Saturday, December 19, 2009




Poema de Natal

Pedro J. Bondaczuk

Projeta-se, em minha memória,
o fato mais comovedor,
lembrança de maior valor
de uma particular história...

Recordo, com grande emoção
(só tinha seis anos, então)
de um homem de vermelho e branco
barba postiça, de algodão,
luva furada em cada mão,
trazendo um saco (de papel)
que eu (que infantil ilusão!)
julgava ser Papai Noel.

“Faça seu pedido, filhinho,
ou bola, ou casinha ou trenzinho,
ou o que mais quiser pedir”,
dizia mamãe, a sorrir.

“Eu quero ganhar uma bola
que possa levar à escola
e nos dias em que houver sol,
brincar com o Chico Patola,
e ser craque de futebol”.

E eu achava sempre normal,
(e nem ficava surpreendido)
quando, no dia de Natal
via o pedido atendido.

Lá ía eu, todo gabola,
a correr para a escola,
brincar com o Chico Patola
com minha preciosa bola.

“Hoje lhe peço, bom velhinho,
para os meus natais de ilusão
só o seu paternal carinho,
nada mais do que a sua bênção!
Meu amigo, meu pai (Noel?),
nos acordes do Jingle Bell,
recuemos a nossa história.
Vamos reviver, na memória,
juntos, e com sua netinha,
aquela cena, tão real:
Um menino, sua cartinha,
a árvore e a estrelinha
feita de dourado papel,
o doce encanto do Natal,
o peru, a castanha, a torta
e o seu carinho, meu papai
(Noel?)! O nome não importa!

(Poema composto em 16 de dezembro de 1974 em Campinas).

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