Monday, April 18, 2011



É a vez da geração jovem


Pedro J. Bondaczuk


A minissérie da Rede Globo, "Anos Dourados", encerrada recentemente, com muito brilho e justo sucesso, veio provar, definitivamente, uma coisa: que a televisão brasileira, pelo menos no que diz respeito a seus atores, está promovendo uma saudável renovação de valores. Tivemos, ao lado de uma história densa, de figurinos extraordinários e de uma seguríssima direção, interpretações dignas de nota. E os destaques, frise-se, não ficaram com os veteranos, como Bety Faria ou Milton Moraes, embora suas performances fossem corretas, medidas, exatas, como sempre aconteceu.

O brilho ficou por conta de gente como Malu Mader, Isabela Garcia, Taumaturgo Ferreira e Felipe Camargo. Ou seja, a nova geração de astros e estrelas da Globo, mostrando que a emissora está investindo no longo prazo e que. por essa razão, está preparada para fazer com que a telenovela continue sendo a grande paixão do público ainda por muitos e muitos anos.

Outro exemplo do brilho dos jovens é o que vem acontecendo com a atriz Fernanda Torres. Quando ela foi escalada para o papel de Simone, na nova versão de "Selva de Pedra", o crítico temeu por sua sorte. Afinal, tratava-se de uma personagem complexa e densa de emoções e que da vez anterior foi vivida por Regina Duarte, sem favor algum, um dos maiores destaques do primeiro time das nossas deusas das telas e dos palcos. Seria fatal a comparação entre ambas, fato que realmente aconteceu.

Nos primeiros capítulos, a opinião da crítica e do público mal escondia uma certa decepção com a performance de Fernandinha. Não que seu trabalho não estivesse perfeito, mas em virtude da diferença de estilos em relação à sua antecessora.

No entanto, esse grande talento jovem não se abalou com isso. Foi firmando-se no correr dos capítulos e hoje está sendo tão amada por todo este Brasil, que há vinte anos se liga religiosamente nas novelas, com a mesma intensidade com que o foi Regina Duarte no passado. E depois que ela conseguiu a façanha de conquistar o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, pelo seu desempenho no filme "Eu Sei que Vou te Amar", veio a consagração definitiva dessa estrela, que está luzindo com todo o seu brilho, seguindo os passos de seus ilustres genitores, Fernando Torres e Fernanda Montenegro.

É de se notar, por exemplo, no caso de Malu Mader e de Felipe Camargo, que quando a década que eles reviveram tão bem estava acontecendo, nenhum deles havia sequer nascido. Todos vieram ao mundo num período em que a própria Rede Globo ainda estava engatinhando. Dessa forma, dá um enorme prazer a quem aprecia televisão e que por dever de ofício tem a incumbência de analisar o que de bom ou de ruim ocorre nela, ver tantos jovens esbanjando talento e criatividade.

Dificilmente no corrente ano qualquer emissora terá condições de apresentar um trabalho melhor elaborado e com tamanha audiência quanto foi a minissérie "Anos Dourados". Mas temos certeza que muitas outras "caras novas" deverão surgir, com a mesma garra, a mesma categoria e a mesma simpatia dos já citados. O telespectador, que acompanha novelas, sabe disso. E tem, possivelmente como o crítico, a impressão que este País está às vésperas de uma explosão de criatividade, agora que é passada a "longa noite" da mordaça e da castração intelectual.


(Artigo publicado na página 10, Arte & Variedades do Correio Popular, em 7 de junho de 1986)


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