Saturday, July 16, 2016

Futurologia econômica


Pedro J. Bondaczuk


O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, condiciona o sucesso de sua estratégia econômica, para o último ano do governo, ao ajuste fiscal. Prefere não falar em planos, para não dar conotação de “trucagem”, das tantas que o País assistiu desde a época de José Sarney, embora circulem especulações mil, servindo de pretexto para a “indústria da inflação” fazer sua marola e assaltar o bolso do atormentado e indefeso trabalhador.

A sociedade ainda não se convenceu (porque há os que agem para que ela não se convença) de que não haverá nenhuma espécie de choque, até a posse do próximo presidente. Aliás, três coisas caracterizam o primeiro ano do governo Itamar (que parece estar no poder há 20): a dança de ministros, os anúncios de planos econômicos e a sua contundente inércia.

Fala-se muito, criam-se comissões de todos os tipos, chovem entrevistas, mas providências mesmo...Nada! Outra palavrinha maldita, que não sai do noticiário há pelo menos três anos, é “ajuste fiscal”. O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Ariosvaldo Mattos Filho, por exemplo, trabalhou meses na elaboração de um projeto para a modernização do sistema tributário nacional. Não deu em nada. Acabou sendo atropelado pelas sucessivas crises políticas.

No final do ano passado rolou a emenda constitucional, que objetivava obter o ajuste fiscal. A votação, em dois turnos, acabou ficando para este ano. A falta de cacife do governo, porém, fez com que o ousado, embora discutível projeto fosse esvaziado e transformado no ridículo caça-níqueis do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (o malfadado IPMF). E os tributos continuaram sendo a bagunça que sempre foram.

Agora, fala-se na reforma, via revisão constitucional, emperrada por causa da CPI dos “sete anões” do Orçamento. Pelo andar da carruagem, o assunto vai ficar novamente para as Calendas. Dá, até, para qualquer um ser futurólogo. Não haverá plano algum, no ano que vem, o mercado irá especular pelo menos cinco vezes sobre algum pacote e a inflação prosseguirá deglutindo os salários dos trabalhadores que lograrem se manter no emprego.  

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 28 de novembro de 1993)

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