Monday, February 28, 2011







A humanidade, desde os primórdios da civilização, empenha-se muito mais em construir muros do que em erigir pontes. Enfatiza fatores que diferenciam as pessoas, como nacionalidade, raça, cor, religião etc., em vez de se empenhar em destacar semelhanças, que são, praticamente, infinitas. Essa é uma das razões de tantas injustiças, ódios, divisões e violências no mundo, ao longo da História, aprofundando o abismo entre classes sociais e povos. As pessoas verdadeiramente racionais empenham-se, todavia, na construção de pontes, de passagens, de canais de comunicação que aproximem, mais e mais, grupos aparentemente heterogêneos. O que deve ser enfatizado, sobretudo, é a nossa humanidade. Manda a sabedoria que raciocinemos como Thomas Paine que, em magistral discurso, declarou: “O mundo é o meu país, todo ser humano é meu irmão e fazer o bem é minha religião”. Este é um ideal pelo qual vale a pena viver e, se preciso, até morrer.

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Eleições e a luta pela audiência na TV

Pedro J. Bondaczuk



As eleições para os governos de Estado, para as Assembléias Legislativas e para a composição da Constituinte, estão, virtualmente, às portas, já que faltam exatas três semanas para o pleito e esse é um momento oportuno para uma avaliação de como as emissoras de televisão trataram desse importante assunto.
Do ponto de vista jornalístico, a nosso ver, o desempenho, nesta oportunidade, foi bem melhor do que em ocasiões anteriores. O que não ajudou muito, frise-se, foi a postura dos candidatos, desacostumados à prática democrática, que descambaram, na sua maioria, para agressões pessoais e acusações estéreis, certamente na falta de uma mensagem objetiva para veicular para o eleitorado.
A Rede Globo, mais uma vez, levou vantagem sobre as competidoras, com o seu bem-elaborado e variado programa “Eleições 86”. É verdade que a apresentação foi cheia de altos e baixos. Houve domingo em que teve um nível impecável, tanto no teor das matérias apresentadas, como na forma de veiculação.
Em outras oportunidades, porém, ela não deixou de ser um tanto sonolenta, como, aliás, a própria campanha nessas ocasiões. Mas, numa média geral, satisfez os objetivos, principalmente por esclarecer dúvidas do eleitor acerca do mecanismo, da natureza e da importância das eleições.
A emissora está veiculando, nos últimos dias, sucessivas chamadas, prometendo uma cobertura das mais completas sobre o próprio pleito e, principalmente, sobre as apurações das urnas. Nessa oportunidade, a agilidade é que vai contar pontos.
Quem tiver mais recursos humanos para se fazer presente numa quantidade maior de lugares, certamente haverá de conquistar a audiência do público. E, nesse aspecto, a Globo leva nítida vantagem sobre os demais canais e dispõe, inclusive, de mais experiência nesse tipo de evento.
O que é necessário de se distinguir, na atual campanha eleitoral, é a apresentação jornalística da movimentação dos candidatos da propaganda gratuita, sobre a qual as emissoras não têm qualquer responsabilidade. Ao contrário, arcam, somente, com seus ônus. Em alguns dias, as mensagens dos partidos são tão chatas e repetitivas, que o índice de receptores desligados cresce assustadoramente. Isso prejudica, com toda a certeza, a audiência dos programas que vêm depois do horário do TRE.
No tocante ao noticiário eleitoral, as apresentações estão dentro dos padrões exigidos pela lei. Todos acompanham, praticamente, um mesmo diapasão e se restringem à movimentação dos diversos postulantes aos cargos no governo e às suas reações ao sobe e desce de cada um nas pesquisas de opinião.
Debate, em São Paulo, ocorreu apenas um e, dada a característica agressiva com que o mesmo se desenvolveu, os candidatos resolveram, por conta própria, não se expor a novos riscos, para não comprometer mais a sua já desgastada imagem.
Dessa forma, o pega, previsto para acontecer na Rede Manchete, acabou sendo cancelado. Fala-se num novo confronto entre os cinco candidatos ao governo do Estado, quando faltarem somente quatro dias para a votação, mas é pouco provável que ele ocorra, de fato. Ninguém vai querer correr riscos, justo na reta final, a de chegada.
Quanto à Constituinte, as emissoras divulgaram tudo aquilo que a lei permitia a propósito do tema. Não foram apresentadas teses para debate, por causa de uma estranha proibição legal nesse sentido. Mas o “Eleições 86” apresentou, virtualmente, tudo o que havia para ser dito sobre o assunto.
Falou das Constituições brasileiras anteriores, comparou nossas cartas magnas com as de alguns países, abordou a mais antiga existente no mundo (a da Inglaterra, de 1260), e finalizou com uma matéria sobre o extraordinário exemplo de concisão do documento constitucional norte-americano.
Acusar, portanto, a televisão por alguma possível alienação de algum eleitor, será, desta feita, profunda injustiça. O veículo fez, na oportunidade, não apenas aquilo que lhe cabia, mas foi muito além, dando ao assunto a importância que ele merecia. Quem destoou, na atual campanha, infelizmente, foram os candidatos. Mas isto já é uma outra história.

(Comentário publicado na página 10, Variedades, do Correio Popular, em 25 de outubro de 1986).

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Fim de jornada

Pedro J. Bondaczuk

O mundo literário nacional e, por que não dizer, também o mundial e, sem nenhum exagero, sobretudo o Planeta Terra ficaram mais pobres, neste domingo de sol (pelo menos na minha cidade), calorento e abafado de 27 de fevereiro de 2011, com a morte, em Porto Alegre, de um dos escritores mais lúcidos, éticos, competentes e criativos: Moacir Scliar.
Termina, para ele, portanto, uma jornada exemplar por esta aventura fascinante, e única, que é a vida, iniciada em 23 de março de 1937, na mesma cidade em que ficou “encantado” (para recorrer à metáfora usada por Guimarães Rosa para qualificar a morte). Sua memória será cultuada por milhões de seus leitores (entre os quais, este Editor). Ele é, portanto, um dos que têm chance de sobreviver ao esquecimento ditado pela passagem do tempo.
Escrevi muito a respeito desse médico sanitarista e, sobretudo, desse notável homem de letras, meu conterrâneo, por identificar-me com suas idéias e estilo. Mesmo jamais cruzando meus caminhos com os dele (o que lamento) e tendo absoluta certeza de que ele nem sabia da minha existência, sempre o considerei um “amigo”. Por que? Simples! Porque foi enorme a sua influência na minha forma de encarar o mundo e de fazer literatura. E só os amigos muito diletos têm essa capacidade de nos influenciar para o bem.
Dos mais de 70 livros que Moacir Scliar nos legou, devo ter lido, seguramente, pelo menos a metade. Só não li mais por não dispor de recursos para comprar tudo o que gosto e preciso. Mas creio que o tanto que li não é nada desprezível. Ademais, já escrevi muito a seu respeito e não apenas um texto, mas vários. Portanto, este meu pífio, mas honesto testemunho não é daqueles oportunistas, dados, apenas, em ocasiões como esta, de morte de alguma personalidade, para compartilhar do prestígio que quem morreu ostentava.
Está de luto, também, a augusta Academia Brasileira de Letras, a casa de Machado de Assis, com a morte de um de seus maiores expoentes e mais ativos membros. Afinal, Moacir Scliar obteve, por inegáveis méritos literários, sua cadeira na ABL em 2003. Entendo que esse ingresso demorou muito. Mas... antes tarde, do que nunca.
Quando digo que a perda é grande para a literatura mundial, estou longe de incorrer em exagero. Exageraria, e mais, cometeria tremenda heresia se não burrice, se afirmasse o contrário. Afinal, trata-se de um dos raros escritores brasileiros conhecidos (e apreciados) no Exterior, já que várias de suas obras foram traduzidas para pelo menos doze idiomas. Quem é do ramo sabe o quanto é complicado “sair da toca” no mero e acanhado âmbito doméstico. É verdadeira aventura, autêntica saga de persistência, mais conhecida como teimosia. Imaginem além fronteiras!
A morte de Moacir Scliar, e nas circunstâncias que ocorreu, suscita-me idêntico sentimento que tive quando do falecimento do meu pai, há três anos, ou seja, um misto de raiva, frustração, saudade antecipada e outros tantos sentimentos concretos, mas indefiníveis. Vem-me a memória um texto do escritor e psiquiatra Roberto Freire (não confundir com o político), que citei na ocasião, para homenagear a memória do meu genitor.
“A morte é feia, burra, medíocre, suja, desleal, grossa, parcial, desonesta, arbitrária, injusta, covarde, chata, indecorosa, infiel, premeditada, viciosa, incômoda, óbvia, incomunicável, cafajeste, ladra, assassina, extorsiva, ingrata, irresponsável, pretensiosa, caloteira, agressiva, mentirosa, imoral, amoral, torpe, pérfida, cretina, reacionária, antipática, lúgubre, atrevida, alienada, gulosa, quadrada e pornográfica! Enfim, o que a gente pensa sobre a tinhosa, não fosse a necessidade de atendermos a certas imposições de ordem moral da lei de imprensa, poderia ser simplesmente resumido no mais eficiente e definitivo dos palavrões. Aquele, vocês sabem!”.
Estas palavras foram escritas na crônica “O Post último S. S. Show”, publicada na coluna “Cidade Aflita”, da extinta “Última Hora” de São Paulo, em 25 de novembro de 1964, sobre a morte do jornalista e notável homem de televisão Silveira Sampaio (de quem também fui fiel admirador e ainda sou, pois na minha memória ele continua e continuará sempre vivo).
Escrever sobre um homem de letras e não mencionar nada do que escreveu é, na minha avaliação, tremenda mancada, falta de educação e até mesmo heresia. Tenho, diante de mim, em minha mesa de trabalho, uma das milhares de crônicas de Moacir Scliar, das tantas que me ilustraram e emocionaram, intitulada “Síndrome do ninho vazio”. Passo por essa situação, atualmente, com meus quatro filhos já criados e encaminhados na vida e, por isso, não mais “debaixo das minhas protetoras asas”.
Em certo trecho, Moacir escreve: “Em algum momento os filhos têm de sair do reduto paterno-materno. A época para isso varia de acordo com as culturas, com as famílias. Nos Estados Unidos, a independência tradicionalmente ocorre no momento em que o jovem vai para o college, que mais ou menos equivale à nossa universidade. A regra é que isso se faça com a mudança de cidade (quanto mais distante melhor), e a partir daí o rapaz ou a moça terão de tomar conta de si mesmos”.
E Scliar prossegue: “Na classe média brasileira a coisa sempre foi mais flexível, e essa flexibilidade aumentou na medida em que cresceu a expectativa de vida e na medida em que a independência, cada vez mais dependente do diploma, do mestrado, do doutorado, foi sendo adiada. Uma adolescência prolongada, portanto, mas não infinita (ou, parafraseando Vinícius, infinita enquanto dura). De qualquer modo, a ideia da família extensa , que até era uim costume no período colonial (entre os ricos ao menos) foi ficando coisa do passado”.
E Scliar conclui essa magnífica crônica assim: “Voar É com os Pássaros era o título de um antigo e clássico filme. Não, voar não é só com os pássaros. Nós também voamos, seja nos aviões (quando os voos não são cancelados), seja através de nossa imaginação. Cada ninho, onde quer que esteja, é uma base para os sonhos. Entre eles, claro, o sonho de nossa própria casa”.
Caso algo nosso, imaterial, nos sobreviva, (além da mera lembrança) em algum lugar do cosmo, ouso dizer que Scliar acaba de regressar à sua “própria casa”, da qual saiu apenas no curto espaço de tempo de quase 74 anos em que viveu entre nós. Nunca me esqueço de uma declaração do cientista alemão Werner Von Braun (responsável pelas viagens espaciais da NASA), que disse: “A natureza desconhece a extinção. Só conhece a transformação”. E Moacir Scliar não se extinguiu de fato e jamais se extinguirá. Transformou-se e regressou à condição original, de “poeira de uma estrela”, e das mais brilhantes.


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Sunday, February 27, 2011







Por mais que nos empenhemos, jamais conseguiremos atingir, integralmente, todos os objetivos a que nos propusermos, mesmo que factíveis. Dependemos das oportunidades e de circunstâncias que fogem por completo ao nosso controle. Isso não deve, porém, nos desanimar ou frustrar. Devemos aspirar, sempre, o impossível, o máximo, o perfeito e o absoluto e nos empenhar, com todas as forças, para alcançar esse objetivo. E, em vez de frustração, por não termos conseguido o sucesso que aspiramos, o mais inteligente e sensato é comemorarmos, com alegria e gratidão, a conquista do possível. É uma descoberta que, quanto mais cedo for feita, mais decepções irá evitar. Fernando Pessoa chegou a essa óbvia constatação. E afirmou, em memorável texto: “Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim”. Pior do que não conquistarmos nossos objetivos é a certeza de que sequer lutamos por eles!

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“É a história que faz o homem; ele a padece”

Pedro J. Bondaczuk

O cientista político Fernand Braudel afirmou, numa entrevista publicada pelo “Jornal da Tarde”, tempos atrás: “Marx equivocou-se mais do que se acredita quando afirmou que os homens fazem a história: seria melhor dizer que a história faz os homens. Eles a padecem”.
A lucidez dessa declaração fica mais patente do que nunca diante da reunião de cúpula dos líderes das superpotências, que vai ser realizada a partir de Segunda-feira, em Washington. Aliás, nem tanto por causa do encontro em si (que nem é original, pois já é o terceiro entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev e o 14º entre presidentes norte-americanos e líderes soviéticos), mas, e principalmente, face à assinatura de um inédito acordo que, pela primeira vez, prevê a eliminação de toda uma categoria de armas nucleares dos arsenais das superpotências.
Quem, em sã consciência, poderia afirmar que isso seria possível há, digamos, somente três anos? De um lado estava um mandatário tido e havido como um dos mais ferrenhos e magníficos adversários do comunismo que já surgiram neste século. Estava um político que em 1981, pouco depois de assumir a Presidência do país mais rico e poderoso do mundo, chegou até a ditar o epitáfio do sistema ideológico antagônico. Estava um conservador capitalista que afirmou que o próximo milênio não surgiria antes do marxismo estar extinto. E Reagan não mudou os seus conceitos.
Do outro lado, estava uma estrutura policialesca e repressiva, que apostava numa hegemonia militar no mundo, em detrimento do bem-estar da própria população. Esta sim parece estar sofrendo mudanças, e profundas.
Mas as rodas da história giraram, caprichosas, como sempre. Novos fatos surgiram. E as circunstâncias, subitamente, sofreram dramática transformação. Em novembro de 1982, Leonid Brezhnev, arquétipo caricaturizado de Joseph Stalin, morreu. O fato permitiu, é verdade, a ascensão ao poder, no Cremlin, de um líder ainda mais radical: Yuri Andropov, chefe da outrora todopoderosa KGB.
Sob sua liderança, as superpotências tiveram o seu momento de maior tensão desde a invasão soviética ao Afeganistão. Foi após a derrubada do Jumbo da KAL por jatos russos. Mas esse dirigente comunista inovou no plano interno.
Levantou, por exemplo, a questão da necessidade de uma reforma em profundidade na vida e na mentalidade da URSS, para acabar com a desbragada corrupção e com a criminosa ineficiência dos burocratas do Partido Comunista. Mas o maior feito de Yuri Andropov foi descobrir, e projetar no cenário nacional, Mikhail Gorbachev. Foi a mão do acaso agindo por seu intermédio.
O destino voltou a atuar para pior. Andropov morreu e um aparachtnik (cuja tradução livre seria “carregador de pasta”, ou que em linguagem mais chula, para nós, brasileiros, significaria puxa-saco), Constantin Chernenko, o sucedeu. Sua gestão sem brilho reforçou, na mente do povo soviético, a necessidade de reforma. E ensejou o surgimento de Mikhail Gorbachev.
Finalmente a URSS passou a ter um líder passivo de compreensão por parte do Ocidente que, antes e acima de tudo, falava uma linguagem racional e coerente, despojada de ameaças e de estribilhos ideológicos. E as circunstâncias, ou a história, acabaram por moldar, também, um novo Reagan...

(Artigo publicado na página 10, Internacional, do Correio Popular, em 5 de dezembro de 1987).

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Idealismo ativo

Pedro J. Bondaczuk


Há dois tipos de idealismo: o ativo, que se reflete em ações concretas e eficazes para que aquilo que se idealize tenha a mínima chance de se tornar concreto, e o romântico, estático, imóvel, que se limita a meras cogitações individuais e fica na dependência exclusivamente das circunstâncias, quando não do acaso, para produzir efeitos. Este último pode, via de regra, ser classificado, sem nenhum exagero, de mero “devaneio”.
Os idealistas de fato, os que, com suas idéias, sonhos e realizações mudaram o mundo para melhor, não se limitaram jamais a idealizar realidades desejáveis e promissoras. Agiram!. Trabalharam duro pelas causas que abraçaram, sem se importar se teriam ou não eventuais vantagens pessoais. Já os simples sonhadores, que achavam que as coisas iriam se acertar por si sós, terminaram a vida frustrados, amargos e infelizes. Não idealizaram. Limitaram-se a “devanear”.
Claro que todo o escritor (salvo exceções) é, em certa medida, idealista. Tem algum tipo de mensagem a transmitir ao mundo, caso contrário, não escreveria. Ninguém o obriga a fazê-lo. Duvido, porém, que algum deles, quando se propõe a produzir um livro, esteja de olho, “apenas” no dinheiro que este poderá render.
Se estiver, certamente é um alienado. Dá para contar nos dedos de uma só mão (e ainda assim, provavelmente, ficarão de fora o anular e o indicador) quantos escritores enriqueceram, apenas, com Literatura. Pondero que não considero como tal essa enxurrada de lixo cultural que as editoras nos impingem e que, para o nosso aborrecimento e desgosto, lhes assegura o faturamento e lucros consideráveis nos balanços de fim de ano em detrimento do que vale a pena ser escrito, impresso, publicado e, sobretudo, lido.
Quando proponho, portanto, que o escritor divulgue, por todos os meios possíveis ao seu alcance, o fruto do seu tremendo trabalho (e quem escreve sabe do desgaste físico, mental e, principalmente, psicológico e emocional que isso implica), não penso, evidentemente, em cifrões. Mas... se essa ação impulsionar vendas, pergunto: que mal haverá nisso? Significará, caso eu consiga me tornar um best-seller, que sou mercenário? O lucro (caso venha) será conseqüência, nunca objetivo.
Deixar por conta das editoras a divulgação de uma obra, notadamente se você tiver convicção que ela irá beneficiar, de alguma maneira, seu único destinatário (o leitor, pois ninguém escreve para os editores, críticos etc.), não é ser idealista. É entregar-se a devaneios. Afinal, dificilmente você será o único escritor ligado a elas por contrato. O catálogo delas será, certamente, dos mais extensos. E em quem você acha que elas irão apostar?
Em você, que transmite princípios nobres e úteis, mas é desconhecido e tem baixo potencial de vendas, ou no sujeito que escreveu sobre como “fazer mágicas” para brilhar em festinhas infantis ou em quem se limitou a publicar receitas de comidas exóticas? Provavelmente estes sujeitos venderão mais, muito mais do que você. E as editoras concentrarão toda sua atenção, não tenha a mais remota dúvida, nesses livros, que estão a trilhões de anos-luz de ser literatura.
Quem você acha que elas irão divulgar ad náusea, você, que com seu esforço, talento e criatividade se propõe a educar gerações ou quem escreve histórias bizarras, de vampiros, lobisomens e outros quetais, de gosto sumamente duvidoso, totalmente supérfluas, quando não idiotas e inúteis? Consulte a relação semanal dos livros mais vendidos e você saberá em quem elas apostam.
Ademais, a participação em feiras de livros, como enfatizei, não se destina, sequer, a promover vendas. Não, pelo menos, como objetivo primordial. Se estas aumentarem, tanto melhor. A vantagem principal de participar desse tipo de evento é a possibilidade de você conhecer pessoas e lugares e de veicular ainda mais e melhor as idéias que o mobilizaram a escrever. Isso sim é idealismo legítimo, porquanto ativo.
Quem me conhece não pode me apontar jamais o dedo acusador e dizer que sou mercenário em relação à literatura. Fiz, nas últimas duas décadas, sem abrir mão de nenhuma das minhas obrigações profissionais, conjugais ou sociais, roubando preciosas horas do meu descanso e lazer, quase um milhar de palestras e conferências, notadamente em escolas e centros culturais de várias partes do País, divulgando minhas idéias sobre literatura e sobre a vida. O público que me ouviu ascende a algumas dezenas de milhar. E sabem quanto cobrei por toda essa super-exposição, que me consumiu tanto tempo, trabalho e estudo? NADA!!!! Que mercenário mais desastrado que sou, não é mesmo?!!

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Saturday, February 26, 2011







A liberdade é mero conceito subjetivo, simples ideal que os homens sonham, procuram, mas jamais conseguem obter integralmente. Do berço à tumba, somos submetidos a uma infinidade de normas, regras, leis e imposições, de todas as naturezas e tipos. Algumas são essenciais para o funcionamento harmônico dos relacionamentos em sociedade. Outras (diria a maioria), são imposições injustas, descabidas e, claro, desnecessárias, das quais, infelizmente, nunca conseguimos nos livrar. Somos livres, porém, quando aprendemos a pensar com nossas próprias idéias. Quando damos asas à imaginação – mais veloz do que a luz, que tem o condão de nos conduzir, instantaneamente, aos confins do universo (se assim quisermos). Quando desenvolvemos o saudável e nobre hábito da meditação, que nos enriquece, valoriza, equilibra e personaliza. Afinal, como a escritora Nélida Piñon nos lembra: “A imaginação é o paraíso da liberdade”.

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A idéia

Pedro J. Bondaczuk


A idéia...Ah, a idéia, esse monstro vil
estranho, esse informe monstro irracional,
essa consciência aguda e tão sutil
da vida e da morte ou do bem e do mal.

A idéia que, com realismo e crueza,
meticulosa, bastante cruel e fria,
anula, ofusca o meu senso de beleza,
compromete, conspurca minha poesia.

O amor? O amor é transformado em panacéia,
em mero paliativo para minhas dores:
é incapaz de me salvar e redimir

dos sofrimentos, neuroses e horrores.
Eu tento dessa consciência desistir!
Ah, monstro vil e racional! Ah, a idéia...


(Soneto composto em Campinas, em 31 de julho de 2005).

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Feiras do livro

Pedro J. Bondaczuk

O escritor, após o lançamento do seu livro, principalmente quando este é feito por alguma das grandes editoras, costuma se acomodar, achando que a tarefa que lhe cabia foi concluída. Engano de quem age assim. De repente, lá um belo dia, assusta-se com o pequeno volume de vendas, quando “pingam”, em sua conta bancária, quantias irrisórias, ou nem isso, referentes a direitos autorais.
Para que um livro se transforme em sucesso comercial, não basta ter qualidade. É preciso todo um esforço de divulgação, um permanente estado de alerta e, sobretudo, ação, muita ação. Há várias estratégias para isso, como promover palestras em escolas e centros culturais, participar de programas de entrevistas na televisão, receber críticas favoráveis publicadas nos raros espaços que a imprensa dedica à literatura e assim por diante.
Uma das ações mais eficazes, todavia, para estimular vendas e, mais do que isso, para preparar terreno para futuros lançamentos, é a participação em feiras de livro. Se forem de caráter internacional, tanto melhor. E se você tiver cacife para participar de alguma das tantas que se realizam no Exterior, melhor ainda.
Você unirá o útil ao agradável. Ou seja, divulgará seu livro para um público mais amplo (apesar da barreira da língua) e, de quebra, poderá fazer turismo. Quem sabe você consiga, até mesmo, interessar alguma editora norte-americana ou européia a bancar a sua obra, providenciando, claro, antes, um tradutor de confiança.
Participei de várias feiras do livro e não tenho do que me queixar. Esses eventos propiciam-lhe, além de um contato direto com o público, a oportunidade de conhecer e de entabular negócios com livreiros de várias partes do País e do Exterior. São eles que poderão determinar o sucesso ou o fracasso da sua obra, daquela que você dedicou tanto tempo e esforço para produzir.
Ademais, essa será preciosa oportunidade de você conhecer seus mais ilustres colegas de letras e trocar com eles, além de informações comerciais, experiências que valem (creiam-me) mais do que anos e anos de teoria literária.
Não esqueça, porém, de visitar as livrarias da cidade em que ocorrer a feira do livro da qual se propõe a participar. Deixe com os proprietários uma certa quantidade de exemplares em consignação. Não se limite a ser expectador do evento. Participe diretamente dele. Agende alguma palestra para o seu decurso. Promova-a. É provável que, dessa forma, consiga, até mesmo, um bom e sempre bem-vindo espaço na imprensa local.
Consulte na internet quais as próximas feiras do livro. Programe-se para participar delas. Reserve um dinheirinho para as despesas. Talvez na primeira você não obtenha os resultados que espera. Não faz mal, não desanime. Persista.
A cada nova participação, você irá adquirindo maior experiência e vislumbrando oportunidades que antes passavam batidas. Além de fazer um precioso trabalho de divulgação, você irá conhecer pessoas, o que, na nossa atividade, não tem preço. Esteja certo de que muitos dos que você vier a conhecer nesses eventos se transformarão, um dia, em personagens de seus contos, novelas e romances.
Tenha sempre em mente que um livro não se esgota em sua conclusão e nem na mera publicação. Sua trajetória só estará completa quando chegar às mãos do seu legítimo destinatário, aquele que poderá consagrá-lo ou derrotá-lo: o leitor.
Não se limite a fazer literatura “romântica”, a da “arte pela arte”, pois isso não o levará a lugar algum. Seja ousado. Confie no seu talento e, sobretudo, valorize-o. Até porque, o sucesso comercial servirá de estímulo para você produzir cada vez mais e melhor.
Quem sabe, algum dia, nos encontraremos em alguma das tantas feiras do livro, para trocarmos experiências e saborearmos, juntos, o doce gostinho do sucesso! Pense nisso!

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Friday, February 25, 2011







Nossos pensamentos mais íntimos e emoções mais profundas nos são absolutamente desconhecidos. Mesmo que relutemos em admitir, nos causam secreto temor. Evitamos de vasculhá-los, temerosos do que possamos descobrir. Trata-se, todavia, de atitude mais comum do que se pensa. O poeta Rainer-Marie Rilke indaga, em um de seus inspirados poemas: “Quem nunca esteve sentado, cheio de medo, diante da cortina do seu coração?” Todos temos, em algum momento, esses instantes de terror. Devemos, porém, descerrar essa cortina e dialogar com nossos “fantasmas”. Só assim poderemos extirpar da mente idéias potencialmente destrutivas e sentimentos nocivos, como a inveja, a cobiça e o egoísmo, entre tantos outros. De todas as coisas e pessoas que conhecemos (ou procuramos conhecer), o conhecimento mais importante que devemos buscar é o do ser mais próximo a nós: nós mesmos. Vençamos, pois, com coragem nossos temores e exorcizemos nossos fantasmas.

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Mudança de hábitos

Pedro J. Bondaczuk

As novas “engenhocas” eletrônicas, cada vez mais surpreendentes e sofisticadas, à nossa disposição no mercado, estão mudando nossos hábitos domésticos (entendo que para muito melhor) e imprimindo mais qualidade de vida aos (ainda) privilegiados usuários. Aos poucos, eles vão se popularizando, tendo preços acessíveis e deixando de ser novidades.

Por exemplo, há algum tempo, eu não tinha a mais remota idéia da existência daquele aparelhinho desenvolvido pela Apple, conhecido como Ipod, que muitos dos meus colegas alegavam ter. Ele originou outros similares, mais avançados, como o mp3. Há um ano, ganhei de presente um modelo ainda mais sofisticado, o mp4. Hoje, esse aparelhinho, do tamanho de um telefone celular, super prático, pequeno e leve, tornou-se indispensável não somente para meu entretenimento, mas para meu relax.

Como o equipamento é movido a bateria, recarregável no computador, pode permanecer ligado a noite inteira, que não consome energia elétrica a mais. E é o que faço. Há já um ano, não durmo sem que ele esteja ligado, bem perto do meu ouvido, na cabeceira da cama, reproduzindo as músicas da minha preferência. Claro que esta só pode ser suave, a dos clássicos. Ninguém consegue dormir, por exemplo, ao som do “rock pauleira”. Concilio o sono ao som de Chopin e desperto ora ouvindo Vivaldi, ora Schubert, ora Tchaikowski ou Beethoven e vai por aí afora. Antes, eu acordava, vez ou outra, mal humorado. Desde que passei a adotar essa “terapia” musical, contudo, isso nunca mais aconteceu. Nas horas em que o subconsciente permanecia “desligado”, ou seja, nas oito de sono, delicia-se agora com os sons mágicos dos gênios da música clássica de todos os tempos.

Mas não foi somente este novo hábito que adquiri em função das já não tão novidades eletrônicas, que incorporei ao meu cotidiano. Tempos atrás, precisava reservar, periodicamente, tempo, em minha apertadíssima agenda diária, para ir a livrarias e, principalmente, bibliotecas públicas, à procura de livros que estivesse precisando, em decorrência de algo diferente que estivesse escrevendo. Nem sempre encontrava o que procurava, principalmente quando se tratava de escritores clássicos. Perdia tempo e dinheiro e voltava frustrado para casa.

Agora, sem arredar pé do meu gabinete de trabalho, “visito” as mais completas bibliotecas do mundo, acessando, via internet, os seus respectivos sites. Invariavelmente (salvo raríssimas exceções) encontro o que procuro sem me esfalfar e nem perder tempo. Faço as consultas e, caso o tema tratado seja complexo, imprimo uma cópia dos trechos que preciso e mantenho esses livros eletrônicos no mesmo lugar que estavam, sem necessidade de abarrotar minha cada vez mais caótica e superlotada biblioteca com novos volumes (haja espaço para tanto papel!). Se quiser consultar esses livros novamente, basta clicar outra vez nos links indicados que a obra surge, inteirinha, diante dos meus olhos, na tela do meu computador.

Por exemplo, há tempos queria reler o romance “Os Maias”, de Eça de Queiroz, que havia lido em 1961, na Biblioteca Pública de São Caetano do Sul, cidade em que então residia. Sem tempo para ir à biblioteca de Campinas, ia, invariavelmente, adiando essa leitura, embora precisasse muito dela, pois queria traçar um paralelo entre um personagem dessa história do romancista português com um dos meus, cujo processo de criação estava em andamento.

Por sugestão de um amigo, que me forneceu o endereço eletrônico da Biblioteca Nacional de Portugal, acessei esse espaço. Achei “Os Maias” com facilidade. Como já me habituei a ler na telinha do computador, li o romance em questão vorazmente, copiei os trechos que precisava e ficou tudo resolvido em três tempos, sem perda de tempo com deslocamentos e sem que precisasse sequer tirar o traseiro da poltrona do meu gabinete de trabalho.

Meu filho, que é fanático por essas engenhocas, disse que muitas novidades “miraculosas” estarão em breve no mercado. Aguardo-as com ansiedade. Estou cada vez mais fascinado por esses aparelhinhos, embora não seja lá tão amigo de um deles, do celular. Tenho um, mas evito de fornecer o número até para os amigos mais chegados, para não me tornar “escravo” desse equipamento. Muita gente se tornou. Utiliza-o, até, em locais que o bom-senso e a educação recomendam que não se deva utilizar, como igrejas, teatros, hospitais e até velórios.

Fico imaginando o que se passou na cabeça dos que inventaram essas maravilhas. Aliás, desconheço quem foram os autores desses inventos. Hoje praticamente não existem mais os “Professores Pardais” solitários. Os trabalhos de desenvolvimento de novidades tecnológicas são feitos, em geral, por equipes, em modernos laboratórios. Claro que há os que têm aquele “clic” inicial, aquela centelha, que possibilita que, o que até então era tido como impossível, se torne, em três tempos, concreto. Mas raramente ficamos conhecendo quem são esses gênios.

Isso me suscita as seguintes reflexões: Como a fábula de La Fontaine, da Cigarra e da Formiga, assim são os homens. Enquanto uns trabalham, construindo templos, cidades, tumbas e monumentos (ou aparelhinhos eletrônicos, que seja), outros "cantam", gozando as delícias do ócio e do fruto do trabalho alheio. Enquanto uns criam, outros aproveitam e esbanjam. Qual o valor das obras, além do óbvio, utilitário, de uso imediato?

São fontes de perpetuidade da memória, ou não passam de frustradas tentativas para evitar o esquecimento após a morte? Creio que as duas coisas. Os pioneiros da civilização, os que fizeram descobertas marcantes, práticas, que facilitaram ou até mesmo garantiram a sobrevivência humana, por estranha ironia, são absolutamente anônimos.

Quem descobriu a roda? Ou a maneira de produzir o fogo? Quem foi o inventor do primeiro alfabeto? Ou da escala musical? Ou dos números? Ou dos princípios básicos da matemática? Estes são alguns dos fundamentos da civilização e foram criados por alguém. Mas por quem? O mesmo se pode indagar a respeito das maravilhas eletrônicas, aparentemente supérfluas, mas que crescentemente ganham importância em nossa vida, por melhorar, sobretudo, sua qualidade. Mesmo anônimos, são merecedores do meu respeito e reverência.

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Thursday, February 24, 2011







A descoberta de como produzir fogo, sempre que se quisesse e se precisasse, foi o passo decisivo do homem para controlar a natureza. Foi ponto de partida do que chamamos de “civilização”. Outras tantas descobertas se seguiram, como a invenção da roda, o desenvolvimento da agricultura, a construção da própria moradia, a formação das cidades etc. Todavia, esse animal excepcional ainda engatinha em termos de utilização dos meios naturais em seu proveito. Desperdiça tempo e esforço demais, entregue a manifestações bárbaras do seu instinto de fera, como o ódio, a cobiça e a violência. Teilhard de Chardin, num texto magnífico, escreveu: “Algum dia, quando tivermos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade... utilizaremos as energias do amor. Então, pela segunda vez na História do mundo, os homens descobrirão o fogo”. Este é o caminho que convém que a humanidade trilhe. Ou seja, o da utilização das energias do amor!

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O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). –
Preço: R$ 23,90.

Lance fatal
(contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. –
Preço: R$ 20,90.

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Pela internet
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Criatividade é essencial

Pedro J. Bondaczuk

A criatividade é muito importante em qualquer atividade que se exerça. Até aí, não disse nenhuma novidade. É ela que o faz encontrar soluções para os inesperados problemas que volta e meia surgem e que não são possíveis de se solucionar pelos métodos convencionais. No jargão popular, ela é o que se nomeia, genericamente, como “jogo de cintura”.
Se a criatividade é importante em qualquer atividade (e, de fato, é), em literatura ela é essencial. Não basta ao escritor conhecer a fundo as regras do idioma, e aplicá-las sempre com correção, embora isso seja o mínimo dos mínimos que dele se espera. É desejável, não nego, que crie seu estilo de escrever, que o identifique e caracterize e lhe facilite ao se expressar por escrito. Valem muito, também, a cultura, a capacidade de observação e “n” outras características.
Todavia, se o escritor não for criativo, se não souber fugir do óbvio e se aventurar no movediço, mas vasto campo da imaginação, dificilmente irá a algum lugar. Pode, até, ter súbito “brilhareco” e esgotar uma (ou várias edições) de determinado livro.
Mas chegará o momento em que se sentirá vazio e não terá mais o que dizer. Vai se repetir, e repetir, e repetir, teimosa e monotonamente e não encontrará quem se disponha a ler o que escreve, por ser previsível e sem surpresas.
O que temos que fazer é surpreender o leitor, de um texto para outro, indefinidamente. Trazer-lhe o inusitado, o inesperado, o original, mesmo que trate de assuntos superbatidos e explorados ad náusea por uma infinidade de pessoas. É aí que entra a criatividade. Ou seja, na capacidade de encontrar ângulos novos que ninguém ainda encontrou, naquilo que todos já exploraram. .
Conheço escritores que conseguem fazer de um pingo no “i” todo um tratado de filosofia. Sei de alguns que, de um olhar furtivo de algum estranho no ônibus, no metrô ou andando pela calçada de uma rua movimentada de alguma grande cidade, encontram o ponto de partida para um alentado romance.
Pode parecer que estou sendo redundante, mas, creia-me, aspirante a escritor, não estou. Há inúmeras pessoas, que se julgam habilitadas a transitar neste complexo mundo das letras e que parecem ter incontrolável preguiça de pensar. Limitam-se a tentar descrever a realidade (a deles, obviamente, pois esta é sumamente subjetiva e conta com milhões de faces), de forma chata, insossa, repetitiva e banal.
Embora contem com a capacidade de criar, não criam. São como ecos a repetir o que milhões já disseram e de forma muito mais hábil e interessante do que eles. Recebi, para análise, centenas de livros, corretíssimos no aspecto formal, mas que, ao cabo da leitura, evidenciaram que não tinham nenhum conteúdo. Eram vazios, ocos, como animais empalhados, sem vontade própria, sem personalidade e sem vida.
Seus autores são talentos brutos, que precisam ser lapidados. Mas recusam essa “lapidação”. São refratários a ela. Julgam-se (sem que o sejam) auto-suficientes. Temem ousar. São avessos a críticas e parecem entender a literatura como mero jogo de palavras.
Jogassem de forma criativa com elas, mesmo sem conteúdo, suas obras ainda despertariam pelo menos alguma atenção. Mas... nem isso sabem fazer. E quando alguém lhes faz alguma observação a respeito, ficam todos agastados, melindrados, ofendidos, fazendo beicinhos.
Por isso, são, e sempre serão, eternos aspirantes a escritor. Por que? Por não fazerem coisa alguma para concretizar essa aspiração. Você, caro leitor, certamente conhece muitos desses talentos, enterrados sob toneladas de burrice, que têm receio, ou preguiça, de criar, quando não de pensar.

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Wednesday, February 23, 2011







O analfabetismo, ou seja, o despreparo em algo que é básico, primaríssimo, além de pernicioso para as próprias pessoas que o ostentam, é oneroso para toda a sociedade. Northrop Frye lembra, com propriedade, que "cultura e civilização têm o poder de transformar o mundo físico subumano em um mundo de contornos e medidas humanos". Outro aspecto a considerar, na questão do analfabetismo, é a discriminação que ainda existe contra as mulheres, notadamente na África e na Ásia. Dois terços dos analfabetos do mundo são do sexo feminino. É certo que as coisas já foram muito piores nesse aspecto. Mas os avanços foram ainda muito discretos em face da necessidade e, sobretudo, do bom-senso.

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Tristes Trópicos

Pedro J. Bondaczuk


Pode o cientista de formação se aventurar, impunemente, no mundo das letras e produzir literatura de primeira linha, como qualquer bom escritor? Teoricamente, sim. Usualmente, não. O escritor e o cientista são condicionados a raciocinar de formas opostas. O primeiro, enfatiza a subjetividade. O segundo é, essencialmente, objetivo.
O escritor, por seu turno, quase sempre que se aventura a escrever sobre ciência, se enrola todo, confunde suas leis e conceitos básicos e não faz nem uma coisa e nem outra. Ou seja, nem texto científico e nem literatura. Afinal, ciência não é, a rigor, a sua “praia”.
Há, todavia, exceções, e de parte a parte. Uma delas é “Tristes Trópicos”, considerado um dos principais livros do século XX, escrito pelo antropólogo, filósofo e etnólogo Claude Lévi-Strauss (que faleceu em 31 de outubro, aos 101 anos de idade), em que um cientista transita com desenvoltura pelo mundo das letras e produz literatura de primeiríssima grandeza.
A obra é tão rica, no aspecto literário, que chegou a haver proposta para que concorresse ao Prêmio Goncourt. Todavia, os responsáveis por essa premiação, a contragosto, tiveram que recusar a postulação. O motivo é que não se tratava de romance. E o prêmio é destinado exclusivamente a ficcionistas.
No livro, Lévi-Strauss relata uma viagem que empreendeu ao Brasil nos anos 30. Embora se tratasse, como ressaltei, de um austero e discreto cientista, o autor decidiu produzir uma obra diferente da que se poderia esperar dele: pessoal, audaciosa e espontânea, quase que uma crônica, apesar da sua extensão, ou seja, das suas 500 páginas.
Strauss traça, em “Tristes Trópicos”, a trajetória das relações entre o velho e o novo mundo. Analisa o lugar do homem na natureza, além do sentido da civilização e do progresso.
O livro foi recebido com entusiasmo pela comunidade literária, mas com indisfarçável mau-humor pela confraria dos cientistas. A ensaísta Catherine Clément assim se referiu à obra: “Insólitas, desconcertantes, desvairadas, saltando épocas, os anos, as estações, palpitantes, as fulgurações de ‘Tristes Trópicos’ são do tipo que traçam caminhos na noite. E isso ainda perdura”.
Se você, amável leitor, ainda não leu esse livro, leia. Certamente não irá se arrepender. E verá que, sem perder a objetividade característica da sua disciplina, o cientista pode, sim, produzir excelente obra literária, repleta de emoção e verdade, quando se propõe a tanto.
Strauss, entre outras coisas, faz observações curiosas, mas todas pertinentes, sobre sociedades indígenas brasileiras. Mas não só isso. Praticamente disseca nossos costumes, tradições, crenças, cultura, e nossa peculiar maneira de ser, tudo entremeado de reflexões filosóficas a respeito de inúmeros temas, entre os quais as concepções de progresso e de civilização.
Renovo, aqui, a promessa que fiz recentemente, de que voltaria a tratar, e bastante, desse eminente cientista, que viveu no Brasil, lecionou na Universidade de São Paulo e que jamais escondeu sua admiração por nós e pelo nosso País. Certamente, voltarei.

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Tuesday, February 22, 2011







Desde o início de 1991, o número de analfabetos começou a diminuir, em termos absolutos, em todo o Planeta. A questão do analfabetismo, todavia, não deve ser abordada pelo aspecto numérico (ou não somente por ele), já que não se está lidando com objetos, ou com seres irracionais, mas com pessoas, que têm os mesmos sonhos, ansiedades e aspirações que todos nós, que tivemos a oportunidade e o privilégio de adquiri parcelas de conhecimento. Tais indivíduos estão absolutamente deslocados na sociedade contemporânea. Não contam com a mínima competitividade e têm a oferecer ao mundo pouco, pouquíssimo, quase nada, apenas a força física – isto quando a possuem – sem qualquer perspectiva de êxito na vida. São como seres de outro planeta em estágio bem mais atrasado do que a Terra. Estão deslocados no tempo e no espaço, vivendo, mentalmente, na Idade da Pedra Lascada, enquanto o resto da humanidade se encontra na Era Tecnológica.

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Vivos na lembrança

Pedro J. Bondaczuk

A data de 2 de novembro de cada ano tornou-se, há tempos, dia de reverenciar nossos mortos. Isto, do ponto de vista social, para demonstrar à sociedade que não esquecemos nossos entes queridos que se foram para o além.
Na verdade, se os amamos de fato, eles nunca morrem. Permanecem vivos, enquanto vivermos, em nossas lembranças. Não precisamos levar-lhes flores, acender-lhe velas e nem mandar rezar missas para reverenciá-los condignamente. E muito menos fazer tudo isso em algum dia específico. Se o fazemos, embora nunca admitamos e nos irritemos quando alguém faz esse tipo de observação, tudo é feito para “consumo externo”. Ou seja, para outros verem.
O que conta é como os lembramos. Por isso, detesto hospitais, velórios, enterros e cemitérios. Sempre que posso, evito-os. Quero lembrar-me das pessoas que amo no seu auge, em todo o seu esplendor, alegres, dinâmicas, produtivas e vivas. Entendo que é a melhor homenagem que lhes posso prestar. Não condeno, todavia, os que participam desse ritual anual de Finados. Quem sou eu para condenar quem quer que seja?
Detesto temas mórbidos, que impliquem em sofrimento, dor e morte. Fiz um pacto com a vida e com a beleza e só tenho compromisso com ambas. É assim que quero ser lembrado: vivo, mesmo que contraditório, briguento e atrevido. Sou assim e ponto.
É verdade que a morte divide espaço com a vida como tema de literatura. Desconfio que seja, até, mais citada e enfatizada. É uma tentativa do escritor de exorcizar o que teme. E duvido que tema qualquer coisa mais do que o seu fim. Esse momento fatal, por mais que se conte com a presença dos que amamos ao nosso redor, é solitário, sumamente e absolutamente solitário.
A propósito, lembro-me de palavras a respeito do poeta espanhol Miguel de Unamuno, em que ele afirma: “Nós, homens, vivemos juntos, mas cada um morre só e a morte é a suprema solidão”. Existe, porventura, outra que a supere? Qual?
Você quer reverenciar os que morreram, mesmo que não sejam íntimos seus, que você sequer conheça pessoalmente, mas que admire pelo que foram e fizeram? Simples, fale deles. Lembre seus feitos. Exalte sua conduta. Mantenha-os vivos na memória. Porquanto Machado de Assis constatou a propósito: “O louvor dos mortos é um modo de orar por eles”. Essa é, no meu entender, a reverência que conta. E não precisa ser, reitero, em dia específico, como o de Finados, mas em qualquer ocasião do ano, todos os anos da sua vida.
Apesar da minha postura, explicitada acima, não me omiti no 2 de novembro de 2009, de cumprir meu ritual público em memória dos que se foram. Nem no de 2010. Também não me3 omitirei nos demais anos. E como me alimento espiritualmente de Literatura, trago dois poemas alusivos à data para compartilhar com vocês. Um é da excelente poetisa Dalila Teles Veras, e está publicado em seu livro “Vestígios”.

Solidões

Dizias-me;
-não quero
mas qualquer dia
terei que partir
Intuías

a proximidade
a solidão da viagem
a dispensa de acompanhante
Temias

do parto, sabias
(contavas)
da morte, mistério
(calavas)
parto e morte
(solidões assemelhadas)

origem, ambos

O segundo poema é de Manuel Bandeira, citado por mundo e fundo nesta ocasião e, por isso, também me reservo o direito de reproduzi-lo.

Poema de Finados

Amanhã que é dia dos mortos
vai ao cemitério. Vai
e procura, entre as sepulturas
a sepultura de meu pai.

Leva três rosas bem bonitas,
ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho,
o filho tem mais precisão.

O que resta de mim na vida
é a amargura do que sofri,
pois nada quero, nada espero
e em verdade estou morto ali.

Da minha parte, faço minhas as palavras do querido poeta de Itabira (quanta saudade, mestre!), Carlos Drummond de Andrade, a quem tive a honra e o privilégio de conhecer pessoalmente, quando declarou, espontaneamente, num poema: “Do lado esquerdo carrego meus mortos. Por isso caminho um pouco de banda”. Eu também!

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Monday, February 21, 2011







O processo de educação é, geralmente, confundido com a mera aquisição de conhecimentos legado pela sucessão de gerações. É, todavia, muito mais profundo. Consiste, sobretudo, numa indução ao raciocínio. O homem contemporâneo está perdendo o saudável hábito de pensar, entregando essa tarefa às máquinas que ele próprio criou. Ninguém condena um computador, que veio para ficar. Tais robôs, todavia, não "pensam". Não são capazes de encarar sozinhos, por não serem dotados de consciência, o "desafio e a reação", que na definição do reverendo Norman Vincent Peale caracterizam a vida. "É aí que estão os maiores triunfos e realizações", arremata o clérigo. O homem não pode abrir mão, portanto, da educação, pois a opção é assustadora: é a catástrofe!!

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Viagens por minha terra

Pedro J. Bondaczuk


Gosto de viajar. A despeito de já não ser mais um garotão (muito pelo contrário, aliás) e de ser incorrigível “workaholic”, sempre que posso, vou para algum lugar deste país apaixonante, notadamente para conhecer pessoas. É dessa forma que consegui, na prática, realizar o sonho de Roberto Carlos, expressado numa de suas mais famosas canções, que diz: “eu quero ter um milhão de amigos”. Se bobear, tenho bem mais do que isso.
É verdade que estou em falta com um montão de gente. Não vou, por exemplo, para o Rio Grande do Sul, minha terra natal, desde 1961. Isso mesmo, há quase meio século! A última vez que fui para a santa e abençoada terrinha foi na véspera da luta do nosso Eder Jofre com o irlandês Joe Caldwell, valendo pelo título mundial de boxe dos pesos galo. É tempo pra chuchu!
A derradeira vez que saí do Estado de São Paulo foi em 1997. Fui conhecer Pernambuco, a serviço do jornal em que trabalhava na época. A Secretaria de Turismo desse Estado queria divulgar suas belezas por aqui e bancou um suplemento especial. A direção do jornal não quis arriscar e, em vez de mandar para lá um repórter, optou por enviar um funcionário de confiança dela (no caso, eu), um dos editores que compunham seu corpo editorial. Ganhei na loteria!
Fui recebido, no Recife, como um príncipe. Levaram-me para conhecer os melhores pontos turísticos do Estado. Foram cinco dias estafantes, mas que nunca vão se apagar da minha memória. Rodei Pernambuco, numa viatura colocada à minha disposição, de alto a baixo.
Estive em Porto de Galinhas, em Garanhuns, em Paulista e, claro, na magnífica e progressista Caruaru, de onde trago as melhores lembranças de todas as viagens que já fiz. Claro que estive em dezenas de outros lugares, mas torna-se até impossível citá-los todos, mesmo que apenas nominalmente. O tal suplemento de turismo foi um sucesso. Nem poderia ser diferente.
Em Caruaru, onde permaneci por mais tempo, conheci o maior “forródromo” talvez do mundo, tão amplo quanto o Anhembi, em São Paulo. Levaram-me para assistir a uma apresentação da famosa “Banda de Pífanos”, sucedida por um lauto jantar, com pratos típicos da culinária pernambucana, que não conhecia. E da qual me tornei fanático apreciador. Conheci, também, de pertinho, a obra do famoso artista Mestre Vitalino, além de visitar algumas das melhores tecelagens da cidade.
O ponto alto da visita a Caruaru, porém, deu-se na Fazenda de Santa Cruz do Brejo das Almas. Dito assim, é provável que nem os pernambucanos identifiquem. Mas se eu disser que é ali que se situa o maior teatro ao ar livre do mundo, ou seja, Nova Jerusalém, todos saberão a que lugar me refiro. Ali, ao lado de uma multidão de turistas vindos, praticamente, de todo o mundo, assisti à encenação da Paixão de Cristo. A exclamação que mais ouvi durante a apresentação, em inglês, foi: “wonderful!!! Wonderful, porém, foi meu périplo por Pernambuco.
E por que trago este assunto à baila? Porque viagens, como esta, ensejam livros sensacionais, que ajudam a divulgar, não somente lugares fantásticos deste país continente, como, e principalmente, pessoas, costumes, culturas etc. Um dos melhores do gênero que já li foi “Gato preto em campo de neve”, do meu conterrâneo Érico Veríssimo. Isso sem falar em “Viagens pela minha terra”, de Alexandre Herculano, exaltando as maravilhas de Portugal.
Sinto-me tentado a narrar essas experiências em um alentado volume (ou em vários, quem sabe). Não sei, contudo, se a emoção vai me permitir ser minimamente objetivo. Mas... A objetividade que vá às favas!!! Ninguém, certamente, a procura quando se trata de literatura, cujo ingrediente essencial é, e deve ser sempre, a emoção, aliada à criatividade. O resto? Bem, é simplesmente o resto.

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Sunday, February 20, 2011







Hoje, a palavra mágica, alçada à categoria de dogma, é "tecnologia", em detrimento, na maioria dos casos, da "cultura", que não deve ser confundida, como vem sendo, com entretenimento. Desde o aparecimento do Modernismo, nas artes, que virtualmente esgotou toda a imaginação dos artistas, não surgiu um único movimento cultural novo e consistente, quando a capacidade humana de criar é infinita. O mesmo verifica-se no terreno político. Os dois sistemas surgidos um em oposição ao outro, capitalismo e comunismo, o primeiro como conseqüência da chamada Revolução Industrial do século XVIII e o segundo cerca de cem anos depois como reação aos desvios e contradições do primeiro, estão ambos colocados em xeque na atualidade. Os dois fracassaram, por não terem passado pelas necessárias correções de rumo que os colocassem na trilha original e lhes devolvessem o objetivo primitivo, que era o de tornar o homem realizado e feliz.

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Presente de grego de Fidel

Pedro J. Bondaczuk

O presidente cubano, Fidel Castro, com muita astúcia, aproveitou-se de um incidente, ocorrido em 1980, para livrar-se de milhares de cidadãos indesejáveis, na maioria irrecuperáveis para o convívio social. Quem caiu nesse monumental conto do vigário na ocasião foi o governo do então presidente norte-americano Jimmy Carter, ávido por somar uns pontinhos a mais em sua guerra ideológica contra o caudilho marxista da ilha do Caribe.
Tudo começou em 6 de abril daquele ano, na embaixada do Peru, em Havana. Dez mil cidadãos de Cuba, descontentes com o que acontecia em sua pátria, ocuparam o jardim da missão diplomática peruana numa questão de horas. A polícia de Fidel não poderia entrar no local para expulsar a pancadas e trambolhões tantos desertores, sob pena de um sério incidente internacional.
Foi quando Carter entrou na jogada. Fez um desafio ao dirigente cubano para que permitisse que todos os cubanos que desejassem deixar o país o fizessem sem restrições. Garantiu que os acolheria nos Estados Unidos. Para surpresa de todos, Castro aceitou o jogo. Mas encontrou um jeito de tornar as cartas favoráveis para ele. Ou melhor, resolveu trapacear.
Entre abril e maio de 1980, o porto de Mariel transformou-se num verdadeiro formigueiro. Dezenas de milhares de pessoas, utilizando tudo o que flutuasse e que lembrasse, mesmo que remotamente, um barco, se dirigiram para lá com seus parcos pertences pessoais.
O líder marxista, porém, subrepticiamente, como quem não quer nada, começou a infiltrar entre os “marielitos” (como os emigrantes passaram a ser conhecidos) elementos incorrigíveis, que qualquer governo gostaria de se livrar.
Prostitutas, gigolôs, rufiões, ladrões, doentes mentais e toda a escória que havia em Cuba foi infiltrada entre os peregrinos, que buscavam a sua nova terra da promissão. São estes que agora estão se amotinando nas prisões norte-americanas, onde tiveram que ser “guardados”, depois do monumental presente de grego de Fidel.
Cuba, por uma questão até de decência, resolveu aceitá-los de volta, num acordo recentemente sacramentado com os Estados Unidos. Eles, contudo, não desejam voltar. Sabem o que os espera em Havana. Perto do que Castro deve estar lhes preparando, as prisões norte-americanas são, com toda a certeza, um verdadeiro paraíso. E esclareça-se que nem todos os marginais vão regressar.
A boa vontade súbita do governo da ilha nem iria tão longe assim. Para que haja tamanho desespero entre os prisioneiros, dá para se imaginar a recepção que os aguarda em sua pátria que, afinal de contas, nunca os desejou por perto.
Por que seres humanos chegam a este ponto, de forma a se tornarem venenos onde quer que possam ir? Está aí uma boa questão para os sociólogos, antropólogos e juristas de plantão refletirem.

(Artigo publicado na página 14, Internacional, do Correio Popular, em 24 de novembro de 1987)


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