Tuesday, August 31, 2010







O escritor E. L. Thorndike, no livro "A natureza original do homem", observa: "Por instinto nós tememos, não os transmissores da malária ou febre amarela, mas o trovão e o escuro; não lamentamos os homens bem dotados que não recebem educação, mas a chaga saniosa do mendigo; uma grande injustiça nos impressiona menos que um pouco de sangue; sofremos mais com o olhar de desprezo dum garçom que não recebe gorjeta do que com a nossa própria indolência, ignorância ou loucura". Estes são apenas alguns exemplos do quanto a razão se faz necessária. O filósofo norte-americano Will Durant reflete: "O instinto talvez nos tenha bastado no primitivo estágio de caçadores; é por isso que nossos impulsos naturais nos levam mais à caça do que ao trabalho da terra, e periodicamente sonhamos com o 'retorno à natureza'. Mas desde que a civilização começou, o instinto se faz inadequado e a vida teve que pedir socorro à razão".



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Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte), uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.

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O desastre do Sarriá

Pedro J. Bondaczuk
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A Seleção Brasileira, até a Copa do Mundo de 1982, havia enfrentado a Argentina, em campeonatos mundiais, em apenas duas oportunidades. A primeira foi em 30 de junho de 1974, no Niedersachen Stadion, em Hannover, na Alemanha, e o Brasil venceu por 2 a 1. O segundo jogo foi na Copa seguinte. Ocorreu em 18 de junho de 1978, em Rosário, na Argentina, e o placar foi 0 a 0.
No segundo turno do Mundial da Espanha, ambas as seleções caíram no Grupo C, completado pela Itália. Iriam, portanto, se enfrentar pela terceira vez em copas. Seria um tira-teima para ambos. A seleção que terminasse em primeiro lugar no grupo passaria para as semifinais.
Nem é preciso destacar a rivalidade que há entre brasileiros e argentinos quando se trata de qualquer esporte, principalmente do futebol. A Seleção comandada por Telê Santana estava tinindo. Suas atuações vinham encantando não somente imprensa e torcida brasileiras, mas o mundo.
Os argentinos, por sua vez, defendiam o contestado título mundial conquistado quatro anos antes, em seus domínios. Contavam, entre outros excelentes jogadores, com Diego Maradona em grande forma técnica. Era, então, seu grande trunfo.
O confronto entre esses dois gigantes do futebol mundial ocorreu em 3 de julho de 1982, no Estádio Sarriá da cidade de Barcelona, diante de um público de 44 mil pessoas. Foi um jogão, arbitrado pelo mexicano Mario Rubio Vazquez.
Telê Santana mandou a campo a seguinte equipe: Valdir Perez, Leandro (Edevaldo), Oscar, Luisinho e Junior; Cerezo, Falcão e Sócrates; Zico (Batista), Serginho e Eder. Os argentinos jogaram com esta formação: Fillol, Olguin, Galvan, Passarella e Tarantini; Barbas, Ardiles e Calderon; Bertoni (Santamaria), Maradona e Kemps (Diaz).
O Brasil abriu o marcador logo aos 11 minutos, com Zico, e assim terminou o primeiro tempo. Na segunda etapa, nossa seleção jogou com pinta de campeã. Esbanjou categoria. E os gols foram saindo naturalmente, com Serginho aos 21 minutos e Junior, aos 30. Aos 40, Maradona foi expulso por jogada violenta (quem diria!). E aos 44 minutos, Diaz fez o gol de honra da Argentina. A partida terminou com 3 a 1 para o Brasil.
Restava, agora, vencer a Itália – que na primeira fase fizera uma campanha pífia sem vencer nenhum jogo, com três empates – para seguir adiante rumo ao título. A Seleção Brasileira era favoritíssima. Os jogadores italianos estavam brigados com a torcida e com a imprensa, por causa de denúncias de suborno e outras tantas marmeladas no campeonato peninsular. O atacante Paolo Rossi era o mais criticado de todos.
O confronto entre o Brasil e a Itália ocorreu em 5 de julho de 1982. O que aconteceu nele passou para a história do futebol sob o apelido de “O desastre do Sarriá”, nome do estádio em que o jogo foi disputado e que sequer existe mais. Foi demolido anos depois da Copa. O árbitro foi o israelense Abraham Klein.
O Brasil jogou com: Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luisinho e Junior; Cerezo, Falcão e Sócrates; Zico, Serginho (Paulo Isidoro) e Eder. A escalação italiana foi a seguinte: Zoff, Gentile, Scirea, Collovati (Bergomi) e Cabrini; Antognioni, Oreali e Tardelli (Marini); Conti, Rossi e Grazziani.
A torcida brasileira levou o primeiro susto logo aos 5 minutos de partida, com o gol de Paolo Rossi. Mas o alívio viria sete minutos depois, aos 12, quando Sócrates empatou. O Brasil jogava bem, as jogadas fluíam e tudo indicava que a virada era apenas questão de tempo. Não foi o que aconteceu.
Aos 25 minutos, a exemplo do que havia acontecido no primeiro gol italiano, Paolo Rossi voltou a aparecer livre na pequena área para empurrar a bola para a meta brasileira. O primeiro tempo terminou assim: com 2 a 1 para a Itália.
Na segunda etapa, o Brasil mostrou-se ainda mais ofensivo. Prensou a equipe italiana contra seu próprio campo. E aos 23 minutos, o País veio abaixo de euforia. Falcão, da entrada da grande área, desferiu um chutaço indefensável, determinando novo empate.
Animada pela reação, a equipe de Telê foi toda para a frente, na ânsia de virar o placar. Todavia, bastaram reles seis minutos para nossos sonhos virarem pó. Paolo Rossi, pela terceira vez (o cara estava endiabrado nesse jogo) fez o gol, parecidíssimo com os outros dois que havia feito, este último aos 29 minutos do segundo tempo.
O Brasil tentou, tentou e tentou, de todas as formas possíveis, mas não deu. Esbarrou ora nas mãos do goleiro Zoff, ora no indevassável ferrolho defensivo italiano. Quando Klein apitou o fim do jogo, houve como que uma comoção nacional, do Oiapoque ao Chuí, que me lembrou bastante a de 1950.
Ninguém entendia o que havia ocorrido. Cada um de nós perguntava a si mesmo como era possível uma seleção, que na primeira fase não vencera um só jogo, que só fizera, até enfrentar o Brasil, quatro gols e levara três, ganhar de uma equipe que até então só vencera, fizera treze gols e levara só dois? E além do que, era, tecnicamente, muitíssimo superior à seleção italiana.
Ficou uma sensação chata, amarga, persistente de frustração, de injustiça, de sacanagem dos deuses dos estádios. Fora a vitória do anti-futebol sobre o futebol arte. Mas esse esporte é assim mesmo: Imponderável. É um dos poucos em que nem sempre o melhor é o que sai vitorioso. No jogo entre Brasil e Itália, o superior não foi quem ganhou.

Monday, August 30, 2010







Desde que seja compreendido e direcionado pelo raciocínio, o instinto é útil, necessário e indispensável. Torna-se ruim quando passa por cima da razão. Quando desencadeia as forças cegas, primitivas, caóticas que existem latentes no coração humano. Quando o homem retroage ao princípio e perde de vista as conquistas éticas e morais de sucessivas gerações. O instinto, puro e simples, despido da razão, induz a comportamentos agressivos e egoístas. Quando uma sociedade é baseada apenas nele, inexistem a solidariedade, a piedade e o sentimento do coletivo. Ela corre o risco de extinção, mergulhada no caos e na violência. Nas atuais, embora camuflado por um "verniz" civilizatório, sobrevive forte e feroz. E, mais do que isso, em muitas prevalece, impedindo sua evolução e a ameaçando de extinção.



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Sambando com a bola no pé

Pedro J. Bondaczuk

O Brasil, inserido no Grupo 6, estreou na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, em 14 de junho, no Estádio Sanchez Pizjuan, de Sevilha, contra a perigosa União Soviética. Com arbitragem do espanhol Augusto Lamo Castilho, a Seleção, comandada por Telê Santana, começou levando um baita susto. Aos 34 minutos do primeiro tempo, o meio campista soviético Bal deu um chute despretensioso a gol. E Valdir Perez aceitou.
Foi uma tremenda infelicidade do nosso goleiro. Mas nosso time era muito bom e, além disso, experiente. Não se abalou com o placar adverso. Continuou criando oportunidades e jogando bem. No segundo tempo, Sócrates e Éder garantiram nossa primeira vitória. E de virada, que é sempre mais gostoso.
Telê Santana mandou a campo, nessa estréia: Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior; Falcão, Sócrates e Zico; Dirceu (Paulo Isidoro, Serginho e Eder. Um timaço, convenhamos! Não ficava nada a dever aos melhores que o Brasil já teve.
Nosso País esteve representado, nessa Copa, por três treinadores. Além de Telê Santana, no comando da nossa própria Seleção, tinha Elba de Pádua Lima, o Tim, que a exemplo de Didi em 1970 no México, orientava o Peru e Carlos Alberto Parreira dirigia a seleção do Kuwait.
No dia 18 de junho o Brasil voltou a campo, de novo em Sevilha, mas desta vez no outro estádio da cidade, o Benito Villamorin. O adversário era a Escócia, cujo futebol caracterizava-se por um sistema defensivo rígido, de forte marcação, não raro excessivamente faltoso. E, para complicar, saímos novamente em desvantagem no marcador. Nurey, aos 18 minutos do primeiro tempo, fez o gol escocês.
A Seleção Brasileira, porém, empatou ainda nos 45 minutos iniciais, através de Zico. E no segundo tempo, sambou com a bola no pé. A Escócia levou um “chocolate”, de 4 a 1 no lombo, e olhem que ficou barato. Oscar, Eder e Falcão foram os artilheiros, consolidando a goleada e garantindo vaga para a fase seguinte da competição.
Para assegurar o primeiro lugar do grupo, bastaria um simples empate contra a ingênua e quase amadora Nova Zelândia. O Brasil goleou a Escócia com Valdir Perez, Leandro, Oscar, Luizinho e Junior; Toninho Cerezo, Falcão e Sócrates; Zico, Serginho (Paulo Isidoro) e Eder.
Interessante de se notar que Telê Santana (que foi excelente ponta direita do Fluminense e do Guarani) abriu mão de um jogador justamente dessa posição, para reforçar o meio de campo, que no seu esquema – um clássico 4-3-3 – tinha três meios campistas. Foi uma chiadeira danada. Imprensa e torcida cobravam, insistentemente, do treinador, que escalasse um ponta direita de ofício.
Na ocasião, o humorista Jô Soares – então na Rede Globo – havia criado um personagem, uma espécie de “réplica” do torcedor padrão brasileiro típico, o “Zé da Galera”. E seu bordão característico era: “Põe ponta, Telê”!!! E o País inteiro repetia esse insistente pedido. Mawsw o treinador não cedeu.
No último jogo da fase classificatória, em 23 de junho, no Estádio Benito Villamarin, o Brasil mandou sua força máxima a campo. Telê Santana decidiu não poupar ninguém. Jogaram Valdir Perez, Leandro, Oscar (Edevaldo), Luizinho e Junior; Cerezo, Falcão e Sócrates; Zico, Serginho (Paulo Isidoro) e Eder.
A Seleção “passeou” em campo. Esbanjou categoria e sua atuação arrancou entusiásticos aplausos dos espanhóis presentes ao estádio. “É, mas o adversário era muito fraco”, ponderaram os eternos do contra. Era mesmo, mas o problema não era nosso.
A Seleção simplesmente não tomou conhecimento da Nova Zelândia. Goleou a equipe da Oceania como e quando quis, por clássicos 4 a 0, com dois gols em cada etapa, marcados por Zico (2), Falcão e Serginho.
Os neozelandeses eram estreantes em Copas e só não levaram goleada maior porque os brasileiros resolveram se poupar para evitar contusões. Mas deram espetáculo, com excelente toque de bola, mostrando entrosamento entre os vários compartimentos da equipe.
O time comandado por Telê Santana fez dez gols nessa fase (em 2010, a Espanha fez sete na Copa inteira) e levou apenas dois. Sambou, de fato, com a bola no pé. Todavia, não deixou, em momento algum, de ser contundente e eficiente. Ou seja, não se furtou de fazer tudo o que o torcedor brasileiro pede e gosta. Daí conquistar para sempre o coração da galera, mesmo sem ganhar a Copa.

Sunday, August 29, 2010







O homem, embora tenha o privilégio de ser o único ser vivo dotado de razão – pelo menos no pedaço do universo que conhecemos – é um animal como outro qualquer. Luta pelo seu espaço, batalha pelo alimento que o mantenha vivo, empenha-se pela obtenção do abrigo que o proteja das variações climáticas e de outros perigos, duela (se preciso) pela parceira que lhe garanta a perpetuação da espécie etc., sem nenhuma preocupação primária com os direitos do próximo. É dotado pela natureza de um conjunto de instintos que garantem a sua sobrevivência. O mais vem depois (quando vem) de consolidada essa garantia. À medida que vai se civilizando, amplia o espaço do racional, em detrimento do instintivo. Desde que seja compreendido e direcionado pelo raciocínio, o instinto é útil, necessário e indispensável. Sem ele, a espécie certamente estaria extinta. Torna-se ruim, contudo, quando passa por cima da razão.



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Os burlescos golpes de Estado africanos

Pedro J. Bondaczuk

Os ditadores africanos devem pensar duas vezes antes de programarem viagens ao Exterior. Eles correm o risco de quando voltarem (se isso lhes for permitido) encontrarem outros aventureiros ocupando os seus postos, geralmente seus “mui leais” ministros de Defesa.
Isso aconteceu em 10 de dezembro de 1984 na Mauritânia, quando o tenente-coronel Mohammed Kouha Ould Haidala resolveu comparecer a um compromisso em Burundi. Com ele deu-se aquela famosa brincadeira da nossa infância, do “quem foi para Portugal perdeu o lugar”. Só que no seu caso, o local exato foi Burundi. Numa ação fulminante, o coronel Maouia Ould Ahmed Taya assumiu os pontos estratégicos do país e, com eles, o próprio poder.
Neste ano, em 6 de abril passado, Jaafar Numeiry passou pelo mesmo dissabor no Sudão. Após, em anos passados, ter escapado de diversas tentativas de golpe e ter sobrevivido até a atentados contra a sua vida, acabou, afinal, sendo deposto. E justamente quando estava regressando ao país de uma turnê particular pelos Estados Unidos. Ao chegar no Cairo, Egito, recebeu a notícia de que seu “fidelíssimo” ministro de Defesa, general Abdul Rahman Swar al-Dahab tinha resolvido lhe dar o “bilhete azul”. Teve que se conformar.
O mesmo fenômeno ia se repetindo, ontem, na Guiné. Aproveitando a viagem do presidente Lansana Conte ao Togo, o ex-primeiro-ministro Diarra Traore deve ter raciocinado da seguinte forma: “Bem, o nosso mui amado governante conquistou o poder através de um golpe, ao depor Lansana Beavogui em 3 de abril do ano passado. Provavelmente, ele não irá achar ruim se eu fizer o mesmo”. Mas o quase deposto presidente não gostou da brincadeira. Só que, o contrário dos outros exemplos citados, ele tinha oficiais do Exército que lhe eram realmente leais. E o golpe foi sufocado.
O leitor, a esta altura, deve estar perguntando onde fica a Guiné. E certamente deve estar ainda mais confuso quando lhe informam que existem três países com esse nome. Um, a Guiné Equatorial, é ex-colônia espanhola. Outro, Guiné-Bissau, já foi possessão portuguesa. O terceiro, ex-colônia francesa localizada a Oeste da Costa do Marfim, é aquele a que estamos nos referindo. Ali aconteceu, anteontem, a tentativa de golpe.
Trata-se de uma República com 245.857 quilômetros quadrados (dois mil a menos do que o Estado de São Paulo), com uma população de 5.450.000 habitantes, dos quais 75% professam o islamismo, 1% o cristianismo e os demais 24% as múltiplas religiões animistas existentes na África. Como toda ex-colônia européia, possui 16 etnias diferentes (algumas inimigas históricas) tendo que conviver à força num mesmo território. Dessas, as mais importantes são as tribos peul, sussu, mandigo e fula.
O país, que desde a independência, em 1958, teve somente três governantes (apenas o falecido Sekou Touré ficou 26 anos no poder, até a sua morte), é um dos mais pobres do Terceiro Mundo. Sua economia é calcada na agricultura e na extração vegetal. A renda per capita anual do guineense é de irrisórios US$ 290.
Em contrapartida, a Guiné deve, no Exterior, US$ 1,25 bilhão, onze vezes o saldo que apura ao final de cada ano em sua balança comercial. Pouco dinheiro, traduz-se em má qualidade de vida. E, por essa razão, 90% dos habitantes desse país são analfabetos e a expectativa média de vida deles é uma das mais baixas do mundo: 41,9 anos para os homens e 45,1 para as mulheres. A cada mil crianças que nascem, 172 não chegam a comemorar o primeiro aniversário. Trágico, não é mesmo?!
Durante os 26 anos de seu governo, Sekou Touré declarou a Guiné um Estado comunista. Até tentou uma fusão com os vizinhos Mali e Senegal, mas ficou só na tentativa. Na hora de decidir quem iria governar de fato a federação, surgiu a briga. E a experiência não durou mais do que três meses. Isso, no ano de 1960.
O país confia que, quando ficar concluída a ferrovia Transguineana, de 1.200 quilômetros, terá mais recursos para financiar seu desenvolvimento. E, certamente, possuirá, não tenham dúvidas, mais pretendentes ao poder. Parece ser uma fixação no Terceiro Mundo esse fascínio por golpes de Estado. Ou seria mania?

(Artigo publicado na página 9, Internacional, do Correio Popular, em 6 de julho de 1985).

Saturday, August 28, 2010







Apesar da raridade da vida, tanta gente atenta, 24 horas por dia, 365 dias de um ano, através de décadas, séculos, milênios, contra esse dom, esse mistério, esse milagre. Filmes, novelas, histórias passam a impressão, a cada momento, que matar é um ato normal. Que isso faz parte do processo de seleção natural existente no mundo. Claro que essa visão não é a correta! Lógico que essa posição é sumamente imoral! Evidentemente não é uma atitude de um ser racional, capaz de saber o que é o bem e o que é o mal. No entanto, é a que ainda predomina, mostrando que o homem ainda tem muito a aprender para que de fato possa ser racional.



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Soneto à doce amada - LXXXV

Pedro J. Bondaczuk

Doce amada, quão longos e ásperos caminhos
percorremos juntos, dos fracassos à glória,
e quantos desafios vencemos sozinhos
até construirmos magnífica história!”

Partilhamos, além dos corpos, os genes e almas,
ambos alternamos ofuscações e brilhos,
em noites ora turbulentas, ora calmas,
com intenso amor, geramos os nossos filhos.

Por sobre os ombros, vislumbremos o poente,
a luz profunda, essa intensa claridade
q que as nossas ações geraram à nossa frente.

Não temamos, querida, nem a eternidade,
porquanto o amanhã se desenha reluzente
face nossa fusão, férrea cumplicidade..

(Soneto composto em Campinas, em 25 de agosto de 2010).

Friday, August 27, 2010







O homem simula em sua constituição orgânica o próprio universo. É regido pelas mesmas leis e princípios naturais. Tem, em suas células, bilhões e bilhões de vidas independentes. De sistemas vivos que nascem, crescem, reproduzem-se e morrem constantemente. A cada dia somos "outros" e no entanto somos os mesmos. Continuamos vivendo. Esse quê de imaterial passa das células moribundas para as recém-nascidas, num processo que só termina quando o indivíduo, como um todo, morre. E para onde vai de fato essa chama que nos anima? Na ausência de explicação, multidões recorrem ao expediente da fé.
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A era Telê Santana

Pedro J. Bondaczuk

A Copa do Mundo da Espanha marcou o início da era Telê Santana à frente da Seleção Brasileira, que durou oito anos, ou dois Mundiais. É verdade que o técnico não conseguiu, nas duas oportunidades consecutivas em que comandou a equipe (antes dele, apenas Zagallo havia dirigido o selecionado em duas Copas seguidas), realizar o sonho do tetra, que iria esperar ainda doze anos para acontecer.
Mas o sisudo treinador mineiro teve inegável mérito: promoveu o reencontro da Seleção com o torcedor, graças a um futebol que uniu arte, talento e técnica com competitividade e objetividade. Telê fez escola e sua influência foi das mais benéficas para renovar conceitos, táticas e comportamentos.
Se não conseguiu sucesso com a Seleção (e merecia), foi, por outro lado, vitorioso, sobretudo no comando do São Paulo Futebol Clube, time que conduziu à conquista de duas Copas Libertadores da América e dois mundiais interclubes. E deixou sucessor, na figura de Muricy Ramalho, seu pupilo, que como seu mestre, obteve sucesso no tricolor paulista e brilha atualmente no Fluminense.
Apesar disso, Telê Santana faz muita falta ao futebol brasileiro. Embora não reconhecido devidamente como tal, antes de ser o treinador competente que de fato foi, brilhou como jogador dos mais técnicos, taticamente aplicado e utilíssimo aos times que defendeu, desde o Fluminense ao Guarani de Campinas, clube em que encerrou a carreira de atleta.
Acredito que, mesmo após a desclassificação, nos pênaltis, diante da França, na Copa de 1986, Telê deveria ter permanecido à frente da Seleção. Se o fosse, provavelmente teria conquistado o tetra em 1990, na Itália e deixaria base sólida para os anos vindouros. Mas... o “se” não joga, não é verdade?
A Copa de Mundo de 1982 foi a primeira disputada por 24 seleções. A Fifa destinou quatro vagas para a América do Sul, mas uma era reservada à Argentina, campeã de 1978, num título bastante contestado e discutível (por mais que os argentinos tentem valorizá-lo). O Brasil teria, pois, que disputar as eliminatórias, mas iria conquistar o passaporte para a Espanha com os pés nas costas.
Nossa Seleção caiu num grupo que tinha como adversárias as fraquíssimas Bolívia e Venezuela. Só um desastre monumental, uma zebra sem tamanho, nos manteria fora do Mundial. E nada disso aconteceu. A classificação veio sem muito esforço e nenhum susto.
Recorde-se que, até então, o Brasil jamais havia perdido um só jogo válido por eliminatórias, o que se constituía num fenômeno que causava inveja e admiração no mundo todo. Infelizmente, esse tabu foi quebrado em 1993, pela Seleção de Parreira e, desde então, temos sido “surrados”, sistematicamente, por bolivianos, equatorianos e paraguaios. Como se vê, os tempos são outros.
As eliminatórias para a Copa da Espanha começaram em fevereiro de 1981 e terminaram em dezembro desse ano. Mas não para nossa Seleção, que concluiu sua vitoriosa participação em março, devidamente classificada como dissemos, sem zebras e sem sustos.
A estréia foi em 8 de fevereiro, em Caracas, com um magérrimo 1 a 0 a nosso favor sobre a Venezuela. Duas semanas depois, em 22 de fevereiro, o Brasil encarou o desafio de enfrentar a Bolívia nos quase quatro mil metros de altitude de La Paz e voltou de lá com resultado positivo: 2 a 1.
Em 22 de março, no Maracanã, os bolivianos voltaram a perder para nós, dessa vez por 3 a 1. E em 29 de março, a Seleção goleou a Venezuela, por 5 a 0, no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, e assegurou mais uma presença em Mundiais. Fácil, fácil.
Para a Copa, Telê mesclou o Brasil com veteranos e novatos, convocando nove jogadores que haviam participado da campanha invicta da Argentina: Valdir Perez (São Paulo), Oscar (então já no São Paulo), Toninho Cerezo (Atlético Mineiro), Zico (Flamengo), Edinho (Fluminense), Batista (Internacional), Dirceu (Coritiba) e Carlos (então no Corinthians).
Atletas como Falcão e Junior, cujas não-convocações por Cláudio Coutinho haviam gerado tantas críticas em 1978, foram, providencialmente, chamados por Telê e tiveram ótimo desempenho. Entre as caras novas, a maioria era do São Paulo, como Edevaldo, Renato e Careca.
A convocação, todavia, como sempre, não teve aprovação unânime. Torcida e imprensa cobraram vários nomes dos que ficaram de fora e contestaram muitos dos que foram chamados. Isso, aliás, virou praxe no Brasil. Sempre foi e sempre será assim em relação à Seleção Brasileira, o que, no meu entender, só comprova a fartura de bons jogadores com que o País sempre contou, mesmo nas suas piores fases (como em 2006 e 2010).

Thursday, August 26, 2010







Renè Dèscartes, na tentativa de buscar a verdade, negou, inicialmente, a existência de tudo. Depois, partiu de uma premissa básica para "negar" a sua negação: a célebre "cogito, ergo sum". Ou seja: penso, logo existo. Talvez hoje, a rigor, a única conclusão exata a que possamos chegar ainda seja apenas esta. O que é a vida? É, sobretudo, um mistério. É muito mais do que meros conjuntos de aminoácidos combinando para formar proteínas componentes de células, tecidos, órgãos, estruturas completas. Há algo impalpável que anatomista algum, nenhum cientista, por mais perito que seja, conseguiu isolar, separar, dissecar, posto que é imaterial.
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Ano de excelência

Pedro J. Bondaczuk

O ano de 1982, em que foi disputada a Copa do Mundo da Espanha, marcou um momento brilhante da minha vida (e também da Seleção, embora não coroado com o título). A muitos leitores, provavelmente, de pouco (ou de nada) interessarão essas circunstâncias tão particulares que me envolvem e que descrevo resumidamente na introdução dos relatos de cada Mundial. Ocorre que tais relatos têm, lá, sua razão de ser. Visam, sobretudo, a contextualizar estas reminiscências, que são bastante pessoais.
Ademais, como William Shakespeare observou com muita argúcia, em certa ocasião, “nada interessa mais ao ser humano do que a vida de outro ser humano”. Isso é o que, na verdade, permeia e caracteriza toda a verdadeira e boa comunicação. É um aspecto que está, ou deve estar, sempre subjacente nesse processo de contato entre seres inteligentes e produtivos.
O ano de 1982 foi, para mim, de trabalho, de muito trabalho, de intensíssimo trabalho. Eu estava, na oportunidade, com 39 anos e meio, e em pleno vigor, físico, mental e intelectual. Minha família tinha crescido. No ano anterior à Copa, havia nascido meu filho Alexei, o terceiro da “turminha brava”, que seria completada, em 1983, com o nascimento da minha caçula.
Eu trabalhava, na ocasião, há já bom tempo, no quase centenário e, portanto, tradicional jornal campineiro “Diário do Povo”. Não fazia muito, ele havia se “fundido” com o “Jornal de Hoje”, que deixara de circular, e mudara de dono; passara a pertencer ao ex-prefeito, ex-senador e ex-governador do Estado de São Pulo, Orestes Quércia.
Há dois anos, eu havia retomado a carreira de radialista, abruptamente interrompida em meados de 1964, pós-golpe militar. Trabalhava na única grande empresa radiofônica paulista em que não havia trabalhado nos anos 60: a Rede Bandeirantes. Fora contratado, porém, não propriamente pela emissora líder do grupo, mas por uma afiliada, a então denominada Educadora de Campinas.
Hoje ela mudou de nome. Trocou sua denominação tradicional, que ostentou por décadas, pela de Rádio Bandeirantes Campinas. Tenho imenso orgulho de haver trabalhado nessa grande empresa de radiodifusão e convivido com muitos profissionais que, antes de se tornarem colegas de trabalho, eram meus ídolos, como Pereira Neto, Renato Leal (atualmente na Rede Globo), Roberto Diogo, Wagner Ferreira, Jaércio Barbosa, Pereira Esmeriz, Mário Celso, Ariovaldo Izaac (meu companheiro também de Diário do Povo) e Brasil de Oliveira, entre tantos.
Na época, reitero, eu trabalhava muito, demais, além do que a prudência recomendava. Contudo, como fazia o que gostava, isto é, me comunicar com ouvintes e com leitores, não sentia cansaço físico ou mental e muito menos estresse.
Minha jornada laboral era frenética, sem nenhum dia de descanso, de segunda a segunda, meses e anos a fio. Começava ao meio-dia, quando entrava na Educadora, de onde só saía às 19 horas em ponto, quando da transmissão da “Voz do Brasil”, que na época era obrigatória nesse horário. Mas não ia para casa. Seguia direto para a redação do “Diário do Povo”, de onde só saía em alta madrugada.
No jornal, tinha horário de entrada, como todo funcionário, mas não de saída. Saía apenas quando a edição do dia terminava, que tanto poderia ser à meia-noite, quanto as duas, três ou quatro horas da manhã do dia seguinte. Nesse período, nunca consegui chegar em casa antes das 4h30 da madrugada.
Meu esforço era bem-remunerado, é verdade. Eu precisava ganhar bem. Afinal, tinha família grande, o que implicava em enormes despesas e ainda mais numa época de inflação galopante. Além de contar com dois empregos fixos, com carteira de trabalho assinada, fazia uma infinidade de frilas, o que ajudava a engordar minha conta bancária.
Estava determinado a me arrebentar de trabalhar, se fosse preciso, para que jamais faltasse coisa alguma aos meus filhos. Felizmente, nunca faltou. Eles sempre tiveram do bom e do melhor. E estudavam nas melhores escolas que o dinheiro pudesse custear. Tudo isso graças ao jornalismo. Eu cavava, a ferro e fogo, com garra e determinação, meu espaço na imprensa e na sociedade campineira.
Um ano antes, em 1981, eu havia largado o curso de Direito. Mas ao contrário do que ocorrera anos antes, com a Medicina, esse abandono fora de caso pensado e não se deveu à falta de recursos financeiros. Ocorreu, somente, porque eu já havia aprendido o que me propusera a aprender.
Quando passei no novo vestibular (havia sido aprovado anos antes em Medicina, como relatei em outra parte destas reminiscências), ou seja, no de Direito, e numa das três melhores faculdades do gênero do País, a da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, disse, para parentes e amigos, que não tinha a mínima intenção de advogar. Nunca, sequer remotamente, cogitei em deixar o jornalismo. E não deixei mesmo, até hoje.
O que eu pretendia era expandir conhecimentos na área de ciências humanas. E para o quê? Para exercer minhas funções jornalísticas com mais propriedade e qualidade. Na oportunidade, ninguém acreditou que minha intenção fosse mesmo essa. Mas fui rigorosamente coerente com o que disse que faria, ao desistir do curso de Direito somente no final do quarto ano.
Foi exatamente após essa desistência que voltei ao rádio. Antes de desistir do curso, eu costumava brincar com os colegas de redação do “Diário do Povo”, dizendo que era “filho da PUCC” (a sigla da universidade), para espanto geral, dos que entendiam mal o que eu dizia e achavam que eu estava me xingando. O que aprendi na Faculdade de Direito não tem preço. Ampliou, em muito, meu horizonte mental e minha visão de cidadania, de direitos e deveres e, também, de jornalismo.
Trabalhei na redação do “Diário do Povo” com jornalistas notáveis, principalmente na área de esportes. Posso citar de memória, sem precisar pensar muito, Eduardo Mattos, Élcio Paiola, Ismael Pfeiffer, Arnaldo Boccato, Ariovaldo Izaac, Brasil de Oliveira e muitos outros excelentes profissionais, cujos nomes me escapam.
De todos os lugares em que já trabalhei, esse é um dos que guardo na memória com o maior carinho. Engraçado como certas coincidências nos aproximam mais de determinadas empresas ou organizações sem que sequer nos apercebamos. O aniversário do “Diário do Povo” coincide com o meu, em 20 de janeiro. Por isso, nos anos que lá trabalhei, nunca faltou o tradicional bolo, para celebrar a data, doado, via de regra, por padarias da cidade anunciantes do jornal.
E eu zoava muito com isso. Saía dizendo, pelos corredores, a todos os colegas com os quais cruzava, que o bolo que eles iriam comer fora doado por mim. Claro que não era verdade. Todavia, muitos companheiros acreditavam nisso e vinham me abraçar, parabenizar e agradecer. E eu me divertia muito com essa ingênua credulidade.

Wednesday, August 25, 2010







O homem, num determinado instante da sua trajetória pelo Planeta (que não se sabe quando foi) adquiriu, surpreso, a consciência de que existia. Foi quando começou a exercitar uma faculdade que o distinguia dos outros animais: a de pensar. As três primeiras indagações que lhe vieram, então, à mente, embora certamente não colocadas com tanta clareza, foram: O que sou? Onde estou? Para onde vou? Da tentativa de resposta a estas três questões surgiram as ciências, as artes, as filosofias e as religiões. Milhões de hipóteses foram levantadas, uma quantidade incontável de textos foi escrita em torno desse primitivo tema. Ninguém, todavia, respondeu, de forma incontestável: O que sou? Onde estou? Para onde vou? São questões que permanecem em aberto, ainda.



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Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista).

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte), uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro.

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Campeão moral

Pedro J. Bondaczuk

O desfecho da fase de quartas de final da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, foi a segunda maior frustração que já tive com o futebol, envolvendo a Seleção Brasileira, maior, até, do que aquela de 1982, conhecida como o “Desastre do Sarriá”, ou seja, a nossa eliminação, pela Itália, do Mundial da Espanha. Só não superou, mesmo, o “Maracanazo” de 1950. Essa continua liderando esse indigesto ranking.
Depois de superar os obstáculos e armadilhas da primeira fase, o Brasil bem que mereceria melhor sorte. Nas oitavas, além de jogar mal (é mister que se reconheça), teve que encarar o horroroso gramado de Mar Del PLata. Já na primeira partida, foi prejudicado por um clamoroso erro de arbitragem, ou seja, pela anulação de um gol legítimo que daria a vitória sobre a Suécia.
Se houve uma seleção que não merecia se classificar para a final, essa foi a anfitriã da Copa. Sempre admirei e respeitei o futebol argentino, mas quando de fato jogado. O jornalista Orlando Duarte, em sua excelente “Enciclopédia dos Mundiais de Futebol”, lembra um fato que me havia fugido da memória. Escreve: “Passaram, também, para a outra fase, no Grupo 1, Itália e Argentina, com sérias reclamações, e justas, de franceses e húngaros, prejudicados em seus jogos contra os argentinos. Na partida contra a França, Dubacha, da Suíça, deixou de marcar um pênalti clamoroso contra a Argentina. Estes, que já haviam perdido para a Itália e ganhado mal da Hungria, não passariam das oitavas. Foram classificados sob suspeita!”.
O Brasil estreou nas quartas de final – naquele tempo não havia semifinais – em 14 de junho, na cidade de Mendoza, contra o Peru, com arbitragem do romeno Nicolae Rainea. Num gramado decente, o futebol da Seleção fluiu e ela venceu por 3 a 0, com dois gols de Dirceu e um de Zico, na cobrança de pênalti.
Cláudio Coutinho mandou a campo os seguintes jogadores: Leão, Toninho, Oscar, Amaral e Rodrigues Neto; Batista, Toninho Cerezo (Chicão) e Dirceu; Gil (Zico), Jorge Mendonça e Roberto Dinamite. A Argentina, por seu turno, derrotou a Polônia, na cidade de Rosário, por 2 a 0.
Brasileiros e argentinos iriam se enfrentar na sequência, num jogo que poderia decidir quem iria para a Final, para disputar o título. Poderia... Mas não decidiu.
Orlando Duarte revela um episódio pitoresco que antecedeu essa partida. “...O dr. Lídio de Toledo queria saber dos paulistas se Chicão, que ia entrar na partida, não sentiria a pressão. Um paulista respondeu: ‘Quem jogou em Piracicaba, disputou o certame de São Paulo, não sente nada em nenhum campo do mundo’. Chicão jogou, e muito bem...”
O jogo contra a Argentina, disputado em Rosário, apitado pelo húngaro Karoly Palotai, foi, como seria de se esperar, muito tenso e parelho. O resultado foi justíssimo: 0 a 0. Ninguém foi superior a ninguém.
Cláudio Coutinho mandou a campo: Leão, Toninho, Oscar, Amaral e Rodrigo Neto (Edinho); Batista, Chicão e Dirceu; Jorge Mendonça (Zico), Gil e Roberto Dinamite.
O último jogo do Brasil, dessa fase, foi disputado em 21 de junho, em Mendoza, contra a Polônia, com arbitragem do chileno Juan Silvagno. Jogando com propriedade, nossa seleção se impôs sobre a polonesa e devolveu a derrota de quatro anos antes na Alemanha (por 1 a 0), só que desta vez por 3 a 1. Nelinho e Roberto Dinamite (2) fizeram os gols brasileiros. Lato, a exemplo de 1974, fez o da Polônia.
O Brasil jogou com: Leão, Nelinho, Toninho, Oscar e Amaral; Batista, Toninho Cerezo (Rivelino) e Dirceu; Zico (Jorge Mendonça), Gil e Roberto Dinamite.
A classificação brasileira para a final estava “quase” assegurada. A Argentina, para nos desbancar, teria que vencer o Peru por 4 a 0. Nem o mais fanático torcedor argentino acreditava que isso fosse possível. Os peruanos haviam ficado invictos na fase anterior. Fizeram sete gols e sofreram dois. Na Copa de 1970, haviam eliminado a Argentina, quando seu técnico era o brasileiro Didi.
Mas o improvável aconteceu. E esse resultado gera controvérsias até hoje. Orlando Duarte revela o primeiro indício de que poderia ter havido “marmelada”: “O Mundial de 78 apresentou uma situação que sofreu reparos de todos. É que o Brasil jogou contra a Polônia à tarde, em Mendoza, e a Argentina, conhecendo o resultado, jogou à noite, em Rosário, goleando o Peru por 6 a 0”.
E o excelente jornalista diz mais: “Lembre-se de que o Peru ficou invicto na primeira fase, marcando sete gols e sofrendo dois. Nessa noite, a 21 de junho, tomou seis gols! O goleiro era argentino (Quiroga) e muita gente garante que os peruanos entregaram o ouro. Foram recebidos com pedras pela torcida do seu país ao retorno”.
Apesar de vítima dessa imensa “marmelada”, o Brasil despediu-se dignamente da Copa, ao derrotar, em 24 de junho, a Itália, no Estádio Monumental de Nuñes, em Buenos Aires, por 2 a 1, com gols de Nelinho e Dirceu, e ficou com o terceiro lugar.
Mas vocês pensam que a imprensa e a torcida reconheceram o bom desempenho da Seleção? Não, não e não!!! Choveram críticas e deboches nos atletas e, principalmente, no treinador. Fui dos poucos que não ridicularizaram Cláudio Coutinho, quando afirmou que o Brasil foi “campeão moral” em 1978. Precisavam de mais provas para isso? Quem é bem-informado, consciente e justo, fica ou não fica inconformado, e sumamente frustrado, com tanta, e tão ostensiva armação?

Tuesday, August 24, 2010







Albert Einstein, em seu livro "Como Vejo o Mundo", expressa: "Tenho a firme convicção de que nenhuma riqueza de bens materiais pode fazer progredir o homem, mesmo que ela esteja nas mãos de homens que demandam uma meta superior. Pode alguém imaginar Moisés, Jesus ou Gandhi armados com um saco de dinheiro?" A resposta à questão é óbvia. Ainda há, felizmente, pessoas empenhando prestígio e credibilidade nas grandes causas sociais, embora em um número aquém do que seria desejável. Enquanto tivermos intelectuais, seguindo o exemplo deixado por Betinho, preocupados em acabar com a fome de milhões de brasileiros e em obter o resgate da cidadania para estes excluídos, nem tudo estará perdido. "Utopia", dirão os céticos e os medíocres, além dos acomodados e dos poltrões. Pode ser! Mas não deixa de ser um sonho digno de se tentar conquistar.



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Decisão de árbitro com jeito de “armação”

Pedro J. Bondaczuk

O Brasil estreou na fase classificatória, ou seja, nas oitavas de final, da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, em 3 de junho. Estava no Grupo 3, junto com Suécia, Espanha e Áustria. Os austríacos eram tidos como os mais fracos dos quatro, mas iriam surpreender.
O adversário da estréia era um velho conhecido nosso, que tinha tudo para endurecer o jogo e complicar nossa vida. E, de fato, complicou. Era a seleção da Suécia. Ressalte-se o péssimo estado do gramado da sede desse grupo, o de Mar Del Plata, virtualmente impraticável para futebol até num jogo entre solteiros e casados, quanto mais de uma Copa do Mundo.
A grama havia sido plantada dias antes do início do Mundial e ainda não se fixara, não criara raízes. Grandes placas eram arrancadas todas as vezes que os jogadores se envolviam em jogadas mais duras de disputa de bola ou quando chutavam a gol. Seria cômico, não fosse trágico.
Todos que assistiram aos jogos disputados nesse estádio, ou por estarem presentes no local, ou pela televisão, puderam testemunhar o quanto o gramado era impraticável. Portanto, não se tratou de nenhuma desculpa brasileira para justificar más apresentações, conforme alguns jornalistas chegaram a insinuar. Acho engraçadas as pessoas que “brigam” com as imagens, e afirmam ter “testemunhado” o oposto do que todo o mundo viu.
É verdade que o campo estava ruim para os dois lados, não se pode negar. Todavia, a equipe mais técnica (no caso, a nossa), sem dúvida sofre prejuízos maiores nesses casos. E foi o que aconteceu. Esse foi outro fiasco, portanto, dos anfitriões dessa Copa.
Para complicar ainda mais as coisas para os comandados de Cláudio Coutinho, uma decisão controvertida, no mínimo estranha, bastante suspeita, do árbitro galês, Clive Thomas, teve graves conseqüências para nós na sequência da competição. Por causa da sua atitude, por pouco a Seleção Brasileira não foi alijada prematuramente daquele Mundial.
O jogo contra a Suécia, como destaquei, foi duríssimo. A forte marcação sueca e a instabilidade do gramado não permitiam o correto domínio de bola por parte dos nossos jogadores. Cláudio Coutinho mandou a campo, nesse dia, os seguintes atletas: Leão, Toninho, Oscar, Amaral e Edinho; Batista, Toninho Cerezo (Dirceu) e Zico; Gil (Nelinho), Reinaldo e Rivelino.
Por volta dos 45 minutos do segundo tempo o jogo estava empatado em 1 a 1. Sjoberg havia anotado para os suecos e o “matador” Reinaldo havia feito o gol do Brasil. Foi quando saiu um escanteio contra a Suécia. Cobrado, Zico mandou a bola para as redes, sem nenhuma irregularidade no lance.
Os brasileiros ainda comemoravam a inesperada “vitória” em cima da hora, quando notaram que o árbitro não havia validado o gol. Por que? Não houvera impedimento, nem falta, nem toque de mão, nem qualquer outra irregularidade. Sua senhoria alegou, simplesmente, que havia encerrado a partida enquanto a bola viajava no ar.
Ressalte-se que naquele tempo não havia quarto árbitro e nem as plaquetas indicando tempo de acréscimo. Aliás, eram raros os que davam mais de noventa minutos de jogo, por maiores que fossem as paralisações e a tal da “cera” dos jogadores. Tinha-se que se confiar nos árbitros e estes não davam satisfações a ninguém.
Pois é, até hoje, há quem queira me convencer que o tal de Clive Thomas agiu corretamente e que não se tratou de uma “armação” contra o Brasil. Há gente que acredita em tudo, em coelhinho da páscoa, em papai Noel e em mula sem cabeça. Ora, ora, ora, ingenuidade tem limites! Nunca vi isso, nem antes e nem depois, sequer em jogos de várzea! O resultado “oficial” foi de 1 a 1. Para complicar, na outra partida do grupo, a Áustria derrotou a Espanha por 2 a 1 e assumiu a liderança.
No jogo seguinte, em 7 de junho, teríamos os espanhóis como adversários. Nossa seleção fez uma partida sofrível, uma das piores que já vi o Brasil fazer. Só não saímos derrotados do campo graças a um “milagre” operado pelo zagueiro Amaral, que salvou uma bola em cima da linha do nosso gol, garantindo o 0 a 0. A Áustria, por sua vez, assegurou a classificação em primeiro lugar, por antecipação, derrotando a Suécia por 1 a 0. Quem diria!
Nessa altura da competição, os dois pontos que deixamos de ganhar, por obra e graça (ou desgraça?) do árbitro galês estavam fazendo uma falta imensa. Caso vencêssemos os austríacos (e a vitória era o único resultado que poderia nos servir), ainda ficaríamos na dependência do placar do confronto entre suecos e espanhóis para nos classificarmos.
Num jogo sumamente dramático e tenso, disputado em 11 de junho, o Brasil, com um gol de Roberto Dinamite (atual presidente do Vasco da Gama), derrotou a Áustria por 1 a 0 e garantiu, de forma dramática e sofrida, vaga nas quartas de final. Isso porque a Espanha nos deu uma providencial ajuda e ganhou da Suécia, também por 1 a 0.
Para complicar a nossa vida, a Argentina, no Grupo 2, não fez o que dela se esperava, ou seja, que se classificasse em primeiro lugar. Perdeu para a Itália por 1 a 0 e classificou-se em segundo. Dessa forma, os anfitriões teriam, como adversários, nas quartas de final, Polônia, Peru e... Brasil.
Estava montado o cenário para nova “mutreta”, para uma das maiores e mais ridículas farsas que já vi em qualquer competição esportiva, e a nosso dano, e essa definitiva, que suprimiria de vez qualquer chance que ainda tivéssemos de conquistar o tetra na vizinhança da nossa casa.

Monday, August 23, 2010







O envolvimento, tanto com pessoas, quanto com causas, implica em riscos. Isto é óbvio. O escritor Michael Drury escreve a respeito: "Ninguém pode negar que se envolver em coisas significa arriscar-se. A pessoa de que nos enamoramos pode magoar-nos terrivelmente; os amigos que discutem e que tentamos reconciliar poderão voltar-se contra nós com a sua cólera conjugada; o homem que se afoga e tentamos salvar pode arrastar-nos consigo para o fundo. Contudo, evitando dissabores e desapontamentos, tornamo-nos frios, desumanos". O estranho é ver intelectuais comprometidos com o acúmulo de riquezas pessoais, empenhando o que de melhor possuem em um objetivo tão pífio. Ninguém mais do que eles tem capacidade para perceber o quanto essa meta é vazia e até absurda. Sequer é necessário mencionar a razão. Tais pessoas sabem. Conhecem-nas de sobejo.
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Classificação com folga, mas com crise

Pedro J. Bondaczuk



A Seleção Brasileira, como não fora campeã da Copa de 1974 e nem seria a promotora da seguinte, teria que conquistar, no campo, sua vaga para o Mundial de 1978, na Argentina. Isso, a princípio, não assustava ninguém. Explico. Após o fracasso na Alemanha, quando o ataque não funcionou, a grita geral, país afora, concentrou-se na exigência de um futebol ofensivo, que aliás, fora responsável pela conquista do tricampeonato.
Osvaldo Brandão, esbanjando prestígio, foi escolhido como treinador, com a incumbência de fazer nossos artilheiros luzirem. Situação, aliás (guardadas as proporções) idêntica à de Mano Menezes, o substituto do sisudo Dunga.
Em 1976, sob o comando desse gaúcho, colecionador de títulos, a Seleção Brasileira voltou, de fato, a encantar, a vencer todos os que pegava pela frente, a conquistar taças e troféus e a fazer gols e mais gols. Ou seja, tudo o que o torcedor queria e exigia.
Fosse a Copa do Mundo disputada naquele ano, e não teria para ninguém. O tetra seria barbada. Só que faltavam ainda dois anos para o novo Mundial, a ser disputado em nossa “vizinhança”, tempo em que muita coisa poderia mudar, para melhor ou para pior. Ademais, o Brasil teria, antes de tudo, que conquistar sua vaga. É certo que ninguém duvidava que conseguiria. Sempre conseguiu. Mas... nunca se sabe.
O ano de 1976, reitero, foi de grandes conquistas para a Seleção Brasileira. Ganhou, por exemplo, a Taça do Atlântico, a Copa Rio Branco, a Copa Roca e a Taça Oswaldo Cruz, em cima de Argentina, Uruguai e Paraguai, todas em sequência. E com um grupo totalmente renovado em relação ao que disputou o Mundial da Alemanha.
Seu feito maior, mais expressivo e valioso, pela repercussão internacional, foi a conquista da Copa do Bicentenário de Independência dos EUA, em que derrotou a Inglaterra, os Estados Unidos e a Itália, esta última com uma categórica goleada de 4 a 1.
Veio 1977 e, com ele, vieram as eliminatórias sul-americanas, ou seja, o momento da “onça beber água”. A disputa tinha uma fórmula bem diferente das anteriores. Consistia em três grupos, de três países cada, com todos jogando contra todos, em turno e returno. Os respectivos campeões disputariam um triangular, em campo neutro, em partida única, com os dois melhores qualificando-se para a Copa.
O Brasil caiu no Grupo 1, com Colômbia e Paraguai. O 2 era integrado por Venezuela, Bolívia e Uruguai. E compunham o Grupo 3 Venezuela, Peru e Chile. A Seleção Brasileira estreou em 20 de fevereiro de 1977, em Bogotá, frente à Colômbia. E aí, desencadeou-se a crise em nosso selecionado.
O empate, em 0 a 0, irritou Osvaldo Brandão, que não gostou do desempenho dos jogadores e das críticas que recebeu da imprensa. Inconformado, renunciou ao cargo. Foi nomeado, de imediato, seu substituto, nomeação que surpreendeu todo o mundo: o capitão Cláudio Coutinho, sujeito culto, bem articulado, que dava entrevistas com conteúdo (ao contrário da maioria dos treinadores), mas de quem os meios de comunicação cismaram de pegar no pé desde o primeiro momento. Principalmente, por causa da nomenclatura de jogadas e de táticas, como “overlap”, “ponto futuro” e outros quetais, que o novo treinador utilizava.
Em vez de tentarem entender, e explicar aos ouvintes, leitores ou telespectadores, os repórteres passaram a se divertir com essas expressões, escarnecendo do novo técnico. Duvido que fizessem isso com o Dunga. Mas... deixa pra lá.
Hoje, essas jogadas todas (embora não com os nomes tratados por Cláudio Coutinho) são rigorosamente corriqueiras. Na época, não eram. “Overlap”, por exemplo, nada mais é do que o deslocamento do jogador que está sem a bola. É quando o atleta se movimenta, progressivamente, antes do adversário incumbido de marcá-lo, surpreendendo-o com esse movimento. Dessa forma, recebe a bola livre de marcação e tem chances maiores de fazer o gol. É mais ou menos isso.
Cláudio Coutinho estreou com o pé direito no comando da Seleção. Foi no jogo de 9 de março de 1977, no Maracanã, quando o Brasil “triturou” a mesma Colômbia (que havia sido a causadora indireta da saída de Osvaldo Brandão), por um até escandaloso 6 a 0.
No jogo seguinte, em 13 de março, a Seleção venceu o Paraguai, que tradicionalmente é um adversário difícil, no Estádio Defensores Del Chaco, em Assunção, por um magro 1 a 0. E voltou a decepcionar a torcida, mesmo sob o novo comando, ao empatar com os mesmos paraguaios, num Maracanã lotado, por 1 a 1, em 20 de março de 1977. Apesar dos pesares, foi campeão do Grupo 1 e qualificou-se para o triangular decisivo, marcado para Cali, após a desclassificação da Colômbia. Nenhuma surpresa, portanto. Deu a lógica.
O mesmo não aconteceu no Grupo 2. Aproveitando-se das dificuldades de quem não está acostumado a jogar na altitude, a Bolívia foi a classificada, com a surpreendente eliminação uruguaia. E no Grupo 3, o Peru mostrou-se melhor preparado e obteve a qualificação.
No triangular de Cali, os comandados de Claudio Coutinho venceram, com dificuldades, os peruanos (em 10 de julho de 1977), por 1 a 0, mas massacraram os bolivianos por 8 a 0 (em 14 de julho) e asseguraram o passaporte para a Argentina. A outra vaga ficou com o Peru.
Resumo da ópera: Nas Eliminatórias de 1977, o Brasil marcou 17 gols em seis partidas (2,83 por jogo) e sofreu apenas um. E mesmo assim, nem imprensa e nem torcida ficaram satisfeitos. Como estamos mal-acostumados quando se trata de futebol!

Sunday, August 22, 2010







Os intelectuais contemporâneos – de esquerda e de direita – omitem-se, cada um por razões próprias, das responsabilidades sociais, encerrando-se em uma "torre de marfim". Evitam de se envolver em qualquer causa que não seja a da autopromoção. Olham para o próprio umbigo como se fosse uma preciosidade, admirando-o, idolatrando-o, deificando-o. A palavra-chave é envolvimento. É cada pessoa fazer a sua parte, dar a sua contribuição, de acordo com a sua capacidade, à comunidade a que pertence. Este é o único sentido que a vida pode ter: o da participação. Ninguém é auto-suficiente a ponto de não precisar dos semelhantes. E tudo tem um preço. Esperam de nós a recíproca. Nosso ideal deveria ser o de nos tornarmos elos da cadeia evolutiva do homem. Não faz sentido vivermos apenas para nós mesmos.



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Resistência só com comando forte

Pedro J. Bondaczuk

O Afeganistão tem, no correr da sua milenar história, um longo retrospecto de conquistas externas, em que seus costumes e tradições foram forçados a passar por inúmeras mudanças que os levaram à descaracterização. Esse país, classificado na atualidade entre os mais pobres e desprotegidos do mundo, já foi presa de Dario I, o Grande, da Medo Pérsia, no ano 522 AC. De Alexandre Magno, em 330 AC, tornando-se parcela de seu vasto império. Dos árabes, que lhe impuseram a religião islâmica, no século VII de nossa era.
Pior do que essas conquistas anteriores, porém, foi a passagem dos mongóis pelo território afegão, arrasando aldeias, vilas e cidades, levando tudo de roldão, como bando de gafanhotos destrutivos, liderados primeiro pelo implacável Genghis-Khan e posteriormente pelo não menos sanguinário Tamerlão.
No correr de sua existência, o Afeganistão veio a se tornar independente, de fato, apenas em 1747. Mesmo assim, permaneceu em constante sobressalto, com a disputa que se verificava na Ásia por uma hegemonia absoluta entre dois gigantescos impérios, que estavam de olho em suas terras de vales férteis e de escarpadas e quase inacessíveis montanhas: o britânico e o da Rússia czarista.
Por três vezes os ingleses tentaram repetir as proezas dos conquistadores antigos desse país e em todas elas se deram muito mal. A primeira das campanhas, inclusive, foi trágica para os súditos da rainha que comandava um domínio territorial tão grande que em suas fronteiras "o sol jamais se punha". Começou em 1838 e terminou com a retirada dos invasores, tendo em seus flancos e na sua retaguarda os inflexíveis guerreiros afegãos, que com suas armas rústicas e sua combatividade, queriam lavar com sangue a afronta sofrida. Dos 16 mil soldados ingleses que então empreenderam a invasão, apenas cem retornaram vivos à Índia. Os demais foram massacrados impiedosamente.
O Império Britânico fez mais duas dessas tentativas. Um em 1878/9 e outra em 1929, com resultados quase tão catastróficos quanto a anterior. O povo do Afeganistão, que passara milênios da sua história sendo conquistado, dominado ou simplesmente influenciado por estrangeiros, soube nessa ocasião preservar a sua independência. Contava, na oportunidade, com coesão e liderança e por isso não caiu. E ficou, desde então, literalmente esquecido, pelo prazo de exatos 50 anos, até que os russos conseguiram a proeza que os britânicos haviam falhado em obter meio século atrás. E com que facilidade!
É verdade que desde o primeiro instante da invasão, os afegãos esboçaram uma reação contra um novo período de prolongado domínio que se desenhava à sua frente. Mas esta revelou-se sempre difusa, dispersa, fragmentada, contando mais com o patriotismo individual de cada combatente do que com algum eventual comando que merecesse esse nome.
Hoje, o principal foco de resistência centraliza-se numa aliança dos sete maiores grupos guerreiros, dos inúmeros que há no país, buscando, cada qual à sua maneira, expulsar os soviéticos do seu território. Não é menos real que os russos encontraram no Afeganistão o seu "atoleiro", o mesmo que representou o Vietnã, na década passada, para os norte-americanos.
Mas, ao contrário dos vietcongs, que não passavam uma única semana sem retomar parcelas de território das mãos do adversário, a guerrilha afegã marca passo. Vence uma batalha aqui, outra ali. Destrói umas tantas aeronaves soviéticas. Faz uma centena de vítimas entre os inimigos. Mas limita-se apenas a isso, a essas pequenas migalhas. Tudo porque falta coesão, falta comando, falta um objetivo político definido nessa luta.
As diversas facções perdem mais tempo trocando acusações com pretensos aliados do que combatendo eficazmente o inimigo comum. E é bom que se frise que historicamente os russos não devolveram jamais territórios em que os seus soldados puseram os pés. Vai daí...

(Artigo publicado na página 10, Internacional, do Correio Popular, em 18 de junho de 1986)