Saturday, September 16, 2006

REFLEXÃO DO DIA


O homem, no afã de conquistar o abstrato – fama, fortuna e poder – perde o concreto, que é o ato puro de viver. A vida é dádiva, privilégio, bênção, sagração. Este é seu verdadeiro e único sentido. O mais são fantasias, delírios, elucubrações. As pessoas – raras são as exceções (quando existem) – privam-se dos pequenos prazeres, que somados, se revelam maiúsculos... Senão essenciais... Senão tudo o que de fato vale a pena... Senão o verdadeiro "tosão de ouro" digno de se conquistar... Senão a justificação da existência...

Quisera amar-te, donzela


Pedro J. Bondaczuk


Quisera amar-te, donzela,
com picardia e com calma,
amar-te com toda a alma
e com todos meus sentidos.
Com carinhos envolventes,
pois não somos inocentes,
da falsa moral despidos,
quisera amar-te, donzela.

Quisera amar-te, donzela
da forma que amo a poesia:
dia e noite, noite e dia,
numa ternura sem fim.
E se um dia tu pudesses,
se ardentemente quisesses
entregar-te para mim,
iria amar-te, donzela.

Iria amar-te, donzela.
Amar teu corpo dourado.
Viver em ti meu pecado,
doce pecado de amor!
Trocaria outras paixões
e outras tantas emoções,
por este teu corpo em flor.
Iria amar-te, donzela.

Quisera amar-te, donzela,
mas tu sabes que não posso
dispor do que não é nosso,
posto que não sou ladrão.
Meu fado é cruel, insano,
e eu nem sei se sou humano,
meu desejo é inútil, vão.
Quisera amar-te, donzela.

Quisera amar-te, donzela.
O destino é que não quer.
A dor é minha mulher,
não consigo mais ter paz.
Se canto, meu canto é triste,
de chorar, ninguém resiste
e eu já nem canto mais. Mas...
quisera amar-te, donzela.


(Poema composto em Campinas, em 16 de julho de 1967).

O pulmão do Planeta - V


Pedro J. Bondaczuk

Pesquisas podem derrubar quase mito

Como se vê, é muito importante essa pesquisa que está sendo desenvolvida na Amazônia, para determinar a natureza, e principalmente as conseqüências, dessa alta concentração de gás carbônico sobre a maior reserva florestal do mundo. Embora esse trabalho vá consumir investimento da ordem de US$ 1 milhão, certamente vai trazer retorno, principalmente em termos de conhecimento científico.

Equipamentos bastante sofisticados estão sendo utilizados nessa tarefa, familiarizando técnicos brasileiros na sua manipulação. Entre estes, destaca-se o avião fornecido pela Nasa, dotado de sistemas de raios laser jamais utilizados no Brasil. Esses equipamentos vão permitir que os pesquisadores possam medir as freqüências diferenciadas de absorção do gás carbônico.

Esse teste, até aqui, foi feito apenas por técnicos norte-americanos, e uma única vez, na região do Caribe. Está nos planos da Nasa repeti-lo na China continental e no deserto do Saara, na África. Estudos dessa natureza, visando a determinar as conseqüências da poluição sobre o meio ambiente, tornam-se cada vez mais importantes (e até vitais) para a sobrevivência humana.

É indispensável que conheçamos, com certeza, se a natureza tem ou não algum mecanismo de defesa contra a contínua agressão que o homem exerce sobre ela. Se não tem, manda o bom senso que políticas conservacionistas sejam imediatamente adotadas, e em escala mundial, visando a deter esse autêntico suicídio do ser humano.

Além disso, as pesquisas vão permitir o esclarecimento, de uma vez por todas, do papel das florestas tropicais no processo de oxigenação da Terra. Se elas são, realmente, conforme se propala, os pulmões do mundo. Ou, se ao contrário, concorrem com os seres vivos no consumo de oxigênio.

A primeira proposta, para a realização desses estudos, já é um tanto antiga. Remonta a 1983, quando o presidente norte-americano, Ronald Reagan, esteve em visita ao Brasil. Na oportunidade, ele levantou a possibilidade do estabelecimento de um acordo científico bilateral entre os dois países, com o objetivo de pesquisar, justamente, esse até então desconhecido fenômeno.

A primeira proposta concreta, porém, foi feita no ano passado e, posteriormente, adaptada pelos pesquisadores brasileiros, para incluir o estudo das correntes de ar. As conclusões, pelo menos iniciais, deverão ser divulgadas ainda no corrente ano, provavelmente apenas no âmbito científico.

Provavelmente, contudo, em futuro não muito remoto, poderemos saber, com relativa certeza, se a Floresta Amazônica (e, por extensão, as demais florestas tropicais) atuam, de fato, como filtros contra a poluição, se são afetadas pelos poluentes (e em que medida), ou se são, na verdade, concorrentes do homem na demanda pelo oxigênio da atmosfera.

(Matéria Especial, publicada na página 21, do Correio Popular, em 27 de julho de 1985).

Friday, September 15, 2006

REFLEXÃO DO DIA


O poeta Vinícius de Moraes, com sua sensibilidade mágica, expressou bem o sentimento de apego às pessoas que gostamos e de cuja presença, mesmo que seja apenas espiritual, nos recusamos a abrir mão, numa pungente crônica que diz, em determinado trecho: “Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim. Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus...Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres este sagrado amor. Amai e bebei uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém. Amai, porque nada melhor para a saúde do que o amor correspondido. Mas sobretudo não morrais, amigos meus!” É um apelo semelhante que faço diariamente, a todas as pessoas que amo e cuja amizade me equilibra e me completa: não vos deixeis morrer!!!

O pulmão do Planeta - IV


Pedro J. Bondaczuk

Volume ideal de dióxido para acelerar a fotossíntese

O dióxido de carbono, nocivo ao homem, é vital, como já vimos, às plantas. Mas há um limite de concentração para que o metabolismo vegetal ocorra. O teor desse gás no ar é de 0,03% de seu volume. O ideal, para a fotossíntese, todavia, é uma taxa quase quatro vezes maior, ou seja, de 0,1% do volume.

Com essas concentrações, obtidas artificialmente em estufas, os tomateiros, por exemplo, tiveram um rendimento três vezes superior ao normal. O mesmo ocorreu em relação ao pepino e a outras hortaliças. Conclui-se que a presença de até três vezes mais dióxido de carbono na Amazônia, do que a existente, de forma natural, não traria nenhum prejuízo às plantas. Pelo contrário. Aumentaria a sua exuberância, ao se atingir o volume ideal para o processo da fotossíntese.

Entretanto, o risco é que essa concentração, considerada benéfica, seja bem maior. A fotossíntese, então, seria inibida e poderia ser deflagrado um processo de morte da floresta, de conseqüências impossíveis de se avaliar com precisão. Isso, é claro, caso a natureza não conte com algum mecanismo desconhecido de auto-regulação, que os botânicos ainda não tenham descoberto.

A quantidade de carbono existente na Terra, em virtude do ciclo de reposição, é suficiente para uma superfície plantada que abranja, praticamente, todo o solo do Planeta, sem nenhum prejuízo. Alguns números podem esclarecer melhor a questão: um metro quadrado de superfície de folhas produz, por hora, meia grama de amido.

Para tanto, necessita de 0,25 grama de carbono. Uma árvore, de massa desidratada de 5 toneladas, contém 2,5 toneladas desse elemento, que ela retirou, no curso de toda a sua vida, de 16 milhões de metros cúbicos de ar, aproximadamente.

Ao mundo vegetal estão ligadas, estimativamente, 300 bilhões de toneladas de carbono e, ao animal, apenas 1% desse total. Por seu turno, estima-se que a atmosfera contenha 570 bilhões desse elemento. Como são absorvidos, anualmente, através da fotossíntese, entre 13 a 22 bilhões de toneladas de carbono, suas reservas chegariam rapidamente à exaustão se não houvesse esse ciclo de renovação.

Robert Mayer, descobridor da “Lei de Conservação da Energia”, definiu, com precisão, a importância da fotossíntese para a vida. Disse que “a natureza propõe-se à tarefa de captar a luz irradiada para a Terra, armazenando a mais móvel de todas as forças, em uma forma fixa. Para atingir este objetivo, povoou a crosta terrestre de organismos vivos que absorvem a luz solar, e aproveitam a energia desta força para produzirem, continuamente, uma série de processos químicos. Estes organismos são as plantas”.

(Matéria Especial, publicada na página 21, do Correio Popular, em 27 de julho de 1985).

Thursday, September 14, 2006

REFLEXÃO DO DIA


Cada novo dia que nasce é uma oportunidade que a vida nos dá. É uma possibilidade – iminente ou remota, não importa –, de tentarmos realizar os nossos projetos, de concretizarmos o nosso adormecido e inexplorado potencial, de surpreendermos o mundo e de, assim, mudarmos situações que nos sejam, ou pelo menos pareçam, negativas. Afinal, as aparências vivem a nos pregar peças e a enganar nossos sentidos (até mesmo o nosso intelecto). O que não podemos, e não devemos, é nos entregar ao desânimo e ao pessimismo e abrir mão dos nossos sonhos e ideais.

O pulmão do Planeta - III


Pedro J. Bondaczuk

Densa nuvem de freon a somente 3 mil metros de altura

A estranha concentração gasosa verificada na Amazônia foi descoberta em novembro de 1981. O instrumento que possibilitou sua detecção foi o Sistema Monitor de Poluição do Ar, conhecido pela sigla inglesa Maps. Ele foi transportado, na ocasião, a bordo de um dos vários ônibus espaciais norte-americanos e detectou o fenômeno não apenas sobre a Floresta Amazônica. Todavia, as nuvens mais densas estavam exatamente nessa área.

O cientista Volker Kirchoff, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), descobriu, posteriormente, algo até mais grave. Ou seja, que essas concentrações de gás carbônico, que normalmente ocorrem a altitudes que variam de 25 a 30 quilômetros na atmosfera, estavam a apenas 3 mil metros sobre a Floresta Amazônica. E que continham formações de gás freon, normalmente liberado dos produtos acondicionados em latas do tipo aerosol.

O que é mais grave, nisso tudo, é que as nuvens localizadas sobre a mata são de monóxido de carbono, quando se sabe que as plantas precisam, para a fotossíntese, de dióxido de carbono. Para a transformação de um em outro, faltaria um átomo de oxigênio em cada molécula.

Considerando que, por algum mecanismo inexplicável, essa mudança ocorresse em grande escala, a reação química iria demandar quantidade razoável desse gás que é essencial à vida. Superior, até mesmo, às quantidades liberadas no processo natural da fotossíntese.

É claro que se essa hipótese for a verdadeira, não haverá nenhum drama. A floresta, embora a princípio consumisse mais oxigênio do que o liberado, estaria atuando como uma espécie de filtro da poluição atmosférica. No final das contas, em um determinado instante, todo o monóxido estaria transformado em dióxido, acelerando a fotossíntese e, com isso, repondo na atmosfera o oxigênio.

Melhor será se a Amazônia, por alguma razão inexplicável, estiver atraindo essas nuvens de poluição. Mas isso, também, teria o seu aspecto negativo. O risco estaria no fato das substâncias poluentes da atmosfera não serem constituídas apenas do gás monóxido de carbono.

Grandes emanações sulfurosas são lançadas, também, a cada minuto, no ar, em concentrações imensas. Por exemplo, o enxofre, liberado pelas chaminés das grandes fábricas da cidade de São Paulo é num volume dez vezes superior ao que destruiu as bíblicas cidades de Sodoma e de Gomorra, no Oriente Médio, provavelmente em decorrência da erupção de algum grande vulcão localizado no chamado “cinturão de fogo” da região do Oceano Pacífico.

Se nas nuvens de poluição, pretensamente provenientes de San Francisco e de Los Angeles, esse elemento também estiver presente, a Floresta Amazônica estará correndo um grave risco: o da ocorrência da chamada “chuva ácida”, fenômeno que vem provocando a morte de diversas áreas florestais na Alemanha, nos Estados Unidos e no Canadá. O enxofre emanado das chaminés reage com o vapor de água, da atmosfera, e produz o altamente corrosivo ácido sulfúrico, letal para os vegetais.

(Matéria Especial, publicada na página 21, do Correio Popular, em 27 de julho de 1985).

Wednesday, September 13, 2006

REFLEXÃO DO DIA


Jorge Luís Borges indaga, com pertinência, num dos seus magníficos textos: “Que é o nosso passado, senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado?”. Sim, que diferença existe? Em termos práticos, nenhuma! Fernando Pessoa, por seu turno, em sua “Ode de Ricardo Reis – I”, nos dá a “fórmula de grandeza”: “Para ser grande, sê inteiro: nada/teu exagera ou exclui./Sê todo em cada coisa./Põe quanto és/no mínimo que fazes./Assim em cada lago a lua toda/brilha, porque alta vive”. Integridade! Este é o segredo dos vencedores! Claro que, sendo íntegros, não temos nunca a certeza da vitória! Nunca se tem! Mas, “nos escondendo” no passado, ou nos limitando a “sonhar” com o futuro, podemos estar certos de uma coisa: o fracasso será fatal! E isso, certamente, é o que não queremos.

O pulmão do Planeta - II



Pedro J. Bondaczuk

Como ocorre o ciclo do carbono na natureza

Antoine Laurent Lavoisier, o químico francês considerado um dos criadores da química moderna, concluiu, em sua “Lei da Conservação da Matéria”: “Na natureza, nada se cria e nada se perde, tudo se transforma”. Isso ocorre, também, com todo o material orgânico, necessariamente dotado do elemento carbono. Esta substância é essencial à vida, quer animal, quer vegetal. Portanto, quanto mais seres vivos existirem, maior será a demanda por carbono no Planeta.

Mas o ar e a água representam enorme reservatório natural desse elemento, na forma de dióxido de carbono. Este, por sua vez, é a matéria-prima da fotossíntese das plantas, embora para o homem se constitua em subproduto da respiração. Ou seja, aquilo que os pulmões expelem, após a inalação de oxigênio – que seria como que um combustível utilizado pelo organismo humano para a queima do açúcar, gerador da energia que impulsiona os músculos e, assim, produz toda a sua atividade motora – é indispensável aos vegetais. Animal e planta, dessa forma, estabelecem um equilíbrio gasoso, impedindo que haja excesso de um dos dois gases.

A fotossíntese é a transformação, efetuada pelas plantas verdes, dotadas de clorofila, do dióxido de carbono, associado à água, em açúcar, em presença da luz. Esse processo é fundamental para o delicado mecanismo que possibilita a vida na Terra. É que o metabolismo vegetal é o único processo natural conhecido no qual, a partir de uma substância inorgânica, forma-se outra, orgânica. A fotossíntese contém, portanto, energia biologicamente utilizável. Por isso a vida depende dela, direta ou indiretamente.

Hoje sabemos que os primeiros seres vivos surgiram no Planeta há pelo menos dois milhões de anos. Se a substância orgânica não pudesse ser decomposta, em determinado estágio da sua trajetória histórica, a Terra ficaria totalmente coberta por espessa capa de plantas mortas. A conseqüência imediata disso seria a extinção de toda espécie de vida. E é fácil de se explicar a razão.

Como o carbono não seria devolvido à natureza, num certo momento, suas reservas ficariam exauridas. Ainda mais quando se sabe que as plantas assimilam, na fotossíntese, em termos quantitativos, muito mais esse elemento do que seu metabolismo necessita. E a reposição da matéria orgânica, em conseqüência, via de regra, é menor.

Mas a natureza tem mecanismos de autodefesa funcionando com perfeição. É dotada de vários seres capazes de decompor as substâncias vegetais mortas. Com isso, as reservas de carbono são constantemente renovadas, num interminável processo cíclico. Toda substância orgânica, mesmo as minerais (como o carvão e o petróleo) subordina-se, em princípio, a esse fenômeno. É decomposta e devolvida a esse “reservatório”.

Isso também acontece com as reservas de oxigênio. Esse gás, no processo de fotossíntese, é liberado como subproduto, renovando a camada gasosa da atmosfera. Por isso, a maior capa vegetal do Planeta (portanto, onde ocorre, com maior intensidade, a fotossíntese) é considerada o “pulmão” da Terra. Só que agindo de forma inversa à ação do pulmão humano. Ou seja, em vez de expelir dióxido de carbono, absorve-o. Em contraposição, expele o precioso (para os animais) oxigênio


(Matéria Especial, publicada na página 21, do Correio Popular, em 27 de julho de 1985).
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Tuesday, September 12, 2006

O pulmão do Planeta - I


Detectada grande concentração de gás carbônico sobre a Floresta Amazônica


Pedro J. Bondaczuk


A Floresta Amazônica sempre foi tida como o “pulmão do Planeta”, permanente renovadora do indispensável oxigênio da Terra. Uma nova situação, porém, constatada por um dos ônibus espaciais da Nasa, se comprovada, pode modificar, dramaticamente, esse conceito. Trata-se da detecção de uma grande concentração de gás carbônico, verificada na área que, inclusive, valeu manchete, em 10 de julho de 1985, no “Jornal do Brasil”.

É claro que antes de um cuidadoso estudo, os cientistas não podem afirmar, de maneira categórica, por exemplo, que ao invés de absorver o monóxido de carbono (letal para o homem, mas indispensável no processo de alimentação das plantas), a Floresta Amazônica esteja atuando como consumidora de oxigênio. Para tanto, uma equipe, de 40 especialistas, está analisando a questão, buscando definir, de vez, o fenômeno e explicar exatamente o que está acontecendo.

As hipóteses de trabalho são duas, e diametralmente opostas. A primeira seria quanto a um excesso de emanação de gás carbônico pela mata, que seria causado por um processo de decomposição da matéria orgânica mais rápido do que o de crescimento de nova vegetação. As plantas mortas participam do chamado “ciclo do carbono”, devolvendo essa substância, que utilizam, quando vivas, à natureza.

A segunda hipótese é que a Floresta Amazônica, pela sua altíssima concentração vegetal, estaria, na verdade, atraindo as emanações de gás carbônico, lançadas fartamente na atmosfera pelos milhões de veículos que circulam diariamente nas grandes metrópoles mundiais, para o seu próprio uso.

Isso explicaria a exuberância da mata, mesmo em se sabendo que as terras em que se localizam são muito pobres em nutrientes. Caso essa explicação seja a mais plausível, a existência dessa gigantesca concentração florestal deixaria de ser apenas importante. Passaria a ser vital para a própria manutenção da vida no Planeta.

Uma terceira explicação, porém, está sendo cogitada. É a de que parte da poluição registrada na costa da Califórnia, especialmente em San Francisco e em Los Angeles, estaria sendo, por razões até aqui inexplicáveis, deslocadas pelos ventos para o equador, mais especificamente para a zona do Atlântico, próxima à foz do Rio Amazonas. Dada a sua alta concentração, a floresta não estaria conseguindo absorver esses gases que poderiam, eventualmente, trazer sérios riscos à sobrevivência da mata.

O trabalho de campo da pesquisa, que está sendo feita pelos técnicos e cientistas, deve levar quarenta dias para ser completado. Faz parte do programa denominado “Experimento Troposférico Global/Experimento da Camada Limite da Atmosfera Sobre a Amazônia”, cuja sigla, em inglês, é GTE/ABLE. Ele é coordenado pelo Instituto de Pesquisas Espaciais, com a participação de seis universidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas e Pará.

Esse grupo será apoiado por um avião especial da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa), dotado de toda a instrumentação necessária para a medição do movimento dos ventos em toda a floresta e, especialmente, das estranhas concentrações gasosas.

Como ocorre o ciclo do carbono na natureza

Antoine Laurent Lavoisier, o químico francês considerado um dos criadores da química moderna, concluiu, em sua “Lei da Conservação da Matéria”: “Na natureza, nada se cria e nada se perde, tudo se transforma”. Isso ocorre, também, com todo o material orgânico, necessariamente dotado do elemento carbono. Esta substância é essencial à vida, quer animal, quer vegetal. Portanto, quanto mais seres vivos existirem, maior será a demanda por carbono no Planeta.

Mas o ar e a água representam enorme reservatório natural desse elemento, na forma de dióxido de carbono. Este, por sua vez, é a matéria-prima da fotossíntese das plantas, embora para o homem se constitua em subproduto da respiração. Ou seja, aquilo que os pulmões expelem, após a inalação de oxigênio – que seria como que um combustível utilizado pelo organismo humano para a queima do açúcar, gerador da energia que impulsiona os músculos e, assim, produz toda a sua atividade motora – é indispensável aos vegetais. Animal e planta, dessa forma, estabelecem um equilíbrio gasoso, impedindo que haja excesso de um dos dois gases.

A fotossíntese é a transformação, efetuada pelas plantas verdes, dotadas de clorofila, do dióxido de carbono, associado à água, em açúcar, em presença da luz. Esse processo é fundamental para o delicado mecanismo que possibilita a vida na Terra. É que o metabolismo vegetal é o único processo natural conhecido no qual, a partir de uma substância inorgânica, forma-se outra, orgânica. A fotossíntese contém, portanto, energia biologicamente utilizável. Por isso a vida depende dela, direta ou indiretamente.

Hoje sabemos que os primeiros seres vivos surgiram no Planeta há pelo menos dois milhões de anos. Se a substância orgânica não pudesse ser decomposta, em determinado estágio da sua trajetória histórica, a Terra ficaria totalmente coberta por espessa capa de plantas mortas. A conseqüência imediata disso seria a extinção de toda espécie de vida. E é fácil de se explicar a razão.

Como o carbono não seria devolvido à natureza, num certo momento, suas reservas ficariam exauridas. Ainda mais quando se sabe que as plantas assimilam, na fotossíntese, em termos quantitativos, muito mais esse elemento do que seu metabolismo necessita. E a reposição da matéria orgânica, em conseqüência, via de regra, é menor.

Mas a natureza tem mecanismos de autodefesa funcionando com perfeição. É dotada de vários seres capazes de decompor as substâncias vegetais mortas. Com isso, as reservas de carbono são constantemente renovadas, num interminável processo cíclico. Toda substância orgânica, mesmo as minerais (como o carvão e o petróleo) subordina-se, em princípio, a esse fenômeno. É decomposta e devolvida a esse “reservatório”.

Isso também acontece com as reservas de oxigênio. Esse gás, no processo de fotossíntese, é liberado como subproduto, renovando a camada gasosa da atmosfera. Por isso, a maior capa vegetal do Planeta (portanto, onde ocorre, com maior intensidade, a fotossíntese) é considerada o “pulmão” da Terra. Só que agindo de forma inversa à ação do pulmão humano. Ou seja, em vez de expelir dióxido de carbono, absorve-o. Em contraposição, expele o precioso (para os animais) oxigênio.


(Matéria Especial, publicada na página 21, do Correio Popular, em 27 de julho de 1985).

REFLEXÃO DO DIA


A maioria das pessoas tem a insensatez de, ou se preocupar demais com o futuro – esse tempo vago, que ainda não aconteceu – ou com o passado –, que não pode mais ser modificado. Ficamos aflitos, por exemplo (não sem razão, convenhamos), quando estamos desempregados e somos impedidos de fazer o que mais gostamos e/ou mais sabemos. É uma situação, infelizmente, bastante comum nessa época dita de globalização econômica. Um dos efeitos mais perversos do desemprego é a queda, quando não a supressão da auto-estima. Mais prudente e prático, porém, em vez de nos entregarmos à aflição, à indolência e ao desespero, é arregaçarmos as mangas e partirmos para a luta. É persistirmos, persistirmos e persistirmos sem desânimo face aos percalços e obstáculos desse dia, ou do vindouro, ou de outros tantos do porvir. Amanhã tudo pode ser diferente, talvez com a providencial ajuda do acaso.

O leão e a abelha




Pedro J. Bondaczuk


Os atentados de 11 de setembro de 2001 estabeleceram, pela sua violência e dramaticidade, as marcas que, certamente, irão caracterizar todo este início de milênio. Passados cinco anos da catástrofe, seus mentores permanecem impunes, enquanto milhares de inocentes perderam (e perdem diariamente) suas vidas, na tentativa, até aqui frustrada, da única superpotência mundial de retaliar a sangrenta agressão.
Poucas vezes na história (se é que houve alguma), alguém foi caçado com tanta intensidade e com tão grande e sofisticado aparato bélico quanto o líder da Al Qaeda, o saudita Osama Bin Laden. Em vão! Esse episódio pode ser ilustrado com a fábula do leão e da abelha. O chamado rei dos animais é temido e se impõe a qualquer outro do seu tamanho ou maior do que ele (inclusive o homem, em determinadas circunstâncias). Todavia, é absolutamente impotente para enfrentar o minúsculo inseto. Quando ferroado, só pode rugir, frustrado e irado e tentar, em vão, alcançar a frágil abelhinha, que o ataca como e quando quiser, impunemente.
“O mundo, certamente, jamais será o mesmo depois deste 11 de setembro de 2001", enfatizou, profeticamente, um repórter de TV, durante a cobertura desses que, sem dúvida, foram, até aqui, os maiores atentados terroristas da história, ocorridos quase que simultaneamente em Nova York e em Washington, que redundaram na destruição de dois dos maiores símbolos do capitalismo: as torres gêmeas, de 110 andares cada, do World Trade Center, o coração financeiro do mundo globalizado, e o prédio do Pentágono, ícone do maior e mais avançado sistema militar da Terra.
Quem viu, incrédulo, aquelas imagens, por mais insensível, desinformado ou alienado que seja, jamais vai conseguir esquecer as cenas de horror e insânia, testemunhadas por bilhões de pessoas através da televisão. Gente se jogando das janelas dos edifícios afetados, bombeiros e policiais se dirigindo para os prédios em chamas, talvez inconscientes de que perderiam suas vidas, no afã de salvar as do próximo. E, para culminar, as duas magníficas obras arquitetônicas ruindo fragorosamente, como frágeis castelos de cartas, numa nuvem negra de fumaça e poeira, igual à dos vulcões em erupção.
Quantos morreram na catástrofe? Seis mil pessoas? Dez mil? Vinte mil? Nunca se saberá com certeza! As cifras foram as mais diversas e conflitantes. Horror dos horrores! E, infelizmente, se tratou apenas do início de uma era de turbulências internacionais, de conseqüências imprevisíveis, em que a emoção prevalece sobre a razão. Desde então, o leão vem tentando a todo o custo retaliar a abelha, com ações tão insensatas em sua essência quanto os atentados.
Primeiro foi o Afeganistão, por dar abrigo a Osama Bin Laden. A seguir, o presidente George Bush (o filho) decidiu aproveitar o embalo para vingar o pai, que bem que tentou, mas não conseguiu, depor o iraquiano Saddam Hussein. A pretexto de que o Iraque teria armas químicas e biológicas, acusação que depois se comprovou ser incorreta, as tropas norte-americanas invadiram esse país e o lançaram na confusão e no caos, que persistem até hoje.
Está certo agir dessa maneira? É ético? É aceitável? É, pelo menos politicamente, inteligente ou aceitável? Guardadas as devidas proporções, os ataques norte-americanos quer ao Afeganistão, quer ao Iraque, baseados em vagas suposições ou em algo parecido, são, à luz da justiça, do Direito Internacional, atos terroristas até piores do que aqueles que redundaram na destruição das torres gêmeas de Nova York e de uma ala do Pentágono.
Retaliar mais quem? O Irã dos aiatolás, que parece ser o alvo da vez, com pretexto semelhante ao adotado para justificar a invasão do Iraque? A Líbia, de Muammar Khadafy? A Síria, há tempos na mira do Pentágono? O Líbano, mais uma vez arrasado, por não ter como sequer se defender? Os territórios palestinos, há décadas autêntica terra de ninguém? Provavelmente, em seu devido tempo, todos eles! Afinal, o leão não se conforma em deixar a abelha impune por sua ousadia.
Ninguém, em sã consciência, claro, nem mesmo os fanáticos que deles participam, ousa defender atentados contra pessoas inocentes, seja a que pretexto for. São atos covardes, criminosos, vis, absolutamente indefensáveis sob quaisquer aspectos. A vingança, no entanto, também é. O terrorismo atingiu, em 11 de setembro de 2001, proporções paroxísticas, sombrias, insanas e pavorosas. Se esses atos de ousadia (de loucura, seria mais apropriado dizer) fossem mostrados nas cenas de qualquer filme de catástrofe, dos tantos que há por aí e que passam na televisão, é provável que o telespectador até mesmo desligasse, irritado, o seu aparelho receptor e murmurasse, incrédulo, com seus botões: "É marmelada! Isso é impossível de acontecer!"
Pois bem, aconteceu. E a realidade, como sempre, acabou superando, em muito, a ficção. O que falta, agora, para esses malucos fanáticos, que vêem na morte de pessoas inocentes justificativa para seus delírios paranóicos ou megalomaníacos e que não relutam em sacrificar a própria vida por uma causa tão absurda e irreal, baseada unicamente na violência e na destruição? Um atentado com armas químicas ou biológicas? Uma explosão nuclear?
Violência só gera mais violência, num moto contínuo de ódio e destruição. Não seria mais surpresa para ninguém, principalmente para aqueles que se interessam por questões de segurança, se amanhã ou depois circulasse a informação que alguma facção terrorista se apossou, espetacularmente, de uma bomba nuclear, mesmo que rudimentar e de baixa potência, e a detonou em Washington, Nova York, Paris, Moscou, Berlim ou Londres. Principalmente depois que a União Soviética se esfacelou e deixou ao alcance de qualquer maluco assassino milhares de ogivas, "pedindo" para serem roubadas. Deus que nos livre de tamanha calamidade! Mas que a possibilidade existe, ninguém de bom senso pode negar.

Monday, September 11, 2006

TOQUE DE LETRA



Pedro J. Bondaczuk

(Fotos: Christiano Mazzola/Portal oficial da Ponte Preta)

VITÓRIA, COMO SEMPRE, DRAMÁTICA E SOFRIDA

A Ponte Preta fez, no sábado, a lição de casa. Derrotou, no Moisés Lucarelli, o lanterna do campeonato, o Santa Cruz, por 2 a 0, numa vitória, como sempre, dramática e sofrida, que só se consolidou nos descontos, aos 49 minutos do segundo tempo, com o golaço de categoria de Tuto. O time tem uma dificuldade enorme de jogar contra adversários retrancados. Nesses casos, manda a boa tática do futebol que se abra o jogo pelas laterais. Ocorre que tanto Iran, quanto Nei, embora fogosos e esforçados, ainda devem bastante em termos de fundamentos, principalmente nos cruzamentos para a área. Ademais, a Macaca ressente-se da ausência do centroavante nato, do ponto de referência que faça o pião para que os avantes vindos de trás arrematem a gol. Tenho certeza que, com um jogador assim, Tuto, que já fez sete gols neste Brasileirão, faria muito mais. Ainda há tempo para inscrever essa peça fundamental. Resta saber onde encontrá-la a esta altura do ano.

BUGRE EM EVOLUÇÃO TÉCNICA

É nítida a evolução técnica do Guarani sob o comando de Luís Carlos Barbieri. Isso ficou patente no jogo de sexta-feira, quando o Bugre fez valer o mando de campo e não tomou conhecimento do São Raimundo, vencendo o time amazonense, no Brinco de Ouro, por 3 a 1. As boas performances da equipe estão devolvendo a confiança ao torcedor que, aos poucos, volta a prestigiar o clube. Na partida de sexta-feira, o Guarani não pôde contar com sua maior estrela, um dos artilheiros da Série B, Edmilson, e ainda assim não se ressentiu dessa ausência. O garoto Eder e o meia Deivid fizeram o torcedor esquecer do seu ídolo. O próximo adversário do Bugre, o Náutico, é uma pedreira. Além de disputar a liderança, o time pernambucano está mordido com a derrota que sofreu diante do Paysandu, em Belém, e certamente virá para cima. Esse será, por conseqüência, o grande teste para avaliar a evolução bugrina.

TORCIDA SE RENDE A TUTO

Finalmente, parece que a torcida pontepretana se rendeu à eficiência e ao espírito de luta do atacante Tuto, que no sábado fez um gol de muita técnica e categoria diante do Santa Cruz. E não era sem tempo. Dificilmente outro atacante qualquer, de mais nome no futebol brasileiro, teria o mesmo rendimento desse catarinense, que fez quase toda a sua carreira no Japão, nesse esquema de jogo adotado há tanto tempo pela Ponte Preta, que sacrifica em demasia os atacantes, para priorizar o sistema defensivo. E, apesar disso, a Macaca tem ainda a defesa mais vazada da Série A. Aos menos avisados, fica a impressão de que Tuto é um avante limitado, meramente trombador. Quem pensa assim está muito equivocado. O gol que o atacante fez contra o Santa Cruz mostrou que não é nada disso. Tivesse um companheiro à altura, e fosse outro o esquema de jogo do time, certamente seu rendimento seria ainda muito maior. Foi bom, portanto, ver a torcida gritando o nome do artilheiro, dando-lhe moral para que continue visitando, cada vez mais, as redes adversárias.

HOMEM CERTO NO LUGAR CERTO

A cada dia que passa, cresce o meu respeito (e, certamente, muito mais, o do torcedor bugrino) pelo atual presidente do Guarani, Leonel Martins de Oliveira. Quando ele assumiu o cargo, há cerca de três meses, a situação do clube era caótica. Atolado em dívidas, pipocavam cobranças de todo o lado e o descontentamento era geral. Os problemas administrativos refletiam-se em campo, notadamente durante o Campeonato Paulista, quando o Bugre acabou rebaixado para a Série A-2. Leonel, tão logo assumiu, deixou de lado as disputas internas, arregaçou as mangas e começou a trabalhar. Foi, sobretudo, humilde e não teve dúvidas em pedir a ajuda da coletividade bugrina. E esta, embora ainda não na intensidade necessária, começou a vir. Com competência e criatividade, equacionou os problemas mais urgentes, reforçou o plantel e, embora nem tudo esteja resolvido, já há uma perspectiva de dias melhores para esse tradicional clube campineiro. Leonel está provando que é, de fato, o homem certo no lugar certo. Que continue assim.

FAVORITISMO PASSA PARA TIMES DO SUL

O empate de 0 a 0 de ontem, no clássico do Morumbi, em que o São Paulo não conseguiu dobrar um Corinthians que jogou com apenas nove jogadores a maior parte do jogo, me faz mudar o palpite sobre o favorito à conquista do Campeonato Brasileiro da Série A deste ano. O tricolor paulista, tido e havido quase que consensualmente pela crítica como o melhor time do futebol do País na atualidade, não mostrou nada disso na partida de ontem. Aliás, desde antes da decisão da Copa Libertadores da América, conquistada pelo Internacional, que se notava uma abrupta queda de rendimento sãopaulino. Ontem, porém, foi a gota d’água. Quem esteve no Morumbi viu um São Paulo apático, sonolento, sem vibração e sem nenhuma criatividade. É verdade que os atletas corintianos se superaram, em termos de vontade e de espírito de luta. Contudo, tecnicamente, o time comandado por Leão mostrou que ainda é o mesmo: bastante frágil e, sobretudo, previsível. Tudo indica que o título deste ano vai para o extremo Sul do País: ou para o Grêmio ou para o motivado Internacional.

COMPETIÇÃO EMBOLADA

Falam tanto sobre o fato da Ponte Preta estar na tal zona de rebaixamento, que não deve ser olhada somente pelo enfoque dos quatro últimos colocados (já que por pontos, vários times estão nessa posição da tabela, com o desempate feito apenas pelos critérios de saldo de gols etc.), mas o fato é que, com certeza, o torcedor só vai saber quais equipes vão cair quando faltarem duas ou três rodadas para o encerramento da competição. Além da Macaca, do São Caetano, do Fortaleza e do Santa Cruz, estão a perigo o Corinthians, o Goiás, o Flamengo, o Botafogo, o Cruzeiro, o Fluminense, o Atlético Paranaense e o Palmeiras. Como se vê, vai ser uma briga de foice no escuro até o fim do ano e vão escapar, apenas, os que tiverem maior cacife, e não propriamente técnico (já que todos, nesse aspecto, estão nivelados por baixo), mas político.

RESPINGOS...

· O garoto Denis, revelado pela Ponte Preta e depois deixado ao Deus dará, é uma das grandes revelações do Campeonato Brasileiro, atuando na lateral-direita do Santos. O jogador chegou a abandonar a carreira, mas foi resgatado para o futebol pelo Ipatinga. Hoje Denis seria titular absoluto na Ponte. Mas...
· O Botafogo provou, diante do Fluminense, pela Copa Sul-Americana, e do Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, que as duas goleadas sobre o Paraná e Atlético Paranaense não passaram de fogo de palha. Continua o timinho de sempre.
· Se o Santos jogar apenas o futebolzinho que jogou ontem, no empate de 1 a 1 diante do Fortaleza, vai perder para a Ponte, no final de semana, principalmente se a Macaca jogar o que jogou contra o Fluminense.
· A Portuguesa não tem jeito mesmo! Foi tomar um empate do Coritiba, no Canindé, aos 49 minutos do segundo tempo, com um gol de cabeça de um jogador com pouco mais de 1,50 metro! Êta defesinha ruim!
· Se o São Paulo jogar, quinta-feira, contra o Boca Juniors, somente o que jogou ontem contra o Corinthians, certamente vai dar vexame em pleno Morumbi.

* E fim de papo por hoje. Entre em contato, para críticas e sugestões.


pedrojbk@hotmail.com

REFLEXÃO DO DIA


O semeador, da parábola de Cristo, lançou primeiro sua semente por entre as pedras. Mesmo tendo germinado, a planta embrionária não tinha como fixar raízes, dada a rigidez do solo. Não havia humus. Inexistia a umidade. Faltavam, portanto, o alimento e a água. Dessa forma, ou os pássaros devoraram o que foi semeado, ou o sol crestou a semente, a inutilizando. A segunda foi lançada sobre a areia, em meio a urzes. Germinou, fixou raízes, mas estas não tinham firmeza. Um simples vento arrancou a planta em formação, matando-a ou as ervas daninhas sufocaram-na. A terceira semente, no entanto, caiu em terra fértil. Germinou, radicou-se, desenvolveu-se, cresceu e frutificou. Assim são as mensagens espalhadas pelos idealistas. Têm que ser múltiplas e semeadas incansavelmente. Mesmo assim há riscos de nenhuma delas vingar. Compete ao semeador tentar, tentar e tentar indefinidamente, enquanto viver. Persistir na persistência.

Sucesso planejado


Pedro J. Bondaczuk


O sucesso não acontece por acaso. É fruto de planejamento, esforço, preparo e, sobretudo, vontade. As pessoas, para serem bem-sucedidas, precisam querer isso, mas de uma forma prática, construtiva, consciente e subconscientemente, além de acreditar nessa possibilidade.
Esse é o teor, resumido, de um curso que o doutor Lair Ribeiro – médico brasileiro, radicado nos Estados Unidos, que além de cardiologista, é treinado em várias áreas da Psicologia e autor de mais de cem publicações científicas em âmbito internacional – ministrou em Campinas, cidade em que resido, há alguns anos, e que tive a oportunidade de assistir.
O eminente cientista, graduado pelo Instituto de Neurolingüística de Nova York e pelo Instituto de Brain Technology de Colorado, membro ativo das Sociedades Americanas de Neurolingüística e Treinamento de Pessoal, defendeu, na oportunidade, a tese de que o cérebro humano é um computador que pode ser programado para o sucesso ou o fracasso, para construir ou destruir, para prolongar a vida ou a extinguir abruptamente.
Inúmeros pensadores já disseram, das formas mais variadas, tudo isso, como “a fé remove montanhas”, “querer é poder” etc., que embora sejam verdades comprovadas e testadas, não são levadas em conta, por já terem se transformado em clichês.
Mas o sucesso não acontece por acaso. Sorte, por exemplo, não é nada mais do que a pessoa se encontrar no lugar certo, na hora adequada, para aproveitar determinadas oportunidades. E para que isso ocorra, evidentemente, ela precisa estar predisposta, preparada, apta a não deixar fugir a chance, que pode ser a única (ou não).
O cérebro humano precisa de estímulos, de ginástica, de exercícios. Quanto mais vier a ser exigido, mais ampliará o seu alcance, sua capacidade de retenção e elaboração de informações. Pensar não dói e é um ato saudável. Mas como é o cérebro que comanda todas nossas emoções e ações, a qualidade, e o teor, desses pensamentos são muito importantes. Quem, por exemplo, não projeta na mente um futuro brilhante, pode estar abreviando a própria vida. O pessimismo é um veneno que mata lenta e metodicamente.
Inúmeras experiências provaram que a vontade opera milagres. Há pessoas que morrem de repente, sem que tenham qualquer doença, e ninguém sabe explicar a razão. Investigando seu comportamento, todavia, invariavelmente se descobrem que elas não tinham esperanças, ambições a serem conquistadas, sonhos a serem concretizados, alegria e nem vontade de viver.
Alguns monges no Japão programaram suas próprias mortes, marcando, inclusive, dia e hora. E morreram no momento exato que queriam, de causas naturais, sem que tivessem qualquer doença ou sofressem algum eventual acidente. Simplesmente apagaram, como a chama de uma vela em um vendaval.
Quando se diz que Nostradamus adivinhou a data da sua morte, com antecedência de muitos anos, é uma afirmação incorreta. Ele, na verdade, programou-a em seu cérebro, talvez, até, involuntariamente.
Um grupo de pesquisadores norte-americanos estudou, durante 25 anos, aproximadamente mil milionários, rigorosamente selecionados, para avaliar o por quê do seu sucesso. Dessa pesquisa, resultaram seis características presentes em quase todos eles: auto-estima, comunicação, capacidade de estabelecer metas, atitude otimista, amor ao trabalho e ambição.
Seria mera coincidência? Para pessoas como o doutor Lair Ribeiro, como Dale Carnegie, como Norman Vincent Peale, como Napoleon Hill e outros tantos programadores de cérebros, não. Nada é mais pernicioso, inútil e destrutivo do que o pessimismo, o derrotismo, o permanente mau-humor.
Mais inteligente é expandir as fronteiras do nosso raciocínio até onde isso for possível, permanentemente, de forma sistemática, pois este é o significado básico do exercício do livre-arbítrio, que é aquilo que distingue o homem da besta bronca. O sucesso não ocorre por acaso, embora não seja fácil. Que tal enfrentar o desafio? O resultado, certamente, será para lá de compensador. Tente!!!

Sunday, September 10, 2006

REFLEXÃO DO DIA


A propósito dos abnegados semeadores de ideais, que raramente (ou nunca) colhem aquilo que semearam, e se o fazem, jamais é em proveito próprio, o padre Antônio Vieira (um desses seres raros e preciosos que iluminaram os caminhos da humanidade) fez uma profunda reflexão, em um dos seus inesquecíveis sermões, que atravessaram três séculos, por sua forma e conteúdo serem primorosos. Constata o erudito sacerdote: "Nas outras artes, tudo é arte; na música tudo se faz por compasso, na arquitetura tudo se faz por regra, na aritmética tudo se faz por conta, na geografia tudo se faz por medida. O semear não é assim. É uma arte sem arte: caia onde cair".

Projeção coletiva


Pedro J. Bondaczuk


A trágica morte do piloto Ayrton Senna da Silva surpreendeu-nos e comoveu-nos, não apenas pela forma inesperada com que chegou, mas pela intensidade das emoções que nos despertou. Provocou uma comoção nacional e manifestações espontâneas de carinho, misturadas à dor e à tristeza da perda.
Todos nos sentimos como se houvéssemos perdido um irmão, um filho, um parente muito querido. E perdemos. Profissionais de imprensa, calejados pelos anos de profissão, acostumados a lidar com as mais brutais tragédias, choraram feito crianças, incapazes de controlar a emoção. Um sentimento de dor uniu a todos os brasileiros, de todas as classes e todas as partes desse complexo país-continente, que lhe tributaram a maior manifestação de carinho e saudade provavelmente da história.
O que nos aconteceu para que nos sentíssemos como estamos nos sentindo desde o domingo, quando Senna encontrou a morte na curva Tamburello, do circuito de Ímola, na Itália, quando buscava completar a sétima volta do Grande Prêmio de San Marino de Fórmula 1? Podem ser tentadas várias explicações. Provavelmente, nenhuma será convincente.
O jovem piloto projetou, em nosso inconsciente, a imagem que secretamente todos fazemos de nós mesmos: a do vencedor. Foi o catalisador das nossas carências, especialmente afetivas, nesta fase difícil e prolongada que o País atravessa.
O brasileiro – agora ficou demonstrado – ama como ninguém sua Pátria, mas precisava de um motivo, qualquer que fosse, para justificar esse amor. Projetou-o em Senna, que sempre fez questão de mostrar, publicamente, o orgulho que tinha pela sua nacionalidade, ao contrário de tantos outros homens bem-sucedidos. Sem que nos apercebêssemos, conquistou mais do que o nosso respeito: a nossa profunda afetividade.
Ele simbolizava, mesmo que não soubéssemos, tudo o que gostaríamos e achávamos que poderíamos ser. Mesmo que não intencionalmente, se transformou num fator de união nacional. Despertou aquele orgulho que sempre trouxemos dentro de nós, mas que não tínhamos motivos para expressar: o de sermos brasileiros.
Sua morte, por outro lado, trouxe à tona, em cada um de nós, a lembrança da nossa própria mortalidade. Revelou-nos que, a qualquer instante, sem nenhum aviso, sem hora marcada, cada um de nós vai encontrar a sua “curva Tamburello”, o que não deixa de ser assustador.
O que vimos em São Paulo, entre anteontem e ontem, ficará marcado para sempre em nossa retina. Levará muito tempo para ser explicado, se é que um dia o será. Senna e o seu arrojo, e principalmente seu sucesso nas pistas de corrida ao redor do mundo, amenizavam nossos complexos de um país que não vem dando certo, pelo menos no que diz respeito à solidariedade, à fraternidade e à justiça social. Mostrou que o brasileiro também pode ser (e de fato é) um vencedor!

(Artigo publicado na página 2, Opinião, do Correio Popular, em 6 de maio de 1994)

Saturday, September 09, 2006

REFLEXÃO DO DIA


O escritor Raduan Nassar expressa: "No fundo, no fundo mesmo, o que importa é vibrar com a vida. Me parece estar aí o ponto de partida da literatura, no que penso inteiramente diferente daquele personagem de Tonio Krueger que diz que quem morre pra vida nasce pra arte". É exatamente ao contrário. Não vejo beleza em esqueletos, em fósseis, em restos humanos ou de qualquer animal. Não acho belos a agonia, o estertor e a extinção. Não há poesia, lirismo e nem arte no desespero, no desânimo e na morte. Estas são fraquezas inerentes à nossa pobre condição humana. Prefiro tentar imitar os deuses... Estou comprometido com a beleza... Busco, a cada segundo, vibrar com a vida...

Rota do impossível


Pedro J. Bondaczuk

Impossível é que me esqueça
--- enquanto me restar um só sopro de vida –
as emoções incontidas, eternizadas
em versos sofridos, trôpegos,
cambaleantes, como um ébrio,
balbuciantes, senão gagos,
porta-vozes de momentos
singulares e muito especiais.

Impossível é esquecer, doce amada,
o primeiro beijo que trocamos,
trêmulos, ávidos e ansiosos,
sob uma frondosa figueira
numa noite escura, sem luar,
num turbilhão de temores e desejos

É apagar de vez da memória
--- da instintiva recordação dos sentidos –
a sua carne quente e macia,
o seu perfume de mulher,
os seus lábios úmidos e rubros,
e sua língua, adocicada,
que se emaranhava na minha
tendo, apenas, por testemunhas
o nosso morno céu da boca
e os dentes, levemente apartados.

Impossível é não lembrar
do nosso orgasmo, simultâneo,
copioso e arrebatador
que lançou místicas sementes
de nova vida em potencial
em seu ventre fértil e receptivo.

Impossível é sobreviver ao tempo,
à sua sanha destruidora
e jamais temer a morte,
com seu mistério de aniquilação
fartamente falado, explicado,
mas incompreendido pela razão,
pelas células do organismo,
pelos múltiplos neurônios e
por nossa insuperável vaidade.

Impossível é deter a marcha
célere e irreversível das horas,
a viagem sem termo das galáxias
com seu cortejo de estrelas
girando sobre si mesmas
em monumental e cósmico balé
na vastidão universal
no vácuo, vazio de matéria,
rumo a insuspeitado destino.

É deter o abstrato tempo,
paralisá-lo num momento marcante,
imobilizá-lo em uma fração
infinitesimal de segundo
em que sejamos eternos,
tenhamos a grata sensação
de sermos fortes, deuses,
imperecíveis e ubíquos
aptos a empreender a façanha
de aniquilar a nossa angústia!

(Poema composto em Campinas, em 4 de março de 1981).

Friday, September 08, 2006

Pirilampo



Pedro J. Bondaczuk

Campos abertos, campos vastos, campos mágicos
dos sentimentos secretos e emoções reprimidas.
Sons ecoam de todos recantos e direções...
Risos, choros e gritos de crianças.
Sussurros lúbricos de desejos e paixões...
Gemidos de angústia e horror, brados de ira.
Fantasmas de uma vida de ilusões e dores
--- alegres lembranças e recordações com gosto de fel –
misturam suas vozes, em selvagens canções,
brincam de roda com os meus sonhos azuis.

Como um raio, riscando ignotos horizontes,
um pirilampo vara a noite da saudade
pisca-piscando irresistíveis tentações.
Olhar de fogo, olhar enganoso, olhar sutil,
olhar esgazeado, desesperador e insano,
olhar sem brilho, álgido e fátuo.

E o pirilampo voa, revoa e se vai...
Só restam a noite, avassaladora e misteriosa
nos campos abertos, campos vastos, campos mágicos
dos sentimentos secretos e emoções reprimidas
e eu, a me esvair em versos e recordações,
fundamente ferido de encantamento e ternura,
numa fatal hemorragia de beleza e de poesia.

(Poema composto em Campinas, em 23 de junho de 1967).