Friday, February 24, 2017

O Boeing Brasil decola


Pedro J. Bondaczuk


O Brasil está “com as turbinas ligadas” para alçar vôo rumo à retomada do crescimento, que deve durar, conforme estimativas mais pessimistas, de 1994 a pelo menos 2005. Depois da duríssima crise dos anos 80, a nossa “década perdida”, e após os sete anos de recessão, de 1984 a 1991, foram feitos importantes ajustes na economia nacional, a despeito do fracasso de cinco planos de estabilização.

As empresas saldaram suas dívidas e modernizaram-se. Nova mentalidade passou a vigorar no mundo dos negócios. Apesar dos brasileiros não perceberem, tudo foi arrumado, nos mínimos detalhes, para essa decolagem.

Otimismo? Nem tanto! Estão aí os dados para comprovar. Essa tese, aliás, nem é nossa, mas do professor Stephen Kanitz, no livro “O Brasil que dá certo – O novo ciclo de crescimento, 1994-2005”, cuja 11ª edição a Editora Makron Books acaba de lançar no mercado.

Trata-se de uma obra fascinante, em linguagem clara, com teses muito bem fundamentadas, trabalho digno de figurar na cabeceira ou no gabinete de qualquer empresário, economista ou cidadão bem informado, que acredite neste país.

O autor apresenta uma série de informações, gráficos, dados e análises a comprovar que o pior já passou. Demonstra, inclusive, que a retomada do desenvolvimento virá à revelia de quem seja o presidente da República ou o ministro da Fazenda.

Acentua, logo na introdução: “Cresceremos menos se tivermos um governo federal que não consiga perceber os novos tempos e as novas concepções gerenciais. Cresceremos mais se os futuros dirigentes souberem agir como catalisadores do crescimento, em vez de insistirem no papel de geradores do crescimento. O catalisador obtém o melhor resultado com mínimo esforço”.

O professor Kanitz desfaz, no livro em questão, o mito de que o endividamento externo do Brasil seja excessivo ou se constitua em entrave à retomada do desenvolvimento. Observa: “...O nosso país não é uma empresa superendividada como os economistas do FMI insistem em dizer há mais de dez anos. Devemos muito pouco em relação ao nosso patrimônio. Situação aliás similar às das empresas brasileiras que estão entre as menos endividadas do mundo”.

A obra apresenta dados que, embora do conhecimento das autoridades multilaterais, não mereceram, por parte delas, a devida análise. O Brasil não é o caloteiro que certos círculos internacionais (e nacionais) insistem em dizer que é.

Quem não apostar no seu crescimento vai deixar de ganhar muito dinheiro e “perder o bonde da história”. Se com inflação altíssima em 1993, o País conseguiu crescer ao redor de 5%, imaginem com taxas “civilizadas” (que no nosso caso devem rondar pelos 5% mensais)!

Aliás, outra tese interessante levantada pelo professor Kanitz, e absolutamente lógica, é a do superdimensionamento inflacionário. Portanto, é o contrário do que alguns analistas apressados afirmam e a população desconfia.

Sempre se pensou que quando o governo divulgava taxas, por exemplo, de 9%, a inflação real era de 12%, 14% ou mais. Nunca se cogitou que estivesse ocorrendo o inverso. Mas a lógica leva a deduzir que sim. Daí plano nenhum ter dado certo. Pois é, amarrem o cinto. O Boeing Brasil está pronto para decolar!

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 16 de outubro de 1994).


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