Saturday, December 31, 2011










O escritor norte-americano Ambrose Bierce, no seu livro “O Dicionário do Diabo”, que é uma sucessão de definições cínicas e amargas, e no entanto verdadeiras, define vida como sendo “uma salmoura espiritual que preserva o corpo de decadência”. Mas não é a efemeridade orgânica o fato mais preocupante. O que preocupa é a possibilidade do eterno esquecimento. Daí a necessidade que o homem tem de deixar alguma obra-prima para a posteridade. Tal legado não é uma garantia absoluta de que o indivíduo não será esquecido. Alguma eventual catástrofe – e o mundo sempre foi pródigo delas, tanto das naturais, quanto das provocadas pela insensatez humana – pode vir a soterrar por séculos, milênios, quiçá para sempre, seu legado à humanidade. Todavia, a ausência desse trabalho marcante é uma garantia do absoluto, do eterno e do inexorável esquecimento.

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Ano Novo

Pedro J. Bondaczuk

Corrida de obstáculos do tempo. Ousado,
sem dúvidas, temores, avanço confiante,
salto sobre o abismo de um pico elevado.
Nenhuma coisa me detém. Avante! Avante!

Supero pantanais e areia movediça,
escalo altas montanhas que ninguém escala,
sufoco desânimos, dores e preguiça,
e pulo por sobre a mais larga e funda vala.

Nada me desanima, nada me detém.
pois não há o que abale minha confiança,
da dúvida não me deixo fazer refém
e jamais abro mão de tanta esperança.

Atravesso rios e rios, que sequer dão pé,
e supero os desertos mais calorentos,
pois escudado em minha inabalável fé
não temo o tempo. Desafio os elementos.

Embriagado de entusiasmo, forte e viril,
sem dúvidas, temores, eu salto no escuro,
despojado de qualquer sentimento vil,
íntegro, aterrisso nos braços do futuro.

Pensando no próximo, no bem coletivo,
na justiça e felicidade do meu povo,
feliz, bendigo à vida, ao meu tempo bendigo,
adentrando outro desafiador Ano Novo!!!

(Poema composto em Campinas, em 30 de dezembro de 2011)


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Misteriosa civilização

Pedro J. Bondaczuk

À simples menção a 2012, boa parte das pessoas, de imediato, associa esse período, o segundo ano da segunda década do século XXI do terceiro milênio da Era Cristã, a um suposto fim do mundo. Praticamente todos os veículos de comunicação, de alguma forma, mencionaram isso. É verdade que nenhum noticiou a sério, como se fosse alguma possibilidade iminente ou mesmo concreta. Alguns citaram essa “profecia” apocalíptica para ridicularizar a idéia, acompanhada de brincadeiras de toda a sorte a respeito. Outros fizeram-no somente a título de informação, de que a versão existe e circula mundo afora.

Para que o assunto ganhasse projeção, a bem da verdade, muito contribuiu o filme catástrofe, dirigido por Roland Emmerich, estrelado por John Kusack, Chiwetel Ejiofor, Amanda Peet, Oliver Platt, Danny Glover, Thandie Newton e Woody Harrelson, que tem justamente esse título: “2012”. Não tardaram a aparecer teorias para justificar essa remotíssima possibilidade (tudo é possível nesse universo de dimensões inconcebíveis, talvez infinitas, com tantas e tamanhas misteriosas forças atuando). A mais popular delas é uma hipotética profecia maia, interpretada de acordo com o gosto e a fantasia de quem a menciona.

A pergunta que há bom tempo ouço por aí, sempre que se menciona essa remotíssima possibilidade do mundo se acabar em 2012 (reitero que, embora não acredite em absoluto que isso irá acontecer, sempre é possível que eu e todos os demais céticos estejamos equivocados), é quem foi esse povo ao qual tanta gente dá tamanho crédito? Quando e onde viveu? O que lhe aconteceu para de uma das mais espantosas civilizações do passado, regredir tanto ao ponto de hoje vegetar em meras e miseráveis comunidades, sumamente carentes, que habitam parte do México e de alguns países da América Central?

Tudo o que se refira aos maias está revestido de inegável mistério, de dezenas e dezenas de questionamentos, de dúvidas e de espanto. Qual a sua origem, por exemplo? Há quem assegure que eles seriam remanescentes do suposto continente perdido, a Atlântida, engolido pelo mar em uma hecatombe talvez sem precedentes na Terra, que teria ocorrido entre 12.000 e 10.000 AC (e que minha intuição, embora sem nenhuma base em provas ou evidências, me cochicha ao ouvido que existiu mesmo e que foi avançadíssima em todos os sentidos). Alguns historiadores, no entanto, acreditam que os maias tenham sido uma ramificação da cultura olmeca que povoou a região entre os anos de 500 AC e 1.150 DC. Outros, ainda, asseguram que sua origem foi muito anterior a esse período. Situam seu apogeu entre 1.500 e 150 AC.

Tanta controvérsia e espanto sobre a origem, ou provavelmente mais, desperta, nos estudiosos, a forma como esse poderoso e florescente império se desagregou. Ao contrário do que ocorreu com os aztecas e os incas, os maias não foram conquistados por ninguém. Sua magnífica civilização simplesmente se dissolveu. Lá um belo dia, sem mais e nem menos, a população de suas cidades as abandonou, intactas, sem sinal de luta ou de qualquer tipo de violência, com os campos arados e semeados (mas jamais colhidos). O que aconteceu? Alguma epidemia? Dissensões políticas? Catástrofe climática? Todas estas, e muitas outras hipóteses têm sido levantadas, sem que haja a mais remota comprovação de nenhuma.

Num ponto, todavia, todos os estudiosos, historiadores, antropólogos, arqueólogos e demais pesquisadores concordam: a civilização maia foi uma das mais espetaculares e assombrosas de todas que já existiram não apenas no chamado Novo Mundo (que a rigor nem é tão novo assim), quanto em qualquer outro lugar do Planeta. Estão aí as cidades que deixaram, relativamente modernas até para os padrões atuais, com suas praças monumentais e seus templos, primores de engenharia. Está aí seu calendário, o mais exato já feito até hoje, tanto ou mais do que o atômico.

Em épocas tão remotas, quando muitos povos mal saíam das cavernas primitivas, o império maia já era dotado de recursos que o restante da humanidade viria a desenvolver, apenas, séculos, quando não milênios depois. Embora os pesquisadores assinalem que seu apogeu se verificou na Era Cristã, há comprovações arqueológicas de que por volta de 1.500 AC –quando no Norte da África e no Oriente Médio Egito e Babilônia constituíam-se em superpotências mundiais e rivalizavam em esplendor e poder – esse povo já se organizara num vasto império que abrangia boa parte do México atual e dos cinco países que formam a América Central. Isso, cerca de 600 anos antes da fundação da cidade de Jerusalém. Ou quase 800 anos antes de Roma ser edificada.

Suas obras, como ressaltei, sobreviveram ao tempo e ao desgaste natural que este causa e estão aí, a comprovar seu talento e sua pujança. Outras civilizações pré-colombianas rivalizaram com o império maia, depois que este se dissolveu, mas nenhuma o superou. Um desses casos foi o dos aztecas, conquistados pelo espanhol Fernão Cortez. Outro, foi o dos incas, na América do Sul, que em seu apogeu controlou parte considerável do continente que se estendia do atual Equador ao extremo Sul do Chile, com população estimada em até oito milhões de habitantes (uma exorbitância na época).

Os historiadores sabem, e nos mínimos detalhes, como se deu o declínio e a extinção dessas duas civilizações, embora as circunstâncias da sua conquista não deixem de ser intrigantes. O mesmo já não se pode dizer em relação aos maias. Por que seus habitantes abandonaram suas casas, seus campos, suas cidades, seus magníficos templos, deixando para trás todos os seus bens?

O mistério, talvez, possa, um dia, ser desvendado caso alguém consiga decifrar as inscrições que seus habitantes deixaram. Por enquanto, a chave dessa decifração continua desafiando os pesquisadores. Ainda não apareceu um Champolion contemporâneo que encontrasse uma “Pedra de Roseta” para lançar luz sobre essa bem elaborada escrita.

No caso dos maias, cabe a caráter a observação feita pelo escritor e jornalista uruguaio, Eduardo Galeano, a respeito da totalidade da população latino-americana: “Nessas nossas terras onde se misturam todas as culturas e todas as idades humanas, a diversidade de vozes parece infinita”. Não só parece. Na verdade, é.

Mas nenhuma dessas vozes lançou ínfima réstia de luz sobre o que levou à desagregação desse que foi dos mais notáveis e florescentes impérios que já existiram no passado. Qual o tipo de tragédia que pôs fim ao império dos maias? Estão aí, a desafiar nossa curiosidade e nossa competência de hábeis investigadores, pistas e mais pistas, representadas por quase intactas, cidades, como Tikal, Uaxactum, Bonampak, Palenque, Copán e Chichén Itzá, entre outras.

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Friday, December 30, 2011










O poeta grego Paladas de Alexandria, que viveu no século 4 da nossa era, sentenciou, num de seus poemas: “Vim nu à terra e nu irei para baixo dela./Por que canseiras vãs se o fim é só nudez?” Mas seria realmente assim? Tudo, nossos sonhos, esforços, canseiras, desgastes e ambições se resumiriam somente a isso? Para a maioria esmagadora dos seres humanos, sim! Vários bilhões de pessoas nasceram e morreram desde que a vida surgiu neste Planeta. No entanto, há registros, lembranças ou referências de apenas alguns milhares delas. Da esmagadora maioria, não há o mínimo vestígio da sua passagem pela existência. Nenhuma obra marcante, nenhum ato de coragem ou de covardia, de vileza ou de bondade, nada. Absolutamente nada. É como se tais homens e mulheres jamais houvessem nascido. E, no entanto, nasceram, amaram, odiaram, sofreram, tiveram alegrias e com certeza chegaram a se julgar o centro do universo. Pobre condição humana...

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Renovar ou morrer


Pedro J. Bondaczuk


A televisão, como forma de entretenimento, encontra-se, com o advento do vídeocassete, na mesma encruzilhada pela qual passou o rádio quando do surgimento da TV. Ou se renova e busca novos caminhos, ou perderá cada vez mais telespectadores, esvaziando-se paulatinamente, com conseqüentes reflexos no seu faturamento comercial e, portanto, na própria sobrevivência. O rádio encontrou o seu espaço e até mesmo evoluiu. Acreditamos que a TV também o fará.

O professor Antonio Chaves publicou, no último dia 5, no jornal "O Estado de São Paulo", sob o título "Cassetes e vídeocassetes", uma interessante estatística, que dá bem a idéia da evolução desse revolucionário processo de gravação de imagem e som. Em 1975, segundo ele, foram fabricados no mundo todo 645 mil desses aparelhos, sendo 300 mil no Japão, 240 mil nos EUA, 100 mil no Leste europeu (países socialistas) e 5 mil em outros.

Passados apenas dois anos, em 1977 portanto, houve um incremento de 117,05% de vídeocassetes produzidos no total, que passou a ser de um milhão e quatrocentas mil unidades. O Japão teve a mais expressiva evolução (133,34%), passando a contar com 700 mil dessas máquinas, vindo a seguir os EUA, com 550 mil (108,34% a mais); outros países, com 10 mil (crescimento de 100%); e a Europa do Leste, com 140 mil (aumento de 40%).

Considerando uma progressão mínima de 50% ao ano, taxa que deve ter sido na realidade bem maior, teremos, no final do corrente ano, 23.350.774 desses aparelhos espalhados pelo mundo. O Japão continuará liderando esse tipo de mercado, com 11.960.155 unidades, seguido dos EUA, com 8.827.732; Europa do Leste, com 2.392.030 e outros, com 170.857.

No Brasil, a despeito do preço elevado dessas engenhocas para as nossas atuais condições econômicas, os vídeocassetes vendidos vêm se multiplicando num ritmo vertiginoso, existindo, já às centenas, vídeoclubes e salas especiais de vídeos (basta ler as páginas de serviços dos grandes jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro, que anunciam diariamente as programações dessas entidades, para concluir sobre a velocidade do seu crescimento).

"Onde isso afetaria as emissoras de TV?", perguntariam os leitores. À medida em que os programas dos nossos canais comerciais (que são sete) forem tornando-se maçantes, chatos e repetitivos, mais público (já habituado ao hipnotismo exercido pelo vídeo), vai procurar esses vídeoclubes. E eles têm a vantagem de, sem qualquer custo adicional, a bão ser a fita virgem de vídeoteipe, poderem copiar o que as emissoras têm de melhor, onde elas gastam autênticas fortunas para produzir, reapresentando milhares de vezes essas cópias, enquanto houver interesse de alguém em assisti-las.

Debate-se muito, atualmente, a questão do direito autoral sobre aquilo que gravam os vídeocassetes. E eu pergunto: existe alguma maneira de controlar isso? Como fiscalizar cada aparelho gravador, dos milhares que há espalhados por aí? Como evitar a cada vez mais crescente ação dos "piratas"? Não dá, não é mesmo?!

Por essa razão, não vai restar à TV, pelo menos a médio prazo, outro caminho se não se renovar. Buscar outro "oxigênio". Apresentar, todos os dias e em todos os horários, coisas novas, interessantes, instrutivas e bem trabalhadas. E reduzir drasticamente (já que é impossível eliminar) a carga de violência transmitida cotidianamente, em "doses cavalares", ao público, para depois não ter que reclamar das autoridades providências para conter a crescente onda de criminalidade nas grandes cidades.

Há duas semanas, neste mesmo espaço, tivemos a oportunidade de comentar esse fenômeno característico do nosso tempo e de mencionar um dado (sem que tivéssemos, na ocasião, qualquer estatística comprobatória em mãos) estarrecedor: o da existência de uma relação direta entre os programas de TV que enfocam a violência e o aumento de ocorrências criminosas.

No dia 7 passado, matéria publicada no Correio Popular veio em nosso socorro. Sob o título "Televisão acusada de incitar a violência", saiu estampada na editoria de Cinema do jornal. Essa notícia comprova plenamente a nossa (e a de tantos estudiosos do comportamento) tese.

Falando num simpósio no Canadá, o ministro da Saúde dos EUA, Dr. Everett C. Koop, denunciou que a violência na TV levou a sociedade a uma "epidemia de assassínios, suicídios e assaltos". E citou números. Afirmou que nos últimos 30 anos, a taxa de homicídios entre os homens brancos com menos de 24 anos de idade se elevou de 366 mortos por 100 mil habitantes em 1950, para 2.800 por 100 mil em 1980 (crescimento de 391,88%!). Os suicídios, segundo o Dr, Koop, entre jovens negros, triplicaram durante o mesmo período. E os homicídios e casos de violência contra menores seguem multiplicando-se a uma progressão geométrica.

Caso os responsáveis pelas programações de TV continuem relevando fatos como este, e se não começarem, já a partir de hoje, de agora, a usar um pouco mais de imaginação e oferecer algo que realmente tenha conteúdo ao telespectador, que o atraia de verdade, as emissoras, muito em breve, estarão em maus lençóis. Afinal, o amante do vídeo, aquele que não consegue dispensar esse tipo de entretenimento, já tem opção. Com a vantagem, inclusive, de poder escolher o que, quando e quantas vezes deseja assistir o programa que o interessa.

(Comentário publicado na página 16, editoria de Artes, do Correio Popular, em 10 de fevereiro de 1984).

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Antevisão do futuro

Pedro J. Bondaczuk

O homem, desde tempos imemoriais, remotíssimos, provavelmente desde que tomou consciência de si e de tudo o que o rodeia, sempre teve um desejo recorrente – que, pessoalmente, considero impossível – que é o de avançar no tempo e prever o que “irá” acontecer no futuro. Mas como, se ninguém sabe sequer se na hora seguinte estará vivo? Achar que isso seja possível é pensar que os fatos, todos os fatos, têm sequência lógica. É não levar em consideração o fator “acaso”. É entender que tudo já está predeterminado e que, para saber o que irá acontecer dentro de uma hora, ou uma semana, ou um mês, um ano, um século, um milênio, basta ter um dom especial para captar do nada esta antevisão.

Que me perdoem os crédulos, mas considero essa crença ridícula. Nem mesmo sei se, caso houvesse essa possibilidade, ela seria benigna e até mesmo útil. Como você se sentiria se soubesse de forma antecipada que no final deste dia, por exemplo, sofreria um grave acidente? “Ah, se soubesse, poderia me prevenir”, dirá o sujeito crédulo, para justificar sua pretensão, julgando que aquilo que afirmo é o maior dos disparates. Mas... poderia?

Raciocinem comigo. Se pudesse (ou se puder), não estaria fazendo nenhuma previsão, e muito menos uma profecia. Detectaria, apenas, um “perigo” potencial (o que nem mesmo requer que se tenha um dom especial para se saber, basta contar com bom senso).

Qualquer pessoa minimamente sensata sabe, por mais burra que seja, que se pular de uma ponte para o abismo, sem nada que o antepare, irá se esborrachar no chão. Ou que, se puser a mão no fogo, sofrerá graves queimaduras. E vai por aí afora. Para que isso se tratasse mesmo de uma previsão, e não apenas de um temor ou de algo ditado pela experiência, teria que acontecer exatamente como previsto. Ou seja, teria que ser inevitável. E, neste caso, o sujeito sofreria duas vezes: ao prever o acidente do qual não poderia escapar e tão logo este ocorresse. Portanto, é muito bom que não se possa saber antes o que irá ocorrer mais adiante.

Coisas diferentes (mas não muito) são as extrapolações. Mesmo estas, vêm acompanhadas de uma série de condições, de muitos “ses”. Se porventura você tiver dados rigorosamente exatos em mãos, poderá, em determinadas circunstâncias (e exclusivamente naquelas), “prever”, com razoável margem potencial de acerto, que irá ocorrer um resultado “x”. Isto “se”... Se nenhum fator for alterado, por exemplo. Ou se os dados estiverem mesmo rigorosamente corretos. Ou se as circunstâncias forem as adequadas, e vai por aí afora.

Todo este longuíssimo preâmbulo tem por finalidade introduzir um assunto que pretendo tratar com você, paciente leitor, com a maior objetividade que meus conhecimentos (que sequer são além da média) permitem, nos próximos dias. Refere-se a uma suposta “profecia maia” que preveria o fim do mundo (no caso, do planeta Terra) em 2012. Alguns, na hipotética interpretação do que os gurus dessa outrora notável civilização norte e centro-americana “teriam previsto”, chegam ao requinte de fixar até data exata para que isto ocorra: 21 de dezembro de 2012. Só faltou marcarem o horário para isso.

Existe a possibilidade do mundo acabar? Existe! Não especificamente nesta data. Isto pode ocorrer tanto hoje, quanto em alguns milhões ou bilhões de anos. E o que me dá a certeza dessa possibilidade de extinção? A lógica. Todos os dias competentes e esforçados astrônomos observam explosões de estrelas, ocorridas há milhões, quiçá bilhões de anos e que, dada a inconcebivelmente imensa dimensão do universo, só agora a visão desses cataclísmicos acontecimentos é detectada por seus cada vez mais potentes telescópios, mesmo com a luz percorrendo 300 mil quilômetros por segundo.

Ora, se isso ocorre alhures, com tamanha freqüência e há tanto tempo, por que o nosso sol – e, por conseqüência, seu séquito de planetas – escaparia desse destino? Não escapará. Só que ninguém pode prever quando isso irá ocorrer. E muito menos com exatidão. Isso é para lá de ilógico. Se essa suposta profecia, por um desses absurdíssimos acasos, se confirmar, ninguém irá criticar, claro, estas minhas sensatas contestações, pois não restarão nada e ninguém para tal. Muitíssimo menos existirá este texto. A possibilidade concreta disso ocorrer, todavia, beira ao zero absoluto.

Há uma corrente, no entanto, que esposa a tese de que os maias não previram exatamente o fim do mundo, mas apenas o término de um ciclo e o início de um novo. Acessando o blog “Porque 2012”, leio a seguinte explicação sobre a versão catastrófica da suposta previsão: “Segundo a cosmologia Maia, o Planeta Terra possui 5 grandes ciclos ou eras, cada um com cerca de 5.125 anos. Para eles, 4 já passaram. ‘Os 4 ciclos anteriores terminaram em destruição. A profecia maia do juízo final refere-se ao último dia do 5º ciclo, ou seja, 21 de dezembro de 2012’ diz Steven Alten”, escritor norte-americano de ficção científica.

E o texto do referido blog prossegue: “O quinto e atual ciclo também terminará em destruição? O que irá desencadeá-la? A resposta pode estar em um raro fenômeno cósmico que os maias previram há mais de 2.000 anos. ‘A profecia maia para 2012 baseia-se em um alinhamento astronômico. Em dezembro de 2012, o sol do solstício vai se alinhar com o centro de nossa galáxia. É um raro alinhamento cósmico. Acontece uma vez a cada 26.000 anos’ diz John Major Jenkins, autor do livro Maya Cosmogenese 2012”
.
E o texto do blog conclui a explicação desta forma: “A cada 26.000 anos o sol se alinha com o centro da Via Láctea. Ao mesmo tempo ocorre outro raro fenômeno astrológico, uma mudança do eixo da terra em relação à esfera celeste. O fenômeno se chama Precessão. A data exata disto tudo é 21 de dezembro de 2012. ‘A Terra oscila lentamente sobre seu eixo mudando nossa orientação angular em relação a galáxia. Uma precessão completa leva 26.000 anos’" . E bla-bla-blá, bla-bla-blá. Você crê nisso tudo? Eu não!

As coisas vão acontecer dessa forma? E, especificamente, em 21 de dezembro de 2012? Ouso afirmar que não. A “tese” bem que se presta a uma boa história de ficção científica, mas só a isso. Como ciência, todavia, não se sustenta. E quem foram, afinal, esses maias para que suas profecias (se é que as fizeram de fato) ganhem tanta credibilidade e sejam levadas a sério? Sobre isso, e outras considerações, convido-os a refletirem comigo nos próximos dias.


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Thursday, December 29, 2011










Ao se analisar a realidade brasileira, não se pode deixar de dar razão ao antropólogo Roberto da Matta, quando conclui: “Não se entende o Brasil através de dualismos, pois o que caracteriza o sistema brasileiro é uma espécie de ambigüidade, indecisão entre a perspectiva da casa e da rua, entre o modelo oficial e o comportamento concreto, entre leis e costumes. O Brasil é o país do número três, do mediador, entre o preto e o branco tem o mulato; entre o céu e o inferno, tem o purgatório, entre esquerda e direita, tem o centro”. Por isso, afirmo que está em andamento, por aqui, uma revolução cultural profunda, cujos resultados vão depender muito dos rumos que viermos a dar às nossas ações. Não podemos permanecer passivos, à espera que alguém construa o país com que sonhamos. Temos que ser agentes, e jamais meros espectadores, na construção de um Brasil próspero, grandioso e, sobretudo, ético, solidário e justo.

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Anote e Confira

DOIS BONS FILMES

Hoje o telespectador tem dois excelentes filmes à sua escolha dentro da programação do sábado. Só que assistindo a um, não poderá ver o outro, pela quase coincidência dos horários. Na Rede Manchete estará sendo exibida, na “Sala VIP”, às 22h15, a primeira parte de “Terremoto”, com Charlton Heston, Ava Gardner e George Kennedy. Trata-se de uma produção de 1974, no gênero cinema catástrofe, que tanto tem agradado o público.

A Globo, por sua vez, mostra, no Supercine, a partir das 21h25, o longa-metragem, com 4 horas de duração, “Guerra e Paz”, baseado na obra de Leon Tolstoi. A direção é de King Vidor, com Audrey Hepburn e Henry Fonda, narrando a invasão de Napoleão à Rússia e a dura retirada dos seus exércitos daquele país. Qualquer dos filmes que você escolher será uma boa opção.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, “TEVÊ”, do Correio Popular, em 25 de agosto de 1984).

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Poesia e verão

Pedro J. Bondaczuk


A poesia é intemporal (ou atemporal, como queiram), certo? Sempre entendi que fosse. Todavia, minha convicção começa a vacilar a esse respeito. Vejam o caso das quatro estações do ano. Há inúmeros poemas sobre a primavera (principalmente), outono e inverno, que se prestam, a caráter, até para criativas metáforas. E o verão? Sempre achei que fosse, igualmente, assunto recorrente de poetas, notadamente deste nosso “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. Dia desses, todavia, descobri, surpreso, que não é bem assim.


Tudo começou num encontro informal com um grupinho de amigos, todos escritores (portanto amantes inveterados de literatura) e a maioria poetas. Conversa vai, conversa vem e não tardou que viesse à baila nosso tema predileto, aquele que nos identifica e une. Nem preciso dizer qual é, não é mesmo? Só poderia ser um. E, de fato, era. Literatura, sem dúvida nenhuma. Como um assunto puxa outro, logo alguém observou que o verão (e fazia um calor desgraçado naquele momento) é tema até que raro na poesia. Discordei. E para posar de sabido, citei, de imediato, a magnífica composição de Tom Jobim, “As águas de março”. Fui mais longe, ousei cantarolar os primeiros versos, com meu vozeirão de locutor, superdesafinado, que não se presta nem um pouquinho ao canto.


Choveram protestos. Aliás, foram gerais. A princípio pensei que meus amigos estavam protestando “só” por causa da minha pífia interpretação. Não era. Ou pelo menos, não era “só” por isso. “Calma lá, não estamos nos referindo à MPB, mas à poesia”, alguém esclareceu. “Mas como?!”, perguntei admirado, “vocês não consideram ‘As águas de março’ poesia?!”, exclamei, sem esconder irritação e desapontamento. “Claro que é, mas não é a esse tipo que estamos nos referindo”, alguém respondeu. E outro amigo colocou outra restrição a mais: “Também não vale citar poetas nordestinos que tratem do assunto de seca”.


Tentei lembrar-me de algum poema que tratasse de verão, mas não me veio nenhum à memória. Pedi um tempo e prometi pesquisar a respeito, mesmo com tantos afazeres programados. Daria um jeito. E, de fato, dei. Pesquisei cerca de um milhar de poemas, de uns 300 poetas diferentes e não encontrei quase nenhum que versasse sobre o verão. Claro que se trata de um universo muito pequeno para pesquisa, mas creio que, se o tema fosse muito explorado, eu encontraria uma quantidade maior de composições.


Para não me dar por vencido, no encontro seguinte puxei de cara o assunto. E, de imediato, li este poema de Mário Quintana:


O dia abriu seu pára-sol bordado

O dia abriu seu pára-sol bordado
de nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
minuciosamente desenhado.

Depois surgiu, no céu azul arqueado,
a Lua – a Lua! – em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia.
Passou, ficou a olhá-la admirado.

Pus meus sapatos na janela alta,
sobre o rebordo... Céu é que lhes falta
pra suportarem a existência rude!

E eles sonham imóveis, deslumbrados,
que são dois velhos barcos, encalhados
sobre a margem tranqüila de um açude.


Quando terminei a leitura, veio a indefectível pergunta: “Onde Quintana se refere ao verão?”. Respondi: “Não o cita explicitamente, mas o deixa implícito”. “Você encontrou só isso?!”, alguém, mais objetivo (ou mais chato?) perguntou. Menti: “claro que não! Encontrei dezenas, só não tive tempo de copiar”. Como não sou bom mentiroso, percebi que não consegui convencer ninguém. Tentando ser mais convincente, li este outro poeminha (o diminutivo refere-se à extensão, claro, não à qualidade), igualmente de Mário Quintana:

Calçada de verão

Quando o tempo está seco,
os sapatos ficam tão contentes
que se põem a cantar.


Desta vez ninguém me questionou sobre onde estava a referência à estação do ano. Estava no próprio título. O questionamento, porém, foi mais objetivo: “Por que só poemas de Quintana?”. Menti de novo: “Por que ele, além de meu conterrâneo, é um dos meus poetas preferidos”. A mentira, óbvio, não estava nas duas justificativas. Quintana, de fato, é meu conterrâneo e é um dos escritores que mais admiro e que me inspiram. Estava no fato de sugerir que não apontei outros nomes só por esse motivo. Na verdade, não os encontrei. Não achei um único poema que falasse de verão e que não fosse do meu ilustre conterrâneo. Devem existir, claro, e muitos. Mas quais? Para não me dar por vencido, tive o descaramento de apresentar aos amigos este outro poema de Mário Quintana – que li no Caderno de Sábado do jornal “Correio da Manhã” de Porto Alegre, publicado em 8 de maio de 1976 e que tive o capricho de copiar – que versa sobre como surge a inspiração:

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo,
como de um alçapão.
Os poemas vêm, os poemas vão,
não têm pouso ou porto,
alimentam-se
um instante em cada par de mãos
e partem.
O que eles te dão
é o inesquecível, o maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

E o poeta não tem razão? Claro que tem. Quanto aos poemas que tratem do verão, prometo, oportunamente, refinar a pesquisa e tão logo encontre poemas sobre o tema (caso tenha êxito, claro) revelá-los aos amigos questionadores e, com certezas, para você também, paciente leitor.



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Wednesday, December 28, 2011










Quem acompanha, diariamente, o noticiário da imprensa, observa aspectos de um único e mesmo país, mas que, de tão diferentes e contraditórios, parecem ser de vários. Para fazer uma leitura correta dos conflitos sociais que afetam o Brasil, é necessária, e indispensável, uma visão de conjunto. Os pessimistas e derrotistas apegam-se, apenas, às imagens negativas e deprimentes, como a da violência e da criminalidade nos morros cariocas. Ou a da corrupção na política. Os otimistas e alienados, por seu turno, detêm-se, só, nas notícias positivas (cada vez mais raras, é mister destacar), esquecidos que elas são a realidade de uma minoria de brasileiros. É necessário que se tenha uma visão de conjunto, eqüidistante, neutra e despida de sectarismos e de preconceitos, para entender o que, de fato, se passa no País, para eliminar o que existe de ruim e de injusto e valorizar e generalizar os poucos aspectos positivos.

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Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). – Preço: R$ 23,90.

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Por dentro da TV


COMEÇAM AS GRAVAÇÕES DO NOVO MUSICAL INFANTIL

O primeiro musical infantil da Rede Globo deste ano já tem todas as definições que precisava e, por isso, começa a ser gravado, a partir de hoje, no Teatro Fênix. Será o "Plunct, Plact, Zumm...II --- Embolou o meio de Campo". Alguns não vão entender o por quê desse acréscimo no título. Explicamos. O "Embolou o Meio de Campo" foi acrescentado para ficar coerente com o enredo do show, qeu vai focalizar um grupo de crianças, filhas de artistas famosos, que resolvem se separar. Aí a justificação: realmente o meio de campo fica "embolado". Isto é, as crianças são levadas a tomar algumas decisões, de ordem afetiva, às vezes além da sua própria capacidade.

O tema foi inspirado na peça teatral de Augusto César Vannucci e Wilson Rocha, "Filhos Enrolados de Pais Separados". As crianças que vão participar do musical são: Aretha, Fabiano Vannucci, Marinella, Paulo Vignolo, Gabriel Vannucci e Bruno Netto.

Vejam só as canções escolhidas, e seus respectivos intérpretes, e assim vai ser mais fácil de entender porque afirmamos que o show pode ser apontado como sucesso antecipado e garantido: "Sua Vez" (Ivan Lins, Gabriel Vannucci e Renata Sorrah); "Pai" (Fabiano Vannucci); "A Geração da Luz" (Raul Seixas); "Brinquedo de Armar" (as seis crianças); "Muito Além das Alianças" (Lucinha Lins); "Grilo Danado" (as seis crianças); "Garoto Cibernético" (Paulo Vignolo); "Subproduto do Rock" (Barão Vermelho); "A Verdadeira História de Adão e Eva" (Blitz); "Papai Sabe Tudo" (Erasmo Carlos) e "Vou Contar Tudo Pra vovó" (Marília Pera, Marcos Nanini, Regina Casé, Luiz Fernando, Marinella e Fabiano).

Deu ou não deu pra ficar de água na boca?! Mas não adianta! A Globo ainda não definiu quando o espetáculo vai ao ar. Mas que vai ser um grande musical infantil, isso não temos nenhuma dúvida. Alguém duvida?

NOVA ATRAÇÃO DE JOTA SILVESTRE

O apresentador Jota Silvestre, da Rede Bandeirantes, está sempre inovando em seus dois programas na emissora, por essa razão, para nós, foi, sem dúvida alguma, o melhor do seu gênero na TV, no ano passado. No "Essas Mulheres Maravilhosas", apresentado às quartas-feiras, no horário das 21h15, há algumas semanas ele está mostrando um quadro novo, de grande interesse para o telespectador.

Trata-se do "Casal x Casal", onde são colocados, frente a frente, dois casais bastante conhecidos do público que, através de perguntas e respostas, contam passagens interessantes da vida em comum. O par que demonstra estar mais "afinado", recebe um prêmio em dinheiro da produção, além, é claro, do reconhecimento dos fãs.

Já disseram presente nesse quadro, entre outros, Jair Rodrigues, Eduardo Araújo e Ary Toledo, claro, acompanhados pelas respectivas "caras metades".

FLÁVIO DE VOLTA AO MORUMBI?

Andam correndo rumores de que o apresentador Flávio Cavalcanti estaria de "malas prontas" para deixar a TVS, devendo retornar ao "ninho antigo", a Rede Bandeirantes. Fontes consultadas, que insistiam que a transferência vai mesmo acontecer, afirmam, inclusive, que as negociações nesse sentido estão sendo intermediadas por uma conhecida agência de publicidade paulistana e que o desfecho ocorreria, possivelmente, ainda nesta semana. Onde tem fumaça...

PADRE CÍCERO NA GLOBO

Neste ano completam-se 50 anos da morte do padre Cícero Romão Batista, venerado em todo o Nordeste como um autêntico "santo brasileiro". Demonstrando que está sempre "em cima" dos principais fatos, a Rede Globo escolheu essa personalidade para ser a primeira enfocada no retorno das minisséries nacionais, que voltam ao ar em março próximo. Os vinte episódios do Padre Cícero, narrando sua vida e trajetória, estão sendo escritos por uma dupla de grande respeito: Doc Comparato e Aguinaldo Silva.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, editoria TEVÊ, do Correio Popular, em 24 de janeiro de 1984).

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Sucessora de Agatha Christie

Pedro J. Bondaczuk

A norte-americana Faye Kellerman, nos seus tempos de estudante, sequer supunha, mesmo em seus mais delirantes sonhos, que viria a se tornar, algum dia, uma das mais requisitadas e bem sucedidas escritoras de histórias policiais, tida e havida, por muitos, como sucessora da inglesa Agatha Christie. Claro que para isso terá que percorrer, ainda, um longo caminho. Mas pelo que já fez, está no rumo certo.
Por exemplo, terá que escrever muito para chegar aos 80 livros que a chamada “duquesa do crime” produziu. Quando Agatha morreu, em 12 de janeiro de 1976, Faye tinha apenas catorze anos e, a julgar por suas próprias palavras, não lhe passava, nem remotamente, pela cabeça em se tornar escritora. E muito menos de histórias de crimes e respectivas investigações e soluções.
Em 1974, a norte-americana formou-se em matemática pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA). Com o diploma nas mãos, todavia, concluiu que aquela não era sua praia, que não era o que queria. Quatro anos após, regressou aos bancos escolares, desta vez para cursar odontologia.
Formou-se como cirurgiã dentista e estava entusiasmada com as perspectivas de uma brilhante carreira. Excelente profissão, sobretudo rentável. Embora gostasse dela, porém, Faye jamais a exerceu. Por que? Por várias razões. Por exemplo, casou-se – com o renomado escritor e psiquiatra Jonathan Kellerman – e contentou-se, pelo menos por um bom tempo, com o prosaico papel de dona de casa. Questão de opção.
Observando o marido, todavia, ao qual auxiliava, revisando e ordenando seus textos, subitamente fez-se luz em sua cabeça. Descobriu que tinha talento para escrever. E que talento! Essa descoberta findou, como seria de se esperar, por mudar toda a sua vida.
Nascida em Saint Louis, Estado do Missouri, em 1952, Faye reside, atualmente, com o marido e filhos, na Califórnia. E escreve, escreve e escreve constante e compulsivamente. Produz histórias e mais histórias policiais. E seus livros esgotam edições após edições. Há quem ache (e eu sou um deles), que ela é melhor escritora do que o marido. Claro que se trata de opinião apenas subjetiva, baseada em gosto pessoal.
Em um ensaio, publicado em 1997, Faye explicou que sua metamorfose de promissora cirurgiã dentista para prolífica e consagrada romancista se deu espontaneamente, sem forçar a barra, como diríamos coloquialmente, e por vários fatores. Entre estes destacou “um desejo de justiça, uma natureza desconfiada, uma imaginação fértil e uma propensão para o bizarro”. Será que apenas isso basta para uma pessoa se tornar escritora de histórias policiais? Acho que não. Talvez por modéstia, Faye tenha omitido o principal motivo dessa mudança de rumo, tão radical, em sua vida: um talento imenso, e inato, para a narrativa.
Acabo de reler um dos seus primeiros romances, “O preço do desejo” – lançado no Brasil em 1997 pela Editora Mandarim – que havia lido em 1998 e permaneço, como na ocasião da primeira leitura, sem fôlego diante do ritmo frenético e fluente com que a história que urdiu, sumamente original e ainda hoje muito atual, foi narrada. É dinâmica como um filme de ação que se desenrole em nossa imaginação.
Os personagens, as cenas e os “acontecimentos” são tão bem “desenhados”, que ao longo da leitura “vemos” a trama se desenvolver diante dos olhos, do início até o surpreendente clímax, como compete aos grandes escritores de enredos do tipo. Não por acaso, Faye Kellerman é, hoje, também roteirista de cinema. O pessoal de Hollywood tem faro aguçado para essas coisas. E como tem!! Fareja talentos à distância.
“O preço do desejo” – assim como outros sete de seus romances – tem como protagonistas o casal Peter Decker, chefe policial em Los Angeles, e sua esposa Rina Lazarus. Entre suas obras, há uma escrita a “quatro mãos”. Juntou seu talento ao do marido Jonathan Kellerman para produzir o livro “Duplo homicídio”, lançado também no Brasil, com relativo sucesso. Ambos mostraram raro entrosamento literário, pois o romance mantém uma unidade irrepreensível, como se houvesse sido escrito por uma única pessoa.
Fica, aqui, uma sugestão de programa para um final de semana em que você não queira, ou não possa sair de casa. Para um sábado e domingo, por exemplo, daqueles frios e chuvosos, propícios para atividades intelectuais, que não exijam o menor esforço físico, programem a leitura dos livros de Faye Kellerman. E não somente “O preço do desejo”, ou “Duplo homicídio”, mas outros lançados no Brasil, como “A lua do deserto”, “Mercedes Coffin” e mais um punhado deles, cujos títulos fogem-me à memória neste instante.
Se você prefere uma obra, digamos, “mais séria” e sóbria, baseada em fatos reais, posto que escrita de forma ficcional, e se o seu inglês der, pelo menos, para o gasto, poderá ler o livro “The quality of mercy”, de Faye Kellerman.
É certo, admito, que cometo certo exagero ao compará-la a Agatha Christie. Por enquanto, a dama inglesa leva uma vantagem quilométrica, pelo menos em quantidade de obras escritas. Todavia, em qualidade, a distância entre ambas não é tão extensa que não possa vir ser igualada e, quem sabe, superada. De qualquer forma, Faye Kellerman é excelente escritora de histórias policiais. Se houver dúvida a respeito, basta conferir.

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Tuesday, December 27, 2011










O Brasil é um país (parodiando o título de um livro famoso de Euclides da Cunha), de “contrastes e confrontos”. É uma cultura ainda em formação, cujo processo está em franca “fermentação”. As imagens do noticiário de TV do domingo de carnaval ressaltam, de maneira cristalina, essa contradição. Quem tenha assistido somente parte das notícias veiculadas tende a tirar conclusões diametralmente opostas, dependendo do que viu. Se pôde acompanhar, apenas, os desfiles das escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro, ou dos trios elétricos de Salvador, ou dos blocos de Olinda e de Recife, certamente teve uma imagem positiva do País. A de um povo alegre e descontraído, que ri das próprias dificuldades. Quem viu, porém, o noticiário policial, ou o político, deve ter balançado a cabeça, em desalento, e repetido: “O Brasil não tem mais jeito!”. Nenhuma dessas impressões é totalmente correta. A verdade, como sempre, está no meio.

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TV Educativa, uma boa opção

Pedro J. Bondaczuk

O telespectador que sente um vazio cultural na programação das televisões comerciais, tem uma boa opção com as TVs educativas, que embora apresentando falhas estruturais, inerentes, inclusive, ao momento que vivemos e decorrentes de um período muito prolongado de repressão, que afetou todo o panorama cultural do País, têm preenchido razoavelmente as finalidades para as quais foram criadas. No nosso caso, é óbvio, só podemos analisar a programação da Rádio e Televisão Cultura, que é a emissora que sintonizamos.
Houve momentos, inclusive, (como na transmissão direta do comício pró eleições diretas já, realizado em São Paulo, na Praça da Sé), em que o canal 2 (10 para nós de Campinas), chegou a ultrapassar, em termos de audiência, a todopoderosa Rede Globo. Isso mostra que as emissoras ditas educativas têm plena condição de competir com as comerciais, faltando, somente, um pouco mais de promoção junto ao público.
A Culturas possui, por exemplo, um serviço de grande relevância para a população, que é o RTC Serviço. São montadas, semanalmente, “barraquinhas da comunidade” em diversos bairros paulistanos, onde os moradores têm a oportunidade de reclamar e reivindicar das autoridades, providências para os seus núcleos, cujas respostas são dadas no ar, pelos administradores regionais das áreas focalizadas, direto dos estúdios da emissora. Além disso, são destinados intervalos especiais, no correr da programação normal, ao meio-dia, às 13, 14, 15, 17, 18h30, 19h30 e 20h20, onde outros serviços, indispensáveis inclusive ao povo (como informações sobre preços, qualidade, abastecimento e distribuição dos produtos hortifrutigranjeiros) são prestados.
Seria necessário, porém, que essas “barraquinhas da comunidade” fossem também instaladas no interior, para que a população interiorana pudesse cobrar das autoridades as providências indispensáveis para as suas cidades.
Mas não é só de prestação de serviços q2ue a TV Cultura vive. Ela estimula o debate, em torno das grandes questões nacionais, em programas como Vox Populi, apresentado às sextas-feiras, às 22 horas, e produzido por Rita Okamura; “Super Grilo”, apresentado por Júlio Lerner, às quartas-feiras, às 22 horas e o RTC Debate, às quintas-feiras, no mesmo horário, apenas para mencionar alguns. Nesses programas são convidadas figuras representativas de nossa vida política, econômica e social, que criticam, informam e sugerem, mantendo o telespectador perfeitamente ligado nas questões que influem sobre a sua vida.
No plano mais popular, um excelente programa é o “Lira do Povo”. Ele aborda personagens marcantes da nossa música popular, trazendo um pouco da sua história, ao mesmo tempo que aproveita para prestar-lhes homenagens. ´/e o que vai ocorrer, por exemplo, amanhã, quando a figura a ser focalizada será Clementina de Jesus, interpretando canções como “Na Linha do Mar”, de Paulinho da Viola; “Ingenuidade”, de Serafim Adriano e “Coleção de Passarinho”, de Paulo da Portela e Cartola, além de temas do folclore nacional, tais como “Santa Bárbara”, “Taratá”, “Tava Drumindo” e “Saudação”. O “Lira do Povo” vai ao ar aos sábados, às 23 horas, contando com a direção musical de Hermínio Bello de Carvalho, produção de José Schiller e direção geral de Carlos Alberto Loffler, da TV Educativa do Rio de Janeiro. Nessa linha, bem popular (mas com substância, com algo mais, em termos culturais), a Cultura apresenta, ainda, o “Som Pop”, com sucessos internacionais, às sextas-feiras, às 19 horas, sob o comando de Wilson Razzi.
Para os amantes da “Sétima Arte”, o cinema, existe uma excelente opção, nas quintas-feiras, às 23h15, quando Luciano Ramos comenta (estimulando o debate e, portanto, o entendimento) os grandes filmes do presente e do passado, no “Imagem & Ação”.
Como os senhores vêem, as emissoras educativas não veiculam, apenas, temas reservados a pequenas elites. Têm, também, muitos programas bastante populares, abrangendo, praticamente, todas as áreas, do show ao esporte, do cinema à notícia do dia a dia, dos concertos apresentando os grandes clássicos à história da telenovela.
Já que mencionamos este último, convidamos os telespectadores a assistirem ao programa deste domingo, às 20 horas. Ele vai mostrar como terminam as telenovelas, quais são os ingredientes que entram na composição do último capítulo, aquele que vai revelar, a quem teve a paciência de acompanhar o enredo e cada lance da história, o seu desfecho, o tradicional “happy end”!, em que os bonzinhos, que sofreram no correr da trama toda a série de injustiças e agressões, terminam por ser recompensados. E, consequentemente, a punição aos grandes vilões. A “História da Telenovela” desta semana conclui a presente série. Por este motivo, terá um enfoque todo especial. Por exemplo, grandes comunicadores, como Chico de Assis, Décio Pignatari e Arthur da Távola, entre outros, analisam a telenovela como gênero, explicando a sua importância e efeito dentro da televisão.
Por isso, quando os canais comerciais estiverem começando a esgotar a sua paciência, não tenha dúvidas. Ao invés de simplesmente “pichar” as baboseiras que eles apresentam, opte pela TV Educativa.


(Comentário publicado na página 16, Artes, do Correio Popular, em 6 de abril de 1984).


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Agitação no mercado

Pedro J. Bondaczuk

Embora faltem ainda alguns dias para terminar o ano (mais especificamente, cinco), as editoras movimentam-se, e há já bom tempo, visando lançamentos para a próxima temporada. Além de novos livros, certamente irão investir nos que têm apresentado bons índices de vendas e nos que apresentam excelente potencial para virem a se transformar em best-sellers. Acredito que muita coisa boa virá por aí.

Da minha parte, tenho, também, lá as minhas pretensões, que dependem, todavia, da reversão de alguns fatores que não me vêm sendo favoráveis, a despeito dos meus esforços, até aqui frustrados, para revertê-los. O principal deles? Sem dúvida é a tão ansiada reação nas vendas dos meus livros “Cronos e Narciso” e “Lance fatal”, que frustraram todas as minhas mais pessimistas expectativas. Conto, todavia, com a providencial ajuda dos amigos, dos conhecidos e, principalmente dos meus leitores habituais, daqueles preciosos e fiéis que me acompanham há anos ou através de jornais ou e em especial pela internet. Estes nunca me faltaram e não creio que será desta vez que me deixarão na mão.

Mas, como eu ia dizendo, caso ocorra a citada reversão, tenho a veleidade de lançar um novo livro de contos, contendo dos textos que já escrevi os que mais aprecio (os escritores também têm preferências em relação ao que produzem, que nem sempre são as mesmas dos seus leitores). Trata-se de “Passarela de sonhos”, com todas as histórias versando sobre a festa mais popular e mais característica do Brasil: o Carnaval. Todas baseiam-se em fatos e lugares reais, posto que se tratem de ficção, dados os personagens e os respectivos enredos serem rigorosamente ficcionais.

Previno, porém, meus fiéis leitores: o lançamento desse livro está rigorosamente condicionado ao “desencalhe” do “Lance fatal” e do “Cronos e Narciso”. Provavelmente este não é o espaço adequado, e nem a forma de fazê-lo é a ideal, mas apelo aos que me seguem há certo tempo (a maioria há já quase sete anos, o que confere certa familiaridade) aos que gostam de mim e principalmente do que e como escrevo, que me ajudem. Que adquiram as citadas obras, leiam e se possível (sempre é com um pouquinho de boa vontade) opinem a propósito, aqui mesmo ou em qualquer outro espaço. Ademais, se não gostarem do seu teor, não tenham dúvidas: critiquem-nos, tendo a “gentileza”, todavia, de citar minhas principais falhas, para que eu as possa corrigir em minhas próximas publicações.

Nutro imensas expectativas em torno de “Passarela de sonhos”, daí os cuidados que pretendo ter ao planejar seu lançamento. Para isso, tenho que me empenhar para criar as condições mais favoráveis possíveis. Claro que terei pela frente o grande problema da maioria dos escritores: a divulgação. Esse é o “x” da questão a ser devidamente equacionado. Espero, um dia, quando vier a lançá-lo no mercado, que este livro me consolide como escritor, e na minha especialidade, o conto, abrindo as portas que os cinco anteriores não abriram (alguns somente as “entreabriram”, o que não é suficiente). Sonho, até, em ver duas ou mais dessas histórias que ele contém ganharem as telas da TV, em dramatização do tipo “Caso Especial”, ou até do cinema, adaptados, claro, para esse veículo.

Quanto aos lançamentos das editoras para 2012, tenho intuição, quase certeza, que o tema preferencial venha a ser a tal da profecia maia que prevê, para uns, o fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, para outros, o final de uma era e início de outra, muito mais promissora do que a encerrada. “Besteira!”, dirá o leitor. Também acho. Só que o tema permanecerá em evidência durante todo o ano. E sempre haverá alguém disposto a explorá-lo, tanto para assumir essa sombria previsão, quanto para desmontar a suposta “profecia”.

Ainda não tenho em mãos as relações dos principais lançamentos programados para 2012. É possível (e provável) que as editoras as estejam guardando a “sete chaves”. Na ausência delas (ou de pelo menos uma delas), pesquisei os livros mais vendidos em 2011 e que provavelmente continuarão nessa toada por pelo menos boa parte do ano que vem. As listas foram várias, mas apostei (talvez até por mera questão de intuição) na que foi divulgada pelo excelente site “Dicas Diárias” (WWW.dicasdiarias,com). A relação em questão é a seguinte:

1 – 2666 – Roberto Bolaño.
2 – VIDA – Richards com o jornalista James Fox.
3 – EM ALGUMA PARTE ALGUMA – Ferreira Gullar.
4 – PASSAGEIRO DO FIM DO DIA – Rubens Figueiredo.
5 – RETRATOS IMORAIS – Ronaldo Correia de Brito.
6 – O ÚNICO FINAL FELIZ PARA UMA HISTÓRIA DE AMOR É UM ACIDENTE – Companhia das Letras.
7 – Companhia das Letras – Gonçalo M. Tavares.
8 – HITLER – Ian Kershaw.
9 – LÉXICO FAMILIAR – Natalia Ginzburg.
10 – UM ERRO EMOCIONAL – Cristovão Tezza.

Oportunamente, tecerei comentários específicos sobre nove desses livros. O décimo, o maçudo romance “2666”, do chileno Roberto Bolaño, já comentei há muito tempo e ele dispensa, por conseguinte, novas considerações, até para não ser repetitivo. Mas minha expectativa mesmo é poder lançar “Passarela de sonhos” no mercado, desde que sejam satisfeitas, reitero, as condições que citei. Como sou um sujeito otimista...



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Monday, December 26, 2011










Na corrida pelo desenvolvimento, não há caminhos suaves. A fórmula do sucesso é uma só: trabalhar, trabalhar e trabalhar. Mas não como um burro de carga, que carrega enormes fardos, sem nenhuma consciência do que e porque faz. O trabalho tem que ser objetivo, disciplinado, racional e constante. Ele pode não ser garantia de sucesso, mas sem esse esforço planejado, o atraso, o esquecimento e a miséria são resultados mais do que certos. É a lei da vida...

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Anote e Confira


PERDIDOS NA NOITE

Hoje, recomendamos ao telespectador o programa “Perdidos na Noite”, do Fausto Silva, com um mundo de atrações. Entre outros grandes destaques, citamos s presenças de Juca Chaves, Conjunto Metrô, Fernanda Terremoto, Tunay e os humoristas do programa. Além, é claro, d irreverência e do bom-humor do apresentador “que enche o vídeo”. TV Record, canal 6, às 00h30.

Amanhã, o telespectador bem informado não pode perder o grande e decisivo debate entre Ronald Reagan e Walter Mondale, que pode mudar os rumos das eleições nos Estados Unidos. Rede Globo, canal 12, às 22h20.

Segunda-feira, o prato cheio do dia é um dos programas mais inteligentes de debates políticos da televisão brasileira. Trata-se do “Jogo de Carta”, comandado pelo combativo e brilhante jornalista Mino Carta. TV Record, canal 6, às 00h30.

(Coluna escrita por mim, sem assinar, publicada na página 22, “TEVÊ”, do Correio Popular, em 20 de outubro de 1984).

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Florada de versos

Pedro J. Bondaczuk


A poesia encanta-me, me embevece, me justifica e me redime. Até aí, não expressei nada de novo. Milhões e milhões de pessoas, tempo e mundo afora, têm essa mesma percepção, e mais, sensação em relação a esse gênero tão nobre. Cito o meu caso, em particular, dada minha profissão, a de jornalista, mais especificamente a de editor, que tem no lado vicioso e perverso do homem, na maldade, na violência, na loucura e na corrupção humanas e em seus dramas e contradições, a matéria-prima do seu ofício. Preciso, pois, desesperadamente, de um antídoto para tanto negativismo e miséria. E este encontro, sem dúvida, na poesia.
Leio, compulsivamente, poemas de todas as tendências e estilos, tanto de poetas quanto de poetisas. Claro que tenho minhas preferências. Seria de estranhar se não as tivesse. Todos têm, de conformidade com sua formação, experiências, sensibilidade, cultura, leituras etc.etc.etc. Entre meus autores favoritos, destaca-se uma paulistana, pouco badalada pela mídia, raramente citada pelos críticos, mas que desempenha a arte de poetar com uma naturalidade impressionante, como o ato de respirar, por exemplo. Seus versos mágicos, posto que sutis e profundos, são, sobretudo, espontâneos. Nota-se, à primeira leitura, que nascem com naturalidade, sem que percam por isso a profundidade (pelo contrário). Refiro-me a Flora Figueiredo.
Peço licença para abrir, aqui, um parágrafo e justificar-me, dar uma explicação que já se impõe. Muitos criticam-me por caracterizar as mulheres que compõem poesia de “poetisas”, e não de “poetas”, como já virou moda. Alguns, maliciosamente, vêem nesse meu comportamento o ranço de preconceito de gênero. Tolice. Argumentam que poesia não tem sexo (como se eu não soubesse). E bla-bla-blá, bvla-bla-blá e bla-bla-blá. Detesto esses patrulheiros gratuitos!!! Faço essa distinção não por preconceito, mas, muito pelo contrário, como uma forma de homenagem, de reconhecimento e de reverência à sensibilidade feminina, que é ímpar. Queiram ou não, as mulheres são muito, mas muito mais sensíveis mesmo (entre tantas e tantas superioridades que ostentam em relação a nós, marmanjos) do que nós, homens. Para mim, portanto, queiram ou não os patrulheiros de plantão, elas são, e serão sempre, POETISAS. E ponto final!
Mas, voltando ao tema destas reflexões, conheci a poesia de Flora Figueiredo recentemente, há sete anos, através do Orkut. Foi paixão à primeira vista. Ou, mais especificamente, à primeira lida. Desde então, passei a colecionar tudo o que ela escreve, livros, poemas esparsos na internet e outros tantos, que amigos têm a gentileza de me enviar por e-mail. E quanto mais a leio, mais cresce minha admiração. Não por acaso, publico-os, amiúde, nos vários espaços de que disponho na mídia. Procuro, apenas, ser sempre coerente.
Flora, como seria de se esperar, tem outras tantas habilidades. É, também, cronista das mais talentosas, tradutora e, de uns tempos para cá, também letrista de belas canções do cancioneiro popular brasileiro. Como compositora, tem um dos seus poemas, musicado por Ivan Lins, gravado na voz de Simone. Outra incursão na “seara” da música é uma obra erudita para coral do maestro Aylton Escobar, com título sumamente sugestivo e apropriado: “Flora, cinco canções de amor”. Embora desempenhe bem essas outras funções, ela é, sobretudo, (e sempre será) poetisa. A minha poetisa predileta (ao lado de Cecília Meirelles, Cora Coralina, Gabriela Mistral, Adélia Prado, Suzana Vargas, Evelyne Furtado e centenas de outras).
Em entrevista que deu ao site “Geração Online” (WWW.geracaobooks.com.br) Flora explica como e quando se deu conta da sua paixão pela poesia: “O fascínio pela poesia veio muito cedo na voz de minha mãe que era uma apreciadora do gênero e declamava poemas de Guilherme de Almeida, Cecília Meirelles e Paulo Bonfim, seus preferidos. Essa sonoridade me arrebatou para sempre”. Está aí mais um motivo para minha veneração por Flora (como se fosse preciso!), sua memória poética centrada no campineiro, “príncipe dos poetas brasileiros”, Guilherme de Almeida.
Minha apreciação da sua poesia não é nenhuma “mania” pessoal, como os desavisados podem supor. Ela é excelente mesmo!!! E esta não é uma opinião exclusivamente minha, longe disso. Estou em excelente companhia. Muitos escritores ilustres têm idêntica convicção. Pudera! Basta ver os nomes de alguns dos vários que redigiram prefácios dos seus livros: Olavo Drummond, Fábio Lucas, Josué Montello e vai por aí afora. Afinal, como a própria poetisa confidencia, “ao compor, tento beijar a alma do leitor”. E, claro, consegue. Beija de fato.
Por falar em livros, Flora já publicou sete (se não errei na conta): Florescência (Editora Nova Fronteira, 1987); Calçada de verão (Ed. Nova Fronteira, 1989); Amor a céu aberto (Nova Fronteira, 1992); Estações (Art Editora e WS Editores, 1995); O trem que traz a noite ( Lacerda Editores, 2000); Chão de vento (Geração editorial, 2005) e Limão Rosa (Editora Novo Século, 2009). Vários deles são utilizados na rede municipal de ensino de São Paulo.
Nesta véspera de primavera, é para lá de oportuno falarmos de Flora. E não apenas falar, mas apresentar uma “florada de versos” que ela compôs. Encerro, pois, estas reflexões, com estes dois poemas dessa magnífica e sensível poetisa:


A pedidos

Querem um verso,
mas não sou capaz.
Vejo a palavra fraturar
as entrelinhas,
tento soldá-las,
mas não são minhas.
Rompeu-se o verbo
e me deixou para trás.

Flutuações

O sonho aprendeu a pairar bem alto,
lá onde o sobressalto nem sequer nasceu.
Namorou a trôpega ilusão,
até que trêfego e desajeitado,
desprendeu-se de seu reino idealizado,
veio pousar tamborilante em minha mão.
Assim, aquecido e aconchegado,
parece que se esqueceu de ir embora.
Na hora em que ressona distraído,
eu lhe pingo malemolências no ouvido
à sua inquietação eu me sujeito.
Eis que o sonho dorme agora aqui comigo,
seu corpo repousa no meu peito.

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Sunday, December 25, 2011










Será que cada um de nós está fazendo, de fato, o melhor não somente para si, mas para a comunidade em que vive? Muitos asseguram que fazem o que podem. Não é o suficiente. O estadista britânico, Winston Churchill, tem uma frase lapidar para essas pessoas: “Não tem sentido dizer que fazemos o melhor que podemos. Temos que conseguir fazer o que é necessário”. Como saber isso, todavia? É preciso sinceridade e muito rigor analítico, que somente alguns poucos sábios conseguem desenvolver. A tendência natural do ser humano é sempre achar que faz demais, mesmo que não faça nada que seja de fato valioso. Nada, porém, se constrói sem trabalho competente e bem-planejado, sem esforço corretamente dirigido e, até, sem uma certa dose de sacrifício. Compete-nos, pois, fazer não somente o que podemos, mas, sobretudo, o que for necessário, mesmo que isso nos exija imensa capacidade de superação.

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O que comprar:

Cronos e Narciso (crônicas, Editora Barauna, 110 páginas) – “Nessa época do eterno presente, em que tudo é reduzido à exaustão dos momentos, este livro de Pedro J. Bondaczuk reaviva a fome de transcendência! (Nei Duclós, escritor e jornalista). –
Preço: R$ 23,90.

Lance fatal (contos, Editora Barauna, 73 páginas) – Um lance, uma única e solitária jogada, pode decidir uma partida e até um campeonato, uma Copa do Mundo. Assim como no jogo – seja de futebol ou de qualquer outro esporte – uma determinada ação, dependendo das circunstâncias, decide uma vida. Esta é a mensagem implícita nos quatro instigantes contos de Pedro J. Bondaczuk neste pequeno grande livro. – Preço: R$ 20,90.

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ONU está cada vez mais esvaziada


Pedro J. Bondaczuk


A Organização das Nações Unidas, ONU, está completando 40 anos de existência (com o seu papel cada vez mais esvaziado), crescentemente contestada como organismo útil para a promoção da paz. Embora tais restrições, não se pode negar seu grande feito, que foi o de sobreviver por quatro décadas, em um mundo onde a palavra concórdia perde, cada vez mais, seu significado.
Pelo menos em termos de duração, a ONU superaa, em 14 anos, sua predecessora, a malfadada Liga das Nações, instituída em 1920, como conseqüência do Tratado de Versalhes. Esse acordo internacional, por seu turno, foi um dos responsáveis pelo descontentamento alemão e que acabou dando motivo para a ascensão do nazismo e para a posterior deflagração da Segunda Guerra Mundial.
Ao contrário do órgão anterior, a Organização das Nações Unidas ainda não teve países pedindo o seu desligamento. E apenas promoveu uma expulsão que, aliás, corrigiu uma das mais grotescas e surrealistas falhas ao, virtualmente, ignorar a existência de uma nação que abriga 25% de todos os habitantes do mundo. A correção ocorreu em 25 de outubro de 1971, quando foi aprovado o ingresso da China no organismo, com conseqüente saída de Formosa.
A extinta Liga das Nações também havia expulsado apenas um de seus integrantes, a União Soviética, em 1939. Mas com somente seis anos de criação, começou a sofrer um irreversível processo de esvaziamento, quando o Brasil pediu o seu desligamento, como forma de protesto pelo fato de não ver atendida uma solicitação para fazer parte de determinado conselho. A partir daí, cinco outros países seguiriam (por razões diferentes) os passos brasileiros.
Coincidentemente, todos eles viriam a ser aliados na Segunda Guerra Mundial. Em 1933, Japão e Alemnha desligavam-se da Liga. Em 1937, seria a vez da Itália. E, finalmente, no ano do próprio conflito, em 1939, Hungria e Espanha fariam o mesmo. Nessa altura, o organismo já não tinha mais qualquer papel e era um caricato anacronismo.
A ONU, pelo que tudo indica, está perigosamente caminhando para isso. Sua atuação, por exemplo, durante a Guerra das Malvinas, foi simplesmente deplorável. Na guerra civil libanesa, além de enviar para aquele país conflagrado a ineficiente e sem função Força de Paz, conhecida como Unifil, nada mais obteve de prático que conduzisse aquela sociedade outrora exemplar à reconciliação.
Na questão dos reféns do Irã, durante o transcorrer de 1980, o papel que lhe caberia exercer acabou sendo desempenhado (com muito tirocínio, frise-se) pela diplomacia argelina, que conseguiu uma fórmula para acabar com o impasse e a conseqüente libertação dos então 53 cativos.
No atual incidente, envolvendo cidadãos norte-americanos no Líbano, com o seqüestro do Boeing da TWA, a história repete-se, com todas as letras e vírgulas. Apesar da boa vontade do secretário-geral da ONU, Javier Perez de Cuellar, as soluções possíveis para o impasse, levantadas em vários círculos, não são da lavra desse organismo.
Mas essa ostensiva inefici6ência, em termos de resolução de crises, se deve a quê? À desorganização da ONU? À falta de tirocínio dos que a comandam? À ausência de recursos humanos ou financeiros? Absolutamente não!
Os secretários-gerais que a ONU já teve foram homens simplesmente brilhantes sob todos os aspectos. O organismo reúne técnicos, nas mais variadas áreas em que atua, da mais absoluta competência e credibilidade. A entidade mundial dispõe de farto e ótimo material humano e de razoável disponibilidade financeira.
O que falta é que os signatários de sua carta constitutiva honrem o compromisso assumido há 40 anos. Cumpram o que juraram solenemente respeitar, sem desculpas e tergiversações. Aprendam que somente através da cooperação, sincera e desinteressada, desvinculada de radicalismos ideológicos, será possível se chegar ao pleno respeito dos direitos fundamentais do homem e, por conseqüência, à justiça social e à paz duradoura entre os povos. Como isso parece cada vez mais distante...

(Artigo publicado na página 10, Internacional, do Correio Popular, em 26 de junho de 1985).

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