um ano a mais de idade do que eu (nasceu em 8 de janeiro de 1942 e eu em 20 de janeiro de 1943). Nunca ganhou um Prêmio Nobel de Física (é físico), embora bem que o mereça e seja candidato natural, todos os anos, dessa premiação. Esse gênio que admiro e que invejo (com aquela inveja que é mais um elogio do que qualquer outra coisa, pois consiste em fazer da pessoa “invejada” paradigma do que se aspira alcançar) não é, fisicamente, privilegiado.

Não tem estatura avantajada, pelo contrário. É fragílimo (pesa somente 50 quilos, se tanto). Não tem nenhuma agilidade. Mas nenhuma mesmo. Não tem sequer mobilidade. Não consegue se locomover por conta própria. Precisa de assistência permanente para prover as necessidades básicas. Sem ajuda alheia, certamente, não sobreviveria nem por uma semana, ou menos. Morreria. E se isso viesse a acontecer (ou “quando” vier a acontecer, pois a morte é a única certeza que todos temos), seria (e será) uma perda irreparável para a ciência e, mais, para a humanidade.

Nem mesmo falar este gênio consegue, sem o providencial auxílio de um sintetizador de voz, acoplado a um computador. Dispõe, para comunicação com o mundo, de um vocabulário escasso, limitado a 2.600 palavras, com as quais mantém contato não só com a mulher (a enfermeira Elaine Mason, do segundo casamento) e com os três filhos e um neto, mas brinda o mundo com as maravilhas do seu cérebro genial, em livros que escreve e palestras, seminários e conferências que profere.

O leitor bem informado certamente já sabe a quem me refiro. É a ele, sim, ao físico e cosmólogo britânico, um dos mais consagrados cientistas da atualidade, Stephen William Hawking. Trata-se de uma espécie de síntese de Galileo Galilei Galileu, de Isaac Newton e de Albert Einstein. E se houver exagero nessa comparação, este é para menos e não para mais.

Atado a tamanha dependência física, biológica, que é total e absoluta, ditada por rara doença que o acometeu quando tinha apenas 21 anos de idade – a esclerose amiotrófica lateral, que é progressiva e que ainda não tem cura – esse gênio contesta um dito popular, um clichê que considero injusto e mentiroso, citado amiúde por cultores apenas do físico, em detrimento do intelecto e do espírito: “mens sana in corpore sano”. Essa afirmação não só não é verdadeira, como é injusta para com aqueles que com férrea vontade superam incríveis limitações.

A língua inglesa tem um termo apropriado para expressar a superação de determinadas deficiências mediante esforço pessoal, através do poder da vontade, permitindo que a pessoa que recorre a esse expediente faça praticamente tudo o que quem não tem esse tipo de obstáculo faz: “handicap”. Muita gente supera dificuldades absurdas, aparentemente insuperáveis. Mas não conheço nenhuma que o faça com a mesma determinação e naturalidade desse gênio da física.

Stephen Hawking deve ser analisado (sei que esta é a sua vontade), não pela capacidade de superação orgânica, mas pela clareza e excelência do pensamento. Mas é impossível dissociar uma coisa da outra, porquanto a segunda valoriza muito mais ainda a primeira. Ressalta a genialidade da sua percepção, e não somente do que o cerca no cotidiano, mas, sobretudo, de algo que vai além, muito além, mais amplo, incomensurável, posto que projetado em um eixo cartesiano cujo espaço é o infinito e cujo tempo é o eterno: o universo.

Entendo, porém, que sua vontade, e sobretudo, alegria de viver não devam ser encaradas, somente, como mero detalhe. São exemplares. E esse exemplo dignificante deve ser imitado por milhões de pessoas, privadas, também, da saúde, por circunstâncias fortuitas do acaso e que por essa razão se julgam “imprestáveis” e se entregam ao desalento. Sua atitude exemplar pode e deve servir, sobretudo, de estímulo para os que, no auge do vigor físico, se vêem atacados pelo tão nefasto (mas tão comum) “vírus” do desânimo. Voltarei, certamente, ao assunto e em termos mais objetivos e, por conseqüência, menos emocionais.


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Tuesday, March 27, 2012











Auguste Kekulé, o célebre químico e professor alemão, recomendou, em 1890, aos seus alunos: “Vocês devem aprender a sonhar. Então, talvez descubram a verdade”. E isto, ou seja, explorar o mundo dos sonhos e expressar o que “viram”, na linguagem mágica dos anjos, os poetas sabem, e de sobejo. Por isso, antecipam o futuro. E o fazem com mais graça e mais beleza (e, claro, com maior verdade), do que furibundos e enlouquecidos profetas, a nos ameaçar com as mais terríveis desgraças e provações. Já os poetas abrem-nos as portas do Paraíso para que, pelo menos em sonho, possamos usufruir das suas delícias. Por isso...reinventam a vida..., uma vida com charme, graça e glamour.

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Investigações do Mossad apontam para o Irã


Pedro J. Bondaczuk


A explosão do carro-bomba ocorrida em 18 de julho passado, em frente ao prédio de sete andares da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em Buenos Aires, foi o mais sangrento atentado terrorista contra uma entidade judia já praticado na América Latina. Superou, em muito, em número de vítimas, o de 1992, também na capital argentina, contra a embaixada israelense.

Naquela oportunidade, os mortos foram 29, com mais de 150 feridos. À ação do mês passado, seguiu-se a queda de um avião no Panamá, em 19 de julho, com 21 mortes, que as autoridades panamenhas atribuem à explosão de uma bomba a bordo. Os passageiros eram empresários judeus. O ataque à sede da Amia matou 96 pessoas, feriu 250 e deixou 10 desaparecidas, provavelmente mortas também.

Investigações realizadas pelo serviço secreto israelense, o Mossad, em conjunto com a Polícia Federal argentina e a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), apontam na direção do Irã. Três iranianos foram presos, como suspeitos de terem organizado --- junto com neonazistas argentinos --- o atentado de 18 de julho e estão sendo investigados, embora um grupo islâmico do Sul do Líbano, dissidente do Hezbollah (Partido de Deus), tivesse assumido a autoria da explosão.

Os extremistas, entre os quais uma mulher, teriam sua base no Brasil e já estavam na mira do serviço secreto paraguaio, que conseguiu evitar um ato terrorista planejado para ocorrer em Assunção.

(Artigo publicado na página 1, do Caderno Cidades, do Correio Popular, em 3 de agosto de 1994, como parte da matéria "Judeus de Campinas pedem proteção à PM").

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Fatos e versões

Pedro J. Bondaczuk

A biografia é um gênero literário dos mais procurados pelos leitores, ávidos por conhecerem detalhes e circunstâncias das vidas de determinadas personalidades. Claro que os biografados são sempre figuras públicas, muito conhecidas pelo que fizeram e quanto mais polêmicas melhor. Afinal, ninguém, com um pingo de bom senso (ou de juízo), se arrisca a biografar um sujeito obscuro, que ninguém conheça e que não tenha feito nada de excepcional que mereça lembrança em vida e muito menos póstuma.

Há, é verdade, alguns casos (raríssimos) de pessoas rigorosamente estranhas ao público, cujas histórias, todavia, são interessantes, quando não exemplares, que adquirem súbita notoriedade depois de mortas. Vá se saber porque! A vida é repleta dessas surpresas. Estes casos, todavia, são exceções. Talvez se contem nos dedos de apenas uma das mãos. Juro que não me lembro de nenhum para citar como exemplo. Mas... não descarto a possibilidade deles existirem.

Caso algum escritor, e criativo (nesse caso, tem que ser) se arrisque a escrever a respeito de alguém que não tenha feito nada na vida que mereça destaque, lembrança ou simples menção que seja (o que, convenhamos, ocorre com a imensa maioria da população do Planeta), sobre esses indivíduos rigorosamente “comuns”, digamos anônimos (desconhecidos não raro até para parentes mais afastados), dificilmente seu livro irá emplacar (embora nunca se saiba). O mais provável é que a narrativa, se escrita, sequer interesse algum editor e que permaneça, portanto, inédita, para a frustração do autor.

Li dezenas de biografias, algumas excepcionais e marcantes, mas, invariavelmente, ao cabo da leitura, me perguntava e ainda me pergunto: o quanto do narrado é fato e o quanto não passa de mera versão, quando não simples opinião? Não, leitor, não estou duvidando da integridade e, por conseqüência, da honestidade de quem redigiu, longe disso (embora não duvide da possibilidade de distorções, intencionais ou não, por um motivo ou outro, por parte do biógrafo). Pergunto: quanto do conteúdo é rigorosamente factual, ou seja, aconteceu exatamente como descrito? Cinquenta por cento? Improvável! Trinta? Mais? Menos?

Caso você seja editor, sugiro que faça um teste, que reputo bastante esclarecedor. Escale três repórteres diferentes para cobrirem um mesmo acontecimento (caso, evidente, você tenha esse tipo de autonomia). Depois, leia, com mais atenção do que de costume, os respectivos textos. Desconsidere os estilos. Pergunto: há duas narrativas rigorosamente iguais em todos os detalhes? Duvido! E isso para algo que acaba de acontecer. Imagine o que ocorre com fatos que se verificaram há vinte, trinta ou mais anos! E que, para complicar ainda mais, o redator não testemunhou pessoalmente. Como esperar que a descrição seja rigorosamente fiel?! Asseguro: não será.

Fiquei ainda mais “esperto” em relação a biografias depois de ler a entrevista da atriz-escritora norte-americana Joanna Barnes, autora da novela “Silverwood”, concedida em 1985, em que ela diz que boa parte dos atores e atrizes de Hollywood (e é impossível dizer quantos e quais agiram e agem dessa maneira), criam histórias fictícias de suas vidas, sem um pingo que seja de verdade, tão logo atingem a fama. Claro que nessas “invenções” ninguém posa ou quer posar de vilão (mesmo que tenha sido) e nem mostra o seu pior ângulo.

Joanna narrou, na referida entrevista, histórias escabrosas, que jura serem rigorosamente reais, que ou testemunhou, ou ouviu de fontes seguras (será?), e que nenhum biógrafo, por mais maldoso e mal intencionado que fosse, se atreveria a narrar nas biografias que viesse a escrever. Ela conta, por exemplo, o caso de um diretor de determinado estúdio de Los Angeles que surpreendeu a esposa na cama com um dos seus atores, o mais famoso dos que mantinha sob contrato.

Ao contrário do que poderia se esperar neste caso, todavia, o marido traído não recorreu à violência, não ameaçou matar o casal adúltero e nem armou escândalo em torno do adultério. Pelo contrário, abafou o episódio. Manteve o tal ator, porém, sob contrato, como se nada houvesse ocorrido, e por mais sete anos, pagando, rigorosamente, todos seus salários. Nem mesmo se divorciou da esposa infiel.

Todavia, o diretor em questão não perdoou os amantes. Sua vingança foi lenta, prolongada e sutil. Não escalou o referido astro para atuar nunca mais, em nenhum filme do seu estúdio, até que ele fosse totalmente esquecido pelo público que, como se sabe, é volúvel e tem memória curta. Quando isso ocorreu, demitiu-o. Jamais o ator voltou a ser falado nos meios cinematográficos ou na imprensa. Foi como se nem tivesse existido. Encerrou melancolicamente a carreira, esquecido, amargurado e alcoólatra. Algum biógrafo (do diretor, ou da atriz ou do astro destruído) narraria esse episódio, e com a esperada isenção, em sua biografia? Duvido!

Joanna narrou outra hist6ória (sem identificar, lógico, os protagonistas) que soa inacreditável, mas que jura ser verdadeira. É a de um famoso cowboy de filmes de faroeste, que vivia feliz com a esposa e filhos até o dia em que a sogra veio morar com eles. Meses depois, para espanto geral, a mulher descobriu, perplexa, que a mãe havia se tornado amante do marido. Pediu divórcio, claro. E o que vocês acham que aconteceu com o cowboy infiel? Ele simplesmente casou-se com a ex-sogra, sem se importar com a fúria da esposa rejeitada.

Sobre a possibilidade de narrar esse tipo de história, de forma ficcional, em um romance ou novela, Joanna disse que não se arriscaria a fazer isso, pois esse tipo de enredo soaria inverossímil. “Os casos são muitos e acontecem todos os dias. Mas se alguém quiser usá-los em ficção, tem que suavizá-los com muita habilidade, para que o leitor acredite que não são frutos de exageros ou de delírios”.

Algum biógrafo se atreveria a narrar um episódio como esse em uma biografia? Não mesmo!!! Por tudo o que expus, fico sempre na dúvida sobre qual gênero tem maior carga de fantasia, se contos, se novelas ou se romances, que narram histórias declaradamente de ficção, ou se biografias, supostamente relatos de fatos acontecidos. Acontecidos?


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Monday, March 26, 2012










A História nos mostra que o poeta foi o jornalista primitivo, aquele que, de uma certa forma, deu origem a esse profissional tão controvertido e glamourizado dos nossos tempos. Claro que a atuação de ambos difere, tanto na linguagem, quanto em suas concepções. O poeta lida com o interior, com a psiquê, com a imaginação e, sobretudo, com os sentimentos, com a alma humana, com a emoção. Sua atuação é de dentro para fora. É, pois, subjetivo por excelência. Já o jornalista tem na objetividade a sua linha de conduta. Reporta tudo o que vê, ouve ou toma conhecimento por qualquer outro meio de informação, como a leitura, por exemplo. Tem, como matéria-prima, os fatos, nus e crus. Não lhe compete fazer juízo de valor. Seu papel é o de retratar a realidade (ou o que entende como tal), com a máxima veracidade e isenção. Da minha parte, embora seja jornalista, prefiro a subjetividade do poeta. É mais autêntica!

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Anote e Confira


GLOBO DE OURO

O Globo de Ouro, por ser uma produção muito bem cuidada, sobreviveu às diversas mudanças na TV e hoje é o mais antigo programa em seu gênero. Além de trazer sempre os autênticos sucessos do momento, abre importantes espaços para os novos, projetando-os emk nível nacional. Hoje, na Sexta Super, esta grande parada mensal traz ao vídeo alguns dos maiores nomes da nossa música na atualidade. Dessa forma, estarão mostrando seus sucessos atuais cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Erasmo Carlos, Elba Ramalho, Simone, Fagner, Gonzaguinha e Beth Carvalho, junto com os que se projetaram recentemente, como os grupos Paralamas do Sucesso e Lobão e os Ronaldos. A apresentação estará a cargo de Miriam Rios e Dênis Carvalho. Rede Globo, canal 12, às 21h20.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, “TEVÊ”, do Correio Popular, em 30 de novembro de 1984).

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A adoção de pseudônimo

Pedro J. Bondaczuk

A adoção de um pseudônimo, a pretexto de que o nome com que a pessoa foi registrada é complicado, ou não sonoro, ou de difícil memorização, ou por outro motivo qualquer, é questão controvertida, contudo considerada normal. É uma opção pessoal e não condeno e nem critico quem faz isso. Da minha parte... não faria, como nunca fiz isso.

Quando iniciei minha carreira no rádio, lá pelos idos de 1961, sugeriram-me que adotasse um pseudônimo. Argumentaram que Pedro Bondaczuk era um nome complicado de se pronunciar e, principalmente, de se memorizar. Recusei. Sempre gostei da forma como fui registrado e jamais me passou. sequer remotamente, pela cabeça mudá-la. No princípio, outros locutores se enrolavam todos quando tinham que me anunciar. Os ouvintes também. Com o tempo, todavia, todos se acostumaram e meu nome de batismo acabou se revelando tão útil e comum, como o mais criativo dos pseudônimos.

Não defendo e nem me oponho, todavia, a quem resolve querer ficar conhecido por outra denominação, que não a que seus pais lhe atribuíram. Cada qual sabe onde o sapato lhe aperta o pé. Só reitero que eu nunca fiz isso e jamais faria. Não vejo utilidade prática nisso. Este preâmbulo um tanto extenso – que em jornalismo recebe o pitoresco rótulo de “nariz de cera” – vem a propósito de uma declaração da atriz e escritora norte-americana Joanna Barnes, em entrevista publicada em 1985, a propósito de sua então recém-lançada novela “Silverwood”, que se propunha a narrar, de forma ficcional, histórias que ela assegurou serem verídicas ocorridas no mundo do cinema, mais especificamente, em Hollywood.

Ela declarou, na oportunidade, a propósito: “Vocês ficariam surpresos com o número de atores e atrizes que mudam o nome e seus antecedentes de família”. Quanto à adoção de pseudônimos, como já afirmei, não aplaudo e nem condeno. Mas quanto à segunda parte da sua declaração... Repudio com veemência. “Inventar” toda uma biografia, rigorosamente fictícia, provavelmente por “vergonha” da sua origem e da sua família é de uma desonestidade à toda prova. É, antes e acima de tudo, grande mentira. E não consigo justificar e muito menos apoiar e aplaudir o mentiroso (ou mentirosa, quando é o caso), a nenhum pretexto.

Mesmo o fato de alguns artistas (ou atletas, ou escritores, ou cantores, ou seja lá quem for) mudarem de nome, por razões que só a eles compete explicar, tão logo assinam o primeiro contrato profissional, é visto com certa suspeita por alguns. Também não os critico. É como se essas pessoas tivessem vergonha da profissão que escolheram e queiram se despersonalizar. Ou que tivessem algo de escabroso do passado para esconder. Claro que procedem dessa forma não por esse motivo. Geralmente fazem-no por questão de “marketing pessoal” ou algo que o valha.

Até certo ponto esse procedimento se justifica, embora, reitero, jamais recorreria a ele para iniciar e desenvolver uma carreira. Mas... Acompanhem meu raciocínio. Se fosse anunciada amanhã a exibição de um filme estrelado, por exemplo, por Marion Morrison, um western norte-americano, cheio de tiros e pancadaria, você se interessaria por ele motivado apenas pelo nome do astro principal? Dificilmente. Arrisco-me a dizer que não, por maior que fosse a publicidade em torno dessa produção.

Tudo, porém, mudaria de figura se em vez do nome real do referido artista se enunciasse o pseudônimo pelo qual se popularizou e se consagrou: John Wayne. Outro exemplo na mesma linha? Você conhece, por exemplo, a dupla de humoristas de Hollywood Joseph Levitch e Dino Crocetti? Não conhece? Os dois são, para você, ilustres desconhecidos? Pois lhe asseguro que não são. Esses dois são, nada mais nada menos, que Jerry Lewis e Dean Martin.

O leitor já ouviu falar, alguma vez, do “grande ator” Allen Stewart Konigsberg? Certamente que sim. Trata-se do genial Woody Allen, que tem encantado platéias do mundo todo com seu humor refinado. Alguém que soubesse que o filme “O anjo azul” tinha por estrela a atriz Magdalene Von Losch jamais iria ligar esse nome ao de Marlene Dietrich, que é como a atriz se consagrou. Nem assistiria ao “Frankenstein”, ou a qualquer outro filme de terror cujos personagens aterrorizantes fossem representados por um obscuro William Henry Pratt. Tudo mudaria de figura, porém, se fosse informado que se trata do ator Boris Karloff. Tony Curtiss, por exemplo, foi batizado como Bernie Schwartz, assim como Richard Burton chama-se Richard Jenkins; Maria Callas, Cecília Kalogeropoulos; Ava Gadner, Lucy Johnson e Fred Astaire, Frederick Austerlitz.

Por que os artistas mudam seus nomes? Seria para esconder algo obscuro ou delituoso ou vergonhoso e inconfessável em seu passado? Seria para que os amigos seus e de sua família não os identificassem e não revelassem podres de sua vida pregressa? No passado, pode até ser que a adoção de pseudônimos fosse por esses motivos (nunca se sabe). Mas no presente, tudo é uma questão de “marketing” . De “marketing pessoal”. De mera tentativa de “vender” bem um nome que seja mais “palatável”, ou seja, fácil de ser guardado na memória. Você concorda com isso? Acha que é uma providência relevante que facilite o sucesso e a fama? Eu não acho!



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Sunday, March 25, 2012










O significado original da palavra poesia tem tudo a ver com prática, ação, dinamismo e ativismo ostensivo em determinadas causas. Os gregos sabiam, de sobejo, que se tratava de um instrumento pedagógico por excelência (pena que nos dias atuais não venha sendo utilizada com esse fim). Era através dela que, na Grécia Antiga, conhecimentos, informações e, sobretudo, tradições, eram transmitidos de uma geração a outra. A poesia exercia o papel que cabe, hoje, aos meios de comunicação. Não havia (de início) registros escritos. Os poemas eram compostos e, posteriormente, decorados e assim difundidos através de anos, de séculos, de milênios até. E foi graças a essa forma de transmissão que nos chegaram, desse passado tão remoto, as geniais epopéias “Odisséia” e “Ilíada” de Homero, entre outras obras. Pode-se dizer, pois, que o poeta foi o jornalista primitivo.

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Em busca de posições comuns


Pedro J. Bondaczuk


A América Latina, através de seus representantes, estará discutindo os principais problemas que afligem a região, na próxima semana, durante a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos, a ser realizada na Colômbia (palco de duas recentes tragédias que enlutaram todo o continente).

Paralelo a esse evento, cinco organismos regionais estarão reunidos, numa saudável troca de idéias, buscando, através da nossa própria experiência, solucionar nossas questões mais angustiantes, como a dívida externa, a tensão na América Central e os problemas atinentes ao comércio regional.

Será uma ótima oportunidade para que nossos países desenvolvam uma estratégia comum, capaz de nos tornar fortes diante dos interlocutores industrializados e que nos livre da bipolarização ideológica das superpotências.

A América Latina é uma região cheia de contrastes. Não apenas os de caráter social, ditados por enormes e absurdas concentrações de riquezas em mãos de pouquíssimos privilegiados, mercê de políticas equivocadas postas em prática em nossos países, desde que a maioria obteve a sua independência, no início do século passado.

Estes invadem o campo econômico, o cultural e o do relacionamento continental. Em poucas regiões do mundo a natureza foi tão pródiga quanto nesta. Mas permanecemos indiferentes a essa dádiva, representada por riquezas minerais fabulosas, que acabam indo beneficiar a outros povos, em virtude da nossa inércia, da nossa ingenuidade ou da nossa corrupção (especialmente esta última).

Enquanto isso (ou em decorrência dessa nossa incapacidade) a imagem latino-americana perante a comunidade internacional é das mais lamentáveis. Somos vistos por ela como completos irresponsáveis, incorrigíveis esbanjadores e eternos amantes da ociosidade, o que não condiz, em absoluto, com o perfil da maioria.

Somos olhados como selvagens, incapazes de orientar nossos destinos através de um sistema político de consenso, onde a vontade da maioria seja respeitada. Na América Latina, a oligarquia sempre é quem manda. Fomos ultrapassados pelo tempo e ainda não nos apercebemos disso.

Agora, como em diversas outras ocasiões anteriores, a região ensaia, posto que ainda timidamente, um processo de redemocratização. Eleições aconteceram neste ano no Brasil (indiretas), no Peru, na Bolívia, em El Salvador, na Guatemala e em Honduras (entre as mais expressivas), todas dentro de um razoável clima de respeito e de liberdade.

Novas lideranças estão emergindo, em termos continentais. Como o jovem presidente peruano, Alan Garcia Perez; como o já carismático Raul Alfonsin ou como o ponderado Júlio Maria Sanguinetti. Todos avançamos um pouco, não há dúvidas, embora no Panamá tenha se verificado outro ”golpe branco”, com o presidente Arditto Barletta sendo obrigado a renunciar para não ser deposto, sem que o fato ganhasse o devido destaque.

Mas os riscos institucionais estão longe de terem sido debelados. O maior exemplo disso foram os fatos verificados ainda recentemente na Argentina, na sucessão de atentados a bomba e de denúncias de complô golpista, felizmente detidos, a tempo, pelo governo democrático daquele país.

Qualquer medida de caráter social mais ousada, tendente a consertar as brutais distorções há muito existentes na região, intoleráveis nos umbrais de um novo século, causam movimentação desusada entre os que, encastelados em privilégios vindos desde os tempos coloniais, não admitem essas correções. Isso precisa mudar e bem depressa.

O que se espera é que essa gestão diplomática prevista para a próxima semana na Colômbia surta algum efeito verificável. Que o Grupo de Contadora obtenha, por exemplo, pelo menos um compromisso formal dos países centro-americanos de que eles não lançarão mão do recurso da violência para solucionarem suas questões.

Que o Grupo de Consenso de Cartagena promova uma estratégia comum no trato da questão da dívida, para que a América Latina tenha poder de barganha junto aos credores e reduza os juros intoleráveis que nos são cobrados impunemente. Enfim, que tudo não termine, como sempre aconteceu, em muita retórica e nenhum ato efetivamente prático.

(Artigo publicado na página 9, Internacional, do Correio Popular, em 27 de novembro de 1985).

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O que há por trás do glamour

Pedro J. Bondaczuk

O mundo do cinema, notadamente Hollywood, sempre despertou grande interesse no público, fascinado com seu glamour e beleza. Biografias de atores e atrizes famosos abundam e logo viram best-sellers. Há revistas especializadas em trazer notícias de cinema e de seus personagens em profusão. Algumas tratam do assunto com objetividade e uma certa seriedade, mas... muitas optam pelo que se convencionou chamar de “fofocas”, ou seja, intrigas e escândalos, velados ou escrachados.

Em texto anterior sobre o tema citei que Hollywood é rica em histórias, ora cômicas, ora trágicas, a maioria das quais permanece em seu próprio e restrito âmbito. Algumas vazam para a imprensa que, quando isso acontece, faz enorme estardalhaço em torno delas, para delírio do público, ávido por esse tipo de casos, via de regra escandalosos, como o da atriz flagrada fazendo sexo em pleno parque público ou da estrela famosa presa em um shopping center por furto de algum objeto. Raros são os escritores do próprio meio que se dispõem, ou se arriscam a abordar o que acontece, de fato, por lá.

Joanna Barnes, todavia, é exceção. Além de atriz, com vários trabalhos marcantes quer na telinha (na TV), quer na telona (no cinema), foi (e não sei se ainda é) colunista do “The Chicago Tribune” e autora de novelas (não sei se alguma delas foi lançada no Brasil), três das quais tive a oportunidade de conhecer: “The Deceivers” (1970), “Pastora” (1980) e “Silverwood” (1985).

No cinema, integrou os elencos de diversos filmes famosos, entre os quais “Spartacus”. Contracenou com atores consagrados, como John Wayne e Kirk Douglas, entre outros. Foi, por exemplo, a 13ª Jane, mulher de Tarzan, do cinema, no filme “Tarzan, o homem macaco” (1959), que teve como intérprete do rei da selva Denny Miller. Mas o que nos importa é a sua faceta de escritora. E, mais especificamente, sua novela “Silverwood”. E o que este livro em particular tem de tão especial? Nele, Joanna conta algumas histórias de Hollywood, posto que disfarçadas para não constranger os protagonistas e/ou não correr risco de ser processada. Ela garante que os episódios que aborda são todos baseados em fatos reais. É o testemunho, posto que de forma ficcional, portanto, de alguém do ramo, desse meio.

A heroína da novela é uma mulher, que ascende ao círculo da alta sociedade, após casar-se com um multimilionário. Para tanto, inventa antecedentes e uma história familiar rigorosamente fictícia. Forja uma biografia e convence o ricaço apaixonado que é tudo verdade. E ele acredita. Joanna garantiu, em longa e deliciosa entrevista, concedida em 1985 (cujo texto tenho em mãos), que isso é super comum no meio artístico. Ou seja, não se pode fiar muito nas pseudo-biografias de atores e atrizes. E observa, a propósito: “Não lhes posso dizer quantas vezes fizeram isso algumas das maiores estrelas de Hollywood”.

Na referida entrevista, Joanna conta histórias “cabeludas”, omitindo, claro, quem as protagonizou (mas apenas em alguns casos; naqueles em que não há revelações negativas, ela identifica os protagonistas). Ela afirma, em certo trecho: “Vocês ficariam surpresos com o número de atores e atrizes que mudam o nome e seus antecedentes de família, incluindo estrelas com cartaz, como Merle Oberon”. E acrescenta: “O grande problema em escrever novelas envolvendo pessoas dos meios de cinema e televisão é que a verdade, caso se quisesse trazê-la à baila, é ainda mais descabelada, absurda, estranha e pornográfica do que possamos imaginar. Se a pusesse no livro... ninguém acredita. E as pessoas perguntariam, incrédulas: ‘é possível que essas coisas tenham, mesmo, acontecido?’”.

Para não deixar as coisas no ar, Joanna cita um exemplo: “Quem acreditaria na verdadeira história de um ator, ansioso por se divorciar da esposa, mas que não tinha nenhum direito legal à fortuna dela? Assim, propôs, a seu assessor de imprensa, que fizesse um seguro de vida e depois simulasse que seduzia sua mulher, para que pudesse ser feito um flagrante de adultério”. E narra o desfecho do caso, que garante ser rigorosamente verídico: “O funcionário aceitou participar desse engodo, embora, particularmente, não sentisse a menor atração pela mulher do chefe. Seduziu-a, o ator os surpreendeu, como haviam combinado, e conseguiu, dessa forma, o divórcio que queria. Todavia, pouco tempo depois, o assessor suicidou-se. Vocês acreditariam nisso caso lessem em uma novela?!”. De fato, é inacreditável. Mas aconteceu, como garante a atriz-escritora.

Joanna Barnes perguntou se alguém acreditaria na história de uma jovem atriz que, por engano, achou que estava na lista negra, na época em que ocorreu a chamada “caça às bruxas” em Hollywood e na Broadway, de artistas supostamente simpatizantes do comunismo, no período do tal do macartismo. Aflita, ela levou o caso ao presidente do Sindicato dos Atores Cinematográficos em busca de ajuda. Este não somente a ajudou, mas veio a se casar com ela. Anos mais tarde, o marido chegou ao clímax de vitoriosa carreira política, ou seja, à presidência dos Estados Unidos.

“Impossível?”, perguntou Joanna. E explicou: “Aconteceu com Nancy Davis. Quando estava sob contrato com a MGM, outra atriz, que tinha o mesmo nome, havia sido colocada na tal lista negra. Por causa da homônima, a Nancy, da MGM, temia que sua carreira viria a sofrer com a confusão dos nomes. Foi quando o produtor Mervyn Leroy lhe disse que o sindicato poderia ajudá-la. Apresentou-a a Ronald Reagan, que então presidia a entidade. O casal enamorou-se, casou-se e todos conhecem o resto da história. Mas qual escritor teria a coragem de inventar um enredo como este numa novela ou romance? É uma história demasiado improvável e inverossímil. Mas aconteceu”.

Indagada sobre qual das duas atividades que exerce, a de atriz e a de escritora, mais lhe agradava, Joanna Barnes respondeu: “Encenar é mais divertido. Já escrever, é algo que se deve fazer só e dá muito mais trabalho e traz maiores riscos. Se alguém fracassar em um papel, por exemplo, pode jogar a culpa, e quase sempre joga, no diretor, nos autores do roteiro e até em outros atores. Mas se falhar em um livro... só terá um remédio: ir para casa e olhar-se bem no espelho”. E não é o que acontece?!

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