Saturday, August 31, 2013

Por mais humilde (e aparentemente bronco) que um indivíduo possa parecer, bem no fundo de sua mente, às vezes escondida nas profundezas do subconsciente, entre tantas idéias, tantos pensamentos e tantas emoções, ele possui alguma aptidão, por mínima que seja, que certamente não descobriu qual é, mas que está lá, à espera da descoberta, do cultivo e do desenvolvimento. Raros, todavia, têm a felicidade de descobri-la(s) ainda na infância. Alguns fazem essa descoberta na juventude, desenvolvem esse potencial, batalham por seu sonho, ousam e findam por produzir obras marcantes, que sobrevivem ao tempo e ao espaço: à sua morte. A maioria, chega a essa constatação na maturidade, recupera o tempo perdido e luze. Nunca é tarde para descobrir seu talento. Detecte-o e o exercite com amor, prazer e alegria. Você pode!


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Austeridade para combater inflação

Pedro J. Bondaczuk

O presidente peruano, Alan Garcia Perez, está às voltas, em seu país, com problemas semelhantes aos vividos pelo Brasil, Argentina, Bolívia e outras Repúblicas latino-americanas, algumas das quais conseguiram saná-lo e outras convivendo plenamente com ele: uma inflação centenária.

Todos os seus projetos econômicos, visando a manietar esse monstro, que estrangula as economias desorganizadas, furaram. E como ocorreu com os argentinos e os brasileiros, em passado ainda recente (o mais novo pacote do presidente Raul Alfonsin ainda está em vigor), atribuiu toda a questão a misteriosos “especuladores”.

É fato que a especulação existe em países onde os governos não dão exemplos de austeridade na condução da coisa pública. Mas dolorosas experiências recentes provaram que a chave para a solução do problema não está no intervencionismo estatal.

Em Estados onde as autoridades do governo não inspiram confiança, ou se faz “vistas grossas” a determinadas práticas especulativas (que ademais têm efeito muito pequeno sobre as taxas inflacionárias) ou se corre o risco da paralisação quase completa das atividades produtivas, por falta de investimentos.

A segunda opção, como se sabe, é suicida, um desastre para países com taxas de crescimento populacional explosivas. A necessidade de gerar empregos cresce de ano para ano e para que o detentor do capital invista, é indispensável que haja atrativos para ele. Caso contrário, esse investidor potencial sempre terá melhores formas para resguardar seu dinheiro, e com menos dor de cabeça.

Por outro lado, nenhum dos países com taxas inflacionárias explosivas tem atacado, com a devida seriedade, o ponto principal da questão. Seus governos gastam muito mais do que arrecadam e, o que é pior, de modo equivocado. Em geral os investimentos estatais são feitos em obras dispensáveis e que não proporcionam nenhum retorno.

Se ainda fossem na área social, esses gastos seriam, pelo menos, válidos. Proporcionariam saúde, educação e habitação para seus cidadãos, formando pessoas sadias, instruídas e integradas, capazes de produzir mais e expandir a riqueza nacional.

No entanto, basta olhar os indicadores sociais, divulgados por órgãos especializados da Organização das Nações Unidas para concluir que não é aí que o dinheiro que o governo confisca da sociedade – e o que empresta, pagando juros cada vez mais tentadores – vai parar.

Atitudes atrabiliárias, como as tomadas nos últimos dias por Alan Garcia, só trazem mais complicações para o país. Dividem a sociedade. Jogam uma classe contra a outra, numa disputa prejudicial para todas. Inibem os vitais investimentos, perpetuando a recessão, a dependência do capital externo e agravando o desemprego. E, sobretudo, consolidam e expandem a miséria, que ninguém, em sã consciência, deseja que seja socializada.

(Artigo publicado na página 10, Internacional, do Correio Popular, em 8 de janeiro de 1988).


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De refinado artista a feroz revolucionário

Pedro J. Bondaczuk

A atividade “revolucionária” de Richard Wagner foi tão intensa e gerou-lhe tantas conseqüências, que merece mais do que mera menção em um resumido e inofensivo relato biográfico. Requer análise detalhada e criteriosa, pois é uma parte de sua vida a que quem escreve a propósito não dá a devida atenção. Atém-se, invariavelmente. à sua obra –  majestosa e igualmente “revolucionária”, mas em outro sentido, ou seja, no das inovações que ele introduziu e consolidou na sua arte, na música chamada erudita – em detrimento de fatos marcantes que expõem sua verdadeira personalidade. Tratarei, também, desse aspecto, o artístico, mas no seu devido tempo.

Ao tratarmos da vida e da obra de determinadas personalidades – casos específicos de Edgar Alan Poe, Rembrandt, Victor Hugo e, claro, Richard Wagner, entre tantas outras – constatamos que suas trajetórias pessoais, suas ações extra-arte, têm aspectos mais interessantes até do que suas produções, sem nenhum demérito para estas. Daí minha opção por não me ater a meras versões biográficas ao tratar deles, mas de recorrer à redação de ensaios – que podem ser isolados ou constituir séries, cada um com começo, meio e fim, que podem ou não ser reunidos, a critério do leitor. – que me proporcionam oportunidades para opinar.  Não me atenho, pois. a meras descrições de fatos envolvendo-os. Vou além e procuro emitir opinião estritamente pessoal sobre cada um deles, com o objetivo explícito de extrair lições de cada episódio, reitero, extra-arte.

É possível (não sei se provável) que as conclusões dos meus comentários contem com a concordância de imensa quantidade de leitores (quantos, não dá para, sequer, estimar). Mas é mais do que certo que muitos discordarão de mim (e quantos deles é, igualmente, impossível de determinar). Não espero consenso. Caso esperasse, meu principal objetivo, que é o de gerar polêmica (posto que fundamentada) para induzir quem me lê a refletir, estaria perdido. Até porque não tenho como discordar de um dos meus “gurus” no jornalismo, o controvertido e polêmico jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, que considerava “burra” toda e qualquer unanimidade.

Quando classifico Richard Wagner de “revolucionário” estou pensando no significado político do termo, no sentido de “agitador”, de “amotinador”, de ativista que luta para promover transformações radicais em determinadas sociedades. Foi o que ele fez em uma época sumamente turbulenta nos territórios germânicos, quando duas correntes antagônicas se digladiavam, uma com o objetivo de unificar aqueles principados, ducados, cidades-Estados etc. numa sólida federação – tese que finalmente prosperou e resultou na Alemanha atual, tal como a conhecemos – e outra com o propósito de manter as coisas como estavam, cada qual levando sua vida em separado, a despeito de contarem com língua, costumes e tradições comuns.

Não raro fico me perguntando, ao ler referências ao ativismo de Wagner: “que raios levou um artista refinado e sensível como ele, e mais, um gênio na sua arte, a arriscar toda uma carreira tão bem estruturada, para se meter com política? Pior, para pegar em armas, em defesa de suas idéias?!. Afinal, se quisesse, poderia agir como a grande maioria das pessoas do seu tempo, artistas ou não, e ficar quieto em seu lugar, tocando, tranquilamente, sua vida”. Wagner vivia bem em Dresden, enquanto se dedicava exclusivamente à sua arte, livre de sobressaltos e de preocupações financeiras. Em vez de se manter assim, abriu mão dessa tranqüilidade e da liberdade que dispunha para defender, com ousadia e com paixão, as idéias políticas que nutria. Entre tantas outras conseqüências ruins, endividou-se até o pescoço, pois deixou de ganhar dinheiro com música.

Houve ocasiões (e foram muitas) em que tinha que cortar volta da multidão de credores para se livrar de sua ira. Devia, virtualmente, para todo o mundo. Esteve a pique até de ser preso por dívidas. Só não foi porque não parava em nenhum lugar, para desespero de Minna, sua primeira mulher, que durante algum tempo o acompanhou em suas tantas e alucinadas fugas.

Peço licença para transcrever um trecho de excelente texto que encontrei no Wikipédia a esse propósito, que dá bem a conta da confusão em que Wagner se meteu ao resolver fazer política: “Em fevereiro de 1848, no mesmo mês em que Marx e Engels publicaram o Manifesto do Partido Comunista, estourou na França a revolução que depôs Liís Felipe, o rei burguês. Aos gritos de liberté, l'égalité ou la mort, sublevações estouraram por toda a Europa contra as monarquias absolutas. Na Itália e na Alemanha alguns dos revoltosos tinham por objetivo a unificação dos respectivos países. Wagner também ficou entusiasmado pelos ideais revolucionários. De repente, a música passou para segundo plano nas suas preocupações imediatas e a política para o primeiro”.

Como se vê, entrou de graça nessa encrenca, justo ele que não tinha formação política, que era artista dos mais respeitáveis, apesar de não concordar com as injustiças sociais que via acontecerem por toda a parte e no próprio meio em que atuava, no caso, o da música. Explico. Antes de entrar “de cabeça” na revolução propriamente dita, Wagner dirigia o teatro de Dresden. Observava, contrariado, que os salários dos músicos eram muito baixos e que estes eram forçados a trabalhar demais, com evidentes prejuízos à saúde, mas, principalmente, à qualidade artística das execuções.

Em contrapartida, notou que determinados cantores solistas recebiam importâncias exorbitantes, muito além do que deveria ser pago para aquela função. Entendia que isso era um disparate e resolveu intervir para corrigir a anomalia. Para quê!!! Arranjou uma encrenca das maiúsculas, descontentando, principalmente, seus superiores, ligados ao governo local. Para complicar, na mesma época o agitador anarquista russo, Mikhail Bakunin, exilado de seu país, de onde teve que fugir para não ser morto, chegou a Dresden. Não tardou para Wagner fazer amizade com ele.  A partir de então... suas ações passaram a ser muito mais abrangentes, sérias e contestadoras ao regime vigente (a monarquia) do que a simples revolta contra a injustiça salarial que atingia os músicos do teatro de Dresden do qual era diretor. Num piscar de olhos se transformou de refinado artista em feroz revolucionário.


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Friday, August 30, 2013

A natureza dotou todas as pessoas (praticamente sem nenhuma exceção) de determinadas aptidões, de um certo potencial produtivo, de um dom natural que precisa, no entanto, ser detectado, cultivado, aperfeiçoado, desenvolvido e exercitado, para poder produzir efeitos. Uns têm facilidade, por exemplo, para trabalhos manuais, realizando maravilhas com as mãos, criando peças artesanais de surpreendente beleza e praticidade. Outros, têm ouvido para a música, ou para compor, ou para cantar, ou para executar um ou vários instrumentos. Há os que têm vocação para a literatura (poesia, conto, romance, teatro, ensaio), para as artes plásticas, para a economia e finanças, para a política, para o direito, para a medicina etc. Os dons são tantos quantos as pessoas que há no mundo. Convém, pois, detectar, desenvolver e exercitar plenamente nossos talentos,  o que nos fará úteis, produtivos e realizados e, por conseqüência, felizes.

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Irrestrito amor

Pedro J. Bondaczuk

Sinto, outra vez, familiar ansiedade.
Vivo, de novo, em compasso de espera.
O corpo pede, implora saciedade:
sou animal... e já é primavera!

Cheiros, olhares e toques sutis.
Suaves murmúrios, palavras sem nexo.
Caos de emoções e sentimentos gris.
Incontida atração, apelo ao sexo.

Percorro intrincados labirintos.
Detenho-me na saída, afinal,
pois sou feixe de irracionais instintos
e é primavera... sou animal!

Seu corpo, seu cheiro, tudo me atrai.
É tensão que antecede tempestade.
O sangue ferve... sou parte que vai
em busca da sua plena unidade.

Vem, amada, e acolhe este afeto.
Só você me satisfaz e me acalma.
Só em você me realizo e me completo:
amo-a de coração, corpo e alma!

Amada, deixe que os dedos percorram
seu corpo perfeito e escultural.
Desejos se acumulam, amontoam
pois... é primavera... sou animal!

Beije minha boca, ávida, faminta,
Deixe-me vê-la inteiramente nua.
Sinta minha ânsia, meu desejo sinta,
meu corpo é seu... e a minha alma é sua.

Amemo-nos sem pejo e sem temor,
anjos acima do bem e do mal.
Rendamo-nos ao irrestrito amor
pois... é primavera... sou animal!


(Poema composto em Campinas, em 21 de setembro de 1965).



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Bendita intuição!

Pedro J. Bondaczuk

A infância do compositor Richard Wagner transcorreu em um ambiente culturalmente rico, em meio a livros – seu padrasto Ludwig Geyer dispunha de excelente biblioteca – em contato com artistas de várias artes, o que, certamente, determinou seu futuro. Como a grande maioria dos gênios da música erudita, seu talento manifestou-se precocemente, mas, ao contrário dos outros, não recebeu uma educação musical específica, disciplinada, ordenada e planejada. Não, pelo menos, na mesma idade dos outros minigênios.  Teve, sim, grandes mestres, mas faltava continuidade nessas lições. Ainda assim...

Wagner nasceu em uma cidade (Leipzig) que foi berço de grandes artistas. Podem ser citados, neste caso, sem grandes esforços de memória, Johann Wolfgang Göethe (tido e havido, até hoje, e com justiça, como o maior poeta de todos os tempos em língua alemã), e os compositores Felix Mendelssohn, Robert Schumann, Wolfgang Amadeus Mozart e, principalmente, Johann Sebastian Bach, entre outros. Seus pais viviam, na ocasião do seu nascimento, no bairro judeu da cidade. Davam-se bem com a vizinhança, com a qual não tinham nenhum problema. Recorde-se que, na época, o arraigado anti-semitismo estava praticamente no auge em boa parte da Europa e, principalmente, nos estados germânicos.

Wagner deve muito do que foi ao padrasto, que o educou como filho legítimo e com o qual manteve profundos laços de afeto até a morte deste. Houve ocasiões, até, que chegou a duvidar que Geyer não fosse seu pai biológico. Não era. Casou-se com a mãe do compositor, Johanna Rosine (filha de um padeiro), quando esta ficou viúva de Carl Friedrich Wagner (funcionário da polícia de Leipzig), com nove filhos para criar. Geyer era ator e dramaturgo, bastante ligado às artes e aos mais reputados artistas de diversas artes. Entre seus talentos estava, também, o de pintor

Wagner sempre desconfiou que seus pais biológicos nunca foram casados, porquanto jamais foi encontrada a certidão de casamento deles. Provavelmente, não foram mesmo. Carl morreu em conseqüência da febre tifóide, cuja epidemia grassou em Leipzig, ceifando centenas de vidas. Apesar de não ser do meio artístico, tinha sólida amizade com Geyer, mas o casamento deste com sua viúva, ao que consta, foi por amor e não como eventual dever de amizade. O fato é que Richard Wagner não chegou, propriamente, a conhecer o pai verdadeiro. Quando este morreu, ele tinha, somente, seis meses de idade.

Após o casamento do padrasto com a mãe, a família mudou-se para uma casa ampla e confortável, de propriedade do ator, localizada em Dresden, onde o futuro compositor foi criado e viveu talvez os melhores anos da sua vida. Até os catorze anos, Wagner era conhecido não com o nome com que se consagrou, mas como Wilhelm Richard Geyer. Isso, por si só, dá a devida conta do afeto que ligava a ambos. O menino cresceu, como destaquei, em refinado ambiente artístico, posto que não musical. Daí estranhar-se ter se tornado o genial compositor em que se tornou. A probabilidade, na época, levando em conta as influências que recebia, é que se tornasse um poeta, ou um escritor de outro gênero qualquer, ou mesmo um ator. Não foi, óbvio, o que aconteceu.

Além do padrasto, as duas irmãs mais velhas de Wagner, Luise e Rosalie, eram atrizes. Uma outra, Klara, era cantora de ópera. Mas as coisas são como devem ser. Se você tem vocação para determinada arte (ou mesmo alguma atividade específica, não artística), mais cedo ou mais tarde, esta se manifesta, a despeito do ambiente em que é criado. E, se atentar para esse talento, desenvolvê-lo, aperfeiçoá-lo e, principalmente, exercitá-lo, suas chances de sucesso fazendo o que mais gosta serão concretas e até prováveis. Foi o que aconteceu com Wagner.

É verdade que, quando adolescente, compartilhou da paixão do padrasto pelo teatro. Chegou, mesmo, a atuar como ator, em pequenos papeis quando ainda menino. Tudo indicava, então, que seguiria os passos tanto de Geyer, quanto das irmãs. Era fascinado, nesse período, por tudo o que se relacionasse com o teatro. Buscava absorver tudo o que se relacionasse com a arte de representar. Mas... aquele não era o seu caminho, embora na época, provavelmente, nem suspeitasse disso. Um duro golpe, para Wagner, ocorreu em 30 de novembro de 1821, com a morte, em conseqüência de tuberculose, daquele homem generoso que até então considerava  pai legítimo. De certa forma, convenhamos, era mesmo. E o garoto, na ocasião da perda, tinha só oito anos!

Geyer, todavia, antes de morrer, percebeu qual a verdadeira vocação daquele seu talentoso e apaixonado filho de criação: a música. Isso ocorreu em determinada noite, quando ouviu o menino tocar maravilhosamente bem no piano da casa uma complexa peça musical que muito músico tarimbado e experiente evitava de executar pelas dificuldades que apresentava. Wagner, até então, havia tido, apenas, esporádicas e escassas lições de música. A perfeição na execução, portanto, não se devia a treinamento e nem às parcas aulas que tivera. Era talento puro!

Um ano após a morte de Geyer, Wagner foi matriculado em uma escola religiosa de Dresden. Ali, influenciado pelos livros que havia lido, de Göethe e de Shakespeare, escreveu a primeira de suas peças, uma tragédia intitulada “Leubald und Adelaide”. Assinou-a com o nome de Richard Dreyer. Para a família, após essa façanha, não havia mais dúvidas: o garoto seria dramaturgo e ponto final. Estavam (felizmente) todos enganados, para gáudio dos apreciadores da chamada “música eterna” (entre os quais me coloco). Pouca gente percebeu aquilo que Geyer, em seus últimos dias de vida, intuiu, com tamanha clareza: que ali estava alguém que futuramente seria um dos maiores e mais criativos compositores clássicos de todos os tempos, genuíno gênio em sua arte. Bendita intuição!


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Thursday, August 29, 2013

Um sorriso, um simples sorriso, alegre e espontâneo, pode operar milagres em quem o dá e, principalmente, em quem o recebe. A pessoa que sorri espanta aborrecimentos desnecessários e inúteis, que tendem a afetar seu humor e, por conseqüência, sua saúde, mesmo que apenas momentaneamente. Para quem o recebe, pode salvar, na pior das hipóteses, o seu dia, e na melhor, até a sua vida, dependendo das circunstâncias. Sir Bertrand Russell constatou, em uma entrevista, que aquilo de que mais o mundo carece, hoje em dia, nestes tempos dramáticos de violência e de solidão, é de alegria. Mário Quintana observou, por sua vez, com sua sensibilidade de poeta: “O sorriso enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores”. Como se vê, sempre vale a pena sorrir. Por isso, seja qual for a circunstância, sorria. Seu sorriso, certamente, não a empobrecerá, além de enriquecer o dia, quiçá a vida, de quem o receber.


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Retórica dos caudilhos


Pedro J. Bondaczuk


O Paraguai prepara-se para encenar, hoje, mais uma farsa eleitoral, que se repete, monotonamente, já por oito ocasiões consecutivas, perfazendo um espaço de tempo de 34 anos. Promove uma “eleição” presidencial, que todos sabem de antemão quem irá ganhar e até por qual margem de votos.

Um pleito em que apenas um dos “candidatos” tem direito à propaganda e que as vozes dissonantes, os poucos que tem coragem de vir a público para denunciar a encenação, acabam sendo presos, sem essa ou mais aquela.

O general Alfredo Stroessner deu um autêntico show de retórica na quinta-feira, no comício de encerramento da “campanha”, desnecessária, por sinal, já que todos sabem quem vai ganhar, com ela ou sem ela. Aliás, todos os candidatos são peritos nessa arte de não dizer nada com palavras grandiloqüentes.

No Paraguai, pelo que ficou implícito no discurso presidencial, não concordar com o governo é um dos mais hediondos crimes que se conhecem. Quem não reza pela “cartilha” do sistema, é um “malvado e sanguinário servente do comunismo internacional”. Ou então, não passa de “bandoleiro que atropela a calma dos lares”.

É esse o nível da campanha, onde o principal líder opositor, Domingos Laino, acabou indo parar na prisão (pela enésima vez) por ter dito apenas o óbvio do regime. Este é o governo “da paz”, slogan de Stroessner, denunciado por todas as entidades defensoras dos direitos humanos do mundo inteiro, por causa do encarceramento arbitrário e cruel de todos os que ousam querer um Estado democrático e moderno. Uma sociedade em que os “sócios” possam também opinar, e não somente “pagar a conta”, como vem acontecendo há quase três décadas e meia.

Ou será que a totalidade das pessoas está errada e apenas os detentores do poder é que têm razão?! Há democracia e “democracia”, a segunda entre aspas, por não passar de caricato arremedo desse sistema de vida que pode ser cheio de defeitos; que pode não promover a felicidade geral; que às vezes é exercido através de gritantes distorções, mas que ainda é a melhor forma de convivência entre pessoas civilizadas.

Lincoln costumava dizer algo mais ou menos assim: “Poucos podem enganar muitos por muito tempo; muitos podem enganar poucos por pouco tempo, mas é impossível que todos enganem todos por todo o tempo”. Há verdade maior do que esta?

(Artigo publicado na página 14, Internacional, do Correio Popular, em 14 de fevereiro de 1988).


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O Velho e o Mar


Pedro J. Bondacuk


Mais de meio século anos após sua morte, ocorrida em 1962, o romancista e aventureiro norte-americano Ernest Hemingway, amigo pessoal do ex-líder cubano Fidel Castro, continua despertando fascínio nas novas gerações. E não somente pela fluência e concisão dos seus textos, ou pela magistralidade dos seus romances ("Adeus às Armas", "Por quem os sinos dobram", etc.).

O que chama a atenção nesse intelectual polêmico e, sobretudo, personalidade altamente controvertida por sua postura e ações, é a sua vida aventuresca ---, como se não fosse real, mas o enredo de um dos seus "best-sellers" --- onde se destacam, entre tantas outras aventuras, sua participação na guerra civil espanhola,  sua constante presença nas corridas de touros realizadas anualmente nas ruas de Pamplona, na Espanha, na festa de San Firmino nos meses de julho e os safaris de que tomou parte na África. 

Este é um dos raros casos em que vida e obra rivalizam em suspense e interesse. É difícil distinguir onde começa uma ou termina outra. Ou o quanto daquilo que Hemingway escreveu foi inspirado em fatos reais. Em dezembro de 1984, um pescador cubano lançou luz sobre a origem de uma das mais notáveis novelas escritas até hoje, não importa em que língua (seguramente das melhores da literatura norte-americana): "O Velho e o Mar". Esse livro valeu a Hemingway o Prêmio Nobel de Literatura. Sua magistralidade situa essa maravilhosa obra entre as melhores já escritas em todos os tempos.

Gregório Fuentes era piloto do veleiro "Pilar", pertencente ao escritor, na época em que este escreveu a história. No depoimento que deu, o pescador revelou que o velho Santiago e o menino, personagens da novela, realmente existiram (embora seus nomes verdadeiros não sejam os utilizados no enredo).

Fuentes assegurou que a luta titânica do homem com o merlin de fato ocorreu. Trata-se, portanto, de uma história verídica, mas que ganhou em interesse e dramaticidade sob o enfoque de um escritor genial. O engraçado que li, não faz muito tempo, uma crítica que considero autêntica heresia, para não dizer estupidez.

O autor do texto (de cujo nome não me recordo, o que é indício na sua importância), classificou, em texto publicado no suplemento literário de um grande jornal de São Paulo, Hemingway de "canastrão". É impressionante como determinadas pessoas não têm o mínimo senso de ridículo! Felizmente, não deram muita trela a esse infeliz! O editor que decidiu publicar essa herética e estúpida afirmação passou recibo, sem dúvida, à sua incompetência.

Mas, voltando ao assunto da veracidade da história que deu ensejo ao extraordinário livro do escritor norte-americano, o pescador cubano Gregório Fuentes disse, conforme divulgou a agência de notícias "United Press International" na ocasião: "Um dia Hemingway e eu nos encontramos a caminho de Pinar del Rio, balneário na região norte ocidental de Cuba, quando nos aproximamos de uma pequena embarcação de pesca. Vimos um velho e um menino em um bote, que lutavam com um peixe espada. O velho estava quase caindo do bote, lutando contra o peixe com grande determinação. Quando nos viu, começou a xingar".

E prosseguiu: "Dissemos que só desejávamos ajudar, mas o velho continuava nos xingando. Hemingway compreendeu e mandou que eu me afastasse para longe do local. Esperamos o epílogo de uma certa distância. Hemingway estava preocupado com o velho e o menino, porque sabia que eles estavam famintos e queria ajudá-los".

Fuentes concluiu: "Então me mandou até a despensa encher um par de bolsas de alimentos. Rumamos para lá e quando o velho descobriu o que se passava, já havíamos nos retirado. Vi, então, Hemingway fazer algumas anotações. O grande problema, enquanto escrevia o livro, foi que não tinha idéia do título. Um dia me perguntou o que eu pensava. 'Não sei', lhe disse. Mas ali estava o velho e ali estava o mar. Então Hemingway respondeu: 'é isso aí, já temos o título. Será O Velho e o Mar'. E assim foi".

As obras marcantes nascem, quase sempre, dessa forma:  inspiradas em acontecimentos banais, que o talento de grandes artistas se encarrega de transformar em monumentos à inteligência e à sensibilidade. A chave para o sucesso de uma empreitada desse tipo, para o êxito da "aventura artística", está em uma fórmula resumida por três palavras: esforço, simplicidade e autenticidade. O resto...vem naturalmente. O clássico de Hemingway, "O Velho e o Mar", é prova disso. E pensar que há "intelectualóides" alienados e burros que classificam quem produz uma obra-prima desse porte de "canastrão"! Vá ter mau gosto assim (ou arrogância, ou oportunismo, ou sabe-se lá o quê) na Cochinchina!


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Wednesday, August 28, 2013

A fidelidade é um dos valores mais nobres, dos tantos que devemos cultivar em nossas vidas. Apenas seremos plenamente confiáveis na medida em que formos fiéis: a Deus, à amada, aos amigos, a uma causa, a uma crença etc. Por isso, temos que entrar em algum empreendimento, seja de que natureza for, somente quando tivermos plena convicção do que estivermos fazendo. Só assim as dúvidas, que eventualmente venhamos a nutrir, não nos levarão à quebra de palavra, à ruptura do compromisso, à burla da confiança, à baixeza da infidelidade ou à vileza da traição. São várias as pessoas e as causas às quais devemos ser fiéis. Mas a maior fidelidade que devemos é a nós mesmos. Nunca devemos violar, por algum eventual interesse espúrio, a nossa consciência O ensaísta norte-americano, Henry David Thoreau, recomenda três situações mínimas que exigem irrestrita fidelidade: “Seja fiel ao seu trabalho, à sua palavra e ao seu amigo”.


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Por dentro da TV


PLEBISCITO DEFINE NOVOS "TRAPALHÕES"

"A voz do povo é a voz de Deus". Embora esta expressão tá tenha virado clichê, não deixa de ser uma verdade. Pelo menos é assim que Renato Aragão entende e vai agir na escolha de seus novos companheiros, em "Os Trapalhões". Ele pretende ir revezando vários artistas em seu programa, esperando as manifestações do público. Aqueles que tiverem a preferência dos fãs, comporão a futura equipe definitiva. Dois, entretanto, já ganharam o seu lugar: Zilda Cardoso e Roberto Guilherme. Resta, portanto, uma vaga a ser preenchida. Se Renato Aragão, realmente, mantiver o seu "plebiscito", e pelos comentários que temos ouvido por aí, acreditamos que o derradeiro dos "Trapalhões", que vai compor a equipe titular do novo grupo, deverá ser Luís Armando Queiroz (o "Tuco", da Grande Família). Enfim...resta apenas esperar.

FAGNER EM BUSCA DA META DO UM MILHÃO

Quem está com a corda toda, em máxima evidência, é o excelente cantor e compositor Fagner, que aliás completa, por estes dias, o 33º aniversário. O seu disco "Guerreiro Menino" está estourando em tudo o quanto é parada de sucesso, dada a ótima vendagem que vem registrando nas principais praças. O objetivo do cantor é o de atingir a venda de um milhão de cópias. Pelo visto, a sua meta é bastante modesta, levando-se em conta que a cifra pretendida já está bem próxima de ser alcançada. Por sinal, "Guerreiro Menino" é uma das composições mais bonitas lançadas neste ano, que não está tão pródigo assim de boas músicas.

BIA TAMBÉM VAI GRAVAR DISCO

Na onda dos atores e artistas de TV que estão se lançando no disco, uma outra figura das telenovelas vai aparecer, por estes dias, com nova música na praça. Trata-se de Bia Seidl, que vai gravar pela gravadora WEA. Quem já ouviu a moça, jura que ela canta muito bem, com muito ritmo e afinação. Tomara que o seu disco realmente emplaque...

MARIA LÍDIA GANHA ESPAÇO NO "ELA"

Vocês se lembram da psicóloga Maria Lídia Gomes de Matos? É essa sim, a que participou do programa do J. Silvestre, respondendo perguntas sobre parapsicologia, e que ganhou um prêmio de Cr$ 65 milhões. Pois é, o dinheiro, Maria Lídia doou para os hansenianos, uma atitude meritória e que merece todos os elogios. Em compensação, ela impressionou a direção da Rede Bandeirantes, que abriu para Maria Lídia um importante espaço no programa "Ela", que o canal 13 apresenta, de segunda a sexta, das 10h às 12h. São 15 minutos, às quartas-feiras, onde a psicóloga discute a parapsicologia, responde cartas dos espectadores e ainda apresenta casos concretos, gravados e testemunhados, sobre a matéria. Maria Lídia discorre, também, sobre temas psicológicos. Com a sua competência e segurança, orienta as pessoas sobre como vencer a timidez, a solidão e outros bloqueios, que interferem no relacionamento sadio entre as pessoas. É a televisão dando chances para novas pessoas veicularem novas idéias.

SEGUNDA-FEIRA TEM "CHAMPAGNE"

Depois de anunciar vários títulos para a próxima novela das 20h, a Rede Globo definiu-o como sendo "Champagne". Esse novo trabalho, do veterano e incansável Cassiano Gabus Mendes, estréia na próxima segunda-feira, em substituição ao "Louco Amor". Inicialmente a novela tinha o título provisório de "Bar dos Solitários". Posteriormente, foi divulgado que ela se chamaria "Bar, Doce Bar". Entretanto, as chamadas para o programa, que a Globo está dando no ar, definem-no como "Champagne". A história vai ser centralizada num bar e vai contar com um elenco de primeiríssima. Por estes dias prometemos voltar ao assunto, com mais detalhes.

GANDOLA VAI VOLTAR

Vocês se lembram do Gandola, personagem do Jô Soares, que tem uma verdadeira fobia de se comprometer? Pois bem, breve ele vai retornar ao "Viva o Gordo", apresentado às segundas-feiras, às 21h. E apesar de todo o clima de abertura, o simpático Gandola segue repetindo o seu refrão: "Não me comprometa!". O "Viva o Gordo" é produzido pelo Pituca e tem a segura direção de Cecil Thiré.

SÃO JOÃO DEL REY APAIXONA ATORES

A cidade mineira de São João Del Rey (aliás, terra do governador daquele Estado, Tancredo Neves), tornou-se a menina dos olhos dos atores que vivem a história "Voltei Pra Você", da Rede Globo. Boa parte do enredo de Benedito Ruy Barbosa se desenrola nessa histórica localidade. Unindo o útil ao agradável, Cristina Mullins, André de Biase e Paulo Figueiredo aproveitam para curtir as igrejas e museus de São João Del Rey. É claro que para isso precisam esperar as raras distrações dos fãs, que fazem "marcação cerrada". Mesmo quando estão no Rio, os atores não se cansam de falar da beleza da cidade, da riqueza cultural de seus museus e do imenso patrimônio artístico de suas igrejas. E, este país é tão vasto e variado, que nem mesmo nós, os brasileiros, o conhecemos direito...

GALVÃO E SEU SOTAQUE PORTUGUÊS

Uma das atrações da louca pensão de Dona Irene (Nair Bello), que a Rede Bandeirantes focaliza, de segunda a sexta, às 18h45, é o português João José, um tipo compreensivo e humano, verdadeiro fator de equilíbrio da "Casa de Irene". Pois para informação daqueles que acham que esse personagem é vivido por alguém de origem lusitana (tal a perfeição do seu sotaque), esclarecemos que se trata do excelente ator Flávio Galvão, que com apenas 34 anos de idade, já tem 15 de carreira artística. Flávio pode ter lá a sua descendência portuguesa (todos nós temos um pouquinho), mas é brasileiríssimo. Não é à toa que ele já registrou em sua carreira marcantes sucessos de interpretação em peças como "A Nona", "Bent" e "História é uma História", para citar apenas três. No cinema, Flávio Galvão personificou o Mundinho Falcão, no filme "Gabriela", estrelado por Sônia Braga e Marcelo Mastroiani, que está sendo lançado, esta semana, em vários países da Europa.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na editoria de TEVÊ, página 22, do Correio Popular, em 19 de outubro de 1983).


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Wagner e o Brasil

Pedro J. Bondaczuk

O compositor Richard Wagner, cujo bicentenário de nascimento comemora-se neste ano de 2013, “poderia” ter morado e trabalhado no Brasil. “Poderia”, mas nunca aconteceu. Convite para isso não lhe faltou. E, da sua parte, houve vivo interesse em viver uma aventura desse tipo. Fica a pergunta: se ambas as partes viam com bons olhos isso, por que essa vinda – que traria, certamente, imensas vantagens para a arte musical e a cultura em geral do País – não se concretizou? Pelo que pude depreender, das fontes que consultei, o que ocorreu foi uma lamentável e insólita falha de comunicação, de parte a parte.

O convite, feito pelo próprio imperador brasileiro, Dom Pedro II, foi formalizado em março de 1857. Foi entregue ao compositor pelo nosso embaixador em Leipzig, num encontro entre o diplomata e o músico ocorrido em Zurique, na Suíça. Consta que a reação inicial de Wagner foi de surpresa, seguida de intenso entusiasmo. Aventureiro como era, provavelmente fez planos e mais planos para uma viagem tão longa a um país tão pouco conhecido na Europa.

Naquele tempo, o Brasil era visto pelos europeus como um lugar exótico e semi-selvagem. Convenhamos, ainda hoje, em pleno século XXI, na maioria dos países do Velho Continente, a despeito de todas as facilidades proporcionadas pelos transportes e pelos veículos instantâneos de comunicação, ainda somos vistos da mesmíssima maneira. Claro que eles se surpreendem quando desembarcam no Rio de Janeiro, ou em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte etc. e encontram cidades muito mais modernas e evoluídas do que várias e badaladas metrópoles da Europa. Imaginem o que era, naquele remoto tempo, sequer se cogitar em vir para o Brasil! Era coisa para aventureiros! Era uma aventura que poucos teriam coragem de encarar. Mas Wagner mostrou vivo interesse em topar esse desafio.

“Se estava tão interessado”, certamente está imaginando o atento leitor, “qual a razão de não haver aceitado o convite?”. Destaque-se que seu interesse foi patenteado de forma concreta. Wagner tomou a iniciativa de mandar para o Brasil partituras ricamente encadernadas das suas óperas “Lohengrin”, “Tanhauser” e “O navio fantasma”. E para que não restassem dúvidas de quem estava enviando esses presentes (e que presentes!) autografou as três cópias dessas obras. Imaginem o valor que elas têm hoje, para museus e colecionadores particulares! Não têm preço!

Ocorre que as duas partes ficaram esperando manifestações uma da outra. Dom Pedro II esperava uma confirmação formal de Wagner de que aceitava o convite. O compositor, por seu turno, aguardava uma confirmação do governo brasileiro de que a proposta estava de pé. Um esperou pela manifestação (que nunca veio) do outro por meses, até que ambos desanimaram e entenderam o silêncio da outra parte como sendo uma recusa.

O imperador não insistiu no convite, por entender que a insistência seria uma deselegância. Já Wagner não solicitou a confirmação que tanto esperava pelo mesmíssimo motivo. E o mútuo excesso de escrúpulos, diria melhor de “cortesia”, fez com que o então já consagrado compositor jamais tivesse pisado no Rio de Janeiro, o que, reitero, se acontecesse, certamente revolucionaria nosso meio artístico e cultural um tanto modorrento naquele período de metade do século XIX. Uma pena!

Os dois lados tinham motivos sólidos para desconfiar, um do outro, que esse tipo de projeto não prosperaria. Wagner achava que, dada sua postura política, na luta não somente por uma Alemanha unificada, mas para que esta fosse uma República, com eleições livres, mediante voto universal da população, para a Presidência, e com um Parlamento bicameral, tornavam-no “persona non grata” para as monarquias mundo afora. E tornaram de fato, pelo menos na Europa. Durante quase onze anos de exílio, se ele sequer ousasse pisar em qualquer ducado ou principado germânico, seria imediatamente preso. E, provavelmente, seria executado.

Já Dom Pedro II nem mesmo pensou no ativismo político de Wagner. Tinha em conta somente o magnífico artista e não o inflamado revolucionário. Achava, isso sim, que pelo fato do Brasil ser um país tão pouco conhecido dos europeus, encarado como lugar exótico e culturalmente atrasado, um gênio, do porte do convidado não titubearia em recusar o convite. Todavia, como vimos, as duas partes estavam enganadas. Havia vivo, vivíssimo interesse dos dois lados para que a vinda de Wagner ao Brasil acontecesse, cada qual pelos seus próprios motivos.

O compositor, após esperar meses e mais meses pela confirmação do convite, que nunca veio, acabou por se convencer que tudo não passou de brincadeira de mau gosto. E esqueceu o caso, entretido em tantas e tantas atividades, quer artísticas, quer revolucionárias, quer empresariais. Dom Pedro II, por sua vez, não deixou de admirar o talento artístico de Wagner. Muito pelo contrário. Lamentou que aquele sonho, que interpretou como um tanto megalomaníaco, não desse certo. Mas concluiu que valeu a tentativa. Perceberam como a comunicação correta e clara é importante em todo e qualquer relacionamento?

Apenas muitos anos depois as coisas puderam ser devidamente esclarecidas e as duas partes entenderam que estavam erradas no julgamento que faziam uma da outra. Isso se deu no Primeiro Festival de Bayreuth, quando Dom Pedro II fez questão de cumprimentar Wagner pessoalmente. Foi só então que o compositor ficou ciente que o convite brasileiro era para valer. Mas... já era tarde.

Fico imaginando como seria se esse gênio tivesse vindo para o Rio de Janeiro. Mas é coisa que só se pode especular, porque nunca aconteceu. Infelizmente, penso eu. Há um registro concreto da ida do imperador brasileiro a Bayreuth. No livro de registro de visitas do hotel dessa cidade pode-se ler, em determinada página: Nome, Dom Pedro II. Ocupação: Imperador. Cá para nós, quão modesto era o nosso culto e inteligente monarca!!!


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