Wednesday, September 06, 2006

TOQUE DE LETRA



Pedro J. Bondaczuk

(Fotos: Divulgação/CBF e Fifa)

GOSTEI DA SELEÇÃO DO DUNGA

Apesar de algumas críticas veladas de parte da nossa imprensa, gostei da atuação do selecionado brasileiro, ontem, na vitória por 2 a 0 sobre o País de Gales, em Londres, no terceiro compromisso da chamada “Era Dunga”. Claro que todos esperavam o mesmo show de bola de domingo, na goleada de 3 a 0 sobre a Argentina. Só que se esqueceram que o time que entrou em campo não era o mesmo, apesar das presenças de Kaká e de Ronaldinho Gaúcho. O treinador fez nove modificações e, ainda assim, a Seleção jogou pelo menos para o gasto. O placar não refletiu o andamento da partida. Fossem aproveitadas todas as oportunidades criadas pelas duas equipes, e o resultado poderia ser, sem nenhum exagero, de 6 a 3, ou de 7 a 4 ou de qualquer outro, até mais exótico. O importante é que os jogadores mostraram raça, determinação e orgulho de vestir a camisa canarinho. E não era este o objetivo de Dunga? Reclamar do quê?!

VITÓRIA IMPORTANTE DO BUGRE

O Guarani mostrou, ontem, que continua vivo no Campeonato Brasileiro da Série B. Venceu, de forma convincente, o Coritiba, líder da competição, no Brinco de Ouro, por 1 a 0, gol do artilheiro Edmilson (sempre ele!), o que não deixa de ser elogiável, mesmo atuando em seus domínios. Pena que a rodada não ajudou o Bugre. Apesar da vitória suada (o adversário vendeu caro a derrota), o time manteve-se na mesma 14ª colocação, a cinco pontos tanto dos quatro primeiros colocados, quanto dos quatro últimos. Agora, terá mais um jogo em casa, contra o teoricamente fraco São Raimundo, que ontem surpreendeu o Avaí em plena Florianópolis e derrotou o time catarinense por 1 a 0. O Guarani, portanto, não pode dar moleza, pois neste campeonato de pontos corridos não há um único jogo fácil. Mas o importante, reitero, é que o Bugre se mantém vivo, vivíssimo na competição.

MUITO DIZ-QUE-DIZ-QUE

Mantenho a minha opinião de que todo esse zum-zum em torno da suposta saída de Marco Aurélio Moreira do comando técnico da equipe é um enorme desserviço prestado à Ponte Preta. Desestabilizar o treinador, a esta altura do campeonato, somente por causa de picuinhas pessoais, é uma baita sacanagem, que muito torcedor ingênuo também está cometendo. Esta não é a hora adequada disso e, mesmo que fosse, não é dessa forma que se deve agir. Ainda se houvesse um substituto à altura para o cargo, vá lá. Mas não existe nenhum. Não morro de amores por Marco Aurélio, ao qual conheço apenas de “olá”. Nunca, sequer, conversei com ele, mesmo quando era jogador. Portanto, ao contrário do que já fui acusado por um torcedor mais afoito (ou trouxa? ou mal-educado? ou burro?), não tenho nenhum motivo pessoal para o defender. O que tenho é um amor muito grande pela Ponte Preta. Quero que o time ganhe estabilidade, confiança, conjunto e se safe logo da posição incômoda em que se encontra. Por isso, insisto: parem de fazer marola e se não puderem ajudar, pelo menos não atrapalhem!

CORREÇÃO E MUITA COERÊNCIA

Para o desespero daquele grupinho de imbecis do “quanto pior, melhor”, dos que torcem para Dunga fazer qualquer bobagem, para se desmanchar em críticas contra ele, o novo treinador da Seleção Brasileira mostrou, até aqui, correção, coerência e (por que não admitir?), competência. Dos convocados para os dois amistosos disputados na Inglaterra, testou quase todos. A única exceção foi o goleiro Fábio, que, aliás, atravessa fase muito ruim no seu clube, o Cruzeiro. Uns saíram-se muito bem no teste, outros não tiveram maior brilho, mas, a rigor, ninguém comprometeu. As cobranças maiores, no jogo de ontem, recaíram, como já se esperava, sobre Ronaldinho Gaúcho. Discordo dos que acham que o craque do Barcelona jogou mal. Claro que, mais uma vez, não teve o mesmo brilho que costuma ter em seu clube. Mas na Seleção (e não somente nessa) não tem ao seu lado a eficiência e o faro de gols de um Samuel Etoo. No mais... A Seleção saiu rapidinho do noticiário, por falta do que criticar.

OUTRA PEDREIRA INTERNACIONAL

O time do São Paulo, que recém terminou sua desgastante trajetória na Copa Libertadores da América, em que deixou escapar, por pouco, sua quarta conquista desse torneio, já tem, amanhã, outra enorme pedreira internacional. Enfrenta, em Buenos Aires, desfalcado de Junior e de Leandro, mas contando com a volta de Mineiro, o sempre competitivo Boca Juniors, em ótima fase (vem de doze vitórias consecutivas), pela Recopa Sul-Americana. Jogar no Estádio de La Bombonera é um grande desafio para qualquer time do mundo. O campo é pequeno, a torcida (fanática) fica muito em cima, faz um barulho danado o tempo todo e o som, em vez de se espalhar, é direcionado todo para o gramado. Em vez de uma “caixa de bombons”, o estádio do Boca lembra, com maior propriedade, uma enorme panela-de-pressão. Claro que o tricolor paulista é competente e experiente e pode perfeitamente voltar de Buenos Aires com uma grande vitória. Não se pode negar, todavia, que por todas as circunstâncias citadas, o Boca é o grande favorito.

COPA SUL-AMERICANA

Nunca vou entender os cartolas do futebol brasileiro. Todos os anos, desde que a competição foi criada, quando não contam com times suficientemente preparados para a conquista do Brasileirão ou, ao menos, para se classificar para a Libertadores da América, apregoam, aos quatro ventos, que seu objetivo é conseguir vaga na Copa Sul-Americana. Agora, que a competição vai começar, reclamam que ela vai atrapalhar o planejamento dos seus respectivos clubes no Campeonato Brasileiro. Alguns, inclusive, põem somente os reservas nos jogos desse torneio. Trata-se, no mínimo, de incoerência, para não dizer outra coisa, que por sinal, dá rima. Que é mais uma competição caça-níquel, não há dúvida. Mas por que não a vetaram, tão logo ela foi proposta? Durma-se com um barulho desses!

RESPINGOS...

· Hoje, diante do Vasco da Gama, em São Januário, vamos saber se a recuperação técnica do Corinthians, sob o comando de Emerson Leão, é um fato, ou se não passa de fogo de palha.
· Outra expectativa é quanto à apresentação do Botafogo diante do Fluminense, depois das duas goleadas que aplicou nos dois times paranaenses.
· Por falar em times paranaenses, hoje Atlético e Paraná se enfrentam, pela Copa Sul-Americana. É um clássico em que deve sair faísca, já que ambos vêm de derrotas.
· Wanderley Luxemburgo, como sempre, faz mistério, mas deve escalar, hoje, um time misto, para enfrentar o Cruzeiro, na Vila Belmiro, pela Copa Sul-Americana.
· Hélio dos Anjos trocou um time que faz má campanha, por outro que também não anda lá muito bem das pernas. Ou seja, deixou o Fortaleza na mão, para assumir o comando técnico do São Caetano.

* E fim de papo por hoje. Entre em contato, para críticas e sugestões.


pedrojbk@hotmail.com

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