Pedro J. Bondaczuk
Na tarde sonolenta e fria
de inverno, meu pensamento,
agudo, insolente e vagabundo,
vagava na profunda amplidão azul.
Devassava os mistérios do tempo,
apossava-se de interditas lembranças,
revivia os momentos sepultos
sob o peso de toneladas de dias.
Uma canção dissonante, nostálgica,
soava, surdia e vibrava no ar,
exótica, selvagem, incontrolável
como ondas de irresistível tsunami.
Sutilima aura dançava, graciosa,
a lúbrica dança dos sete véus,
no palco dos meus cabelos revoltos:
mágica sensação de vigorosa euforia.
Um perfume adocicado de saudade
fazia-me zombar da atroz solidão.
Acompanhava-me um coro de fantasmas:
cantava hosanas a um imperecível amor.
Você é vida, você é desejo, você é eterna,
na pífia eternidade dos homens,
porquanto sua pele, seu perfume e sua voz
estão, pra sempre, impregnados em meu ser.
(Poema composto em São Caetano do Sul, em 23 de junho de 1964).
Na tarde sonolenta e fria
de inverno, meu pensamento,
agudo, insolente e vagabundo,
vagava na profunda amplidão azul.
Devassava os mistérios do tempo,
apossava-se de interditas lembranças,
revivia os momentos sepultos
sob o peso de toneladas de dias.
Uma canção dissonante, nostálgica,
soava, surdia e vibrava no ar,
exótica, selvagem, incontrolável
como ondas de irresistível tsunami.
Sutilima aura dançava, graciosa,
a lúbrica dança dos sete véus,
no palco dos meus cabelos revoltos:
mágica sensação de vigorosa euforia.
Um perfume adocicado de saudade
fazia-me zombar da atroz solidão.
Acompanhava-me um coro de fantasmas:
cantava hosanas a um imperecível amor.
Você é vida, você é desejo, você é eterna,
na pífia eternidade dos homens,
porquanto sua pele, seu perfume e sua voz
estão, pra sempre, impregnados em meu ser.
(Poema composto em São Caetano do Sul, em 23 de junho de 1964).
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