Saturday, February 07, 2009

Verborragia


Pedro J. Bondaczuk


Do meu cigarro, na brasa,
espalha-se a fumaça no ar.
Sutis anéis, fantasias.
Vazios que contêm vazios.
Simbolizam minha emoção,
meus chatos momentos de tédio,
a minha fuga inconseqüente.

Meu cigarro expele a fumaça...
A cigarra, místico cantor,
expele súplicas sem par,
em seu cântico milenar,
choroso, triste, potente
e monótono chamado de amor!
Apelo sibilante e instintivo,
murmúrio...dueto com a brisa
que sussurra tolos segredos
a cochichar em meus ouvidos.
E eu sigo vertendo poesia
sem lhes dar maior atenção.

Na fumaça azulada do
cigarro, a queimar,
sofro fatal hemorragia,
de versos, não de sangue,
em constante, freqüente,
incessante, persistente,
inútil e cabal verborragia.

(Poema composto em Campinas, em 26 de fevereiro de 1968).


No comments: