Tuesday, June 06, 2017

Basta de frustrações


Pedro J. Bondaczuk


Os políticos brasileiros costumam despertar na população expectativas que acabam sendo incapazes de realizar. Para citar apenas as mais óbvias e recentes, mencionamos as campanhas memoráveis pelas eleições diretas, a convocação da Assembleia Nacional Constituinte, a promulgação da atual Constituição em outubro de 1988, a realização do plebiscito no ano passado, e a coisa vai por aí afora.

Agora, a pedra filosofal dos nossos "alquimistas" de plantão, capaz de "transmutar chumbo em ouro", são as eleições presidenciais de 3 de outubro próximo. Não se nega a sua importância, não somente pelos cargos que estarão em jogo, mas, e sobretudo, por convocar 100 milhões de eleitores às urnas.

Apenas a Índia e os Estados Unidos possuem contingentes eleitorais maiores, entre os países que promovem este espetáculo democrático, nem sempre devidamente valorizado pelos que podem gozar da prerrogativa de escolher seus governantes.

O que não se pode é esperar milagres. Muito menos confiar em eventuais "salvadores da pátria". Embora não a identifiquemos, ou pelo menos não admitamos, o País teve inegável evolução política nos últimos tempos. Não podemos pretender que comportamentos viciosos e falhas de mais de um século sejam corrigidos da noite para o dia.

O saudoso jornalista, escritor e intelectual Otto Lara Resende, sobretudo homem de tirocínio e de muito bom senso, disse, em entrevista publicada em 26 de abril de 1992, no suplemento "Mais", do jornal Folha de S. Paulo: "Assim como a natureza não dá saltos, a política também não dá. O Brasil não vai amanhecer diferente, nós não vamos virar o povo alemão, o povo japonês. Também não podemos nos prender a esse eterno salvacionismo. Essa figura do Salvador é completamente errada e mesmo, num certo sentido, abjeta. Você não pode pensar em entregar a sorte de um país a um determinado cidadão que como um deus 'ex-machina' vai resolver todos os problemas, como por milagre. Se o milagre não ocorre, as pessoas começam a dizer que o brasileiro não presta, e aí você cai até no racismo e acaba negando coisas que deviam ser vistas como qualidades".

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 1 de agosto de 1994).



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